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	<title>Arquivos Pais e Filhos - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Mon, 25 May 2026 18:39:50 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Pais e Filhos - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Será que é tudo Culpa dos Pais?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sera-que-e-tudo-culpa-dos-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 12:42:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[análise junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
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		<category><![CDATA[contemporaneidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pergunta “é tudo culpa dos pais?” frequentemente emerge diante do sofrimento psíquico infantil, sustentando uma visão causal e moralizante. A Psicologia Analítica propõe um deslocamento dessa lógica, enfatizando que a influência parental se dá sobretudo em nível inconsciente. Leia o artigo aqui.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/sera-que-e-tudo-culpa-dos-pais/">Será que é tudo Culpa dos Pais?</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><strong>Um olhar junguiano sobre a culpabilidade dos pais na personalidade dos filhos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: A pergunta “<strong>é tudo culpa dos pais</strong>?” frequentemente emerge diante do sofrimento psíquico infantil, sustentando uma visão causal e moralizante. A Psicologia Analítica propõe um deslocamento dessa lógica, enfatizando que a influência parental se dá sobretudo em nível inconsciente. A criança, em estado de participação mística, encontra-se imersa no campo psíquico dos pais, sendo profundamente afetada por seus conflitos não elaborados, afetos reprimidos e vidas não vividas. A compreensão de que o inconsciente dos pais atua como um solo invisível na constituição da psique infantil, desloca a noção de culpa para a de responsabilidade psíquica. Ainda assim, a criança não é determinada exclusivamente por esse campo, sendo também atravessada pelo inconsciente coletivo e pelo seu próprio processo de individuação</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pergunta-sera-que-e-tudo-culpa-dos-pais-emerge-com-frequencia-tanto-na-clinica-quanto-no-discurso-cultural-contemporaneo" style="font-size:18px"><strong>A pergunta: “Será que é tudo culpa dos pais?” emerge com frequência tanto na clínica quanto no discurso cultural contemporâneo.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do sofrimento psíquico, é comum buscar causas objetivas e responsáveis diretos (e externos). Muito frequentemente, procura-se culpabilizar os pais por todo sofrimento psíquico dos filhos, muitas vezes não levando em conta as dinâmicas inconscientes &#8211; pessoais e coletivas &#8211; que nos tomam a todos de assalto. Essa busca constante por um culpado, no entanto, tende a simplificar a imensa complexidade da alma humana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-psicologia-analitica-oferece-uma-perspectiva-distinta-dessa-logica-reducionista-causal-e-moralista-deslocando-a-nocao-de-culpa-para-uma-compreensao-simbolica-e-relacional-do-desenvolvimento-psiquico" style="font-size:16px">A Psicologia Analítica oferece uma perspectiva distinta dessa lógica reducionista, causal e moralista, deslocando a noção de culpa para uma compreensão simbólica e relacional do desenvolvimento psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung reconhece a profunda influência dos pais na constituição da psique infantil, mas recusa a ideia de uma determinação mecânica ou de uma culpabilização consciente; até porque ninguém nasce como uma tábula rasa. Para ele, a criança não é afetada apenas pelos comportamentos explícitos dos pais, mas sobretudo pelo estado inconsciente de suas almas. Assim, a questão central deixa de ser a culpa e passa a ser a responsabilidade psíquica. Afinal, <strong>o inconsciente parental atua como um terreno invisível, onde a semente da psique infantil irá, inevitavelmente, germinar</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:18px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px;line-height:1.4"><em>Também não está resolvido o assunto se os pais apenas procuram viver de acordo com os valores morais geralmente aceitos, porque o cumprimento de costumes e leis pode servir&nbsp; igualmente para encobrir uma mentira de tal modo sutil que, por isso mesmo, escape à percepção de outras pessoas. (JUNG, 2013, p. 49)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-obra-o-desenvolvimento-da-personalidade-jung-afirma-que-a-crianca-vive-inicialmente-em-um-estado-de-profunda-indiferenciacao-em-relacao-ao-mundo-dos-pais" style="font-size:17px">Na obra “<strong>O Desenvolvimento da Personalidade</strong>”<em>,</em> Jung afirma que a criança vive inicialmente em um estado de profunda indiferenciação em relação ao mundo dos pais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ele descreve essa condição como uma&nbsp; participação mística, na qual a criança não se percebe como um eu separado. Nesse contexto, os conteúdos inconscientes dos pais, seus conflitos não elaborados, medos, expectativas e frustrações, exercem influência direta sobre a psique infantil. Jung enfatiza que a criança é particularmente sensível não ao que os pais dizem, mas ao que eles são. Nas palavras do autor:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph"><em>O exemplo é o melhor dos mestres! Isto se verifica aqui como uma verdade, que já a muito é conhecida e que ao mesmo tempo é inexorável. Neste sentido o que importa não são palavras boas e sábias, mas tão somente o agir e a vida real dos pais. (JUNG, 2013, p. 49)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa ideia desloca nossa reflexão do campo moral para o campo simbólico e inconsciente, indicando que o sofrimento infantil muitas vezes expressa aquilo que não foi simbolizado ou integrado pelos adultos responsáveis. As crianças, com sua sensibilidade aguçada, ou em termos junguianos, ainda imersas no inconsciente dos pais, frequentemente atuam como &#8220;antenas&#8221; emocionais, absorvendo as tensões não ditas do sistema familiar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-outras-palavras-as-dinamicas-inconscientes-dos-pais-deveriam-receber-uma-maior-atencao-em-favor-da-qualidade-de-vida-dos-filhos-e-ate-certo-ponto-para-lhes-garantir-a-liberdade-de-viverem-suas-proprias-vidas" style="font-size:16px">Em outras palavras, as dinâmicas inconscientes dos pais deveriam receber uma maior atenção em favor da qualidade de vida dos filhos, e até certo ponto, para lhes garantir a “liberdade” de viverem suas próprias vidas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Jung (2013, p. 52, § 87), via de regra,&nbsp; o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram. Isso nos mostra que nossos sonhos engavetados e frustrações não elaboradas podem se tornar literalmente o “peso nos ombros” da geração seguinte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jung é cuidadoso ao falar de culpa moral dos pais. Em seus textos sobre educação e psicoterapia, ele ressalta que muitos adultos carregam complexos não elaborados que inevitavelmente se manifestam na relação com os filhos, sem que haja nenhuma intenção consciente. Em vez de falar de culpa, Jung traz o conceito de responsabilidade psíquica, que não implica acusação, mas o reconhecimento das limitações e dificuldades dos próprios cuidadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assumir-essa-responsabilidade-exige-profunda-coragem-para-olhar-para-dentro-e-acolher-as-proprias-imperfeicoes" style="font-size:17px">Assumir essa responsabilidade exige profunda coragem para olhar para dentro e acolher as próprias imperfeições.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px;line-height:1.4">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>Não é importante que os pais nunca cometam erros, isso seria impossível para seres humanos, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador do seu próximo tanto para o bem quanto para o mal. (JUNG, 2013, p. 90, § 155)</em><em></em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-que-somos-pais-sentimos-na-pele-a-dificuldade-e-a-bencao-que-e-a-criacao-de-filhos" style="font-size:17px">Nós, que somos pais, sentimos na pele a dificuldade e a bênção que é a criação de filhos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entendemos, no amor e na dor, que um filho é completamente diferente do outro, e que a mesma educação não traz os mesmos resultados para ambos. Na minha experiência como mãe, tenho duas filhas com uma diferença de seis anos entre elas. Entre os dois nascimentos, vivenciei duas gestações perdidas, episódios de dor que naturalmente deixaram suas marcas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira nasceu com um temperamento completamente diferente da segunda. Claro que as experiências e a visão de mundo delas dependeram de mim: tanto das minhas próprias vivências em diferentes momentos das gestações quanto durante os primeiros anos de suas vidas. A primeira teve sete meses de atenção minha exclusivamente dedicados a ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A segunda, infelizmente, foi privada dessa atenção exclusiva, uma vez que, aos seus 40 dias de vida, precisei voltar ao trabalho; e, embora minha casa fosse ao lado do trabalho, não pude dar a ela a mesma presença. Mesmo tentando dar a ambas a mesma educação, eu já não era a mesma pessoa seis anos após a primeira gestação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-sentido-fica-evidente-que-todas-as-experiencias-vividas-por-nos-e-pelos-filhos-parecem-determinar-sensibilidades-futuras" style="font-size:16px">Nesse sentido, fica evidente que todas as experiências vividas por nós e pelos filhos parecem determinar sensibilidades futuras.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para mim, se fortalece o conceito de inconsciente coletivo e pessoal quando, independentemente do mesmo estímulo, cada um reage a seu modo. Somado a toda essa revisão do contexto da maternagem se encontram também todas as minhas quinas, curvas e pontos cegos da minha própria personalidade e dos conflitos conscientes e inconscientes que estavam em curso. <strong>Não somos mesmo tábula rasa</strong>; e aqui trago também minha percepção da espiritualidade manifestada em cada um de forma única e autônoma, confirmando que somos singulares e temos, cada um, um <em>dharma </em>a ser cumprido. Essa dimensão espiritual dialoga com o processo de individuação, no qual a alma busca seu propósito e sua totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltando para Jung, ele reconhece a força das influências parentais, mas não considera o indivíduo condenado a elas. Cada um tem seu universo único e trilha seu caminho de evolução de forma independente. O&nbsp; processo de individuação pode representar a possibilidade de diferenciação da psique em relação às imagos parentais e aos complexos herdados. O desenvolvimento da consciência e a percepção de nossa luz e sombra permite uma relação mais honesta com os conteúdos inconscientes. Assim a Psicologia Analítica não busca apontar culpados, mas favorecer a integração simbólica das experiências vividas, possibilitando que o indivíduo assuma sua própria trajetória psíquica. Talvez aqui a pergunta “Será que é tudo culpa dos pais?” se transforme em outra: <strong>O que pode ser conscientizado, elaborado e transformado</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-capacidade-de-tomar-consciencia-de-nossas-sombras-e-o-primeiro-passo-para-alcancar-a-tao-almejada-evolucao" style="font-size:17px">A capacidade de tomar consciência de nossas sombras é o primeiro passo para alcançar a tão almejada evolução.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Também devemos nos lembrar que a individuação não é um processo linear. Somos apenas humanos e cometeremos erros ao longo do caminho. A escada é infinita e eventualmente daremos passos para trás. Autossabotagem, percursos equivocados, tudo parte do processo evolutivo da nossa longa jornada rumo à individuação. Reconhecer essas falhas, sem autojulgamento destrutivo, é essencial para continuarmos avançando.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-luz-da-psicologia-analitica-a-relacao-entre-pais-e-filhos-revela-se-complexa-simbolica-e-bastante-inconsciente" style="font-size:17px">À luz da Psicologia Analítica, a relação entre pais e filhos revela-se complexa, simbólica e bastante inconsciente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung reconhece a profunda influência dos pais no desenvolvimento psíquico dos filhos, mas não abraça explicações simplistas baseadas na culpa. A criança não sofre apenas por falhas objetivas, mas também por aquilo que circula silenciosamente no campo familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma a contribuição junguiana permite uma abordagem não acusatória, na qual pais e filhos são compreendidos como participantes de um processo relacional mais amplo. Nesse sentido, à medida que vamos caminhando rumo a nós mesmos, o processo de individuação traz como possibilidade atravessar e transformar essas heranças, além de proporcionar uma compreensão do outro de maneira mais inteira e respeitosa. Desta maneira, abre-se espaço para uma relação mais consciente e mais empática, que compreende as influências das dimensões inconscientes e o destino psíquico que nos cabe e que cabe ao outro, tomando para nós o que é nosso e devolvendo ao outro o que a ele pertence.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conduzir a educação dos filhos é, afinal, conduzir o nosso próprio caminho. Percebo que muito mais do que ensinamos aprendemos com eles. Talvez eles não tenham vindo apenas aprender conosco, mas sim nos ensinar a caminhar com mais leveza e finalmente fluir como o rio. Costumo usar a seguinte metáfora na clínica: deite de costas sobre as águas do rio e se deixe flutuar, ele sabe o caminho e inevitavelmente chega lá. Nadar contra a correnteza com certeza não é uma boa ideia!</p>



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<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/andreia-guiotti-di-gregorio/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/andreia-guiotti-di-gregorio/">Andreia Guiotti di Gregório &#8211; Membro Analista em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Membro Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia-bibliografica" style="font-size:17px"><strong>Referência bibliográfica</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>O desenvolvimento da personalidade</em>. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando o mundo é Pai: Crisóstomo, sensibilidade e novos arranjos parentais</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pai-crisostomo-arranjos-parentais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fernanda Viscardi]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 16:32:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Patriarcado]]></category>
		<category><![CDATA[Paternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A crença de que a função paterna depende da presença de um homem ainda orienta discursos sobre família e desenvolvimento, embora não encontre sustentação psicológica. Com base em Jung, o ensaio argumenta que esta função é simbólica: um princípio de direção, limite e abertura ao mundo que pode ser vivido por qualquer pessoa cuidadora. Examina-se como a psique projeta o arquétipo do Pai sobre quem oferece presença e orientação, e como a experiência concreta — não o gênero — organiza o complexo paterno. A história de Crisóstomo, em O Filho de Mil Homens, mostra que o mundo, o trabalho e os encontros também podem desempenhar essa função. Por fim, o texto convida a ampliar o olhar: mais do que uma figura, trata-se de reconhecer as muitas formas pelas quais a vida pode sustentar a formação da criança.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-crenca-de-que-a-funcao-paterna-depende-da-presenca-de-um-homem-ainda-orienta-discursos-sobre-familia-e-desenvolvimento-embora-nao-encontre-sustentacao-psicologica-com-base-em-jung-o-ensaio-argumenta-que-esta-funcao-e-simbolica-um-principio-de-direcao-limite-e-abertura-ao-mundo-que-pode-ser-vivido-por-qualquer-pessoa-cuidadora-examina-se-como-a-psique-projeta-o-arquetipo-do-pai-sobre-quem-oferece-presenca-e-orientacao-e-como-a-experiencia-concreta-nao-o-genero-organiza-o-complexo-paterno-a-historia-de-crisostomo-em-o-filho-de-mil-homens-mostra-que-o-mundo-o-trabalho-e-os-encontros-tambem-podem-desempenhar-essa-funcao-por-fim-o-texto-convida-a-ampliar-o-olhar-mais-do-que-uma-figura-trata-se-de-reconhecer-as-muitas-formas-pelas-quais-a-vida-pode-sustentar-a-formacao-da-crianca" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: A crença de que a função paterna depende da presença de um homem ainda orienta discursos sobre família e desenvolvimento, embora não encontre sustentação psicológica. Com base em Jung, o ensaio argumenta que esta função é simbólica: um princípio de direção, limite e abertura ao mundo que pode ser vivido por qualquer pessoa cuidadora. Examina-se como a psique projeta o arquétipo do Pai sobre quem oferece presença e orientação, e como a experiência concreta — não o gênero — organiza o complexo paterno. A história de Crisóstomo, em&nbsp;O Filho de Mil Homens, mostra que o mundo, o trabalho e os encontros também podem desempenhar essa função. Por fim, o texto convida a ampliar o olhar: mais do que uma figura, trata-se de reconhecer as muitas formas pelas quais a vida pode sustentar a formação da criança.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Num dia qualquer, a casa azul despertava com Crisóstomo: rangia como barco ancorado, exalava o cheiro leve de sal e guardava, sobre as prateleiras, os objetos que ele recolhera ao longo dos anos — conchas partidas, pedaços de vidro vindos sabe-se lá de onde, louças antigas que tinham atravessado muitas mesas, os lençóis herdados da avó, os anzóis cuidadosamente afiados. Ele tomava a refeição simples que o sustentava, lavava a tigela com atenção, arrumava a mesa para um só, e nesses gestos havia sempre um reconhecimento: de que a vida exigia trabalho, e o trabalho exigia dele um corpo inteiro, disciplinado na fome, no cansaço e no retorno diário ao mar. Ao atravessar a areia diante da porta, sentia o vento medir seu passo e o mar impor um ritmo que ele não tinha como apressar.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A discussão contemporânea sobre configurações familiares e desenvolvimento infantil ainda tropeça na crença de que certas funções psíquicas estruturantes dependem intrinsecamente do gênero, uma visão herdada de um modelo patriarcal e tradicionalista&nbsp;que confunde símbolo com anatomia, e que até hoje afirma que a&nbsp;<strong>função paterna</strong>&nbsp;exige a presença física de um homem. Esta literalização, amplamente difundida na psicologia do desenvolvimento e no discurso social, empobrece o símbolo e reduz a dinâmica psíquica à superfície dos corpos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-luz-da-psicologia-analitica-de-c-g-jung">À luz da Psicologia Analítica de C. G. Jung</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A identificação entre função e figura revela-se insustentável. Jung compreende os papéis parentais não como derivações biológicas, mas como&nbsp;<strong>disposições psíquicas universais</strong>&nbsp;que aguardam realização na experiência individual (OC 9/1, 2020).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Assim, tudo o que costuma ser atribuído ao pai &#8211; autoridade, mediação com o mundo, discriminação &#8211; são&nbsp;<strong>potencialidades</strong>&nbsp;disponíveis a qualquer pessoa cuidadora. Vinculá-las exclusivamente ao masculino é uma forma de materialismo psicológico que contraria a própria lógica arquetípica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O arquétipo, lembra Jung, é uma&nbsp;<strong>estrutura&nbsp;<em>a priori</em></strong>&nbsp;que predispõe modos de experiência sem determinar seus conteúdos empíricos. Nesse sentido, o arquétipo do Pai se refere ao princípio de&nbsp;<strong>diferenciação e direção</strong>, associado à emergência da consciência discriminadora e ao ingresso no universo da cultura, da lei e da medida. Opondo-se complementarmente ao arquétipo da Mãe, que fenomenologicamente se liga ao campo da fusão e da sustentação, o Pai retira a criança do indiferenciado e a lança em direção ao coletivo (OC 5; 2019).&nbsp;Assim, quando falamos de função paterna, estamos falando de um&nbsp;<strong>movimento da psique</strong>, não de um atributo anatômico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-projecao-literalidade-e-flexibilidade-da-psique"><strong>Projeção, literalidade e flexibilidade da psique</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança nasce com imagens arquetípicas latentes e, para se desenvolver, projeta essas imagens sobre quem cuida dela. Jung adverte que não se deve confundir as figuras empíricas com as imagens arquetípicas projetadas sobre elas, uma vez que o arquétipo, enquanto forma psíquica universal, transcende qualquer portador individual (OC 9/1, 2020).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tradicionalmente, a cultura fez do pai biológico o suporte primário para a projeção do arquétipo paterno. Ou seja, trata-se de uma convenção histórica, reforçada por séculos de patriarcado.&nbsp;Se isso fosse uma verdade psicológica universal, bastaria a presença de um homem para produzir ordem, e a clínica sabe que não é assim.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A psique, teleológica e inventiva,&nbsp;<strong>não aguarda a conformidade dos arranjos familiares</strong>. Na ausência do suporte tradicional, ela constela o princípio paterno em outros lugares: uma mãe, uma avó, uma comunidade, uma professora, o próprio mundo. A ausência do homem não implica ausência de função; apenas ausência de um&nbsp;<strong>portador convencional</strong>&nbsp;que, não raro, tem se mostrado inadequado quando não profundamente prejudicial.<strong></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-complexos-e-a-experiencia-real-da-crianca"><strong>Os complexos e a experiência real da criança</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Segundo Jung, os complexos nascem do encontro entre as potencialidades arquetípicas e as experiências concretas. O complexo paterno, então, tem origem na forma com que a criança vivencia experiências relacionadas a autoridade, alteridade, limites e orientações.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma mãe solo que estabelece limites, introduz o mundo e sustenta o contato com a alteridade constela Logos e Eros, oferecendo matéria viva para a formação do complexo paterno. Da mesma forma, a presença de um homem violento ou incapaz de se relacionar produz um complexo paterno negativo, às vezes devastador.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os números são brutais: apenas em 2025, cerca de 3,7 milhões de brasileiras relataram ter sofrido violência doméstica ou familiar geralmente cometida por parceiros ou ex-parceiros, ou seja, pelos próprios pais ou conviventes das crianças. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No mesmo período, o país registrou mais de 87 mil estupros, sendo que 65% ocorreram dentro de casa e grande parte envolveu meninas e crianças em situação de vulnerabilidade. Estudos epidemiológicos mostram que em 82,4% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes o autor é um homem, muitas vezes um familiar próximo. [i][ii]</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Isto demonstra que a presença masculina, em inúmeros lares, está longe de garantir proteção, segurança ou estrutura psíquica. Em muitos casos, é justamente o homem que introduz violência, instabilidade e medo, comprometendo a possibilidade de a criança experienciar limites como cuidado e não como ameaça. O que de fato organiza o complexo é a qualidade da experiência que a pessoa cuidadora oferece, independentemente de seu gênero.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-logos-e-eros-alem-do-genero"><strong>Logos e Eros além do gênero</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Grande parte da confusão contemporânea deriva da antiga dicotomia que associa masculinidade ao Logos (razão, lei, discriminação) e feminilidade ao Eros (relação, vínculo, sentimento) (OC 7, 2022). Jung, no entanto, não tomou essa divisão como fato e, em sua obra madura,&nbsp;enfatizou que ambos os princípios pertencem à totalidade humana e que sua integração é condição de desenvolvimento da personalidade. (OC 9/2, 2021)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função paterna, enquanto expressão do Logos, não pertence ao homem, mas ao campo da consciência que delimita, discrimina e orienta.&nbsp;Exige flexibilidade, não rigidez; delimitação, não autoritarismo; presença, não performance. A fixação nas expectativas de gênero, inclusive, denuncia o próprio empobrecimento psíquico de quem cuida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-como-suporte"><strong>A vida como suporte</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O romance&nbsp;<em>O Filho de Mil Homens</em>, de Walter Hugo Mãe, oferece uma imagem especialmente fecunda para compreender a função paterna além da figura masculina.<strong>&nbsp;</strong>Crisóstomo é um personagem cuja história não se organiza pela falta, independentemente de ter crescido sem a presença de um pai. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A narrativa o acompanha enquanto aprende a existir no mundo por meio das forças que lhe atravessam, como o trabalho que o disciplina e sustenta, os encontros que o introduzem à alteridade e, sobretudo, a natureza que o confronta com a própria vulnerabilidade. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">É ela quem lhe ensina medida, quem o lembra de que há limites, desproporções, ritmos que não obedecem à vontade humana. Nesse diálogo com o mundo surgem o gesto de separação, a percepção de distância e a possibilidade de responder à vida com discernimento, condições simbólicas que permitem a constelação do princípio paterno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-crisostomo">Crisóstomo</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Crisóstomo recebe o mundo como horizonte e é justamente essa abertura para o real, com suas exigências e suas metáforas, que opera como função paterna em sua forma mais essencial. Cada uma dessas experiências lhe dá contorno, revelando gradualmente a própria possibilidade do devir.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A ausência do pai, em Crisóstomo, é uma fresta. Um espaço simbólico onde a psique pode projetar o que necessita para sua formação. O romance sugere que aquilo que reconhecemos como função paterna não é atributo da figura masculina e sim um princípio vivo que pode emergir nos mais diversos encontros. Seja na travessia, no laço com o outro, na contemplação da paisagem, na exigência do trabalho. Crisóstomo desmonta, de modo silencioso e poético, a suposição de que a diferenciação depende de uma genealogia masculina.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Crisóstomo personifica o movimento da psique que vai ao encontro de equivalentes simbólicos quando a figura tradicional não está disponível. E, muitas vezes, encontra equivalentes mais férteis, mais amplos, mais próximos da própria vida.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indo-alem-do-modelo-patriarcal"><strong>Indo além do modelo patriarcal</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A Psicologia Analítica, quando lida em sua profundidade simbólica, desfaz o mito da necessidade biológica da figura masculina para o exercício da função paterna.&nbsp;O arquétipo não pertence ao homem; pertence à psique humana. Perpetuar a ideia de que a masculinidade é condição para estruturação psíquica da criança é perpetuar a um materialismo psicológico já antiquado — e, muitas vezes, cúmplice de contextos desiguais e violentos onde justamente o masculino falha em oferecer proteção, limite ou cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O que sustenta uma criança não é o cumprimento de um ideal patriarcal, mas a presença de vínculos que saibam equilibrar o amor que nutre e a lei que estrutura. A psique sempre encontrou caminhos, resta à clínica a coragem de reconhecê-los&nbsp;e deixar cair, enfim, a velha ilusão de que o Pai tem, obrigatoriamente, um rosto masculino.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Quando o mundo é Pai: Crisóstomo, sensibilidade e novos arranjos parentais" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/pzzpRi2TpjU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-viscardi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/fernanda-viscardi/"><strong>Fernanda Viscardi – Membro Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Glória Miranda – Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Obras completas. v. 5, Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________ Obras completas. v. 7, Dois escritos sobre psicologia analítica. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.​</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. Obras completas. v. 9/1, Os arquétipos e o inconsciente coletivo: 2ª parte. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___________. Obras completas. v. 9/2, Aion: contribuições ao simbolismo do si mesmo. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[i] <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/11/24/datasenado-violencia-de-genero-atinge-3-7-milhoes-de-brasileiras">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/11/24/datasenado-violencia-de-genero-atinge-3-7-milhoes-de-brasileiras</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">[ii] <a href="https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/brasil-tem-novo-recorde-de-casos-de-feminicidios-e-estupros-diz-fBSP1">https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/brasil-tem-novo-recorde-de-casos-de-feminicidios-e-estupros-diz-fBSP1</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br" type="link" id="www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
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		<title>Ninho vazio: quando essa fase pode se tornar uma síndrome para a mulher</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/ninho-vazio-quando-essa-fase-pode-se-tornar-uma-sindrome-para-a-mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabiana T. Cruz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 11:04:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome do ninho vazio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entender a mulher contemporânea ajuda a compreender suas relações com a sociedade, parceiro/a (quando possui), filhos e consigo mesma. As estatísticas mostram que o papel de mãe está mudando, mas a sociedade ainda a coloca num lugar de abnegação em prol dos filhos. Refletir e tomar consciência sobre como essa identificação com o papel de mãe poderá gerar solidão, tristeza, dentre outros sintomas no ninho vazio é uma possibilidade de prevenção ao aparecimento da síndrome.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo</strong>: Entender a mulher contemporânea ajuda a compreender suas relações com a sociedade, parceiro/a (quando possui), filhos e consigo mesma. As estatísticas mostram que o papel de mãe está mudando, mas a sociedade ainda a coloca num lugar de abnegação em prol dos filhos. Refletir e tomar consciência sobre como essa identificação com o papel de mãe poderá gerar solidão, tristeza, dentre outros sintomas no ninho vazio é uma possibilidade de prevenção ao aparecimento da síndrome.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-refletir-sobre-a-mulher-contemporanea-e-se-reconhecer-como-uma-e-fazer-um-movimento-simultaneo-para-fora-e-para-dentro-de-si-mesma" style="font-size:18px">Refletir sobre a mulher contemporânea e se reconhecer como uma é fazer um movimento simultâneo para fora e para dentro de si mesma.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Podemos dizer que a mulher contemporânea pertence ao contexto histórico atual, que inclui as complexidades sociais, econômicas e culturais do momento presente. Dados do IBGE de 2022, divulgados em junho de 2025, mostram uma mudança estrutural: as mulheres brasileiras estão tendo menos filhos e mais tarde. A taxa de fecundidade é de 1,55 filho por mulher e a idade média para ter filhos é de 28,1 anos. Acompanhando essa realidade, outro dado se apresenta: em 2024, mais de 91 mil crianças foram registradas no Brasil sem o nome do pai, de acordo com dados do Portal da Transparência da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen); desde o início do levantamento, em 2016, o número total de crianças registradas sem a paternidade reconhecida na certidão de nascimento já soma 1.283.751 em todo o país.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-dados-apresentados-nbsp-nos-levam-nbsp-as-seguintes-reflexoes-sera-que-as-mulheres-estao-tendo-menos-filhos-devido-nbsp-a-nbsp-falta-de-apoio-e-abandono-dos-pais-de-seus-filhos-ou-pela-possibilidade-de-se-sentirem-sozinhas-nessa-jornada-que-e-ter-um-filho" style="font-size:18px">Os dados apresentados&nbsp;<strong>nos levam</strong>&nbsp;às seguintes reflexões: será que as mulheres estão tendo menos filhos devido&nbsp;<strong>à</strong>&nbsp;falta de apoio e abandono dos pais de seus filhos? Ou, pela possibilidade de se sentirem sozinhas nessa jornada que é ter um filho?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Faz parte da realidade da mulher as exigências de um mundo capitalista/<strong>neoliberal</strong>, estruturado no patriarcado, em que elas precisam lutar por igualdade de direitos: no trabalho, para terem os mesmos salários dos homens que ocupam os mesmos cargos; na saúde, onde seu corpo é muitas vezes desconsiderado e não validado por apresentar uma forma diferente de cuidados em cada fase da vida; no existir, os índices alarmantes de feminicídio e estupro deixam as mulheres em estado de alerta constante.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">São tantos os desafios que a mulher contemporânea precisa enfrentar que, atualmente, não há espaço externo e nem interno para ela estar no mundo como mãe, mas existem mulheres que vivem nos dias de hoje e também estão como mães.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-podemos-dizer-que-para-a-psicologia-analitica-a-adaptacao-e-a-forma-que-nos-relacionamos-socialmente-devem-se-a-criacao-de-uma-persona-jung-escreve" style="font-size:18px">Podemos dizer que, para a Psicologia Analítica, a adaptação e a forma que nos relacionamos socialmente devem–se à criação de uma persona. Jung escreve:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p><strong><em>“A persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara destinada, por um lado, a produzir um determinado efeito sobre os outros e por outro lado a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo” (JUNG, 2015, §305).</em></strong></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-outra-citacao-ele-afirma-e-um-composto-do-comportamento-do-individuo-e-do-papel-a-ele-atribuido-pelo-publico-jung-2012-1-334" style="font-size:18px"><strong>Em outra citação, ele afirma, “é um composto do comportamento do indivíduo e do papel a ele atribuído pelo público” (JUNG, 2012, §1.334).</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Atrás da persona de mãe existe uma mulher que também pode estar com outras máscaras: a de profissional, de amiga, de filha, de noiva, de religiosa, de irmã, de namorada, de ex-esposa, de madrasta dentre inúmeras outras. Não há problema algum exercer tantos papéis, desde que haja uma consciência de qual papel exercer em determinadas situações; ou seja, não estar sempre com a mesma máscara para diferentes relações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-nos-aproximarmos-das-mulheres-que-se-tornaram-maes-pudemos-observar-que-isso-ocorreu-de-diferentes-formas-e-para-elucidar-apresentaremos-a-seguir" style="font-size:18px">Ao nos aproximarmos das mulheres que se tornaram mães, pudemos observar que isso ocorreu de diferentes formas e, para elucidar, apresentaremos a seguir:</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li style="font-size:18px">mães biológicas: são mulheres que passam pela experiência da maternidade, mas não cuidam e nem criam o seu filho;</li>



<li style="font-size:18px">mães biológicas e que exercem a maternagem: são a maioria das mães que conhecemos. Entendemos maternagem como construção de vínculo afetivo por meio do acolhimento e da oferta de segurança, atendendo às necessidades físicas e psíquicas da criança para promover um desenvolvimento saudável;</li>



<li style="font-size:18px">mães que exercem a maternagem: são as mães adotivas;</li>



<li style="font-size:18px">mães solo ou sozinhas: quando a mãe assume exclusivamente todas as responsabilidades na criação do filho, sejam elas tanto financeiras quanto afetivas, e que podem ter passado pela maternidade ou não.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Uma pesquisa realizada pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) mostrou que, até o final de 2022, havia mais de 11 milhões de mães solo no Brasil. Dados complementares do relatório indicam que 15% dos lares brasileiros são chefiados por mães solo. Além disso, 72,4% dessas mulheres vivem apenas com os filhos, sem contar com uma rede de apoio próxima. O estudo apontou a existência de 11,3 milhões de mães que criam seus filhos de forma independente, além de um aumento de 1,7 milhão nesse número entre 2012 e 2022 (TERRA, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Vale ressaltar que, nas pesquisas citadas acima, não apontamos qual era a situação econômica dessas mulheres no ano que foram realizadas, assim como desconhecemos informações sobre idade, cor, estado e cidade de residência, condições de moradia, de emprego e a idade dos filhos. Todos esses fatores são importantes, pois trazem recortes específicos que influenciam diretamente, de forma negativa e/ou positiva, a vida das mulheres.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mae-solo-contribui-para-a-desconstrucao-do-que-se-entende-por-familia-tradicional-aquela-formada-por-um-homem-uma-mulher-e-seus-filhos" style="font-size:18px">A mãe solo contribui para a desconstrução do que se entende por família tradicional, aquela formada por um homem, uma mulher e seus filhos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ela evidencia que não são poucas as mulheres que exercem a maternidade e a maternagem em um modelo muito mais amplo e complexo. Um movimento político de existir e se fazer presente na sociedade tem ganhado força. Podemos dizer que esta mulher está sobrecarregada e cansada fisicamente, em alguns casos até mais do que aquela mulher que exerce outras formas de estar como mãe, mas será que as outras mães também não se sentem sozinhas?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ser mãe no Brasil é estar sozinha para lidar com inúmeras atividades e demandas que uma casa, um lar ou, simbolicamente falando, um ninho exigem. Por mais que esta mulher seja casada com o pai ou não dos filhos dela, culturalmente as obrigações da casa e com os filhos são entendidas, normalmente, como pertencentes exclusivamente às mulheres. Somando isso à possibilidade de estar em um casamento insatisfatório, onde não há apoio, várias mulheres se isolam por não suportarem frustrações nos seus relacionamentos e, assim, acabam projetando nos filhos suas expectativas de sucesso, melhoria e salvação de suas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Apesar das mulheres reconhecerem que assumem inúmeras funções, elas ainda se cobram demais para darem conta de tudo. Talvez os homens precisem se aproximar mais para dividirem essas funções, que também lhes pertencem, ao mesmo tempo em que as mulheres possam dar espaço para que isso aconteça, possibilitando uma harmonia na relação e na organização das tarefas do dia a dia, e a sobrecarga deixará de existir.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Enquanto essa tomada de consciência vai acontecendo aos poucos, voltemos o nosso olhar novamente para a mulher que é absorvida pelo padrão de comportamento social imposto. Podemos perceber o quanto ela quase não tem tempo para mais nada além de ser, exclusivamente, mãe.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-descreve" style="font-size:18px">Jung descreve:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p><strong><em>“A construção de uma persona coletivamente adequada significa uma considerável concessão ao mundo exterior, um verdadeiro autossacrifício, que força o eu a identificar-se com a persona. Isto leva certas pessoas a acreditarem que são o que imaginam ser. A “ausência de alma” que essa mentalidade parece acarretar é só aparente, pois o inconsciente não tolera de forma alguma tal desvio do centro de gravidade.” </em></strong></p><cite><strong><em>(JUNG, 2015, §306)</em></strong></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A mulher pode se identificar excessivamente com o papel de mãe, tentando encontrar felicidade apenas na felicidade do filho e anulando suas próprias necessidades. Como a sociedade valoriza a abnegação materna, fica difícil perceber o caráter patológico dessa relação. Se a mãe não desenvolver consciência de que seu papel é deixar o filho adquirir a autonomia, e não mantê-lo preso a ela, sofrerá demais quando a fase do ninho vazio chegar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Antes de falarmos sobre o conceito de ninho vazio, traremos o trecho de um texto escrito pelo teólogo e escritor, <strong>Rubem Alves</strong>. Apesar de ser um homem, ele nos revela suas emoções ao descrever, de forma muito sensível, como passou por essa fase:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px;line-height:1.4"><blockquote><p><strong><em>“Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas. Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira… Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…&nbsp;“ (Quando os filhos voam… &#8211; Rubem Alves).</em></strong></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ninho-vazio-e-o-termo-que-se-utiliza-para-nomear-o-momento-no-qual-o-ultimo-filho-deixa-a-casa-familiar-para-buscar-a-sua-independencia-e-faz-parte-da-etapa-evolutiva-familiar" style="font-size:18px">Ninho vazio é o termo que se utiliza, para nomear o momento no qual o último filho deixa a casa familiar para buscar a sua independência e faz parte da etapa evolutiva familiar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Podemos dizer que, para os filhos que deixarão a casa da família, essa é uma fase repleta de novidades, aventuras, desafios, medos, sonhos, entre outras emoções e expectativas. Na maioria das vezes, eles buscam realização pessoal, independência e autonomia em suas decisões e escolhas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-enquanto-os-filhos-saem-para-viver-novas-experiencias-sera-que-as-maes-conseguem-enfrentar-essa-nova-fase-com-o-mesmo-entusiasmo" style="font-size:18px">Enquanto os filhos saem para viver novas experiências, será que as mães conseguem enfrentar essa nova fase com o mesmo entusiasmo?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O ninho vazio não indica o fim da maternagem, mas uma transição para nova etapa. Muitas mulheres vão se dando conta do esvaziamento do ninho e procuram alternativas para preencher essa lacuna, e, quando isso não acontece, a vida vem acompanhada de isolamento e solidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A nova etapa para a mulher chega junto com a menopausa, que, resumidamente, pode ser descrita como o fim da menstruação e da fertilidade feminina. Marca um período de mudanças físicas e emocionais que podem ser leves, intensas ou bastante desconfortáveis, interferindo significativamente na vida da mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Como se não bastassem as emoções despertadas pela saída do filho de casa e as alterações hormonais pelas quais seu corpo passa, a mulher precisa lidar também com seu mundo interno, com os complexos. Sendo eles, segundo Jung, <strong>“imagens de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional e, além disso, incompatível com as atitudes ou atitude habitual da consciência” (JUNG, 2012, §201).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando o manejo de todos esses sintomas físicos e relacionais não é trabalhado, por exemplo, no processo terapêutico, ressignificando o papel de mãe e ampliando sua consciência, a mãe pode sentir como algo doloroso em sua vida, considerando seus cuidados dispensáveis e reagindo de forma resistente e angustiante.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-permanencia-desses-sentimentos-pode-levar-aquilo-que-conhecemos-como-sindrome-do-ninho-vazio" style="font-size:18px">A permanência desses sentimentos pode levar àquilo que conhecemos como síndrome do ninho vazio.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ela é caracterizada pelo intenso estresse provocado pelo excessivo sentimento de perda que invade a mãe quando seus filhos saem de casa. Isso pode vir acompanhado de tristeza, preocupação, ansiedade, aflição, isolamento, solidão e/ou remorso exagerados e, pela duração e intensidade desses sintomas, provocar um quadro de depressão profunda, uma crise de identidade e crise conjugal, afetando o bem-estar físico, psicológico e social, diminuindo, assim, a qualidade de vida. A partir da psicologia junguiana podemos dizer que isso é a <strong>intervenção de uma ideia de forte tonalidade afetiva, ou seja, como sintomas da constelação do complexo (cf. JUNG, 2013, §204).</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-lidar-com-a-sindrome-do-ninho-vazio" style="font-size:18px"><strong>Como lidar com a síndrome do ninho vazio?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao ampliarmos simbolicamente a persona de mãe por meio do <strong>mito de Deméter</strong>, vemos que, quando ela se dá conta de que sua filha desapareceu, fica desorientada e sai à sua procura. Entra em um grande desespero, sem comer, beber ou se banhar. Enquanto Deméter está à procura de sua filha, a terra fica sem vegetação e sem fertilidade, situação que pode se relacionar aos sentimentos de depressão e tristeza.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Outros estados emocionais estão presentes no mito, como: ansiedade, preocupação, medo, raiva, reflexão, desejo, revolta, recolhimento, saudade, determinação, vingança. Por fim, quando Deméter consegue encontrar sua filha periodicamente, percebendo que não a perdeu para sempre, surgem a alegria, o alívio e a aceitação. Quando uma mãe vivencia a saída do filho de casa, esses sentimentos podem vir à tona. Ao aproximarmos esses estados emocionais de Deméter dos da mãe, há a possibilidade de ser esse o caminho para a criação de consciência e a transformação de que ela esteja precisando.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outra-maneira-de-lidar-com-essa-etapa-seria-a-mulher-se-preparar-para-enfrentar-a-fase-do-ninho-vazio" style="font-size:18px">Outra maneira de lidar com essa etapa seria a mulher se preparar para enfrentar a fase do ninho vazio.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Olhar antecipadamente para a relação existente entre mãe e filho poderá auxiliar no desapego em relação ao momento que o filho deixará o ninho. Possibilitará a compreensão dos possíveis desafios e emoções que ela poderá ter se escolher ressignificar seu papel de mãe de forma consciente, assim como outras formas de estar no mundo. O ideal seria que esse olhar fosse constante, caso contrário ela tende a se identificar novamente com a persona de mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ressaltamos que essas duas maneiras de lidar com a síndrome do ninho vazio são apenas hipóteses e sugestões. Não há receita de bolo ou alguma certeza de alcançar o que foi proposto, porque cada mulher é única e seu caminho é individual. <strong>O importante é olharmos para o fenômeno de maneira simbólica</strong>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“(…) Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino. Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado. Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase. Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno. Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assusta por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.” (Quando os filhos voam… &#8211; Rubem Alves)</em></p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Ninho vazio: quando essa fase pode se tornar uma síndrome para a mulher&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/ryjxWD-bQWo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/fabiana-t-cruz/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/fabiana-t-cruz/">Fabiana Theodoro Cruz – Membro Analista em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">Analista Didata – José Balestrini</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Rubem. <strong>Quando os filhos voam… </strong>Disponível em:https://viviancardoso.com.br/quando-os-filhos-voam-por-rubem-alves/ Acesso em: 02 dez. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G.&nbsp;<strong>A vida simbólica</strong> <strong>v</strong><strong>ol. 18/2</strong><strong>. </strong>4.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<strong>A natureza da psique</strong><strong>vol. 8/2</strong><strong>. </strong><strong>9.ed. Petrópolis: Vozes, 2012</strong><strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<strong>Psicogênese das doenças mentais</strong> <strong>v</strong><strong>ol. 3</strong><strong>. </strong>6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<strong>O eu e o inconsciente v</strong><strong>ol. 7/2</strong><strong>. </strong>27.ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TERRA. <strong>Brasil possui mais de 11 milhões de mães solo, aponta estudo</strong>. 2024. Disponível em: <a href="https://www.terra.com.br/nos/brasil-possui-mais-de-11-milhoes-de-maes-solo-aponta-estudo,67095da2f71938c73bca67a2b4a2862bnher8h3u.html?utm_source=clipboard">https://www.terra.com.br/nos/brasil-possui-mais-de-11-milhoes-de-maes-solo-aponta-estudo,67095da2f71938c73bca67a2b4a2862bnher8h3u.html?utm_source=clipboard</a> Acesso em: 02 dez. 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Imagem: Produção da autora</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 00:16:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente familiar]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento infantil]]></category>
		<category><![CDATA[formação do ego]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Neumann]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=12104</guid>

					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/">A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Desde o nascimento, todo indivíduo é acolhido em um contexto previamente estabelecido, marcado por uma determinada cultura, por padrões sociais, por códigos morais e por costumes específicos de seu tempo histórico. Esse ambiente inicial também é configurado por uma constelação familiar singular, que oferece à criança sua primeira moldura de sentido e pertencimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-primeiros-momentos-de-vida-a-relacao-da-crianca-com-seus-cuidadores-ocorre-em-um-estado-que-jung-descreve-como-participation-mystique" style="font-size:18px">Nos primeiros momentos de vida, a relação da criança com seus cuidadores ocorre em um estado que Jung descreve como <em>participation mystique</em>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O termo, originalmente utilizado por <strong>Lévy-Bruhl</strong> ao estudar sociedades tradicionais e originárias, refere-se a uma forma de experiência na qual não se distingue plenamente entre aquilo que pertence ao indivíduo e aquilo que pertence ao grupo ou ao mundo ao redor. Trata-se de uma vivência psíquica sem separação rígida entre sujeito e objeto, marcada por uma identidade indiferenciada e profundamente conectada ao inconsciente (JUNG, 2013a).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Partimos de uma formação como homens e como humanidade de uma fusão grupal, representada pela mescla urobórica, para só então atingirmos a individualidade promovida pelo complexo de ego. Muito embora não haja uma espécie de ‘psique objetiva de grupo’ apartada dos seus componentes, <strong>Eric Neumann</strong> (2014, p. 197) afirma que, nos grupos primevos, as diferenças individuais podiam ser percebidas e havia espaço para relativa independência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A criança, especialmente nos primeiros anos de vida, também passa por um processo de identificação inconsciente com o grupo ao qual pertence. Ela se vincula aos pais de maneira não consciente, permanecendo imersa no campo psíquico familiar e manifestando tanto as dificuldades quanto os progressos presentes nesse ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-neste-artigo-serao-discutidos-o-desenvolvimento-da-consciencia-na-infancia-a-influencia-do-contexto-familiar-sobre-a-vida-psiquica-e-o-papel-fundamental-dos-pais-nesse-percurso" style="font-size:18px">Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-formacao-do-ego-ocorre-de-maneira-progressiva" style="font-size:18px">A formação do ego ocorre de maneira progressiva.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Antes que a consciência se estabeleça, o indivíduo permanece no âmbito do inconsciente, e o self já está presente antes mesmo da constituição egóica. Nos primeiros anos de vida, enquanto o complexo do ego ainda não está claramente delimitado, grande parte da personalidade funciona de forma inconsciente. Nesse período, segundo Erich Neumann (1995, p. 112), o que existe é uma “consciência do self”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao chegar ao mundo, o ser humano encontra-se em um estágio pré-egóico, vivenciando aquilo que se denomina estado urobórico, representado pelo uroboros, a serpente que devora a própria cauda. Nessa fase, não há distinção de opostos na experiência psíquica; tudo é percebido como uma unidade. Neste ponto, a figura materna, materializada na mãe real, tem um peso expressivo de grande magnitude, pois mesmo após o nascimento, a criança ainda está imersa na mãe. Nesta ligação mãe e filho, há uma unidade primária entre eles.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-discute-amplamente-esse-tema-em-sua-obra-a-crianca-que-servira-como-referencia-central-para-a-exposicao-dos-estagios-de-formacao-do-ego" style="font-size:18px"><strong>Neumann</strong> discute amplamente esse tema em sua obra <em>A Criança</em>, que servirá como referência central para a exposição dos estágios de formação do ego.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De acordo com o autor, a vivência urubórica presente no início da vida ultrapassa a noção de uma psique indiferenciada, abrangendo uma conexão total com o ambiente. Para o bebê, ainda não existe uma separação entre “interno” e “externo”; tudo é percebido como um campo único e contínuo. <strong>Sua experiência do mundo ocorre por meio do corpo e das sensações mediadas pela mãe</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mãe e filho permanecem simbolicamente unidos mesmo após o nascimento, como se a criança ainda estivesse envolta pelo útero. Suas necessidades fisiológicas, como fome, desconforto e busca por aconchego, são experimentadas de forma imediata e encontram alívio apenas por intermédio do cuidado maternal. Cuidado este que pode estar materializado na figura propriamente da mãe, do pai ou de um cuidador que incorpore este papel materno diante da bebê. Assim sendo, estabelece-se uma identidade biopsíquica entre o corpo do bebê e o mundo que o circunda (NEUMANN, 1995, p. 12).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-uniao-primordial-constitui-o-alicerce-de-toda-a-vida-relacional" style="font-size:18px">Essa união primordial constitui o alicerce de toda a vida relacional.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na perspectiva junguiana, é nesse estágio pré-egóico que o self atua como totalidade psíquica originária, enquanto o ego ainda está em formação. A qualidade do vínculo inicial, marcado pela segurança, acolhimento e previsibilidade das respostas maternas, torna-se fundamental não só para o desenvolvimento do ego, mas também para a construção da confiança básica que sustentará os futuros laços sociais. Assim, a experiência de imersão no materno não apenas organiza as primeiras percepções corporais da criança, mas também molda a maneira como ela se abrirá ao mundo e às demais relações ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao analisar historicamente e antropologicamente diferentes culturas, Neumann estabelece uma analogia entre a organização dos agrupamentos humanos e o processo de amadurecimento da personalidade individual. Ele observa que sociedades consideradas tradicionais mantinham uma forte fusão entre o coletivo e o individual, em que predominava a inconsciência coletiva sobre a consciência pessoal. Nesses contextos, as estruturas egóicas eram incipientes ou pouco desenvolvidas, e a organização social sob influência do princípio matriarcal refletia uma vivência psíquica mergulhada no inconsciente. O ser humano, ligado profundamente ao ambiente, experienciava uma identidade simbiótica com o mundo, marcada pela <em>participation mystique</em>. De modo semelhante, a criança inicia sua vida psíquica no interior de um estado inconsciente matriarcal, do qual gradualmente se diferencia à medida que o ego emerge.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-igualmente-descreve-uma-sequencia-evolutiva-na-formacao-do-ego-que-transita-simbolicamente-do-matriarcado-ao-patriarcado" style="font-size:18px">Neumann igualmente descreve uma sequência evolutiva na formação do ego que transita simbolicamente do matriarcado ao patriarcado.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Os estágios iniciais, considerados inferiores ou primordiais, estão vinculados ao princípio materno e à relação primal com o inconsciente. Nos estágios posteriores, denominados superiores ou solares, ocorre a ascensão do princípio paterno, relacionado ao desenvolvimento da consciência, da diferenciação e à aproximação com a dimensão masculina do self. Esse movimento expressa não apenas uma mudança estrutural da personalidade, mas também um deslocamento arquetípico: da acolhida materna inconsciente para a direção e ordenação do arquétipo paterno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-o-ego-comeca-a-adquirir-atividade-propria-o-que-neumann-descreve-como-o-aparecimento-do-ego-ativo-ele-passa-por-etapas-progressivas-ate-sua-consolidacao" style="font-size:18px">Quando o ego começa a adquirir atividade própria, o que Neumann descreve como o aparecimento do ego ativo, ele passa por etapas progressivas até sua consolidação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Entre elas estão os estágios fálicos, divididos em fálico-ctônico e mágico-fálico. Nessas fases, a criança vive um senso de totalidade e uma percepção do corpo relativamente autônoma, embora ainda profundamente permeada pelo inconsciente. A vivência permanece transpessoal e unificada, pois a consciência ainda não produziu a separação entre polos opostos. Como afirma Neumann (1995, p. 112), nesse período “a criança possui uma consciência flutuante, instável e não localizada, uma consciência de Self”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-esse-carater-ainda-indiferenciado-da-experiencia-infantil-corresponde-ao-momento-em-que-o-ego-esta-em-formacao-emergindo-gradualmente-da-matriz-inconsciente-que-o-sustenta" style="font-size:18px"><strong>Esse caráter ainda indiferenciado da experiência infantil corresponde ao momento em que o ego está em formação, emergindo gradualmente da matriz inconsciente que o sustenta.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No estágio inicial, denominado fálico-ctônico, a psique incipiente opera sob a influência predominante do inconsciente coletivo e do arquétipo da Grande Mãe, refletindo uma fase essencialmente matriarcal e inconsciente. O ego em gestação permanece flutuante e guiado por processos inconscientes. A progressão deste estágio se dá de uma fase vegetativo-passiva para uma manifestação mais ativa, instintiva e animal, coincidente com o desenvolvimento da locomoção e a orientação do impulso libidinal para o exterior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transicao-para-o-segundo-estagio-o-magico-falico-assinala-o-inicio-da-estruturacao-da-consciencia" style="font-size:18px">A transição para o segundo estágio, o mágico-fálico, assinala o início da estruturação da consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Embora o ego permaneça inserido na esfera de influência matriarcal, e o self seja experienciado de forma corporal e integrada ao inconsciente, emerge uma atividade mais delineada. Esta etapa é marcada pelo surgimento de uma posição mais ativa do ego e uma busca antropocêntrica, na qual o ego começa a se consolidar como o centro organizador da consciência, demarcando o início da diferenciação em relação ao inconsciente coletivo indiferenciado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">No estágio seguinte, o mágico-guerreiro, o ego inicia sua diferenciação do inconsciente, buscando a libertação da influência da Grande Mãe arquetípica por meio de um movimento de oposição ativo. Este processo exige um distanciamento da figura da mãe pessoal, que carrega a projeção do arquétipo, em direção à esfera patriarcal, marcando uma fase crucial de separação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As fases solares, que compreendem os quarto e quinto estágios (solar-guerreiro e solar-racional), denotam um ego com maior autonomia e assertividade (Neumann, 1995, p. 137). A evolução da consciência progride de características de um &#8220;caçador&#8221; e &#8220;guerreiro devorador&#8221;, que luta pela sua existência e diferenciação, para aspectos mais elevados e espirituais da paternidade, simbolizados pela figura do pai celestial. Esta transição entre as esferas matriarcal e patriarcal também coincide com a paulatina diferenciação das expressões do masculino e feminino na personalidade, culminando na independência clara do ego nas fases solares.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ambiente-familiar-na-formacao-do-ego" style="font-size:18px"><strong>O ambiente familiar na formação do ego</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A construção do ego acontece de maneira progressiva e é profundamente marcada pelas experiências externas que a criança recebe desde muito cedo. A consciência, por sua vez, emerge gradualmente do inconsciente, que lhe é anterior, e se apoia em uma herança psíquica comum a toda a humanidade: os arquétipos e os instintos, que conectam o ser humano atual às gerações ancestrais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Embora cada sujeito percorra seu próprio caminho de desenvolvimento, existem padrões gerais que caracterizam esse processo como essencialmente transpessoal. Um dos movimentos centrais é o afastamento progressivo do ego em relação ao inconsciente, formando o eixo ego–self, estrutura pela qual a personalidade se organiza numa oscilação constante entre o mundo interno e o contexto externo. Neumann descreve esse movimento inicial como matriarcal, pois é conduzido pelo inconsciente, de onde surge a consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-primeiros-tempos-de-vida-antes-do-estabelecimento-do-ego-a-crianca-permanece-em-um-estado-uroborico-como-mencionado-anteriormente-marcado-por-uma-intensa-fusao-emocional-e-psiquica-com-o-ambiente-especialmente-com-a-mae-figura-que-simboliza-o-arquetipo-materno" style="font-size:18px">Nos primeiros tempos de vida, antes do estabelecimento do ego, a criança permanece em um estado urobórico, como mencionado anteriormente, marcado por uma intensa fusão emocional e psíquica com o ambiente. <strong>Especialmente com a mãe</strong>, <strong>figura que simboliza o arquétipo materno</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Posteriormente, passa-se para a etapa patriarcal, associada às identificações com a figura paterna. Para Jung, a constituição plena da individualidade só começa a ocorrer quando a criança consegue referir-se a si mesma como “eu” &#8211; algo que geralmente se dá entre os três e cinco anos de idade (JACOBY, 2010, p. 121). Nesse período inicial, sobretudo antes do ingresso na escola, o impacto da família é determinante, podendo inclusive desencadear conflitos emocionais e dificuldades psíquicas na criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-familia-e-o-primeiro-ambiente-em-que-a-crianca-observa-imita-e-aprende-modos-de-agir" style="font-size:18px">A família é o primeiro ambiente em que a criança observa, imita e aprende modos de agir. Nos primeiros anos, esse convívio intenso faz dela um verdadeiro “centro de gravidade emocional”, onde a identidade e o caráter começam a se formar sob a influência das diferentes personalidades presentes (ZWEIG; ABRAMS, 1994). Nesse estágio de forte dependência, algo natural ao desenvolvimento psíquico infantil, qualquer perturbação pode afetar seu crescimento saudável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ressalta-que-a-mente-da-crianca-e-extremamente-sensivel-as-influencias-do-meio-absorvendo-impressoes-profundas-dos-pais-inclusive-conteudos-nao-verbalizados-ou-inconscientes" style="font-size:18px">Jung ressalta que a mente da criança é extremamente sensível às influências do meio, absorvendo impressões profundas dos pais, inclusive conteúdos não verbalizados ou inconscientes:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Se nós, adultos, nos mostramos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou.</p><cite>(JUNG,1995, p. 496)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Por ainda viverem em participação mística com as figuras parentais, as crianças captam tanto os comportamentos visíveis, quanto o movimento psíquico interno dos pais. Assim mesmo quando os adultos tentam controlar seus complexos, sua energia inconsciente continua atuando e repercutindo na psique infantil, pois, como observa Jung, os complexos têm força contagiante e alcançam a criança mesmo sem intenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com a entrada na escola, a criança passa a se afastar gradualmente da influência direta dos pais e o ambiente escolar assume um papel importante nesse processo de autonomia. Por isso, Jung (2013b) destaca que educadores deveriam ter consciência da responsabilidade que exercem na formação da personalidade infantil, investindo em autoconhecimento e amadurecimento para poderem educar de forma mais íntegra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ainda assim o ambiente familiar continua exercendo forte impacto sobre a expressão individual da criança. Os pais transmitem condicionamentos emocionais e padrões afetivos que influenciam profundamente a formação da psique e da consciência nos primeiros anos de vida. Zweig e Abrams (1994) lembram que todos recebemos uma “herança psicológica” que inclui aspectos da sombra familiar, valores, hábitos, tensões e até problemas não resolvidos pelos próprios pais, que podem se manifestar na criança como dificuldades de socialização. Jung reforça que, nesse início, a criança tende a mergulhar no inconsciente parental, reproduzindo padrões que atravessam gerações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-analise-do-desenvolvimento-infantil-evidencia-que-a-consolidacao-do-ego-e-um-processo-profundamente-vinculado-ao-ambiente-familiar-e-as-primeiras-relacoes-estabelecidas-pela-crianca" style="font-size:18px">A análise do desenvolvimento infantil evidencia que a consolidação do ego é um processo profundamente vinculado ao ambiente familiar e às primeiras relações estabelecidas pela criança. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-a-analise-do-desenvolvimento-infantil-evidencia-que-a-consolidacao-do-ego-e-um-processo-profundamente-vinculado-ao-ambiente-familiar-e-as-primeiras-relacoes-estabelecidas-pela-crianca" style="font-size:18px">Desde o nascimento, as vivências emocionais, os vínculos formados e a qualidade do cuidado recebido moldam a base sobre a qual a consciência se estrutura. A família, com seus padrões afetivos, valores e conteúdos conscientes e inconscientes, exerce influência determinante sobre esse percurso inicial, deixando marcas que podem favorecer o crescimento ou gerar conflitos que se prolongam ao longo da vida. Embora transitar por outro meio sociais, como o ambiente escolar, amplie o universo da criança e introduza novas referências, é no seio da família que se encontram os primeiros alicerces da personalidade que acompanharão o indivíduo em sua trajetória. Assim, compreender a dinâmica familiar e seu impacto na formação psíquica é fundamental para reconhecer como se constitui a formação egóica e como se perpetuam tendências que atravessam gerações.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/XC0LoyJgQ8E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Simone Magaldi</strong> &#8211; <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências bibliográficas</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, A vida simbólica. Vol. 1, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, Estudos Experimentais, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, Freud e a psicanálise, 16 ª edição, Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, O desenvolvimento da personalidade, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, Erich, A criança: Estrutura e dinâmica da personalidade em</p>



<p class="wp-block-paragraph">desenvolvimento desde o início de sua formação, 10ª edição, São Paulo: Editora Cultrix, 1995.31</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs.). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana, São Paulo: Editora Cultrix, 1994</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/">A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sharenting: A exposição dos filhos nas redes sociais e o lado sombrio da parentalidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sharenting-a-exposicao-dos-filhos-nas-redes-sociais-e-o-lado-sombrio-da-parentalidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 17:51:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=11507</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: O sharenting tornou-se uma prática comum na parentalidade contemporânea, transformando momentos íntimos da infância em conteúdo público e performático. Embora nasça do orgulho ou da vontade de partilhar, essa exposição revela tensões profundas entre privacidade, projeção parental e construção do ego infantil. Sob a ótica da psicologia analítica, o fenômeno ultrapassa o campo social [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O <em>sharenting </em>tornou-se uma prática comum na parentalidade contemporânea, transformando momentos íntimos da infância em conteúdo público e performático. Embora nasça do orgulho ou da vontade de partilhar, essa exposição revela tensões profundas entre privacidade, projeção parental e construção do ego infantil. Sob a ótica da psicologia analítica, o fenômeno ultrapassa o campo social e aponta para dinâmicas inconscientes que moldam a relação entre pais e filhos. Entre persona e sombra, visibilidade e vínculo, surge um retrato complexo da parentalidade atual. Este artigo busca iluminar essas camadas, refletindo sobre os riscos psíquicos e simbólicos que habitam por trás das postagens aparentemente inocentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-imagine-uma-mae-ou-pai-postando-todas-as-etapas-da-vida-do-filho-primeiro-sorriso-primeiros-passos-brincadeiras-reclamacoes-conquistas-escolares-tudo-isso-numa-timeline-publica-com-amor-orgulho-mas-tambem-com-expectativa" style="font-size:19px"><strong>Imagine uma mãe ou pai postando todas as etapas da vida do filho: primeiro sorriso, primeiros passos, brincadeiras, reclamações, conquistas escolares — tudo isso numa <em>timeline</em> pública, com amor, orgulho, mas também com expectativa.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Com o passar do tempo, esse perfil ganha centenas ou até milhares de seguidores que amam participar do crescimento daquela criança. Esse é um cenário cada vez mais comum: o fenômeno chamado <em><strong>sharenting</strong></em> — isto é, pais compartilhando excessivamente detalhes da vida de seus filhos nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Embora muitos façam isso com boas intenções — desejo de partilha, orgulho, autopromoção leve — começam a surgir questionamentos: até onde vai o direito à privacidade da criança? Como essas exposições moldam o conceito de autoimagem da criança e o seu entendimento de pertencimento no mundo? Onde termina o cuidado e começa a projeção dos pais nos filhos?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pesquisas-realizadas-em-diversos-paises-evidenciam-que-a-pratica-de-sharenting-se-tornou-um-comportamento-do-nosso-tempo" style="font-size:19px">Pesquisas realizadas em diversos países evidenciam que a prática de <em>sharenting</em> se tornou um comportamento do nosso tempo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O artigo “<em>Sharenting</em>: características e nível de conhecimento dos pais que publicam conteúdo sensível de seus filhos em plataformas online” (tradução livre), publicado no site <em>Italian Journal of Pediatrics </em>(2024)<em>,</em> detalha um estudo que buscou identificar o perfil e o grau de conscientização dos pais que compartilhavam conteúdos de seus filhos. Para isso, foram entrevistados duzentos e vinte e oito pais de crianças menores de 18 anos (82% mães, 18% pais); 98% dos respondentes utilizavam redes sociais e 75% deles publicavam conteúdo relacionado aos seus filhos online. Trinta e um por cento dos responsáveis ​​pela publicação de conteúdo online começaram a praticar o &#8220;<em>sharenting</em>&#8221; nos primeiros 6 meses de vida de seus filhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-brasil-estudos-apontam-a-mesma-realidade" style="font-size:19px">No Brasil, estudos apontam a mesma realidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A exposição da vida dos filhos por seus responsáveis é uma prática cada vez mais presente: pesquisas recentes indicam que <strong>75% das crianças e adolescentes brasileiros possuem perfis em redes sociais</strong>, e<strong>um terço deles têm contas totalmente abertas ao público</strong> (Instituto Locomotiva &amp; Único, 2024). Além disso, <strong>61% das postagens infantis revelam dados pessoais e familiares</strong>, como localização e rotina (TIC Kids Online Brasil, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No entanto, embora o <em><strong>sharenting</strong></em> seja uma prática amplamente disseminada, ainda são escassos os estudos que investigam seus efeitos psicológicos mais profundos — tanto sobre as crianças quanto sobre os próprios pais. Sob a ótica da psicologia analítica, ampliar essa discussão permite compreender o fenômeno não apenas como um comportamento social, mas como expressão simbólica de conteúdos psíquicos inconscientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>A exposição constante dos filhos nas redes pode ser lida como uma manifestação do que denomino “Parentalidade Performática” — uma forma de relação entre pais e filhos mediada por ideais de sucesso, reconhecimento e validação externa.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse contexto, o amor e o cuidado passam a ser filtrados por métricas de visibilidade — <em>likes</em>, seguidores e engajamento —, deslocando o eixo da parentalidade do vínculo afetivo para a imagem idealizada. Assim, o que deveria ser espaço de encontro genuíno, construção de vínculo afetivo, transforma-se em palco para a “persona parental”, onde a sombra da parentalidade se esconde sob o verniz da dedicação e do amor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sharenting-e-a-projecao-parental" style="font-size:22px"><strong><em>Sharenting</em> e a Projeção Parental</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sob a perspectiva Junguiana, podemos analisar o fenômeno do <em><strong>sharenting</strong></em> como uma extensão contemporânea do conceito de <strong>persona</strong>, isto é, a máscara social que o indivíduo constrói para se adaptar e ser aceito. “&#8230; um compromisso entre indivíduo e a sociedade a cerca daquilo que ‘alguém parece ser’: nome, título, função e isto ou aquilo. [&#8230;] apenas uma imagem ou compromisso” (JUNG, 2020b, p.151).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As redes sociais, nesse sentido, tornaram-se o novo palco onde essa persona é encenada — agora não apenas pelo adulto de forma individual, mas também através da imagem da “família perfeita”, que passa a representar um ideal de parentalidade. Nesse caso, o filho, então, é investido de um papel simbólico, refletindo o sucesso, a beleza e a harmonia que os pais desejam projetar ao mundo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Os filhos são estimulados para aquelas realizações que os pais jamais conseguiram; a eles são impostas as ambições que os pais nunca realizaram.</p><cite>JUNG, 2021, p.182</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entretanto, como todo movimento psíquico que privilegia a persona, há um preço: a <strong>sombra</strong> &#8211; aquilo que é reprimido, negado ou não reconhecido &#8211; que se acumula no inconsciente. </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse caso, manifesta-se na forma de ansiedade, comparação, culpa e um distanciamento silencioso do vínculo afetivo genuíno, substituído pela necessidade de validação constante.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregadas de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.   A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros. </p><cite>JUNG, 2020a, p. 312-13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse contexto, os pais que passam a viver a vida e a “fama” dos filhos construída através desses perfis nas redes sociais, projetando seus desejos conscientes e inconscientes nas crianças e tentando aplacar seus anseios juvenis não realizados.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jacoby-traz-a-seguinte-reflexao" style="font-size:19px">JACOBY traz a seguinte reflexão:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] a projeção inconsciente da criança simbólica na criança real, concreta, deve-se frequentemente ao fato de os pais, quer seja o pai ou a mãe, ou ambos juntos, não terem acesso à realização na vida a partir dos seus próprios recursos.</p><cite>2019, p.28</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-medida-que-a-crianca-cresce-imersa-em-uma-realidade-fabricada-um-recorte-de-momentos-esteticamente-agradaveis-fofos-e-performaticos-sua-vivencia-emocional-tende-a-se-distanciar-da-experiencia-genuina-da-vida" style="font-size:19px"><strong>À medida que a criança cresce imersa em uma realidade fabricada — um recorte de momentos esteticamente agradáveis, fofos e performáticos —, sua vivência emocional tende a se distanciar da experiência genuína da vida.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa infância construída sob a lógica da imagem e da aprovação pública pode comprometer o desenvolvimento da capacidade de lidar com a vida comum, imperfeita e sem aplausos: aquela que envolve erros, frustrações e limites. No entanto, é justamente no contato com essas adversidades que o ego vai encontrar um terreno fértil para se estruturar de forma saudável, resiliente e autêntica, reconhecendo sua própria força interior. Segundo Jung, “os problemas recalcados e os sofrimentos que foram deste modo poupados fraudulentamente na vida produzem um veneno secreto, que penetra na alma dos filhos&#8221;(2021, p.89).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parentalidade-performatica-e-a-fragilidade-do-ego" style="font-size:22px"><strong>Parentalidade Performática e a Fragilidade do Ego</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse sentido, retomo a importante reflexão de Jung sobre o desenvolvimento infantil<em>: “É preciso que se tomem as crianças como elas são de verdade, e não como gostaríamos que fossem” </em>(2021, p. 45). Amar uma criança, portanto, implica acolher sua realidade psíquica, suas limitações e potências, sem moldá-la à imagem dos nossos ideais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Oferecer um amor verdadeiro é criar vínculos de afeto e confiança baseados na autenticidade do ser — não na performance. Isso também inclui ensiná-las, desde cedo, a distinguir o que pertence ao espaço íntimo e ao que pode ser partilhado no espaço público, favorecendo a formação de limites saudáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-essa-diferenciacao-se-perde-o-processo-de-desenvolvimento-do-ego-que-depende-do-reconhecimento-entre-o-eu-interno-e-o-mundo-externo-fica-comprometido-abrindo-espaco-para-um-ego-fragilizado-e-dependente-da-aprovacao-alheia" style="font-size:19px"><strong>Quando essa diferenciação se perde, o processo de desenvolvimento do ego — que depende do reconhecimento entre o eu interno e o mundo externo — fica comprometido, abrindo espaço para um ego fragilizado e dependente da aprovação alheia.</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Ninguém pode educar para a personalidade se não tiver personalidade. E não a criança, mas sim o adulto quem pode atingir a personalidade como o fruto do amadurecido pelo esforço da vida orientada para esse fim. Atingir a personalidade não é tarefa insignificante, mas o melhor desenvolvimento possível da totalidade de um indivíduo determinado. Personalidade é a realização máxima da índole inata e específica de um ser vivo em particular. Personalidade é a obra a que se chega pela máxima coragem de viver, pela afirmação absoluta do ser individual, e pela adaptação, a mais perfeita possível, a tudo que existe de universal, e tudo isto aliado à máxima liberdade de decisão própria.</p><cite>JUNG, 2021, p.82</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-a-experiencia-subjetiva-da-crianca-e-substituida-pela-necessidade-de-manter-uma-imagem-idealizada-corre-se-o-risco-de-formar-um-ego-fragil-sustentado-por-validacoes-externas" style="font-size:19px"><strong>Quando a experiência subjetiva da criança é substituída pela necessidade de manter uma imagem idealizada, corre-se o risco de formar um ego frágil, sustentado por validações externas.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A criança aprende, ainda muito cedo, que o valor está na aparência, no aplauso e na aprovação — e não na vivência autêntica de quem ela é. Esse movimento gera uma dissociação sutil entre o ser e o parecer, fragilizando o contato com o si-mesmo e com o próprio sentido interno de existência. Do ponto de vista simbólico, poderíamos dizer que a imagem virtual assume o lugar do que seria o prenúncio de uma identidade: em vez de seguir no caminho do desenvolvimento natural da personalidade, passa a distorcê-lo segundo as expectativas parentais e sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-resultado-e-um-ego-que-busca-incessantemente-confirmar-sua-existencia-pela-visibilidade-mas-que-teme-o-anonimato-e-o-erro-justamente-as-experiencias-que-o-tornariam-mais-humano-e-inteiro" style="font-size:19px">O resultado é um ego que busca incessantemente confirmar sua existência pela visibilidade, mas que teme o anonimato e o erro — justamente as experiências que o tornariam mais humano e inteiro.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A personalidade já existe em germe na criança, mas só se desenvolverá aos poucos por meio da vida e no decurso da vida. Sem determinação, inteireza e maturidade não há personalidade.</p><cite>JUNG, 2021, p. 182</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Reconhecer a sombra presente na <strong>parentalidade performática</strong> é um passo essencial para restaurar a autenticidade dos vínculos e reequilibrar o lugar da infância em nossa sociedade. Quando pais e mães tomam consciência das motivações inconscientes que os levam a expor seus filhos — a necessidade de validação, o medo de não corresponder ao ideal social de “pais perfeitos” —, abre-se espaço para uma relação mais verdadeira e humana. A sombra, quando reconhecida se torna um guia: revela o que foi reprimido e aponta o caminho para a integração. Nesse movimento, a <strong>parentalidade</strong> deixa de ser espetáculo e volta a ser encontro — um espaço simbólico de crescimento mútuo, no qual tanto pais quanto filhos podem se tornar mais inteiros, mais reais e, sobretudo, mais humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Romper esse ciclo de performance exige consciência e coragem para olhar o próprio desamparo sem projetá-lo no outro. Quando o pai ou a mãe reconhecem sua própria fragilidade e acolhem as partes feridas da psique — em vez de mascará-las sob a imagem idealizada da <strong>parentalidade perfeita</strong> —, algo se transforma profundamente no vínculo com o filho. A criança deixa de ser o espelho que reflete a falta dos pais e volta a ser o sujeito de sua própria jornada. Nesse momento, acredito que a rede social pode enfim deixar de ser o palco principal da vida e a intimidade da família passa a ter mais valor e sentido do que qualquer like ou novos seguidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entendo que a rede social não é o mal em si, mas um espelho que revela a fragilidade egóica dos pais e as relações projetivas que permeiam a <strong>parentalidade contemporânea</strong>, especialmente diante do fenômeno do <em><strong>sharenting</strong></em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-compreender-o-vazio-que-as-redes-ocupam-na-vida-e-nos-vinculos-parentais-pode-ser-o-primeiro-passo-para-transformar-a-forma-como-elas-sao-utilizadas" style="font-size:19px">Compreender o vazio que as redes ocupam na vida e nos vínculos parentais pode ser o primeiro passo para transformar a forma como elas são utilizadas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É preciso deslocar o holofote das crianças e iluminarmos aquilo que realmente sustenta uma relação saudável entre pais e filhos: o afeto, o cuidado, o amparo emocional e o amor. Somente assim o filho poderá tornar-se um ser único, autêntico e independente — não mais a imagem idealizada que alimenta a projeção de uma <strong>parentalidade perfeita</strong>, mas sim o sujeito de sua própria história.</p>



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<h2 class="wp-block-heading" id="h-clarisse-grand-court-membro-analista-em-formacao-pelo-ijep" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristinaguarnieri/"><strong>Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata</strong> <strong>do IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conti, MG, Del Parco, F., Pulcinelli, FM&nbsp;<em>et al.</em>&nbsp;(2024). Sharenting: características e consciência dos pais que publicam conteúdo sensível de seus filhos em plataformas online. Disponível em<a href="https://doi.org/10.1186/s13052-024-01704-y">https://doi.org/10.1186/s13052-024-01704-y</a> . Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferreira, Lucia Maria T. (2020). A superexposição dos dados e da imagem de crianças e adolescentes na Internet e a prática de <strong>Sharenting</strong>. Reflexões iniciais. Disponível em</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Lucia_Maria_Teixeira_Ferreira.pdf">https://www.mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Lucia_Maria_Teixeira_Ferreira.pdf</a> . Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: estudo sobre o simbolismo do si-mesmo. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;______, O desenvolvimento da personalidade. 14. Ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______, O eu e o Inconsciente. 27. Ed. Petrópolis: Vozes, 2020b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ferreira, Luiz Claudio. (2025). Uma a cada três crianças tem perfil aberto em redes, alerta pesquisa. Disponível em</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-01/uma-cada-tres-criancas-tem-perfil-aberto-em-redes-alerta-pesquisa">https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-01/uma-cada-tres-criancas-tem-perfil-aberto-em-redes-alerta-pesquisa</a> Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tic Kids Online Brasil (2024). Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil. Disponível em</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/20250512154312/tic_kids_online_2024_livro_eletronico.pdf">https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/20250512154312/tic_kids_online_2024_livro_eletronico.pdf</a> Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1.png" alt="" class="wp-image-11509" style="width:747px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Pos-graduacoes-IJEP-1-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



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		<title>À procura do pai no parceiro amoroso</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-procura-do-pai-no-parceiro-amoroso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane dos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2025 19:12:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[complexo paterno]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: Esse texto foi fundamentado no livro O Desenvolvimento da Personalidade, de Carl Gustav Jung e apesar de abordar um recorte feminino, a problemática é análoga à vivência masculina, ou seja, o homem procurando sua mãe na parceira amorosa. O intuito dessas linhas é convidar o leitor à reflexão de como estamos conduzindo a educação [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6"><strong>Resumo</strong>: Esse texto foi fundamentado no livro <em>O Desenvolvimento da Personalidade,</em> de Carl Gustav Jung e apesar de abordar um recorte feminino, a problemática é análoga à vivência masculina, ou seja, o homem procurando sua mãe na parceira amorosa. O intuito dessas linhas é convidar o leitor à reflexão de como estamos conduzindo a educação de nossas crianças. Visa também a conscientização de como pequenas atitudes, que muitas vezes julgamos inofensivas, podem provocar danos profundos à psique de nossas crianças e que repercutirão durante a vida toda. É um chamado à introspecção e à análise sobre qual terreno estamos edificando as nossas relações e que tipo de herança estamos deixando para as futuras gerações. Boa leitura!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tudo-aquilo-que-quisermos-mudar-nas-criancas-devemos-primeiro-examinar-se-nao-e-algo-que-e-melhor-mudar-em-nos-mesmos-jung"><strong><em>“Tudo aquilo que quisermos mudar nas crianças, devemos primeiro examinar se não é algo que é melhor mudar em nós mesmos.” Jung</em></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nos meus atendimentos comecei a perceber um padrão recorrente em algumas de minhas clientes e durante a anamnese pude perceber que elas estavam vivenciando uma dinâmica familiar herdada nos primeiros anos da vida e até durante a gestação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Traições, relacionamentos tóxicos e abusivos, agressividade, drogadicção, sensação de não serem ouvidas ou validadas, desrespeito e comportamentos que impactavam a autoestima eram questões constantemente narradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Durante a anamnese comecei a perceber que essa vivência era muito familiar, pois, quando crianças, haviam presenciado essa estrutura emocional em seus lares e que atualmente, de forma inconsciente, estavam replicando esse padrão comportamental em suas vidas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A criança tem uma psicologia singular. Assim como o seu corpo, durante a vida embrionária, é uma parte do corpo materno, também sua mente, por muitos anos, constitui parte da atmosfera psíquica dos pais. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 84)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung destaca com essa afirmação que a maneira de viver dos pais influencia profundamente na formação da personalidade da criança e que a atmosfera familiar molda e determina o direcionamento que essa pessoa dará à sua vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung (2013, p. 60) diz que durante a infância a consciência vai se formando por um agrupamento gradual de fragmentos e que esse processo dura a vida inteira, mas que a partir da puberdade, vai se tornando cada vez mais lento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É devido à esta constatação que se diz que a primeira infância é a época propícia para incutir crenças e valores nas crianças, além de corrigir tendências nocivas que por ventura elas apresentem.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse é o momento em que as sementes lançadas encontram as condições mais promissoras para fecundação e crescimento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>&#8230; o que importa não são palavras boas e sábias, mas tão somente o agir e a vida real dos pais. Também não está resolvido o assunto se os pais apenas procuram viver de acordo com os valores morais geralmente aceitos, porque o cumprimento de costumes e leis pode servir igualmente para encobrir uma mentira de tal modo sutil que, por isso mesmo, escape à percepção de outras pessoas. </p><cite>&nbsp;(JUNG, 2013, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-nos-convoca-a-necessidade-de-uma-atitude-etica-verdadeira-e-transparente-em-nossas-relacoes" style="font-size:19px">Jung nos convoca à necessidade de uma atitude ética, verdadeira e transparente em nossas relações.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ele nos convida à inteireza, com a integração dos aspectos luminosos e sombrios de nossa personalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa é uma questão muito complexa, pois, para se ter uma relação realmente harmoniosa, exige-se do casal, primeiramente, uma sinceridade consigo mesmo e depois com o parceiro. É essencial desnudar-se e entrar na relação de forma inteira, sem subterfúgios, manipulações ou falsas promessas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Coisas que pairam no ar ou que a criança percebe de modo indefinido, a atmosfera abafada e cheia de temores e apreensões, tudo isso penetra lentamente na alma da criança, como se fossem vapores venenosos.</p><cite>(JUNG, 2013, p. 139)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Não adianta querer representar uma relação do tipo “<strong><em>família margarina</em></strong>”, pois o inconsciente da criança, como diz Jung: “<strong><em>constitui parte da atmosfera psíquica dos pais</em></strong>” e está à espreita, vendo e registrando tudo o que acontece, para no futuro balizar suas escolhas baseadas nessas impressões.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essas-escolhas-acontecem-de-forma-inconsciente-pois-como-o-padrao-esta-incutido-na-psique-essas-pessoas-vao-atrair-para-suas-vidas-parceiros-e-circunstancias-similares-como-se-fossem-um-ima" style="font-size:19px">Essas escolhas acontecem de forma inconsciente, pois, como o padrão está incutido na psique, essas pessoas vão atrair para suas vidas, parceiros e circunstâncias similares, como se fossem um ímã.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">&nbsp;Os amores não vivenciados, as mentiras ocultadas, as emoções veladas, os desejos reprimidos e as verdades não verbalizadas pelos pais são captadas pelo inconsciente da criança, que dependendo do grau de ligação a eles, influenciará as escolhas em sua vida, no caso dos relacionamentos amorosos, a pessoa buscará um parceiro com tendências idênticas ou diametralmente opostas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Em regra, a vida que os pais podiam ter vivido, mas foi impedida por motivos artificiais, é herdada pelos filhos, sob uma forma oposta. Isto significa que os filhos são forçados inconscientemente a tomar um rumo na vida que compense o que os pais não realizaram na própria vida. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-verificamos-assim-que-o-padrao-energetico-do-parceiro-escolhido-esta-estritamente-vinculado-a-energia-psiquica-do-modelo-de-pai-que-essa-mulher-teve" style="font-size:19px">Verificamos assim que o padrão energético do parceiro escolhido está estritamente vinculado à energia psíquica do modelo de pai que essa mulher teve.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Não é uma questão de azar, ou de dedo podre, ou gostar de sofrer, essa escolha é fruto de uma “<em>infecção que se dá por via indireta, fazendo com que os filhos assumam uma atitude em relação ao estado de espírito dos pais: ou reagem em defesa própria por meio de um protesto mudo, ou se tornam vítimas de uma coação interna de imitação, que os paralisa psiquicamente</em>.” (JUNG, 2013, p. 89)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entao-os-pais-devem-ser-perfeitos-para-assegurar-uma-vida-sem-influencias-negativas-aos-seus-filhos-jung-nos-diz-que" style="font-size:19px">Então os pais devem ser perfeitos para assegurar uma vida sem influências negativas aos seus filhos? Jung nos diz que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O que importa não é que os pais devam ser perfeitos, a fim de não causarem danos aos filhos. Caso fossem realmente perfeitos, isto seria catastrófico para os filhos, pois neste caso não restaria a estes outra coisa senão o sentirem-se moralmente inferiores; a não ser que preferissem ultrapassar os pais, empregando os mesmos meios que eles, isto é, imitando-os. Mas este último recurso apenas adia a prestação de contas, no máximo até a terceira geração. Os problemas recalcados e os sofrimentos que foram deste modo poupados fraudulentamente na vida produzem um veneno secreto, que penetra na alma dos filhos, mesmo através das paredes mais grossas do silêncio ou do reboco mais duro aplicado sobre os sepulcros, porque passa através de tudo isso como que deslizando de maneira fraudulenta e sobreposta. </p><cite>(JUNG, 2013, p.89)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-como-saio-dessa-situacao" style="font-size:19px">“E como saio dessa situação?”</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>“É possível atrair parceiros diferentes desse padrão?</strong>”</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essas são perguntas que constantemente ouço após a identificação e conscientização dessa dinâmica, desse padrão de atração repetitivo, inicialmente totalmente inconsciente e tão desestruturante.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung (2013, p. 205) diz que esse momento de conscientização pode ser atingido através de vários caminhos, mas que eles obedecem a certas leis. Normalmente essa mudança acontece no início da segunda metade da vida, que é uma fase de fundamental importância psicológica.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O meio da vida é um tempo de desenvolvimento máximo, quando a pessoa ainda está trabalhando e operando com toda a sua força e todo o seu querer. Mas nesse momento tem início o entardecer, e começa a segunda metade da vida&#8230;. Procura-se encontrar suas motivações verdadeiras e surgem descobertas. O indivíduo consegue conhecer sua peculiaridade por meio da consideração crítica de si próprio e de seu destino. Mas esses conhecimentos não lhe são dados de graça. Chega-se a tais conhecimentos apenas por abalos violentos. </p><cite>(JUNG, 2013, p. 205-206)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Os abalos violentos mencionados por Jung são decorrentes da mudança de paradigma que a pessoa vivencia no entardecer da vida, provenientes da constatação de que aquilo que era importante na primeira metade da vida, agora se mostra insuficiente ou inadequado e que os valores e crenças que alicerçavam sua vida, se tornaram frágeis e insustentáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aquilo-que-foi-propagado-como-garantia-de-felicidade-nao-produz-preenchimento-interno-nem-tampouco-paz-a-alma" style="font-size:19px">Aquilo que foi propagado como garantia de felicidade não produz preenchimento interno, nem tampouco, paz à alma.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa fase desperta na pessoa um profundo desejo de tornar-se uno e indivisível.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É nesse momento que ela percebe que passou muito tempo em sua vida, procurando por alguém que a completasse, que preenchesse o vazio existencial originado na infância, decorrente das situações em que vivenciou o abandono, o abuso, a rejeição, a violência, a inadequação, a falta de afeto e atenção, quando sua voz e vontade foram suprimidas e sua autoestima reprimida.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-e-a-hora-de-virar-o-jogo-e-parar-de-projetar-no-parceiro-os-aspectos-desse-pai-ausente-fraco-castrador-devorador-manipulador-abusivo-e-violento" style="font-size:19px">Essa é a hora de virar o jogo e parar de projetar no parceiro os aspectos desse pai ausente, fraco, castrador, devorador, manipulador, abusivo e violento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Perceber que se faz necessário a ruptura da vontade inconsciente de querer salvar nossos pais, vivendo a vida que eles não conseguiram, para sermos dignos de receber o amor, o afeto, a atenção e a validação deles.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse é um processo extremamente desafiador, mas, profundamente libertador.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;À procura do pai no parceiro amoroso&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/uEZSjeu6wTY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-santos/">Cristiane dos Santos &#8211;  Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:20px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. &nbsp;<em>O Desenvolvimento da Personalidade</em>. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br"><strong>www.ijep.com.br</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Superparentalidade: de crianças superprotegidas a adultos infantilizados</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/superparentalidade-de-criancas-superprotegidas-a-adultos-infantilizados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 12:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos –, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente, a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador de seu próximo tanto para o [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-large" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos –, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente, a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador de seu próximo tanto para o bem como para o mal. </em></p><cite>(Jung, 2021, p.90)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><em><strong>Resumo</strong>: Na tentativa de proteger excessivamente seus filhos, muitos pais acabam impedindo que eles vivenciem experiências importantes e realizem tarefas simples do dia a dia. Aborda-se como esse excesso de “cuidado” pode formar adultos inseguros, dependentes e com dificuldades para enfrentar os desafios da vida.</em> <em>A superproteção compromete o desenvolvimento da criança, passando pela adolescência até a vida adulta, resultando em indivíduos emocionalmente presos à infância e marcados pela imaturidade. <strong>Mais do que nunca, precisamos refletir sobre nossa forma de educar: estaremos verdadeiramente preparando nossas crianças para a vida ou apenas protegendo a nós mesmos</strong>?</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-criancas-que-ganham-autonomia-no-autocuidado-e-nas-tarefas-domesticas-tornam-se-adultos-mais-afetuosos-regulados-emocional-e-cognitivamente" style="font-size:19px">Crianças que ganham autonomia no autocuidado e nas tarefas domésticas tornam-se adultos mais afetuosos, regulados emocional e cognitivamente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa é uma questão levantada no artigo realizado pela&nbsp;<em>La Trobe University</em>:&nbsp;<em>Executive functions and household chores: Does engagement in chores predict children’s cognition?</em>&nbsp;(Funções executivas e tarefas domésticas: o envolvimento nas tarefas prevê a cognição das crianças?&nbsp;– tradução livre).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Embora a tese apresentada acima pareça óbvia para muitos leitores, temos observado uma atitude contrária por parte de muitos pais nos dias de hoje. E é sobre essa <strong>superproteção parental</strong> que proponho refletirmos ao longo deste artigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O estudo australiano aponta que a&nbsp;<strong>superparentalidade</strong>&nbsp;tira das crianças a oportunidade de progresso por meio da realização de tarefas simples do dia a dia. O envolvimento excessivo dos pais prejudica o desenvolvimento emocional e comportamental desses indivíduos ao longo da vida, que crescem dependentes e incapazes de se autoafirmarem, tornando-se <strong>adultos infantilizados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-observando-a-forma-como-a-sociedade-contemporanea-vivencia-a-parentalidade-entendo-que-estamos-em-crise" style="font-size:19px">Observando a forma como a sociedade contemporânea vivencia a parentalidade, entendo que estamos em crise.</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perdemo-nos-diante-da-ideia-do-que-e-amar-cuidar-e-ensinar" style="font-size:19px">Perdemo-nos diante da ideia do que é amar, cuidar e ensinar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Como elaborei no meu último artigo,&nbsp;<a href="https://blog.sudamar.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/"><em>“A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade”</em></a>, penso que assumimos novas demandas impostas por uma geração que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>. Nela, não cabem erros, fraquezas e vulnerabilidades – nem para os pais, nem para os filhos. Vivemos a era que teme o sofrimento e a insatisfação das crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A rotina pesada do dia a dia, somada às ideias equivocadas de que&nbsp;amor nunca é demais&nbsp;e de que&nbsp;frustração desregula as crianças emocionalmente, tem invertido a lógica da dinâmica familiar. Fazer pelos filhos torna-se mais importante do que permitir que eles errem e se desenvolvam no tempo deles – essa é a cartilha da <strong>superparentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-assumir-as-pequenas-tarefas-e-desafios-dos-filhos-perdemos-a-chance-de-encoraja-los-e-de-oferecer-suporte-emocional-frente-as-adversidades-e-aprendizados-da-vida" style="font-size:19px">Ao assumir as pequenas tarefas e desafios dos filhos, perdemos a chance de encorajá-los e de oferecer suporte emocional frente às adversidades e aprendizados da vida.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Criamos tanta culpa e desconexão com nossas crianças e, por outro lado, assumimos o controle de tudo – inclusive das pequenas atividades cotidianas que elas já são capazes de desenvolver sozinhas, como vestir-se, comer, amarrar os tênis, tomar banho ou preparar seu lanche. Quando o amor e o cuidado tornam-se desmedidos, sufocamos e interditamos os indivíduos em seu processo de desenvolvimento natural e necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo <strong>Neumann</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança para sua casa de chocolate. “<strong>Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, até tornar-se necessário para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho</strong>”&nbsp;(1995, p. 54, grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável gerará um processo de dependência e codependência, afetando diretamente o desenvolvimento da criança. Vale ressaltar que podemos ampliar tranquilamente esse conceito, designado por Neumann à mãe, para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O mimo que ultrapassa a primeira infância priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações. Dinâmicas fundamentais para que, no futuro, esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo”&nbsp;(NEUMANN, 1995, p. 57-58).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na perspectiva junguiana, compreendemos que o receio que os pais têm de que seus filhos se frustrem fala mais sobre eles mesmos do que sobre as crianças. É uma dinâmica psíquica sutil que reforça ainda mais a dependência emocional – a princípio natural e necessária entre filhos e pais –, mas que se torna disfuncional quando não é superada ao longo do desenvolvimento infantil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-psique-da-crianca-jung-diz" style="font-size:19px">Sobre a psique da criança, <strong>Jung</strong> diz:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>A criança tem uma psicologia singular</strong>. Assim como o seu corpo, durante a vida embrionária, é uma parte do corpo materno, também sua mente, por muitos anos, constitui parte da atmosfera psíquica dos pais. Este fato esclarece de pronto porque muitas das neuroses infantis são muito mais sintomas das condições psíquicas reinantes entre os pais do que doença genuína da criança. <strong>Apenas em parte a criança tem psicologia própria; em relação à maior parte, ainda depende da vida psíquica dos pais&nbsp;</strong>(2021, p. 84).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Para a psicologia analítica, o desenvolvimento da personalidade pressupõe a diferenciação entre a psique dos filhos e a de seus pais no caminho do adultecimento, permitindo o processo de individuação de cada um ao longo da vida.&nbsp;“[&#8230;] <strong>apegar-se demasiadamente aos pais é desnatural e doentio</strong> [&#8230;]”&nbsp;(JUNG, 2021, p. 85).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-individuacao-jung-afirma-que-e-um-processo-que-nunca-chega-ao-fim-mas-e-o-caminho-para-nos-tornarmos-seres-unicos-realizando-nossas-potencialidades" style="font-size:19px">Sobre a individuação, Jung afirma que é um processo que nunca chega ao fim, mas é o caminho para nos tornarmos seres únicos, realizando nossas potencialidades:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“</em>A individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que faculte a realização das qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo mediante o qual um homem se torna o ser único que de fato é<em>”</em>&nbsp;(2020, p. 64).</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-limitarmos-nossas-criancas-em-seu-processo-de-amadurecimento-fisico-emocional-e-cognitivo-causamos-um-interdito-na-passagem-da-infancia-para-a-adolescencia-e-depois-para-a-vida-adulta" style="font-size:19px">Ao limitarmos nossas crianças em seu processo de amadurecimento físico, emocional e cognitivo, causamos um interdito na passagem da infância para a adolescência e, depois, para a vida adulta.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">“Aqueles que passam conscientemente pela transição trazem mais significado à sua vida. Os que não passam permanecem prisioneiros da infância, não importa o sucesso aparente que possam ter na vida”&nbsp;(HOLLIS, 2023, p. 9).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-superparentalidade-tornou-se-um-sintoma-que-evidencia-o-peso-e-as-expectativas-geradas-sobre-a-criacao-dos-filhos-trazendo-impactos-negativos-para-toda-uma-geracao-da-infancia-a-adultez" style="font-size:19px">A <strong>superparentalidade</strong> tornou-se um sintoma que evidencia o peso e as expectativas geradas sobre a criação dos filhos, trazendo impactos negativos para toda uma geração – da infância à adultez.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">À medida que nos desconectamos dos instintos maternos e paternos, perdemos a capacidade de observar, respeitar e favorecer o desenvolvimento das etapas da vida humana, que acontecem a partir de experiências boas e ruins. Privar crianças e adolescentes de frustrações e tristezas não os torna mais felizes ou amorosos – pelo contrário. No entanto, oferecer suporte emocional, acolhimento e segurança durante situações difíceis favorece a formação de indivíduos mais seguros e autônomos, além de fortalecer ainda mais o vínculo familiar.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Podemos até concluir que a personalidade adulta não examinada é um agregado de atitudes, comportamentos e reflexos psíquicos ocasionados pelos traumas da infância, cujo objetivo fundamental é controlar o nível de sofrimento experimentado pela memória orgânica da infância que conduzimos dentro de nós. Podemos chamar essa memória orgânica de criança interior, e nossas várias neuroses representam estratégias inconscientemente desenvolvidas para defender essa criança. (A palavra ‘neurose’ não é usada aqui no sentido clínico, e sim como termo genérico para a divisão entre a nossa natureza e a nossa aculturação)&nbsp;(HOLLIS, 2023, p. 13).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao adotarmos a <strong>superparentalidade</strong> como modelo, formamos uma geração de jovens adultos infantilizados e incapazes de fazerem por si mesmos o básico. De forma mais ampla, esse comportamento parental poda a possibilidade de desenvolvimento cognitivo e emocional. Criando indivíduos desconectados de suas emoções, sentimentos, necessidades básicas e sem condições de compreender o outro em suas vulnerabilidades e deficiências – ou seja, incapazes de praticar empatia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-afeto-desmedido-ou-a-falta-dele-esta-inexoravelmente-ligado-ao-desenvolvimento-emocional-de-criancas-e-adolescentes-e-a-sua-capacidade-de-no-futuro-tornarem-se-adultos-emocionalmente-regulados" style="font-size:19px"><strong>O afeto desmedido – ou a falta dele – está inexoravelmente ligado ao desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes e à sua capacidade de, no futuro, tornarem-se adultos emocionalmente regulados.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A autonomia que os indivíduos terão na fase adulta é desenvolvida ainda na infância, por meio da participação em tarefas domésticas, no cuidado de suas próprias coisas e de seu corpo. Essas habilidades são fundamentais para a autorregulação na vida madura.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A presença afetiva dos pais na vida dos filhos é preponderante para o desenvolvimento psíquico da criança. No entanto, é fundamental que essa presença sofra modificações ao longo do tempo. A influência dos pais precisa diminuir para que os adolescentes conectem-se com outros pares, vivam novas relações, diferenciem-se do ambiente familiar e descubram sua identidade na vida adulta.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Superparentalidade: de crianças superprotegidas a adultos infantilizados&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/lh4wrpvZpfo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-nbsp" style="font-size:19px"><strong>Referências:&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">HOLLIS, James. A passagem do Meio: da miséria ao significado da meia idade. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">_____, Carl Gustav.&nbsp; O eu e o inconsciente. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Obradović, Jelena. Supporting Children’s School Readiness. IN: Stanford University. <a href="https://bingschool.stanford.edu/news/supporting-childrens-school-readiness-jelena-obradovic">https://bingschool.stanford.edu/news/supporting-childrens-school-readiness-jelena-obradovic</a> . Acesso em 28 de abril de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">TEPPER, Deana L.; HOWELL,Tiffani; BENNETT, Pauleen.(2022). Executive functions and household chores: Does engagement in chores predict children&#8217;s cognition? In: Australian Occupational Therapy Journal. <a href="https://www.researchgate.net/publication/360998732_Executive_functions_and_household_chores_Does_engagement_in_chores_predict_children's_cognition">https://www.researchgate.net/publication/360998732_Executive_functions_and_household_chores_Does_engagement_in_chores_predict_children&#8217;s_cognition</a> . Acesso em 28 de abril de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:21px"><strong>Conheça nossos cursos, congressos e pós-graduações</strong>: <a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br </a></p>
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		<title>A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 14:02:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.” WOODMAN, 2002, p.13 Resumo: A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p><em>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.”</em></p><cite><em> </em>WOODMAN, 2002, p.13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: <em>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da contemporaneidade, amplificada pelas redes sociais e o padrão de performance estabelecido. Essa pressão constante leva ao esgotamento emocional e físico dos pais e filhos, resultando no fenômeno conhecido como Burnout Parental. Distante dos saberes instintivos e ancestrais, os pais se veem presos a um ideal de perfeição inalcançável, desconsiderando as reais necessidades de seus filhos e de si mesmos. Sob a perspectiva Junguiana, o artigo convida à reflexão sobre as a sombra dessa parentalidade, revelando o impacto psicológico profundo desse padrão idealizado.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-da-perfeicao"><strong>A busca da perfeição</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A rotina de muitas famílias parece ter se tornado uma grande maratona sem direito a medalha no final do dia. É preciso acompanhar de perto todas as tarefas escolares e extracurriculares dos filhos, dar conta do trabalho e, de forma alguma, demonstrar que os filhos “roubam” o tempo dedicado à vida profissional. Criar crianças super bem-educadas, excelentes alunos e autorregulados emocionalmente. Enquanto tudo isso acontece, os pais e mães devem ressignificar toda criação que recebeu e aplicar, sem direito a erro, novas metodologias baseadas no repertório emocional que adquiriu há menos tempo do que se torno pai ou mãe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se um sintoma que evidencia o peso e a expectativa gerada sobre a criação de filhos na contemporaneidade, trazendo impactos negativos aos pais e às crianças</strong>. Trata-se de uma meta de performance inatingível e cruel para toda a família, uma vez que a perfeição é algo sempre imaginal e muito distante do real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abandonamos os saberes ancestrais, transgeracionais e instintivos sobre o cuidar, o nutrir e o acolher – ligados ao complexo materno presente no inconsciente coletivo &#8211; e passamos a adotar fórmulas, dicas e regras difundidas nas redes sociais por “influenciadores digitais” totalmente alheios à realidade social, econômica e psíquica vivida na intimidade de cada família. Perdemos a rede de apoio familiar e comunitária e, com isso, acreditamos não saber mais maternar e paternar, que é proporcionar à criança &#8211; com afeto e presença &#8211; o desenvolvimento de todo o seu potencial psíquico, físico e emocional. Aspectos que nada tem a ver com performance.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assumimos-novas-demandas-impostas-por-uma-sociedade-que-acredita-na-formula-certa-para-a-construcao-da-familia-perfeita" style="font-size:17px">Assumimos novas demandas impostas por uma sociedade que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado dessa pressão é um estresse crônico, aliado à uma sensação de fracasso, impotência e exaustão, que já conhecemos pelo nome de Burnout. Porém agora, estamos falando do <strong>Burnout Parental</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo “O poder da parentalidade positiva: evidências para ajudar os pais e seus filhos a prosperarem” (tradução livre), desenvolvido pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, em 2023, apresenta dados alarmantes sobre o adoecimento dos pais que não conseguem alcançar o ideal da família feliz pautado por padrões irreais e distorcidos sobre o que é parentalidade e, mais especificamente, <strong>parentalidade positiva</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O material divulgado menciona que cerca de 60% dos pais entrevistados relatam estarem com Burnout. Sentem que não são bons pais e mães. Quando se dedicam ao trabalho, acreditam que falham no cuidado com os filhos, e, quando dedicam tempo aos filhos, sentem que precisam exaustivamente compensar essas horas de trabalho. As expectativas que têm de si e de seus filhos são muito mais altas do que de fato é possível ser e fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o estudo, o padrão de <strong>parentalidade positiva </strong>pressupõe, no <strong>imaginário coletivo</strong>, pais que são modelos de paciência e calma, cujos filhos são sempre bem-comportados e respeitáveis. Havendo, portanto, no ideal coletivo, uma associação intrínseca entre os conceitos de <strong>parentalidade positiva</strong> e <strong>parentalidade perfeita</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-artigo-tecnico-publicado-no-site-news-medical-life-sciences-a-dra-liji-thomas-amplia-o-estudo-americano-e-aponta-o-sentido-real-do-que-seria-a-parentalidade-positiva" style="font-size:17px">No artigo técnico publicado no site <em>News Medical Life Sciences</em>, a Dra. Liji Thomas, amplia o estudo americano e aponta o sentido real do que seria a parentalidade positiva.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A parentalidade positiva incorpora múltiplos objetivos, o mais importante dos quais é construir um relacionamento de confiança e carinho com os filhos. Comunicação e escuta com respeito à criança são essenciais para isso. Além disso, estabelecer limites, elogiar e recompensar resultados comportamentais desejáveis, e amá-los não importa o que aconteça. O amor, a segurança e o conforto que a criança ganha com esse relacionamento são essenciais para desenvolver uma pessoa emocional e relacional saudável quando adulta. (THOMAS, 2024).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-na-sociedade-contemporanea-onde-tudo-se-torna-objeto-de-competicao-e-performance-os-conceitos-ganham-novos-sentidos-e-significados" style="font-size:17px">No entanto, na sociedade contemporânea, onde tudo se torna objeto de competição e performance, os conceitos ganham novos sentidos e significados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na perspectiva Junguiana, podemos ampliar para a unilateralização desse ideal de comportamento parental, onde não cabem erros, frustrações, medos e muito menos uma curva de aprendizado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] estamos tão ocupados em afazeres e metas a alcançar que perdemos o contato com a nossa vida interior, com essa vida que confere significado e símbolos e, por outro lado, cria os símbolos que dão sentido à vida. [&#8230;]. Nunca antes estivemos tão distantes da sabedoria da natureza e de nossos instintos. </p><cite>JUNG apud Woodman, 2002, p. 27</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parentalidade-contemporanea-e-o-papel-das-redes-sociais"><strong>Parentalidade Contemporânea e o Papel das Redes Sociais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A parentalidade traz o início de uma transição, ou seja, uma nova fase de incertezas e mudanças sem um destino certo. Nessa era digital, onde a rede social dita as “regras”, os conhecimentos se tornam incertos e superficiais. Como muito bem analisou Zygmunt Bauman ao longo de anos de estudos sobre a sociedade pós-moderna e suas relações superficiais e líquidas, são tempos de medo, insegurança e, portanto, de muita negatividade. “Há uma propensão natural a negar o que se teme muito e o que não se sabe resolver”. (BAUMAN apud ABRANCHES, 2017, p. 29). E o que o filósofo chama de negatividade, faço um paralelo com o que Jung denominou Sombra.&nbsp; Aquilo em nós que desconhecemos, tememos ou negamos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregada de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.   A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros. </p><cite>JUNG, 2020, p. 312-13</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A sombra vem à tona, muitas vezes, com uma convocação moral, uma atitude compensatória do ego. Nesse sentido, entendo que o <strong>Burnout Parental</strong> é um sintoma contemporâneo manifestado por essa sombra coletiva da performance, da <strong>parentalidade perfeita</strong> e desconectada com a real necessidade desses pais e crianças em sua singularidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o filósofo contemporâneo <strong>Byung-Chul Han</strong>, tudo virou trabalho, produtividade e performance. Entendo que até a parentalidade embarcou nesse <em>modus operandi</em>. <strong>Perdeu-se a alma e o sentido. Entrou em cena a parentalidade pautada por metas e que busca resultados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-causa-a-depressao-do-esgotamento-nao-e-o-imperativo-de-obedecer-apenas-a-si-mesmo-mas-a-pressao-do-desempenho" style="font-size:17px">O que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a pressão do desempenho.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Visto a partir daqui, a Síndrome de Burnout não expressa o si-mesmo esgotado, mas antes a alma consumida. [&#8230;]. O que torna doente, na realidade, não é excesso de responsabilidade e iniciativa, mas o imperativo do desempenho como um novo mandato da sociedade pós-moderna do trabalho. (2021a, p. 27).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se tememos o desconhecido, não entramos em contato com saberes primordiais que “aprendemos” a negar. O resultado é uma sociedade desconectada com o si-mesmo mas hiperconectada com a materialidade, a racionalidade e a performance. Pais e filhos que seguem cartilhas irreais e surreais de padrões inatingíveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-instintiva-e-o-guia-que-nos-conduz-a-nos-reconectarmos-com-o-nosso-ritmo-interno-nossas-necessidades-nossa-intuicao-cuidadora-e-protetora-ou-seja-o-nosso-ciclo-vital" style="font-size:17px">A natureza instintiva é o guia que nos conduz a nos reconectarmos com o nosso ritmo interno, nossas necessidades, nossa intuição cuidadora e protetora, ou seja, o nosso ciclo vital.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O instinto são, entretanto, fatores impessoais, universalmente difundidos e hereditários, de caráter mobilizador, que muitas vezes se encontram afastados do limiar da consciência [&#8230;]. [&#8230;] são forças motrizes especificamente formadas, que perseguem suas metas inerentes antes de toda conscientização, independente do grau de consciência. (JUNG, 2021b, p. 52-53).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez não exista nada na nossa experiência ontogenética que nos permita responder aos desafios experienciados na parentalidade de forma prévia. E é esse desconhecido que nos faz buscar respostas ou referências externas, sujeitos a pressões sociais em busca do sucesso parental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O largo número de perfis nas redes sociais voltados para a parentalidade, isso inclui influenciadores e anônimos digitais que disseminam conceitos, sugestões e vivências sobre maternidade, paternidade e ambos, reforça o importante papel que as redes têm sobre a construção do “ideal” de parentalidade no século XXI. De acordo com relatórios do projeto social: <em>We are Social</em> em parceria com o <em>Hootsuite</em>, em 2022, no Brasil eram 150 milhões de usuários com perfis ativos em redes sociais &#8211; um dos maiores percentuais do mundo &#8211; sendo 130 milhões no Facebook e 69 milhões no Instagram. Já de acordo com a plataforma Shopify, no mesmo ano, o TikTok chegou à marca de 1,7 bilhão de usuários, sendo 98,6% ativos no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-o-que-ha-em-comum-entre-esses-perfis-parentais-e-a-revelacao-de-uma-parentalidade-cansativa-e-estressante" style="font-size:17px">No entanto, o que há em comum entre esses perfis parentais é a revelação de uma parentalidade cansativa e estressante.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“[&#8230;] nas performances realizadas em plataformas digitais, diferentes indivíduos constroem suas identidades na interseção com a figura e as ações de outros indivíduos que com eles interagem, criando laços e valores sociais.” </p><cite>SOUZA, 2022, p.40</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Percebemos então que existe nesse ambiente digital, ora implícita ora explicitamente, um <em>modus operandi</em> de <strong>parentalidade</strong>. Ou como Jung aponta, uma persona idealizada: a persona de pais e mães perfeitos e filhos mais que perfeitos, resultantes de uma <strong>parentalidade super perfeita</strong>. Uma identificação total, onde pais e mães incorporam, sem qualquer crítica ou reflexão, a projeção da perfeição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, Jung sugere que os instintos perseguem suas metas. Ou seja, podemos nos conectar as nossas experiências filogenéticas, aos saberes primordiais e instintivos, encontrando mais e melhores respostas do que a larga rede social e toda a inteligência artificial são capazes de responder. Precisamos trabalhar a favor da diferenciação, desenvolvendo conteúdos inconscientes e sombrios e retirando o ego do padrão defensivo e autômato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa jornada pela parentalidade perfeita esbarramos em outra dualidade: <strong>Mimar ou não mimar os filhos, eis a questão!</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-amor-incondicional-x-pacto-de-amor"><strong>O Amor Incondicional X Pacto de Amor</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Vivemos a era do hedonismo, um imperativo ao prazer e aos desejos. Nesse tempo, não cabem perder, gerar frustrações, angústias ou sentimentos de fracasso.” </p><cite>SOUZA, 2022, p. 222</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Um padrão de comportamento transferido para as crianças que precisam ser atendidas não em suas necessidades vitais, psíquicas ou afetivas, mas em seus caprichos vazios de afeto e responsabilidades. Algo que a psicanalista Marcia Neder denominou como <strong>infantolatria</strong>, o culto à criança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cultura ocidental, a partir de um determinado momento, transformou a criança em uma divindade, um ser divino. [&#8230;]. A partir do século XIX, houve uma grande mudança na imagem do filho, da mãe e do pai. Em vez de organizada pelo poder do pai, a família passou a ser organizada pelo amor à criança. [&#8230;]. Quem perdeu o poder foi o adulto e quem ganhou o poder foi a criança, e ganhou porque nós demos esse poder a ela. (NEDER apud SOUZA, 2022, p.120).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-por-que-sera-que-o-ideal-de-criancas-sempre-bem-educadas-que-a-parentalidade-positiva-sugere-resultou-em-uma-realidade-de-criancas-mimadas-e-pais-esgotados" style="font-size:17px"><strong>E por que será que o ideal de crianças sempre bem-educadas que a parentalidade positiva sugere, resultou em uma realidade de crianças mimadas e pais esgotados?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de referenciais positivos e acolhedores, sejam eles internos ou externos, nos empurrou para o medo. O medo de falhar, o medo de “não dar conta”, o medo de perder o amor dos filhos. Uma atitude compensatória de uma geração que foi para o mercado de trabalho e terceirizou a criação das crianças e agora busca equilibrar essa equação, mas sem renunciar à alta performance em nenhum âmbito da vida, seja pessoal ou profissional. Parece que o resultado é uma parentalidade insegura, polarizada e adoecida. Saímos da relação autoritária e dominadora entre pais e filhos para a relação permissiva e passiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Confundimos amar com mimar</strong>. Mas não o mimar necessário na relação primal positiva na primeira fase da vida, essa que é sinônimo de um eixo ego-Self saudável. Adotamos o mimar que atende aos caprichos e vontades, ultrapassa limites físicos, psíquicos e emocionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo <strong>NEUMANN</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança a sua casa de chocolate. “Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, <strong>até tornar-se necessário</strong> para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho” (1995, p. 54. Grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável irá gerar um processo de dependência e co-dependência e que irá afetar diretamente o desenvolvimento da criança, mas também a autoridade e liberdade dos pais. Vale ressaltar que podemos tranquilamente ampliar esse conceito que o Neumann designa à mãe para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-mimar-contemporaneo-que-ultrapassa-a-primeira-infancia-priva-as-criancas-de-se-desenvolverem-a-partir-de-inibicoes-contradicoes-e-frustracoes" style="font-size:18px"><strong>Esse mimar contemporâneo, que ultrapassa a primeira infância, priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dinâmica que será fundamental para que no futuro esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo.” </p><cite>NEUMANN, 2021, p. 57-58.</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-talvez-a-base-da-criacao-devesse-estar-mais-associada-a-confianca-ao-afeto-e-a-seguranca-que-a-parentalidade-pode-e-deve-dar-a-crianca" style="font-size:17px">Talvez a base da criação devesse estar mais associada à confiança, ao afeto e à segurança que a parentalidade pode e deve dar à criança.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não podemos esquecer que a criança precisa se tornar um ser autônomo no futuro. O desejo dos pais e das mães em suprirem todas as necessidades de seus filhos, de nunca falharem, de serem onipresentes e onipotentes, é tão fantasioso e infantil quanto o de se atingir a meta da <strong>parentalidade perfeita</strong>. E essa neurose é compartilhada entre pais, mães e filhos, como bem explica Jung, “a criança se encontra de tal modo ligada e unida à atitude psíquica dos pais, que não é de causar espanto se a maioria das perturbações nervosas verificadas na infância devam sua origem a algo de perturbado na atmosfera psíquica dos pais” (2021b p. 48).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, olhar para a sombra dessa <strong>parentalidade perfeita</strong> é uma tentativa de dar luz a esse sofrimento psíquico que evidencia uma atitude neurótica da contemporaneidade. Uma exacerbação desse padrão performático e idealizado que tem se espalhado por todos os âmbitos da vida humana, infelizmente até mesmo no que se refere ao desenvolvimento psíquico, físico e emocional das crianças.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/IeoiciWwi3g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">ABRANCHES, Sergio. A Era do Imprevisto: a grande transição do século XIX. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">GAWLIK, Kate; MELNYK, Bernadette Mazurek. The Ohio State University. The Power of Positive Parenting: Evidence to help parents and their children thrive. 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: estudo sobre simbolismo do Si-mesmo. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. 12.ed. Petrópolis: Vozes, 2021a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">THOMAS, Liji. (2024). Study finds pressure to be “perfect” leads to unhealthy impacts on both parents and their children. In: News Medical Life Sciences. Disponível em. <a href="https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx">https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx</a> &nbsp;&nbsp;Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">WOODMAN, Marion. O Vício da Perfeição: Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimentos psíquicos. São Paulo: Summus. 2002.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">TikTok no Brasil: estatísticas e dicas (2024). Disponível em <a href="https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil">https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil</a>&nbsp; . Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:15px">SOUZA, Ana Luiza de Figueiredo. Ser mãe é f@oda: mulheres, (não maternidade) e mídias sociais. Porto Alegre: Zouk. 2022.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicossomática</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Psicologia Analítica</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Arteterapia e Expressões Criativas</em></p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>A Transformação do Homem através da Anima: Reflexões a partir do Mito de Percival e a Psicologia de Jung e Johnson</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/transformacao-do-homem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 19:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo explora a transformação masculina através da anima, com base no Mito de Percival e nas teorias de Jung e Johnson. Destaca-se a importância da anima como uma força primitiva que desafia abstrações, enfatizando sua natureza complexa. A dualidade, confronto com obstáculos externos, e a necessidade de cura interna são abordados, assim como o papel do mito na busca pela totalidade. A influência duradoura da figura materna é analisada através do mito do dragão. Em conclusão, destaca-se o processo de integração como essencial para a realização pessoal. O artigo oferece uma exploração profunda da jornada do homem em busca de autenticidade através da transformação da anima.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Explore a jornada de transformação do homem através da anima, analisando o Mito de Percival e as teorias psicológicas de Jung e Johnson. Descubra como a dualidade interna, confrontos externos e a cura interna são fundamentais para a consolidação da masculinidade e realização pessoal.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-uma-camada-primitiva-na-psicologia-do-homem-que-segundo-jung-e-representada-pela-anima"><strong>Há uma camada primitiva na psicologia do homem que, segundo Jung, é representada pela anima</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua essência, a psicologia primitiva rejeita abstrações, e as línguas primitivas têm poucos conceitos. Nesse contexto, <strong>a anima emerge como uma força primitiva</strong>, resistindo à mera noção abstrata. Jung destaca que o entendimento da anima como um complexo que se comporta quase como uma pessoa é crucial. A anima não é apenas uma abstração científica, para <strong>Jung</strong>:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px"><blockquote><p>O termo científico nada transmite e a mera noção abstrata da anima também não transmite nada, quando você pressupõe que a anima é quase pessoal, mas um complexo que se comporta exatamente como se ela fosse simples pessoa, ou as vezes como se fosse uma pessoa uma muito importante, logo você entende isso quase que corretamente. (JUNG, 2019, p.221)</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Robert A. Johnson</strong>, em seu livro &#8220;He&#8221;, explora a dualidade do universo e destaca que para compreender a unicidade é necessário a percepção da dualidade e sua respetiva diferenciação. Johnson ressalta a importância de diferenciar o mundo interior do exterior, e a verdadeira atuação na unidade só é possível quando essa distinção é clara. É possível ter uma percepção clara desta dualidade nas projeções da vida cotidiana Jhonson capta bem esse problema ao apontar que o problema deste sofrimento e desta que:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:16px"><blockquote><p>O homem é muitas vezes levado a fazer coisas estúpidas na tentativa de curar a ferida e suavir o desespero que sente. É como se buscasse uma solução inconsciente, fora de si próprio, queixando-se do seu trabalho, do casamento ou do lugar que tem no mundo. Pode até nessa fase, tentar encontrar uma outra mulher (JOHNSON, 1992, p. 21).</p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para<strong> Johnson</strong>, &#8220;Nenhum esforço exterior é possível se nossa capacidade interior está ferida&#8221; (JOHNSON, 1992, p. 25), destaca a necessidade de cura interna antes de qualquer empreendimento externo eficaz. Esta perspectiva ecoa a jornada de Parsifal, onde a busca por algo no interior, que corresponda à idade e mentalidade do momento da ferida, é essencial para a cura.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-mito-de-persifal-johnson-destaca-a-necessidade-de-despertar-o-parsifal-no-homem">No mito de Persifal, Johnson destaca a necessidade de despertar o &#8220;Parsifal&#8221; no homem.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O despertar não apenas traz alegria à parte anteriormente incapaz de felicidade, mas também infunde vida. A dualidade presente no homem, representada pelo lado violento que precisa ser dominado, é uma jornada em direção à integração consciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O confronto com obstáculos externos é fundamental para consolidar a masculinidade, desafiando a vontade e identidade do homem. Isto porque desde a infância precisa aprender a dominar o instinto violento de sua natureza, que sem a conscientização pode vir a se tornar dominado por essa sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Johnson também ressalta a importância do papel paterno na vida do <strong>adolescente</strong>, sugerindo que, nos dias de hoje, a intimidade entre pai e filho muitas vezes é perdida, tornando-se necessário um mentor, um guia masculino, para continuar o processo de treinamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando esse processo de desenvolvimento não acontece de forma satisfatório o homem pode cair no encantamento do dragão &#8211; que contém representação de uma variação da imago da mãe-, Johnson descreve a dinâmica psicológica não resolvida que os homens mantêm com o complexo materno desde a infância. Esse &#8220;dragão&#8221; é uma representação da relação complexa e ao permanecer não resolvida, tal figura acaba influenciando suas vidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Concluindo, Johnson destaca que o verdadeiro trabalho do homem na fase final da vida é o processo de trazer elementos do inconsciente e integrá-los ao consciente</strong>. Essa integração, segundo ele, é essencial para a totalidade e realização do indivíduo (cf JOHNSON, 1992, p. 82).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aprofundando-a-jornada-interior-explorando-as-fases-da-transformacao-masculina"><strong>Aprofundando a Jornada Interior: Explorando as fases da Transformação Masculina</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao nos aprofundarmos na jornada de transformação delineada por Jung e Johnson, é imperativo explorar as várias fases dessa busca interior. Ao sofrer, o homem muitas vezes procura soluções externas para aliviar seu desespero, manifestando-se em reclamações sobre vários aspectos de sua vida. Essa busca inconsciente por soluções fora de si mesmo destaca a necessidade premente de cura interna antes de qualquer empreendimento externo. <strong>A jornada de Parcifal nos mitos aponta para a necessidade de se realizar uma colaboração entre o mundo interno e externo</strong> (cf. Johnson).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A dualidade inerente ao homem, simbolizada pelo lado violento que requer domínio, revela-se como um caminho em direção à integração consciente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A consolidação da masculinidade, requer o enfrentamento de obstáculos externos. Esse confronto desafia a vontade e a identidade do homem, sendo fundamental para seu desenvolvimento. O mito do dragão, que encanta as pessoas, assume uma nova dimensão ao ser interpretado como a dinâmica psicológica não resolvida que os homens mantêm com o complexo materno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>acesso de mau humor</strong>, frequentemente manifestado como uma resposta inconsciente a essa dinâmica não resolvida, destaca a influência duradoura da figura materna nas vidas dos homens (cf. JOHNSON, 1992, p. 29).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final da jornada, Johnson aponta que o verdadeiro trabalho do homem na fase final da vida é o processo de <strong>trazer elementos do inconsciente e integrá-los ao consciente</strong>. Essa integração é uma etapa essencial para alcançar a totalidade e a realização pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-consideracoes-finais"><strong>Considerações finais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">À luz das reflexões proporcionadas por Jung e Johnson, a jornada do homem em direção à transformação é uma exploração multifacetada da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>anima</strong>, como uma força primitiva, desafia as noções convencionais e exige uma compreensão profunda. A <strong>dualidade</strong>, representada nos mitos e nas obras de Johnson, é uma realidade que requer diferenciação e consciência para a busca efetiva da unicidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-por-solucoes-externas-em-momentos-de-desespero-ressalta-a-urgencia-da-cura-interna">A busca por soluções externas em momentos de desespero ressalta a urgência da cura interna.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O mito de Parsifal, com seu chamado para despertar esta imagem interior, revela-se como um caminho em direção à integração consciente, exigindo a superação do lado violento inerente. A consolidação da masculinidade, através do confronto com obstáculos externos, destaca a importância do papel de um guia na jornada do homem. Tais dinâmicas não resolvidas com a imago materno, personificada pelo mito do dragão, continua a exercer uma influência significativa, moldando as respostas inconscientes dos homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final, o processo de trazer elementos do inconsciente para o consciente, é vital para a busca contínua pela totalidade e realização pessoal. A transformação do homem através da anima é uma jornada que transcende o tempo, uma exploração constante das profundezas da psique masculina em busca de autenticidade e totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Jung, o confronto com a sombra é obra de amador diante do confronto com a anima, porém, enquanto a sombra não tiver sido integrada, a expressão da anima será absolutamente tingida por ela. Ao invés dela funcionar como um psicopompo que vai levar ele para relação com o si-mesmo que é a sua centelha divina ela o levará para as profundezas mais tenebrosas e assustadoras.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo Novo: &quot;A Transformação do Homem através da Anima&quot; #anima  #psicologiajunguiana" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/NoCmGg_Ung4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Daniel Gomes – Analista em formação pelo IJEP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Waldemar Magaldi – Analista Didata</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bibliografia">Bibliografia:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. (2019). Aspectos do masculino. Petrópolis: Vozes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOHNSON, R. A. (2013). He: Compreendendo a Psicologia Masculina. São Paulo: Mercuryo</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOHNSON, R. A. (1994). Homem: A chave do entendimento dos três níveis da consciência masculina. São Paulo: Mercuryo</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Imagem por por Pixabay</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Acesse nosso site e conheça nossas Pós-Graduações:&nbsp;<a href="https://www.ijep.com.br/">IJEP | Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</a></p>



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			</item>
		<item>
		<title>A carga do bode expiatório na dinâmica do complexo familiar</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-carga-do-bode-expiatorio-na-dinamica-do-complexo-familiar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Tania Pulier Garrido]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Nov 2023 09:49:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos de Fada]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[bode expiatório]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[coletivo]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Simbolismo]]></category>
		<category><![CDATA[sombra coletiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A carga do bode expiatório na dinâmica do complexo familiar trata do complexo do bode expiatório em seu surgimento e vivência na família, a partir do conto “A princesa determinada” e dos ensinamentos de Sylvia Perera em sua obra sobre esse complexo. O objetivo é perceber as características da vivência atual e que elementos de transformação são oferecidos pelo resgate simbólico do ritual hebraico do bode expiatório, na inspiração do conto e das considerações teóricas da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>O presente artigo trata do complexo do bode expiatório em seu surgimento e vivência no dinamismo familiar, a partir do conto “A princesa determinada”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito se usa em nossos dias a expressão “<strong>bode expiatório</strong>” para se referir às pessoas ou grupos sociais sobre os quais se joga uma carga de acusações e responsabilização. Como se fossem eles os “errados”, “feios”, “perigosos”, “estranhos”, enfim, os culpados por tudo o que se considera inaceitável no código moral e de comportamento daquele grupo. E até sobre outros males, como doenças ou calamidades. Normalmente, as ditas “minorias” recebem essas acusações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toma-se como base os ensinamentos de <strong>Sylvia Perera</strong> em sua obra sobre esse complexo, comparando o significado originário do ritual hebraico do bode expiatório e mesmo elementos anteriores com a forma como o complexo é vivido na atualidade, desconectados que estamos da fonte transpessoal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo é perceber as características da vivência atual e que elementos de transformação são oferecidos pelo resgate simbólico do ritual, a partir da inspiração do conto e das considerações teóricas da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, curativos para a dor de quem vive tomado por esse complexo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-faz-alguem-ser-tomado-pelo-complexo-do-bode-expiatorio-e-que-ele-recebe-e-aceita-a-carga">O que faz alguém ser tomado pelo complexo do bode expiatório é que ele recebe e aceita a carga. </h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Complexo, segundo Jung (2018, §201), é “a imagem de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional [&#8230;], dotada de poderosa coerência interior”, com totalidade e grau de autonomia elevado, como se fosse um corpo estranho com vida própria, incompatível com a atitude habitual da consciência.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O indivíduo até pode ser – e neste caso busca ser – bem-sucedido e corresponder ao máximo à moral vigente, mas a constelação do complexo sempre o fará se sentir uma fraude, inadequado e indigno, e a rejeição que sofre de fato confirmará esse autodesprezo e o colocará num círculo vicioso do qual é difícil sair.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-decadente-rei-acusador-e-os-exilados"><strong>O decadente rei acusador e os exilados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O conto “<strong>A princesa determinada</strong>” narra a estória de uma filha que se negou a concordar que a vontade do pai determinasse o seu destino e, exilada no deserto após anos na prisão, construiu a própria vida e o próprio reino, diferente, no qual outros “desencaixados” tinham lugar. Do rei era dito que: “acreditava na autoridade de tudo aquilo que lhe fora ensinado e de tudo aquilo que ele considerava correto” e que se tratava de “um homem justo, sob muitos aspectos, porém de ideias limitadas” (Perera, 2022, p. 160). Quando colocou a terceira filha na pequena cela, ao passo que ele e as outras duas, as obedientes, desfrutavam das riquezas, o povo do país pensou ter feito ela algo muito grave, pois ninguém jamais havia contestado a autoridade do rei. Este mesmo, a princípio, achava que a prisão mostrava ser a sua vontade soberana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-com-o-passar-dos-anos-sem-que-a-princesa-voltasse-atras-considerou-que-a-presenca-dela-enfraquecia-a-sua-autoridade-e-foi-ai-que-resolveu-bani-la-para-o-deserto" style="font-size:16px">No entanto, com o passar dos anos sem que a princesa voltasse atrás, considerou que a presença dela enfraquecia a sua autoridade e foi aí que resolveu bani-la para o deserto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Lá ela conseguiu ordenar a sua vida e descobriu que os elementos contribuíam para o todo, sem obedecer às ordens do rei. A princesa exilada casou-se com um viajante de posses e juntos construíram no deserto “uma imensa e próspera cidade em que sua sabedoria, seus recursos e sua fé eram expressos da maneira mais completa” (Perera, 2022, p. 161).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ali se harmonizaram os “estranhos” e outros banidos, todos contribuindo de forma útil, a ponto de a cidade tornar-se mais poderosa e bela que o reino do pai da princesa. Ela e o marido foram eleitos os monarcas, por escolha dos habitantes. O rei resolveu conhecer aquele lugar que adquiriu tanta fama e era habitado por “aqueles aos quais ele e seus afins haviam desprezado.” Surpreendeu-se ao erguer os olhos aos monarcas, de cujo trono se aproximou com a cabeça curvada, e escutou estas palavras murmuradas por sua filha: “<strong>Vê, meu pai, como cada homem e mulher tem seu próprio destino e sua própria escolha</strong>.” (Perera, 2022, p. 162)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-um-primeiro-olhar-a-esse-conto-leva-a-identificar-os-estranhos-banidos-ao-deserto-pelo-aspecto-dominante-e-figura-parental-como-os-bodes-expiatorios-daquele-reino" style="font-size:18px">Um primeiro olhar a esse conto leva a identificar os “estranhos”, banidos ao deserto pelo aspecto dominante e figura parental, como os bodes expiatórios daquele reino.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Afinal, este termo é usado atualmente para indicar indivíduos ou grupos tidos como os causadores de infortúnios. Indivíduos que carregam a <strong>sombra coletiva</strong>, e cuja acusação alivia os acusadores de sua responsabilidade e lhes fortalece o poder. No sacrifício hebreu do bode expiatório, que veremos adiante, existem dois bodes. Um bode sacrificado, oferecido ao Senhor, que redime e purifica. E outro bode expulso ao deserto, dedicado a Azazel (antes um deus ctônico, tornou-se o anjo decaído para os hebreus) que carrega os males e remove a culpa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-dois-tracos-sao-entao-a-vitima-e-o-perseguidor-demoniaco-o-acusador">Os dois traços são, então, a vítima e o perseguidor demoníaco, o acusador.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">“<strong>O acusador do bode expiatório é experimentado como uma moral elevada, mas ultrassimplificada, que representa virtudes coletivas e, portanto, opõe-se à vida instintiva</strong>” (Perera, 2022, p. 27), manifestado no conto na figura do rei. Aquele que deveria ser o regente, o centro diretor de uma totalidade equilibrada, em cujo reino cada elemento contribui de forma funcional e harmônica para o conjunto, está unilateralizado. Abusando do poder e da sua própria vontade. É um rei decadente, portanto, cujo papel está deturpado. A aparente prosperidade do seu reino tem os dias contados. Isto porque o governante não é alguém de visão, mas de ideias limitadas. Que encarcera e bane o princípio feminino, representado pela princesa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-nao-se-submeter-ela-denuncia-a-deficiencia-do-pai-e-o-enfraquece">Ao não se submeter, ela denuncia a deficiência do pai e o enfraquece.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Foi de cabeça curvada que, por fim, o rei precisou se aproximar daqueles “cuja reputação de justiça, prosperidade e compreensão ultrapassava em muito a sua” (Perera, p. 162), governantes dos desprezados e banidos por ele, com os quais foi construído “um estranho e misterioso lugar que florescera num deserto” e cujo poder e beleza sobrepunham o seu reino (Ibid., p. 161).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como este rei, as pessoas tomadas pelo complexo do bode expiatório tornam-se limitadas, unilateralizadas e de ideias fixas. Visto que <strong>não conseguem se conectar ao Self</strong> (aquele que é ao mesmo tempo centro e totalidade psíquica), e a ele servir. Não conseguem viver o processo de ir se tornando quem realmente são. Permanecem presas ao papel coletivo e projetam neste coletivo sua direção, de modo que que não são capazes de “encontrar sua própria autoridade interior ou a integridade de sua consciência individual” (Ibid., p. 20).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, os bodes expiatórios são, ao mesmo tempo, o rei e os exilados antes de escolherem serem regidos pela princesa (pelo feminino expulso que carrega os valores do material rejeitado). Para aprofundar um pouco mais essa questão, vamos falar do sacrifício hebreu do bode expiatório e de seus traços na atualidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-bode-expiatorio-e-a-manifestacao-atual-no-complexo"><strong>O bode expiatório e a manifestação atual no complexo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em várias culturas antigas havia cerimônias de reconciliação, expiação do mal e expulsão dos males (ou elementos tidos como estranhos), transferindo-os para animais, plantas ou objetos, como canal de “renovação do contato com o espírito que rege o povo” (ibid., p. 13). Na cultura hebraica, o <strong>sacrifício do bode expiatório</strong> era parte do ritual do <strong>Yom Kippur</strong>, o Dia do Perdão, ligado a um aspecto de confissão do pecado e expiação da culpa e parte das festividades do Ano Novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sacerdote fazia um ritual preliminar, resgatando a si mesmo e à sua família, o que o diferenciava da posição comum. Procedia, então, servindo a Deus em prol da comunidade, à distinção e oferenda dos bodes. <strong>Um deles era oferecido ao Senhor pelos pecados e sacrificado</strong>. Seu sangue purificava e sacralizava o santuário, o tabernáculo e o altar, aplacando o Deus irado e expiando Israel de suas transgressões e pecados. “<em>Representa a libido que é dedicada e liberada, por meio do sacrifício, para expiar o pecado e aplacar o Deus ultrajado</em>” (Ibid., p. 22). Os restos eram considerados impuros e cremados do lado de fora do acampamento. <strong>O outro bode</strong>, dedicado a <strong>Azazel</strong>, era retirado vivo do acampamento e mandado para o deserto. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes, o sumo sacerdote, com as mãos sobre a cabeça do animal, confessava e depositava nele todas as faltas e transgressões dos filhos de Israel. “<em>O errante bode exilado remove a nódoa da culpa. Enquanto portador do pecado, ele carrega os males confessados sobre sua cabeça para longe do espaço da consciência coletiva</em>” (Ibid., p. 22). <strong>Segundo Perera, é a libido ligada às necessidades instintivas ameaçadoras, aos impulsos descontrolados, sobretudo na sexualidade, agressão, cobiça e rebeldia</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sylvia-considera-que-atualmente-existe-uma-distorcao-patologica-da-estrutura-arquetipica-do-ritual-hebraico-na-psique-dos-individuos-identificados-com-o-complexo-do-bode-expiatorio-2022-p-23" style="font-size:18px">Sylvia considera que atualmente existe uma “<em>distorção patológica da estrutura arquetípica do ritual hebraico</em>” na psique dos indivíduos identificados com o complexo do bode expiatório (2022, p. 23).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Primeiro pela “perda de conexão consciente com a matriz sagrada de onde provém o fluxo curativo e renovador”; segundo, pela “mudança radical na concepção de Azazel”. Ele, que era um deus-bode dos pastores pré-hebraicos, mesmo com o Deus único de Israel, não se tornou o opositor do Senhor, mas um estágio na repressão dessa divindade anterior, ligada também ao feminino e às <strong>religiões naturais</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os últimos patriarcas consideravam que ele levava as mulheres ao pecado (sensualidade) e os homens à guerra, relacionando-se, portanto, aos <strong>instintos eróticos e agressivos</strong>. <strong>Ao enviar os pecados a Azazel, remetia-se a libido à sua fonte transpessoal, reconhecendo que nenhum portador humano era capaz de carregá-los</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Progressivamente, Azazel passou a carregar o exagero defensivo da reação do Senhor contra o mundo do feminino e dos deuses pré-hebraicos. Foi transformado de deus em demônio, com o qual o “bom Deus” tem uma ruptura profunda. Tornou-se semelhante a Satã, o acusador do homem, que representa a Justiça divina dissociada de Sua Piedade (cf. Ibid., p. 26).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Azazel passou a ocupar, psicologicamente, o lugar do juiz arrogantemente puro, condenador e hipercrítico. Aquele que mantém o homem preso a um padrão de comportamento impossível de ser alcançado, pois as forças instintivas irrompem em sua frágil disciplina. É um padrão que não leva em conta os fatos da vida e o envolvimento do homem pela natureza (Ibid., p. 26).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-tempos-atuais-perdeu-se-a-conexao-com-o-transpessoal">Nos tempos atuais, perdeu-se a conexão com o transpessoal</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos tempos atuais, perdeu-se a conexão com o transpessoal. Joga-se sobre uma pessoa o peso de um coletivo rejeitado, e ela o assume, sentindo-se forte para carregá-lo, apesar de não o ser; a libido aqui “foi simplesmente confinada, dispersada ou escondida, em vez de sacralizada” (Ibid., p. 28).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os julgamentos morais da mãe ou do pai, que apontam para “como as coisas deveriam ser e não como elas são” (Ibid., p. 26), dão origem à rejeição do indivíduo na família, que constela o acusador, Azazel.</strong> “Os pais, ou outros, que escolhem um bode expiatório nessa forma moderna e inconsciente, são também, obviamente, vítimas do mesmo complexo” (Ibid., p. 43), assim como o rei do conto. </p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-default" style="font-size:16px"><blockquote><p><em>“Descobrimos a nossa ‘alteridade’ em ‘outrem’, ou melhor, descobrimos outra pessoa que pensa, age, sente e deseja tudo aquilo que condenamos e desprezamos. Achamos o nosso bode expiatório e, satisfeitos, iniciamos o combate a ele”, ignorantes de que o “terrível adversário” é o “outro” que habita o próprio seio. <strong>Os que assim projetam parecem mais com o aspecto acusador, com seu modelo rígido e sua persona de boas maneiras, dependente da aprovação coletiva</strong>. Onde há uma lacuna, onde falta o verdadeiro saber, ainda hoje o espaço é preenchido com projeções. <strong>Continuamos quase certos de saber o que os outros pensam ou qual é o seu verdadeiro caráter.</strong><br><br><strong>Estamos convencidos de que certas pessoas possuem todos os defeitos que não encontramos em nós mesmos, ou de que se entregam a todos os vícios que naturalmente nunca seriam os nossos</strong>. <strong>Devemos ter o máximo cuidado para não projetar despudoradamente nossa própria sombra, pois ainda hoje nos encontramos como que inundados de ilusões projetadas</strong>. [&#8230;] Como poderá ver claramente, quem não se vê a si mesmo, nem às obscuridades que inconscientemente impregnam todas as suas ações?&#8221;(JUNG, 2020c, §140; 220b, §43)</em></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os indivíduos tomados pelo complexo do bode expiatório, inconscientemente, vêm em socorro dessa fragilidade dos pais e da família, da incapacidade de carregar a própria sombra, e carregam toda ela. Identificam-se tanto com a vítima como com o acusador, desqualificando atitudes do outro que não correspondem ao ideal de moral, mas sobretudo aceitando a rejeição e rejeitando-se a si mesmos como uma punição à própria existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência luta por corresponder aos imperativos coletivos e “ignora suas necessidades pessoais – exceto as necessidades de ser correto, de vencer ou de ser bem-sucedido, a fim de se encaixar; a fim de pertencer” (PERERA, 2022, p. 27). Carecem, assim, de uma identidade, vivendo mais nos papéis de adaptação assumidos, chamados por Jung de <strong>personas</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p><em>“Na verdade, o ego portador da sombra, alienado e errante, anseia de tal modo por ser aceito pelo coletivo que acaba adotando qualquer persona” (PERERA, 2022, p. 32).</em></p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perderam-a-si-mesmos">Perderam a si mesmos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O próprio ego está enfraquecido, haja vista que sequer foi bem estruturado. Ego este que normalmente carrega a <strong>sombra familiar</strong>, coletiva e projetada, desde a sua formação na infância. Passam da vítima ao (auto)acusador o tempo todo; o tudo que assumem torna-se nada por ser abstrato, pois na verdade não vivem a responsabilidade pessoal – a sua parte. <strong>Parecem crianças, presos no estado infantil da participação mística, identificados com o inconsciente dos pais e sem conseguir distinguir o que é seu e o que é do outro</strong> (Cf. JUNG, 2020a, §83).</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Sentem-se portadores de comportamentos e atitudes vergonhosamente perniciosos e que rompem relações – que perturbam a figura parental” (PERERA, 2022, p. 19).</em></p></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Identifica-se com o que é tachado de “ruim”, “errado”, “feio”, uma vez que foi <strong>estigmatizado negativamente em seu próprio lar</strong> (mesmo nos casos em que a não adequação às normas vigentes tenha ocorrido por razões positivas).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fardo-que-essas-pessoas-carregam-inclui-uma-ansiedade-profunda-existencial-pela-falta-de-conexao-com-o-todo-maior-e-sentimento-de-culpa">O fardo que essas pessoas carregam inclui uma <strong>ansiedade</strong> profunda, existencial, pela falta de conexão com o todo maior e <strong>sentimento de culpa</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung define este fardo como como a emoção experimentada quando nos desviamos da totalidade e nos afastamos do Self (centro regulador da psique, agravado pelo fato de que nos sentimos inaceitáveis para nós mesmos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conto “A princesa determinada” não fala como viviam no deserto os expulsos do reino, apenas que ele se transformou com a chegada dela, que encontrou positividade ali. Será que eles não viam isso? Segundo Perera, os identificados com o bode expiatório vivem de tal forma presos ao seu exílio e ansiando retornar ao mesmo coletivo do qual foram banidos, que não veem valor nos elementos rejeitados (p. 133).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu exílio é marcado por um medo profundo de qualquer vínculo. O que é paradoxal com a intensa sede que experimentam “de ligação com o Outro, tanto em nível pessoal como em nível transpessoal, e mesmo por um apetite palpável pelo divino” (p. 36). Precisam de ajuda para se reconectar com a fonte, já que a conexão foi perdida há tantas gerações, e para viver relacionamentos autênticos e mútuos, nos quais<strong> recebam e se entreguem de verdade. Que caminho a princesa fez para conseguir isso</strong>?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-redencao-pelo-feminino"><strong>Redenção pelo feminino</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No conto, a princesa foi presa pelo pai (o aspecto acusador do complexo do bode expiatório) porque se recusou a concordar que a vontade dele determinasse o seu destino. Existe algo em todo indivíduo que não se rende, e esse algo costuma estar ligado ao desejo, à sensibilidade, à sensualidade, enfim, ao princípio feminino. Provavelmente está preso por muito tempo, justamente porque não se rende à adaptação ao coletivo ao qual o indivíduo tomado pelo complexo se força. E, por isso mesmo, é visto por ele como rebelde e inferior, como aquilo cuja presença o enfraquece. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, é o que manteve a integridade para que não se esfacelasse totalmente, e cuja pressão pode ajudá-lo a dar um basta à sua situação, o início da transformação. A partir daí vem uma descida ao desconhecido mundo interior, representado pelo deserto, encarando a raiva, a solidão, o medo, o que supõe um sofrimento que pode se estender, mas que agora é o próprio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-raiva-aqui-pode-ser-uma-manifestacao-do-self-que-defende-a-integridade-do-ego">A raiva aqui pode ser uma manifestação do Self, que defende a integridade do ego.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Neste deserto, a pessoa vai descobrir e encarar a si mesma, o que tem de limitações e riquezas, e com essas forças começar a construir a própria vida e a ter voz para expressar a individualidade (Cf. Ibid., p. 126). No deserto, primeiro a princesa se viu perdida numa terra inóspita, mas depois começou a encontrar ali o que precisava para viver, e até abrigo, calor e delícias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela assumiu suas necessidades e desejos, descobrindo que a satisfação não dependia do pai. Corresponde ao que Perera ensina de o ego, no processo de cura, dever “tornar-se ativo e responsável, até mesmo heroico, na busca de suprir suas carências” (2022, p. 105). <strong>Agindo com liberdade, iniciativa e responsabilidade é que pode se libertar do domínio acusador de Azazel</strong>, que se dá não imediatamente quando sai de casa, mas quando descobre um jeito de viver <strong>independente das ordens do pai</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-a-toa-o-titulo-do-conto-traz-a-principal-caracteristica-da-princesa-fundamental-para-essa-libertacao-determinada">Não à toa o título do conto traz a principal característica da princesa, fundamental para essa libertação: <strong>determinada</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se alguém aguardava pelo resgate, ela não. Na prisão, manteve as próprias convicções e, assim, a integridade. No deserto, encontrou uma forma de viver, usou de modo criativo os recursos que tinha, valorizando-os (a gruta que servia de moradia, as nozes e frutos, o calor do Sol) e com eles ordenando a própria vida. E, após conhecer e se unir ao parceiro e viver um tempo em seu reino (a importância da integração profunda e vivenciada dos princípios feminino e masculino em si), construíram juntos um reino. Mas não sozinhos. Todo esse movimento que ela, como exilada, fez, convocou os demais. Ajudando-os a se abrirem e se conectarem, com humor e alegria, com leveza, que se contrapõe ao pesado fardo que carregavam. <strong>Quando os canais criativos se abrem é sinal de que os grilhões do complexo foram afrouxados. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Encontrar esses canais criativos é necessário àqueles que estão identificados com energias demoníacas, como os indivíduos portadores do estigma do bode expiatório. A forma criativa proporciona um receptáculo para acolher e dominar essas energias. (Ibid., p. 41)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que era aquela comunidade, construída no deserto, senão uma totalidade em que cada elemento tem seu lugar e pode se harmonizar, de forma completa e útil, a uma vida multiforme, bem como pode escolher por quem ser regido? <strong>Esse contexto supõe uma abertura ao Self e suas mensagens. </strong>O que é essencial para o processo transformador do indivíduo que está tomado pelo complexo do bode expiatório.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-proprio-rei-o-pai-tao-obstinado-precisou-chegar-a-esse-lugar">O próprio rei, o pai, tão obstinado, precisou chegar a esse lugar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Este rei, inclusive, só pode se aproximar do trono com novas atitudes: curvar a cabeça, achegar-se lentamente, erguer os olhos aos soberanos que não eram ele, reconhecer o que lhe ultrapassava e finalmente escutar palavras murmuradas pelo feminino &#8211; justo o que considerava rebelde e seu ponto fraco.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A transformação de alguém tomado pelo complexo do bode expiatório, como toda mudança profunda, não é fácil nem rápida. </strong>Todavia, esta transformação<strong> corresponde ao anseio de harmonizar e libertar a vida, ao qual o conto dá esperança</strong>. Sendo que, certamente, o acompanhamento psicoterapêutico contribui grandemente com esse processo.</p>



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<p class="has-regular-font-size wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/tania-pulier/">Tania Pulier — Analista em formação/IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lilian/">Lilian Wurzba — Analista Didata/IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. Vol. 8/2. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___. <em>O desenvolvimento da personalidade</em>. Vol. 17. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2020a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___. <em>Psicologia do inconsciente</em>. Vol. 7/1. 24.ed. Petrópolis: Vozes, 2020b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___. <em>Psicologia e religião</em>. Vol. 11/1. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2020c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PERERA, Sylvia Brinton. <em>O complexo do bode expiatório</em>: um estudo sobre a mitologia da sombra e da culpa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022. Edição do Kindle.</p>



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