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	<title>Arquivos Tipos Psicológicos - Blog IJEP</title>
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	<link>https://blog.ijep.com.br/category/tipos-psicologicos/</link>
	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 12 May 2026 13:44:09 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Tipos Psicológicos - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Tipologia e a Sombra: Tipos Psicológicos e Abuso de Poder na Clínica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-tipologia-e-a-sombra-tipos-psicologicos-e-abuso-de-poder-na-clinica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 20:20:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo propõe uma reflexão acerca dos tipos psicológicos e do abuso de poder na clínica a partir de uma leitura de O Alienista, de Machado de Assis. Mediante a interpretação do personagem Simão Bacamarte como expressão do tipo pensamento extrovertido, discute-se a identificação unilateral do ego com a função principal e seus desdobramentos éticos e clínicos. O texto articula contribuições de Carl Gustav Jung, Marie-Louise von Franz, Daryl Sharp e Adolf Guggenbühl-Craig para refletir sobre o problema tipológico, a função inferior, a sombra e os riscos inerentes à posição de autoridade do analista. Conclui-se pela necessidade de uma postura crítica, dialógica e autorreflexiva, capaz de sustentar a tensão entre tipologia e singularidade, evitando reducionismos e favorecendo uma escuta ética e transformadora.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-tipologia-e-a-sombra-tipos-psicologicos-e-abuso-de-poder-na-clinica/">A Tipologia e a Sombra: Tipos Psicológicos e Abuso de Poder na Clínica</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>Este artigo propõe uma reflexão acerca dos tipos psicológicos e do abuso de poder na clínica a partir de uma leitura de <em>O Alienista</em>, de Machado de Assis. Mediante a interpretação do personagem Simão Bacamarte como expressão do tipo pensamento extrovertido, discute-se a identificação unilateral do ego com a função principal e seus desdobramentos éticos e clínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto articula contribuições de Carl Gustav Jung, Marie-Louise von Franz, Daryl Sharp e Adolf Guggenbühl-Craig para refletir sobre o problema tipológico, a função inferior, a sombra e os riscos inerentes à posição de autoridade do analista. Conclui-se pela necessidade de uma postura crítica, dialógica e autorreflexiva, capaz de sustentar a tensão entre tipologia e singularidade, evitando reducionismos e favorecendo uma escuta ética e transformadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-modelo-junguiano-de-tipologia-nasceu-de-uma-ampla-revisao-historica" style="font-size:16px">O modelo junguiano de tipologia nasceu de uma ampla revisão histórica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung desenvolveu o tema por meio de um extenso estudo de contrastes psicológicos e modos de orientação da consciência presentes na literatura, na mitologia, na estética, na filosofia e na psicopatologia. O modelo de Jung diz respeito ao movimento da energia psíquica e ao modo como cada indivíduo se orienta no mundo, habitual ou preferencialmente. A partir desse ponto de vista, Jung discrimina oito grupos tipológicos: quatro funções ou formas de orientação da consciência &#8211; pensamento, sensação, intuição e sentimento -, operando de modo introvertido ou extrovertido (atitudes da personalidade).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-livro-o-alienista-de-machado-de-assis-de-1882-narra-a-historia-do-medico-simao-bacamarte-que-em-busca-de-estudar-a-loucura-na-vila-de-itaguai-rj-constroi-a-casa-verde-um-centro-psiquiatrico" style="font-size:16px">O livro &#8220;O Alienista&#8221;, de Machado de Assis, de 1882, narra a história do médico Simão Bacamarte, que, em busca de estudar a loucura na vila de Itaguaí-RJ, constrói a &#8220;Casa Verde&#8221;, um centro psiquiátrico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A obra satiriza os excessos e o poder da ciência, o interesse pessoal em detrimento do coletivo, e a influência da política nas questões de saúde mental, mostrando como o médico Simão interna quase toda a cidade por critérios arbitrários, discutindo os limites tênues entre sanidade e loucura e o conceito de verdade. Do ponto de vista da psicologia junguiana, o livro, que já é de domínio público e de fácil acesso, convida a boas reflexões sobre o método reducionista causal, o problema dos complexos autônomos, a identificação do ego com a unilateralização da consciência, os tipos psicológicos e o abuso de poder na clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da imersão na leitura do livro <em>Tipos Psicológicos</em> de Jung (2013) e do livro-síntese sobre o tema elaborado por Daryl Sharp (<em>Tipos de Personalidade: O Modelo Tipológico de Carl G. Jung</em>, 2021) podemos fazer uma análise do clássico livro de Machado de Assis através de uma perspectiva tipológica. Simão Bacamarte pode ser visto como um tipo pensamento extrovertido; seus conhecimentos psiquiátricos são consequência de uma árdua e incessante procura por formalização de seus estudos, desde a formação no exterior até a sistematização de seus casos. Sua oratória é impecável, facilitando seu grande interesse em disseminar sua “verdade” sobre a loucura. Nas palavras do personagem, o objetivo principal de seu empreendimento, materializado pelo centro psiquiátrico, é estudar profundamente a loucura &#8211; seu objeto -, os seus diversos graus, classificar os casos, descobrir enfim a causa do fenômeno e o remédio universal (ASSIS, 1994, p. 11).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-reconhecendo-o-risco-de-cair-na-mesma-tentacao-dos-rotulos-de-simao-podemos-ainda-incorporar-os-ensinamentos-de-marie-louise-von-franz" style="font-size:16px">Reconhecendo o risco de cair na mesma tentação dos rótulos de Simão, podemos ainda incorporar os ensinamentos de Marie-Louise von Franz.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A autora, em seu livro <em>Psicoterapia </em>(1999), reforça que o reconhecimento da função principal se dá muitas vezes a partir da identificação primeira da função inferior, uma vez que suas aparições causam todo tipo de afeto e desacerto entre o indivíduo e o seu entorno. No caso em questão, a relação amorosa de Bacamarte é refém da sua função inferior &#8211; sentimento introvertido -. Suas aparições, às quais temos acessos principalmente por brevíssimos momentos de reflexão sobre sua mulher, D. Evarista, são rapidamente abafadas por visões racionalistas e impessoais da sua relação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas,— únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. (ASSIS, 1994, p. 5)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Outro fator relevante sobre a função inferior é sua capacidade de ludibriar o sujeito, travestindo-se na função principal. Sendo assim, considerando a função inferior do Dr. Simão como um sentimento introvertido, podemos observar, com olhar crítico, suas inúmeras racionalizações de valores e intuições religiosas a partir de seus discursos para validar a Casa Verde com ditos de santos e filósofos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Machado de Assis faz uma breve descrição de várias pessoas que acabam sendo internadas à força na Casa Verde. Pessoas com uma intuição apurada voltada ao religioso eram colocadas como distantes da realidade material, pessoas com um sentimento bem desenvolvido, que priorizavam as relações em oposição às finanças, eram consideradas desajuizadas, pessoas pragmáticas e práticas com facilidades para o fazer manual eram vistas como ameaça. O “outro” para Simão Bacamarte era um desvio completo que precisava ser analisado minuciosamente e curado em favor do pensamento racional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista coletivo, a diversidade de atitudes é fundamental. Uma sociedade precisa da iniciativa, da ação e da abertura ao mundo trazidas pela extroversão, assim como necessita da reflexão, da profundidade e da elaboração simbólica próprias da introversão. Quando uma dessas atitudes é desvalorizada, empobrecemos não apenas o indivíduo, mas o campo social como um todo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-da-mesma-maneira-se-faz-necessario-o-convivio-e-o-cultivo-das-quatro-funcoes-da-consciencia-pensamento-sentimento-intuicao-e-sensacao" style="font-size:17px">Da mesma maneira se faz necessário o convívio e o cultivo das quatro funções da consciência: pensamento, sentimento, intuição e sensação.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A valorização de funções que são favoráveis aos ideais capitalistas de produção e eficiência, como o pensamento e a sensação, contribui, ao longo da história, para uma negligência, por exemplo, do sentimento e da elaboração consciente dos valores dos indivíduos em relação às suas ações. O preconceito com a intuição, desde a ignorância sobre suas características até sua distorção no contexto das religiões neopentecostais, provoca, de maneira crescente, a aridez interior dos indivíduos, a dificuldade de um diálogo com o inconsciente, de uma expressão criativa catártica, levando inclusive a uma precipitada patologização de pessoas deste tipo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-despotismo-cientifico-assis-1994-p-43-de-simao-e-uma-narrativa-unilateral-da-verdade-que-e-recordada-no-contexto-deste-texto-para-refletirmos-sobre-a-atuacao-do-analista-junguiano" style="font-size:16px">O despotismo científico (ASSIS, 1994, p. 43) de Simão é uma narrativa unilateral da verdade que é recordada no contexto deste texto para refletirmos sobre a atuação do analista junguiano.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme desenvolvido pelo autor Adolf Guggenbühl-Craig, em seu livro <em>O Abuso do Poder na Psicoterapia,</em> o analista, assim como outros profissionais da saúde, podem abusar de uma determinada autoridade. Desta maneira, a posição de detentor de um conhecimento especializado sobre os fenômenos psíquicos poderia contribuir para uma identificação com a &#8220;sombra&#8221; nas relações clínicas.  Neste sentido, diante do outro que lhe é alheio, o desejo de poder e os perigos de dinâmicas desequilibradas de consciência favorecem a constelação de personagens como o charlatão e o falso profeta: aspectos sombrios que todo analista deve confrontar.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><em>Esse termo (charlatão), para mim, não designa alguém que use métodos não-ortodoxos ou extra-oficiais para ajudar os necessitados, mas sim um tipo de médico que na melhor das hipóteses engana tanto a si como a seus pacientes, ou, na pior, apenas a seus pacientes. Trata-se de um indivíduo que ajuda mais a si mesmo, pelo dinheiro e prestígio que recebe, do que aos doentes que procuram seus préstimos. (GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 28)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-proposta-deste-artigo-entretanto-seria-dar-enfase-aos-aspectos-da-consciencia-enquanto-fenomeno-psiquico-presente-na-relacao-analista-analisando" style="font-size:16px">A proposta deste artigo, entretanto, seria dar ênfase aos aspectos da consciência enquanto fenômeno psíquico presente na relação analista-analisando.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Tal empreendimento se deve pela sedução que o inconsciente geralmente provoca aos olhos do estudioso na área da psicologia junguiana &#8211; assim como a “patologia cerebral” seduziu Simão -, que acaba por negligenciar e ver o modelo tipológico de Jung com menos seriedade que os fenômenos inconscientes. Guggenbühl-Craig (2004, p. 32) comenta sobre esse fascínio ao  lembrar que o analista junguiano é alguém que viveu o profundo abalo produzido pela confrontação com o irracional e o inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, nas palavras de <strong>Daryl Sharp</strong> (2021, p. 138), faz-se necessário, no campo da tipologia, como em qualquer tentativa de autoconhecimento, uma contínua autorreflexão. Por essa razão, é inestimável reforçar que o primeiro confronto com o inconsciente e sua eventual integração parte do problema da sombra, entretanto é indispensável retomar o fato de que o temperamento e as pressuposições subjetivas do analista são sua bússola (SHARP, 2021, p. 9) para existir no mundo, dentro e fora do setting terapêutico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aprofundando-a-reflexao-sobre-a-construcao-desse-analista-no-livro-sobre-abuso-de-poder-na-clinica-guggenbuhl-craig-alerta-sobre-a-identificacao-do-analista-didata-com-uma-sombra-de-feiticeiro" style="font-size:16px">Aprofundando a reflexão sobre a construção desse analista, no livro sobre abuso de poder na clínica, Guggenbühl-Craig alerta sobre a identificação do analista didata com uma sombra de feiticeiro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o analista em formação correria o risco de continuar sendo um “aprendiz” durante toda a sua atuação como psicoterapeuta, apenas imitando seu analista e admirando sua performance (GUGGENBÜHL-CRAIG, 2004, p. 43). Entretanto, retomando esse problema pelo ponto de vista dos tipos psicológicos, é fundamental considerar que a forma como a consciência do analista se adaptou, ou seja, como ele compreende e se relaciona majoritariamente com o mundo, não deve ser colocada em xeque ao ser formado, por exemplo, por um analista didata de tipo oposto ao seu. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Tenho observado, com frequência como um analista, frente a um tipo excepcionalmente reflexivo, por exemplo, fará o possível para revelar-lhe a função do sentimento, trazendo-a diretamente para fora do inconsciente. Esse esforço está fadado ao fracasso, pois implica uma violação extrema do ponto de vista consciente. Ainda que essa violação produzisse efeito, o analista geraria uma dependência compulsiva no paciente, uma transferência que só poderia resultar num desfecho brutal. Pois, tendo sido privado do seu ponto de vista, o paciente assumiria para si o ponto de vista do analista. (JUNG, 2013, § 670)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, podemos incorporar para a discussão mais um personagem do livro de Machado de Assis, o Sr. Crispim Soares, boticário da vila, que é contratado para responsabilizar-se pelas questões administrativas da Casa Verde. Sua tipologia, hipoteticamente falando &#8211; uma vez que não é um personagem tão explorado na obra -, é o sentimento introvertido, função inferior de Simão. Entretanto, por conta da absurda influência do médico, acaba por diversas vezes indo contra seus próprios princípios e família, de modo a tentar se enquadrar na tipologia do doutor, ou seja, na tal concepção verdadeira e moralmente superior, isenta do risco de cair em adoecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-seguinte-passagem-esclarece-tanto-sobre-a-funcao-principal-do-sr-soares-quando-da-sua-automutilacao-ao-se-enquadrar-no-comportamento-de-simao" style="font-size:16px">A seguinte passagem esclarece tanto sobre a função principal do Sr. Soares, quando da sua automutilação ao se enquadrar no comportamento de Simão:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Crispim amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca estiveram separados um só dia. Assim se explicam os monólogos que ele fazia agora, e que os fâmulos lhe ouviam muita vez:—&#8221;Anda, bem feito, quem te mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador, torpe bajulador! Só para adular ao Dr. Bacamarte. Pois agora agüenta-te; anda, agüenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a tudo, não é? aí tens o lucro, biltre!&#8221; (ASSIS, 1994, p. 22)</em><em> </em><em></em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ao ampliarmos a reflexão tipológica, é fundamental recordar que as quatro funções psicológicas &#8211; pensamento, sentimento, sensação e intuição &#8211; dizem respeito primariamente ao funcionamento da consciência. Conforme destaca Marie-Louise von Franz, há um equívoco recorrente em tentar utilizar esse modelo, que descreve atitudes conscientes, como ferramenta direta para abordar conteúdos do inconsciente, como no chamado “problema do quatro”. Tal deslocamento indevido pode gerar reducionismos interpretativos e obscurecer a complexidade simbólica das manifestações psíquicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seguimos certas regras para interpretar as manifestações do inconsciente. Em última análise, porém, essa interpretação é mais uma arte que um ofício, e pode ocorrer que nossa própria equação pessoal nos leve a desprezar algo fundamental (FRANZ, 1999, p. 34). Nesse sentido, a prática clínica exige não apenas conhecimento teórico, mas um constante exercício de autocrítica e ampliação de repertório simbólico. A análise individual, a supervisão em grupo e o contato com diferentes expressões culturais tornam-se, portanto, instrumentos indispensáveis para evitar a unilateralidade da escuta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noção de “equação pessoal” é central nesse debate, pois condiciona inevitavelmente o modo como o analista dialoga com o analisando e conduz as ampliações das expressões oníricas, dos sintomas e das expressões criativas. Como aponta Jung, “a verdade relativamente definitiva requer o concerto de muitas vozes” (JUNG, 2012, § 1.236). Assim, o trabalho analítico não pode prescindir de uma postura dialógica, que reconheça os limites da própria perspectiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-contexto-e-interessante-citar-as-colocacoes-de-von-franz-em-relacao-as-atitudes-da-consciencia-e-da-sua-dinamica-oposta-inconsciente" style="font-size:16px">Neste contexto, é interessante citar as colocações de von Franz em relação às atitudes da consciência e da sua dinâmica oposta inconsciente:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph"><em>Inicialmente, Jung distinguiu dois tipos comportamentais: o extrovertido e o introvertido. No extrovertido, a libido habitualmente flui conscientemente na direção do objeto, mas existe também uma ação contrária que volta em direção ao sujeito. Para o extrovertido, o avanço oculto na direção do sujeito é geralmente um fator inconsciente. No caso do introvertido, ocorre o oposto, pois ele tem a impressão de que um objeto constantemente o esmagasse, de modo que precisa continuamente se afastar deste, uma vez que tudo está caindo sobre ele, é continuamente esmagado pelas impressões, mas não tem consciência de que está secretamente emprestando energia psíquica ao objeto através da sua extroversão inconsciente. (FRANZ, 1999, p. 31)</em><strong><em></em></strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa dimensão dialética se manifesta de maneira particularmente complexa no problema da transferência. Ainda que este artigo não se aprofunde nesse ponto, é importante deixar em aberto a necessidade de expandir a discussão sobre a dinâmica entre analista e analisando, conforme indicado por Jung (2012, § 1.172), especialmente no que se refere às implicações do poder e da autoridade na clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retomando o destino de Simão Bacamarte, observamos que sua identificação com a unilateralidade da consciência e com sua função principal não apenas o afasta da comunidade, mas também o conduz a um progressivo isolamento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-machado-de-assis-explicita-esse-movimento-tanto-nas-revoltas-populares-contra-a-casa-verde-quanto-no-desfecho-em-que-o-proprio-medico-decide-internar-se" style="font-size:16px">Machado de Assis explicita esse movimento tanto nas revoltas populares contra a Casa Verde quanto no desfecho em que o próprio médico decide internar-se:</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. (ASSIS, 1994, p. 87)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal desfecho pode ser compreendido, à luz da psicologia analítica, como uma consequência extrema da perda de relação com o outro e com o próprio inconsciente. Jung observa que uma autoridade que se mantém excessivamente superior apenas intensifica no outro o sentimento de inferioridade e exclusão, mas também, poderíamos acrescentar, perde progressivamente sua própria vitalidade psíquica (JUNG, 2012, § 1.172). Essa perda ocorre tanto externamente, pelo afastamento dos vínculos, quanto internamente, pela dissociação entre consciência e inconsciente. Nas palavras de D. Evarista (ASSIS, 1994, p. 73), esposa de Simão, observamos a lenta, mas incontrolável, queda de Ícaro: fez agora outro em honra do insigne médico &#8211; &#8220;cujo altíssimo gênio, elevando as asas muito acima do sol, deixou abaixo de si todos os demais espíritos da terra&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-sentido-a-trajetoria-de-bacamarte-ilustra-de-forma-radical-os-riscos-da-unilateralidade-tipologica-e-da-inflacao-da-consciencia" style="font-size:16px">Nesse sentido, a trajetória de Bacamarte ilustra de forma radical os riscos da unilateralidade tipológica e da inflação da consciência.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sua identificação com o pensamento extrovertido, desacompanhada de um diálogo vivo com sua função inferior &#8211; o sentimento introvertido -, resulta em uma visão empobrecida da realidade psíquica, em uma cisão entre consciente e inconsciente e em práticas clínicas violentas e tirânicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, cabe reiterar que o exercício da psicoterapia, enquanto arte e técnica, exige a totalidade do indivíduo. Como afirma Jung, <em>ars totum requirit hominem</em>: a arte requer o homem por inteiro (JUNG, 2012, § 1.170). Isso implica uma relação crítica constante com as próprias funções da consciência, com a função inferior e com a sombra. Mais do que evitar cair em erros, trata-se de sustentar uma posição ética e reflexiva diante da complexidade do humano, reconhecendo que toda prática clínica está inevitavelmente atravessada pela singularidade de quem a exerce, assim como pelas suas vulnerabilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, entre a tentação classificatória de Simão Bacamarte e a abertura simbólica proposta pela psicologia analítica, permanece o desafio: como sustentar uma escuta que não reduza o outro à tipologia, mas que também não negligencie a importância das estruturas através das quais a consciência se organiza e se adapta? É nesse campo primeiro de tensão que se inicia a responsabilidade do analista, sendo o encontro com o outro a verdadeira possibilidade de transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/carolina-diniz-bastos/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/carolina-diniz-bastos/">Carolina Diniz Bastos – Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">José Balestrini – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">ASSIS, Machado de. <em>O alienista</em>. São Paulo: FTD, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, Marie-Louise von. <em>Psicoterapia</em>. São Paulo: Paulus, 1999.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf. <em>O abuso do poder na psicoterapia: e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério</em>. São Paulo: Paulus, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A vida simbólica.</em> Escritos diversos. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>Tipos Psicológicos.</em> 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SHARP, Daryl. <em>Tipos de personalidade: o modelo tipológico de Carl G</em>. Jung. 2. ed. São Paulo: Editora Pensamento Cultrix, 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Produção Artesanal da Cerâmica como Exercício Simbólico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-producao-artesanal-da-ceramica-como-exercicio-simbolico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Jageneski dos Reis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 11:25:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Expressões Criativas]]></category>
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		<category><![CDATA[tipos psicológicos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=12176</guid>

					<description><![CDATA[<p>A proposta do presente artigo é refletir sobre o processo artesanal da cerâmica como exercício simbólico e recurso terapêutico na despotencialização da função pensamento unilateralizada. Enaltecida pelo espírito do tempo, que considera a razão e a lógica como premissas supremas, a função pensamento torna-se uma armadilha para aqueles que a possuem como função dominante. Como evidenciado na teoria de Carl Gustav Jung, o indivíduo só consegue caminhar rumo à sua totalidade quando passa a integrar os conteúdos inconscientes. Sendo assim, a produção da cerâmica como expressão criativa apresenta-se com potencial para expressar conteúdos inacessíveis através apenas da intelectualidade, comprovando que formas não-verbais de comunicação possuem força simbólica, facilitam a integração das outras funções da consciência e abrem caminho para o desenvolvimento psíquico</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><em>Resumo: A proposta do presente artigo é refletir sobre o processo artesanal da cerâmica como exercício simbólico e recurso terapêutico na despotencialização da função pensamento unilateralizada.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Enaltecida pelo espírito do tempo, que considera a razão e a lógica como premissas supremas, a função pensamento torna-se uma armadilha para aqueles que a possuem como função dominante. Como evidenciado na teoria de Carl Gustav Jung, o indivíduo só consegue caminhar rumo à sua totalidade quando passa a integrar os conteúdos inconscientes. Sendo assim, a produção da cerâmica como expressão criativa apresenta-se com potencial para expressar conteúdos inacessíveis através apenas da intelectualidade. Comprovando que formas não-verbais de comunicação possuem força simbólica, facilitam a integração das outras funções da consciência e abrem caminho para o desenvolvimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-obra-o-homem-e-seus-simbolos-carl-gustav-jung-disse-que-o-homem-gosta-de-acreditar-se-senhor-da-sua-alma-2016-p-104" style="font-size:18px">Na obra <em><strong>O homem e seus símbolos</strong></em>, Carl Gustav Jung disse que “o homem gosta de acreditar-se senhor da sua alma” (2016, p. 104).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">De certo modo, em todo ser humano há um certo prazer na sensação de estar no controle, ao analisar a vida sob a ótica da racionalidade e da lógica, ignorando as maneiras secretas pelas quais os fatores inconscientes atuam nos projetos e decisões a todo tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse sentimento é maximizado pelo espírito do tempo, principalmente na cultura ocidental, que eleva a razão à posição de deusa, considerada fonte de sabedoria e verdade, que dá conta de processar informações, com conectividade e produtividade constantes e, acima de tudo, de operar com positividade e eficiência. Deixar transparecer uma persona dinâmica, engajada, fluente em ideias e ter uma mente ativa parece ser o sonho de consumo do homem contemporâneo e, mais do que isso, torna-se quase que uma obrigação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nesse contexto, a hipervalorização da função pensamento apresenta-se como uma armadilha fácil, principalmente para aqueles que a tem como função superior, tornando a pessoa excessivamente identificada. Entretanto, como enfatizado na psicologia junguiana, ao unilateralizar uma função e negligenciar as outras, o indivíduo fatalmente enfrentará um desequilíbrio psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-espirito-da-epoca-e-a-unilateralizacao-patologica" style="font-size:18px"><strong>O espírito da época e a unilateralização patológica</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Nossa vida civilizada exige uma atividade concentrada e dirigida da consciência, acarretando, deste modo, o risco de um considerável distanciamento do inconsciente. Quanto mais capazes formos de nos afastar do inconsciente por um funcionamento dirigido, tanto maior é a possibilidade de surgir uma forte contraposição, a qual, quando irrompe, pode ter consequências desagradáveis (JUNG, 2013a, p. 16).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A consciência não abrange a totalidade da psique, constitui-se apenas como uma de suas estruturas, sendo organizada em torno do ego e de suas funções adaptativas. Porém, durante uma parte da vida, a consciência inevitavelmente assume um ponto de vista unilateral, isto é, privilegia alguns conteúdos, valores e modos de funcionamento em detrimento de outros, sendo uma fase importante para estruturação psíquica do indivíduo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A <strong>unilateralidade </strong>passa a se tornar um fator preocupante quando o ego se identifica de forma rígida com determinados comportamentos &#8211; sejam eles racionais, morais, culturais ou mesmo instintivos &#8211; deixando de integrar outros elementos do inconsciente. Com isso, a consciência corre o risco de perder sua flexibilidade e de cristalizar-se em uma visão fragmentada do mundo e de si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Quando a unilateralidade se intensifica, a ponto de ignorar sistematicamente as mensagens do inconsciente, o indivíduo enfrenta crises existenciais e desenvolve sintomas, favorecendo, assim, a exacerbação da função pensamento, tendo em vista o quanto o espírito da época enaltece o modelo lógico temporal como dominante.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Esse quadro pode ser potencializado quando o indivíduo enfrenta a noite escura da alma, ocasionando um sofrimento psíquico intenso, que pode se manifestar na forma de sintomas dolorosos e persistentes. O ego, que já estava fixado em um polo, passa a funcionar através de uma identificação ainda mais proeminente, levando o indivíduo ao esgotamento de si. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-descreve-apenas-como-exemplo-um-sujeito-identificado-com-a-funcao-pensamento-que-se-apresenta-sob-a-influencia-da-rigidez-do-tipo" style="font-size:18px">Jung descreve, apenas como exemplo, um sujeito identificado com a função pensamento, que se apresenta sob a influência da rigidez do tipo:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Com o fortalecimento de seu tipo, mais rígidas e inflexíveis se tornam suas convicções. Descarta influências estranhas; pessoalmente perde a simpatia dos distantes e fica mais dependente dos próximos. Seu linguajar torna-se mais pessoal e mais franco, suas ideias são mais profundas, mas já não conseguem exprimir-se com clareza em vista do material de que dispõem. A emotividade e sensibilidade substituem o que falta. A influência estranha, que externamente recusa com brutalidade, assalta-o de dentro, pelo lado do inconsciente, e precisa reunir provas que sejam contrárias, e as reúne, contra coisas que parecem totalmente supérfluas aos estranhos. Dado que sua consciência se subjetiva pela falta de relação com o objeto, parece-lhe o mais importante o que secretamente diz respeito à sua pessoa. Começa, então, a confundir sua verdade subjetiva com sua pessoa. Jamais tentará pressionar alguém em favor de suas convicções, mas partirá venenosa e pessoalmente contra qualquer crítica, por mais justa. Isola-se aos poucos em todos os sentidos. Suas ideias que a princípio eram produtivas tornam-se destrutivas, porque estão envenenadas pelo sedimento da amargura. Com o isolamento para fora cresce a luta com a influência inconsciente que, aos poucos, o vai paralisando. Um forte pendor para a solidão deve protegê-lo das influências externas, mas normalmente o leva ainda mais fundo ao conflito que o consome interiormente. </em><em>(JUNG, 2013b, p. 398- 399).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Diante disso, propomos refletir sobre a produção artesanal da cerâmica como caminho criativo e ferramenta terapêutica, ao conduzir o indivíduo à <strong>expressão simbólica</strong>. Apaziguando, assim, o protagonismo da função pensamento &#8211; sendo um meio privilegiado para que imagens surjam e sejam integradas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>O símbolo é sempre um produto de natureza altamente complexa, pois se compõe de dados de todas as funções psíquicas. Portanto, não é de natureza racional e nem irracional. Possui um lado que fala à razão e outro inacessível à razão, pois não se constitui apenas de dados racionais, mas também de dados irracionais fornecidos pela simples percepção interna e externa. A carga de pressentimento e de significado contida no símbolo afeta tanto o pensamento quanto o sentimento, e a plasticidade que lhe é peculiar, quando apresentada de modo perceptível aos sentidos, mexe com a sensação e a intuição. O símbolo vivo não pode surgir num espírito obtuso e pouco desenvolvido, pois este se contentará com o símbolo já existente conforme lhe é oferecido pela tradição. (JUNG, 2013b, p. 491).</em><em></em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-percurso-simbolico-atraves-da-expressao-criativa" style="font-size:18px"><strong>O percurso simbólico através da expressão criativa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Para Jung, a <strong>expressão criativa</strong> exerce uma função central no desenvolvimento psicológico humano, por tratar-se de um canal<strong>entre o consciente e o inconsciente.</strong> Ele não a entendia apenas como uma manifestação artística ligada à estética, mas sobretudo como uma fonte criadora, seja de imagens, escrita, música, movimento ou qualquer outra forma simbólica, que permite que conteúdos internos encontrem um caminho para se manifestar e, assim, possam ser integrados à vida consciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-o-ato-criativo-funciona-como-um-ritual-simbolico-que-cura-e-integra-permitindo-que-a-psique-encontre-novas-formas-de-expressao-e-de-equilibrio" style="font-size:18px">Segundo Jung, o ato criativo funciona como um ritual simbólico que cura e integra, permitindo que a psique encontre novas formas de expressão e de equilíbrio:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>A pintura de quadros pelo próprio paciente produz efeitos incontestáveis, embora esses efeitos sejam difíceis de descrever. Basta, por exemplo, que um paciente perceba que, por diversas vezes, o fato de pintar um quadro o liberta de um estado psíquico deplorável, para que ele lance mão desse recurso cada vez que seu estado piora. O valor dessa descoberta é inestimável, pois é o primeiro passo para a independência, a passagem para o estado psicológico adulto.<br>Usando esse método &#8211; se me for permitido usar este termo &#8211; o paciente pode tornar-se independente em sua criatividade. Já não depende dos sonhos, nem dos conhecimentos do médico, pois, ao pintar-se a si mesmo &#8211; digamos assim &#8211; ele está se plasmando. O que pinta são fantasias ativas &#8211; aquilo que está mobilizado dentro de si. <br>[&#8230;] E o que está mobilizado é ele mesmo, mas já não mais no sentido equivocado anterior, quando considerava que o seu &#8220;eu&#8221; pessoal e o seu &#8220;self&#8221; eram uma e a mesma coisa. Agora há um sentido novo, que antes lhe era desconhecido: seu eu aparece como objeto daquilo que está atuando dentro dele. Numa série interminável de quadros, o paciente esforça-se por representar, exaustivamente, o que sente mobilizado dentro de si, para descobrir, finalmente, que é o eterno desconhecido, o eternamente outro, o fundo mais fundo da nossa alma.</p><cite>JUNG, 2013c, p. 107</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Sendo assim, torna-se evidente que o ato criativo não é um luxo ou uma habilidade restrita à artistas, mas uma <strong>necessidade psíquica fundamental, que favorece o</strong> autoconhecimento, a transformação e a conexão com o mistério da psique. Ao permitir que as imagens internas encontrem forma e vida no mundo externo, o indivíduo não apenas dá voz e organiza seus conteúdos internos, mas avança no caminho do próprio desenvolvimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-ceramica-e-a-integracao-das-quatro-funcoes-da-consciencia" style="font-size:20px"><strong>A cerâmica e a integração das quatro funções da consciência</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>A Terra é apenas a matéria, o sólido, o palpável. É com a intervenção dos outros elementos Água, Ar, Fogo, que ela ganha existência como cerâmica: vida, energia, beleza&#8230;. Com a água revitalizamos a matéria e com o calor do nosso corpo, através das nossas mãos, damos unidade e densidade, expulsamos o ar nela contido, transformando-a numa massa compacta e íntegra. Nesse contato vamos reconhecendo a matéria e ganhando intimidade. Esse trabalho de amassar o barro é um trabalho de centralização, os movimentos vão do exterior para o interior, das extremidades para o centro. E nesse movimento encontramos também o sentido da Totalidade: só estamos tocando na parte externa e afetando a sua totalidade. Assim, amassando o barro o ceramista caminha também em direção ao seu centro (NAKANO, 1988, p. 61).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O trabalho com a argila é uma prática essencialmente sensorial e não-verbal. A ceramista Katsuko Nakano deixa isso bem claro na citação acima, quando menciona o contato com os quatro elementos e a forma como corpo e matéria vão ganhando intimidade através do toque, numa espécie de movimento sinestésico. A modelagem é uma experiência que, além de despertar essa sensorialidade, permite a vivência de uma comunicação intrapessoal mais plena e integrada. Entretanto, de modo geral, há que se resgatar esse diálogo, inclusive, com outras formas de expressões criativas, pois o <em>modus operandi</em> em vigor na sociedade contemporânea, imposto pelo espírito da época, promove um descolamento das práticas que caminharam junto com a evolução da humanidade. Perdeu-se a intimidade com aquilo que é artesanal, com a manufatura.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Felizmente, o que importa é que, embora haja uma pressão social pela racionalidade, nada abafa o chamado do corpo. Em algum momento, nós somos convocados para uma vivência criativa com a matéria, que irá nos proporcionar outra relação com o mundo e com o tempo através dos sentidos. O corpo humano é um feixe complexo de sentidos, e dar sentido é anterior a conceituar. (GIANNOTTI, 2024, p. 100).</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-producao-artesanal-da-ceramica-ao-mobilizar-o-corpo-a-imaginacao-e-a-experiencia-artistica-favorece-a-expressao-de-conteudos-inconscientes-e-possibilita-ao-individuo-reconectar-se-com-funcoes-menos-desenvolvidas-de-sua-psique" style="font-size:18px">A produção artesanal da cerâmica, ao mobilizar o corpo, a imaginação e a experiência artística, favorece a expressão de conteúdos inconscientes e possibilita ao indivíduo reconectar-se com funções menos desenvolvidas de sua psique.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">O contato com a argila, sua plasticidade e poder de transformação revela-se não apenas como atividade manual, mas também como caminho terapêutico. Ela promove um contrapeso à unilateralidade, possibilitando o acesso a vivências simbólicas que ampliam a consciência, favorecendo o deslocamento da energia psíquica antes concentrada na função pensamento. Ao integrar mente, corpo e coração, o fazer artesanal resgata dimensões da psique negligenciadas, constituindo-se como um espaço fértil de cura e de reconciliação do indivíduo com a totalidade de sua vida psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-contato-com-o-barro-favorece-a-reconexao-com-a-natureza-e-seus-ciclos-por-ser-uma-matriz-simbolica-carregada-de-vida-memoria-e-ancestralidade-lembrando-nos-que-a-materia-esta-em-nos-e-nos-estamos-na-materia" style="font-size:18px">O contato com o barro favorece a reconexão com a natureza e seus ciclos, por ser uma matriz simbólica carregada de vida, memória e ancestralidade. Lembrando-nos que a matéria está em nós e nós estamos na matéria.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A mistura de terra, água, ar e fogo transforma não apenas o barro em peças cerâmicas únicas, mas, evidencia que tudo tem uma trajetória a ser cumprida, um exemplo daquilo que Jung chama de função teleológica da psique. Ao mesmo tempo, mostra que tudo está em constante mutação e desenvolvimento. Ao buscar a interação e o equilíbrio desses quatro elementos, o ceramista acaba por encontrar seu próprio equilíbrio no mundo, devolvendo ordem ao caos através de cada peça moldada e transformada pelo fogo.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-da-ceramica-artesanal-nos-permite-varios-aprendizados" style="font-size:18px">O processo da cerâmica artesanal nos permite vários aprendizados.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Nele, nunca é possível ter o controle sob o produto final, mesmo depois de dar forma à argila. Muita coisa pode acontecer no meio do caminho. É necessária uma dose bastante grande de paciência até que sua existência se concretize. Não há como, por exemplo, menosprezar uma das primeiras etapas da atividade com o barro, que é a sova da argila, pois é ela que minimiza fortemente o risco de uma peça estourar. A persistência na espera do processo de secagem é primordial para que a peça não sofra distorções. Lixar exige todo o cuidado e delicadeza, para que a peça não se quebre nas mãos do ceramista. Sem contar com as horas de passagem pelo calor, que proporcionarão uma mudança drástica na estrutura da peça, funcionando como um ritual de passagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A esmaltação será uma das últimas etapas em toda essa trajetória de construção, cuidado, intimidade e amor ao trabalho com a cerâmica. Com isso, ela nos deixa mais uma lição: depois de ter passado pela segunda vez pelo fogo, a peça adquire cor e brilho que durarão por todo o tempo de sua existência. Assim também pode ser conosco, ganhar um pouco mais de cor e brilho em cada uma das vezes que enfrentamos as passagens pelo fogo em nossas vidas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>O &#8220;fazer cerâmica&#8221;, para mim, foi um encontro. Encontro com a Terra e o Fogo. A Terra me absorve totalmente, é o repouso, o aconchego. E sobretudo é receptiva e acolhedora; me limpa por dentro. O Fogo me atrai. É amigo e inimigo, traz entusiasmo e decepção, é vida ou morte. Tem sempre os seus mistérios. Fazer cerâmica é promover a harmonia dos elementos que constituem o universo: Terra, Agua, Ar, Fogo. De maneira poética: colocando em contato, os semelhantes e os opostos, o ceramista faz a união e a fusão desses elementos, para gerar sua obra. Penso que toda experiência estética deve ser um encontro com o mundo e consigo mesmo. Da vivência desse encontro e da sua maturidade nasceria a obra. Minha verdadeira obra ainda não surgiu. Mas o que me faz apresentar estes trabalhos é a certeza do encontro. São ainda experiências estéticas. Mas elas me prometem &#8230; (NAKANO, 1988, p. 67).</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao analisar o trecho acima, é possível perceber, através da produção artesanal da cerâmica, o quanto os elementos naturais estão correlacionados, simbolicamente, às quatro funções psicológicas, ao expressarem qualidades energéticas que caracterizam formas de perceber, avaliar, relacionar-se e criar sentido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-relacao-entre-os-elementos-e-as-funcoes-psicologicas-foi-descrita-por-waldemar-magaldi-na-obra-fundamentos-da-psicologia-analitica-2025-p-379" style="font-size:18px">Essa relação, entre os elementos e as funções psicológicas, foi descrita por Waldemar Magaldi, na obra Fundamentos da Psicologia Analítica (2025, p. 379).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função sensação, responsável pela captação imediata do dado concreto, encontra sua expressão simbólica no elemento terra. A manipulação da argila constitui uma experiência primordial de enraizamento, que convoca a função sensação e reequilibra subjetividades excessivamente abstraídas ou racionalizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função sentimento, vinculada à avaliação de valor, relaciona-se simbolicamente ao elemento água, tradicionalmente associado à fluidez, ao vínculo e à profundidade emocional. No fazer cerâmico, esse elemento emerge de múltiplas formas, no uso da água para tornar a matéria moldável, nos estados afetivos que acompanham o processo de criação e na relação íntima entre mãos e matéria.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função pensamento, caracterizada pela discriminação lógica e pela elaboração conceitual, encontra sua analogia no elemento ar, símbolo da clareza, da articulação e da razão estruturante. No processo cerâmico, essa função se manifesta não como uma hipertrofia da racionalização abstrata, mas como planejamento e estruturação, integrando-se organicamente às demais funções, servindo ao processo criativo e cedendo espaço à dimensão simbólica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A função intuição, orientada à percepção de possibilidades, corresponde ao elemento fogo, símbolo da transformação, da iluminação súbita e do vir a ser. O fogo transcende o dado imediato e revela potencialidades ocultas, assim como a intuição apreende direções ainda não manifestas. A cerâmica incorpora esse elemento tanto metafórica quanto literalmente, pois é no forno que a obra encontra sua forma definitiva, revelando cores, texturas e qualidades inesperadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Ao integrar essas quatro dimensões, observa-se que a prática cerâmica opera como um campo simbólico privilegiado para a recomposição da totalidade psíquica.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-jageneski-dos-reis/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-jageneski-dos-reis/"><strong>Cristiane Jageneski – Membro Analista em formação</strong> <strong>pelo IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">José Luiz Balestrini Junior – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências: </strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Imagem: foto de arquivo pessoal da autora</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">GIANNOTTI, Sirlene. <em>Vivenciar-se no fazer</em>. Caderno – Ensaio 1: Barro, p. 97-105. SP: Instituto Tomie Ohtake, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">____, Carl Gustav.&nbsp; <em>Tipos psicológicos</em>. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">____, Carl Gustav.&nbsp; <em>A prática da psicoterapia</em>. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">____, Carl Gustav, <em>et al</em>. <em>O homem e seus símbolos. </em>3ª ed<em>.</em> RJ: Harper Collins, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Waldemar. (Org.) Fundamentos da Psicologia Analítica. 2ª ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NAKANO, Katsuko. <em>Terra, Fogo, Homem</em>. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, 1988.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Psicologia da arrogância individual</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/psicologia-da-arrogancia-individual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rafael Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jun 2025 15:53:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
		<category><![CDATA[arrogância]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=10523</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ao imaginar a escrita desse artigo me ocorreu de o futuro leitor pensar: “mas quem é esse sujeito arrogante querendo escrever sobre a arrogância?”. E o mais interessante é que o simples fato de eu pensar isso é um ato arrogante, pois quem disse que meu texto será suficientemente atraente para despertar o interesse da [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><em>Ao imaginar a escrita desse artigo me ocorreu de o futuro leitor pensar: “mas quem é esse sujeito arrogante querendo escrever sobre a arrogância?”. E o mais interessante é que o simples fato de eu pensar isso é um ato arrogante, pois quem disse que meu texto será suficientemente atraente para despertar o interesse da leitura de alguém, mesmo que seja para falar mal? A arrogância! Então podemos afirmar de antemão que a arrogância está (quase) sempre presente.</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Curiosamente, o primeiro artigo de minha autoria publicado no site do IJEP, em 2017, foi sobre <a href="https://blog.sudamar.com.br/estar-na-vida-para-existir-ou-para-atuar-uma-jornada-com-vincent-van-gogh/">Van Gogh</a>, um sujeito que inspira naqueles que conhecem sua biografia uma ideia de humildade enquanto artista, quase que ignorante de sua genialidade, e meu segundo artigo foi sobre os preceitos umbandistas da <a href="https://blog.sudamar.com.br/fe-humildade-e-compreensao-para-quem-precisa/">fé, humildade e compreensão</a>. <strong>Imagino a humildade como o par oposto à arrogância, então talvez esse artigo seja complementar a estes dois primeiros</strong>. Partindo disto, parece interessante problematizar a arrogância sob a ótica da psicologia junguiana, tanto no seu aspecto luz, como em seu aspecto sombrio.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nossa-questao-e-como-o-pensamento-junguiano-pode-nos-ajudar-a-compreender-a-psicologia-da-arrogancia-no-individuo" style="font-size:19px">Nossa questão é: <strong>como o pensamento junguiano pode nos ajudar a compreender a psicologia da arrogância no indivíduo?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Primeiro, digo que uso “pensamento junguiano” porque optei por uma escrita ensaística, com base nas ideias e preceitos de Jung, mas sem a rigorosidade de fundamentação teórica, apesar de utilizá-la indiretamente o tempo todo. Segundo, esclareço que o uso do termo “psicologia” no título do artigo é no sentido estrito da palavra, ou seja, qual seria a compreensão, o “logos” psíquico, das pessoas tidas como arrogantes? É isso que tentaremos responder nos parágrafos seguintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Um princípio que parece negligenciado no campo junguiano é o fato de a arrogância ser típica em pessoas que têm um padrão dominante de introversão na consciência, já que, inconscientemente, defendem uma superioridade do ego, não raro inflando este ego de forma a se identificar com Self (ego = algo menor e Self = algo maior, logo, um não pode ser igual o outro; Self &gt; ego). Explica Jung em <em>Tipos Psicológicos (OC 6)</em>, não exatamente com essas palavras, que o introvertido é o sujeito que prevalentemente é o mais “cheio de si” – eu sei que isso pode causar estranhamento, devido ao conhecimento baseado no senso comum do que seria a introversão, que à reduz a uma ideia de fragilidade, vulnerabilidade, timidez ou algo assim. Por ora, digo que a introversão é mais complexa que esse reducionismo teórico, mas vamos entender arrogância da introversão. Em seguida também falaremos da arrogância da timidez em específico, que parece ser algo importante de se explorar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-aquelas-falas-tipicas-dos-introvertidos-de-que-nao-gostam-de-sair-de-casa-que-gostam-do-seu-sofa-que-nao-gostam-de-estar-com-pessoas-que-pessoas-lhe-cansam-apesar-de-serem-parcialmente-verdadeiras-sao-tambem-um-mecanismo-de-defesa" style="font-size:19px">Aquelas falas típicas dos introvertidos de que “não gostam de sair de casa”, que “gostam do seu sofá”, que “não gostam de estar com pessoas”, “que pessoas lhe cansam”, apesar de serem parcialmente verdadeiras, são também um <strong>mecanismo de defesa</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Isso que se dá porque, na verdade, o que o sujeito da introversão demonstra com esse discurso é que ele quer evitar sua exposição a relações humanas, dado que isso o mantém em sua fantasia de poder, tal como brilhantemente Adler pontuou em sua Psicologia Individual (Adler, 1967). Em outros termos, o que sugerimos é uma espécie de inversão, pois é como se o sujeito (o ego) se sentisse tão importante que não lhe caberia se expor em situações que potencialmente confrontem sua posição já estabelecida, afinal, “desocupar” essa posição, revelaria que ele também tem vulnerabilidades, algo impensável de se expor!</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">No universo junguiano não é incomum escutar “<strong>não gosto de me expor, sou introvertido</strong>”. Considerando uma leitura mais autêntica de si, a pessoa deveria falar a verdade em vez de usar a introversão como defesa. Então a frase deveria ser assim “não gosto de me expor, dado que isso daria a chance de perceberem publicamente que sou uma pessoa desinteressante ou insegura, por isso prefiro me proteger, assim ninguém descobre algo sobre mim que não quero que descubram”. Outro dia testemunhei algo parecido com isso quando alguém expunha as qualidades de seu próprio livro a um potencial comprador. Uma pessoa do campo junguiano que não ia comprar o livro, e que presenciou a cena, comentou ao autor do livro “mas que autoexaltação toda é essa?”, eis que o outro retruca, num misto de ironia e seriedade, “você venderá meu livro por mim?”, prontamente ela disse com certo orgulho “nem as minhas qualidades eu exalto”, o autor retruca, “pois deveria&#8230;”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">É interessante notar que existe arrogância tanto no vendedor do próprio livro, que provavelmente estava inflando as qualidades de sua escrita – como qualquer vendedor faz com seus produtos de venda –, tanto naquela pessoa que vocifera contra a autoexaltação; se orgulhar de não proclamar as próprias virtudes como se isso fosse maior ou melhor do que quem as proclamam também contém aspectos arrogantes. São dinâmicas opostas na consciência, mas com núcleos de arrogância semelhantes. É como se a outra pessoa dissesse “olha como eu sou alguém especial, pois não preciso falar de minhas qualidades”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na extroversão a arrogância também se faz presente, dado que o <strong>excesso de exposição</strong>, mais típica nesta tipologia, é tão unilateral e arrogante quanto à não exposição, pois aquele que requer holofotes para si o tempo todo também é aquele que quer “provar” externamente que tem muito a dizer, que suas contribuições são muito importantes, já que no íntimo, inconscientemente, não considere suas observações tão relevantes assim. É aqui que o prepotente “entrega” que, na verdade, é um impotente internamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outra-expressao-inconsciente-da-arrogancia-que-tem-alguma-relacao-com-a-introversao-como-introduzimos-mais-acima-e-a-timidez" style="font-size:19px">Outra expressão inconsciente da arrogância que tem alguma relação com a introversão, como introduzimos mais acima, é a timidez.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Diferenciemos constrangimento de timidez. Por exemplo, você levar um tombo em público, ter um lapso de fala numa palestra, ser desqualificado por um chefe, são situações potencialmente constrangedoras. Timidez é outra coisa, e muitas vezes é confundida com humildade. Ela se refere a uma pessoa que tem dificuldade de se expor em situações sociais que em tese não representam uma ameaça significativa, tais como, na condição de aluno, não conseguir fazer perguntas publicamente em sala de aula, na condição de terapeuta – para enviesar o texto para nosso público hegemônico – participar de supervisão em grupo, mas não conseguir levar casos ou fazer perguntas sobre os casos do colega, ter vergonha de chamar o garçom num restaurante para pedir a conta, pois “todos estão olhando” e por aí vai, pois os exemplos não cessam.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">É esperado que ao longo do desenvolvimento da personalidade crianças e adolescentes tenham situações de timidez, especialmente no momento das descobertas amorosas, mas a manutenção exacerbada disso ao longo da vida é só uma faceta da arrogância na perspectiva do inconsciente. Expliquemos. Na dinâmica inconsciente do tímido a situação é a seguinte: eu sou tão perfeito, maravilhosamente intocável, que o mundo tem que me amar, me aceitar, me acolher, me abraçar rigorosamente do jeito que eu sou, do jeito que penso, do jeito que espero que ele me receba, pois do contrário, serei refratário a ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Na consciência fica um discurso mais estereotipado: “não consigo fazer isso, pois todo mundo está olhando pra mim” – <strong>será que “todo mundo olhar” não é um ato arrogante</strong>? Todo mundo é muita coisa! Se pararmos para pensar, é dever da coletividade se moldar para atender aos desejos do tímido? Parece que não. Por outro lado, é dever do tímido fazer tudo que se espera dele só para atender a um ideal coletivo? Também parece que não. Retomemos a ideia mítica do <em>métron,</em> a justa medida, que evoca um bom termo entre os diferentes e os opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Que fique claro que essa antinomia, timidez consciente VS. arrogância inconsciente, não acontece simplesmente por vontade do sujeito, ela é fruto de um embate típico entre consciência e inconsciente. Portanto, podemos concluir que em todo tímido habita uma arrogância sombria ou inconsciente&#8230;, mas e a sombra do arrogante típico, qual é?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O que consideramos um arrogante típico é o sujeito do “beijinho no ombro”, cheio de si, que adora exaltar as próprias qualidades de forma a, inconscientemente, desqualificar o outro – para se qualificar?! Não sabemos. Não raro, não se dá ao trabalho de escutar outras pessoas, afinal suas ideias são sempre as melhores; se incomoda quando escuta elogios feitos a outras pessoas que não a ele; menospreza qualquer pessoa que julgue não estar à altura da sua envergadura social, financeira, política, intelectual, espiritual, moral, dentre outras. Na época de escrita deste artigo, no primeiro semestre de 2025, veio a público um entrevero entre uma passageira brasileira e um grupo de comissários de bordo dentro de um avião da American Airlines, de forma que a passageira vocifera no meio da discussão se direcionando aos comissários: “<strong>você não sabe com quem você está falando</strong>!”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Não somos juízes do problema em questão, dado que isto é entre ela e a companhia aérea, mas existe pergunta (ou afirmação) tipicamente humana mais arrogante do que “você sabe com quem está falando”? Sabemos sim, com uma pessoa arrogante! E para não deixar de falar, uma frase que me parece cada vez mais comum é “na minha humilde opinião tal coisa deveria ser assim”. Troquemos. O certo deveria ser “na minha pretensa humilde opinião, que eu quero que você engula goela abaixo, tal coisa deveria ser assim&#8230;”. <strong>Parece-me deveras arrogante atribuir a si a condição de humilde</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Nesses casos que descrevemos a arrogância é evidente, patente, pública, e revela que na sombra desse sujeito habita alguém que é inseguro, que tem uma constante sensação de esvaziamento de si, de ilegitimidade, de ausência de potência; exacerba suas qualidades a fim de esconder de si seu próprio desvalor. O tímido é inseguro por fora e arrogante por dentro; o arrogante sugere segurança por fora, mas é inseguro por dentro. O tímido, por vezes, exalta sua – suposta – humildade, enquanto o arrogante muitas vezes é vaidoso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-falar-em-vaidade-ela-tambem-e-uma-das-diversas-expressoes-da-arrogancia" style="font-size:19px">Por falar em vaidade, ela também é uma das diversas expressões da arrogância.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Mas a olhemos de maneira mais abrangente. Vou usar um exemplo típico entre terapeutas já que, novamente, são os leitores predominantes deste blog. Com o advento das redes sociais muitos terapeutas passaram a utilizá-las para disseminar conhecimento e promover sua imagem via vídeos, às vezes de “dancinha” ou algo similar – não estamos discutindo a qualidade do conteúdo, só o fato em si. Tal ação, frequentemente, é repreendida por outros terapeutas dizendo que tais terapeutas só divulgam esses vídeos em função de suas vaidades. Talvez aqueles que repreendam os que gravam vídeos de “dancinha” estejam corretos sob determinados aspectos. Mas é preciso dizer que não gravar vídeo também é vaidade. É a vaidade daquele que entende que para conseguir clientes para seu consultório existem outras formas que não via vídeos. É como se a pessoa dissesse: “eu sou melhor que você, pois não cedo à vaidade de gravar vídeos para as redes sociais”, disse o vaidoso. Tudo é vaidade, tal como descreve o texto bíblico do Eclesiastes.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Por outro lado, também há o sujeito que grava vídeos e que atormenta a vida dos não fazedores de vídeos, defendendo a ideia de que eles perdem muito (não sei o que) em não usar esse recurso&#8230; Em Eclesiastes estaria “vaidade das vaidades”, mas eu diria “arrogância das arrogâncias”. Será que simplesmente não caberia deixar quem é do vídeo com o vídeo, e quem é do não vídeo sem vídeo?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Diversos outros exemplos poderiam ser mencionados aqui, tais como a arrogância do intelectual, que se pensa mais conhecedor e sábio do que outros, a do executivo empresarial, que se pensa superior às pessoas que lidera, a dos abastados financeiramente, que se sentem melhores do que aqueles que têm condições financeiras precárias etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Mas, como sempre, a recíproca é verdadeira, pois aquele que mal lê, só se informa pelo “grupo do zap” e vocifera contra os intelectuais, diz que não precisa ler um monte de livros para ser “uma pessoa melhor”. Já o funcionário “padrão” investe (gasta) um tempo enorme nos bate-papos “do café” dizendo quanto o seu chefe conduz mal seu trabalho e que só está lá “por QI”, desqualificando possíveis competências profissionais deste chefe. Na prática, ambos só retroalimentam sua própria arrogância, verbalizando para o mundo quanto sua perspectiva de vida é, em tese, maravilhosa – tipo aqueles sujeitos que dizem que “Paulo Freire é um energúmeno”.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Num livro de autoria de James Redfield, não lembro se em <em><strong>A décima profecia</strong></em> ou em <em><strong>O segredo de Shambhala</strong>, </em>há uma passagem que diz que todas as pessoas pensam que a forma como elas lidam com a vida é sempre a melhor forma possível de se fazer isso. Eu diria que “todas” (assim como “todo mundo”) é muita coisa, mas ao mesmo tempo, a fala não me parece absurda.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-afinal-o-que-e-arrogancia-e-o-contrario-de-rogar" style="font-size:19px">E afinal, o que é arrogância? É o contrário de rogar.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Rogar é suplicar, pedir com humildade, implorar por algo. Logo, arrogar, é o contrário disso, ou seja, é trazer para si a responsabilidade de tudo, é a admissão de que apenas a própria existência é o suficiente, destituindo-se a necessidade do rogar e da necessidade de receber ajuda de alguém. O ponto é que apesar de o senso comum argumentar que a arrogância é algo ruim, do ponto de vista psicológico precisamos fazer contornos mais adequado e dar a César o que é de César.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">A arrogância, no sentido que a conhecemos, que congrega em uma pessoa a antipatia, a deselegância e a autoexaltação, é um tanto chato mesmo. Mas existe um detalhe entre o arrogante e o rogante: a <strong>projeção</strong>. É típico que um rogante encontre sua arrogância no outro, projetada, ao passo que o arrogante encontre o seu rogar no outro, projetado. Em outras palavras, não podemos esquecer que existem pessoas que são genuinamente seguras de si, possuem convicções que encontram correspondência em situações plausíveis (experiência, conhecimento, ciência etc.), têm boa dicção, voz, postura e opiniões firmes, têm reconhecimento público em determinado tema (esporte, arte, cultura etc.), sabem expor suas ideias de maneira convincente, dentre uma série de adjetivos que poderiam colocá-las com a insígnia de arrogantes. Será?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Me recordo de uma passagem referente ao reconhecido profissional de TV José Bonifácio Sobrinho, ou Boni. Em certa entrevista ele contou que em algum momento Silvio Santos quis contratá-lo para o SBT (Boni era da Rede Globo), mas esse contrato limitaria seus poderes em relação aos que ele já tinha na Globo. Optou por ficar na Globo, alegando que sua experiência era suficientemente sólida e que conhecia muito bem os mecanismos da televisão, não cedendo aos limites que Silvio queria impor. Arrogância? Acho que não, é a experiência aliada à segurança. Gostemos ou não, a “cara” da televisão brasileira tem o “dedo” do Boni, hoje dono de sua própria televisão, a Rede Vanguarda.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Tomemos esse exemplo para outras áreas da vida. Em quantas situações investimos a nossa própria arrogância, projetada, para descrever quanto pessoa A ou B é arrogante? Ou ao contrário, quanto depositamos no outro o nosso rogar? Como saber em que momento houve um enredamento da arrogância sombria de um com a postura de segurança do outro? Naturalmente, se pensamos no processo de análise, uma pessoa que está realmente dedicada à experiência analítica, disponível para o exercício do contraditório, susceptível à reflexão genuína, potencialmente terá recursos para diferenciar o que é dela e o que é do outro. Mas se a vida da pessoa é pautada na busca pela<strong> legitimidade externa</strong>, já que intimamente se sente ilegítima, seja introvertida ou extrovertida, muito provavelmente ela se sentirá “preenchida” apenas quando vociferar contra aqueles que, em tese, atentam contra sua – insignificante? – existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Sei que comecei este texto num tom que parecia ir para o caminho de detratar o arrogante e chego ao fim dando a entender que o estou defendendo. Se você entendeu assim, acho que não consegui fazer a devida diferenciação. O desafio, na verdade, é justamente delinear qual é a justa medida entre sustentar saudavelmente as próprias convicções e viver de maneira plena tal situação, versus exacerbar as próprias posições, sendo para fora ou para dentro, como forma de se defender e paradoxalmente atacar o mundo. Em tese, uma atitude de buscar conhecimentos genuínos, experiências saudáveis, relações com pessoas que “provocam” criativamente (e não que bajulem), são situações que potencialmente ajudam a pessoa a discernir entre a arrogância e a segurança. Por outro lado, se fôssemos listar uma porção de regras de como “não ser arrogante”, seria também arrogante. Cabe-nos buscar esse espaço criativo entre o rogar e o arrogar, dado que a unilateralidade de um coloca o outro na sombra.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-arrogancia-repousa-num-terreno-pantanoso-que-a-tudo-engole-e-nada-sustenta-seja-esta-numa-expressao-mais-obvia-evidente-ou-numa-expressao-mais-sombria-latente" style="font-size:19px">A arrogância repousa num terreno pantanoso, que a tudo engole e nada sustenta, seja esta numa expressão mais óbvia, evidente, ou numa expressão mais sombria, latente.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Mas o rogar unilateral, terceiriza a responsabilidade, sem assumir que é preciso se posicionar pessoalmente diante de determinadas situações, sem atribuir a algo ou a alguém as próprias decisões. <strong>Aquele que é arrogante talvez precise de um encontro com o seu rogar interior</strong>. Aquele que é tímido ou que se identifica como alguém “humilde”, talvez precise de um encontro com o seu arrogante interior. E aquele que tem segurança e recebe as projeções sombrias do rogante e do arrogante, e que ao mesmo tempo roga e arroga, nada há a fazer, a não ser seguir, sem se distanciar da insegurança interior.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: Psicologia da arrogância individual" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/MaCkigEYozc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/rafaelrodrigues/"><strong>Rafael Rodrigues de Souza – Analista Didata em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a></a><a>ADLER, Alfred. A ciência da natureza humana. 6 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos (OC 6). 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>
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		<title>A função pensamento e o elemento ar: asas ou gaiolas?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-funcao-pensamento-e-o-elemento-ar-asas-ou-gaiolas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 17:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[função pensamento jung]]></category>
		<category><![CDATA[pensamento]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitos de nós tivemos uma infância marcada pelas brincadeiras ao ar livre. Desde cedo, aprendemos a arte de soltar pipas, que envolve direcionar uma linha e fazer malabarismos no céu. Quanta beleza e aprendizagem se concretiza nesse momento lúdico, que também envolve alguns perigos, que podem ser evitados com conhecimento, cuidados e escolhas, simbolicamente representadas por asas e gaiolas. Neste sentido, Rubem Alves nos deixou um aforismo – visão que faz ver sem explicar – sobre gaiolas e asas: “Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O voo dos pássaros nos transmite a sensação de liberdade. As andorinhas voam em bando, pois “uma andorinha voando sozinha não faz verão”, que nos remete para a importância da coletividade. Da mesma forma, a águia, considerada a mensageira divina e rainha dos céus, representa a coragem, a força e a beleza. Enquanto isso, seres humanos voam de avião, que encurta o tempo, o espaço e une as pessoas. Voar de avião, de helicóptero ou de asa delta, tem um sentido simbólico de nos lançarmos no ar. De forma idêntica, o ato de abrir as asas e voar de um pássaro pode representar a vontade de nos entregarmos para a vida, com menos apegos e mais amor. Na canção&nbsp;<em>Pássaro de Fogo,&nbsp;</em>com coragem, força e beleza, Paula Fernandes expressa sua criatividade<em>:</em>&nbsp;“Tão longe do chão, serei os teus pés, nas asas do sonho, rumo ao teu coração&#8230;” Seres humanos também voam em pensamentos! Neste sentido, as expressões voar alto, voar baixo, voar livremente ou mesmo voar com os pés no chão são comuns, representando metaforicamente os nossos voos, nem sempre percorridos com êxito.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A possibilidade de nos elevarmos, move-nos para reflexões sobre a atmosfera. Segundo a ciência, existem cinco camadas da terra que são envolvidas pelo ar: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Há muito tempo, em 1643, Torricelli inventou o barômetro, que serve para medir a pressão atmosférica, a altitude e as possíveis mudanças de tempo. Com o avanço da tecnologia, hoje ele já é encontrado em iPhones 6/6 Plus, funcionando no app Saúde (Health). A ciência avançou, porém sabemos que nem tudo pode ser explicado. Alguns fenômenos continuam nos surpreendendo. Quem imaginou que uma pandemia provocaria um recolhimento social no mundo! O Coronavírus (COVID-19) se propagando pelo ar, ao mesmo tempo que o oxigênio, incolor e inodoro, é essencial na respiração dos seres vivos. Como disse Rubem Alves: “O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver (&#8230;) A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver (&#8230;) As&nbsp;<em>ferramentas</em><em>&nbsp;</em>permitem-me voar pelos caminhos do mundo”. Analogicamente, isso nos leva a pensar: &nbsp;como voar pelos caminhos da alma? &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O elemento ar, assim como a terra, a água e o fogo, são fundamentais para o universo e também representam funções internas, visíveis ou não. O ar transita pelo terreno da razão, do estímulo e do espaço.&nbsp;Vindo ao encontro, a alquimia, estudada por Jung no decorrer de muitos anos, constituiu-se de sete operações e, a&nbsp;<em>sublimatio</em>&nbsp;é a operação que pertence ao ar, em que um sólido é aquecido e entra no estado gasoso, tomando a direção do alto. Esse processo envolve a elevação e a volatização, com imagens simbólicas que indicam movimento para cima: elevadores, montanhas, escadas, voos, pássaros, asas e outros mais.&nbsp; Metaforicamente, é o momento em que o indivíduo começa a conscientizar-se de algum conteúdo inconsciente que estava desconhecido e, passa a tornar-se de seu conhecimento, que&nbsp;permite trazer a função pensamento, definida por&nbsp;Jung como uma das funções racionais, que envolve julgamento lógico e temporal. Ela é voltada ao intelectual, permite associar ideias para chegar a uma conclusão, envolvendo a lógica e a objetividade e está centrada na busca de resultados e soluções de um problema.&nbsp; É o que ocorre na operação&nbsp;<em>sublimatio:&nbsp;</em>afastamo-nos do problema para uma maior compreensão dele, mas não podemos ficar afastados o tempo todo. Asas podem se tornar gaiolas! Ainda, para possibilitar mais reflexões, cito Jung, que em outras palavras evidencia a necessidade de sairmos dessa operação e voltarmos à concretude: “A vida natural é o solo em que se nutre a alma. Quem não consegue acompanhar essa vida, permanece enrijecido e parado em pleno ar. É por isto que muitas pessoas se petrificam na idade madura, olham para trás e se agarram ao passado, com medo secreto da morte no coração” (O/C 8/2, 2013, par. 800). É possível que Jung quis nos afirmar que ficarmos parados pode nos fixar em padrões unilaterais, que geram patologias.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos estudos da psicossomática, o elemento ar é relacionado ao aparelho respiratório, envolvendo o pulmão e a respiração, podendo surgir no corpo em forma de sintomas como a asma, a bronquite, a rinite e outros mais. Quantas vezes ouvimos a expressão “falta-me ar” para respirar! Fiquei sem ar, simbolicamente pode representar que não consigo mais respirar o mesmo ar que outros respiram, ou seja, não suporto mais lidar com os problemas do ambiente. Igualmente, temos outras representações sociais: perdi o fôlego, prendi a respiração, estou com a respiração cansada, estou suspirando, estou bufando&#8230; São sensações nítidas de estarmos presos em gaiolas. No simbolismo oriental, doenças respiratórias podem representar tristeza, secura, dificuldade de adaptação a novas etapas e de abandonar velhas coisas e, o desejo de ritmo e ordem. O pulmão estabelece contato com o mundo exterior, que envolve trocas e liberdade. Os estudos sobre a astrologia nos mostram que os signos gêmeos, libra e aquário são guiados pelo ar, que abrange a comunicação, a curiosidade, a liberdade de viver e o movimento. Ficar parado para esses signos é um caos. A inspiração é símbolo de um ato criativo e, quando não estamos inspirados, a imunidade pode baixar, tornando-nos suscetíveis à doenças que podemos pegar no ar, com fungos, bactérias e vírus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os meios de comunicação expandem suas informações com a utilização de expressões como “está no ar” ou “vai ao ar”, lançando ideias pela televisão, pelo rádio e pela internet. No momento, com a pandemia do Coronavírus, passamos a nos comunicar por diferentes plataformas digitais, estabelecendo relações de troca no trabalho, no lazer e no entretenimento. Essas conexões podem simbolizar o movimento de pesar e medir no distanciamento, focar e voltar para a terra, representando o uso da criatividade para “pensarmos” novas realidades. De forma metaforizada, podemos ampliar sobre o pensar no distanciamento, com a teoria de C.G. Jung, que apresentou em&nbsp;<em>Tipos Psicológicos</em>, as quatro funções psíquicas e considerou a função pensamento como racional, por envolver a discriminação lógica e conceitual, que compreende o julgar, discriminar e classificar, sem interesse no seu valor afetivo. Mas podemos de fato pensar sem envolver as funções sentimento, sensação e intuição? Segundo o autor, as quatro funções são importantes, predominando uma, que é a mais presente, denominada de função principal. As demais ocupam o lugar de funções auxiliares e, uma delas é nossa função inferior, que precisa de um olhar especial, por envolver nossos aspectos sombrios. As quatro funções dão conta da completude de uma determinada situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As palavras ar e pensamento, que permeiam nossas reflexões, permitem-nos muitas ampliações. Para maior compreensão, Fernando Pessoa nos deixou uma analogia que envolve o ar e o pensamento em forma de poesia, representando a dualidade que envolve a liberdade e a prisão: “Raiva nas trevas o vento, sem poder libertar. Estou preso ao meu pensamento, como o vento preso ao ar”. Em contrapartida,&nbsp;<a href="https://analisedeletras.com.br/cidade-negra/">Cidade Negra</a>, trouxe reflexões sobre o pensar, em seu álbum&nbsp;<em>Sobre todas as forças&nbsp;</em>(1994): “Pensamento é um momento que nos leva a emoção (&#8230;) Sempre que para você chegar terá que atravessar a fronteira do pensar (&#8230;) E o pensamento é o fundamento, eu ganho o mundo sem sair do lugar”. O pensamento pode ser uma prisão, quando retemos conteúdos que precisamos deixar morrer dentro de nós. Ao mesmo tempo, pode ser uma expressão criativa que promove um olhar diferente para a angústia, resultando em algo libertador.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na mitologia grega, Zeus era considerado o deus dos céus, dos raios, dos relâmpagos e dos trovões e os utilizava para a destruição ou para a produção. Para Zeus foi dado poderes sobre os céus, assim como para Hades poderes à terra e Poseídon aos mares. Outros deuses também eram ligados ao ar. Éolo era respeitado como o guardião dos ventos, que ensinava a navegar. Zéfero era deus do vento do oeste, representando uma brisa suave ou vento agradável. Ainda, na mitologia grega, encontramos Pegasus, filho do amor impossível de Poseidon e Medusa, em forma de cavalo alado, criador da fonte de inspiração dos artistas e considerado por muitos o rei dos céus. Zeus permitiu que ele continuasse a subir cada vez mais alto até alcançar as estrelas, transformando-as em constelação. Inspiração metaforizada que se converteu em artes, filmes e livros e, que até hoje envolve temáticas sobre sonhos idealizados e concretizados, como aparece na música&nbsp;<em>A Força do Amor</em>, da banda Roupa Nova: “Abriu minha visão o jeito que o amor, tocando o pé no chão, alcança as estrelas. Tem poder de mover as montanhas, quando quer acontecer, derruba barreiras”. Sejamos como Pegasus, uma eterna fonte de elevação e imaginação criadora, capaz de transformar a nossa realidade!&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Voar envolve subir e descer.&nbsp;O sonho de voar como os pássaros inspirou Santos Dumont, o inventor do avião e Ícaro, da mitologia grega, que realizou esse sonho, construindo asas, feitas com penas de gaivotas e coladas com cera de abelhas. Ao sentir-se livre como um pássaro, voou cada vez mais alto, sem ouvir os conselhos de seu pai. A tragédia ocorreu em seguida, pois o calor do sol derreteu a cera e descolou as penas, despencando das alturas até cair e afogar-se no mar Egeu. A desmedida provocou a tragégia, que de alguma forma, o&nbsp;cantor&nbsp;<a href="https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk00cSuI03vyywFFNo1fSEkYYSI8ZOw:1610278896464&amp;q=Byafra&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgVuLSz9U3MCxOyk0uWcTK5lSZmFaUCAA4A-K1FwAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjTq_OspJHuAhXuE7kGHeCID3AQMTAAegQIARAD">Byafra</a>, nos anos 80, trouxe na música&nbsp;<em>Sonho de Ícaro,&nbsp;</em>que foi<em>&nbsp;</em>tema de novela e cantada até hoje por muitos de nós. Nela, retratou a delícia de ir às alturas: “Voar, voar, subir, subir. Ir por onde for, descer até o céu cair, ou mudar de cor. Anjos de gás, asas de ilusão e um sonho audaz feito um balão”. Por outro lado, a fábula&nbsp;<em>O gavião e o Rouxinol,&nbsp;</em>enfatiza<em>&nbsp;</em>situações de bom senso no dia a dia e nos alerta para o perigo da desmedida, do excesso, da violência, da arrogância, do orgulho e da vaidade, que é maléfico para todos, também conhecido como hýbris, na mitologia. Isso é retratado no texto de Hesíodo,&nbsp;<em>Os Trabalhos e os Dias,&nbsp;</em>em que gavião no alto das nuvens leva preso em suas garras um rouxinol: Desafortunado, por que gritas? Um muito melhor e forte te segura, tu irás por onde eu te levar, mesmo que tu sejas um bom cantor (&#8230;) Insensato quem deseja com os mais fortes medir-se, da vitória priva-se, sofre penas, além da vergonha”. Da mesma forma, a hýbris se faz presente nos entornos relacionais e nos convida para a harmonização dos opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Finalizando minhas&nbsp;ampliações, trago&nbsp;Ísis, considerada a deusa mais importante do Antigo Egito, pelo seu conhecimento e pela sua sabedoria, um falcão com as suas asas abertas, consideradas asas divinas, que podiam ressuscitar os mortos. Era considerada deusa da morte e deusa curadora, simbolicamente representando a vida, com morte e renascimento. Diante de tantas mortes físicas e emocionais reais, precisamos renascer! E quantas vezes deixamos morrer, não apenas por escolha, mas por não termos alternativas. Por outro lado, podemos abrir espaço para o novo, promovendo o renascimento e a cura com novos pensamentos e novas atitudes. Podemos nos distanciar da terra como pássaros que voam livremente pelo ar, depois voltarmos à terra e, transcendermos para os cuidados com a terra e com todos que nela habitam. Neste sentido, a arte do silêncio nos ensina a escutar a voz do vento. É o que nos trouxe Fernando Pessoa, em seus versos: “Ás vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. As escolhas nos&nbsp;permitem voar pelos caminhos da alma e, para tanto, podemos optar sempre entre asas ou gaiolas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, Analista em formação pelo IJEP.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, Rubem. &nbsp;<em>Gaiolas ou Asas. A arte do voo ou a busca da alegria de aprender.&nbsp;</em>Porto: Edições Asa, 2004.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">COLEÇÃO:&nbsp;<em>Divindades gregas.&nbsp;</em>Brasil: Editora Abril, 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HESÍODO.&nbsp;<em>Os trabalhos e os dias.</em>&nbsp;Trad. intr. e comentários por Mary de Camargo Neves Lafer. São Paulo: Iluminuras, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GANDON, O. (2000).&nbsp;<em>Deuses e Heróis da Mitologia Grega e Latina.</em>&nbsp;São Paulo: Editora Martins fontes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp;&nbsp;<em>A Natureza da psique</em>. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Psicologia e alquimia.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Tipos psicológicos.</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MACHADO, Luciano Vieira.&nbsp;<em>Mitos gregos &#8211; o voo de Ícaro e outras lendas</em>. São Paulo: Editora Ática, 2005.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">POESIAS. Fernando Pessoa (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor). Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).</p>



<p class="wp-block-paragraph">________&nbsp;<em>Fernando Pessoa Antologia Poética (</em>com organização, apresentação e&nbsp;ensaios de Cleonice Berardinelli). Rio de Janeiro:&nbsp;Casa da Palavra, 2012.<br>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://%0b%0dwww.letras.mus.br&nbsp;›%20biafra/sonho%20de%20ícaro.%0d">www.letras.mus.br&nbsp;› biafra/sonho de ícaro.</a></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder</em></strong></h4>
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		<title>O elemento fogo e a função intuição: energia psíquica curativa ou destrutiva</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-elemento-fogo-e-a-funcao-intuicao-energia-psiquica-curativa-ou-destrutiva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claci Maria Strieder]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2020 19:24:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Não Categorizado]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
		<category><![CDATA[Função Intuição]]></category>
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		<category><![CDATA[Psique]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde cedo aprendemos que com o fogo não se brinca, simbolizando que não podemos tratar descuidadamente de coisas perigosas. Onde há fumaça há fogo, frase usada para falar de alguma coisa misteriosa que está acontecendo. Quantas vezes deixamos o circo pegar fogo e nos deleitamos ao ver desenrolar-se uma situação de conflito. E no calor [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Desde cedo aprendemos que com o fogo não se brinca, simbolizando que não podemos tratar descuidadamente de coisas perigosas. Onde há fumaça há fogo, frase usada para falar de alguma coisa misteriosa que está acontecendo. Quantas vezes deixamos o circo pegar fogo e nos deleitamos ao ver desenrolar-se uma situação de conflito. E no calor do momento, com as emoções intensas, usamos expressões de linguagem que representam diferentes olhares sobre o fogo, metaforicamente representando impulso, desejo, criatividade, paixão e agressividade, como possiblidade de transformação, em forma de cura ou de destruição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de tantos significados, podemos realizar ampliações sobre os simbolismos do fogo, trazendo Jung (1986), que em seu livro&nbsp;<em>Símbolos da Transformação</em>&nbsp;evidenciou a preparação do fogo como algo existente em todo o mundo, em todos os tempos e que foi perdendo seu mistério aos poucos, porém seu uso continua ocorrendo, envolvendo cerimônias, ritos e mistérios. Em&nbsp;<em>Tipos Psicológicos</em>, Jung descreveu a função intuição, como uma dos quatro instrumentos judicativos da consciência, associado ao elemento fogo e ao movimento, podendo ser compreendida como a faculdade ou ato de perceber, discernir ou pressentir coisas, independente de raciocínio, de análise ou das aparências externas dos fatos. Segundo o autor, “A&nbsp;<a href="http://www.jungnapratica.com.br/o-papel-da-intuicao-nas-mudancas-sociais-de-um-povo/">Intuição</a>&nbsp;é uma&nbsp;percepção&nbsp;imediata de certas relações que não podem ser constatadas pelas outras três funções no momento da orientação” (Jung, 1986, p.69). É formada por imagens simbólicas e conceitos não abstraídos, que não são fáceis de serem traduzidos em palavras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando adentramos na história da humanidade, percebemos percursos em muitos caminhos para a compreensão do fogo. Em culturas antigas, representava um rito sagrado, que envolvia sacrifício aos deuses. A transformação em fumaça permitia o alcance das regiões superiores e cooperação com os deuses. Nas tradições indígenas, acender uma fogueira significava felicidade e prosperidade, representando o próprio sol, que era chamado de O Grande Fogo. Os antigos costumavam se reunir ao redor do fogo da lareira para contar histórias. Ainda hoje se cultuam rituais em torno de fogueiras, lareiras e fogões a lenha. O fogo de uma lareira, dentro de um ambiente caseiro, é aconchegante e inspirador, aquecendo o ambiente e a alma dos amantes. Lidar com o fogo tem um encanto e uma força ameaçadora, principalmente com a intervenção na natureza com queimadas de florestas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na mitologia grega (Brandão,1986),&nbsp;<strong>Héstia&nbsp;</strong>é a deusa do fogo sagrado, relacionada com a chama das lareiras que aquecem os lares e os templos, que foi muito respeitada pelos deuses e os mortais. É filha de&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cronos">Cronos</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Reia">Reia</a>, uma das doze divindades olímpicas, e irmã mais velha de Demeter, Hera, Zeus, Poseidon, Hades. Ela simboliza o ponto de equilíbrio interno com momentos de solitude, ensina-nos a olhar para dentro e entrar em contato com os nossos valores para alcançar a harmonia, remetendo-nos ao&nbsp;<em>Self</em>. A tocha olímpica, que surgiu na Grécia Antiga, tem como objetivo levar o fogo para diferentes nações e representa simbolicamente esse espírito da paz representado por Héstia. Ao mesmo tempo, evoca o mito de Prometeu, que roubou o fogo de Zeus para entregar aos mortais e foi castigado por isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elemento fogo constitui uma energia criadora e, segundo Tresidder, possui um vasto sentido simbólico: “Encontra-se o fogo significando a purificação, a revelação, a transformação, a regeneração e o ardor espiritual ou sexual” (2000, p.106). &nbsp;O fogo também tem uma simbologia relacionada à sexualidade. Negar fogo e ser fogo de palha são queixas constantes. O fogo é o representante das paixões, das fortes emoções, do desejo, da libido, revelando também um sofrimento, como cantam Zezé Di Camargo e Luciano:&nbsp;“A ferro e fogo não dá, com tanta indiferença, vendo a vida passar, tropeços e tropeços, pedras no meu caminho&#8230;”.&nbsp; O fogo também pode ser um paradoxo, além de ser extremamente intenso e destrutivo, ele possui em si a fragilidade: ele acaba, mas também acaba com as coisas por onde passa. Ainda sobre o fogo e o amor, Luís de Camões trouxe o paradoxo “Amor é fogo que arde sem se ver”, provocando questionamentos. François La Rochefoucauld, por sua vez, evidenciou a importância de alimentar o amor: “O amor é como fogo: para que dure é preciso alimentá-lo”. Por último, Domenico Modugno, retrata com palavras os sentimentos verdadeiros: “A distância é como o vento, acende os fogos grandes e apaga os pequenos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De um modo geral, nos livros de História o fogo aparece como ato de expurgar o mal, com a Santa Inquisição e sua caça às bruxas. De forma idêntica, os contos de fada nos trazem histórias de bruxas com seus caldeirões e seus fornos, que evidenciam o perigo do fogo.&nbsp; João e Maria (Grimm, 2002), é uma história no imaginário infantil, que envolve o desamparo diante do desconhecido, a força interior para vencer o mal e a coragem se livrar do calor do forno, libertando-se também da bruxa. Em contrapartida, vivenciamos desde cedo o valor do fogo no preparo de alimentos, porém “pôr fogo na canjica” não envolve um ato de cozinhar. É uma expressão de linguagem que representa agitação, confusão ou ficar animado, com muita energia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mergulharmos em diferentes crenças, que são inúmeras, deparamo-nos com o Budismo, em que o fogo pode representar a iluminação. Segundo o I Ching, o fogo pode representar as paixões, o espírito ou o conhecimento intuitivo. Os taoístas entram no fogo para libertar-se do condicionamento humano e fazem isso sem se queimarem. Enquanto isso, pôr a mão no fogo, expressão da qual os incorruptíveis saem vencedores, para nós muitas vezes é algo difícil de realizar. Para os cristãos, na busca de Deus, em momentos de louvor e oração, algumas sensações podem ser vivenciadas e manifestadas pelo calor no coração, assim como algumas passagens bíblicas retratam o poder de Deus se manifestando em fogo. No sentido figurativo, podemos citar uma passagem sobre o julgamento em 1 Coríntios 3:13: “Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará”. O&nbsp;fogo pode simbolizar a destruição ou a purificação, que envolve o ato de derreter, de esterilizar ou de moldar. Na liturgia católica o fogo novo é celebrado na noite de Páscoa, como simbolismo da regeneração e penitência. Algumas religiões trazem reflexões sobre o fogo do inferno, enaltecendo a necessidade do calor humano em forma de solidariedade coletiva. Neste sentido, Jung trouxe a reflexão: “O que pensais da natureza do inferno? O inferno é quando a profundeza chega a vós com tudo o que não mais ou ainda não dominais<strong>”&nbsp;</strong>(2016, p. 153).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ritos de purificação pelo fogo também são utilizados em crematórios como ritos de passagem entre o mundo dos vivos e dos mortos. O fogo queima, devora, consome, destrói, reduz às cinzas e está em constante movimento e evolução. Ele pode causar sufocamento com sua fumaça em incêndios, nas paixões, nos castigos e nas guerras.&nbsp; De acordo com Bachelard, aquilo “que se modifica lentamente se explica através da vida, o que se modifica depressa é explicado pelo fogo” (1972, p. 21). Labaredas e fumaça, podem causar queimaduras, que sob o olhar da psicossomática podem revelar raiva expressa no corpo. Em estudos e estatísticas, percebem-se crescentes queimaduras e mortes por asfixiamento, acidentais ou provocadas, envolvendo desespero, culpa, drogadição, alcoolismo, surtos psicóticos e maníacos. Ao mesmo tempo que o fogo faz lembrar de lazer e da gastronomia, acendendo o fogo das churrasqueiras e dos fogões, muitos acidentes são causados. Em alguns casos aparece o fogo&nbsp;posto, que simboliza o incêndio&nbsp;criminoso,&nbsp;provocado intencionalmente, resultando em destruição.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo diferentes estudos da astrologia, os signos com o elemento fogo são&nbsp;Áries, Leão e Sagitário, que seguem seus objetivos com confiança e energia, mobilizados pelo calor, intensidade, iniciativa, impulsividade, liderança, competição, coragem e independência. Áries tem impulsos para fazer começos e sair dos estados de inércia. Leão demarca território, tem necessidade de controle e vai ao palco. Sagitário apresenta facilidade de mudança e adaptações. Não são necessariamente características determinantes no ser humano, mas podem ser exploradas como potenciais, iluminando o lado sombrio para o alcance da harmonia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na alquimia, o elemento fogo é representado por um triangulo apontando para cima (∆). As&nbsp;<strong>substâncias enxofre, mercúrio e sal são a base da&nbsp;<em>prima materia</em>&nbsp;e podem ser separadas por meio do fogo</strong>. Neste contexto, Jung (1994) descreve as sete operações que envolvem o processo alquímico. Em termos gerais, a&nbsp;<em>calcinatio</em>&nbsp;é uma delas, compreendida como a operação que pertence ao fogo e, nesse processo ocorre o aquecimento de um sólido, com o objetivo de volatizá-lo e transformá-lo em pó. É um processo de secagem, que envolve o aquecimento e retirada da água. O fogo é purgador e atua sobre a nigredo, tornando-a branca e evaporando as emoções que não servem mais. Edinger (2006), fala sobre essa dura transformação, que no sentido simbólico envolve muito suor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ampliar, a partir da leitura de autores junguianos, pode-se afirmar que o vaso alquímico é o lugar onde é colocada a&nbsp;<em>prima matéria</em>&nbsp;para ser transformada e envolve a arte de controlar o fogo.&nbsp;<strong>&nbsp;</strong>Os alquimistas o denominavam de crisol, lugar onde se produz crise para encontrar a pedra filosofal, cujo processo de transformação ocorria nos laboratórios. A partir das ideias dos alquimistas e trazendo para a realidade do consultório, o vaso psicoterapêutico é construído dentro da relação entre cliente e psicoterapeuta. Ambos entram no vaso e ambos saem transformados, como enaltece Jung: “Ninguém mexe com o fogo ou veneno sem ser atingido em algum ponto vulnerável.” (1991, p. 19). Neste contexto, três sentimentos são construídos: valorização, pertencimento e segurança. O vínculo produz movimento de energia psíquica para transformar a angústia e o sofrimento, promovendo evolução no processo de desenvolvimento. Simbolicamente, o fogo é energia psíquica liberada gradativamente e é pelo fogo que os complexos são transformados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alquimistas e psicoterapeutas precisam ter fogo próprio e dosar a arte do fogo para realizar as transformações necessárias. De forma metafórica, Rubem Alves complementou: “O analista precisa ter fogo próprio para poder atiçar o fogo do outro” (2010, p.21). A psicoterapia pressupõe ressignificações e é isso que o cliente busca quando procura um psicoterapeuta. Ele representa alguém que auxilia no processo de modificar velhos padrões para deixar o novo entrar, favorecendo melhorias significativas, que vem ao encontro de mais uma frase de Rubem Alves: “Somente os corpos gastos pelo fogo podem se tornar transparentes” (2010, p.45). Complemento a reflexão e culmino minhas ampliações, com o olhar de Jung (2008), que há muito tempo evidenciou a possibilidade de experimentarmos o fogo no plano espiritual, a partir da transformação simbólica que ocorre na operação calcinatio, momento em que o elemento fogo e a função intuição podem resultar em energia psíquica curativa ou destrutiva, a partir de nossas escolhas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Claci Maria Strieder, analista em formação pelo IJEP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brasília/DF &#8211;&nbsp; Contato: (61) 99951.0003 &#8211;&nbsp;<a href="mailto:clacims@gmail.com">clacims@gmail.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leituras de apoio:</p>



<p class="wp-block-paragraph">ALVES, R.&nbsp;<em>As melhores crônicas de Rubem Alves</em>, São Paulo: Ed. Papirus, 2010&nbsp;<a href="http://www.rubemalves.com.br/">http://www.rubemalves.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">BACHELARD, Gaston.&nbsp;<em>A psicanálise do Fogo</em>. Lisboa: Estúdios, 1972.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">BRANDÃO, J. –&nbsp;<em>Mitologia Grega Vol. 1</em>, Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>CAMÕES</em>,&nbsp;<em>Luís</em>&nbsp;Vaz de, 200 sonetos. L&amp;PM, 2014.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, E.&nbsp;<em>Anatomia da Psique</em>: o simbolismo alquímico na psicoterapia. São Paulo: Cultrix, 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GRIMM, Irmãos.&nbsp;<em>Contos de Fada</em>. São Paulo: Iluminuras, 2002.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.educabras.com/frases/pormenor/frases_la_rochefoucauld
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/frase">https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/frase</a>&nbsp;de Domenico Modugno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.&nbsp;&nbsp;<em>A Natureza da Psique</em>. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Estudos Alquímicos.&nbsp;</em>&nbsp;Rio de Janeiro: Ed.Vozes, 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>O Eu e o Inconsciente</em>. Petrópolis: Editora Vozes, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>O Livro Vermelho</em>&nbsp;&#8211; Liber Novus: edição sem ilustrações. 2ª Reimpressão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Psicologia e Alquimia</em>. Petrópolis: Vozes, 1994.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Símbolos da Transformação</em>. Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________&nbsp;<em>Tipos Psicológicos.&nbsp;</em>Petrópolis: Vozes, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">TRESIDDER, Jack.&nbsp;<em>Os Símbolos e os Seus Significados.&nbsp;</em>Lisboa: Estampa, 2000.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>Claci Maria Strieder&nbsp;</em></strong></h4>
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