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	<title>Arquivos corpo e psique - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Wed, 05 Aug 2026 14:41:49 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos corpo e psique - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Travessia que precisa ser reconhecida e validada: Perimenopausa e Menopausa sob a perspectiva da Psicologia Analítica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-travessia-que-precisa-ser-reconhecida-e-validada-perimenopausa-e-menopausa-sob-a-perspectiva-da-psicologia-analitica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Danielle Chaves Gomes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 20:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Metanoia]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Processo de Individuação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A perimenopausa e a menopausa constituem uma das transições mais significativas da vida física e psíquica da mulher e, paradoxalmente, uma das mais silenciadas culturalmente. Este artigo propõe uma leitura desta fase fundamentada na Psicologia Analítica, com o objetivo de sensibilizar analistas e profissionais de saúde sobre a complexidade deste momento e a importância de reconhecê-lo e validá-lo. Para tanto, articula dimensões biopsíquicas e socioculturais, situando a perimenopausa e a menopausa como um momento propulsor da individuação.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo: </strong>A perimenopausa e a menopausa constituem uma das transições mais significativas da vida física e psíquica da mulher e, paradoxalmente, uma das mais silenciadas culturalmente. Este artigo propõe uma leitura desta fase fundamentada na Psicologia Analítica, com o objetivo de sensibilizar analistas e profissionais de saúde sobre a complexidade deste momento e a importância de reconhecê-lo e validá-lo. Para tanto, articula dimensões biopsíquicas e socioculturais, situando a perimenopausa e a menopausa como um momento propulsor da individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Palavras-chave: </strong>menopausa; perimenopausa; individuação; metanóia; Psicologia Analítica.</p>



<h2 id="h-consideracoes-iniciais" class="wp-block-heading"><strong>CONSIDERAÇÕES INICIAIS</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Escrevo este artigo como mulher na perimenopausa e como analista junguiana que acompanha mulheres nesta travessia. É essa sobreposição de experiências &#8211; a vivida e a observada &#8211; que me permite perceber e sentir o silenciamento cultural em torno desta fase, o despreparo de muitos profissionais de saúde e a necessidade de trazer luz a um tema que ainda carece de atenção no campo da Psicologia Analítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que observo com certa frequência é uma mulher que chega à terapia carregando um sofrimento que ela mesma não consegue nomear inteiramente. Ela sabe que algo mudou, mas não entende o porquê, especialmente quando está ainda na perimenopausa. Sabe que o corpo não responde como antes, que o sono está prejudicado, que a mente às vezes parece enevoada, que a irritabilidade surge de onde não se esperava, que a libido diminuiu, que há uma inquietação de alma que nenhum exame vai capturar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que ela não sabe, porque frequentemente ninguém lhe disse, é que tudo isso tem nome</strong>; que há perdas, mas também há ganhos; que é possível dar sentido ao que se vive; e que esta fase pode ser propulsora de um grande desenvolvimento pessoal. São raros os materiais técnicos na Psicologia Analítica que abordem essa fase com a profundidade que ela exige, e é essa lacuna que motiva escrever este artigo.</p>



<h2 id="h-com-o-objetivo-de-sensibilizar-analistas-junguianos-e-profissionais-de-saude-o-texto-traz-informacoes-sobre-este-momento-da-vida-bem-como-reflexoes-sob-a-perspectiva-da-psicologia-analitica" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Com o objetivo de sensibilizar analistas junguianos e profissionais de saúde, o texto traz informações sobre este momento da vida, bem como reflexões sob a perspectiva da Psicologia Analítica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pretende-se abrir uma janela para que analistas possam olhar para esta fase e, ao fazê-lo, oferecer às mulheres o que a cultura lhes nega: acolhimento, reconhecimento, escuta e sentido. Isso não significa romantizar o que é vivido, já que há desafios reais para a maior parte das mulheres, e esses desafios merecem ser levados a sério. Mas significa reconhecer que essa travessia carrega, em si, uma convocação profunda para o processo de individuação.</p>



<h2 id="h-o-corpo-fala-a-dimensao-biopsiquica" class="wp-block-heading"><strong>O CORPO FALA: A DIMENSÃO BIOPSÍQUICA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para que a o analista possa acolher adequadamente o que a analisanda traz na perimenopausa e menopausa, é importante que tenha familiaridade com as transformações que acontecem no corpo, nesse período, para não minimizá-los ou buscar compreendê-los apenas simbolicamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perimenopausa é um período de transição entre a vida reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, que pode durar de quatro a oito anos antes da menopausa &#8211; definida pela última menstruação &#8211; até um ano após esse marco, geralmente entre os 45 e 55 anos. Esse período envolve mudanças que vão muito além das alterações hormonais, abrangendo transformações físicas, fisiológicas e psíquicas que tornam esta fase bastante desafiadora para muitas mulheres (FEBRASGO, 2024, p. 102).</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-vale-sublinhar-este-dado-de-quatro-a-oito-anos-antes-da-menopausa-a-mulher-ja-pode-sentir-uma-serie-de-sintomas-com-impacto-significativo-em-sua-vida-cotidiana-trata-se-portanto-de-um-periodo-longo-repleto-de-transformacoes-e-sentires-que-afetam-a-maior-parte-das-mulheres" style="font-size:16px">Vale sublinhar este dado: de quatro a oito anos antes da menopausa, a mulher já pode sentir uma série de sintomas com impacto significativo em sua vida cotidiana. Trata-se, portanto, de um período longo, repleto de transformações e sentires que afetam a maior parte das mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sintomas vasomotores &#8211; ondas de calor e suores noturnos &#8211; são os mais frequentes, afetando até 80% das mulheres, podendo persistir em média de três a dez anos (FEBRASGO, 2024, p. 69). A isso somam-se alterações do sono, mudanças metabólicas, síndrome geniturinária, impacto na sexualidade e &#8211; de especial relevância para a clínica &#8211; repercussões neurológicas e cognitivas.</p>



<h2 id="h-o-estrogenio-atua-como-neuromodulador-central-regulando-a-plasticidade-sinaptica-a-memoria-e-a-saude-cognitiva-a-progesterona-participa-da-neuroprotecao-e-da-modulacao-do-humor-alem-de-contribuir-para-a-qualidade-do-sono" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">O estrogênio atua como neuromodulador central, regulando a plasticidade sináptica, a memória e a saúde cognitiva. A progesterona participa da neuroproteção e da modulação do humor, além de contribuir para a qualidade do sono.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, é natural que mudanças na produção desses hormônios gerem sintomas significativos (GUIMARÃES et al., 2025, p. 13-14). Mosconi (2024, p. 97) reforça que a menopausa desencadeia uma reorganização significativa do cérebro feminino, com impactos no metabolismo cerebral e em funções como memória, humor e concentração. Com o declínio hormonal, muitas mulheres relatam o fenômeno clinicamente denominado &#8220;névoa mental&#8221; (brain fog) que se trata de uma combinação de dificuldade de concentração, esquecimento e sensação de fadiga e confusão e que pode ser devastadora para a autoestima e para a relação com a própria identidade (GUIMARÃES et al., 2025).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma em cada três mulheres experimentará mudanças psicológicas significativas durante a transição menopausal, incluindo alterações de humor, ansiedade, labilidade emocional e maior propensão ao desenvolvimento de quadros depressivos (FEBRASGO, 2024, p. 39). Contudo, e este ponto é fundamental para o analista, reduzir o sofrimento psíquico desta fase exclusivamente à dimensão hormonal seria um equívoco: as transformações vividas pelas mulheres neste período são conjuntamente corporais, psíquicas e existenciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mulher que chega relatando que &#8220;não se reconhece mais&#8221;, que &#8220;perdeu o fio da meada&#8221;, que &#8220;sente que está ficando louca&#8221;, que &#8220;tudo mudou&#8221; não está exagerando. Ela está descrevendo, com as palavras disponíveis, uma reorganização psíquica real que tem raízes biológicas. Acolher este sentir é fundamental, pois é um momento de grande angústia.</p>



<h2 id="h-o-silencio-que-adoece-a-dimensao-sociocultural" class="wp-block-heading"><strong>O SILÊNCIO QUE ADOECE: A DIMENSÃO SOCIOCULTURAL</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se as dimensões fisiológica e psíquica da perimenopausa e da menopausa já impõem desafios consideráveis, o aspecto sociocultural os potencializa significativamente. Lisa Mosconi, neurocientista referência na pesquisa do impacto da menopausa no cérebro feminino, descreve esse cenário com precisão:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px;line-height:1.5">
<p class="wp-block-paragraph">Na nossa cultura obcecada pela juventude, a menopausa, quando não é totalmente ignorada, é temida ou menosprezada. Além de não ser reconhecida como um marco importante na vida de uma mulher, a menopausa sempre foi vista de forma extremamente negativa, com estigmas associados ao preconceito da idade, ao esgotamento da vitalidade e até ao fim da nossa identidade como mulheres (MOSCONI, 2024, p. 19).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Esse silenciamento tem causas profundas. Whitmont (1991, p. 140) afirma que a desvalorização do feminino é algo intrínseco ao desenvolvimento do ego patriarcal e uma misoginia reforçada por quatro milênios de convicções religiosas e culturais que tornaram esse padrão socialmente aceito. A mulher madura, que não mais serve ao ideal de fertilidade e juventude que o patriarcado valoriza, torna-se progressivamente invisível. Bolen (2005, p. 14) é direta: &#8220;Em um patriarcado orientado especialmente para a juventude, tornar-se uma mulher mais velha é se tornar invisível; uma entidade sem existência.&#8221;</p>



<h2 id="h-mankowitz-1986-p-27-uma-das-poucas-autoras-junguianas-a-se-debrucar-sobre-este-tema-indagou" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Mankowitz (1986, p. 27), uma das poucas autoras junguianas a se debruçar sobre este tema, indagou:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph">Por que a menopausa, um acontecimento tão importante na vida da mulher, é tão negligenciada pela sociedade, pela história, pela mitologia e pela religião? Por que, por exemplo, não há ritos de passagem registrados em lugar algum para marcar a menopausa, se há para outros acontecimentos críticos como nascimento, puberdade, casamento, parto e morte?</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa lacuna tem consequências práticas. Grande parte dos profissionais de saúde está despreparada para atender essas mulheres, facilitando a experiência de &#8220;peregrinação&#8221;, ou seja, diante de sintomas cuja origem desconhecem, buscam respostas em diferentes especialidades sem encontrar acolhimento adequado. Mosconi (2024, p. 21) atribui isso ao fato de que a &#8220;medicina ocidental é caracterizada por adotar modelos isolados, e não holísticos, avaliando o corpo humano quanto a seus componentes individuais&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados brasileiros confirmam esse despreparo: cerca de 88% das mulheres brasileiras relatam sintomas significativos na transição menopausal, e apenas 22,3% delas receberam orientação médica adequada (POMPEI et al., 2022, apud GUIMARÃES et al., 2025). Isso significa que a imensa maioria dessas mulheres está sozinha diante de algo que não entende, que não recebe nome e que não pode ser elaborado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, o contexto sociocultural tende a minimizar ou invisibilizar as vivências desta etapa. A falta de espaços seguros de fala, a incompreensão de parceiros e familiares e a ausência de narrativas culturais que acolham o que a mulher madura vivencia contribuem para que ela internalize a sensação de que o que sente é excessivo, inadequado ou simplesmente inexplicável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A clínica junguiana pode ser o espaço onde o silenciamento dará lugar à fala, à escuta e à validação. É a mudança do silêncio para a busca de sentido que a Psicologia Analítica tem condições de oferecer.</p>



<h2 id="h-a-metanoia-do-meio-da-vida-o-sentido-da-crise" class="wp-block-heading"><strong>A METANOIA DO MEIO DA VIDA: O SENTIDO DA CRISE</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung comparou a vida humana à trajetória do Sol e, ao fazê-lo, destacou também a diferença da tarefa do profissional em cada momento do percurso:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph">Nossa vida compara-se à trajetória do sol. De manhã o sol vai adquirindo cada vez mais força até atingir o brilho e o calor do apogeu do meio-dia. Depois vem a enantiodromia. Seu avançar constante não significa mais aumento e sim diminuição da força. Sendo assim, nosso papel junto ao jovem difere do que exercemos junto a uma pessoa mais amadurecida. No que se refere ao primeiro, basta afastar todos os obstáculos que dificultam sua expansão e ascensão. Quanto à última, porém, temos que incentivar tudo quanto sustente sua descida (JUNG, 2014a, p. 86).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa imagem descreve uma mudança de direção de energia psíquica e de sentido. A primeira metade da vida organiza-se em torno de questões como a formação do ego, a separação psíquica dos pais, a construção de vínculos afetivos e o estabelecimento profissional &#8211; tarefas de expansão e ascensão. Já a segunda metade da vida exige movimento contrário: não mais apenas a adaptação ao meio, mas o confronto com a sombra e a aproximação do ego do self (HOLLIS, 1995, p. 55). Trata-se de uma exigência da própria psique, não de uma escolha consciente do ego.</p>



<h2 id="h-e-nesse-contexto-que-jung-situa-a-menopausa-com-uma-clareza-que-chama-atencao-para-a-sua-epoca" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">É nesse contexto que Jung situa a menopausa com uma clareza que chama atenção para a sua época:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph">É enorme o engano de supor que o sentido da vida esteja esgotado depois da fase juvenil de expansão, que uma mulher esteja &#8216;liquidada&#8217; ao entrar na menopausa. O entardecer da vida humana é tão cheio de significação quanto o período da manhã. Só diferem quanto ao sentido e intenção (JUNG, 2014a, p. 86).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a energia que antes estava investida na adaptação externa já não encontra no exterior o mesmo sentido que antes encontrava, ela se volta para dentro. É a metanoia, o movimento de grandes questionamentos e transformação profunda que acompanha a passagem da primeira para a segunda metade da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que torna a perimenopausa e a menopausa particularmente intensas é que elas se sobrepõem a esse movimento. As transformações corporais e hormonais desta fase entrelaçam-se com a metanoia de um modo que pode ser muito desafiador quando vivido sem acolhimento, validação e escuta, mas profundamente transformador quando vivido com consciência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sendo assim, é importante que o analista compreenda que nesta fase se sobrepõem questões que mexem com a mulher em múltiplas dimensões simultaneamente. Ter essa consciência é necessário para não se fixar em apenas uma delas. É nessa sobreposição que os sintomas físicos e emocionais se revelam como mensageiros da alma.</p>



<h2 id="h-os-sintomas-como-linguagem-do-corpo-e-da-alma" class="wp-block-heading"><strong>OS SINTOMAS COMO LINGUAGEM DO CORPO E DA ALMA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jung já apontava que &#8220;processos do corpo e processos mentais se desenrolam simultaneamente e de maneira totalmente misteriosa para nós&#8221; (JUNG, 2013a, p. 48). Portanto, os sintomas da perimenopausa não são apenas eventos fisiológicos, mas também expressões de uma psique em profunda reorganização. Diante disso, é importante acolher e validar o sofrimento real desses sintomas sem descartar uma avaliação e acompanhamento médico adequado, e ao mesmo tempo oferecer um tipo de escuta que a medicina, por sua natureza, não oferece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sintomas físicos conduzem a pensamentos e sentires. Um corpo que envelhece e que já não corresponde ao ideal de juventude de uma sociedade patriarcal pode gerar insegurança nos vínculos afetivos. A confusão mental e a dificuldade de concentração podem trazer o medo da perda de emprego ou de capacidade. <strong>Um corpo que parece não ser mais o seu &#8211; que não responde como antes &#8211; pode instalar uma estranha sensação de não habitar a si mesma.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de libido pode despertar questionamentos sobre o amor pelo parceiro. A ausência de compreensão por parte desse parceiro pode colocar em questão a profundidade do próprio relacionamento. A irritabilidade, o choro fácil, a sensação de que as emoções estão &#8220;desreguladas&#8221; frequentemente vêm acompanhados de vergonha e confusão e é muito comum que a mulher se desculpe por tudo que sente e vive, como se seu sofrimento fosse fraqueza ou erro. São sintomas que a levam a questionar muitas camadas de si própria. <strong>No fundo, é um questionamento em relação à própria identidade; questiona-se quem foi, quem é e quem será</strong>.</p>



<h2 id="h-ha-portanto-uma-dimensao-simbolica-nesses-sintomas-que-a-escuta-analitica-esta-especialmente-preparada-para-acolher" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Há, portanto, uma dimensão simbólica nesses sintomas que a escuta analítica está especialmente preparada para acolher.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Psicologia Analítica pode contribuir ao trabalhar os lugares para os quais as transformações psíquicas e físicas levam essa mulher a olhar e confrontar &#8211; lugares que são, frequentemente, propulsores da individuação. O analista que compreende a dinâmica do meio da vida pode oferecer uma perspectiva diferente: aspectos da&nbsp; sombra, comprimidos pelo esforço de adaptação, pode emergir com força justamente agora, quando a energia se volta para dentro. Trabalhar essas questões que emergem com tanta força pode ser um caminho propulsor da individuação.</p>



<h2 id="h-a-travessia-individuacao-na-segunda-metade-da-vida" class="wp-block-heading"><strong>A TRAVESSIA: INDIVIDUAÇÃO NA SEGUNDA METADE DA VIDA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A questão central da segunda metade da vida é o processo de individuação, que Jung define como &#8220;tornar-se um ser único, na medida em que por &#8216;individualidade&#8217; entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo&#8221; (JUNG, 2015, p. 63). Esse processo implica o confronto com a sombra, com tudo aquilo que ficou de fora da imagem idealizada do ego ao longo da vida, a relativização da persona e o ego aproximando-se do self.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Johnson e Ruhl descrevem que nesse momento há o encontro com a &#8220;vida não vivida&#8221;: &#8220;todos aqueles nossos aspectos essenciais que não foram integrados de maneira adequada à nossa experiência&#8221; e que, quando resgatados, trazem propósito e significado à existência (JOHNSON; RUHL, 2011, p. 13). Para as mulheres na perimenopausa e menopausa, esse resgate pode assumir múltiplas formas, tais como o retorno a interesses artísticos abandonados, a busca de formação antes impossível, o desenvolvimento de uma espiritualidade mais profunda, a expressão de aspectos da personalidade antes reprimidos para atender às expectativas sociais ou às demandas relacionais.</p>



<h2 id="h-jung-resume-esse-movimento-com-uma-imagem-muito-bonita-depois-de-haver-esbanjado-luz-e-calor-sobre-o-mundo-o-sol-recolhe-os-seus-raios-para-iluminar-se-a-si-mesmo-jung-2013b-p-356" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Jung resume esse movimento com uma imagem muito bonita: &#8220;Depois de haver esbanjado luz e calor sobre o mundo, o Sol recolhe os seus raios para iluminar-se a si mesmo&#8221; (JUNG, 2013b, p. 356).</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A perimenopausa e a menopausa são, nessa perspectiva, o momento em que a luz se volta para dentro. A mulher que tanto doou energia ao externo pode, finalmente, perguntar: Quem sou eu além dos papéis que desempenhei? Que parte de mim ficou não vivida? O que a minha alma realmente deseja? É um momento facilitador da apropriação de si mesma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como descreve Stein (2007, p. 41), a crise da meia-idade é &#8220;uma guinada crítica para o processo de individuação&#8221;; trata-se de uma convocação psíquica para a construção de uma identidade mais alinhada com as intenções do self. Neste sentido, a perimenopausa e a menopausa constituem terreno especialmente fértil para essa convocação. As transformações físicas e hormonais potencializam a transformação psíquica; desafiadora, sim, mas com potencialidades.</p>



<h2 id="h-consideracoes-finais" class="wp-block-heading"><strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O que este artigo se propôs, fundamentalmente, foi mostrar que uma mulher na perimenopausa e na menopausa está em travessia e, para muitas, uma travessia intensa de anos, ao longo da qual uma nova mulher vai se constituindo. Buscou-se demonstrar que haverá perdas reais, mas que este é também um momento propulsor da individuação; um momento no qual mudanças físicas, hormonais e psíquicas, sintomas e sentires podem ser trabalhados não como fim, mas como limiar para o novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tanto, o artigo articulou três dimensões que o analista precisa conhecer: a dimensão biopsíquica, que sustenta a legitimidade clínica dos sintomas e angústias; a dimensão sociocultural, que revela por que tantas dessas mulheres chegam ao consultório em silêncio, com vergonha e sem nome para o que vivem; e a dimensão psíquica aos olhos da Psicologia Analítica, que situa esta fase como convocação para a individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O analista que acolhe e valida as angústias, que oferece espaço seguro para os lutos, que escuta os sonhos com atenção especial, que compreende que este é um processo longo a ser atravessado, que conhece as especificidades biopsicossociais desta fase e que, acima de tudo, reconhece a potencialidade que há neste momento, oferece à analisanda o que a cultura sistematicamente lhe nega. E isso, por si só, já é transformador.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/"><strong>Danielle Chaves Gomes de Oliveira – Analista em formação</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/"><strong>Maria da Glória G. de Miranda – Analista Didata</strong> <strong>IJEP</strong></a></p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading" style="font-size:17px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">BOLEN, J. S. As deusas e a mulher madura: arquétipos nas mulheres com mais de 50. São Paulo: TRION, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de orientação: climatério. São Paulo: FEBRASGO, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">GUIMARÃES, A. P. G. Menopausa e seus desafios após o câncer ginecológico. São Paulo: FEBRASGO, 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HOLLIS, J. A passagem do meio: da miséria ao significado na meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JOHNSON, R. A.; RUHL, J. M. Viver a vida não vivida. Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. Vida Simbólica. v. 1. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2014a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2014b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MANKOWITZ, A. Menopausa: tempo de renascimento. São Paulo: Paulinas, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MOSCONI, L. O cérebro da menopausa. Rio de Janeiro: Harper Collins Brasil, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">STEIN, M. No meio da vida. São Paulo: Paulus, 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WHITMONT, E. C. O retorno da deusa. São Paulo: Summus, 1991.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



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		<title>Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pareidolia-e-libido-de-parentesco-sob-a-perspectiva-da-psicologia-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 20:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>Esta &nbsp;nuvem ☁️</em> <em>se parece com 🐑</em> <em>&#8230;</em></p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>A arte de ver&#8230;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A pareidolia e a libido de parentesco serão abordadas nesse artigo sob a ótica da psicologia junguiana. A partir da apresentação da origem, do conceito e da ocorrência – inclusive, na arte – de ambos os conceitos, o texto finaliza com uma reflexão traçando um paralelo entre eles.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desde criança olho para as nuvens e vejo figuras, assim como nas dobras de cobertores, na superfície de pedras, no formato das montanhas, em manchas em geral. E você? Já observou nuvens e nelas identificou alguma forma ou figura? Viu alguma mancha que te remeteu a algo parecido? Já se perguntou sobre a origem dos nomes pico das Agulhas Negras ou do morro do Pão de Açúcar? Ou, ainda, do termo “Bico de Papagaio” observado em radiografias?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Descobri que isso tinha uma denominação: pareidolia. Existiria esse termo na psicologia junguiana? Haveria alguma relação com a libido de parentesco?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse artigo proponho, a partir dessas questões acima colocadas, uma reflexão sobre pareidolia e libido de parentesco, trazendo a visão da psicologia junguiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Primeiro será apresentado o termo pareidolia, sua história e ocorrência. Na sequência o conceito de libido de parentesco será abordado trazendo a visão de C. G. Jung. Após essa exposição inicial será feita uma breve reflexão relacionando ambos os termos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 1886, o psiquiatra alemão Karl Ludwig Kahlbaum introduziu o termo “<em>Pareidolie</em>” em seu artigo &#8220;<em>Die Sinnesdelierien</em>” (Sobre a ilusão dos sentidos). No ano seguinte o termo foi adotado na língua inglesa como pareidolia, sendo definido como uma “&#8230;alucinação mutável, alucinação parcial, [e] percepção de imagens secundárias.&#8221; <a>(Wikipedia, 2025)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Etimologicamente pareidolia deriva do grego <em>παρά</em> (para) &#8211; ao lado, junto a, em vez de &#8211; e do substantivo <em>εἴδωλον</em> (eídōlon) &#8211; imagem, forma, figura. (Wikipedia, 2025)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-e-uma-producao-normal-da-psique-a-consciencia-tende-a-achar-padroes-mesmo-onde-nao-ha-para-organizar-uma-situacao-caotica" style="font-size:19px">A pareidolia é uma produção normal da psique. A consciência tende a achar padrões mesmo onde não há para organizar uma situação caótica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Possivelmente essa tendência já se encontrava nos primeiros seres humanos e pode ser considerada como sendo uma raiz instintiva de grande valor para a sobrevivência por identificar precocemente ameaças e rostos. (Ungvarsky, J., 2023). Segundo Magaldi (2025): “<strong><em>O cérebro é uma máquina de achar padrões, mesmo onde não há. Por isso acontecem os fenômenos de Apofenia e Pareidolia. Vemos rostos em nuvens, constelações no caos</em></strong>.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pareidolia-pode-ser-definida-como" style="font-size:19px"><strong>Pareidolia pode ser definida como:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>a tendência da percepção de impor uma interpretação significativa a um estímulo nebuloso, geralmente visual, de modo que se detecte um objeto, padrão ou significado onde não há nenhum. Pareidolia é um tipo específico, mas comum, de apofenia (a tendência de perceber conexões significativas entre coisas ou ideias não relacionadas). (Wikipedia, 2025)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Há muitos relatos sobre ver figuras nas nuvens, em meio de folhas, em pedras, em manchas presentes em diferentes materiais e objetos.&nbsp; Alguns artistas usaram as manchas como inspiração, espontaneamente davam sentido às formas indefinidas e as associavam a formas conhecidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Elas são um estímulo à imaginação e à fantasia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A mancha é como uma massa indiferenciada da qual surge o desenho (figura, forma) que se apresenta como o seu oposto, com linhas e contornos definidos. Ela se caracteriza pela instabilidade, por contornos difusos ou complexos, onde não há definição rígida ou fixa e, por isso, tem o potencial de se parecer com qualquer coisa. (PAYO, 2000)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referindo-se-a-joseph-beuys-que-usava-materiais-gordurosos-para-suas-obras-que-se-caracterizavam-por-manchas-sem-contornos-definidos-payo-2000-coloca-que" style="font-size:19px"><strong>Referindo-se à Joseph Beuys que usava materiais gordurosos para suas obras, que se caracterizavam por manchas sem contornos definidos, Payo (2000) coloca que:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Beuys aproveita precisamente esse efeito psicológico, quase mágico ou xamanístico que determinadas matérias cruas ou naturais têm de nos perturbar pela sua inevitabilidade, independente da nossa vontade ou controlo.</p><cite><em>PAYO, 2000, p. 25</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Artistas de diferentes movimentos usaram a mancha como fonte de inspiração, fizeram uso da pareidolia, para criar suas obras. Leonardo da Vinci descreve em seu famoso &#8220;Trattato della Pittura” ver diferentes padrões em manchas de diversos objetos (também cita o mesmo em sons) onde aconselha outros artistas a também se inspirarem nelas:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se observas uma parede atacada de manchas ou constituída de pedras de tipos diferentes, e tens de imaginar uma cena qualquer, verás no dito muro paisagens variadas, montanhas, rios, rochedos, árvores, planícies, vales extensos e diferentes agrupamentos de colinas. Descobrirás igualmente combates e figuras de movimentos rápidos, estranhos esboços de rostos e trajes exóticos e uma infinidade de coisas que poderás transformar em formas diferenciadas e bem concebidas. Acontece com esse tipo de paredes e aglomerados de pedras diferentes como o som dos sinos em que cada sino evoca o nome ou a palavra que tu imaginas. Não menosprezes o meu conselho, quando te lembro que não te deveria ser difícil parar por vezes para ver nas manchas das paredes, nas cinzas do fogo, ou nas nuvens, na lama ou coisas semelhantes: se as considerares com atenção, encontrarás nelas ideias verdadeiramente maravilhosas. O espírito do pintor deixa-se estimular com novas invenções, composições de batalhas de animais ou de homens, diversas composições de paisagens e coisas monstruosas, tais que diabos e coisas semelhantes que te poderiam honrar, pois que é nas coisas confusas que o espírito encontra matéria para novas invenções.</p><cite><em>Da Vinci, L apud Payo, M.S., 2000, p.12</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além de <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Leonardo_da_Vinci?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Leonardo da Vinci</a> outros artistas renascentistas inspiraram-se nelas como <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Andrea_Mantegna?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Andrea Mantegna</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giotto?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giotto</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Hans_Holbein_the_Younger?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Hans Holbein</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giuseppe_Arcimboldo?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giuseppe Arcimbold</a>o; entre os surrealistas Salvador Dali, Max Ernst; em Andy Warhol com suas “Rorschach Paintings” (Pop Art); em Joseph Beuys (Neodadaísmo); entre outros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-se-constata-na-arquitetura-mesquitas-do-seculo-xiii-na-turquia-por-exemplo-na-religiao-como-imagens-de-jesus-da-virgem-maria-hanuman-deus-macaco-hindu-e-mais-recentemente-na-visao-computacional-nos-programas-de-reconhecimento-de-imagem" style="font-size:19px">A pareidolia se constata na arquitetura (mesquitas do século XIII na Turquia, por exemplo), na religião (como imagens de Jesus, da Virgem Maria, Hanuman &#8211; “Deus Macaco” hindu) e, mais recentemente, na visão computacional (nos programas de reconhecimento de imagem).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Andy Warhol, na série <em>Rorschach’s</em> de 1984, comenta sobre as manchas e o psicologismo que elas parecem comumente inferir. Para Mia Fineman, Warhol sugere através dessa série que mesmo as formas ingenuamente abstratas se transformam em “conteúdos literários – tais como uma árvore ou um pássaro ou uma flor.” (PAYO, 2000, p.25) Andy Warhol baseou-se nas pranchas do teste de Rorschach para produzir suas obras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-teste-de-rorschach-nbsp-tambem-conhecido-por-nbsp-teste-do-borrao-de-tinta-teste-projetivo-ou-de-autoexpressao-nbsp-foi-desenvolvido-pelo-psiquiatra-e-nbsp-psicanalista-freudiano-nbsp-suico-nbsp-hermann-rorschach-1884-1922" style="font-size:19px">O teste de Rorschach &#8211; &nbsp;também conhecido por&nbsp;&#8220;teste do borrão de tinta&#8221;, teste projetivo ou de autoexpressão &#8211; &nbsp;foi desenvolvido pelo psiquiatra e&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista">psicanalista</a> freudiano&nbsp;suíço&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermann_Rorschach">Hermann Rorschach</a> (1884 – 1922).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ele, na infância era chamado de <em>Klecks</em> (mancha de tinta), pois jogava <em>Klecksographie</em>, um jogo do século XIX, cujo objetivo era criar pequenos poemas a partir de manchas abstratas de tinta. A brincadeira tinha como base a pareidolia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse teste se utiliza de uma avaliação psicológica pictórica. São usadas pranchas com manchas simétricas e, após a visualização delas, a pessoa responde com o que se parecem as manchas e, através das respostas, avalia-se a sua dinâmica psicológica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-rorschach-se-baseou-no-conceito-freudiano-da-projecao-onde-aspectos-inconscientes-da-personalidade-se-projetam-nesse-caso-nas-manchas-de-tinta" style="font-size:19px"><strong>Rorschach se baseou no conceito freudiano da projeção onde aspectos inconscientes da personalidade se projetam, nesse caso, nas manchas de tinta</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção clássica freudiana é descrita como um mecanismo de defesa onde características negativas da personalidade são projetadas em um objeto de maneira inconsciente. Rorschach fez uso do teste na psiquiatria, principalmente para o diagnóstico da esquizofrenia. (Wikipedia, 2019)&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa tendência, descrita acima como pareidolia, repete-se em várias áreas, desde a arte, na medicina, em jogos lúdicos&#8230;, e em várias culturas, há muito tempo como um instinto de sobrevivência, com isso podemos supor que está relacionada com uma camada mais profunda da psique, uma camada coletiva. Desse modo poderemos talvez entender a pareidolia mais profundamente pela teoria junguiana traçando um paralelo com a libido de parentesco abordada por Jung em sua obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung, em suas <strong>Obras Completas</strong>, parece não citar o termo pareidolia, nem Karl Ludwig Kahlbaum &#8211; que o introduziu -, no entanto, encontram-se citações sobre a técnica de <em>Rorschach</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, o teste de Rorschach é uma espilografia (palavra de etimologia grega que significa desenho de manchas) ou Klecksographie (palavra por ele utilizada), que evita qualquer instigação de sentido e que produz “<strong>um fantasma puramente subjetivo</strong>”. (JUNG, 2013e, p.119)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung também se refere ao <strong>Teste de Rorschach</strong> ao escrever sobre a caracterologia que é composta por características físicas e psíquicas, pois o “caráter é a forma individual estável da pessoa” que é de natureza física e corporal. <strong>Corpo e alma são inseparáveis, pois na natureza há uma continuidade que impossibilita a separação de ambos</strong>. Portanto, seria possível tirar conclusões das características psíquicas a partir do corpo e das corpóreas a partir da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As características advindas do corpo pela psique são mais fáceis de serem compreendidas, pois o corpo é visível, mais conhecido. No entanto, a psique é mais obscura, menos explorada e dela obtemos apenas informações indiretas, por meio das funções da consciência que também podem falhar. Por isso a caracterologia, para Jung (2013d, p. 529 &#8211; 530), sempre se apoiou em um caminho “que vai de fora para dentro, do conhecido para o desconhecido, do corpo para a alma”, como se observou na astrologia, quiromancia, grafologia e na técnica de <em>Rorschach</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O caminho contrário que possibilitaria constatar expressões físicas a partir de fatos psíquicos é mais difícil devido a constatação dos fatores psíquicos, pois nós somos psique e, portanto, “<strong><em>é quase inevitável que, ao darmos livre curso ao processo psíquico, sejamos nele confundidos e fiquemos privados de nossa capacidade de reconhecer distinções e fazer comparações</em></strong>.” (JUNG, 2013d, p.531)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da sintomatologia os processos psíquicos subjacentes foram sendo conhecidos e, Jung afirma que, a base desses sintomas são os próprios processos psíquicos. Portanto, a partir da psicopatologia foi possível fazer uma fenomenologia psíquica que seria a própria teoria dos complexos. (JUNG, 2013d, p.532).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complexos-sao-conteudos-ativos-da-psique-com-nucleo-arquetipico-carregados-de-afeto-que-tem-certa-autonomia-e-nao-se-submetem-ao-controle-da-consciencia-podendo-nela-interferir" style="font-size:19px">Complexos são conteúdos ativos da psique, com núcleo arquetípico, carregados de afeto, que tem certa autonomia e não se submetem ao controle da consciência, podendo nela interferir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Apresentam-se como “um sintoma valioso para diagnosticar uma disposição individual”, pois têm características de conflito e discordância que mostram ao indivíduo um sofrimento ou algo não resolvido e, com isso, trazem a possibilidade para o indivíduo perceber a sua inadequação de adaptação. Atuam nos indivíduos de forma totalmente singular (JUNG, 2013d, p.533 &#8211; 535).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Eles se estabelecem por semelhanças e analogias (JUNG, 2013c, p.79). O complexo forte tem como característica assimilar tudo o que puder (JUNG, 2013c, p.96). Os complexos de tonalidade afetiva, que eram considerados falhas de reação nas experiências de associação, foram descobertos por Jung por meio da assimilação. (JUNG, 2013a, p. 40)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>A assimilação é um comportamento autônomo da psique onde o indivíduo apresenta uma tendência a se comportar de acordo com um condicionamento psíquico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na assimilação um novo conteúdo psíquico é registrado pela consciência como se fosse um conteúdo já conhecido, devido a sua semelhança com um conteúdo conhecido. Desse modo pode-se perder o que teria de diferente para ser observado no objeto externo, pois a imagem recordada toma o seu lugar. O complexo assimila a nova forma (como se já fosse conhecida); “a consciência assume o papel de complexo assimilante”. (JUNG, 2013a, p.40-41) </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung-a-assimilacao" style="font-size:19px"><strong>Nas palavras de Jung a assimilação:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É a aproximação de um novo conteúdo da consciência de um material subjetivo que está à disposição, em que é ressaltada sobremodo a semelhança do novo conteúdo com o material subjetivo disponível, às vezes em detrimento da qualidade autônoma do novo conteúdo. A assimilação é basicamente um processo de apercepção que se distingue, porém, da pura apercepção pelo elemento de aproximação do material subjetivo.</p><cite>JUNG, 2013d, p.432</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A assimilação também pode ser compreendida como uma “<strong>interpenetração recíproca de conteúdos conscientes e inconscientes</strong>” onde, nesse caso, a consciência não avalia unilateralmente, não reinterpreta, nem distorce os conteúdos do inconsciente. (JUNG, 2012, p.35)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entende-se-por-apercepcao-a-psiquificacao-da-percepcao" style="font-size:19px">Entende-se por apercepção a psiquificação da percepção.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A psiquificação seria a assimilação de um fator extra psíquico, por exemplo um instinto extra psíquico, por uma estrutura psíquica complexa, tornando esse instinto um fenômeno psíquico <a>(JUNG, 2013a, p.61)</a>. Por exemplo, ao perceber um ruído o indivíduo o apercebe quando ele se psiquifica, ou seja, quando o ruido percebido como onda mecânica apreendida pelos órgãos sensoriais (estrutura fisiológica) se torna para o indivíduo aquele ruido que abarca muitos significados singulares e coletivos, nesse momento esse ruido se psiquificou (<a>JUNG, 2013a</a>, p.84). A apercepção tem uma complexidade psíquica na qual vários processos psíquicos atuam (pensamento, sensação, sentimento e intuição) e ela pode ser dirigida (racional) ou não dirigida (irracional). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Portanto, quando olhamos para uma mancha inicialmente haverá a percepção por meio dos sentidos e através da psiquificação apercebe-se a imagem, que é assimilada por um complexo e experienciada pelo indivíduo.&nbsp; <strong>Tudo é vivenciado e experienciado através da psique, pois é apenas através da realidade psíquica que podemos nos relacionar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-pergunta-o-leitor-onde-fica-a-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">E, pergunta o leitor, <strong>onde fica a libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung denominou a libido de parentesco ao analisar o incesto como uma relação endógama que equivaleria a uma libido que “tende a manter a coesão da família em seu sentido mais restrito”. Seria como um instinto muito importante com a função de manter o grupo familiar unido, a exemplo dos cães pastores. (JUNG, 2012, p.108-109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013d-p-474-libido-e-o-mesmo-que-energia-psiquica-onde-energia-e-o-valor-psicologico-determinado-pela-intensidade-do-processo-psiquico" style="font-size:19px"><strong>Para Jung (2013d, p.474) libido é o mesmo que energia psíquica</strong>, onde energia é o valor psicológico determinado pela intensidade do processo psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-as-afinidades-ou-seja-as-semelhancas-e-analogias-conferidas-pela-familiaridade-e-pelo-incesto-conferem-a-assimilacao-um-carater-de-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">As afinidades, ou seja, as semelhanças e analogias, conferidas pela familiaridade e pelo incesto, conferem à assimilação um caráter de libido de parentesco:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>o perigo da “afinidade” com suas projeções falaciosas e sua tendência de assimilar o objeto no sentido da projeção, isto é, de conferir-lhe um caráter familiar, a fim de concretizar a situação incestuosa secreta: quanto menor o discernimento a respeito, tanto maior a atração e o fascínio que ela exerce.</p><cite>JUNG, 2012, p.126</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A libido de parentesco é um instinto próprio da natureza &#8211; que pode ser vista no caso do incesto como algo contra a natureza-, porém, seguir uma forte atração pelo semelhante é próprio da natureza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É contra a natureza cometer um incesto e é contra a natureza não seguir uma forte atração. E, no entanto, também é a natureza que obriga a uma tal atitude, uma vez que se trata da libido de parentesco.&nbsp;</p><cite>JUNG, 2012, p.148</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-quando-sao-vistas-as-figuras-nas-diferentes-manchas-pode-se-falar-em-pareidolia-e-ou-em-libido-de-parentesco" style="font-size:19px"><strong>Afinal, quando são vistas as figuras nas diferentes manchas pode-se falar em pareidolia e/ou em libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já nessa pergunta estaria embutida uma pareidolia ou libido de parentesco, devido ao fato de haver uma sugestão de semelhança e analogia? Ao traçar um paralelo entre pareidolia e libido de parentesco observam-se semelhanças e diferenças. Ambos os termos são considerados condições normais da psique, involuntárias, que tendem a buscar semelhança entre objetos conhecidos pelo sujeito com objetos desconhecidos ou indefinidos apresentados a ele. Têm a função de organizar, aumentar a coesão de aspectos conhecidos e, com isso, diminuem o caos, a desordem e a tensão psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Inicialmente, o termo pareidolia foi usado para uma técnica baseada na projeção clássica freudiana onde, na sua maioria, aspectos negativos eram projetados do inconsciente &#8211; correspondente a uma parte dos aspectos que compõem o inconsciente pessoal da psicologia analítica. O inconsciente pessoal contém memórias perdidas, ideias reprimidas, percepções subliminares e conteúdos que não atingiram a consciência por não terem energia suficiente. (MGALDI, 2022, p.71).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013e-p-23-a-projecao-e-a-transferencia-de-algo-inconsciente-para-um-objeto-que-pode-ser-tanto-do-inconsciente-pessoal-quanto-do-coletivo" style="font-size:19px">Para Jung (2013e, p.23) a projeção é a transferência de algo inconsciente para um objeto, que pode ser tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, a técnica de Rorschach se baseou em aspectos externos para determinar aspectos internos (de fora para dentro, do corpo para a alma). Na libido de parentesco, pelo contrário, vimos que é uma forma de ver a partir dos complexos que assimilam os conteúdos, seria a visão de dentro para fora, da alma para o corpo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-libido-de-parentesco-e-um-instinto-e-instintos-sao-constituintes-do-inconsciente-coletivo" style="font-size:19px"><strong>Libido de parentesco é um instinto e instintos são constituintes do inconsciente coletivo</strong>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na libido de parentesco, sendo uma tendência que vem de dentro para fora, tem-se também a influência de padrões coletivos. Essa tendência de coesão entre aspectos conhecidos pode deixar de fora aspectos que são diferentes, que trazem algo desconhecido e isto pode fazer com que o complexo ganhe mais energia, por um lado, mas que eventualmente se <strong>unilateralize</strong> por outro. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Talvez os artistas por acessarem mais facilmente o inconsciente coletivo possam fazer um uso mais intenso e constante dessas tendências. O artista, para Jung (2013b, p.104, grifo do autor), é um “<em>homem coletivo</em>, portador e plasmador da alma inconsciente e ativa da humanidade”. Seria interessante nesse sentido observar uma ligação mais forte com o termo libido de parentesco. Como anteriormente mencionado, Leonardo da Vinci, Andy Warhol e outros artistas fizeram uso de tendências assimiladoras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2013e-referindo-se-a-tecnica-de-rorschach-compara-a-a-arte-moderna-pela-falta-de-instigar-um-sentido-e-por-produzir-um-fantasma-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>Jung (2013e) referindo-se à técnica de Rorschach compara-a à Arte Moderna pela falta de instigar um sentido e por produzir um “fantasma subjetivo</strong>”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Baseando-se nisso fez um experimento com um quadro do modernista Yves Tanguy. Menciona que a Arte Moderna tem a tendência de “tornar o objeto irreconhecível e assim barrar a participação e a compreensão do observador, que, chocado e confuso, sente-se jogado contra si mesmo.” (JUNG, 2013e, p. 109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-compara-isso-ao-efeito-psicologico-produzido-pelo-teste-de-rorschach-que-traz-o-inconsciente-a-participar-da-situacao-trazendo-um-fator-subjetivo-que-aumenta-a-carga-energetica-assemelhando-se-aos-testes-iniciais-de-associacao" style="font-size:19px">Jung compara isso ao efeito psicológico produzido pelo teste de <em>Rorschach </em>que traz o inconsciente a participar da situação, trazendo um “fator subjetivo” que aumenta a carga energética assemelhando-se aos testes iniciais de associação:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O efeito psicológico é comparável ao teste de Rorschach, em que um quadro puramente casual irracional apela para as forças igualmente irracionais da imaginação do espectador fazendo com que a sua disposição inconsciente participe do jogo. Onde o interesse manifestado é interrompido tão bruscamente, ele recai sobre o assim chamado &#8220;fator subjetivo&#8221;, aumentando sua carga energética &#8211; fenômeno claramente expresso nos testes iniciais de associação.</p><cite>JUNG, 2013e, p.109-110</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, se notam reações perturbadas que são provocadas pela intromissão de conteúdos inconscientes. &nbsp;A Arte Moderna pode ser instigadora de uma reação involuntária fazendo com que um fator subjetivo desperte um interesse relacionado à alma e, com isso, pode-se realizar uma análise mais profunda dos complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tanto os testes de <em>Rorschach</em>, quanto o teste de associação, quanto a Arte Moderna fornecem “<strong>informações sobre a constituição dos subestratos da consciência</strong>.” (JUNG, 2013e, p.110)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode-se inferir que a pareidolia e a libido de parentesco estão presentes na técnica de <em>Rorschach, </em>nos testes de associação e na arte de vários movimentos, assim como no dia a dia do ser humano: as manchas podem te instigar a refletir sobre algo muito mais profundo, pois cada indivíduo terá uma experiência psíquica singular frente a essas tendências.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo - Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/GSRea_SzwP4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/">Elfriede Walzberg – Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Perez Salvador – Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>Ab-reação, análise dos sonhos, transferência</em>. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>A natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>O espírito na arte e na ciência</em>. 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Psicogênese das doenças mentais</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. <a>Petrópolis: Vozes, 2013</a>d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Um mito moderno sobre coisas vistas no céu</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013e.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, S. (2022) <em>Inconsciente Coletivo e inconsciente pessoal</em>. &nbsp;In: MAGALDI, W. (Org.), Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo: Empresa Editora e Livraria Virtual Eleva Cultural, 2022, p. 61-76.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, W. (2025) <em>A orquestra oculta do universo produz a sincronicidade e a dança da realidade.</em> Disponível em: <a href="https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/">https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/</a> Acesso em: 29 out 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAYO, M. S. (2000) <em>Da mancha no desenho</em>. In: Relatório de aula teórico-prática, Provas de aptidão pedagógica e capacidade científica, assistente estagiário Lic. Pintor. Universidade de Lisboa Faculdade de Belas Artes. Disponível em: <a href="https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf">https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf</a> Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNGVARSKY, J. (2023) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: <a href="https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true">https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true</a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2019) <em>Teste de Rorschach</em>. Disponível em:&nbsp; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach">https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach</a><a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2025) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: (<a href="https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge</a> &nbsp;Acesso em: 29 out 2025.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png" alt="" class="wp-image-11717" style="width:741px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



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