Resumo: A perimenopausa e a menopausa constituem uma das transições mais significativas da vida física e psíquica da mulher e, paradoxalmente, uma das mais silenciadas culturalmente. Este artigo propõe uma leitura desta fase fundamentada na Psicologia Analítica, com o objetivo de sensibilizar analistas e profissionais de saúde sobre a complexidade deste momento e a importância de reconhecê-lo e validá-lo. Para tanto, articula dimensões biopsíquicas e socioculturais, situando a perimenopausa e a menopausa como um momento propulsor da individuação.
Palavras-chave: menopausa; perimenopausa; individuação; metanóia; Psicologia Analítica.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Escrevo este artigo como mulher na perimenopausa e como analista junguiana que acompanha mulheres nesta travessia. É essa sobreposição de experiências – a vivida e a observada – que me permite perceber e sentir o silenciamento cultural em torno desta fase, o despreparo de muitos profissionais de saúde e a necessidade de trazer luz a um tema que ainda carece de atenção no campo da Psicologia Analítica.
O que observo com certa frequência é uma mulher que chega à terapia carregando um sofrimento que ela mesma não consegue nomear inteiramente. Ela sabe que algo mudou, mas não entende o porquê, especialmente quando está ainda na perimenopausa. Sabe que o corpo não responde como antes, que o sono está prejudicado, que a mente às vezes parece enevoada, que a irritabilidade surge de onde não se esperava, que a libido diminuiu, que há uma inquietação de alma que nenhum exame vai capturar. O que ela não sabe, porque frequentemente ninguém lhe disse, é que tudo isso tem nome; que há perdas, mas também há ganhos; que é possível dar sentido ao que se vive; e que esta fase pode ser propulsora de um grande desenvolvimento pessoal. São raros os materiais técnicos na Psicologia Analítica que abordem essa fase com a profundidade que ela exige, e é essa lacuna que motiva escrever este artigo.
Com o objetivo de sensibilizar analistas junguianos e profissionais de saúde, o texto traz informações sobre este momento da vida, bem como reflexões sob a perspectiva da Psicologia Analítica.
Pretende-se abrir uma janela para que analistas possam olhar para esta fase e, ao fazê-lo, oferecer às mulheres o que a cultura lhes nega: acolhimento, reconhecimento, escuta e sentido. Isso não significa romantizar o que é vivido, já que há desafios reais para a maior parte das mulheres, e esses desafios merecem ser levados a sério. Mas significa reconhecer que essa travessia carrega, em si, uma convocação profunda para o processo de individuação.
O CORPO FALA: A DIMENSÃO BIOPSÍQUICA
Para que a o analista possa acolher adequadamente o que a analisanda traz na perimenopausa e menopausa, é importante que tenha familiaridade com as transformações que acontecem no corpo, nesse período, para não minimizá-los ou buscar compreendê-los apenas simbolicamente.
A perimenopausa é um período de transição entre a vida reprodutiva e a não reprodutiva da mulher, que pode durar de quatro a oito anos antes da menopausa – definida pela última menstruação – até um ano após esse marco, geralmente entre os 45 e 55 anos. Esse período envolve mudanças que vão muito além das alterações hormonais, abrangendo transformações físicas, fisiológicas e psíquicas que tornam esta fase bastante desafiadora para muitas mulheres (FEBRASGO, 2024, p. 102).
Vale sublinhar este dado: de quatro a oito anos antes da menopausa, a mulher já pode sentir uma série de sintomas com impacto significativo em sua vida cotidiana. Trata-se, portanto, de um período longo, repleto de transformações e sentires que afetam a maior parte das mulheres.
Os sintomas vasomotores – ondas de calor e suores noturnos – são os mais frequentes, afetando até 80% das mulheres, podendo persistir em média de três a dez anos (FEBRASGO, 2024, p. 69). A isso somam-se alterações do sono, mudanças metabólicas, síndrome geniturinária, impacto na sexualidade e – de especial relevância para a clínica – repercussões neurológicas e cognitivas.
O estrogênio atua como neuromodulador central, regulando a plasticidade sináptica, a memória e a saúde cognitiva. A progesterona participa da neuroproteção e da modulação do humor, além de contribuir para a qualidade do sono. Portanto, é natural que mudanças na produção desses hormônios gerem sintomas significativos (GUIMARÃES et al., 2025, p. 13-14). Mosconi (2024, p. 97) reforça que a menopausa desencadeia uma reorganização significativa do cérebro feminino, com impactos no metabolismo cerebral e em funções como memória, humor e concentração. Com o declínio hormonal, muitas mulheres relatam o fenômeno clinicamente denominado “névoa mental” (brain fog) que se trata de uma combinação de dificuldade de concentração, esquecimento e sensação de fadiga e confusão e que pode ser devastadora para a autoestima e para a relação com a própria identidade (GUIMARÃES et al., 2025).
Uma em cada três mulheres experimentará mudanças psicológicas significativas durante a transição menopausal, incluindo alterações de humor, ansiedade, labilidade emocional e maior propensão ao desenvolvimento de quadros depressivos (FEBRASGO, 2024, p. 39). Contudo, e este ponto é fundamental para o analista, reduzir o sofrimento psíquico desta fase exclusivamente à dimensão hormonal seria um equívoco: as transformações vividas pelas mulheres neste período são conjuntamente corporais, psíquicas e existenciais.
A mulher que chega relatando que “não se reconhece mais”, que “perdeu o fio da meada”, que “sente que está ficando louca”, que “tudo mudou” não está exagerando. Ela está descrevendo, com as palavras disponíveis, uma reorganização psíquica real que tem raízes biológicas. Acolher este sentir é fundamental, pois é um momento de grande angústia.
O SILÊNCIO QUE ADOECE: A DIMENSÃO SOCIOCULTURAL
Se as dimensões fisiológica e psíquica da perimenopausa e da menopausa já impõem desafios consideráveis, o aspecto sociocultural os potencializa significativamente. Lisa Mosconi, neurocientista referência na pesquisa do impacto da menopausa no cérebro feminino, descreve esse cenário com precisão:
Na nossa cultura obcecada pela juventude, a menopausa, quando não é totalmente ignorada, é temida ou menosprezada. Além de não ser reconhecida como um marco importante na vida de uma mulher, a menopausa sempre foi vista de forma extremamente negativa, com estigmas associados ao preconceito da idade, ao esgotamento da vitalidade e até ao fim da nossa identidade como mulheres (MOSCONI, 2024, p. 19).
Esse silenciamento tem causas profundas. Whitmont (1991, p. 140) afirma que a desvalorização do feminino é algo intrínseco ao desenvolvimento do ego patriarcal e uma misoginia reforçada por quatro milênios de convicções religiosas e culturais que tornaram esse padrão socialmente aceito. A mulher madura, que não mais serve ao ideal de fertilidade e juventude que o patriarcado valoriza, torna-se progressivamente invisível. Bolen (2005, p. 14) é direta: “Em um patriarcado orientado especialmente para a juventude, tornar-se uma mulher mais velha é se tornar invisível; uma entidade sem existência.”
Mankowitz (1986, p. 27), uma das poucas autoras junguianas a se debruçar sobre este tema, indagou:
Por que a menopausa, um acontecimento tão importante na vida da mulher, é tão negligenciada pela sociedade, pela história, pela mitologia e pela religião? Por que, por exemplo, não há ritos de passagem registrados em lugar algum para marcar a menopausa, se há para outros acontecimentos críticos como nascimento, puberdade, casamento, parto e morte?
Essa lacuna tem consequências práticas. Grande parte dos profissionais de saúde está despreparada para atender essas mulheres, facilitando a experiência de “peregrinação”, ou seja, diante de sintomas cuja origem desconhecem, buscam respostas em diferentes especialidades sem encontrar acolhimento adequado. Mosconi (2024, p. 21) atribui isso ao fato de que a “medicina ocidental é caracterizada por adotar modelos isolados, e não holísticos, avaliando o corpo humano quanto a seus componentes individuais”.
Dados brasileiros confirmam esse despreparo: cerca de 88% das mulheres brasileiras relatam sintomas significativos na transição menopausal, e apenas 22,3% delas receberam orientação médica adequada (POMPEI et al., 2022, apud GUIMARÃES et al., 2025). Isso significa que a imensa maioria dessas mulheres está sozinha diante de algo que não entende, que não recebe nome e que não pode ser elaborado.
Portanto, o contexto sociocultural tende a minimizar ou invisibilizar as vivências desta etapa. A falta de espaços seguros de fala, a incompreensão de parceiros e familiares e a ausência de narrativas culturais que acolham o que a mulher madura vivencia contribuem para que ela internalize a sensação de que o que sente é excessivo, inadequado ou simplesmente inexplicável.
A clínica junguiana pode ser o espaço onde o silenciamento dará lugar à fala, à escuta e à validação. É a mudança do silêncio para a busca de sentido que a Psicologia Analítica tem condições de oferecer.
A METANOIA DO MEIO DA VIDA: O SENTIDO DA CRISE
Jung comparou a vida humana à trajetória do Sol e, ao fazê-lo, destacou também a diferença da tarefa do profissional em cada momento do percurso:
Nossa vida compara-se à trajetória do sol. De manhã o sol vai adquirindo cada vez mais força até atingir o brilho e o calor do apogeu do meio-dia. Depois vem a enantiodromia. Seu avançar constante não significa mais aumento e sim diminuição da força. Sendo assim, nosso papel junto ao jovem difere do que exercemos junto a uma pessoa mais amadurecida. No que se refere ao primeiro, basta afastar todos os obstáculos que dificultam sua expansão e ascensão. Quanto à última, porém, temos que incentivar tudo quanto sustente sua descida (JUNG, 2014a, p. 86).
Essa imagem descreve uma mudança de direção de energia psíquica e de sentido. A primeira metade da vida organiza-se em torno de questões como a formação do ego, a separação psíquica dos pais, a construção de vínculos afetivos e o estabelecimento profissional – tarefas de expansão e ascensão. Já a segunda metade da vida exige movimento contrário: não mais apenas a adaptação ao meio, mas o confronto com a sombra e a aproximação do ego do self (HOLLIS, 1995, p. 55). Trata-se de uma exigência da própria psique, não de uma escolha consciente do ego.
É nesse contexto que Jung situa a menopausa com uma clareza que chama atenção para a sua época:
É enorme o engano de supor que o sentido da vida esteja esgotado depois da fase juvenil de expansão, que uma mulher esteja ‘liquidada’ ao entrar na menopausa. O entardecer da vida humana é tão cheio de significação quanto o período da manhã. Só diferem quanto ao sentido e intenção (JUNG, 2014a, p. 86).
Quando a energia que antes estava investida na adaptação externa já não encontra no exterior o mesmo sentido que antes encontrava, ela se volta para dentro. É a metanoia, o movimento de grandes questionamentos e transformação profunda que acompanha a passagem da primeira para a segunda metade da vida.
O que torna a perimenopausa e a menopausa particularmente intensas é que elas se sobrepõem a esse movimento. As transformações corporais e hormonais desta fase entrelaçam-se com a metanoia de um modo que pode ser muito desafiador quando vivido sem acolhimento, validação e escuta, mas profundamente transformador quando vivido com consciência.
Sendo assim, é importante que o analista compreenda que nesta fase se sobrepõem questões que mexem com a mulher em múltiplas dimensões simultaneamente. Ter essa consciência é necessário para não se fixar em apenas uma delas. É nessa sobreposição que os sintomas físicos e emocionais se revelam como mensageiros da alma.
OS SINTOMAS COMO LINGUAGEM DO CORPO E DA ALMA
Jung já apontava que “processos do corpo e processos mentais se desenrolam simultaneamente e de maneira totalmente misteriosa para nós” (JUNG, 2013a, p. 48). Portanto, os sintomas da perimenopausa não são apenas eventos fisiológicos, mas também expressões de uma psique em profunda reorganização. Diante disso, é importante acolher e validar o sofrimento real desses sintomas sem descartar uma avaliação e acompanhamento médico adequado, e ao mesmo tempo oferecer um tipo de escuta que a medicina, por sua natureza, não oferece.
Os sintomas físicos conduzem a pensamentos e sentires. Um corpo que envelhece e que já não corresponde ao ideal de juventude de uma sociedade patriarcal pode gerar insegurança nos vínculos afetivos. A confusão mental e a dificuldade de concentração podem trazer o medo da perda de emprego ou de capacidade. Um corpo que parece não ser mais o seu – que não responde como antes – pode instalar uma estranha sensação de não habitar a si mesma. A falta de libido pode despertar questionamentos sobre o amor pelo parceiro. A ausência de compreensão por parte desse parceiro pode colocar em questão a profundidade do próprio relacionamento. A irritabilidade, o choro fácil, a sensação de que as emoções estão “desreguladas” frequentemente vêm acompanhados de vergonha e confusão e é muito comum que a mulher se desculpe por tudo que sente e vive, como se seu sofrimento fosse fraqueza ou erro. São sintomas que a levam a questionar muitas camadas de si própria. No fundo, é um questionamento em relação à própria identidade; questiona-se quem foi, quem é e quem será.
Há, portanto, uma dimensão simbólica nesses sintomas que a escuta analítica está especialmente preparada para acolher.
A Psicologia Analítica pode contribuir ao trabalhar os lugares para os quais as transformações psíquicas e físicas levam essa mulher a olhar e confrontar – lugares que são, frequentemente, propulsores da individuação. O analista que compreende a dinâmica do meio da vida pode oferecer uma perspectiva diferente: aspectos da sombra, comprimidos pelo esforço de adaptação, pode emergir com força justamente agora, quando a energia se volta para dentro. Trabalhar essas questões que emergem com tanta força pode ser um caminho propulsor da individuação.
A TRAVESSIA: INDIVIDUAÇÃO NA SEGUNDA METADE DA VIDA
A questão central da segunda metade da vida é o processo de individuação, que Jung define como “tornar-se um ser único, na medida em que por ‘individualidade’ entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo” (JUNG, 2015, p. 63). Esse processo implica o confronto com a sombra, com tudo aquilo que ficou de fora da imagem idealizada do ego ao longo da vida, a relativização da persona e o ego aproximando-se do self.
Johnson e Ruhl descrevem que nesse momento há o encontro com a “vida não vivida”: “todos aqueles nossos aspectos essenciais que não foram integrados de maneira adequada à nossa experiência” e que, quando resgatados, trazem propósito e significado à existência (JOHNSON; RUHL, 2011, p. 13). Para as mulheres na perimenopausa e menopausa, esse resgate pode assumir múltiplas formas, tais como o retorno a interesses artísticos abandonados, a busca de formação antes impossível, o desenvolvimento de uma espiritualidade mais profunda, a expressão de aspectos da personalidade antes reprimidos para atender às expectativas sociais ou às demandas relacionais.
Jung resume esse movimento com uma imagem muito bonita: “Depois de haver esbanjado luz e calor sobre o mundo, o Sol recolhe os seus raios para iluminar-se a si mesmo” (JUNG, 2013b, p. 356).
A perimenopausa e a menopausa são, nessa perspectiva, o momento em que a luz se volta para dentro. A mulher que tanto doou energia ao externo pode, finalmente, perguntar: Quem sou eu além dos papéis que desempenhei? Que parte de mim ficou não vivida? O que a minha alma realmente deseja? É um momento facilitador da apropriação de si mesma.
Como descreve Stein (2007, p. 41), a crise da meia-idade é “uma guinada crítica para o processo de individuação”; trata-se de uma convocação psíquica para a construção de uma identidade mais alinhada com as intenções do self. Neste sentido, a perimenopausa e a menopausa constituem terreno especialmente fértil para essa convocação. As transformações físicas e hormonais potencializam a transformação psíquica; desafiadora, sim, mas com potencialidades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que este artigo se propôs, fundamentalmente, foi mostrar que uma mulher na perimenopausa e na menopausa está em travessia e, para muitas, uma travessia intensa de anos, ao longo da qual uma nova mulher vai se constituindo. Buscou-se demonstrar que haverá perdas reais, mas que este é também um momento propulsor da individuação; um momento no qual mudanças físicas, hormonais e psíquicas, sintomas e sentires podem ser trabalhados não como fim, mas como limiar para o novo.
Para tanto, o artigo articulou três dimensões que o analista precisa conhecer: a dimensão biopsíquica, que sustenta a legitimidade clínica dos sintomas e angústias; a dimensão sociocultural, que revela por que tantas dessas mulheres chegam ao consultório em silêncio, com vergonha e sem nome para o que vivem; e a dimensão psíquica aos olhos da Psicologia Analítica, que situa esta fase como convocação para a individuação.
O analista que acolhe e valida as angústias, que oferece espaço seguro para os lutos, que escuta os sonhos com atenção especial, que compreende que este é um processo longo a ser atravessado, que conhece as especificidades biopsicossociais desta fase e que, acima de tudo, reconhece a potencialidade que há neste momento, oferece à analisanda o que a cultura sistematicamente lhe nega. E isso, por si só, já é transformador.
Danielle Chaves Gomes de Oliveira – Analista em formação IJEP
Maria da Glória G. de Miranda – Analista Didata IJEP
REFERÊNCIAS:
BOLEN, J. S. As deusas e a mulher madura: arquétipos nas mulheres com mais de 50. São Paulo: TRION, 2005.
FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de orientação: climatério. São Paulo: FEBRASGO, 2024.
GUIMARÃES, A. P. G. Menopausa e seus desafios após o câncer ginecológico. São Paulo: FEBRASGO, 2025.
HOLLIS, J. A passagem do meio: da miséria ao significado na meia-idade. São Paulo: Paulus, 1995.
JOHNSON, R. A.; RUHL, J. M. Viver a vida não vivida. Petrópolis: Vozes, 2011.
JUNG, C. G. Vida Simbólica. v. 1. Petrópolis: Vozes, 2013a.
______ A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2013b.
______Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2014a.
______Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2014b.
______O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.
MANKOWITZ, A. Menopausa: tempo de renascimento. São Paulo: Paulinas, 1986.
MOSCONI, L. O cérebro da menopausa. Rio de Janeiro: Harper Collins Brasil, 2024.
STEIN, M. No meio da vida. São Paulo: Paulus, 2007.
WHITMONT, E. C. O retorno da deusa. São Paulo: Summus, 1991.

