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Aprender a ouvir — mas não com os ouvidos que filtram, classificam e arquivam. Ouvir com aquele órgão que não tem nome nos manuais, mas que os antigos chamavam de kardia, o coração-pensante. O terapeuta que ouve de verdade não está buscando o que encaixar no DSM-V ou CID; está buscando o que emerge entre as palavras, no intervalo, no suspiro que antecede a confissão, no silêncio que grita.
Este artigo aborda a importância de trabalharmos para reconhecer as influências de animus e anima em nossas vidas. Essas influências podem ter consequências desastrosas ou auspiciosas, dependendo da relação que construímos com essas figuras psíquicas. Jung encontrou na mitologia alquímica imagens que nos ajudam a olhar para a consciência. Esta, é formada por pares de opostos que na alquimia muitas vezes aparecem representados por imagens da união do rei vermelho e a rainha branca, onde o rei e a rainha podem representar qualquer um ou todos os pares de opostos, como por exemplo, eros e logos.
O que a cor vermelha revela sobre nossa vida psíquica? O que nos atravessa? Sou bem suspeita, porque amo essa cor. E você? Muito além das associações imediatas com paixão, sexualidade, raiva e dores, o vermelho carrega significados profundos que atravessam a história, a cultura e o universo simbólico humano.
A cultura contemporânea transformou a felicidade em uma exigência normativa e a tristeza em sinônimo de fracasso. No entanto, ao negarmos a dor e o sofrimento, reduzimos o sentido da existência humana e favorecemos o anestesiamento e o surgimento de formas sutis de adoecimento. A partir da psicologia junguiana, o sofrimento é compreendido como expressão simbólica necessária ao processo de individuação e transformação. No entanto, a lógica da positividade e da medicalização tende a silenciar o sintoma antes que ele revele seu sentido. Sustentar a dor, nesse contexto, torna-se um gesto de resistência e condição para uma experiência mais autêntica e profunda da vida.
Um ensaio que encontra com Miss Miller para além dos prognósticos simbólicos de Jung no seu livro Símbolos da Transformação. Com base na pesquisa do historiador Sonu Shamdasani, procuro compreender a voz dela com a perspectiva de uma mulher do meu tempo.
O presente artigo propõe uma leitura simbólica dos mitos de dilúvio, especialmente da narrativa de Noé, a partir da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, buscando compreender sua relação com a metanoia e o processo de envelhecimento no indivíduo contemporâneo. Partindo da recorrência das narrativas cataclísmicas em diferentes civilizações, o texto investiga o dilúvio como imagem arquetípica associada à dissolução de antigas estruturas psíquicas, à desorientação e às experiências limiares que marcam o meio da vida. A metanoia é compreendida como um processo de transformação em que formas anteriores de adaptação e identificação começam a desorganizar-se, possibilitando o surgimento de uma nova relação com o si-mesmo. Nesse contexto, o artigo busca refletir sobre como essas imagens míticas ainda expressam aspectos fundamentais da experiência humana e das transformações psiquicas no meio da vida.
Existe um momento da vida em que aquilo que sustentava nossa existência deixa de funcionar. O trabalho perde o sentido, as relações já não oferecem a mesma nutrição e surge uma sensação de vazio. Este ensaio, passa pelo desenvolvimento da consciência, discute a formação da persona como adaptação às exigências da vida adulta e o que acontece quando ela se torna ineficaz. A partir do olhar da Psicologia Analítica sobre energia psíquica, o texto propõe uma reflexão sobre o amadurecimento humano diante da tensão entre o desejo de regressar à proteção perdida e a necessidade inevitável de construir uma existência própria.
Este artigo propõe uma reflexão, sobre as chamadas “conversas difíceis”, compreendidas aqui como diálogos que mobilizam conteúdos inconscientes e ameaçam a imagem consciente que o sujeito sustenta de si mesmo. A partir dos conceitos de complexo, sombra e ampliação da consciência de Carl Gustav Jung, discute-se a dificuldade contemporânea de sustentar conflitos, diferenças e tensões relacionais. O texto aborda ainda o papel do outro como espelho psíquico e a importância da reflexão como possibilidade de elaboração simbólica dos afetos mobilizados nas relações humanas. Conclui-se que as conversas difíceis, embora frequentemente evitadas, podem constituir importantes oportunidades de transformação psíquica e desenvolvimento da consciência.
Neste ensaio convido o leitor a uma leitura simbólica da série “Ruptura” (Severance) dentro da perspectiva da psicologia de profundidade de Carl G. Jung, investigando, principalmente, o fenômeno da cisão psíquica como forma de expressão do monoteísmo da consciência. A partir disso, ampliaremos como esse fenômeno, quando patologicamente unilateral, promove no indivíduo o distanciamento do processo de individuação e a recusa da experiência de vida em sua totalidade.
O presente ensaio propõe uma analogia entre a alquimia sob a ótica da psicologia junguiana e a reciclagem para explicar a individuação. Através das fases Nigredo, Albedo e Rubedo, objetiva-se demonstrar como o “lixo” (a sombra psíquica) pode ser transmutado em “ouro” (consciência). Conclui-se que o crescimento pessoal exige enfrentar o que rejeitamos, transformando resíduos existenciais em propósito e renovação.
