Resumo: Um ensaio que encontra com Miss Miller para além dos prognósticos simbólicos de Jung no seu livro Símbolos da Transformação. Com base na pesquisa do historiador Sonu Shamdasani, procuro compreender a voz dela com a perspectiva de uma mulher do meu tempo.
Por que falar dela? E quem é Ela?
Pelas imagens que vêm à superfície da consciência, observamos nas pessoas a respiração de uma psique de muitos tempos dentro de um corpo e de uma experiência de vida. Há aquele ser que parece incorporar a vida necessária, a atravessada e permeável para expressar o choro e também as alegrias de tantas almas em movimento, ou, como escreve Jung: “A alma não é de hoje! Sua idade conta muitos milhões de anos.” (JUNG, 2013, p. 13). Ainda que escutamos, lemos, dançamos, sentimos e amamos paradoxalmente a humanidade de cada pessoa, como canta Gil: “mistério sempre há de pintar por aí.”
Ela é uma mulher e a pluralidade de imagens. Que pretensão é essa, a de uma analista, de buscar, nas referências artísticas ou científicas (aqui ambas as categorias se igualam) os reflexos de nossas angústias e incompreensões? E ainda a de arriscar anunciar possíveis verdades sobre esse outro?
Talvez o fogo prometeico tenha sido necessário a Jung ao encontrar o artigo de Miss Miller, sobre o qual tratará em seu livro iniciado em 1911 “Símbolos da Transformação: análise dos prelúdios de uma esquizofrenia”. Por outro lado, neste ensaio, procuro a voz de Miss Miller e a imagino como uma mulher diante da leitura intelectualizada e analítica de seu artigo, contribuindo para o aparecimento de uma psicologia mais relacional com o inconsciente por meio das próprias imagens, as imagens internas.
Antes de ouvir a voz de Miss Miller, deixo um trecho do seminário de Jung de 1925, no qual talvez pontue melhor sobre a imagem com a qual ele trabalhou em seu livro:
“Considerei as fantasias da Srta. Miller em si como uma forma autônoma de pensamento, mas não me dei conta de que ela simbolizava essa forma de pensamento em mim mesmo. Ela tomou conta de minha fantasia e tornou-se sua diretora de palco, se interpretarmos o livro subjetivamente. Em outras palavras, ela se tornou uma imagem da anima, portadora de uma função inferior da qual eu tinha muito pouca consciência. Em minha consciência eu era um pensador ativo acostumado a sujeitar meus pensamentos ao tipo mais rigoroso de direção e, por isso, o fantasiar era um processo mental que me causava repugnância direta. Como forma de pensamento eu considerava a fantasia totalmente impura, uma espécie de relação sexual incestuosa completamente imoral de um ponto de vista intelectual.(…)Em outras palavras, chocou-me pensar na possibilidade de uma vida da fantasia em minha própria mente; isso ia contra todos os ideais intelectuais que eu desenvolvera para mim e tão grande foi minha resistência a isto que só pude admitir o fato em mim através do processo de projetar meu material no material da Srta. Miller. Ou, para falar em termos ainda mais fortes, o pensamento passivo me parecia uma coisa tão fraca e pervertida que eu só conseguia tratar dele através de uma mulher doente.” (Jung, 2017, p. 118)
Conforme é ampliado em “Símbolos da Transformação”, a própria psique humana se desvela para Carl Jung dentro de um movimento de energia psíquica e simbólico, vivido pela experiência e análise do material. Em conjunto com o apoio das pesquisas sobre mitologia realizadas por seus companheiros da psicanálise do Burghölzli e por suas companheiras de pesquisa na época. Dessa forma, a psicologia analítica vai recebendo uma estrutura, trazendo a arte junto das narrativas mitológicas e dos sintomas.
É nesse período em que a personalidade número um de Jung fala com ela: as fantasias de Miss Miller, publicadas com uma elogiosa introdução de Théodor Flournoy [1], no caderno científico ao qual Jung teve acesso: o Archives de Psychologie. Miss Miller havia estudado com Flournoy na Universidade de Genebra que valorizou a sensibilidade, a inteligência crítica e a habilidade para introspecção psicológica, que segundo Flournoy, faltavam aos médiuns.
Deixo aqui também a introdução de James H. Hyslop para a publicação em inglês de 1907:
“O artigo a seguir foi publicado pela primeira vez nos “Archives de Psychologies”¹, editados pelo Prof. Th. Flournoy e pelo Dr. Ed. Claparède. Foi traduzido para este periódico por sua autora, a Srta. Frank Miller. A Srta. Frank Miller também foi o sujeito das experiências e, portanto, as narra em primeira mão. A Srta. Miller foi minha aluna no departamento de filosofia quando eu estava na Universidade de Columbia e agora trabalha em uma escola particular como professora e palestrante. Ela tem sido uma aluna inteligente dos fenômenos com os quais a sociedade se ocupa, e sua relação com todo o trabalho realizado sob minha orientação demonstrou a mesma apreciação intelectual dos problemas psicológicos.
O artigo é especialmente interessante e importante por ilustrar aquelas funções mentais que pelo menos simulam personalidades independentes da consciência normal e é publicado aqui como um exemplo daqueles fenômenos que muitos, pouco familiarizados com as complexidades da pesquisa psicológica, confundem com tais personalidades estranhas (…)”. (HYSLOP, 1907)
O livro elaborado por Jung é conhecido e relatado por dividir-se em duas partes: uma inicial sobre o movimento psíquico e uma segunda de ampliação e comparação mitológica sobre as imagens, propondo uma forma de olhar para a própria incompreensão de Miller sobre suas imagens. Embora reconheça no processo dela uma coincidência com a análise psicológica, Jung indica que ela para nas ideias que expõem o complexo indiretamente (JUNG, §66).
Já vimos que Jung revisitou esse material ao longo de sua vida, inclusive criando consciência sobre suas projeções a respeito de Miss Miller, mas ressalto que Jung não a conheceu pessoalmente e, assim como eu, nunca conheci Jung; ainda assim, me deleito em escrever sobre seus escritos, sobre as imagens que elaboro a partir de seus estudos e esculpo relacionando ciência e arte. Sabemos que cuidar dessas imagens nas supervisões clínicas e na escuta da experiência é uma relação que possibilita a autonomia psíquica das clientes/pacientes. Por outro lado, neste texto, proponho também olhar para a nossa relação fenomenológica com a própria teoria. Ampliando as miradas, as imagens e costurando as margens, e como canta Maria Bethânia, em bom brasileiro, ampliamos “para todas as Ayabás, para todas elas.”
Falando um pouco com elas, é no ano de 1911 em que Jung escreve a primeira parte do livro Símbolos da Transformação, quando Toni Wolff (analista junguiana) surge para auxiliá-lo, o mesmo ano do Congresso de Psicanálise de Weimar, onde estão também na conhecida foto Beatrice Hinkle, uma médica feminista e vinculada a artistas de Nova York, Emma Jung-Rauschenbach entre outras mulheres.
Apenas para citar três: Beatrice já se incomodava com o olhar patriarcal da psicanálise freudiana, Emma escreve cartas assertivas a Freud intermediando o processo que surgia de separação entre a psicanálise de Freud e a de Jung, enquanto Toni tornava-se uma figura participativa no processo de Jung, como nas pesquisas e ampliações de Símbolos da Transformação, ainda que existam controvérsias sobre o momento em que Jung passou a citá-la nas publicações do livro, fato é que ela esteve presente e foi crucial para que o fundador da psicologia analítica pudesse ter estrutura para realizá-la, assim como foi o cuidado e a consciência de Emma no cuidado com a família, como fica explícito em suas cartas. (Cf. CLAY)
Mas e Miller? Quem é essa pessoa, que não está na fotografia do Congresso de Weimar e não teve uma relação direta com Jung, um ‘homem de seu tempo’, como costumamos nos referir a ele?
Bem, eu, como uma “mulher do meu tempo” poderia também ter restringido meus estudos ao livro de Jung, sua análise e enorme contribuição à pesquisa da psique, ressaltar inclusive sua coragem e afastamento da psicologia mais lógica de Freud e ao amparo de uma psicologia teleológica e relacional, para além da causa e efeito. Porém, exatamente porque também me vejo como mulher do meu tempo, algo me forçava a falar com ela, a senhorita Frank Miller, a quem Jung vai recorrer para compreender e navegar em novas imagens e movimentos simbólicos através da comparação entre as imagens da humanidade e as narrativas mitológicas.
Em 1990, o historiador Sonu Shamdasani traçou caminhos costurados por uma pesquisa histórica, trazendo para a imaginação uma Miss Miller que, para mim, em 2026, faz mais sentido e é mais ampla do que a imagem que ficará conhecida como o prelúdio de uma esquizofrenia iniciado em 1912 (e revisado em 1925, 1938 e 1952 [2]).
Recentemente, Shamdasani relata, em um vídeo [3], seu próprio conflito nos anos 80 a respeito da relação entre arte e psicologia, o que me fez reimaginar Frank Miller também como um encontro entre ciência e arte, não apenas pela imagem projetada de Jung que vai possibilitar a psicologia analítica, mas também pela escuta da voz de Miss Miller, como pesquisadora e artista.
Shamdasani escreveu o artigo “A Woman Called Frank” [4], hoje com os recursos da internet, temos acesso a esse material, que certamente era mais restrito e talvez tenha ficado escondido. Mas o texto de Shamdasani, assim como este ensaio, fala com ela, a artista ausente daquela foto cheia de analistas, e, ao mesmo tempo, presente no contexto. Nessa pesquisa, Shamdasani traz uma Miss Miller que publicava tanto na revista científica quanto em alguns jornais da época.
No tempo de minha bisavó, não era incomum que mulheres livres, como Camille Claudel[5], ou mais recentemente como Leonora Carrington [6], fossem hospitalizadas com patologias mentais por largos tempos, ou mesmo curtos. No contexto brasileiro é memorável nomear também elas: Aurora Cursino dos Santos e Stella do Patrocínio, cada uma com sua alma em seu espaço de vida.
Se a imagem arquetípica é transitória, dentro de uma estrutura da essência do arquétipo, olhar para elas e para Miss Miller, hoje, permeia também a transitoriedade e observação daquilo que sustenta a clínica analítica.
Seja como essas imagens transitam nos espaços da formação como analista, em uma instituição, ou como também aparecem na singularidade da relação com cada paciente que encontramos: na clínica e no atelier. Por isso, reimaginar Miss Miller possibilita para a clínica reimaginar o encontro entre arte e psique, para além da simbologia e de suas imagens hipnagógicas, mas também para a pluralidade e a transição simbólica dessa “mulher doente” a quem Jung se referiu.
O artigo de Shamdasani fala com ela, Miss Miller, e pessoalmente tendo a legitimar o cansaço de uma mulher livre, mais do que patologizar. No registro incompleto[7] do Danvers State Hospital consta no campo de diagnóstico:
“(…) “personalidade psicopática com traços hipomaníacos”. O histórico da família dela é dado como “ruim”. Ela é descrita como sendo de “temperamento instável”, “erótica”, “vaidosa” e “inclinada a ser falante”. O prognóstico dado para a hipomania é “bom” e o dado para a personalidade psicopática “muito ruim”. (DANVERS HOSPITAL, 1909, apud SHAMDASANI, 1990).
Segundo esses arquivos, nas palavras da própria Miss Miller, ela se apresenta como quem:
“estava perfeitamente disposta a permanecer no hospital, desde que algum homem em quem pudesse confiar lhe dissesse que ela era insana e que necessitava estar ali, mas que fora enviada para lá sob a promessa de ser mandada para um sanatório particular para descansar, já que tudo que precisava era de descanso. Ela não era insana e pensava não ter sido tratada corretamente ao ser enviada a um hospital. A paciente disse estar nervosa e exausta e que precisava de repouso e de algum tipo de tratamento para um problema gástrico do qual já vinha sofrendo já há algum tempo. Não há alucinações ou delírios. Tanto a consciência quanto a percepção são claras.” (DANVERS HOSPITAL, 1909, apud SHAMDASANI, 1990).
Miller foi liberada depois de uma semana, e levada por uma tia para o sanatório particular.
No material analisado de Miller ela relata que as imagens que aparecem para ela não estavam no contexto do ocultismo, mencionando no artigo de que não acreditava que era isso o que lhe ocorria, mas que buscava a compreensão por meio da ciência.[8] Tratava-se do material poético de uma mulher, se a vemos como artista, mas que ela o observava como fantasia hipnagógica, isto é, não lhe atribuía caráter artístico, nem mediúnico, mas o disponibilizava para que as imagens do interior pudessem ser investigadas. Ao meu ver é um movimento parecido com o que Jung realizou em sua vida.
Jung, nesse momento, parecia estar em confronto com sua forma pessoal e os medos de sua cultura, enquanto que Miller parecia confrontar com o papel típico de gênero de sua época.
Miss Miller, como fica exposto nos artigos de jornais encontrados por Shamdasani, tinha a capacidade de levar o espectador de suas leituras e desfiles a um outro mundo: “deliciosas leituras sobre trajes”, “personalidade artística da conferencista e a qualidade peculiarmente simpática de seus modos e estilo tornaram a palestra extraordinariamente agradável”, “público enfeitiçado e não houve um momento sequer em que você não tenha sido muito interessante… E você estava muito charmosa no seu traje camponês grego.”.
Shamdasani encontrou o registro de nascimento dela no Alabama, em 1878, assim como sua passagem pelas Universidades de Berlim, Genebra e Lausanne, referentes a cursos de literatura e filosofia. Também encontrou o folheto de sua conferência:
“Depois de anos de viagens e estudos no exterior, depois de cuidadosas pesquisas em bibliotecas famosas e da ajuda de vários homens ilustres, depois do preparo em seis universidades e faculdades e da experiência de contribuir com vários periódicos em ambos os lados do Atlântico, Miss Frank Miller apresenta uma série de três conferências ilustradas sobre trajes da Rússia, Grécia e Escandinávia, fato que já é notícia em jornais de cinco diferentes idiomas e que já despertou interesse em muitos estados do norte dos EUA e do Canadá. A estreia de Miss Miller foi nada mais nada menos que em uma instituição como a Universidade de Columbia, local onde as apresentações iniciais foram feitas.”
Esse ensaio não pretende dar conta de uma pesquisa histórica, realizada de forma poética por Sonu Shamdasani, e que merece ser lida, nem ampliar as imagens do artigo publicado de Miss Miller, mas deixa aqui um convite para que falemos com ela, com outras miradas e também com o olhar contemporâneo que nos pertence.
Shamdasani nos adverte:
“apresentar a questão empírica coloca a leitura do texto dentro de um par binário de confirmação e desconfirmação e dramaticamente convida a um desenrolar de seu oposto. Ao invés de simplesmente colocar a vida dela dentro desses dois papéis, seria muito mais produtivo deixá-la subverter a dicotomia e explorar as dobras, vincos e pregas mais sutis entre ela e os textos dele, apresentando novos modelos de relação entre ambos. Se simplesmente a olharmos como alguém que realça ou ofusca a grandeza de Jung, nós não estaremos deixando que ela apareça em suas próprias vestimentas. Tirar de Jung esse fardo permite que estes aspectos remodelam nossa leitura do seu trabalho.” (SHAMDASANI, 1990)
Com a perspicácia poética do historiador, proponho a leitura do livro “Símbolos da Transformação” apresentada através de um encontro necessário para uma nova compreensão do movimento da psique, que, a meu ver, une arte e ciência, mesmo diante da dificuldade de um ego em aceitar a arte e em lidar com os complexos ainda projetados dentro de uma estrutura psicanalítica influenciada pela de Freud.
Assim, Miss Miller contribui na contemporaneidade para a imagem da humanidade plural, as imagens dela como mulher plural, deixam de ser apenas uma projeção da anima para o masculino, ou o receptáculo, e a potencializam como poeticamente investigadora e criativa.
Se a profundidade da alma, e o movimento se revelam como uma mulher doente para uma suposta função inferior em um Jung de 1911, talvez hoje possamos encontrar em Miss Miller também a voz poética e plural, que abraça as relações analíticas costurando arte e ciência nos consultórios e ateliês.
Virgínia Vilhena – Analista em Formação IJEP
José Luiz Balestrini Junior – Analista Didata IJEP
Referências:
CLAY, C. Laberintos: Emma, su matrimonio con Carl Jung y los primeros años de psicoanálisis. Madrid: Tres Puntos Ediciones, 2018.
FLOURNOY, T., HYSLOP, J. H., MILLER, F. Some Instances of Subconscious Creative
Imagination. Journal of the American Society for Psychical Research, 1907 https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=njp.32101063849192&seq=295
JUNG, C. G. Símbolos da Transformação. 9 ed. Petrópolis: Vozes, 2013.
JUNG, C. G. Seminários Sobre Psicologia Analítica (1925). Petrópolis: Vozes, 2017. E-book.
MASSIÈRE, Fábio Medeiros. A construção da psicologia analítica a partir do livro Símbolos da transformação: o processo de escrever e reescrever uma psicologia. Dissertação. Universidade Federal de São João Del-Rei, 2016.
SHAMDASANI, S. A woman called Frank. Journal of Archetype and Culture. Spring Publications, 1990
[1] Jung dedica um capítulo de MSR a Théodor Flournoy no qual menciona seu encanto pelo livro “From India to Planet Mars”, e a “imaginação criadora” (p. 324-325). O livro gerou polêmica no meio espiritualista e Flournoy provavelmente publicou o artigo de Miss Miller para contrapor o impacto do seu livro.
[2] Compartilho aqui com Fabio Medeiros de Massiere que propõe que Miss Miller representa, em cada edição, uma função diferente na obra de Jung
[3] @imparpsicologiaarquetipica (2026, maio 18). No Sarau do Centenário. Instagram. https://www.instagram.com/reels/DXHw_8Ox76P/
[4] Utilizei como referência a bela tradução de Letícia Capriotti e revisada por Gustavo Barcellos “Uma Mulher Chamada Frank” disponível em: https://www.ijusc.com.br/sonu-shamdasani-1990-uma-mulher-chamada-frank-traducao-leticia-capriotti-revisao-gustavo-barcellos/ acessado em 18 mai. 2026 acessada 18 de mai. 2026
[5] Camille Claudel (1864–1943) foi uma artista e escultora francesa internada à força pela família em 1913, permanecendo em um hospital psiquiátrico até sua morte. Leonora Carrington (1917–2011), pintora, escritora e escultora, relatou sua internação psiquiátrica em Santander no livro Down Below. Stella do Patrocínio (1941–1992) foi artista e poeta, internada em 1966 na Colônia Juliano Moreira, onde viveu até sua morte, tendo sua obra reconhecida postumamente. Aurora Cursino dos Santos (1896–1959) foi internada em 1944 no Complexo Psiquiátrico do Juqueri, onde permaneceu e produziu suas pinturas, permaneceu até morrer.
[8] Shamdasani também menciona a importância de Flournoy para a concepção do pensamento de Jung sobre os automatismos teleológicos (que vão aparecer nos estudos sobre Miss Miller), para a autonomia e a teleologia da psique; a natureza criativa e compensatória do inconsciente; e também para a sincronicidade.

