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	<title>Arquivos energia psíquica - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos energia psíquica - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>O Olhar que Cria e o Olhar que Destrói: Os Efeitos Pigmaleão e Golem na Clínica e na Vida</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-olhar-que-cria-e-o-olhar-que-destroi-os-efeitos-pigmaleao-e-golem-na-clinica-e-na-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Monica Martinez]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 10:42:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O olhar que recebemos pode expandir a vida psíquica — ou restringi-la. Neste artigo, exploramos como as expectativas do outro moldam profundamente a experiência humana, articulando dois conceitos da psicologia social: o Efeito Pigmaleão, que eleva, e o Efeito Golem, que rebaixa. A partir de mitos, pesquisas clássicas e da clínica junguiana, refletimos sobre o poder criativo ou destrutivo do olhar que incide sobre o sujeito. No setting analítico, essa dinâmica se manifesta na forma como o terapeuta sustenta — ou limita — a emergência do Self. Enquanto o olhar pigmaleônico favorece o florescimento da potência psíquica, o olhar golem pode cristalizar defesas, sintomas e identificações empobrecidas. O texto convida, assim, a uma pergunta ética e clínica fundamental: que imagem ajudamos a esculpir no outro — e em nós mesmos? Afinal, o olhar que reconhece o “suficientemente bom” não apenas vê: ele cria condições para que a vida se torne mais inteira.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/o-olhar-que-cria-e-o-olhar-que-destroi-os-efeitos-pigmaleao-e-golem-na-clinica-e-na-vida/">O Olhar que Cria e o Olhar que Destrói: Os Efeitos Pigmaleão e Golem na Clínica e na Vida</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O olhar que recebemos pode expandir a vida psíquica — ou restringi-la. Neste artigo, exploramos como as expectativas do outro moldam profundamente a experiência humana, articulando dois conceitos da psicologia social: <strong>o Efeito Pigmaleão, que eleva, e o Efeito Golem, que rebaixa</strong>. A partir de mitos, pesquisas clássicas e da clínica junguiana, refletimos sobre o poder criativo ou destrutivo do olhar que incide sobre o sujeito. No setting analítico, essa dinâmica se manifesta na forma como o terapeuta sustenta — ou limita — a emergência do Self. Enquanto o olhar pigmaleônico favorece o florescimento da potência psíquica, o olhar golem pode cristalizar defesas, sintomas e identificações empobrecidas. O texto convida, assim, a uma pergunta ética e clínica fundamental: <strong>que imagem ajudamos a esculpir no outro</strong> — e em nós mesmos? Afinal, o olhar que reconhece o “suficientemente bom” não apenas vê: ele cria condições para que a vida se torne mais inteira.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na jornada da individuação, o campo analítico presta atenção à psicodinâmica junguiana (2012), buscando tornar conscientes complexos internos — como o parental — e sombras, com suas riquezas e pobrezas. Ainda assim, grande parte das demandas que emergem no setting terapêutico diz respeito à experiência de não ter sido verdadeiramente visto, ouvido ou acolhido, revelando que o sofrimento humano também nasce da qualidade do olhar que recebemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Partindo dessa constatação, propomos aprofundar uma reflexão essencial: somos moldados não apenas pela arquitetura interna da psique, mas também pelas expectativas que o outro projeta sobre nós — e que, inevitavelmente, passamos a projetar sobre nós mesmos. Nesse sentido, dois conceitos da psicologia social ilustram com precisão esse movimento criativo ou destrutivo: o Efeito Pigmaleão e o Efeito Golem.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-forca-de-pigmaleao-a-profecia-que-eleva" style="font-size:22px"><strong>A Força de Pigmaleão: A Profecia que Eleva</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O Efeito Pigmaleão, também chamado de Profecia Autorrealizável, descreve como expectativas positivas podem elevar o desempenho de alguém. Quando se acredita no potencial de uma pessoa, o comportamento naturalmente se ajusta para facilitar que esse potencial floresça.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O mito de <em>Pigmaleão </em>narra o amor do escultor por sua criação, Galateia, a quem Afrodite concede vida. Essa metáfora, transposta para a ciência por <strong>Rosenthal</strong> e <strong>Jacobson</strong> (1968), inspirou um experimento marcante: alunos de uma escola primária na Califórnia fizeram um teste de QI no início do ano. Os pesquisadores informaram aos professores que 20% das crianças haviam obtido resultados excepcionalmente altos e que, portanto, deveriam demonstrar grande avanço acadêmico. Apenas os docentes receberam essa informação; os alunos não.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">No término do ano letivo, todas as crianças refizeram o teste — e aqueles 20% apresentaram progresso significativamente maior. Contudo, esse grupo havia sido escolhido aleatoriamente: não eram mais capazes; foram apenas percebidos como tal. Os pesquisadores concluíram que, ao acreditarem que certas crianças teriam desempenho superior, os professores passaram a tratá-las de forma mais encorajadora, receptiva e estimulante, criando um clima de confiança e entusiasmo que colaborou diretamente para seu desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na clínica junguiana, essa dinâmica ecoa a postura do analista ao enxergar o “Ouro na Sombra”. Ao sustentar a crença na capacidade autorreguladora da psique, o terapeuta funciona como um Pigmaleão que empresta estrutura para que o Self possa emergir com maior vitalidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-efeito-golem-o-barro-da-desvalorizacao" style="font-size:22px"><strong>O Efeito Golem: O Barro da Desvalorização</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Se Pigmaleão é a profecia que eleva, o Efeito Golem é o seu &#8220;gêmeo sombrio&#8221;, representando a profecia que rebaixa. Expectativas negativas podem ser tão influentes quanto as positivas — porém, produzindo queda real em sua autoestima e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O termo remete à lenda judaica do Golem de Praga: um ser de barro trazido à vida por um rabino para proteger a comunidade. Embora tenha sido criado para o bem, o Golem é uma criatura sem alma, bruta e puramente obediente, que acaba se tornando destrutiva e incontrolável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-referencia-lembra-nos-de-que-expectativas-empobrecidas-criam-versoes-igualmente-empobrecidas-do-outro" style="font-size:19px">A referência lembra-nos de que expectativas empobrecidas criam versões igualmente empobrecidas do outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Quando alguém é observado com desconfiança ou baixa expectativa, tende a incorporar essa imagem como verdade. Em consequência, cristaliza defesas e contrai sua capacidade criativa</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O estudo <em>Pygmalion, Galatea, and the Golem</em> (Babad, Inbar e Rosenthal, 1982) mostrou que professores mais suscetíveis ao viés tratavam como menos capazes os alunos considerados de baixo potencial, ao passo que favoreciam aqueles vistos como promissores — mesmo quando essa distinção era inventada. Os efeitos Golem foram especialmente evidentes entre docentes mais dogmáticos, enquanto professores imparciais mantiveram tratamento equilibrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na clínica, <strong>o Golem aparece de formas sutis:</strong> o terapeuta oferece menos tempo para respostas, reage mais aos erros do que aos acertos, reduz desafios por acreditar que o analisando “não dará conta” ou fixa-se excessivamente nos sintomas, ignorando a saúde latente. Se o analista enxerga apenas patologia, por exemplo, o paciente tende a identificar-se com a doença. Quando o analisando percebe — mesmo inconscientemente — que está sendo visto como incapaz, pode passar a agir segundo essa imagem, confirmando o preconceito inicial. Por outro lado, quando o terapeuta sustenta a visão da potência vital, ajuda o indivíduo a acessar recursos internos que talvez estejam adormecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Simbolicamente, o Efeito Golem pode manifestar-se também como o Crítico Interno implacável, que converte o “vinho da vida” em algo sem valor, impedindo o indivíduo de habitar plenamente sua existência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-responsabilidade-do-olhar" style="font-size:22px"><strong>A Responsabilidade do Olhar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse mecanismo pode ser resumido em quatro etapas: o que acreditamos sobre alguém determina como agimos em relação a essa pessoa; nossas ações influenciam diretamente seu comportamento; a resposta do outro retroalimenta nossas crenças iniciais; e assim criamos um ciclo que pode expandir ou limitar a vida psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-o-analista-junguiano-reconhecer-essa-dinamica-amplia-a-consciencia-da-cotransferencia-e-das-manifestacoes-contratransferenciais" style="font-size:19px">Para o analista junguiano, reconhecer essa dinâmica amplia a consciência da cotransferência e das manifestações contratransferenciais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É crucial perguntar: estamos atuando como Pigmaleão, invocando vida, ou como Golem, endurecendo a psique do outro com nossas projeções? A noção winnicottiana de “suficientemente bom” torna-se essencial, pois quando o terapeuta sustenta essa medida justa, permite que a realidade psíquica se reorganize rumo à totalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O maior perigo, portanto, não é o fracasso, mas a desvalorização do “suficientemente bom”. O Efeito Golem também pode ser dirigido a si mesmo — o Autogolem — quando o próprio terapeuta minimiza seus avanços por compará-los a um ideal inalcançável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Devemos nos perguntar continuamente: que “estátua” estamos ajudando nossos analisandos a esculpir? Estamos oferecendo o olhar de Pigmaleão (potência) ou de Golem (insuficiência)? Nosso olhar abre caminhos ou restringe possibilidades? Como terapeutas, também somos humanos e carregamos limites que precisam ser elaborados em análise e supervisão. Reconhecer esses limites permite, inclusive, encaminhar analisandos quando necessário, garantindo que recebam o olhar mais apropriado à sua jornada.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/monicamartinez/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/monicamartinez/">Monica Martinez &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:17px"><strong>Referências</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Babad, E. Y., Inbar, J., &amp; Rosenthal, R. Pygmalion, Galatea, and the Golem: Investigations of biased and unbiased teachers.&nbsp;<strong>Journal of Educational Psychology</strong><em>, 74</em>(4), 459–474, 1982.&nbsp;Disponível em: <a href="https://psycnet.apa.org/doi/10.1037/0022-0663.74.4.459" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://doi.org/10.1037/0022-0663.74.4.459</a>. Acesso em: 12 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <strong>A natureza da psique (OC 8/2)</strong>. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rosenthal, R., Jacobson, L. Pygmalion in the classroom.&nbsp;<strong>Urban Rev</strong>&nbsp;3, 16–20, 1968. Disponível em: <a href="https://doi.org/10.1007/BF02322211">https://doi.org/10.1007/BF02322211</a>. Acesso em: 12 fev. 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Algo do feminino se tornou inconsciente na mulher contemporânea?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/algo-do-feminino-se-tornou-inconsciente-na-mulher-contemporanea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciana Gimenes Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 20:03:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[anima/animus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muita coisa mudou nos últimos 100 anos nas vidas das mulheres ocidentais, especialmente aquelas que vivem nas grandes cidades. Algo do aspecto masculino (Animus) tornou-se bastante consciente e ativo, usando muito da energia psíquica das mulheres. Será que, de forma compensatória, teria algo do feminino nas mulheres foi tornado inconsciente, criando uma “nova” Anima? </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Resumo: </strong>Muita coisa mudou nos últimos 100 anos nas vidas das mulheres ocidentais, especialmente aquelas que vivem nas grandes cidades. Algo do aspecto masculino (Animus) tornou-se bastante consciente e ativo, usando muito da energia psíquica das mulheres. Será que, de forma compensatória, teria algo do feminino nas mulheres foi tornado inconsciente, criando uma “nova” Anima? </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ultimo-seculo-e-marcado-por-mudancas-profundas-nas-vidas-das-mulheres-que-nasceram-e-vivem-no-ocidente-especialmente-nas-grandes-cidades" style="font-size:18px">O último século é marcado por mudanças profundas nas vidas das mulheres que nasceram e vivem no Ocidente, especialmente, nas grandes cidades.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Não tenho como me propor a refletir sobre as mulheres que nasceram e vivem no Oriente, por isso estabeleço o recorte a partir de minha própria experiência na vida e, mais recentemente, no que tenho experimentando no consultório, como analista em formação pelo IJEP.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A mulher conquistou direitos civis e políticos. O direito ao voto em Appenzell Innerrhoden, último cantão da Suíça de Jung, por exemplo, tornou-se realidade por decisão judicial em 1990 – e não por voto popular. O sufrágio universal feminino em Portugal ocorreu em 1976, após a Revolução dos Cravos. Nos Estados Unidos em 1920, na França em 1944 e no Brasil, em 1946, para citar alguns exemplos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Neste último século, as mulheres passaram a ter acesso massivo ao ensino superior, entraram no mercado de trabalho formal, especialmente após as guerras, e assim&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; passaram a conquistar independência econômica. Segundo o Censo do IBGE de 2022, 49,1% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">As ideias do casamento e da maternidade como principais destinos da vida de uma mulher vêm sendo esvaziadas, não sem dúvida e sofrimento. Desde 1977, o Brasil conta com a Lei do Divórcio, que pode ser solicitado por qualquer um dos cônjuges, até de forma unilateral, mesmo que litigiosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Muitas mudanças também vêm acontecendo no território do corpo da mulher. Com acesso à contracepção (a pílula anticoncepcional é invenção dos anos 60), a sexualidade feminina ganhou dimensão para além da maternidade. O prazer feminino e o aborto tornaram-se assuntos frequentes na grande imprensa. A moda tornou possível &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;corpos expostos, silhuetas marcadas, peitos e bundas à mostra.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nao-a-toa-esta-condicao-feminina-contemporanea-ganhou-novas-expressoes-e-coros-tambem-na-cultura-pop-de-formas-inimaginaveis-na-suica-de-jung" style="font-size:18px">Não à toa, esta condição feminina contemporânea ganhou novas expressões e coros também na cultura pop, de formas inimagináveis na Suíça de Jung.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Coro &#8211;</strong> Após cansar-se do sofrimento gerado pelo pouco cuidado que o namorado lhe dava, incrementado por traições, a musicista americana Miley Cyrus canalizou um hino da independência afetiva feminina que alcançou bilhões de streamings nos últimos dois anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Com <em><strong>Flowers</strong></em>, Cyrus ganhou seu primeiro Grammy, o prêmio máximo da música, aos 31 anos e protagonizou cena inesquecível na cultura pop na noite em que recebeu a honraria.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-do-ponto-de-vista-junguiano-o-refrao-da-musica-pode-ser-visto-simbolicamente-como-uma-conversa-olho-no-olho-com-um-aspecto-do-animus" style="font-size:18px">Do ponto de vista junguiano, o refrão da música pode ser visto, simbolicamente, como uma conversa olho no olho com um aspecto do Animus.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“I can buy myself flowers</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(Eu posso comprar flores para mim mesma)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Write my name in the sand</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(Escrever meu nome na areia)</em><em><br>Talk to myself for hours</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(Conversar comigo mesma por horas)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Say things you don&#8217;t understand</em><em><br>(Dizer coisas que você não entende)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>I can take myself dancing</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(Eu posso me levar para dançar)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>And I can hold my own hand</em><em><br>(E eu posso segurar minha própria mão)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Yeah, I can love me better than you can”</em><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>(Sim, eu posso me amar melhor do que você pode)</em><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Anima e Animus &#8211;</strong> Jung pensou a dimensão das forças inconscientes feminina e masculina a partir dos conceitos de Anima e Animus. A analista junguiana e esposa do autor Emma Jung, em seu <em>Animus e Anima</em>, buscou trazer uma explicação objetiva para o tema, a partir do olhar de uma mulher.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“São características femininas no homem e masculinas na mulher que normalmente estão sempre presentes em determinada medida, mas que são incômodas para a adaptação externa ou para o ideal existente, não encontrando espaço algum no ser voltado para o exterior” </em><em>(Página 16)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Se para Jung, uma pessoa identificada conscientemente como mulher mantém no inconsciente a dimensão do masculino (Animus), a mulher contemporânea ocidental, que experimenta aspectos do masculino na vida prática, ou seja, na consciência, tem colocado a teoria à prova ou, ao menos, demandado novas leituras atualizadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-emma-jung-cuja-escrita-pode-por-vezes-assustar-a-mulher-contemporanea-devido-ao-tom-conservador-segue" style="font-size:18px"><strong>Emma Jung, cuja escrita pode, por vezes, assustar a mulher contemporânea devido ao tom conservador, segue:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“O problema da mulher atual me parece estar muito mais na postura em relação ao logos do animus, em relação ao espiritual-masculino no sentido estrito”.</em></p>
</blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“&#8230;uma determinada quantidade de espírito masculino amadureceu na consciência das mulheres e deve encontrar em suas personalidades seu lugar e sua atuação. Conhecer essas grandezas, ordená-las para que possam agir de maneira adequada é uma parte importante do problema do animus” (Página 20)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Tais fatos trazem para a conversa aspecto fundamental da psicologia analítica. Se o inconsciente coletivo também é fruto da história de todos os tempos, as vivências contemporâneas o influenciam e, assim, se tornam parte do inconsciente e buscam se manifestar. Com aquele sorriso amedrontado, ouso dizer que não à toa a psicologia também é chamada de complexa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“A verdade eterna precisa da linguagem humana que se modifica de acordo com o espírito do tempo. As imagens primordiais são susceptíveis de transformações infinitas, mas nem por isso deixam de ser sempre as mesmas. No entanto só serão compreendidas de novo se renovarem a forma de se apresentarem. Elas requerem constantemente novas interpretações, se não quisermos que, devido a uma conceituação obsoleta, elas percam seu poder de atração”. (O/C </em><em>16/ 2 parágrafo 396) </em><em></em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong>Dúvida &#8211;</strong> Na minha vida e no consultório enxergo mulheres navegando de forma natural nas dimensões do aspecto masculino arquetípico. Pessoas com força de realização, com segurança na tomada de decisões, altamente hábeis na capacidade analítica. Mulheres que desejam, planejam e realizam sonhos, famílias, viagens, propriedades. Que criam e desenvolvem vínculos afetivos com amigos, familiares e amores.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-ainda-assim-algo-falta-nessas-mulheres-algo-tem-nos-faltado" style="font-size:20px"><strong>Mas ainda assim, algo falta nessas mulheres. Algo tem nos faltado.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“&#8230;pode-se muito bem supor que, em grande parte, as formas mais primitivas da masculinidade já foram assimiladas pela mulher. Falando-se de maneira geral, elas há muito encontraram sua utilização na vida feminina, pois já faz tempo que</em><em> existem mulheres cuja força de vontade, objetividade, atividade e capacidade de atuação serviram como forças úteis em suas vidas, vividas por outro lado de forma completamente feminina.” (Página 20)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Será que, após termos integrado o aspecto masculino (Animus) na dimensão consciente da vida, algo do feminino arquetípico tornou-se inconsciente de forma compensatória, fazendo de nós mulheres contemporâneas seres que precisam agora dialogar com aspectos de uma nova Anima (um feminino arquetípico)?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-simbolicamente-os-sintomas-podem-estar-nos-dizendo-que-sim" style="font-size:21px"><strong>Simbolicamente, os sintomas podem estar nos dizendo que sim.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Se Jung afirma que “O inconsciente é a Natureza e a Natureza nunca mente”, a liberdade conquistada pelo uso de hormônios contraceptivos ou que mascaram os sintomas da menopausa, por exemplo, pode resultar, em sua dimensão oposta complementar, na prisão de um corpo que silencia os ciclos da Natureza que, consequentemente, vai dar um jeito de se fazer ouvir, como é hábito do inconsciente por esta perspectiva.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Mãe de cinco e que interrompeu a vida sexual com o marido por um período, evitando novas gestações, Emma Jung afirma que “&#8230;com a possibilidade de controle de natalidade, uma significativa quantidade de libido fica livre. Duvido que até mesmo a própria mulher possa avaliar de maneira correta quão grande é essa quantidade, que até então era utilizada para a constante preparação interior e estava consolidada” (Página 22).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-novo-e-sempre" style="font-size:18px"><strong>De novo e sempre</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Na introdução do clássico pós-junguiano <em>Mulheres que correm com os lobos</em>, que já vendeu mais de 2,7 milhões de cópias globalmente, a analista Clarisse Pinkola Estés diz que as terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas. “Com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica um crescimento significativo no número de casos de câncer de mama no mundo até 2050. Dez por cento das mulheres em idade reprodutiva no planeta sofrem de endometriose, uma doença que inverte a tendência de parte do fluxo menstrual e faz com que a menstruação ocorra —&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; simbolicamente —&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;na cavidade abdominal da mulher, causando terríveis dores e até infertilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez por procurarem mais ajuda, talvez por estarem mais adoecidas, as mulheres têm cerca de duas vezes mais diagnósticos de depressão do que os homens. <strong>Emma</strong> afirma: “<em>para ela, tornar-se consciente significa a perda de um poder especificamente feminino</em>”. (Página 44)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-prefacio-de-seu-best-seller-estes-lanca-a-seta-sem-temer" style="font-size:18px"><strong>No prefácio de seu <em>best seller</em>, Estés lança a seta sem temer:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.”</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-arquetipo-como-instinto-uma-parte-do-feminino-foi-tornado-inconsciente-pela-influencia-do-espirito-do-tempo-em-nossos-corpos-no-ultimo-seculo-no-ocidente-o-masculino-vivido-como-patriarcado-que-busca-dominar-tudo-ate-mesmo-a-forma-de-ser-mulher-contemporanea" style="font-size:18px">O arquétipo como instinto. Uma parte do feminino foi tornado inconsciente pela influência do espírito do tempo em nossos corpos no último século, no Ocidente. O masculino vivido como patriarcado que busca dominar tudo, até mesmo a forma de ser mulher contemporânea.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Talvez seja a hora de, novamente, buscarmos o novo de novo. Um novo equilíbrio entre o feminino e o masculino que nos habitam, algo que poderia ser facilitado pelo desenvolvimento e a transformação psíquica mais acelerada dos homens com os quais, inevitavelmente, convivemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px">Porque apesar de todas as conquistas comportamentais, ainda sinto e vejo no consultório e também nas conversas com as amigas que algo de uma alma arquetípica permanece. Talvez parte das mulheres ainda queira conciliar o “sexo frágil” ao que “não foge à luta” e ainda ousar buscar suas formas únicas de ser mulher por inteiro, afinal, como canta <strong>Rita Lee:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>“Toda mulher quer ser amada</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Toda mulher quer ser feliz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Toda mulher se faz de coitada</em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><em>Toda mulher é meio Leila Diniz”</em><em></em></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/luciana-branco/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/luciana-branco/">Luciana Branco &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi Filho &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">CYRUS, Miley. <em>Flowers.</em> <em>Los Angeles, Columbia Records e Smiley Miley Inc</em>, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Emma. <em>Animus e Anima</em>. 2ª edição. São Paulo: Cultrix, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G.Ab-reação, análise dos sonhos e transferência O/C 16//2. 9ª edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2012. </p>



<p class="wp-block-paragraph">ESTÉS, Clarissa Pinkola. <em>Mulheres que correm com os lobos</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Depressão e Redes Sociais: Impactos, relações e desafios</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/depressao-e-redes-sociais-impactos-relacoes-e-desafios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pollyana de Padua]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Feb 2026 13:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Depressão]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: As redes sociais ocupam um papel central na vida atual, moldando comportamentos, relações e a percepção de si. Embora favoreçam conexões e acesso a informação, também podem intensificar conflitos internos e contribuir para quadros depressivos. A partir dos conceitos junguianos como persona, sombra, complexos e energia psíquica, o texto discute como o uso das redes potencializa comparações, favorecendo a unilateralização da atitude consciente e influenciando simbolicamente na construção de uma nova identidade contemporânea. O artigo destaca que as redes sociais distorcem profundamente a construção da personalidade, ampliando a distância entre ego e conteúdos inconscientes. Por fim, o artigo é um convite ao processo de autoconhecimento como via criativa para o resgate do indivíduo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-redes-sociais-tornaram-se-parte-central-da-vida-contemporanea-influenciando-comportamentos-formas-de-interacoes-e-percepcoes-de-si-mesmo" style="font-size:19px">As redes sociais tornaram-se parte central da vida contemporânea, influenciando comportamentos, formas de interações e percepções de si mesmo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Embasado nessa perspectiva, apesar de benéfica para conexões, informações e aproximações humanas, o risco é significativo para o desenvolvimento ou o agravamento de quadros depressivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir de conceitos como <strong>persona, sombra, complexo, energia psíquica </strong>e<strong> processo de individuação</strong>, podemos discutir como o uso das redes pode intensificar conflitos psíquicos, favorecer comparações e ativar complexos negativos. O artigo também analisa a função simbólica das redes sociais e sua influência na formação de uma nova identidade contemporânea.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-as-redes-sociais-tem-o-poder-de-transformar-radicalmente-o-modo-como-o-sujeito-constroi-e-apresenta-sua-identidade" style="font-size:19px">As redes sociais têm o poder de transformar radicalmente o modo como o sujeito constrói e apresenta sua identidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse ambiente intensifica tensões entre persona, determinada aqui como máscara social, e sombra, enquanto aspectos não admitidos de si. Em muitos casos, tais tensões podem favorecer dinâmicas internas que alimentam quadros depressivos, especialmente quando a energia psíquica se fixa em comparações, expectativas idealizadas e buscas compulsivas por validação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A <strong>depressão </strong>constitui uma categoria importante de transtorno psiquiátrico caracterizada como&nbsp; um transtorno do humor. Entretanto, ampliando na perspectiva junguiana, é compreendida como um fenômeno psíquico que pode emergir de influxos da energia psíquica e da dissociação entre consciência e inconsciente. Neste sentido, quando um indivíduo transita pelas redes sociais, encontra um espaço fértil para conflitos internos, intensificando o estado depressivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O conceito de <strong>persona</strong>, ou máscara social, bem elaborada por Jung, necessária para adaptação do ego, encontra-se nas redes sociais hiperestimulada: filtros, narrativas idealizadas e a autopromoção criam uma imagem que muitas vezes pouco corresponde à personalidade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real; ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que “alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo”. (JUNG, 2015, p.47, §246)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando o indivíduo se identifica excessivamente com essa <strong>persona digital</strong>, inicia-se uma série de riscos à própria pessoa: perda das emoções autênticas, fortalecimento da comparação com personagens idealizados, imersão em um mundo fantasioso &#8211; criando um abismo entre o self e o ego -. Tais elementos, promovem a unilateralização do ego, gerando uma discrepância dolorosa entre quem se mostra e quem verdadeiramente se é, esbarrando num campo minado e fértil para os estados depressivos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outro-fenomeno-observavel-no-ambiente-das-redes-sociais-e-o-que-conhecemos-como-sombra" style="font-size:19px">Outro fenômeno observável no ambiente das redes sociais é o que conhecemos como sombra.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Como conteúdos rejeitados pela consciência, a sombra nas redes sociais surge por meio de projeções, manifestando sentimentos como inveja, inferioridade, arrogância, ataques de fúria, ativando complexos ligados ao fracasso, abandono, culpa e perfeccionismo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>A parte inferior da personalidade. Soma de todos os elementos psíquicos pessoais e coletivos que, incompatíveis com a forma de vida conscientemente escolhida, não foram vividos e se unem ao inconsciente, formando uma personalidade parcial, relativamente autônoma, com tendências opostas às do consciente. A sombra se comporta de maneira compensatória em relação à consciência. Sua ação pode ser tanto positiva como negativa. (JUNG, 1986, p. 495)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sendo-assim-a-sombra-enquanto-caracteristicas-excluidas-do-processo-adaptativo-habita-o-que-denominamos-na-psicologia-junguiana-de-inconsciente-pessoal" style="font-size:19px">Sendo assim, a <strong>sombra</strong>, enquanto características excluídas do processo adaptativo habita o que denominamos na psicologia junguiana de inconsciente pessoal.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesta camada do inconsciente há outro fenômeno importante para nossa discussão, denominado complexo. Os complexos são formados por núcleos autônomos, inconscientes ou semi-inconscientes, nunca conscientes &#8211; o que perderiam a característica de complexos -, influenciando comportamentos e emoções.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Como é que surge então um complexo autônomo? Por alguma razão uma região até agora inconsciente da psique é ativada; pela reanimação ela se desenvolve e se amplia mediante inclusão de associações afins. Naturalmente a energia necessária para este fim é retirada do consciente [&#8230;]. A intensidade de atividades e interesses conscientes diminui gradativamente, surgindo ou uma apatia [&#8230;] ou um desenvolvimento regressivo das funções conscientes, isto é, uma descida às suas condições infantis e arcaicas, algo como uma degenerescência. As parties inférieures des fonctions, como disse Janet, impõem-se: o instintivo sobre o ético, o ingênuo-infantil sobre o ponderado, o adulto e a inadaptação sobre a adaptação. [&#8230;] O complexo autônomo desenvolve-se usando a energia retirada do comando consciente da personalidade. (JUNG, 2013b, § 123)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A dependência da aprovação externa, reforçada pelo aumento das ‘’curtidas’’, pelas reações e devolutivas negativas e agressivas, intensifica a ação dos complexos e a perda de autonomia do ego. Aqui mora um monstro escondido no inconsciente, pronto para aparecer e fragilizar o ego, aumentar o sentimento de vazio, retrair a energia psíquica, alimentando os sintomas depressivos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sendo-assim-quando-esses-complexos-sao-ativados-exaustivamente-dentro-do-contexto-do-uso-excessivo-das-redes-sociais-a-energia-psiquica-disponivel-para-o-ego-pode-ser-drenada" style="font-size:19px">Sendo assim, quando esses complexos são ativados exaustivamente dentro do contexto do uso excessivo das redes sociais, a energia psíquica disponível para o ego pode ser drenada.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em outras palavras, caracteriza-se como transtorno depressivo: perda do interesse ou prazer, humor deprimido na maioria dos dias &#8211; quase todos os dias, no período de duas semanas -, alteração do apetite e do peso, insônia ou hipersonia, alterações cognitivas, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade, evoluindo para pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida sem plano ou com plano especifico para então cometer o suicídio (ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA, 2014, p. 161).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse sofrimento tem um significado importantíssimo para o indivíduo, um convite agridoce à interiorizar-se. Este chamado se apresenta na própria etimologia da palavra, que surge a partir do verbo <em>deprimere</em>, significando &#8220;pressionar para baixo&#8221; ou &#8220;afundar&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sendo assim, o indivíduo precisa se reorganizar, se reconhecer como um ser único e capaz, rico em possibilidades, reconhecer seus conteúdos sombrios projetados, rever os complexos que o constituem, e retomar o laço com o si-mesmo (Self).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Como a palavra sugere, numa depressão a pessoa é pressionada para baixo, comprimida, em geral porque uma parte da libido psicológica está embaixo e tem de ser resgatada; a verdadeira energia da vida caiu numa camada mais profunda da personalidade e só pode ser alcançada por meio de uma depressão. Assim, a menos que haja uma psicose latente, as depressões devem ser encorajadas e as pessoas, aconselhadas a entrar nelas e ser deprimidas [&#8230;], se as depressões dizem que a vida nada significa e que nada vale a pena, deve-se aceitar isso e perguntar o que fazer. O que há a fazer é ouvir, mergulhar cada vez mais fundo, até se atingir o nível da energia psicológica em que alguma ideia criativa pode surgir; de repente, no fundo, aparecerá um impulso de vida e de criatividade que havia sido ignorado. (FRANZ, 2022, p. 175)</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclui-se-que-a-depressao-pode-ser-um-chamado-de-alerta-para-se-distanciar-do-virtual-reviver-o-real-o-toque-sentir-o-calor-do-sol" style="font-size:19px">Conclui-se que a depressão pode ser um chamado de alerta para se distanciar do virtual, reviver o real, o toque, sentir o calor do sol.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Uma resposta prática para iniciar o confronto com esta doença é praticar atividades físicas, promovendo a liberação de endorfinas, aumentando a dopamina &#8211; que participa dos circuitos de recompensa e motivação. Neste sentido, estimulando as atividades prazerosas e interações sociais, há o aumento de serotonina, associado a regulação do humor, sono, apetite e da sensação de bem estar. Longe de ser atitudes definitivas, elas são suporte para o ego que precisa ir de encontro com seus conteúdos inconscientes em prol do autoconhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por fim, não podemos esquecer que na perspectiva junguiana, o confronto com estes sentimentos de angústia e com este vazio precisa ser encarado também de uma forma criativa. Associar a visão da psiquiatria e da psicologia analítica é uma estratégia que pode iluminar este embate. Também é importante não perder de vista o problema do uso abusivo das redes sociais. Como tratamos, seu excesso evidência e corrobora para a impotência do ego diante da identificação com a persona, a projeção da sombra e a invasão de complexos. A depressão não vai desaparecer enquanto não embarcarmos no processo de individuação. É preciso coragem.</p>



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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pollyana-guilhermino-de-padua/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/pollyana-guilhermino-de-padua/">Pollyana Guilhermino de Pádua &#8211; Membro Analista em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi &#8211; Analista Didata e Fundadora do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><br>ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA AMERICANA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais : DSM-5. 5. ed. Porto Alegre : Artmed, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph">FRANZ, Marie-Louise von. <em>Alquimia </em>: uma introdução ao simbolismo e seu significado na psicologia de Carl G. Jung, 2. ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O espírito na arte e na ciência.</em> 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O eu e o inconsciente. </em>27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>O homem e seus símbolos. </em>3. ed. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______ <em>Memórias, Sonhos, Reflexões</em>&nbsp; 35. ed. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1986.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SADOCK, Benjamin J. <em>Compêndio de psiquiatria</em> : ciência do comportamento e psiquiatria clínica.&nbsp; 11. ed. Porto Alegre : Artmed, 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:22px"><strong>Canais IJEP</strong>:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.instagram.com/ijep_jung/" type="link" id="https://www.instagram.com/ijep_jung/">Instagram</a></p>



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<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos" type="link" id="https://www.institutojunguiano.com.br/congressosjunguianos">Congressos Junguianos &#8211; Gravados &#8211; 30h/certificação</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cursos e Pós-graduações &#8211; Psicologia Junguiana/ Arteterapia e expressões criativas / Psicossomática:</p>



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		<title>O Dinheiro como Espelho da Psique &#8211; o que o inconsciente revela sobre poder, valor e manejo do financeiro</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/o-dinheiro-como-espelho-da-psique-o-que-o-inconsciente-revela-sobre-poder-valor-e-manejo-do-financeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Patricia Moura Vernalha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 17:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[energia psíquica]]></category>
		<category><![CDATA[dinheiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo explora a temática financeira, onde o dinheiro como um símbolo, espelha dinâmicas inconscientes ligadas ao poder, ao valor e ao merecimento. Com base na Psicologia Analitica, discute-se como crenças profundas podem influenciar o manejo financeiro e explicar porque algumas pessoas vivem maior fluidez econômica, enquanto outras enfrentam tensão ou medo, mesmo com esforços contínuos. O estudo propõe a compreensão do dinheiro como expressão da energia psíquica, convidando a uma relação mais consciente e integrada com a dimensão material da vida.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo explora a temática financeira, onde o dinheiro como um símbolo, espelha dinâmicas inconscientes ligadas ao poder, ao valor e ao merecimento. Com base na Psicologia Analitica, discute-se como crenças profundas podem influenciar o manejo financeiro e explicar porque algumas pessoas vivem maior fluidez econômica, enquanto outras enfrentam tensão ou medo, mesmo com esforços contínuos. O estudo propõe a compreensão do dinheiro como expressão da energia psíquica, convidando a uma relação mais consciente e integrada com a dimensão material da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O dinheiro é uma temática de intensas emoções, pois além de um veículo de troca, é um símbolo carregado de energia psíquica refletindo a relação do individuo com o próprio poder e também com o principio de valor interior.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As atitudes e comportamentos assumidos frente ao dinheiro, impregnados da herança familiar, transgeracional e cultural, reverberam positiva ou negativamente, não só em suas trajetórias pessoais, mas também na sociedade, no presente e adiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tema recorrente, é gerador de preocupações e angústias, circulando como principal meio de troca de bens e serviços humanos. É inegável que participamos de uma sociedade estruturada na produção e no consumo incessante de bens – particularmente supérfluos, que atraem afetos, ativam desejos e impulsionam praticas de compras que, muitas vezes não atendem a necessidades reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na história do desenvolvimento da humanidade, em diversas culturas o dinheiro se fez presente, ocupando um lugar de importância e influenciando a vida dos indivíduos, desde a criação das primeiras moedas até o surgimento das cédulas. (MEIRELLES, 2012)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-acordo-com-ferreira-2007-o-dinheiro-e" style="font-size:19px"><strong>De acordo com Ferreira (2007) o dinheiro é:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Estoque de valor, unidade de contabilidade, padrão de pagamento adiantado. Possui múltiplas dimensões simbólicas, entre elas: extensão de nosso self, poder, talento, habilidade, beleza, saúde, inteligência e oferece aquela possibilidade da pessoa sentir-se sempre especial. Nas sociedades capitalistas, o dinheiro está associado à segurança, sucesso, liberdade, independência, esperteza, benção de Deus, status, merecimento, bem estar, comparação social.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung nos convida a observar que aquilo que não é conscientizado tende a se manifestar como destino. Nesse sentido, nossas dificuldades ou excessos na relação com o dinheiro podem ser entendidos como expressões simbólicas de conflitos mais profundos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O presente estudo tem por objetivo uma breve analise sobre o dinheiro como um símbolo psíquico cuja manifestação está diretamente ligada à dinâmica inconsciente que atravessa o individuo no que se refere a poder, valor e também merecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Observa-se que sua investigação em pesquisa parece ainda se apresentar de forma mais limitada, sendo frequentemente tangenciada muito mais por aspectos econômicos e sociais, do que simbólicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-qual-seria-a-contribuicao-da-psicologia-analitica-junguiana-para-o-entendimento-da-relacao-entre-as-questoes-psiquicas-e-monetarias" style="font-size:19px">Qual seria a contribuição da psicologia analítica junguiana para o entendimento da relação entre as questões psíquicas e monetárias?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A representação monetária é alvo de projeções, pois o dinheiro e seu caráter psicológico encontram-se profundamente vinculado à dinâmica psíquica dos sujeitos, não se ligando somente à esfera pessoal, mas também ao coletivo, como os arquétipos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-weatherford-2005-o-dinheiro" style="font-size:19px"><strong>Segundo Weatherford (2005) o dinheiro:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>Permite que os seres humanos estruturem a vida de formas incrivelmente complexas que não se encontravam disponíveis antes da invenção do dinheiro. A qualidade metafórica concede-lhe um papel de enfoque na organização do significado da vida. O dinheiro representa uma forma infinitamente ampliável de estruturar o valor e as relações sociais e pessoais, politicas e religiosas, bem como as comerciais e econômicas.</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Chama a atenção o fato de que, enquanto algumas pessoas conseguem estabelecer uma relação tranquila, saudável e fluida com o dinheiro – experimentando organização e planejamento, sensação de segurança e ainda prosperidade; outras, apesar da produção e competência, parecem viver em constante tensão financeira e a relação com o dinheiro pode ser permeada tanto pela escassez quanto pelo exagero.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">&nbsp; Uma investigação mais aprofundada sobre a construção desses conceitos na psique, de modo pessoal se faz importante. O dinheiro “em si”, por vezes, não é o ponto central, mas pode estar a serviço de uma representação de suma importância para o indivíduo dentro de sua história de vida e também familiar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seria-conveniente-fazer-referencia-aqui-ao-conceito-da-psicologia-analitica-acerca-dos-complexos" style="font-size:19px">Seria conveniente fazer referencia aqui ao conceito da Psicologia analítica acerca dos complexos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para Jung os complexos se constituem a partir de ideias com forte carga afetiva, capazes de influenciar os pensamentos e ações. “<em>[&#8230;]</em> <em>uma determinada situação de forte carga emocional incompatível com as disposições ou atitude habitual da consciência</em>.” (JUNG, 2013, p. 47).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung explicou que a palavra “complexo”, no seu sentido psicológico, introduziu-se na língua alemã e que hoje em dia todo mundo sabe que as pessoas “tem complexos”, mas acabam desconhecendo algo de grande importância: que os complexos podem nos ter.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-estudos-experimentais-trabalhando-com-as-associacoes-jung-aponta-a-existencia-do-complexo-financeiro" style="font-size:19px">Em Estudos experimentais, trabalhando com as associações, Jung aponta a existência do <strong>complexo financeiro</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A temática financeira não aparece em grande quantidade nos referenciais teóricos da psicologia e, de forma similar, assuntos sobre dinheiro ainda geram desconforto e podem ser evitados, por isso “<em>[&#8230;] é considerado de bom tom escamotear assuntos de dinheiro</em>” (JUNG, 2013, p.254).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Dessa forma vai se revelando as relações estabelecidas no cenário financeiro, de acordo com o funcionamento interno de cada um. Jung, 2012, aponta, por exemplo, que economizar dinheiro pode trazer mais prazer do que despender, enquanto que para outros, o contentamento está em esbanja-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Alcançamos, assim, a compreensão de que no traço psicológico do dinheiro, além da existência do complexo monetário, há ainda espaço para as projeções pessoais sobre sua figura. Na relação estabelecida com o dinheiro, fica claro como os afetos estão dispostos, desde os temores existentes em sua vida, até os sonhos que pretende viver no futuro. &nbsp;LOCKHART <em>et al</em> ,1997)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Somando-se a isso temos os arquétipos e o inconsciente coletivo, onde os arquétipos como instancias psíquicas relativamente autônomas não são capazes de se integrar a consciência por meio racionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-arquetipos-como-estruturas-psiquicas-inatas-e-universais-desempenham-um-papel-essencial-na-compreensao-da-abordagem-analitica" style="font-size:19px">Os arquétipos, como estruturas psíquicas inatas e universais, desempenham um papel essencial na compreensão da abordagem analítica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para Jung são formas típicas de comportamento que ocorrem sempre e em toda parte; padrões recorrentes que moldam a experiência humana e de forma espontânea aparecem nos sonhos e narrativas culturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O dinheiro atua como uma força de caráter arquetípico, portanto, passível de múltiplas leituras e aplicações de acordo com aquele que dele faz menção. Nessa direção, o dinheiro não se fixa em uma única definição, seja como troca, valor ou energia, pois possui múltiplas raízes, preservando um caráter de incerteza e indeterminação. Podemos dizer: “[&#8230;] <em>o dinheiro é tão amplo e profundo quanto o oceano, o inconsciente primordial, e nos torna assim também. Ele sempre nos leva a enormes profundezas</em>” (LOCKHART <em>ET al</em>. 1997, p.29).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-dinheiro-pode-ser-entendido-como-uma-expressao-de-padroes-arquetipicos-impactando-no-desenvolvimento-psicologico-poderiamos-citar-arquetipos-financeiros-tais-quais-o-arquetipo-do-provedor-do-perdulario-do-avarento-e-outros" style="font-size:19px">O dinheiro pode ser entendido como uma expressão de padrões arquetípicos, impactando no desenvolvimento psicológico. Poderíamos citar arquétipos financeiros tais quais: o arquétipo do <strong>provedor</strong>, do <strong>perdulário</strong>, do <strong>avarento</strong> e outros.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Lockhart</strong> complementa que a influência desses arquétipos financeiros vai além dos aspectos racionais das decisões, trazendo as historias inconscientes que moldam as escolhas econômicas associadas ao dinheiro. Com isso, entende-se que quando as questões relativas ao dinheiro não encontram um espaço reconhecido na consciência, sua dimensão arquetípica pode adquirir autonomia e tornar-se invasiva, irrompendo na vida psíquica sem pedir consentimento ao ego.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Consequentemente, compreender o arquétipo do dinheiro exige ainda a ponderação de uma característica central dessa instancia psíquica: o seu caráter simbólico. Esses aspectos simbólicos mostram-se capazes de estabelecer uma ligação com os conteúdos monetários, resultando numa dimensão simbólica que se inscreve no próprio fenômeno do dinheiro; ou seja, o entendimento de símbolo guarda aproximações importantes com a maneira como o dinheiro é concebido.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Convém ressaltar que o dinheiro, embora atue como instrumento de troca, mobiliza também forças psicológicas que permeiam a vida interior e as relações humanas. Na perspectiva da psicologia analítica, pode ser compreendido como um arquétipo contemporâneo, um símbolo que excede o domínio material e revela sentidos profundos, enraizados tanto no inconsciente coletivo quanto na jornada de individuação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-embora-o-dinheiro-apresente-aspectos-universais-sua-leitura-e-compreensao-estarao-conectadas-a-experiencia-pessoal-e-subjetiva-do-self" style="font-size:19px">Embora o dinheiro apresente aspectos universais, sua leitura e compreensão estarão conectadas a experiência pessoal e subjetiva do Self.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Magaldi</strong> (2004) analisa intersecções culturais, religiosas e econômicas, mostrando como o dinheiro, compreendido como símbolo arquetípico, interfere nas questões existenciais e na própria busca do sagrado na sociedade atual. Para o autor, o dinheiro ultrapassa sua utilidade econômica e adquire uma função psíquica e arquetípica de grande peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Mantendo um diálogo constante com o inconsciente e configurando valores e motivações pessoais e coletivas. Diz ainda que, em muitas situações, nota-se que a falta de saúde produz perda de dinheiro e aumento de sagrado. Em outras, a falta do sagrado produz aumento do dinheiro e a perda da saúde.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-assumir-a-funcao-de-instrumento-de-poder-e-autonomia-o-dinheiro-e-igualmente-capaz-de-desestabilizar-a-psique-provocando-compulsoes-e-tensoes-emocionais" style="font-size:19px">Ao assumir a função de instrumento de poder e autonomia, o dinheiro é igualmente capaz de desestabilizar a psique, provocando compulsões e tensões emocionais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode atuar como uma projeção psíquica, condensando afetos e desejos inconscientes, tornando-se assim, tanto um agente de alienação quanto um potencial caminho para a integração.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>O dinheiro funciona como um mediador entre o mundo material e o espiritual</strong>. Quando acolhido de modo equilibrado pode encarnar liberdade e sentido; mas, quando mal elaborado, converte-se em símbolo de alienação e aprisionamento. Tal compreensão vincula o dinheiro ao percurso de individuação proposto por Jung, no qual se busca a integração entre os aspectos da consciência e do inconsciente. (LOCKHART 2001)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando o dinheiro é percebido como um fim em si mesmo, ele pode se tornar um elemento alienante, desconectando o indivíduo de seus valores essenciais, pois, se relacionar de modo saudável com o dinheiro envolve sua percepção a fim de um propósito maior e não como finalidade em si.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-dinheiro-enquanto-simbolo-traz-projecoes-inconscientes-revelando-complexos-relevantes" style="font-size:19px">O dinheiro, enquanto símbolo traz projeções inconscientes, revelando complexos relevantes. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre eles, destacam-se o medo da escassez e a compulsão pela acumulação, que frequentemente expressam conflitos internos ligados à segurança e autovalorização. Essas projeções podem atuar de forma limitante ou transformadora, conforme sejam ou não integradas ao processo de individuação. Quando esses temas são trazidos para consciência e trabalhados, pode-se chegar ao crescimento psicológico, direcionando o individuo para uma relação mais equilibrada com o dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Transformar a relação com o dinheiro de uma forma livre e criativa é o sentido maior e isso nada tem haver com falta de dividas ou condições e capacidade para gastar. A transformação chega quando se transita suavemente entre as escolhas conscientes e os valores pessoais.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Magaldi nos lembra de que é a partir do uso consciente do dinheiro que todas essas demandas serão conciliadas; ou seja, é preciso transformar o dinheiro em um elemento facilitador tanto para o sagrado, com sua estrutura ética e moral, quanto para a saúde, não só do individuo, mas da sociedade e do meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">E ainda, com o passar do tempo fica claro que a falta de autoconhecimento, produz o desejo do poder e, neste caso, o dinheiro, e o seu acumulo, servem de instrumento que sustenta a ilusão do poder e o enfrentamento do medo. Logo, os princípios universais da evolução, com sua dinâmica do dar, receber e retribuir ficam comprometidos. A ambição do indivíduo que atingiu o autoconhecimento e encontrou o prazer em servir, não abre mão da sua qualidade de vida, mas esta voltada para a própria humanidade. O dinheiro é uma energia capaz de produzir transformações. (MAGALDI 2004).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-perspectiva-da-psicologia-analitica-ele-e-mais-do-que-um-meio-de-troca-e-um-simbolo-carregado-de-energia-psiquica-um-reflexo-da-relacao-do-individuo-com-o-proprio-poder-e-com-o-principio-de-valor-interior" style="font-size:19px">Na perspectiva da psicologia analítica, ele é mais do que um meio de troca, é um símbolo carregado de energia psíquica, um reflexo da relação do individuo com o próprio poder e com o princípio de valor interior.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A forma como cada pessoa lida com ele revela aspectos profundos de sua historia psíquica e de suas crenças inconscientes. Reconhecer a parte sombria do dinheiro é integrar o poder pessoal sem se deixar dominar por ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Outra limitação diz respeito à sensação de não merecer prosperar; uma vivencia ligada ao complexo, muitas vezes formado nos primórdios da vida, quando a autoestima se molda a partir da aceitação ou rejeição das figuras de autoridade. Ao alimentar a ideia de perfeição ou sofrimento relacionada a merecimento, o dinheiro passa a simbolizar uma recompensa proibida. A partir disso, barreiras invisíveis a abundancia são criadas, e a prosperidade se associa assim à culpa ou ate mesmo perda de amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As pessoas que estabelecem uma relação difícil com o dinheiro não vivem apenas um estado de escassez em seu aspecto material, mas experimentam um estado interno de constante tensão, insegurança e significado distorcido em relação ao valor – tanto financeiro quanto pessoal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-observa-se-muitas-vezes-uma-dissociacao-entre-competencia-e-merecimento" style="font-size:19px">Observa-se muitas vezes, uma dissociação entre competência e merecimento.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A capacidade até pode ser reconhecida racionalmente, mas emocionalmente permanece vinculada a uma imagem interna de insuficiência. O dinheiro, então, passa a representar uma medida simbólica de amor, segurança e aceitação – e sua ausência pode reativar feridas antigas ligada ao abandono, rejeição e desamparo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já, para aqueles que vivenciam o dinheiro com maior fluidez, parece haver uma relação mais integrada com o próprio valor, com a noção de merecimento e com o exercício do poder pessoal. O dinheiro é percebido como um meio, não como uma ameaça ou única fonte de identidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-simbolica-o-dinheiro-representa-energia-em-movimento" style="font-size:19px">Na <strong>visão simbólica</strong>, o dinheiro representa <strong>energia em movimento</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ao fluir livremente encontramos vitalidade e o principal, criatividade. Quando bloqueada, há estagnação e medo. Assim como o ouro na alquimia, o dinheiro simboliza a transformação da matéria bruta em valor consciente, onde a verdadeira riqueza não esta em acumular, mas em fazer circular – dentro e fora de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para apreender as atitudes e valores que moldam nossa relação com o dinheiro, é essencial voltar o olhar também à família, matriz primeira de transmissão simbólica, pois dela recebemos identidade e reconhecimento, bem como um modo de agir que se desdobra e se renova ao longo das gerações. Este valor familiar pode ser transmitido entre as gerações, influenciando comportamentos e perpetuando os mais diversos padrões de comportamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A <strong>educação financeira</strong> é considerada instrumento central para aprimorar a maneira como as pessoas se relacionam com o dinheiro. Entretanto, os programas atuais, voltados, sobretudo para aspectos técnicos e operacionais acabam negligenciando a dimensão simbólico-psíquico que permeia e orienta grande parte das condutas financeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em síntese, comprova-se a necessidade de uma reflexão critica sobre o manejo dos indivíduos acerca de suas finanças e como essas interações podem impactar emocionalmente, pois as questões financeiras podem ser causas frequentes de sofrimento psíquico na contemporaneidade, em um contexto social pressionado pelo ideal de sucesso econômico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-cenario-a-psicologia-analitica-pode-muito-contribuir" style="font-size:19px">Nesse cenário, a psicologia analítica pode muito contribuir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Trabalhar as crenças sobre o dinheiro é, na verdade, um convite à integração psíquica; olhar para o poder, o medo e o merecimento como partes legitimas do ser. Ao reconhecer que o dinheiro é apenas um veículo do próprio poder criativo, deixa-se de ser escravo dessas “verdades” inconscientes para se tornar coautor de sua própria prosperidade. O dinheiro deixara de ser tabu, para voltar a ser o que sempre foi: energia a serviço da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desse modo, torna-se possível evitar que o dinheiro, à semelhança de qualquer conteúdo psíquico não reconhecido, deslize para a sombra e assuma um caráter destrutivo, incidindo tanto sobre a vida pessoal quanto sobre a dimensão coletiva. (JUNG, 2015)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Integrar todas essa dimensões não significa apenas aprender a administrar melhor as finanças, mas reconectar-se com o próprio valor essencial, permitindo que o dinheiro deixe de ser campo de batalha e passe a ser expressão coerente de uma vida que se sente legitimada a prosperar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/pmoura/">Patrícia Moura Vernalha – Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">FERREIRA, Vera Rita. <em>Psicologia Econômica:</em> <em>Estudo do Comportamento econômico da tomada de decisão</em>. 1 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2008.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>A Natureza da psique</em>. ed. Vozes: Petrópolis, 2013</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Aspectos do drama contemporâneo</em>. ed. Vozes: Petrópolis, 2012</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Civilização em transição</em>. &nbsp;ed. Vozes: Petrópolis, 2007</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Vida Simbólica: escritos diversos</em>. ed. Vozes: Petrópolis, 2015</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Estudos Experimentais. ed. Vozes: Petrópolis, 2011</p>



<p class="wp-block-paragraph">LOCKHART, Russel <em>et al</em>. <em>Dinheiro e Alma</em>. Dallas: Spring Publications, 1997</p>



<p class="wp-block-paragraph">MEIRELLES, <em>Valéria Maria. Atitudes, crenças e comportamentos de homens e &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;mulheres em relação ao dinheiro na vida adulta</em>. 2012. 155f. TESE (Doutorado em Psicologia Clinica) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, Waldemar. <em>Dinheiro, Saúde e Sagrado</em>. Eleva, 2004</p>



<p class="wp-block-paragraph">WEATHERFORD, J. <em>A História do Dinheiro</em>. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



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			</item>
		<item>
		<title>A Música na Psicologia Analítica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-musica-na-psicologia-analitica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nino Karvan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 13:19:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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		<guid isPermaLink="false">https://blog.ijep.com.br/?p=11359</guid>

					<description><![CDATA[<p>Resumo: Poderia a música, na prática da psicoterapia, favorecer o surgimento de conteúdos inconscientes passiveis de serem analisados simbolicamente? O impulso para a construção desse artigo vem do depoimento de Jung no encontro dele com Margaret Tilly, em 1956, descrito no livro Entrevistas e Encontros, onde ele é taxativo ao afirmar que “&#8230;doravante a música [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6"><strong>Resumo</strong>: <strong>Poderia a música, na prática da psicoterapia, favorecer o surgimento de conteúdos inconscientes passiveis de serem analisados simbolicamente</strong>? O impulso para a construção desse artigo vem do depoimento de Jung no encontro dele com Margaret Tilly, em 1956, descrito no livro Entrevistas e Encontros, onde ele é taxativo ao afirmar que “&#8230;doravante a música deve ser uma parte essencial de toda a análise.” Tenham uma excelente leitura.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-este-artigo-busca-entender-a-possivel-utilizacao-da-musica-na-pratica-da-psicologia-analitica" style="font-size:19px">Este artigo busca entender a possível utilização da música na prática da Psicologia Analítica. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6"><strong>Para tanto, lança uma pergunta basilar: a utilização da música no ambiente da prática da análise junguiana seria um fator capaz de reduzir as defesas egóicas, possibilitando o afloramento de conteúdos capazes de serem analisados simbolicamente</strong>? Com base em uma bibliografia que se debruça sobre o papel da música na evolução humana, a partir da neurociência, sob o olhar de Daniel Levitin, &nbsp;na obra do próprio Jung e de Joel Kroiker, traça-se um panorama para tentar entender tal questionamento. O presente artigo é um pequeno resumo da monografia apresentada como parte da conclusão da Especialização em Psicologia Analítica, concluída em 2023, disponível na biblioteca do IJEP.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-de-onde-teria-vindo-a-musica" style="font-size:19px"><strong>De onde teria vindo a música</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Os estudos de suas origens evolutivas têm um acervo diverso e bem rico. Segundo o neuro-cientista <strong>Daniel Levitin</strong>, para Darwin, a música surge e se desenvolve no processo de seleção natural, integrada aos rituais humanos ou páleo-humanos, de acasalamento (LEVITIN, 2010). Seria, portanto, uma seleção sexual, onde as habilidades musicais de produção sonora serviriam para atrair o sexo oposto.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>Darwin</strong> considerava que a música antecedia a fala como ferramenta para fazer a corte, equiparando-a à cauda do pavão. Em sua teoria da seleção sexual, ele postulava a emergência de características que não serviam a qualquer finalidade diretamente ligada à sobrevivência, senão para tornar a pessoa (e, portanto, os seus genes) atraente. </p><cite>(LEVITIN, 2010, p. 284)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">A famosa flauta de osso com cerca de 50 mil anos, encontrada em uma caverna na Eslovênia nos anos 90, tão propagada na imprensa mundial, não seria a primeira forma de expressão musical, antes disso, a voz, como “primeiro instrumento”, e depois os tambores seriam veículos de expressão musical.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nesse-sentido-existiriam-provas-tangiveis-de-que-a-musica-antecede-a-linguagem-e-faz-parte-intrinseca-do-desenvolvimento-humano" style="font-size:19px">Nesse sentido, existiriam provas tangíveis de que a música antecede a linguagem e faz parte intrínseca do desenvolvimento humano.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Os registros arqueológicos mostram um histórico ininterrupto de criação musical onde quer que houvesse seres humanos, em todas as eras. E além disso, é claro, o canto muito provavelmente é anterior às flautas. </p><cite>(LEVITIN, 2010, p. 289)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Segundo o autor, todos os estudos arqueológicos e os estudos antropológicos nas comunidades de caçadores que se mantiveram afastadas da civilização apontam que a música é fator preponderante desses povos e que ela é inseparável da dança. Portanto, música e movimento sempre estiveram presentes como uma realidade de todos, e não somente de alguns portadores de talentos especiais. Somente nos últimos quinhentos anos é que teria surgido essa categoria de expectadores, diante dos quais os especialistas fazem um concerto onde a escuta é o objetivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ritmo-seria-portanto-um-fator-crucial-no-desenvolvimento-da-musica-na-evolucao-humana" style="font-size:19px">O ritmo seria, portanto, um fator crucial no desenvolvimento da música na evolução humana.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">E isso está presente até hoje nas comunidades ancestrais, onde tambores e demais instrumentos rítmicos, principalmente percussivos, e mesmo que sejam melódico-percussivo, como marimbas, por exemplo, têm um papel preponderante do fazer musical, a exemplo das comunidades tradicionais africanas, e mesmo em suas manifestações afro-americanas, seja de caráter profano e religioso. Nas comunidades ancestrais ameríndias, o fenômeno não é diferente, e a base das manifestações musicais é feita com instrumentos percussivos, aos quais são juntadas flautas e o próprio canto.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>&#8230; segundo quase todos os relatos, a música de nossos antepassados distantes tinha um caráter acentuadamente rítmico. O ritmo incita nosso corpo. A tonalidade e a melodia incitam o cérebro. A convergência do ritmo com a melodia lança uma ponte entre o cerebelo (o pequeno cérebro primitivo, responsável pelo controle motor) e o córtex cerebral (a parte mais desenvolvida e humana do nosso cérebro). É assim que o “Bolero” de Ravel, “Koko”, de Chalie Parker, e “Honky Tonk Womem”, dos Rolling Stones, nos inspiram e comovem, tanto metaforicamente quanto fisicamente, formando requintadas uniões de tempo e espaço melódicos. </p><cite>(LEVITIN, 2010, p. 296)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Em seus escritos sobre a questão da transformação da <strong>energia psíquica </strong>&#8211; que é mais abrangente do que a libido sexual de Freud -, Jung afirma que quando esta encontra barreiras e busca outras formas de “atividades substitutivas”, &nbsp;através de atividades ritualísticas, teria no ritmo essa forma repetitiva que exerceria o papel de registrar para a posteridade a transferência da energia psíquica para novas formas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-musica-e-danca-teriam-um-papel-fundamental-o-que-pode-ser-comprovado-nas-atividades-ritualisticas-de-comunidades-tradicionais" style="font-size:19px">Música e dança teriam um papel fundamental, o que pode ser comprovado nas atividades ritualísticas de comunidades tradicionais.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se certas tribos dançam durante toda uma noite ao som monótono de três notas, isso não nos dá a sensação de divertimento; mais parece intenção e exercício. E de fato assim é, pois o ritmo é a maneira clássica de gravar certas ideias e outras atividades, e aquilo que deve ser gravado, isto é, firmemente organizado, é a transferência da libido para uma nova forma de atuação. Como depois da fase nutritiva do desenvolvimento a atividade rítmica não tem mais função no ato da alimentação, ela passa não só para a área da sexualidade sensu strictiori, mas também para o campo dos “mecanismos de atração”, música e dança, e finalmente para a área de trabalho propriamente dito. </p><cite>(JUNG, 2013i, p. 186)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parece-claro-portanto-o-papel-que-a-musica-e-os-seus-elementos-tem-no-desenvolvimento-do-ser-humano-fazendo-parte-de-uma-especie-de-matriz-universal-comum-a-especie-e-parte-importante-de-um-manancial-arquetipico" style="font-size:19px">Parece claro, portanto, o papel que a música e os seus elementos têm no desenvolvimento do ser humano, fazendo parte de uma espécie de matriz universal, comum à espécie e parte importante de um manancial arquetípico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Estudando Jung, aprende-se que as imagens arquetípicas não são conceitos filosóficos, mas facetas da própria vida e que elas são conectadas ao indivíduo por meio dos complexos, os quais, por sua vez, são constelados por afetos e emoções. É preciso, portanto, no processo da psicoterapia, estimular o acesso a essas imagens, e os principais veículos são os sonhos, os sintomas e os estímulo às atividades criativas e artísticas, principalmente a imaginação ativa. As artes plásticas, a poesia, a modelagem e demais expressões das artes plástica vêm sendo utilizadas desde Jung. A música, porém, não vem tendo a mesma atenção, seja na produção científica do campo junguiano, seja na prática clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Um encontro entre Jung e a pianista e depois terapeuta-chefe da Clínica Langley-Porter, de São Francisco, <strong>Margaret Tilly</strong>, em 1956, narrado no livro <em>Entrevistas e Encontros</em>, no capítulo intitulado “A terapia da música”, deixa essa questão mais clara, com as palavras do próprio Jung. Depois de uma boa conversa, ele solicitou que Margaret lhe mostrasse como seria, na prática, uma sessão de “terapia musical”. Depois de duas horas, entremeadas de demonstrações de Margaret e de inúmeros questionamentos de Jung, ele exclamou:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Mas isto abre todo um novo campo de pesquisa com que eu nem mesmo sonhara! Por causa do que você me mostrou esta tarde&#8230; não só o que me disse, mas o que eu realmente senti ouvindo-a&#8230; acho que doravante a música deve ser uma parte essencial de toda a análise. Isso alcança o material arquetípico profundo que nós podemos atingir, por vezes, em nosso trabalho analítico. É extraordinário. </p><cite>(McGUIRE &amp; HULL, 1981, p. 248)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-joel-kroeker-analista-junguiano-e-pesquisador-canadense-que-utiliza-a-musica-em-seu-setting" style="font-size:19px">Para Joel Kroeker, analista junguiano e pesquisador canadense que utiliza a música em seu <em>setting</em>:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Matrizes musicais arquetípicas inerentes nos conectam como seres humanos a essa ponte de afetos e nos permite acessar sentimentos que não acessaríamos de outra maneira. Imagens musicais primordiais que existem na natureza como o tom musical ascendente ou descendente, como, o canto dos pássaros, a oposição de som versus silêncio, sons musicais crescendo, accelereando, tempo crescente, ou ritardando, tempo decrescente, causam um impacto psíquico em nós. A relação entre estes vários elementos sônicos primordiais e seu impacto no reino da música nos fornece uma matriz poderosa para viabilizar a comunicação, a inter-relação e a autocompreensão. </p><cite>(KROEKER, 2022, p. 46)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong>A música toca instâncias profundas e pode ser a trilha sonora de um sonhar acordado (KROEKER, 2022), cujas emoções são tocadas de forma, às vezes, arrebatadora</strong>. Esse arrebatamento (JUNG, 2006) seria um tipo de espírito que age nas aparições imagéticas estimuladas pela música.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A música, portanto, pode ser entendida como uma objetivação do espírito, que nem expressa conhecimento no sentido usual, lógico-intelectual, nem se realiza materialmente, mas significa uma representação manifesta dos contextos mais profundos e da mais inabalável regularidade. Neste sentido, a música é espírito, e espírito que leva a lugares escuros e remotos, não mais acessíveis à consciência, e cujos conteúdos praticamente não podem mais ser concebidos com palavras – mas sim através de números, por estranho que pareça – e também ao mesmo tempo e sobretudo através de sentimento e sensibilidade. Este fato aparentemente paradoxal mostra que a música tem condições de permitir o acesso a profundezas onde o espírito e a natureza são <em>ainda </em>ou <em>novamente </em>um [&#8230;]. </p><cite>( JUNG, 2006, p. 58)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">A música teria esse poder de trazer conteúdos desse lugar arquetípico, onde tudo é o um. O lugar onde a individualidade se dissolve nas águas profundas do inconsciente coletivo. É desse ambiente abissal que surgem as imagens carregadas de afetos e emoções. A música poderia ser, então, uma chave que ajudaria a abrir o portal de onde viriam as imagens do inconsciente coletivo. Isso descortinaria toda uma nova possibilidade de atuação no <em>setting</em> analítico, ampliando as possibilidades e as ferramentas de auxílio ao acesso a esses conteúdos. É justamente a capacidade de mobilização das emoções, tão presente na música, essa possível força motriz e geradora de imagens.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É certo que a música, bem como o drama tem a ver com o inconsciente coletivo; [&#8230;] De certa forma, a música expressa o movimento dos sentimentos (ou valores emocionais) que acompanham os processos inconscientes. O que acontece no inconsciente coletivo é por sua natureza arquetípico e os arquétipos têm sempre uma qualidade numinosa que se manifesta na acentuação do emocional. A música expressa em sons o que as fantasias e visões exprimem em imagens visuais. </p><cite>(JUNG, 2002, p. 150)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-fora-demonstrado-anteriormente-haveria-um-potencial-da-musica-e-de-sua-utilizacao-no-setting-junguiano-no-sentido-de-sua-capacidade-de-induzir-o-surgimento-de-imagens-mentais" style="font-size:19px">Como fora demonstrado anteriormente, haveria um potencial da música e de sua utilização no <em>setting</em> junguiano, no sentido de sua capacidade de induzir o surgimento de imagens mentais.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Jung, em Estudos alquímicos (JUNG, 2013f), afirma que os conteúdos que “tudo que se torna inconsciente é imagem e que imagem é alma”. Tais imagens seriam uma versão concentrada de toda situação da psique, não somente dos conteúdos inconscientes e diz respeito, também, ao recorte do momento dessa situação psíquica, e não necessariamente de sua totalidade atemporal, mas da interrelação entre conteúdos conscientes e inconscientes e, principalmente, do material constelado (JUNG, 2013l).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.6">Pode-se concluir que a pergunta lançada no início desse artigo é respondida ao longo dele pelas citações do próprio Jung, em especial da declaração feita no encontro com Margaret Tilly, e que é deveras importante a utilização da música no <em>setting</em> terapêutico. Há, no entanto, um vasto campo ainda aberto ao aprofundamento dos estudos de cunho científico da utilização da música na Psicologia Analítica. <strong>Que a música é trilha sonora das histórias de vida pessoais, isso é fato. Torná-la a trilha sonora dos sonhos acordados vem sendo feito com êxito em diversas práticas terapêuticas, mas é tarefa ainda a ser aprofundada e desenvolvida</strong>.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/nino-karvan/">Nino Karvan &#8211; Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.5"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A energia psíquica</em>. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. <em>Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo</em><strong>.</strong> 10. Ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>A natureza da psique</em>. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________. <em>A prática da psicoterapia</em>. Petrópolis: Vozes, 2013d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________. <em>Estudos alquímicos</em>. Petrópolis: Vozes, 2013f.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________. <em>Estudos experimentais</em>. Petrópolis: Vozes, 2013g.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________. <em>O espírito da arte e na ciência</em>. Petrópolis: Vozes, 2013h.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________. <em>Símbolos da Transformação</em>. Petrópolis: Vozes, 2013i.</p>



<p class="wp-block-paragraph">KROEKER, Joel. <em>Quando a Psique canta</em>: A música na psicoterapia junguiana. São Paulo: Paulus, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">LEVITIN, Daniel J. <em>A Música no seu cérebro</em>. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">McGUIRE, William e HULL, R.F.C. C. G. <em>Jung</em>: Entrevistas e Encontros. São Paulo: Cultrix, 1981.</p>
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