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	<title>Arquivos padrões - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Jul 2026 14:49:52 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos padrões - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Dedo podre para os relacionamentos- Influência dos arquétipos nas escolhas amorosas</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/dedo-podre-para-os-relacionamentos-influencia-dos-arquetipos-nas-escolhas-amorosas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Gabriela Torres]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 14:18:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você já ouviu a expressão "dedo podre" para os relacionamentos? Ela sugere que fazemos escolhas ruins, caindo sempre no mesmo padrão, como se fosse carma ou má sorte. Mas, na verdade, as nossas escolhas, inclusive as amorosas, tendem a comunicar quem somos e como aprendemos a nos relacionar.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo:</strong> <strong>Você já ouviu a expressão &#8220;dedo podre&#8221; para os relacionamentos? Ela sugere que fazemos escolhas ruins, caindo sempre no mesmo padrão, como se fosse carma ou má sorte. Mas, na verdade, as nossas escolhas, inclusive as amorosas, tendem a comunicar quem somos e como aprendemos a nos relacionar.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que popularmente chamamos de &#8216;dedo podre&#8217; nas escolhas amorosas é, na verdade, resultado de <em>programações inconscientes</em>. Essas programações nos levam a repetir comportamentos aprendidos com nossos cuidadores e em nossas primeiras relações, geralmente buscando aquilo que nos é familiar. A psicologia analítica explica que essas escolhas são influenciadas por disposições psíquicas internas, conhecidas como arquétipos da <em>Anima e do Animus</em>. Esses arquétipos funcionam como contrapontos do gênero predominante na personalidade de cada indivíduo. Ao compreendermos esses arquétipos, ganhamos uma visão mais profunda de nós mesmos e das dinâmicas que moldam nossas escolhas e relacionamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua busca por complementaridade, o ser humano anseia por se unir amorosamente a um outro. No entanto, as escolhas de parceiros não são regidas apenas por fatores conscientes. Muitas pessoas se tornam reféns de padrões inconscientes de relacionamento que não condizem com o que acreditam desejar.</p>



<h2 id="h-as-forcas-dos-arquetipos-na-psique-esclarecem-as-motivacoes-ocultas-por-tras-dessas-escolhas-amorosas-e-a-insistencia-em-padroes-afetivos-pouco-construtivos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">As forças dos Arquétipos na psique esclarecem as motivações ocultas por trás dessas escolhas amorosas e a insistência em padrões afetivos pouco construtivos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para compreendermos as escolhas amorosas, é fundamental ampliarmos nossa visão sobre o próprio amor. O<em> amor</em>, essa força divina que conecta o ser humano à emanação sagrada, é um grande mistério. Segundo Jung, ele representa a maior força construtora do universo. O amor não é apenas um sentimento, mas algo que se revela e se torna perceptível através dele. Nesse sentido, a busca por um parceiro amoroso é uma das mais significativas formas de manifestação desse amor, permitindo-nos experienciá-lo plenamente no contato com o outro.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A psicologia analítica nos ensina que a psique se divide em consciente e inconsciente. Em nosso inconsciente residem aspectos desconhecidos que podem vir à tona através da projeção que fazemos no outro durante os relacionamentos. Assim, no convívio com o outro, reconhecemos o que é nosso e aprendemos mais sobre nós mesmos. Somente ao nos relacionarmos é que conseguimos experimentar a vida em sua totalidade.</p>



<h2 id="h-jung-enfatiza-que-nao-ha-individuacao-sem-a-relacao-com-o-outro" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Jung enfatiza que não há <em>individuação</em> sem a relação com o outro.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse atrito relacional que entramos em contato com nossas partes desconhecidas, possibilitando integrá-las e, assim, realizar nosso desenvolvimento psicológico. O <em>amor</em>, nesse contexto, é uma força construtora que se manifesta no ficar, no compromisso e na construção conjunta – diferente do êxtase momentâneo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tendemos a buscar nas relações uma felicidade intensa, um sentimento alucinante, que chamamos de <em>paixão</em>. Embora surja com grande intensidade, a paixão é temporária e não gera crescimento duradouro. Ela pode ser entendida como a projeção de nossos elementos internos – <em>a Anima e o Animus</em> – sobre outra pessoa. Esse fogo se apaga, pois ninguém consegue sustentar a projeção de um arquétipo complementar por muito tempo. Com o convívio e a intimidade, o outro deixa de ser a &#8216;metade da nossa laranja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somos, em essência, seres inteiros em uma experiência parcial. A complementariedade que buscamos reside em nosso inconsciente, não em um parceiro externo. A Anima e o Animus são arquétipos complementares, moldados pela convivência com a mãe e primeiras relações significativas. Cada arquétipo possui seus lados positivo e negativo, sendo preenchidos por nossas experiências pessoais e pela influência das pessoas que moldaram nossa formação. Portanto, no Animus/Anima, encontramos tanto luz quanto sombra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na psique humana, o feminino que se manifesta conscientemente encontra seu contraponto no inconsciente com o Animus, auxiliando na vivência de aspectos masculinos. Inversamente, quando o masculino predomina na consciência, a Anima, figura feminina inconsciente, se apresenta. Em uma relação amorosa, é comum que nos sintamos atraídos por pessoas que exibem características de nosso próprio Animus ou Anima. Essa atração gera um sentimento de completude, pois o outro parece carregar aspectos de nós que ainda não acessamos ou reconhecemos.</p>



<h2 id="h-no-estado-de-apaixonamento-projetamos-essas-caracteristicas-inconscientes-no-outro-no-entanto-a-pessoa-real-nao-se-resume-apenas-a-essas-projecoes" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No estado de apaixonamento, projetamos essas características inconscientes no outro. No entanto, a pessoa real não se resume apenas a essas projeções.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com a convivência, descobrimos que ela também possui traços que podem não nos agradar. É nesse momento que, muitas vezes, o encantamento se desfaz, pois estávamos apaixonados pela imagem idealizada que projetamos, e não pela pessoa em sua totalidade e complexidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É essencial nos perguntarmos, durante o apaixonamento: O que estou projetando no outro? O que espero que ele(a) viva por mim? Uma relação madura se constitui pela capacidade de olhar para o outro além da nossa projeção, e então poder escolher conscientemente se queremos continuar nessa relação. Para isso, é preciso desenvolver o autoconhecimento, tendo ao menos uma noção de quem somos, para então conseguir nos relacionar verdadeiramente com o outro.</p>



<h2 id="h-portanto-mais-importante-do-que-simplesmente-saber-quem-sou-e-conhecer-e-compreender-o-que-eu-sou-reconhecendo-ativamente-meus-complexos-e-aspectos-sombrios" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Portanto, mais importante do que simplesmente saber <em>quem sou</em>, é conhecer e compreender <em>o que eu sou</em>, reconhecendo ativamente meus <em>complexos</em> e aspectos sombrios.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Caso contrário, minhas relações tenderão a refletir esses <em>dinamismos internos</em> que se tornam <em>autônomos,</em> agindo à revelia da minha vontade e do meu desejo por escolhas saudáveis. O Animus/Anima influencia nossas escolhas amorosas como uma força atrativa, levando-nos a buscar um determinado padrão de relacionamento, muitas vezes na tentativa de reparar ou transformar as relações primais. Dependendo das características inconscientes em nossa configuração arquetípica, somos impelidos a buscar repetidamente o mesmo tipo de parceiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como exemplo desse dinamismo, consideremos a história de uma mulher cuja mãe era afetivamente dependente e o pai, emocionalmente ausente. Essa configuração familiar pode influenciar a formação de seu Animus, levando-a a se expressar na vida de maneiras que buscam compensar essa carência. Assim, ela pode se sentir atraída por parceiros indisponíveis ou emocionalmente fortes, projetando neles a segurança e a presença que não experimentou em sua infância. Essa dinâmica, operando inconscientemente, pode moldar suas escolhas amorosas.</p>



<h2 id="h-pessoas-que-nao-se-sentiram-amadas-e-valorizadas-na-infancia-tendem-a-associar-o-amor-a-dor-e-a-uma-necessidade-constante-de-provar-seu-valor" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Pessoas que não se sentiram amadas e valorizadas na infância tendem a associar o amor à dor e a uma necessidade constante de provar seu valor.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essa dinâmica gera relações marcadas por instabilidade emocional, uma verdadeira montanha-russa, onde a pessoa se torna viciada nessa intensidade. Relações curtas e intensas são preferidas, pois o vínculo e a segurança são percebidos como ameaçadores. Como resultado, uma relação mais amorosa e estável, fundamentada em afinidades genuínas, pode parecer desinteressante e pouco atrativa, uma vez que o prazer e o amor foi, de certa forma, condicionado à dor e à insegurança.</p>



<h2 id="h-a-convivencia-com-o-outro-pode-trazer-valiosos-elementos-para-nosso-desenvolvimento-contudo-e-essencial-nao-buscarmos-uma-fusao-esperando-que-o-parceiro-realize-o-que-nao-conseguimos-em-nos-mesmos" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">A convivência com o outro pode trazer valiosos elementos para nosso desenvolvimento. Contudo, é essencial não buscarmos uma fusão, esperando que o parceiro realize o que não conseguimos em nós mesmos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A complementaridade genuína reside em nosso próprio interior, e não na outra pessoa. Numa relação amorosa, o parceiro pode servir de espelho, inspirar e estimular o desenvolvimento de nossas potencialidades desconhecidas, auxiliando, assim, em nosso processo de nos tornarmos inteiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, a repetição de padrões amorosos insatisfatórios, o chamado &#8216;dedo podre&#8217;, não representa um destino fatalista, mas sim um convite à introspecção. Nossas escolhas, frequentemente guiadas por forças inconscientes e pela busca do familiar, revelam nossos condicionamentos, desequilíbrios internos e a busca por reparação das relações primárias. Relacionamentos baseados nessa busca por reparação ou fuga do vínculo genuíno não possibilitam o desenvolvimento do amor autêntico. É fundamental reconhecer que a complementariedade e a capacidade de reparar nossas dores e integrar nossos aspectos sombrios residem em nós mesmos, e não na projeção sobre o outro. Ao buscarmos o autoconhecimento para compreender quem somos para além das influências arquetípicas e dos padrões aprendidos, conquistamos a capacidade de fazer escolhas mais conscientes e de construir relacionamentos que honrem nossa integralidade e impulsionem nosso processo de individuação.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/caroline/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/caroline/">Caroline Costa &#8211; Analista em formação IJEP</a>/ @carolinecosta.terapeuta</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/waldemarmagaldi/">Waldemar Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vídeo de apresentação:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://www.ijep.com.br" type="link" id="www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Um diálogo necessário entre a Psicologia Analítica e relatórios de saúde mental da criança e do adolescente</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/um-dialogo-necessario-entre-a-psicologia-analitica-e-relatorios-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Danielle Chaves Gomes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 17:49:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este artigo busca tangenciar informações de relatórios de saúde mental da criança e do adolescente e a Psicologia Analítica. O objetivo é fazer um recorte na vida psíquica desta etapa da vida e discuti-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo: </strong>Este artigo busca tangenciar informações de relatórios de saúde mental da criança e do adolescente e a Psicologia Analítica. O objetivo é fazer um recorte na vida psíquica desta etapa da vida e discuti-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tenho-grande-interesse-em-aproximar-a-psicologia-analitica-de-outras-areas-do-conhecimento-e-das-questoes-que-marcam-a-contemporaneidade" style="font-size:19px">Tenho grande interesse em aproximar a Psicologia Analítica de outras áreas do conhecimento e das questões que marcam a contemporaneidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Acredito que nós, terapeutas junguianos, podemos construir pontes entre a Psicologia Analítica e os fenômenos atuais, ampliando reflexões sobre os desafios do nosso tempo. Esse tangenciamento — seja em artigos como esse, congressos, aulas, diálogos ou sessões de análise — enriquece terapeutas, analisandos, profissionais de outras áreas e o coletivo. Por isso, considero essencial que a Psicologia Analítica dialogue com campos como políticas públicas, epidemiologia, cultura, educação e saúde, pois esses espaços evidenciam, de forma concreta, como a vida psíquica se expressa na sociedade em determinado tempo e espaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Entre os muitos temas possíveis, escolho aqui a infância e a adolescência. Seguindo a intenção exposta anteriormente, os dados oficiais de saúde mental aparecem como uma fonte valiosa de reflexão, já que há a possibilidade de analisá-los como expressão do que se manifesta na alma das crianças e dos adolescentes e que está pedindo olhar, acolhimento, cuidado e escuta.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-antes-de-avancar-e-importante-fazer-algumas-ressalvas" style="font-size:19px">Antes de avançar, é importante fazer algumas ressalvas.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Definir saúde mental não é simples, devido às diversas discussões sobre o tema. Assim, utilizo a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) pela frequência com que aparece na literatura e por ser uma das principais referências deste trabalho. Além disso, embora o foco aqui seja a vida psíquica de crianças e adolescentes, é essencial lembrar que todos somos frutos de um contexto biopsicossocial e espiritual, que deve sempre ser considerado na análise.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Para a OMS, a saúde mental está inserida em um contexto biopsicossocial e, portanto, sofre a influência de múltiplos fatores que estão interligados entre si, exercendo cada qual a sua participação no bem-estar mental. Quando há saúde mental, o indivíduo é capaz de lidar com situações estressantes da vida, de aprender, desenvolver suas habilidades, trabalhar, se relacionar e contribuir com sua comunidade. Especificamente em relação às crianças, ela se reflete em distintos aspectos do desenvolvimento, como um senso positivo de identidade, capacidade de organizar pensamentos e emoções, construção de relacionamentos sociais e capacidade de aprendizado &#8211; o que irá impactar, no futuro, na sua participação na sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-oms-lembra-que-a-saude-mental-nao-esta-inserida-em-um-sistema-binario-no-qual-ou-se-tem-saude-mental-ou-nao" style="font-size:19px">A OMS lembra que a saúde mental não está inserida em um sistema binário, no qual ou se tem saúde mental ou não.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pelo contrário, uma pessoa com algum diagnóstico de transtorno mental pode experienciar períodos de maior bem-estar mental, assim como uma pessoa sem qualquer transtorno pode passar por momentos de baixo nível de bem-estar. Sendo assim, no decorrer da vida, o bem-estar mental oscila na dependência de fatores individuais, familiares e estruturais que, combinados, são determinantes da saúde mental porque podem atuar de forma protetiva ou não (WHO, 2021; WHO, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 2022, ano em que a ONU estimou a população mundial em 8 bilhões, a OMS divulgou sua maior revisão sobre saúde mental desde a virada do século, e apontou que cerca de 970 milhões de pessoas viviam com pelo menos um transtorno mental em 2019,&nbsp; aproximadamente 13% da população mundial (WHO, 2022; UNITED NATIONS, 2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em relatório mais recente, constatou-se que a prevalência aumentou para 14% em 2021, avançando mais rápido que o crescimento populacional entre 2011 e 2021. Entre as crianças de 5 a 9 anos, 7% viviam com algum transtorno mental; entre adolescentes de 10 a 19 anos, esse número subia para 14%.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-alem-disso-um-terco-dos-transtornos-que-aparecem-na-vida-adulta-se-inicia-ate-os-14-anos-metade-ate-os-18-e-quase-dois-tercos-ate-os-25-anos-who-2025" style="font-size:19px">Além disso, um terço dos transtornos que aparecem na vida adulta se inicia até os 14 anos; metade até os 18; e quase dois terços até os 25 anos (WHO, 2025).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A esses dados soma-se o relatório do UNICEF (2021), que reforça o papel decisivo dos determinantes de saúde mental na infância e adolescência. O documento destaca o papel crucial dos determinantes de saúde mental nessa fase do desenvolvimento e mostra como experiências adversas — como abuso, negligência e violência — influenciam de forma significativa o bem-estar psíquico infantil.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Para facilitar a compreensão, o UNICEF organiza esses determinantes em três esferas</strong>: o mundo da criança (ambiente doméstico e cuidados), o mundo ao redor (escola, comunidade, vínculos) e o mundo mais amplo (determinantes sociais).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em relação ao primeiro fator, foco deste artigo, ressalta que o papel dos pais no processo de promoção e apoio ao desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual de uma criança é de suma importância para a construção de uma base sólida da saúde mental da criança e do adolescente. Porém, muitos pais precisam de apoio nesta construção em relação à própria saúde mental, com orientações, informações e apoio psicossocial. (UNICEF, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Dentre tantos dados, estudos, considerações e apontamentos, uma informação é comum e de extrema importância: o período da vida compreendido desde a gestação até a puberdade é a etapa da vida na qual o ser humano está mais suscetível à influência dos fatores determinantes de saúde mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-por-sua-vez-destaca-que-nesta-fase-se-encontram-as-bases-da-vida-psiquica-como-sera-explicitado-adiante" style="font-size:19px">Jung, por sua vez, destaca que nesta fase se encontram as bases da vida psíquica, como será explicitado adiante.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Considerando que a criança permanece por muitos anos sob a influência dos pais e do ambiente familiar, é de extrema importância ir além dos critérios diagnósticos e, com base na Psicologia Junguiana, compreender como a dinâmica familiar impacta o desenvolvimento psíquico, ajudando a interpretar o que os dados oficiais revelam.&nbsp; Isto não significa que se negue os diagnósticos apresentados.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sobre isso, a psicopatologia, na perspectiva da Psicologia Analítica, tem uma visão importante sobre a forma como se dá a dinâmica da relação consciência e inconsciente, na compreensão da psicogênese do que é dito “doente”, conforme pontua <strong>Salvador</strong>:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O texto Junguiano leva a refletir que algo apareceria como psicopatológico (doente) quando, numa dissociação na psique, se instalasse uma cisão e embate onde o padrão dominante na consciência vivesse como ameaça e lutasse contra os aspectos configurados em complexo de outra forma. (&#8230;) E, quanto mais unilateral e rígida, maior a intensidade do que diverge do dominante.</p><cite>(2022, p. 441)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desta forma, o Professor <strong>Ajax Salvador</strong> nos traz que aquilo que aparece como ‘doente’, trata-se, na realidade, da dinâmica de um eu rígido, inflexível e unilateral, que não se relaciona com os conteúdos do inconsciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É essa dinâmica de “luta” contra os conteúdos inconscientes que está como pano de fundo do sofrimento da alma, podendo chegar até mesmo a uma dissociação psíquica, levando a um quadro de psicose. Porém, quando falamos da infância e da adolescência, um olhar para além desta dinâmica deve ser lançado, pois se trata de uma etapa da vida em que a psique ainda está em formação e desenvolvimento e a criança ainda está imersa na vida psíquica dos pais e cuidadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neste-sentido-carl-gustav-jung-destaca-que-ha-um-fator-preponderante-em-relacao-aos-outros-que-influencia-a-formacao-e-o-desenvolvimento-da-psique-infantil" style="font-size:19px">Neste sentido, Carl Gustav Jung destaca que há um fator preponderante em relação aos outros que influencia a formação e o desenvolvimento da psique infantil:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Via de regra, o fator que atua psiquicamente de um modo mais intenso sobre a criança é a vida que os pais ou antepassados não viveram (pois se trata de fenômeno psicológico atávico do pecado original). Tal afirmação poderia parecer algo de sumário e artificial sem esta restrição: essa parte da vida a que nos referimos seria aquela que os pais poderiam ter vivido se não a tivesse ocultado mediante subterfúgios mais ou menos gastos. Trata-se, pois, de uma parte da vida que — numa expressão inequívoca — foi abafada talvez com uma mentira piedosa. É isto que abriga os germes mais virulentos. (JUNG, 2013a, p. 52).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ressalta-ainda-que-os-pais-sao-fontes-primarias-das-neuroses-dos-filhos-e-que-via-de-regra-as-reacoes-mais-fortes-sobre-as-criancas-nao-provem-do-estado-consciente-dos-pais-mas-de-seu-fundo-inconsciente-jung-2013a-p-51-p-84" style="font-size:19px">Jung ressalta ainda que os pais são fontes primárias das neuroses dos filhos e que “<em>(&#8230;) via de regra, as reações mais fortes sobre as crianças não provêm do estado consciente dos pais, mas de seu fundo inconsciente</em>.” (JUNG, 2013a, p. 51, p. 84).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Sendo assim, é importante compreender que não são somente as atitudes conscientes de pais e cuidadores que afetam a vida psíquica da criança. A forma que se relacionam com o inconsciente também afeta, ou seja, aquilo que não é falado, que é negado, reprimido e não confrontado também afeta. Isso ocorre porque o eu da criança está em formação e, portanto, principalmente a criança pequena, vive em um estado de inconsciência sobre si própria, que origina uma indiferenciação em relação ao objeto, de tal maneira que experimenta a mãe e o mundo como sendo si própria. (JUNG, 2013a, p. 50).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A consequência é que, devido ao estado de identidade que se estabelece, a criança não sabe diferenciar o que é conteúdo dela e o que é conteúdo de seus pais, e a consequência é que ela vai se tornando depositária das questões deles, tomando como parte de si tudo o que ocorre na vida psíquica de seus pais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-isso-jung-nos-diz-nesse-trecho-que-e-longo-mas-fundamental-para-o-entendimento" style="font-size:19px"><strong>Sobre isso, Jung nos diz nesse trecho que é longo, mas fundamental para o entendimento:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Não é a vida honesta e piedosa, não é a inculcação de verdades pedagógicas que exercem influência moldadora sobre o caráter da pessoa em formação; o que tem maior influência é a atitude emocional, pessoal e inconsciente, dos pais e educadores. A desarmonia latente entre os pais, uma preocupação secreta, desejos secretos e reprimidos, tudo isso produz na criança um estado emocional, com sinais perfeitamente reconhecíveis, que devagar, mas segura e inconscientemente vai penetrando na psique dela, levando às mesmas atitudes e, portanto, às mesmas reações aos estímulos do meio ambiente. (&#8230;). Se nós, adultos, mostramo-nos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou.</p><cite>JUNG, 2012, p. 524</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Zweig e Abrams (1994, p.69) ampliam essa ideia ao dizer que&nbsp; “Cada um de nós tem uma herança psicológica que não é menos real que nossa herança biológica. Essa herança inclui um legado de sombra que nos é transmitido e que absorvemos no caldo psíquico do nosso ambiente familiar.” Portanto, estamos falando de uma herança psíquica transgeracional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outro-ponto-essencial-da-relacao-parental-e-a-projecao" style="font-size:19px"><strong>Outro ponto essencial da relação parental é a projeção.</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jacoby (2010, p.28) mostra como a imagem arquetípica da criança é frequentemente projetada sobre o filho quando os pais não buscam sua própria realização. Nestes casos, o desejo de autorrealização é projetado nas crianças e pode trazer consequências significativas em suas vidas porque “ela rouba, até mesmo violenta, o crescente esforço por autonomia da criança em amadurecimento.” (JACOBY, 2010, p.27).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-campo-da-relacao-primal-autores-como-neumann-e-edinger-destacam-que-sera-fundamental-para-o-desenvolvimento-psiquico" style="font-size:19px">No campo da relação primal, autores como Neumann e Edinger destacam que será fundamental para o desenvolvimento psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É a vivência de segurança adquirida na relação primal que capacita o eu a integrar as possíveis crises que possam transcorrer no percurso do desenvolvimento. Também é esta experiência que capacita a criança a suportar as inibições impostas por um código de conduta ou por valores culturais (NEUMANN, 1995, p. 51). Edinger (2020, p. 29, p.60) pontua que&nbsp; a vivência de segurança e acolhimento nos primeiros anos é decisiva para a formação do eixo eu–Si-mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Quando essa relação é fragilizada — seja por ausência de afeto, violência, rejeição, abandono ou mesmo conflitos familiares intensos — surgem danos psíquicos que podem ressoar por toda a vida, como sentimentos de vazio, desespero, falta de sentido e, em casos extremos, psicoses e risco de suicídio. Aqui, vale lembrar os dados de suicídio na infância e na adolescência apresentados nos relatórios e a reflexão acerca do quanto tais análises podem estar representando a dor da falta do amor, da aceitação e de um ambiente amoroso. Por outro lado, um ambiente excessivamente permissivo também pode gerar inflação do eu, dificultando o contato com limites e frustrações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-desafio-da-educacao-esta-em-estabelecer-o-equilibrio-entre-os-dois-caminhos" style="font-size:19px">O desafio da educação está em estabelecer o equilíbrio entre os dois caminhos.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É possível perceber, após toda a discussão do tema, que a conclusão dos relatórios de que a maioria dos transtornos mentais se iniciam no início do desenvolvimento é perfeitamente plausível de acordo com a visão junguiana, ao considerar que a psique do adulto é uma consequência da psique que iniciou sua formação na infância. Inclusive, como coloca Jung, tal influência pode conduzir toda a vida da pessoa: “Vemos em cada neurótico como a constelação do meio ambiente infantil influencia não só o caráter da neurose, mas também o destino de vida, até mesmo em pequenos detalhes.” (JUNG, 2012, p. 526).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em resumo, pais e cuidadores exercem grande influência sobre o desenvolvimento psíquico infantojuvenil por diversas vias: herança psicológica transgeracional; formação da sombra; projeções parentais; e prejuízo da formação e desenvolvimento do eixo eu-Si-mesmo &#8211; onde está a influência da relação primal, do tipo de educação e do ambiente. Por isso, quando falamos de saúde mental da criança e do adolescente, não podemos separar essa discussão da saúde mental dos pais e cuidadores e de seu compromisso com o autoconhecimento. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-que-esse-efeito-seja-minimizado-jung-pontua-que" style="font-size:19px">Para que esse efeito seja minimizado, Jung pontua que:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A única coisa que pode preservar a criança desses danos desnaturais é a atitude sincera dos pais diante dos problemas da vida.” (JUNG, 2013a, p. 89). Também nos lembra que: “Para o bem de seus filhos, os pais deveriam considerar seu dever jamais esquecer suas próprias dificuldades íntimas. O que não devem fazer é reprimi-las levianamente e talvez fugir de confrontos dolorosos. </p><cite>JUNG, 2013a, p. 140</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">É possível concluir o quanto esta fase da vida é importante e determinante para o bem-estar mental de toda uma vida, não somente na infância. Além disso, fica claro que não é possível separar saúde mental da criança e do adolescente da saúde mental parental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-em-resumo-a-compreensao-junguiana-mostra-que-quando-se-fala-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente-e-de-suma-importancia" style="font-size:19px"><strong>Em resumo, a compreensão junguiana mostra que quando se fala de saúde mental da criança e do adolescente, é de suma importância:</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li style="font-size:19px">a valorização do autoconhecimento dos pais;</li>



<li style="font-size:19px">que se incluam intervenções que ajudem pais e cuidadores a reconhecerem suas projeções;</li>



<li style="font-size:19px">que políticas públicas considerem pais e cuidadores, e não apenas as crianças;</li>



<li style="font-size:19px">a compreensão dos sintomas infantis como expressões também de complexos familiares;</li>



<li style="font-size:19px">que considerem a criança como sujeito, mas também como parte de um campo psíquico maior.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Por fim, ressalto o quanto Jung foi pioneiro: muito antes de haver dados epidemiológicos mundiais, ele já apontava que as bases da vida psíquica se estruturam nos primeiros anos de vida, aquilo que hoje é sustentado por pesquisas globais.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: Psicologia Analítica e saúde mental da criança e do adolescente" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/kXYWMnIix98?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/danielle-chaves-gomes-de-oliveira/">Danielle Chaves Gomes de Oliveira – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/mgloriagmiranda/">Maria da Glória Miranda &#8211; Membro Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">EDINGER, E.F. Ego e arquétipo: uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos</p>



<p class="wp-block-paragraph">fundamentais de Jung. 2.ed. São Paulo, Cultrix, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">HILLMAN, J. Estudos de psicologia arquetípica. 1.ed. Rio de Janeiro, Vozes, 1978.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JACOB, M. Psicoterapia Junguiana e a pesquisa contemporânea com crianças. 1.ed. São</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paulo, Paulus, 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G. Estudos Experimentais, 3. ed., Petrópolis, Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C.G O desenvolvimento da personalidade. 14. ed. Petrópolis, Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">NEUMANN, E. A criança. 10. ed. São Paulo, Cultrix, 1995</p>



<p class="wp-block-paragraph">SALVADOR, A.P. Psicopatologia na perspectiva junguiana: uma psicopatologia “re-imaginada”.In: MAGALDI, W. (Org.). Fundamentos da psicologia analítica. 1.ed. São Paulo, Eleva Cultural, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNICEF. United Nations Children’s Fund, The State of the World’s Children 2021: On My</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mind – Promoting, protecting and caring for children’s mental health, UNICEF, New York:</p>



<p class="wp-block-paragraph">2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs, Population Division. World Population Prospects 2022: Summary of Results. New York: United Nations; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Comprehensive mental health action plan</p>



<p class="wp-block-paragraph">2013–2030. Geneva: World Health Organization; 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World mental health report: transforming</p>



<p class="wp-block-paragraph">mental health for all. Geneva: World Health Organization; 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WORLD HEALTH ORGANIZATION. World mental health today: latest data. Genebra:2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">ZWEIG, C.; ABRAMS, J. Ao encontro da sombra. 1. ed. São Paulo, Cultrix, 1994.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/um-dialogo-necessario-entre-a-psicologia-analitica-e-relatorios-de-saude-mental-da-crianca-e-do-adolescente/">Um diálogo necessário entre a Psicologia Analítica e relatórios de saúde mental da criança e do adolescente</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pareidolia-e-libido-de-parentesco-sob-a-perspectiva-da-psicologia-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 20:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[complexos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta &#160;nuvem ☁️ se parece com 🐑 &#8230; A arte de ver&#8230; Resumo: A pareidolia e a libido de parentesco serão abordadas nesse artigo sob a ótica da psicologia junguiana. A partir da apresentação da origem, do conceito e da ocorrência – inclusive, na arte – de ambos os conceitos, o texto finaliza com uma [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-b173bf72ce08d36b38a225f7d6f3e8b1 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>Esta &nbsp;nuvem ☁️</em> <em>se parece com 🐑</em> <em>&#8230;</em></p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-ff20a91b3bcd8e749c35091eab0b2086 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>A arte de ver&#8230;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A pareidolia e a libido de parentesco serão abordadas nesse artigo sob a ótica da psicologia junguiana. A partir da apresentação da origem, do conceito e da ocorrência – inclusive, na arte – de ambos os conceitos, o texto finaliza com uma reflexão traçando um paralelo entre eles.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desde criança olho para as nuvens e vejo figuras, assim como nas dobras de cobertores, na superfície de pedras, no formato das montanhas, em manchas em geral. E você? Já observou nuvens e nelas identificou alguma forma ou figura? Viu alguma mancha que te remeteu a algo parecido? Já se perguntou sobre a origem dos nomes pico das Agulhas Negras ou do morro do Pão de Açúcar? Ou, ainda, do termo “Bico de Papagaio” observado em radiografias?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Descobri que isso tinha uma denominação: pareidolia. Existiria esse termo na psicologia junguiana? Haveria alguma relação com a libido de parentesco?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse artigo proponho, a partir dessas questões acima colocadas, uma reflexão sobre pareidolia e libido de parentesco, trazendo a visão da psicologia junguiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Primeiro será apresentado o termo pareidolia, sua história e ocorrência. Na sequência o conceito de libido de parentesco será abordado trazendo a visão de C. G. Jung. Após essa exposição inicial será feita uma breve reflexão relacionando ambos os termos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 1886, o psiquiatra alemão Karl Ludwig Kahlbaum introduziu o termo “<em>Pareidolie</em>” em seu artigo &#8220;<em>Die Sinnesdelierien</em>” (Sobre a ilusão dos sentidos). No ano seguinte o termo foi adotado na língua inglesa como pareidolia, sendo definido como uma “&#8230;alucinação mutável, alucinação parcial, [e] percepção de imagens secundárias.&#8221; <a>(Wikipedia, 2025)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Etimologicamente pareidolia deriva do grego <em>παρά</em> (para) &#8211; ao lado, junto a, em vez de &#8211; e do substantivo <em>εἴδωλον</em> (eídōlon) &#8211; imagem, forma, figura. (Wikipedia, 2025)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-e-uma-producao-normal-da-psique-a-consciencia-tende-a-achar-padroes-mesmo-onde-nao-ha-para-organizar-uma-situacao-caotica" style="font-size:19px">A pareidolia é uma produção normal da psique. A consciência tende a achar padrões mesmo onde não há para organizar uma situação caótica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Possivelmente essa tendência já se encontrava nos primeiros seres humanos e pode ser considerada como sendo uma raiz instintiva de grande valor para a sobrevivência por identificar precocemente ameaças e rostos. (Ungvarsky, J., 2023). Segundo Magaldi (2025): “<strong><em>O cérebro é uma máquina de achar padrões, mesmo onde não há. Por isso acontecem os fenômenos de Apofenia e Pareidolia. Vemos rostos em nuvens, constelações no caos</em></strong>.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pareidolia-pode-ser-definida-como" style="font-size:19px"><strong>Pareidolia pode ser definida como:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>a tendência da percepção de impor uma interpretação significativa a um estímulo nebuloso, geralmente visual, de modo que se detecte um objeto, padrão ou significado onde não há nenhum. Pareidolia é um tipo específico, mas comum, de apofenia (a tendência de perceber conexões significativas entre coisas ou ideias não relacionadas). (Wikipedia, 2025)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Há muitos relatos sobre ver figuras nas nuvens, em meio de folhas, em pedras, em manchas presentes em diferentes materiais e objetos.&nbsp; Alguns artistas usaram as manchas como inspiração, espontaneamente davam sentido às formas indefinidas e as associavam a formas conhecidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Elas são um estímulo à imaginação e à fantasia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A mancha é como uma massa indiferenciada da qual surge o desenho (figura, forma) que se apresenta como o seu oposto, com linhas e contornos definidos. Ela se caracteriza pela instabilidade, por contornos difusos ou complexos, onde não há definição rígida ou fixa e, por isso, tem o potencial de se parecer com qualquer coisa. (PAYO, 2000)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referindo-se-a-joseph-beuys-que-usava-materiais-gordurosos-para-suas-obras-que-se-caracterizavam-por-manchas-sem-contornos-definidos-payo-2000-coloca-que" style="font-size:19px"><strong>Referindo-se à Joseph Beuys que usava materiais gordurosos para suas obras, que se caracterizavam por manchas sem contornos definidos, Payo (2000) coloca que:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Beuys aproveita precisamente esse efeito psicológico, quase mágico ou xamanístico que determinadas matérias cruas ou naturais têm de nos perturbar pela sua inevitabilidade, independente da nossa vontade ou controlo.</p><cite><em>PAYO, 2000, p. 25</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Artistas de diferentes movimentos usaram a mancha como fonte de inspiração, fizeram uso da pareidolia, para criar suas obras. Leonardo da Vinci descreve em seu famoso &#8220;Trattato della Pittura” ver diferentes padrões em manchas de diversos objetos (também cita o mesmo em sons) onde aconselha outros artistas a também se inspirarem nelas:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se observas uma parede atacada de manchas ou constituída de pedras de tipos diferentes, e tens de imaginar uma cena qualquer, verás no dito muro paisagens variadas, montanhas, rios, rochedos, árvores, planícies, vales extensos e diferentes agrupamentos de colinas. Descobrirás igualmente combates e figuras de movimentos rápidos, estranhos esboços de rostos e trajes exóticos e uma infinidade de coisas que poderás transformar em formas diferenciadas e bem concebidas. Acontece com esse tipo de paredes e aglomerados de pedras diferentes como o som dos sinos em que cada sino evoca o nome ou a palavra que tu imaginas. Não menosprezes o meu conselho, quando te lembro que não te deveria ser difícil parar por vezes para ver nas manchas das paredes, nas cinzas do fogo, ou nas nuvens, na lama ou coisas semelhantes: se as considerares com atenção, encontrarás nelas ideias verdadeiramente maravilhosas. O espírito do pintor deixa-se estimular com novas invenções, composições de batalhas de animais ou de homens, diversas composições de paisagens e coisas monstruosas, tais que diabos e coisas semelhantes que te poderiam honrar, pois que é nas coisas confusas que o espírito encontra matéria para novas invenções.</p><cite><em>Da Vinci, L apud Payo, M.S., 2000, p.12</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além de <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Leonardo_da_Vinci?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Leonardo da Vinci</a> outros artistas renascentistas inspiraram-se nelas como <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Andrea_Mantegna?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Andrea Mantegna</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giotto?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giotto</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Hans_Holbein_the_Younger?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Hans Holbein</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giuseppe_Arcimboldo?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giuseppe Arcimbold</a>o; entre os surrealistas Salvador Dali, Max Ernst; em Andy Warhol com suas “Rorschach Paintings” (Pop Art); em Joseph Beuys (Neodadaísmo); entre outros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-se-constata-na-arquitetura-mesquitas-do-seculo-xiii-na-turquia-por-exemplo-na-religiao-como-imagens-de-jesus-da-virgem-maria-hanuman-deus-macaco-hindu-e-mais-recentemente-na-visao-computacional-nos-programas-de-reconhecimento-de-imagem" style="font-size:19px">A pareidolia se constata na arquitetura (mesquitas do século XIII na Turquia, por exemplo), na religião (como imagens de Jesus, da Virgem Maria, Hanuman &#8211; “Deus Macaco” hindu) e, mais recentemente, na visão computacional (nos programas de reconhecimento de imagem).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Andy Warhol, na série <em>Rorschach’s</em> de 1984, comenta sobre as manchas e o psicologismo que elas parecem comumente inferir. Para Mia Fineman, Warhol sugere através dessa série que mesmo as formas ingenuamente abstratas se transformam em “conteúdos literários – tais como uma árvore ou um pássaro ou uma flor.” (PAYO, 2000, p.25) Andy Warhol baseou-se nas pranchas do teste de Rorschach para produzir suas obras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-teste-de-rorschach-nbsp-tambem-conhecido-por-nbsp-teste-do-borrao-de-tinta-teste-projetivo-ou-de-autoexpressao-nbsp-foi-desenvolvido-pelo-psiquiatra-e-nbsp-psicanalista-freudiano-nbsp-suico-nbsp-hermann-rorschach-1884-1922" style="font-size:19px">O teste de Rorschach &#8211; &nbsp;também conhecido por&nbsp;&#8220;teste do borrão de tinta&#8221;, teste projetivo ou de autoexpressão &#8211; &nbsp;foi desenvolvido pelo psiquiatra e&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista">psicanalista</a> freudiano&nbsp;suíço&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermann_Rorschach">Hermann Rorschach</a> (1884 – 1922).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ele, na infância era chamado de <em>Klecks</em> (mancha de tinta), pois jogava <em>Klecksographie</em>, um jogo do século XIX, cujo objetivo era criar pequenos poemas a partir de manchas abstratas de tinta. A brincadeira tinha como base a pareidolia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse teste se utiliza de uma avaliação psicológica pictórica. São usadas pranchas com manchas simétricas e, após a visualização delas, a pessoa responde com o que se parecem as manchas e, através das respostas, avalia-se a sua dinâmica psicológica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-rorschach-se-baseou-no-conceito-freudiano-da-projecao-onde-aspectos-inconscientes-da-personalidade-se-projetam-nesse-caso-nas-manchas-de-tinta" style="font-size:19px"><strong>Rorschach se baseou no conceito freudiano da projeção onde aspectos inconscientes da personalidade se projetam, nesse caso, nas manchas de tinta</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção clássica freudiana é descrita como um mecanismo de defesa onde características negativas da personalidade são projetadas em um objeto de maneira inconsciente. Rorschach fez uso do teste na psiquiatria, principalmente para o diagnóstico da esquizofrenia. (Wikipedia, 2019)&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa tendência, descrita acima como pareidolia, repete-se em várias áreas, desde a arte, na medicina, em jogos lúdicos&#8230;, e em várias culturas, há muito tempo como um instinto de sobrevivência, com isso podemos supor que está relacionada com uma camada mais profunda da psique, uma camada coletiva. Desse modo poderemos talvez entender a pareidolia mais profundamente pela teoria junguiana traçando um paralelo com a libido de parentesco abordada por Jung em sua obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung, em suas <strong>Obras Completas</strong>, parece não citar o termo pareidolia, nem Karl Ludwig Kahlbaum &#8211; que o introduziu -, no entanto, encontram-se citações sobre a técnica de <em>Rorschach</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, o teste de Rorschach é uma espilografia (palavra de etimologia grega que significa desenho de manchas) ou Klecksographie (palavra por ele utilizada), que evita qualquer instigação de sentido e que produz “<strong>um fantasma puramente subjetivo</strong>”. (JUNG, 2013e, p.119)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung também se refere ao <strong>Teste de Rorschach</strong> ao escrever sobre a caracterologia que é composta por características físicas e psíquicas, pois o “caráter é a forma individual estável da pessoa” que é de natureza física e corporal. <strong>Corpo e alma são inseparáveis, pois na natureza há uma continuidade que impossibilita a separação de ambos</strong>. Portanto, seria possível tirar conclusões das características psíquicas a partir do corpo e das corpóreas a partir da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As características advindas do corpo pela psique são mais fáceis de serem compreendidas, pois o corpo é visível, mais conhecido. No entanto, a psique é mais obscura, menos explorada e dela obtemos apenas informações indiretas, por meio das funções da consciência que também podem falhar. Por isso a caracterologia, para Jung (2013d, p. 529 &#8211; 530), sempre se apoiou em um caminho “que vai de fora para dentro, do conhecido para o desconhecido, do corpo para a alma”, como se observou na astrologia, quiromancia, grafologia e na técnica de <em>Rorschach</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O caminho contrário que possibilitaria constatar expressões físicas a partir de fatos psíquicos é mais difícil devido a constatação dos fatores psíquicos, pois nós somos psique e, portanto, “<strong><em>é quase inevitável que, ao darmos livre curso ao processo psíquico, sejamos nele confundidos e fiquemos privados de nossa capacidade de reconhecer distinções e fazer comparações</em></strong>.” (JUNG, 2013d, p.531)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da sintomatologia os processos psíquicos subjacentes foram sendo conhecidos e, Jung afirma que, a base desses sintomas são os próprios processos psíquicos. Portanto, a partir da psicopatologia foi possível fazer uma fenomenologia psíquica que seria a própria teoria dos complexos. (JUNG, 2013d, p.532).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complexos-sao-conteudos-ativos-da-psique-com-nucleo-arquetipico-carregados-de-afeto-que-tem-certa-autonomia-e-nao-se-submetem-ao-controle-da-consciencia-podendo-nela-interferir" style="font-size:19px">Complexos são conteúdos ativos da psique, com núcleo arquetípico, carregados de afeto, que tem certa autonomia e não se submetem ao controle da consciência, podendo nela interferir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Apresentam-se como “um sintoma valioso para diagnosticar uma disposição individual”, pois têm características de conflito e discordância que mostram ao indivíduo um sofrimento ou algo não resolvido e, com isso, trazem a possibilidade para o indivíduo perceber a sua inadequação de adaptação. Atuam nos indivíduos de forma totalmente singular (JUNG, 2013d, p.533 &#8211; 535).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Eles se estabelecem por semelhanças e analogias (JUNG, 2013c, p.79). O complexo forte tem como característica assimilar tudo o que puder (JUNG, 2013c, p.96). Os complexos de tonalidade afetiva, que eram considerados falhas de reação nas experiências de associação, foram descobertos por Jung por meio da assimilação. (JUNG, 2013a, p. 40)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>A assimilação é um comportamento autônomo da psique onde o indivíduo apresenta uma tendência a se comportar de acordo com um condicionamento psíquico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na assimilação um novo conteúdo psíquico é registrado pela consciência como se fosse um conteúdo já conhecido, devido a sua semelhança com um conteúdo conhecido. Desse modo pode-se perder o que teria de diferente para ser observado no objeto externo, pois a imagem recordada toma o seu lugar. O complexo assimila a nova forma (como se já fosse conhecida); “a consciência assume o papel de complexo assimilante”. (JUNG, 2013a, p.40-41) </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung-a-assimilacao" style="font-size:19px"><strong>Nas palavras de Jung a assimilação:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É a aproximação de um novo conteúdo da consciência de um material subjetivo que está à disposição, em que é ressaltada sobremodo a semelhança do novo conteúdo com o material subjetivo disponível, às vezes em detrimento da qualidade autônoma do novo conteúdo. A assimilação é basicamente um processo de apercepção que se distingue, porém, da pura apercepção pelo elemento de aproximação do material subjetivo.</p><cite>JUNG, 2013d, p.432</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A assimilação também pode ser compreendida como uma “<strong>interpenetração recíproca de conteúdos conscientes e inconscientes</strong>” onde, nesse caso, a consciência não avalia unilateralmente, não reinterpreta, nem distorce os conteúdos do inconsciente. (JUNG, 2012, p.35)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entende-se-por-apercepcao-a-psiquificacao-da-percepcao" style="font-size:19px">Entende-se por apercepção a psiquificação da percepção.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A psiquificação seria a assimilação de um fator extra psíquico, por exemplo um instinto extra psíquico, por uma estrutura psíquica complexa, tornando esse instinto um fenômeno psíquico <a>(JUNG, 2013a, p.61)</a>. Por exemplo, ao perceber um ruído o indivíduo o apercebe quando ele se psiquifica, ou seja, quando o ruido percebido como onda mecânica apreendida pelos órgãos sensoriais (estrutura fisiológica) se torna para o indivíduo aquele ruido que abarca muitos significados singulares e coletivos, nesse momento esse ruido se psiquificou (<a>JUNG, 2013a</a>, p.84). A apercepção tem uma complexidade psíquica na qual vários processos psíquicos atuam (pensamento, sensação, sentimento e intuição) e ela pode ser dirigida (racional) ou não dirigida (irracional). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Portanto, quando olhamos para uma mancha inicialmente haverá a percepção por meio dos sentidos e através da psiquificação apercebe-se a imagem, que é assimilada por um complexo e experienciada pelo indivíduo.&nbsp; <strong>Tudo é vivenciado e experienciado através da psique, pois é apenas através da realidade psíquica que podemos nos relacionar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-pergunta-o-leitor-onde-fica-a-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">E, pergunta o leitor, <strong>onde fica a libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung denominou a libido de parentesco ao analisar o incesto como uma relação endógama que equivaleria a uma libido que “tende a manter a coesão da família em seu sentido mais restrito”. Seria como um instinto muito importante com a função de manter o grupo familiar unido, a exemplo dos cães pastores. (JUNG, 2012, p.108-109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013d-p-474-libido-e-o-mesmo-que-energia-psiquica-onde-energia-e-o-valor-psicologico-determinado-pela-intensidade-do-processo-psiquico" style="font-size:19px"><strong>Para Jung (2013d, p.474) libido é o mesmo que energia psíquica</strong>, onde energia é o valor psicológico determinado pela intensidade do processo psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-as-afinidades-ou-seja-as-semelhancas-e-analogias-conferidas-pela-familiaridade-e-pelo-incesto-conferem-a-assimilacao-um-carater-de-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">As afinidades, ou seja, as semelhanças e analogias, conferidas pela familiaridade e pelo incesto, conferem à assimilação um caráter de libido de parentesco:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>o perigo da “afinidade” com suas projeções falaciosas e sua tendência de assimilar o objeto no sentido da projeção, isto é, de conferir-lhe um caráter familiar, a fim de concretizar a situação incestuosa secreta: quanto menor o discernimento a respeito, tanto maior a atração e o fascínio que ela exerce.</p><cite>JUNG, 2012, p.126</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A libido de parentesco é um instinto próprio da natureza &#8211; que pode ser vista no caso do incesto como algo contra a natureza-, porém, seguir uma forte atração pelo semelhante é próprio da natureza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É contra a natureza cometer um incesto e é contra a natureza não seguir uma forte atração. E, no entanto, também é a natureza que obriga a uma tal atitude, uma vez que se trata da libido de parentesco.&nbsp;</p><cite>JUNG, 2012, p.148</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-quando-sao-vistas-as-figuras-nas-diferentes-manchas-pode-se-falar-em-pareidolia-e-ou-em-libido-de-parentesco" style="font-size:19px"><strong>Afinal, quando são vistas as figuras nas diferentes manchas pode-se falar em pareidolia e/ou em libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já nessa pergunta estaria embutida uma pareidolia ou libido de parentesco, devido ao fato de haver uma sugestão de semelhança e analogia? Ao traçar um paralelo entre pareidolia e libido de parentesco observam-se semelhanças e diferenças. Ambos os termos são considerados condições normais da psique, involuntárias, que tendem a buscar semelhança entre objetos conhecidos pelo sujeito com objetos desconhecidos ou indefinidos apresentados a ele. Têm a função de organizar, aumentar a coesão de aspectos conhecidos e, com isso, diminuem o caos, a desordem e a tensão psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Inicialmente, o termo pareidolia foi usado para uma técnica baseada na projeção clássica freudiana onde, na sua maioria, aspectos negativos eram projetados do inconsciente &#8211; correspondente a uma parte dos aspectos que compõem o inconsciente pessoal da psicologia analítica. O inconsciente pessoal contém memórias perdidas, ideias reprimidas, percepções subliminares e conteúdos que não atingiram a consciência por não terem energia suficiente. (MGALDI, 2022, p.71).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013e-p-23-a-projecao-e-a-transferencia-de-algo-inconsciente-para-um-objeto-que-pode-ser-tanto-do-inconsciente-pessoal-quanto-do-coletivo" style="font-size:19px">Para Jung (2013e, p.23) a projeção é a transferência de algo inconsciente para um objeto, que pode ser tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, a técnica de Rorschach se baseou em aspectos externos para determinar aspectos internos (de fora para dentro, do corpo para a alma). Na libido de parentesco, pelo contrário, vimos que é uma forma de ver a partir dos complexos que assimilam os conteúdos, seria a visão de dentro para fora, da alma para o corpo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-libido-de-parentesco-e-um-instinto-e-instintos-sao-constituintes-do-inconsciente-coletivo" style="font-size:19px"><strong>Libido de parentesco é um instinto e instintos são constituintes do inconsciente coletivo</strong>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na libido de parentesco, sendo uma tendência que vem de dentro para fora, tem-se também a influência de padrões coletivos. Essa tendência de coesão entre aspectos conhecidos pode deixar de fora aspectos que são diferentes, que trazem algo desconhecido e isto pode fazer com que o complexo ganhe mais energia, por um lado, mas que eventualmente se <strong>unilateralize</strong> por outro. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Talvez os artistas por acessarem mais facilmente o inconsciente coletivo possam fazer um uso mais intenso e constante dessas tendências. O artista, para Jung (2013b, p.104, grifo do autor), é um “<em>homem coletivo</em>, portador e plasmador da alma inconsciente e ativa da humanidade”. Seria interessante nesse sentido observar uma ligação mais forte com o termo libido de parentesco. Como anteriormente mencionado, Leonardo da Vinci, Andy Warhol e outros artistas fizeram uso de tendências assimiladoras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2013e-referindo-se-a-tecnica-de-rorschach-compara-a-a-arte-moderna-pela-falta-de-instigar-um-sentido-e-por-produzir-um-fantasma-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>Jung (2013e) referindo-se à técnica de Rorschach compara-a à Arte Moderna pela falta de instigar um sentido e por produzir um “fantasma subjetivo</strong>”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Baseando-se nisso fez um experimento com um quadro do modernista Yves Tanguy. Menciona que a Arte Moderna tem a tendência de “tornar o objeto irreconhecível e assim barrar a participação e a compreensão do observador, que, chocado e confuso, sente-se jogado contra si mesmo.” (JUNG, 2013e, p. 109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-compara-isso-ao-efeito-psicologico-produzido-pelo-teste-de-rorschach-que-traz-o-inconsciente-a-participar-da-situacao-trazendo-um-fator-subjetivo-que-aumenta-a-carga-energetica-assemelhando-se-aos-testes-iniciais-de-associacao" style="font-size:19px">Jung compara isso ao efeito psicológico produzido pelo teste de <em>Rorschach </em>que traz o inconsciente a participar da situação, trazendo um “fator subjetivo” que aumenta a carga energética assemelhando-se aos testes iniciais de associação:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O efeito psicológico é comparável ao teste de Rorschach, em que um quadro puramente casual irracional apela para as forças igualmente irracionais da imaginação do espectador fazendo com que a sua disposição inconsciente participe do jogo. Onde o interesse manifestado é interrompido tão bruscamente, ele recai sobre o assim chamado &#8220;fator subjetivo&#8221;, aumentando sua carga energética &#8211; fenômeno claramente expresso nos testes iniciais de associação.</p><cite>JUNG, 2013e, p.109-110</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, se notam reações perturbadas que são provocadas pela intromissão de conteúdos inconscientes. &nbsp;A Arte Moderna pode ser instigadora de uma reação involuntária fazendo com que um fator subjetivo desperte um interesse relacionado à alma e, com isso, pode-se realizar uma análise mais profunda dos complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tanto os testes de <em>Rorschach</em>, quanto o teste de associação, quanto a Arte Moderna fornecem “<strong>informações sobre a constituição dos subestratos da consciência</strong>.” (JUNG, 2013e, p.110)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode-se inferir que a pareidolia e a libido de parentesco estão presentes na técnica de <em>Rorschach, </em>nos testes de associação e na arte de vários movimentos, assim como no dia a dia do ser humano: as manchas podem te instigar a refletir sobre algo muito mais profundo, pois cada indivíduo terá uma experiência psíquica singular frente a essas tendências.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo - Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/GSRea_SzwP4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/">Elfriede Walzberg – Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Perez Salvador – Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>Ab-reação, análise dos sonhos, transferência</em>. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>A natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>O espírito na arte e na ciência</em>. 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Psicogênese das doenças mentais</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. <a>Petrópolis: Vozes, 2013</a>d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Um mito moderno sobre coisas vistas no céu</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013e.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, S. (2022) <em>Inconsciente Coletivo e inconsciente pessoal</em>. &nbsp;In: MAGALDI, W. (Org.), Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo: Empresa Editora e Livraria Virtual Eleva Cultural, 2022, p. 61-76.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, W. (2025) <em>A orquestra oculta do universo produz a sincronicidade e a dança da realidade.</em> Disponível em: <a href="https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/">https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/</a> Acesso em: 29 out 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAYO, M. S. (2000) <em>Da mancha no desenho</em>. In: Relatório de aula teórico-prática, Provas de aptidão pedagógica e capacidade científica, assistente estagiário Lic. Pintor. Universidade de Lisboa Faculdade de Belas Artes. Disponível em: <a href="https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf">https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf</a> Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNGVARSKY, J. (2023) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: <a href="https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true">https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true</a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2019) <em>Teste de Rorschach</em>. Disponível em:&nbsp; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach">https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach</a><a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2025) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: (<a href="https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge</a> &nbsp;Acesso em: 29 out 2025.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png" alt="" class="wp-image-11717" style="width:741px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



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