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	<title>Arquivos símbolo - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos símbolo - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Produção Artesanal da Cerâmica como Exercício Simbólico</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-producao-artesanal-da-ceramica-como-exercicio-simbolico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cristiane Jageneski dos Reis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 11:25:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arteterapia e Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Expressões Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[Tipos Psicológicos]]></category>
		<category><![CDATA[argila]]></category>
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		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proposta do presente artigo é refletir sobre o processo artesanal da cerâmica como exercício simbólico e recurso terapêutico na despotencialização da função pensamento unilateralizada. Enaltecida pelo espírito do tempo, que considera a razão e a lógica como premissas supremas, a função pensamento torna-se uma armadilha para aqueles que a possuem como função dominante. Como evidenciado na teoria de Carl Gustav Jung, o indivíduo só consegue caminhar rumo à sua totalidade quando passa a integrar os conteúdos inconscientes. Sendo assim, a produção da cerâmica como expressão criativa apresenta-se com potencial para expressar conteúdos inacessíveis através apenas da intelectualidade, comprovando que formas não-verbais de comunicação possuem força simbólica, facilitam a integração das outras funções da consciência e abrem caminho para o desenvolvimento psíquico</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-producao-artesanal-da-ceramica-como-exercicio-simbolico/">A Produção Artesanal da Cerâmica como Exercício Simbólico</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px"><strong><em>Resumo: A proposta do presente artigo é refletir sobre o processo artesanal da cerâmica como exercício simbólico e recurso terapêutico na despotencialização da função pensamento unilateralizada.</em></strong></p>



<p style="font-size:18px">Enaltecida pelo espírito do tempo, que considera a razão e a lógica como premissas supremas, a função pensamento torna-se uma armadilha para aqueles que a possuem como função dominante. Como evidenciado na teoria de Carl Gustav Jung, o indivíduo só consegue caminhar rumo à sua totalidade quando passa a integrar os conteúdos inconscientes. Sendo assim, a produção da cerâmica como expressão criativa apresenta-se com potencial para expressar conteúdos inacessíveis através apenas da intelectualidade. Comprovando que formas não-verbais de comunicação possuem força simbólica, facilitam a integração das outras funções da consciência e abrem caminho para o desenvolvimento psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-obra-o-homem-e-seus-simbolos-carl-gustav-jung-disse-que-o-homem-gosta-de-acreditar-se-senhor-da-sua-alma-2016-p-104" style="font-size:18px">Na obra <em><strong>O homem e seus símbolos</strong></em>, Carl Gustav Jung disse que “o homem gosta de acreditar-se senhor da sua alma” (2016, p. 104).</h2>



<p style="font-size:18px">De certo modo, em todo ser humano há um certo prazer na sensação de estar no controle, ao analisar a vida sob a ótica da racionalidade e da lógica, ignorando as maneiras secretas pelas quais os fatores inconscientes atuam nos projetos e decisões a todo tempo.</p>



<p style="font-size:18px">Esse sentimento é maximizado pelo espírito do tempo, principalmente na cultura ocidental, que eleva a razão à posição de deusa, considerada fonte de sabedoria e verdade, que dá conta de processar informações, com conectividade e produtividade constantes e, acima de tudo, de operar com positividade e eficiência. Deixar transparecer uma persona dinâmica, engajada, fluente em ideias e ter uma mente ativa parece ser o sonho de consumo do homem contemporâneo e, mais do que isso, torna-se quase que uma obrigação.</p>



<p style="font-size:18px">Nesse contexto, a hipervalorização da função pensamento apresenta-se como uma armadilha fácil, principalmente para aqueles que a tem como função superior, tornando a pessoa excessivamente identificada. Entretanto, como enfatizado na psicologia junguiana, ao unilateralizar uma função e negligenciar as outras, o indivíduo fatalmente enfrentará um desequilíbrio psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-espirito-da-epoca-e-a-unilateralizacao-patologica" style="font-size:18px"><strong>O espírito da época e a unilateralização patológica</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>Nossa vida civilizada exige uma atividade concentrada e dirigida da consciência, acarretando, deste modo, o risco de um considerável distanciamento do inconsciente. Quanto mais capazes formos de nos afastar do inconsciente por um funcionamento dirigido, tanto maior é a possibilidade de surgir uma forte contraposição, a qual, quando irrompe, pode ter consequências desagradáveis (JUNG, 2013a, p. 16).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">A consciência não abrange a totalidade da psique, constitui-se apenas como uma de suas estruturas, sendo organizada em torno do ego e de suas funções adaptativas. Porém, durante uma parte da vida, a consciência inevitavelmente assume um ponto de vista unilateral, isto é, privilegia alguns conteúdos, valores e modos de funcionamento em detrimento de outros, sendo uma fase importante para estruturação psíquica do indivíduo.</p>



<p style="font-size:18px">A <strong>unilateralidade </strong>passa a se tornar um fator preocupante quando o ego se identifica de forma rígida com determinados comportamentos &#8211; sejam eles racionais, morais, culturais ou mesmo instintivos &#8211; deixando de integrar outros elementos do inconsciente. Com isso, a consciência corre o risco de perder sua flexibilidade e de cristalizar-se em uma visão fragmentada do mundo e de si mesma.</p>



<p style="font-size:18px">Quando a unilateralidade se intensifica, a ponto de ignorar sistematicamente as mensagens do inconsciente, o indivíduo enfrenta crises existenciais e desenvolve sintomas, favorecendo, assim, a exacerbação da função pensamento, tendo em vista o quanto o espírito da época enaltece o modelo lógico temporal como dominante.</p>



<p style="font-size:18px">Esse quadro pode ser potencializado quando o indivíduo enfrenta a noite escura da alma, ocasionando um sofrimento psíquico intenso, que pode se manifestar na forma de sintomas dolorosos e persistentes. O ego, que já estava fixado em um polo, passa a funcionar através de uma identificação ainda mais proeminente, levando o indivíduo ao esgotamento de si. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-descreve-apenas-como-exemplo-um-sujeito-identificado-com-a-funcao-pensamento-que-se-apresenta-sob-a-influencia-da-rigidez-do-tipo" style="font-size:18px">Jung descreve, apenas como exemplo, um sujeito identificado com a função pensamento, que se apresenta sob a influência da rigidez do tipo:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>Com o fortalecimento de seu tipo, mais rígidas e inflexíveis se tornam suas convicções. Descarta influências estranhas; pessoalmente perde a simpatia dos distantes e fica mais dependente dos próximos. Seu linguajar torna-se mais pessoal e mais franco, suas ideias são mais profundas, mas já não conseguem exprimir-se com clareza em vista do material de que dispõem. A emotividade e sensibilidade substituem o que falta. A influência estranha, que externamente recusa com brutalidade, assalta-o de dentro, pelo lado do inconsciente, e precisa reunir provas que sejam contrárias, e as reúne, contra coisas que parecem totalmente supérfluas aos estranhos. Dado que sua consciência se subjetiva pela falta de relação com o objeto, parece-lhe o mais importante o que secretamente diz respeito à sua pessoa. Começa, então, a confundir sua verdade subjetiva com sua pessoa. Jamais tentará pressionar alguém em favor de suas convicções, mas partirá venenosa e pessoalmente contra qualquer crítica, por mais justa. Isola-se aos poucos em todos os sentidos. Suas ideias que a princípio eram produtivas tornam-se destrutivas, porque estão envenenadas pelo sedimento da amargura. Com o isolamento para fora cresce a luta com a influência inconsciente que, aos poucos, o vai paralisando. Um forte pendor para a solidão deve protegê-lo das influências externas, mas normalmente o leva ainda mais fundo ao conflito que o consome interiormente. </em><em>(JUNG, 2013b, p. 398- 399).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">Diante disso, propomos refletir sobre a produção artesanal da cerâmica como caminho criativo e ferramenta terapêutica, ao conduzir o indivíduo à <strong>expressão simbólica</strong>. Apaziguando, assim, o protagonismo da função pensamento &#8211; sendo um meio privilegiado para que imagens surjam e sejam integradas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>O símbolo é sempre um produto de natureza altamente complexa, pois se compõe de dados de todas as funções psíquicas. Portanto, não é de natureza racional e nem irracional. Possui um lado que fala à razão e outro inacessível à razão, pois não se constitui apenas de dados racionais, mas também de dados irracionais fornecidos pela simples percepção interna e externa. A carga de pressentimento e de significado contida no símbolo afeta tanto o pensamento quanto o sentimento, e a plasticidade que lhe é peculiar, quando apresentada de modo perceptível aos sentidos, mexe com a sensação e a intuição. O símbolo vivo não pode surgir num espírito obtuso e pouco desenvolvido, pois este se contentará com o símbolo já existente conforme lhe é oferecido pela tradição. (JUNG, 2013b, p. 491).</em><em></em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-percurso-simbolico-atraves-da-expressao-criativa" style="font-size:18px"><strong>O percurso simbólico através da expressão criativa</strong></h2>



<p style="font-size:18px">Para Jung, a <strong>expressão criativa</strong> exerce uma função central no desenvolvimento psicológico humano, por tratar-se de um canal<strong>entre o consciente e o inconsciente.</strong> Ele não a entendia apenas como uma manifestação artística ligada à estética, mas sobretudo como uma fonte criadora, seja de imagens, escrita, música, movimento ou qualquer outra forma simbólica, que permite que conteúdos internos encontrem um caminho para se manifestar e, assim, possam ser integrados à vida consciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-jung-o-ato-criativo-funciona-como-um-ritual-simbolico-que-cura-e-integra-permitindo-que-a-psique-encontre-novas-formas-de-expressao-e-de-equilibrio" style="font-size:18px">Segundo Jung, o ato criativo funciona como um ritual simbólico que cura e integra, permitindo que a psique encontre novas formas de expressão e de equilíbrio:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>A pintura de quadros pelo próprio paciente produz efeitos incontestáveis, embora esses efeitos sejam difíceis de descrever. Basta, por exemplo, que um paciente perceba que, por diversas vezes, o fato de pintar um quadro o liberta de um estado psíquico deplorável, para que ele lance mão desse recurso cada vez que seu estado piora. O valor dessa descoberta é inestimável, pois é o primeiro passo para a independência, a passagem para o estado psicológico adulto.<br>Usando esse método &#8211; se me for permitido usar este termo &#8211; o paciente pode tornar-se independente em sua criatividade. Já não depende dos sonhos, nem dos conhecimentos do médico, pois, ao pintar-se a si mesmo &#8211; digamos assim &#8211; ele está se plasmando. O que pinta são fantasias ativas &#8211; aquilo que está mobilizado dentro de si. <br>[&#8230;] E o que está mobilizado é ele mesmo, mas já não mais no sentido equivocado anterior, quando considerava que o seu &#8220;eu&#8221; pessoal e o seu &#8220;self&#8221; eram uma e a mesma coisa. Agora há um sentido novo, que antes lhe era desconhecido: seu eu aparece como objeto daquilo que está atuando dentro dele. Numa série interminável de quadros, o paciente esforça-se por representar, exaustivamente, o que sente mobilizado dentro de si, para descobrir, finalmente, que é o eterno desconhecido, o eternamente outro, o fundo mais fundo da nossa alma.</p><cite>JUNG, 2013c, p. 107</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px">Sendo assim, torna-se evidente que o ato criativo não é um luxo ou uma habilidade restrita à artistas, mas uma <strong>necessidade psíquica fundamental, que favorece o</strong> autoconhecimento, a transformação e a conexão com o mistério da psique. Ao permitir que as imagens internas encontrem forma e vida no mundo externo, o indivíduo não apenas dá voz e organiza seus conteúdos internos, mas avança no caminho do próprio desenvolvimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-ceramica-e-a-integracao-das-quatro-funcoes-da-consciencia" style="font-size:20px"><strong>A cerâmica e a integração das quatro funções da consciência</strong></h2>



<p style="font-size:18px"><em>A Terra é apenas a matéria, o sólido, o palpável. É com a intervenção dos outros elementos Água, Ar, Fogo, que ela ganha existência como cerâmica: vida, energia, beleza&#8230;. Com a água revitalizamos a matéria e com o calor do nosso corpo, através das nossas mãos, damos unidade e densidade, expulsamos o ar nela contido, transformando-a numa massa compacta e íntegra. Nesse contato vamos reconhecendo a matéria e ganhando intimidade. Esse trabalho de amassar o barro é um trabalho de centralização, os movimentos vão do exterior para o interior, das extremidades para o centro. E nesse movimento encontramos também o sentido da Totalidade: só estamos tocando na parte externa e afetando a sua totalidade. Assim, amassando o barro o ceramista caminha também em direção ao seu centro (NAKANO, 1988, p. 61).</em></p>



<p style="font-size:18px">O trabalho com a argila é uma prática essencialmente sensorial e não-verbal. A ceramista Katsuko Nakano deixa isso bem claro na citação acima, quando menciona o contato com os quatro elementos e a forma como corpo e matéria vão ganhando intimidade através do toque, numa espécie de movimento sinestésico. A modelagem é uma experiência que, além de despertar essa sensorialidade, permite a vivência de uma comunicação intrapessoal mais plena e integrada. Entretanto, de modo geral, há que se resgatar esse diálogo, inclusive, com outras formas de expressões criativas, pois o <em>modus operandi</em> em vigor na sociedade contemporânea, imposto pelo espírito da época, promove um descolamento das práticas que caminharam junto com a evolução da humanidade. Perdeu-se a intimidade com aquilo que é artesanal, com a manufatura.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>Felizmente, o que importa é que, embora haja uma pressão social pela racionalidade, nada abafa o chamado do corpo. Em algum momento, nós somos convocados para uma vivência criativa com a matéria, que irá nos proporcionar outra relação com o mundo e com o tempo através dos sentidos. O corpo humano é um feixe complexo de sentidos, e dar sentido é anterior a conceituar. (GIANNOTTI, 2024, p. 100).</em></p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-producao-artesanal-da-ceramica-ao-mobilizar-o-corpo-a-imaginacao-e-a-experiencia-artistica-favorece-a-expressao-de-conteudos-inconscientes-e-possibilita-ao-individuo-reconectar-se-com-funcoes-menos-desenvolvidas-de-sua-psique" style="font-size:18px">A produção artesanal da cerâmica, ao mobilizar o corpo, a imaginação e a experiência artística, favorece a expressão de conteúdos inconscientes e possibilita ao indivíduo reconectar-se com funções menos desenvolvidas de sua psique.</h2>



<p style="font-size:18px">O contato com a argila, sua plasticidade e poder de transformação revela-se não apenas como atividade manual, mas também como caminho terapêutico. Ela promove um contrapeso à unilateralidade, possibilitando o acesso a vivências simbólicas que ampliam a consciência, favorecendo o deslocamento da energia psíquica antes concentrada na função pensamento. Ao integrar mente, corpo e coração, o fazer artesanal resgata dimensões da psique negligenciadas, constituindo-se como um espaço fértil de cura e de reconciliação do indivíduo com a totalidade de sua vida psíquica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-contato-com-o-barro-favorece-a-reconexao-com-a-natureza-e-seus-ciclos-por-ser-uma-matriz-simbolica-carregada-de-vida-memoria-e-ancestralidade-lembrando-nos-que-a-materia-esta-em-nos-e-nos-estamos-na-materia" style="font-size:18px">O contato com o barro favorece a reconexão com a natureza e seus ciclos, por ser uma matriz simbólica carregada de vida, memória e ancestralidade. Lembrando-nos que a matéria está em nós e nós estamos na matéria.</h2>



<p style="font-size:18px">A mistura de terra, água, ar e fogo transforma não apenas o barro em peças cerâmicas únicas, mas, evidencia que tudo tem uma trajetória a ser cumprida, um exemplo daquilo que Jung chama de função teleológica da psique. Ao mesmo tempo, mostra que tudo está em constante mutação e desenvolvimento. Ao buscar a interação e o equilíbrio desses quatro elementos, o ceramista acaba por encontrar seu próprio equilíbrio no mundo, devolvendo ordem ao caos através de cada peça moldada e transformada pelo fogo.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-processo-da-ceramica-artesanal-nos-permite-varios-aprendizados" style="font-size:18px">O processo da cerâmica artesanal nos permite vários aprendizados.</h2>



<p style="font-size:18px">Nele, nunca é possível ter o controle sob o produto final, mesmo depois de dar forma à argila. Muita coisa pode acontecer no meio do caminho. É necessária uma dose bastante grande de paciência até que sua existência se concretize. Não há como, por exemplo, menosprezar uma das primeiras etapas da atividade com o barro, que é a sova da argila, pois é ela que minimiza fortemente o risco de uma peça estourar. A persistência na espera do processo de secagem é primordial para que a peça não sofra distorções. Lixar exige todo o cuidado e delicadeza, para que a peça não se quebre nas mãos do ceramista. Sem contar com as horas de passagem pelo calor, que proporcionarão uma mudança drástica na estrutura da peça, funcionando como um ritual de passagem.</p>



<p style="font-size:18px">A esmaltação será uma das últimas etapas em toda essa trajetória de construção, cuidado, intimidade e amor ao trabalho com a cerâmica. Com isso, ela nos deixa mais uma lição: depois de ter passado pela segunda vez pelo fogo, a peça adquire cor e brilho que durarão por todo o tempo de sua existência. Assim também pode ser conosco, ganhar um pouco mais de cor e brilho em cada uma das vezes que enfrentamos as passagens pelo fogo em nossas vidas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:18px"><em>O &#8220;fazer cerâmica&#8221;, para mim, foi um encontro. Encontro com a Terra e o Fogo. A Terra me absorve totalmente, é o repouso, o aconchego. E sobretudo é receptiva e acolhedora; me limpa por dentro. O Fogo me atrai. É amigo e inimigo, traz entusiasmo e decepção, é vida ou morte. Tem sempre os seus mistérios. Fazer cerâmica é promover a harmonia dos elementos que constituem o universo: Terra, Agua, Ar, Fogo. De maneira poética: colocando em contato, os semelhantes e os opostos, o ceramista faz a união e a fusão desses elementos, para gerar sua obra. Penso que toda experiência estética deve ser um encontro com o mundo e consigo mesmo. Da vivência desse encontro e da sua maturidade nasceria a obra. Minha verdadeira obra ainda não surgiu. Mas o que me faz apresentar estes trabalhos é a certeza do encontro. São ainda experiências estéticas. Mas elas me prometem &#8230; (NAKANO, 1988, p. 67).</em></p>
</blockquote>



<p style="font-size:18px">Ao analisar o trecho acima, é possível perceber, através da produção artesanal da cerâmica, o quanto os elementos naturais estão correlacionados, simbolicamente, às quatro funções psicológicas, ao expressarem qualidades energéticas que caracterizam formas de perceber, avaliar, relacionar-se e criar sentido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-relacao-entre-os-elementos-e-as-funcoes-psicologicas-foi-descrita-por-waldemar-magaldi-na-obra-fundamentos-da-psicologia-analitica-2025-p-379" style="font-size:18px">Essa relação, entre os elementos e as funções psicológicas, foi descrita por Waldemar Magaldi, na obra Fundamentos da Psicologia Analítica (2025, p. 379).</h2>



<p style="font-size:18px">A função sensação, responsável pela captação imediata do dado concreto, encontra sua expressão simbólica no elemento terra. A manipulação da argila constitui uma experiência primordial de enraizamento, que convoca a função sensação e reequilibra subjetividades excessivamente abstraídas ou racionalizadas.</p>



<p style="font-size:18px">A função sentimento, vinculada à avaliação de valor, relaciona-se simbolicamente ao elemento água, tradicionalmente associado à fluidez, ao vínculo e à profundidade emocional. No fazer cerâmico, esse elemento emerge de múltiplas formas, no uso da água para tornar a matéria moldável, nos estados afetivos que acompanham o processo de criação e na relação íntima entre mãos e matéria.</p>



<p style="font-size:18px">A função pensamento, caracterizada pela discriminação lógica e pela elaboração conceitual, encontra sua analogia no elemento ar, símbolo da clareza, da articulação e da razão estruturante. No processo cerâmico, essa função se manifesta não como uma hipertrofia da racionalização abstrata, mas como planejamento e estruturação, integrando-se organicamente às demais funções, servindo ao processo criativo e cedendo espaço à dimensão simbólica.</p>



<p style="font-size:18px">A função intuição, orientada à percepção de possibilidades, corresponde ao elemento fogo, símbolo da transformação, da iluminação súbita e do vir a ser. O fogo transcende o dado imediato e revela potencialidades ocultas, assim como a intuição apreende direções ainda não manifestas. A cerâmica incorpora esse elemento tanto metafórica quanto literalmente, pois é no forno que a obra encontra sua forma definitiva, revelando cores, texturas e qualidades inesperadas.</p>



<p style="font-size:18px">Ao integrar essas quatro dimensões, observa-se que a prática cerâmica opera como um campo simbólico privilegiado para a recomposição da totalidade psíquica.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-jageneski-dos-reis/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/cristiane-jageneski-dos-reis/"><strong>Cristiane Jageneski – Membro Analista em formação</strong> <strong>pelo IJEP</strong></a></p>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">José Luiz Balestrini Junior – Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:18px"><strong>Referências: </strong></h2>



<p><em>Imagem: foto de arquivo pessoal da autora</em></p>



<p>GIANNOTTI, Sirlene. <em>Vivenciar-se no fazer</em>. Caderno – Ensaio 1: Barro, p. 97-105. SP: Instituto Tomie Ohtake, 2024.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>. 10ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p>____, Carl Gustav.&nbsp; <em>Tipos psicológicos</em>. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p>____, Carl Gustav.&nbsp; <em>A prática da psicoterapia</em>. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p>____, Carl Gustav, <em>et al</em>. <em>O homem e seus símbolos. </em>3ª ed<em>.</em> RJ: Harper Collins, 2016.</p>



<p>MAGALDI, Waldemar. (Org.) Fundamentos da Psicologia Analítica. 2ª ed. São Paulo: Eleva Cultural, 2025.</p>



<p>NAKANO, Katsuko. <em>Terra, Fogo, Homem</em>. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, 1988.</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A relação entre símbolo, intolerância e dúvida no movimento evangélico brasileiro</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-relacao-entre-simbolo-intolerancia-e-duvida-no-movimento-evangelico-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Silvana Gomes Venâncio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 13:38:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências da Religião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu sou protestante há mais de 40 anos e sempre gostei de me apresentar como evangélica, no entanto, eu tenho repensado essa identificação e vou explicar o porquê. Para o professor Luiz Longuini Neto, evangélico seria uma forma de identificar parte da cristante como adepta da fé protestante, ou seja, não católica. “Evangelical ou evangélico [...]</p>
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<p style="font-size:20px">Eu sou protestante há mais de 40 anos e sempre gostei de me apresentar como evangélica, no entanto, eu tenho repensado essa identificação e vou explicar o porquê. Para o professor Luiz Longuini Neto, evangélico seria uma forma de identificar parte da cristante como adepta da fé protestante, ou seja, não católica. “<em>Evangelical ou evangélico equivaleria à totalidade dos cristãos que se identificam com a Reforma Protestante do século 16</em>” (LONGUINI, p 21).</p>



<figure class="wp-block-pullquote" id="h-no-brasil-os-cristaos-nao-catolicos-passaram-a-auto-identificar-se-como-evangelicos-o-mesmo-ocorre-com-as-igrejas-evangelicas-os-proprios-catolicos-passada-a-epoca-de-antagonismos-e-principalmente-por-causa-do-movimento-ecumenico-aceitaram-essa-identificacao-naturalmente-os-catolicos-ao-identificarem-os-cristaos-nao-catolicos-como-evangelicos-contornam-o-designativo-de-protestante-carregado-de-preconceitos-no-brasil-ja-que-no-auge-dos-conflitos-entre-protestantes-e-catolicos-aqueles-eram-designados-por-estes-como-os-que-protestavam-contra-deus-mendonca-1990-p-15-16" style="font-size:20px"><blockquote><p>No Brasil, os cristãos não católicos passaram a auto-identificar-se como evangélicos, o mesmo ocorre com as Igrejas evangélicas. Os próprios católicos, passada a época de antagonismos, e principalmente por causa do movimento ecumenico, aceitaram essa identificação. Naturalmente, os católicos, ao identificarem os cristãos não-católicos como evangélicos, contornam o designativo de “protestante”, carregado de preconceitos no Brasil já que, no auge dos conflitos entre protestantes e católicos, aqueles&nbsp; eram designados por estes como “os que protestavam contra Deus”. </p><cite>(MENDONÇA, 1990, p 15,16)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-uso-do-termo-protestante-para-evangelicos-sempre-foi-mais-usado-por-historiadores-e-sociologos-e-num-momento-ou-outro-algumas-pessoas-de-igrejas-historicas-como-presbiterianos-metodistas-anglicanos-e-luteranos-se-diziam-protestantes" style="font-size:20px">O uso do termo protestante para evangélicos sempre foi mais usado por historiadores e sociólogos e num momento ou outro, algumas pessoas de igrejas históricas, como presbiterianos, metodistas, anglicanos e luteranos se diziam protestantes.</h2>



<p style="font-size:20px">No livro, <em>Introdução ao Protestantismo no Brasil</em>, que foi escrito na década de 90, se tornou um clássico, os professores Antônio Gouvêa Mendonça e Prócoro Velasques Filho, retratam de modo brilhante as ramificações do protestantismo brasileiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-quem-sao-os-evangelicos-no-brasil-hoje-antes-de-responder-a-esta-pergunta-quero-falar-da-necessidade-humana-de-se-expressar-religiosamente" style="font-size:20px"><strong>Mas quem são os evangélicos no Brasil hoje?</strong> Antes de responder a esta pergunta, quero falar da necessidade humana de se expressar religiosamente.</h2>



<p style="font-size:20px">É claro que uma religião também é um fenômeno sociológico e por esse mesmo motivo pode perder-se de si mesma. Mas para Carl G. Jung, a religião é “(&#8230;) <em>uma das expressões mais antigas e universais da alma humana (&#8230;) além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos</em>” (C. G. Jung, OC 11/1 &#8211; §1).</p>



<p style="font-size:20px"><strong>Carl Jung trata desse assunto do ponto de vista psíquico e empírico, se abstendo de uma abordagem metafísica ou filosófica do problema religioso</strong>. Para ele, existe uma função religiosa no inconsciente que é demonstrada nos símbolos religiosos. C. Jung dá esse exemplo: “<em>quando a psicologia se refere, por exemplo, ao tema da concepção virginal, só se ocupa da existência de tal ideia, não cuidando de saber se ela é verdadeira ou falsa, em qualquer sentido</em>”. Ele continua dizendo:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>a ideia é psicologicamente verdadeira, na medida em que existe. A existência psicológica é subjetiva, porquanto uma ideia só pode ocorrer num indivíduo. Mas é objetiva, na medida em que mediante um consensus gentium é partilhada por um grupo maior. </p><cite>(C. G. Jung. OC 11/1&nbsp; &#8211; § 4).</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-sentido-junguiano-toda-religiao-e-verdadeira-e-por-este-motivo-nao-e-simplesmente-criada-por-individuos-ela-irrompe-na-consciencia-individual" style="font-size:20px"><strong>No sentido junguiano, toda religião é verdadeira e por este motivo não é simplesmente criada por indivíduos, ela irrompe na consciência individual</strong>.</h2>



<p style="font-size:20px">C. Jung percebe o caráter&nbsp; numinoso da experiência religiosa, a partir do pensamento de <strong>Rudolf Otto</strong>.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Religião é — como diz o vocábulo latino <em>religere </em>— uma acurada e conscienciosa observação daquilo que Rudolf Otto acertadamente chamou de &#8220;<strong>numinoso</strong>&#8220;, isto é, uma existência ou um efeito dinâmico&nbsp; não causados por um ato arbitrário. Pelo contrário, o efeito se apodera e domina o sujeito humano, mais sua vítima do que seu criador.&nbsp; Qualquer que seja a sua causa, o numinoso constitui uma condição do&nbsp; sujeito, e é independente de sua vontade.</p><cite>(C. G. Jung. OC 11/1 &#8211; § 6).</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-c-jung-o-numinoso-pode-ser-capturado-por-um-objeto-visivel-ou-um-influxo-invisivel-que-produz-modificacao-na-consciencia-cf-jung-oc-11-1-6" style="font-size:20px"><strong>Segundo C. Jung, o numinoso pode ser capturado por um objeto visível ou um influxo invisível que produz modificação na consciência</strong> (Cf. JUNG, OC 11/1 &#8211; § 6). </h2>



<p style="font-size:20px">Rudolf Otto fala de uma experiência profunda de anulação, “<em>a estranha e profunda resposta da psique à experiência do numinoso, a qual propusemos chamar de “experiência de criatura”, constituído pelas sensações de afundar, de apoucar-se e ser anulado</em>” (OTTO, 2007, p 90). De acordo com o teólogo <strong>Paul Tillich</strong>, essa experiência é a de estar possuído por aquilo que toca o ser humano incondicionalmente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O sentimento de ser aniquilado pela presença do divino é o que expressa mais profundamente a relação em que se encontra o homem diante do sagrado. E esse sentimento perpassa todo o ato de fé legítimo e de todo estar possuído em última instância.</p><cite>(TILLICH, 2002, p 13)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-problema-religioso-se-manifesta-nos-seres-humanos-com-a-sua-aproximacao-do-numinoso" style="font-size:20px"><strong>O problema religioso se manifesta nos seres humanos com a sua aproximação do numinoso</strong>.</h2>



<p style="font-size:20px">Por isso, vale lembrar, que este só pode ser capturado pelo visível, no símbolo, sendo assim, a experiência religiosa não pode ser de forma alguma algo inflexível, nem mesmo quando se refere a Deus.&nbsp; Para Carl Jung,<strong> Deus é uma realidade psíquica</strong>, embora numa polêmica com Martin Buber, ele diga que nunca afirmou que Deus seja apenas uma realidade psicológica.&nbsp; “<em>Além disso, eu jamais tive a pretensão de enfraquecer o significado dos símbolos; pelo contrário, se deles me ocupei foi por estar convencido de seu valor psicológico</em>” (C. G. Jung. OC 11/2- § 170). Segundo C. Jung, o dogma da trindade é um dos símbolos mais sagrados do Cristianismo, por exemplo.</p>



<p style="font-size:20px">Paul Tillich afirma que o símbolo é fundamental, para aquilo que nos toca incondicionalmente é Deus (Cf. TILLICH, 2002, p 34). Segundo o teólogo alemão, “<strong>Deus é símbolo para Deus</strong>”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-segundo-p-tillich-a-preocupacao-incondicional-e-um-dos-elementos-responsaveis-pela-integracao-da-pessoa" style="font-size:20px">Segundo <strong>P. Tillich</strong>, a preocupação incondicional é um dos elementos responsáveis pela integração da pessoa:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Uma&nbsp; preocupação incondicional se manifesta em todas as áreas da realidade e em todas as expressões de vida da pessoa. Isso porque o incondicional não é um objeto entre outros, e sim a base e origem de todo o ser, e como tal, o centro unificador da pessoa.</p><cite>TILLICH, 2002, p 69</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-elemento-unificador-do-incondicional-se-segundo-p-tillich-pode-se-manifestar-na-vida-artistica-nbsp-na-atuacao-etica-na-politica-na-pesquisa-cientifica-entre-outros-aspectos-da-vida" style="font-size:20px">Esse elemento unificador do incondicional se segundo P. Tillich, pode se manifestar na vida artística,&nbsp; na atuação ética, na política, na pesquisa científica, entre outros aspectos da vida.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nós mostramos como a <strong>fé</strong> dá forma e une a todos os elementos intelectuais, emocionais e corporais da pessoa e como ela representa a força integradora como tal. Essa imagem do poder da fé contém, porém, apenas as cores alegres e não os aspectos sombrios da desagregação e do mórbido, que podem impedir a fé de criar uma vida integral da personalidade, mesmo naquelas pessoas em que a força da fé se manifesta de modo mais visíveis: nos santos, místicos e profetas. O homem nunca vive exclusivamente a partir do centro da vida. Em todos os âmbitos de seu ser atuam forças corruptoras.&nbsp; </p><cite>TILLICH, 2002, p 70</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:20px">Esse aspecto sombrio e mórbido da relação do ser humano com a fé, precisa ser considerado e observado na experiência religiosa dos evangélicos. Essa dimensão sombria aparece ao meu ver na dificuldade de lidar com a <strong>dúvida</strong>, pois a intolerância mora na dificuldade de lidar com as incertezas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tanto-para-paul-tillich-quanto-para-carl-g-jung-a-experiencia-da-fe-deveria-dar-lugar-para-a-duvida" style="font-size:20px">Tanto para Paul Tillich quanto para Carl G. Jung, a experiência da fé deveria dar lugar para a<strong> dúvida</strong>.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nem a fé pode desaparecer na dúvida, nem a dúvida na fé, se bem que cada uma das duas se pode perder quase que completamente na vida da fé. Mas uma vez que nenhum ser humano é capaz de viver sem uma preocupação última, tanto na fé como dúvida sempre estão por natureza presentes no homem.&nbsp;</p><cite>TILLICH, 2002, p 66</cite></blockquote></figure>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Nas pessoas que clamam ter uma fé inabalada, o farisaísmo e o fanatismo são frequentemente a prova infalível de que a dúvida provavelmente foi reprimida ou de fato ainda está atuando secretamente. A dúvida não é superada pela repressão, e sim pela coragem. A coragem não nega que a dúvida está aí, mas ela aceita a dúvida como expressão da finitude humana e se confessa, apesar da dúvida, àquilo que toca incondicionalmente. A coragem não precisa de segurança de uma convicção inquestionável. Ela engloba o risco, sem o qual não é possível qualquer vida criativa.&nbsp;</p><cite> TILLICH, 2002, p 66</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:20px">O educador e teólogo <strong>Rubem Alves</strong>, reforça essa ideia, em seu livro <em>Religião e Repressão,</em> ao afirmar que qualquer dúvida, ou questionamento são vistas, em determinadas vertentes do protestantismo, como uma atitude suspeita, embora a&nbsp; dúvida seja radicalmente inerente à fé.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>Pensada de forma radical, a experiência da fé se revela como irmã gêmea da dúvida. Não, de forma alguma estou sugerindo que falta alguma coisa à fé, que a fé seja incompleta por estar ainda assombrada pela dúvida. </p><cite>ALVES, Rubem. 2005, p. 107</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:20px">Em outro livro, <em>Dogmatismo e Tolerância</em>, R. Alves, reitera que: &#8220;<em>A fé chegou mesmo a se identificar com a adesão intelectual a um certo número de proposições dogmáticas, que, pretendia-se, expressavam o ‘sistema de doutrinas’ contidas na Bíblia, e que eram necessárias para a salvação</em>.&#8221; (ALVES, Rubem. 2004, p. 71)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-carl-jung-o-ser-nbsp-humano-exposto-a-duvida-nao-deveria-projeta-las-ao-acreditar-que-aqueles-que-pensam-e-refletem-sobre-as-doutrinas-da-fe-sao-inimigos" style="font-size:20px">Para Carl Jung, o ser&nbsp; humano exposto à dúvida não deveria projetá-las ao acreditar que aqueles que pensam e refletem sobre as doutrinas da fé, são inimigos.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>O homem que apenas crê e não procura refletir esquece-se de que é alguém constantemente exposto à dúvida, seu mais íntimo inimigo, pois onde a fé domina, ali também a dúvida está sempre à espreita. Para o homem que pensa, porém, a dúvida é sempre bem recebida, pois ela lhe serve de preciosíssimo degrau para um conhecimento mais perfeito e mais seguro. As pessoas que são capazes de crer deveriam ser mais tolerantes para seus semelhantes, que só sabem pensar. A fé, evidentemente, antecipa-se na chegada ao cume que o pensamento procura atingir mediante uma cansativa ascensão. O crente não deve projetar a dúvida, seu inimigo habitual, naqueles que refletem sobre o conteúdo da doutrina, atribuindo-lhes intenções demolidoras.</p><cite>C. G. Jung. OC 11/2 &#8211; § 170</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-fiel-cheio-de-certezas-se-organiza-no-mundo-reconhecendo-aliados-e-projetando-suas-duvidas-gerando-inimigos-que-devem-ser-combatidos-a-duvida-nao-assumida-e-projetada-gera-cristaos-evangelicos-intolerantes-donos-da-verdade" style="font-size:20px">O fiel cheio de certezas se organiza no mundo, reconhecendo aliados e projetando suas dúvidas, gerando inimigos que devem ser combatidos. A dúvida não assumida e projetada, gera cristãos evangélicos intolerantes, <strong>donos da verdade</strong>.</h2>



<p style="font-size:20px">Uma verdade única que exclui todo aquele que pensa e vive diferente.<strong> Esse diferente é alguém que deve ser combatido e ser retirado o seu direito à voz.</strong> Assim sendo, para responder a pergunta quem são os evangélicos hoje, é necessário olhar para a <strong>repressão da dúvida </strong>e também para as alianças políticas de algumas denominações evangélicos com setores da política brasileira, representada pela bancada evangélica, identificada na sigla&nbsp; BBB (bala, bíblia e boi).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-nao-e-possivel-viver-num-mundo-de-certezas-o-fiel-vai-buscar-no-discurso-politico-conservador-o-meio-ideal-para-idealizar-um-mundo-onde-as-diferencas-as-duvidas-e-a-pluralidade-sejam-silenciadas" style="font-size:20px">Como não é possível viver num mundo de certezas, o fiel vai buscar no discurso político conservador o meio ideal para idealizar um mundo onde as diferenças, as dúvidas e a pluralidade sejam silenciadas.</h2>



<p style="font-size:20px">Neste sentido, ser evangélico hoje deixou de ser apenas um ramo do protestantismo, para representar uma ideologia social e política, com um projeto político muito bem definido, para impor a sua visão religiosa, cultural e política. A dúvida pertence ao ser humano, sem lugar interno para ela, estamos diante de um grande complexo cultural que tenta dominar o cenário político brasileiro travestido de ideias religiosas.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A relação entre símbolo, intolerância e dúvida no movimento evangélico brasileiro&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/s6DrBC-TINM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/silvana-venancio/">Silvana Venancio – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:20px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/anapaulamaluf/">Ana Paula Maluf &#8211; Analista Didata do IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:20px"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<p style="font-size:16px">ALVES, Rubem. <em>Dogmatismo e Tolerância</em>. São Paulo: Loyola, 2004.</p>



<p style="font-size:16px">________.ALVES, Rubem. Religião e Repressão. São Paulo: Loyola, 2005.</p>



<p style="font-size:16px">JUNG, Carl. (1978). <em>Psicologia e Religião</em>. In Obras completas de C. G. Jung, (Vol.&nbsp; 11/1). Petrópolis: Vozes. Originalmente publicado em inglês em 1938.</p>



<p style="font-size:16px">________. (2013). <em>Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade</em>. In Obras&nbsp; completas de C. G. Jung, (Vol. 11/2). Petrópolis: Vozes. Originalmente publicado em&nbsp; alemão em 1942.</p>



<p style="font-size:16px">LONGUINI, Luiz. <em>O novo rosto da missão.</em> Viçosa: Ultimato, 2002.</p>



<p style="font-size:16px">MENDONÇA, Antonio G.; VELASQUES. Prócoro Filho. <em>Introdução ao Protestantismo no Brasil</em>. São Paulo, Edições Loyola, 1990.</p>



<p style="font-size:16px">OTTO, Rudolf. <em>O Sagrado</em>. São Leopoldo: Sinodal/EST; Petrópolis: Vozes, 2007.</p>



<p style="font-size:16px">TILLICH, Paul. <em>Dinâmica da fé</em>. 7. ed. Trad. de Walter. Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 2002.</p>



<p style="font-size:21px"><strong><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></strong></p>
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			</item>
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		<title>A Floresta: Uma Imagem do Inconsciente</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-floresta-uma-imagem-do-inconsciente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Proença Whitaker de Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RESUMO: Através da apresentação de uma imagem aflorada do inconsciente, o artigo traz uma reflexão sobre aquilo que Jung diz ser a base da estrutura psíquica: a imagem. Exploraremos sua ideia de que todo processo psíquico é uma imagem, uma fantasia. INTRODUÇÃO Existe uma floresta dentro de mim. Ela me habita desde muito cedo, povoa [...]</p>
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<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>RESUMO: Através da apresentação de uma imagem aflorada do inconsciente, o artigo traz uma reflexão sobre aquilo que Jung diz ser a base da estrutura psíquica: a imagem. Exploraremos sua ideia de que todo processo psíquico é uma imagem, uma fantasia.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:19px"><strong>INTRODUÇÃO</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Existe uma floresta dentro de mim. Ela me habita desde muito cedo, povoa minha imaginação, me transborda: me atrai para dentro dela. Caminho por entre suas densas árvores. São pinheiros e cedros altos, muito antigos. O ar é úmido e o vento, frio. Apesar de ser uma floresta escura, um tanto misteriosa, os raios de sol conseguem penetrá-la, trazendo a luz dourada para dentro da mata. O chão é forrado por uma folhagem amarelada, recém-caída das árvores.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O que sinto ao vivenciar essa floresta é perto do indizível: é como estar tomada pelo sagrado, por uma presença divina, pelo mistério da vida</strong>. Mas embora eu ande por ela, a sinta, a cheire, a veja, eu nunca estive realmente neste lugar. Pelo menos não conscientemente. Ela se apresenta como uma imagem nítida, real, mas que vem de uma parte em mim que é desconhecida, profunda e incontrolável.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Tantas vezes andei por aí tentando achá-la do lado de fora: em viagens e por todos os lugares que passei; procurei em parques, bosques, trilhas e matas. Mas nenhuma era semelhante àquela imagem.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Até que um dia, alguns anos atrás, em uma conversa com a minha mãe sobre talvez viajarmos para conhecer a região da Alemanha em que viveram nossos antepassados, resolvi pesquisar sobre a <strong>Floresta Negra</strong>. E para minha surpresa, lá estava ela, materializada naquelas fotos do Google! A floresta que sempre povoou minha imaginação, aquela que eu sempre via ao fechar os olhos.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Como é possível eu carregar dentro de mim a imagem de um lugar que eu não conheço, mas que um dia foi o lar dos meus antepassados? De que parte da minha psique essa imagem, tão real para mim, aflora e invade minha consciência?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fantasia-o-pensamento-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>FANTASIA: O PENSAMENTO SUBJETIVO</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jung (Cf. 2013b, p. 31-34) descreve, em <em>Símbolos da transformação</em>, os dois tipos diferentes que existem de pensamento: o dirigido e o subjetivo.</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O dirigido, ou lógico, é aquele que usamos ao nos expressarmos para alguém; aquele que permite nos comunicarmos e adaptarmos à realidade. Podemos dizer que é a exteriorização de uma ideia formulada.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Por outro lado, possuímos um pensamento subjetivo, movido por razões interiores, que é a fantasia; o pensamento que é mais impulsionado pelo inconsciente que pela consciência. Segundo Jung, essa fantasia pode vir tanto da camada do inconsciente pessoal &#8211; em que estão as recordações infantis, os conflitos pessoais reprimidos e as evocações dolorosas &#8211; quanto pode vir da camada mais profunda da psique: o inconsciente coletivo. É lá que jazem as imagens humanas universais e originais mais antigas: os arquétipos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-jung-afirma-essas-imagens-do-inconsciente-coletivo-correspondem-a-estados-de-espirito-ancestrais" style="font-size:19px">Como Jung afirma, essas imagens do inconsciente coletivo correspondem a estados de espirito ancestrais:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Assim como nosso corpo em muitos órgãos conserva ainda resquícios de antigas funções e estados, também nosso espirito, que parece ter ultrapassado todos os instintos primitivos, traz ainda marcas do desenvolvimento por que passou e repete o arcaico ao menos em sonhos e fantasias. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">As imagens afloradas do inconsciente coletivo, como aponta Jung (Cf. 2014, p. 91), contêm o resto da vida dos antepassados. Elas carregam uma herança da vida ancestral, que despertam quadros mitológicos. São imagens não preenchidas, já que não foram vividas pessoalmente pelo indivíduo, mas que se formaram a partir da vida, do sofrimento e da alegria dos antepassados, e que agora querem voltar à vida, como experiência e como ação. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-experenciarmos-essas-imagens-arquetipicas-atraves-de-sonhos-fantasias-ou-na-vida-sentimos-uma-forca-numinosa-e-fascinante-abre-se-entao-um-mundo-espiritual-interior-de-cuja-existencia-nem-sequer-suspeitavamos-jung-2014-p-89" style="font-size:19px">Ao experenciarmos essas imagens arquetípicas, através de sonhos, fantasias ou na vida, sentimos uma força numinosa e fascinante, “abre-se então um mundo espiritual interior, de cuja existência nem sequer suspeitávamos” (JUNG, 2014, p. 89).</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>AS IMAGENS DA PSIQUE</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Como escreveu Gustavo Barcellos, em <em>Psique e Imagem </em>(Cf. 2012, p. 87), para Jung, a psique do ser humano tem a capacidade espontânea e autônoma de criar imagens ou fantasias: capacidade a qual chamamos de imaginação. A psique é constituída essencialmente de imagens: todo o processo psíquico é uma imagem e um imaginar. A imagem não é algo que se vê com os olhos, mas é, antes de tudo, um modo de ver, uma perspectiva. É o único acesso direto que temos à psique, um meio pelo qual as experiências se tornam possíveis. Ela pode se apresentar através de sonhos, fantasias, na arte e nos mitos. Além disso, não é somente um dado visual: ela pode ser sonora, tátil, pode ser uma emoção ou até mesmo estar no corpo (Cf. BARCELLOS, 2012, p. 95).</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Jung afirma que “<strong>a psique é feita de uma série de imagens, no sentido mais amplo do termo; não é, porém, uma justaposição ou uma sucessão, mas uma estrutura riquíssima de sentindo e uma objetivação das atividades vitais, expressa através de imagens</strong>” (JUNG, 2013a, p. 281).</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Quanto mais a imagem nos afeta sensualmente, sensorialmente e sensitivamente, mais significado ela tem (Cf. HILLMAN, 2018, p. 121). A psique opera em analogias, ou metáforas, o tempo todo, transportando o significado de uma imagem à outra. Assim, em toda imagem que temos acesso existe uma múltipla relação de significados presentes simultaneamente (Cf. BARCELLOS, 2012, p. 91-97).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-elas-sao-carregadas-de-simbolos-para-alem-da-sua-aparencia-imediata" style="font-size:19px">Elas são carregadas de símbolos para além da sua aparência imediata.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O símbolo é uma expressão indeterminada, ambígua, que indica alguma coisa dificilmente definível, não reconhecida completamente. O “sinal” tem um significado determinado, porque é uma abreviação (convencional) de alguma coisa conhecida ou uma indicação correntemente usada da mesma. Por isso, o símbolo possui numerosas variantes análogas, e quanto mais possuir, tanto mais completa e correta é a imagem que traça de seu objeto. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 152)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isto-e-todo-simbolo-traz-algo-visivel-em-si-e-por-outro-lado-carrega-algo-invisivel-incompreensivel-como-um-significado-oculto" style="font-size:19px">Isto é, todo símbolo traz algo visível em si e, por outro lado, carrega algo invisível, incompreensível, como um significado oculto.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Desse modo, ao simbolizarmos, estamos vendo uma imagem simbolicamente, ou transformamos imagens em símbolos (Cf. HILLMAN, 2018, p. 20). Como disse Hillman, em <em>Uma investigação sobre a imagem</em>, “qualquer evento visto simbolicamente assume uma dimensão; torna-se universalizado, ganha transcendência para além da sua aparência imediata. Sentimo-nos em contato com um grande significado” (HILLMAN, 2018, p.22). Uma imagem sem símbolos é algo visual, que não nos afeta. Mas uma imagem simbólica é carregada de emoção, de energia psíquica.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Hillman propõe pensarmos em uma imagem não só como uma cena e um contexto, onde estamos inseridos, mas também como um estado de humor, em que a imagem é que está dentro de nós.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>(&#8230;) a imagem é também algo na qual entro e pela qual sou abraçado. As imagens nos sustentam, e podemos estar nas garras de uma imagem. De fato, elas podem vir de nossas profundezas mais viscerais. </p><cite>(HILLMAN, 2018, p. 68)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>A FLORESTA</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Jung (Cf. 2015, p.73) assume a ideia de que a psique cria a realidade todo dia, através da fantasia, ou seja, a fantasia é inerente à alma humana. Assim, ao lidar com imagens, estamos lidando com a alma. A alma vê e ouve por meio da imaginação. “<strong>Imaginar significa libertar os eventos de sua compreensão literal para uma apreciação mítica</strong>” (HILLMAN, 2022, p.64). </p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>A alma é uma atividade imaginativa que, muitas vezes, nos é apresentada através dos sonhos.</strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Uma imagem arquetípica, como expôs Hillman, é o fundamento da fantasia, através da qual o mundo é imaginado. Ela parece conter um conhecimento anterior e uma direção instintiva a um destino, “como se profética, prognóstica” (HILLMAN, 2022, p.43). Ela não é somente aquilo que se vê, mas através do que se vê. Quando estamos diante de uma imagem, precisamos nos perguntar o que ela mobiliza em nossa alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-retomando-entao-a-imagem-da-floresta-quais-simbolos-poderiamos-identificar-e-para-qual-caminho-ela-estaria-apontando" style="font-size:19px">Retomando, então, a imagem da floresta, quais símbolos poderíamos identificar e para qual caminho ela estaria apontando?</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Em <em>Símbolos da Transformação</em>, Jung (Cf. 2013b, p. 328) afirma que a floresta, por ser composta por árvores, carrega o seu sentido. Árvores são o símbolo da vida, da regeneração, do ciclo da vida e do materno, sendo assim, a floresta simboliza o inconsciente e o instintivo. Caminhar pela floresta é ir para o outro lado, para o lado inconsciente, para o desconhecido. É conectar-se com o sagrado (Cf. CHEVALIER; GHEERBRANT, 2024, p.501-502).</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Sigo, então, atenta ao chamado da alma, me aproximando do lado instintivo e arquetípico do desconhecido. Trilhando por essa floresta misteriosa do autoconhecimento, dos sonhos e das fantasias.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📝 Artigo novo: A Floresta: Uma Imagem do Inconsciente" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/gqzCRJ_61-w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/beatriz-whitaker/"><strong>Beatriz Assumpção </strong>&#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/"><strong>Lia Romano</strong> &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">Imagem: <a href="https://br.pinterest.com/pin/43558321390688553/">https://br.pinterest.com/pin/43558321390688553/</a></p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">BARCELLOS, Gustavo. <em>Psique e imagem</em>. Estudos de psicologia. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <em>Dicionário de símbolos</em>. Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 39.ed. Rio de janeiro: José Olympio, 2024.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">HILLMAN, James. <em>Uma investigação sobre a imagem</em>. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Psicologia arquetípica</em>. Uma introdução concisa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav. <em>Natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Símbolos da transformação. </em>9.ed<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Psicologia do inconsciente. </em>24.ed<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Tipos psicológicos</em>. Edição digital. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>O homem e seus símbolos</em>. 3.ed. especial. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016.</p>



<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-ddcb3d89bd30228e5a845ec0de97b1de" style="font-size:20px"><em><strong>X Congresso Junguiano IJEP&nbsp;(9, 10, 11 Junho/2025)</strong> &#8211; <strong>Online e Gravado &#8211; 30h Certificação</strong></em></p>



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		<title>Sobre o simbolismo da bandeira do Brasil</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/sobre-o-simbolismo-da-bandeira-do-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sebastien Baudry]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 22:46:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Bandeira do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[Simbolismo]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu me lembro ainda como se fosse ontem quando, pela primeira vez, em 1995, fui à Brasília ver a torre da TV, a Esplanada dos Ministérios, a Catedral e o Congresso Nacional. Catedral aliás que é bem interessante e que talvez teria chamado à atenção de Jung, já que para chegar ao seu altar, para poder aproximar-se da luz divina, é preciso descer, e não subir uma escada, ou seja, para elevar-se é precisa primeiro dar as costas ao sol, , afundar-se, descer em direção à escuridão.</p>



<p>E me&nbsp;lembro, especialmente, da emoção que senti ao olhar para essa <strong>Bandeira</strong> que flutuava atras, e que mesmo não sendo a do meu país me seduzia de tanta majestade e impunha respeito e esperança no futuro de uma nação, que se dizia então, ainda criança, como aprendendo a caminhar sozinha depois de anos de ditadura. Recordo-me como essa sensação me gerou conforto em relação a minha mudança de Paris para Goiânia: não era tanta loucura assim e, talvez, valesse mesmo a pena dar uma chance a este lugar.</p>



<p>Assim se passaram 27 anos e, no último dia 7 de setembro, assisti na televisão à cerimônia do dia da Independência. Não consegui reconhecê-la nesse pano verde e amarelo que parecia haver perdido toda sua imponência e que se recusava a voar. Quando apareceu um voo de Urubus, de carniceiros que pareciam acompanhar o hasteamento em pano de fundo, me perguntei o quanto simbólico era aquela imagem. Esse evento me incentivou a compartilhar uma pequena reflexão sobre os símbolos e sua dinâmica, como participam de nossas vidas e em especial sobre este, que é o maior símbolo da nação, sua <strong>bandeira</strong>.</p>



<p>Jung chama atenção de que não devemos confundir sinais com símbolos e os descrevem como a melhor expressão possível de algo relativamente desconhecido: “O símbolo, no entanto, pressupõe sempre que a expressão escolhida seja a melhor designação ou fórmula possível de um fato relativamente desconhecido, mas cuja existência é conhecida ou postulada” (símbolos da transformação, 903)</p>



<p>Para Jung,&nbsp;os símbolos, ao contrário de sinais ou logomarcas, não nascem de uma reflexão consciente, de uma atividade cognitiva e racional, mas da necessidade de expressão de um fato psíquico, inconsciente do qual desconhecemos pelo menos parcialmente a existência ou seu significado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Todo produto psíquico que tiver sido por algum momento a melhor expressão possível de um fato até então desconhecido ou apenas relativamente conhecido pode ser considerado um símbolo se aceitarmos que a expressão pretende designar o que é apenas pressentido e não está ainda claramente consciente. (JUNG, 2018, p.906)</p></blockquote>



<p>Em outras palavras, significa que quando somos atraídos por um símbolo, qualquer que seja sua natureza, não nos ligamos a ele porque a imagem ou palavra tem um significado racional, mas porque permite a expressão de uma emoção, de um desejo, de uma vontade que reverbera em nós sem que muitas vezes o saibamos ou percebamos sua importância.</p>



<p>Outro ponto muito relevante para o desenvolvimento de nossa reflexão é que, de acordo com Jung, o símbolo somente permanece vivo num coletivo humano enquanto seu significado sombrio ainda não foi plenamente revelado e incorporado pela cultura, momento a partir do qual sua importância começa a definhar até um possível esquecimento.</p>



<p>Enquanto um símbolo for vivo, é a melhor expressão de alguma coisa. E só é vivo enquanto cheio de significado. Mas, uma vez brotado o sentido dele, isto é, encontrada aquela expressão que fórmula melhor a coisa procurada, esperada ou pressentida do que o símbolo até então empregado, o símbolo está morto, isto é, só terá ainda significado histórico. (JUNG, 2018,&nbsp;&nbsp;p.905).</p>



<p>E isso é muito interessante para quem procura compreender as dinâmicas humanas, pois ao observarmos a emergência de símbolos e sua adoção coletiva podemos perceber, na popularidade de criações artísticas, nos personagens fictícios ou reais, no crescente de aspirações religiosas e em outros movimentos e aglomerações populares em volta de um determinado discurso, o que está na sombra da sociedade, quais são as dores, as vontades e desejos ocultos num determinado momento da história. Ou seja, a emergência de um símbolo revela a sombra coletiva.</p>



<p>Algumas semanas antes do Dia da Independência houve uma votação no Congresso para avaliar a possibilidade de voltar para o voto impresso, e no mesmo momento em que este assunto está em pauta, quando a nação faz uso do seu extremamente frágil sistema democrático para rever o próprio conceito da participação do povo à vida administrativa, econômica e social do país, o chefe do Executivo coloca blindados para desfilar em frente aos ministérios e ao próprio palácio do Congresso Nacional.&nbsp;</p>



<p>Ou seja, no exato momento em que o país decide refletir se mantém o recém conquistado &#8220;Progresso&#8221;, que trouxe a democracia que deu voz à população, acompanhando tendências de evolução do mundo moderno, vem a &#8220;Ordem&#8221; ameaçar calar-lhe violentamente a boca.</p>



<p>É nossa hipótese que o <strong>Brasil</strong> sabia, simbolicamente falando, desde sua constituição, como&nbsp;seria sua história, qual seria&nbsp;a trama da sua evolução. Tanto o sabia que a escancarou na sua <strong>bandeira</strong>, para o mundo inteiro ver, talvez com a certeza coletivamente inconsciente de que os que vivem aqui não enxergariam. Está escrito em verde sobre amarelo, &#8220;ordem e progresso&#8221;, dentro do azul do céu da cidade maravilhosa do Rio de Janeiro.</p>



<p>Mas todos nós falhamos em entender. E o motivo para isso, é que nos somos humanos e somente enxergamos aquilo que estamos preparados para entender, o resto, esquecemos até amadurecer. Mas a sabedoria popular nos aponta constantemente para nosso erro, sem que percebamos. Está na boca de todos os sábios anciões e pseudo filósofos do <strong>Brasil</strong>: &#8220;vocês nunca tiveram uma guerra”.&nbsp;</p>



<p>É se há algo que as guerras ensinam, sejam elas, a Guerra de secessão norte americana, a Revolução Francesa e outras bolcheviques ou bolivarianas e talvez hoje o mais recente conflito na Ucrânia, é que não há progresso sem desordem. Para que se possa desfrutar da paz, valorizar um estado de equilíbrio e fartura, precisa ter vivido as inseguranças e as restrições da guerra.</p>



<p>Da revolução francesa de 1789 nasceu uma nova ordem mundial, com o renascimento dos conceitos democráticos esquecidos desde a Grécia antiga, firmando o movimento literário e filosófico iniciado em 1715, “le siècle des lumières”, o Iluminismo, cuja principal meta era permitir ao povo ter acesso ao verdadeiro saber, a liberdade e à felicidade. O mundo começa a se transformar, vendo decair o poder das realezas, germinar novos conceitos político-sociais ainda em uso hoje como as noções de direita e esquerda ou o voto popular, e, especialmente, academias, artes e ciências florescem, livres do jugo das religiões. O humanismo começa mostrar sua cara e logo a escravidão será abolida. Mas, é essencial lembrarmo-nos que este parto de uma nova era da humanidade, este início de uma nova perspectiva de evolução, se deu num banho, num verdadeiro mar de sangue.</p>



<p>A&nbsp;busca por essas novas liberdades, igualdades e fraternidades também justificou assassinar, cortar cabeças, destruir monumentos, incendiar bairros e vilarejos. E, por mais que se possa enxergar uma até justa retribuição a séculos de submissão do povo aos abusos da nobreza e às torturas da inquisição, este episódio histórico é certamente um dos mais sombrios da história da humanidade. Ou seja, foi necessário um caos para destruir uma ordem que era por demais injustamente estabelecida. A luz somente é percebida se acesa no escuro.</p>



<p>Ordem e Progresso não são companheiros, mas um é a sombra do outro. E é justamente essa história de luz e de sombra que nos conta a <strong>bandeira</strong> <strong>do Brasil</strong>.</p>



<p>Quando cheguei, me contaram que essa <strong>bandeira</strong> &#8211; que era a uma das mais bonitas que eu já havia visto &#8211; representava o país como ele é, como cantado pelo Martinho da Vila, uma aquarela Brasileira, estampada com as cores do sol, do céu, do mar e do verde da nossa amada Amazônia.</p>



<p>Só que a realidade é um tanto diferente, a <strong>bandeira</strong> nasceu, quando, pelo decreto de 18 de setembro de 1822, se deu ao <strong>Brasil</strong> “um escudo de armas” para diferenciá-lo do reino de Portugal. As cores foram mantidas da bandeira anterior, o verde da Casa de Bragança, o ouro da Casa de Habsburgo e o azul do Brasão de armas,&nbsp;símbolo do império. Ou seja, todas as vezes que as crianças no início do expediente escolar ou todos os torcedores antes do culto aos deuses da bola redonda cantam o hino nacional, com a mão no peito, acreditando ser uma prova de amor e deferência à sua nação, estão na verdade olhando fixamente, mas&nbsp;sem enxergar, o símbolo de que é realmente seu país: a sobra de um império militarmente imposto&nbsp;às populações autóctones, forçosamente, contra a sua vontade.</p>



<p>A <strong>bandeira</strong>, como todo símbolo, nos mostra o que gostaríamos de ser para que possamos olhar para aquilo que realmente somos.&nbsp; Olhamos fascinados para a ela e seu leme de Ordem e Progresso e nos encantamos pelas suas cores, enquanto continuamos olhando sem ver um país tão desigual e violento, sem enxergar suas dores e caos. Parece, então, que ainda não entendemos o seu símbolo e o recado que ela precisa nos dar sobre nossa intimidade coletiva.&nbsp;</p>



<p>Olhamos e não enxergamos, e isso é muito relevante. Pois precisamos compreender para que seja possível nos entregar ao processo de um progresso que traga a verdadeira ordem. E nessa hora não faz mal querer olhar para os livros de História e lembrar que essa frase, tão importante e tão comum para todos nós, veio do lema do positivismo de Auguste Comte: “<em>O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim</em>.” <strong>Mas o “Amor” como princípio de todas as coisas foi deixado de lado. </strong>Somente foram estampados na <strong>bandeira</strong> os símbolos do poder e da ganância e, como novamente Jung ensinou, onde impera o poder, não há espaço para o amor e, portanto, não haveria lugar para ele na bandeira.</p>



<p>Seria então por isso que o mote foi truncado? Para que nos lembremos que gostamos de gritar alto a serenata à amizade universal, mas que não conseguimos aceitar que temos, antes de tudo, sede e vontade de um poder pelo qual tomaríamos as armas? Para que recordemos que para o amor não estaríamos coletivamente preparados?</p>



<p>Observemos a sociedade, as ruas das nossas cidades, nossos programas de televisão, nossas estradas, matas e selvas de concretos, como tratamos as minorias e os animais para, talvez, encontrar uma resposta a esta pergunta. Olhamos para aquilo que todos nós sabemos que é a verdade nua e crua: vemos todos os dias, nas ruas e nos noticiários, a constante violência da sociedade brasileira expressa pela pobreza, sujeira e outras discriminações de minorias,&nbsp;mas preferimos viver o mito da nação amorosa, mais &#8220;cristã do mundo&#8221; e orgulhosa das suas paradas de acolhimento às diferenças. Está selado na bandeira, a realeza, o império e as armas, mas escolhemos viver o mito do Brasil “dessas nossas verdes matas e cachoeiras e cascatas de colorido sutil e deste lindo céu azul de anil.”, como disse Martinho da vila em sua&nbsp;<em>Aquarela brasileira</em>,</p>



<p>Olhamos para a persona coletiva do país, nos apegamos a ela ao ponto de cantar-lhe serenatas, imortalizá-la em poemas e filmes, de sofrer por ela e chorar em estádio, mas sem nunca enxergar a sua real essência, a verdade que vive no seu inconsciente, a dinâmica das suas emoções mais profundas. Amamos a sua cara, mas não queremos sentir suas dores, tal como Cazuza cantou na sua música “Um trem para as estrelas” escrita em parceria com Gilberto Gil: &#8220;estranho o seu Cristo Rio que olha tão longe, além, com os braços sempre abertos,&nbsp;mas sem proteger ninguém&#8221;.</p>



<p>Jung ensina que isso tudo se deve ao fenômeno da projeção. Quando existem em nós, questões afetivas com as quais não conseguimos lidar, muitas vezes por não termos força ou equilíbrio emocional para isso, e que esses assuntos ainda são muito amedrontadores ou dolorosos, nos apegamos à imagens que os representam. Olhamos para símbolos de todas essas vontades, todos esses desejos e dores que tem uma intensidade com a qual tememos ter que nos deparar em nossa intimidade. Ou seja, nos fascinamos por imagens de fora porque não conseguimos olhar para dentro de nós, como uma forma de não esquecer a sujeira emocional que nossa saudável necessidade de bem-estar jogou para debaixo do tapete do inconsciente. Olhamos para a Bandeira, hipnotizados pela sua aparente beleza e histórias mal contadas, para nos proteger da dor e da culpa que provocaria olhar para realidade do país.</p>



<p>E quando esses conteúdos sombrios, escondidos dentro da gente encontram sintonia com outros indivíduos, acontecem fenômenos de comportamento de massa como desordem de torcedores de futebol, ou loucura coletiva de &#8220;groupies&#8221; de artistas famosos, mas também como alienação à cultos religiosos ou fanatismo político. Há por traz de toda movimentação de massa, uma tendência, uma vontade arcaica individual que faz com que os que precisam se proteger da sua própria escuridão, tal insetos atraídos por uma falsa luz, se agrupam em volta de quem já botou para fora, para todos verem, suas dores, medos e desejos mais inapropriados.&nbsp;A relação aparentemente absurda de amor incondicionalmente sofrido que um grupo de adolescentes pode expressar para um artista, vem do mesmo mecanismo, atemporal e transcultural que encontramos também na relação insana da torcida com seu time do coração e nos mostra que a intensidade dessa relação afetiva é inversamente proporcional à capacidade de raciocinar a relação. Se não fosse assim, essas paixões morreriam assim que o artista encontrasse um novo par amoroso ou o time começasse a jogar mal. Mas mesmo assim, ganhando ou perdendo continuamos a amar, sem questionar o motivo deste amor, de olhos fechados. Tanto quanto olhamos para a bandeiras e juramos amor ao país do qual é o símbolo, olhamos para sua luz, sem aparentemente olhar para sua sombra, suas dores e questionar a realidade que ela esconde. Como o disse Jung, a aquisição da consciência é um evento recente na evolução da humanidade&nbsp;e &#8220;a parte de baixo&#8221; do cérebro, o límbico, que lida com instintos e afetos, muitas vezes ainda é mais poderosa que &#8220;a parte de cima&#8221;, o córtex cerebral que nos confere a habilidade da razão, e ainda nos impede de ter uma percepção clara do mundo como ele é.</p>



<p>Quando um indivíduo sente a necessidade de resolver&nbsp;dores ou dificuldades internas, um dos caminhos possíveis é o da análise, onde ele se obrigará a olhar para dentro, para poder entender o que está projetando no outro, o que faz com que se apegue a algo de forma irracional. Um dos princípios da análise é, após enxergar os mecanismos psíquicos e os fundamentos de atitudes que trazem sofrimento, procurar desconstruir crenças e destruir padrões negativos forjados por sua história pessoal, para poder reconstruir uma base de vida mais sólida, mais de acordo com uma nova perspectiva existencial e visão do mundo organizadas em volta da sua verdadeira essência.</p>



<p><br>Todo trabalho de investigação começa pela observação, seja o empirismo em ciência ou a anamnese em terapia. É preciso primeiro olhar como estão as coisas para poder entendê-las, olhar para a casa para poder arrumá-la, pois&nbsp;não há como&nbsp;<s>c</s>olocar ordem onde não se enxerga a desordem. É justamente assim que acontece a psicoterapia no prisma junguiano: para que se possa evoluir e crescer é necessário tirar o poder da ilusória ordem do Ego e da consciência e dar voz à aparente desordem vital que se esconde no inconsciente. O mesmo precisa acontecer no âmbito coletivo se quisermos ter uma chance de crescimento saudável como nação.&nbsp;&nbsp;É necessário que o país entre em análise para reconstruir sua identidade ainda demasiadamente influenciada pelos seus traumas de infância, e o primeiro passo é observar.</p>



<p>Por isso os artistas são tão importantes para uma nação, porque, às vezes, sem o perceber, ilustram a sombra e nos oferecem um caminho. Cantou o ex-vocalista do Barão vermelho:</p>



<p>“São 7 horas da manhã<br>Vejo Cristo da janela<br>O sol já apagou sua luz<br>E o povo lá embaixo espera<br>Nas filas dos pontos de ônibus<br>Procurando aonde ir<br>São todos seus cicerones<br>Correm pra não desistir</p>



<p>Dos seus salários de fome<br>É&nbsp;a esperança que eles tem<br>Neste filme como extras<br>Todos querem se dar bem</p>



<p>Num trem pras estrelas<br>Depois dos navios negreiros<br>Outras correntezas”</p>



<p>Esses trens onde todos querem se dar bem, os ónibus lotados do Rio de Janeiro que levam os mais simples para suas jornadas de trabalho em busca à conquista senão de seus sonhos, pelo menos uma melhoria do cotidiano, nada mais são que a evolução dos navios negreiros que trouxeram seus ancestrais.</p>



<p>É preciso olhar para o passado, ressignificar as marcas que a história cravou em nosso inconsciente cultural, para poder ver como encontrar com o presente se queremos ter uma chance de futuro. E é preciso coragem para querer enxergar no Brasil sua desordem e falta de progresso, abraçar a sombra coletiva, tanto quanto procuramos encontrar nossa escuridão individual na terapia, para poder pintar em todas as suas ruas e paredes uma aquarela brasileira com pigmentos de esperança.</p>



<p>Se eu citei Martinho da Vila e Cazuza, quem sabe a cultura popular nos demonstre a sua força: o carnaval e Ary Barroso expõe a todos que tem ouvidos para escutar, a solução para o Brasil se encontra nos livros de história.</p>



<p>&#8220;Abre a cortina do passado</p>



<p>Tira a mãe preta do cerrado</p>



<p>Bota o Rei Congo no congado</p>



<p>Canta de novo o trovador</p>



<p>A merencória à luz da Lua</p>



<p>Toda canção do seu amor</p>



<p>Quero ver essa dona caminhando</p>



<p>Pelos salões arrastando</p>



<p>O seu vestido rendado&#8221;</p>



<p>Mas tenho certeza de que já estamos no caminho porque, se a bandeira esconde com suas cores uma sofrida realidade, também estão cravados lá o azul do céu do rio de janeiro e suas estrelas, guias de uma navegação rumo ao futuro e, delas, não tiramos os olhos.</p>



<p>Analista em formação:&nbsp;Sebastien Baudry</p>



<p>Analista didata responsável: Maria Cristina Guarnieri.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Sobre o simbolismo da bandeira do Brasil | Sebastien Baudry" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/PH_5070vwGQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>JUNG, C.G.&nbsp;<em>Símbolos da transformação</em>. Vozes: São Paulo, 2018.</p>



<p>Cazuza / Glberto Gil,&nbsp;<em>Um trem para as estrelas.</em></p>



<p>Matinho da Vila:&nbsp;<em>Aquarela Brasileira</em></p>



<p>Ary Barroso: Aquarela do Brasil.</p>



<p><em>Coleção das leis do Brasil de 1822</em>.Decreto de 18 de setembro de 1822</p>



<p>Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1887. p.56</p>
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		<title>Mitos, Psiquismo e Íris</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mitos-psiquismo-e-iris/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Waldemar Magaldi]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Mar 2022 13:17:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Numinoso]]></category>
		<category><![CDATA[Professores do IJEP]]></category>
		<category><![CDATA[arquétipo]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência]]></category>
		<category><![CDATA[íris]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[psiquificação]]></category>
		<category><![CDATA[símbolo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Toda criança nasce em desajuste e tencionada, recebendo, de um lado, influências de uma parcela mais ou menos semelhante ao animal e, de outro lado, a herança ancestral de toda humanidade, com infinitas e complexas experiências e necessidades que a impulsionam para a evolução e realização do ser . Deste desajuste interior surge uma tensão [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Toda criança nasce em desajuste e tencionada, recebendo, de um lado, influências de uma parcela mais ou menos semelhante ao animal e, de outro lado, a herança ancestral de toda humanidade, com infinitas e complexas experiências e necessidades que a impulsionam para a evolução e realização do ser . Deste desajuste interior surge uma tensão que só pode ser aliviada pela capacidade criativa de <strong>simbolização e pela autoconsciência.</strong></p>



<p><strong>Os símbolos são caminhos para a transformação da energia ou da libido e deles é que surgem as organizações e as tradições culturais e religiosas que, pela necessidade de comunicação e da expressão, dependem da linguagem.</strong></p>



<p>A linguagem necessita dos símbolos, pois somente eles é que podem abranger a experiência vivida. <strong>Simbolizar</strong> é, simultaneamente, o questionamento da realidade aparente frente à realidade do mistério. <strong>Por isso, symbolon = reconhecer; symbálen = juntar, reunir, forças contrárias que se reencontram, o seu oposto é o diabálem = o que separa, o que divide, origem do diabo ou do demoníaco.</strong></p>



<p>Ao tentarmos definir os símbolos ou reduzi-los às suas características semióticas, corre-se o risco de transformá-los em sinais ou signos, fazendo com que eles percam suas capacidades integradoras e transformadoras. Com isso eles deixarão de ser os sinais visíveis da realidade invisível, com excedente de significados que nunca pode se esgotar, nem serem substituídos pela razão, pois eles têm muito mais a ver com a emoção. Desta forma, a tentativa de transformá-los em sinais ou signos além de ser impossível, deixa a pessoa em uma imensa aporia de significados, a vida fica apática e sem sentido.</p>



<p><strong>Os símbolos são freqüentes em histórias de amor, religiões, artes, enfim em todas as situações em que existe uma tensão e um conflito humano, envolvendo, geralmente, as antinomias = emoção e razão.</strong></p>



<p>Os mitos são as justificativas das nossas ações, como um processo de explicação para elas, porém estas explicações são muito mais inconscientes do que conscientes. Os mitos passam pelo processo de <strong>psiquificação</strong>, dando uma razão para os ritos. Todo mito produz um interdito que impede a mudança do rito, mantendo e atualizando seu efeito sobre o humano. O mito é um teatro simbólico e dramático das experiências biológicas, psicológicas e espirituais, registrando todas as ações humanas no transcorrer da evolução. São estruturas que nos fornecem os padrões ou modelos arquetípicos, condensando em sua narrativa uma infinidade de situações análogas, universais e individuais, possibilitando-nos referencias da história da humanidade. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Ou, nas palavras de B. Malinowski : &#8220;O mito, portanto, é um ingrediente vital da civilização humana; longe de ser uma fabulação vã, ele é ao contrário uma realidade viva, à qual se recorre incessantemente; não é absolutamente uma teoria abstrata ou uma fantasia artística, mas uma verdadeira codificação da religião primitiva e da sabedoria prática&#8221;.</p></blockquote>



<p><br>Podemos concluir que os mitos são matéria da alma, são verdadeiros documentos humanos, abrangendo todas as épocas e histórias da humanidade e estão diretamente ligados à nossa própria vida, porque todo este registro histórico vive em nós, dando-nos genealogia espiritual. Eles são o resultado do crescimento da consciência humana, o registro simbólico do inconsciente coletivo, repletos de linguagem simbólica e de possibilidades ritualísticas. Conseqüentemente, são as bases fundantes das doutrinas e das religiões. Neles as almas se alimentam em um persistente processo de construção e desconstrução, rumo a realização.</p>



<p>Como os mitos são caminhos e potencialidades arquetípicas que permitem a autoconsciência e neles estão contidos toda sabedoria universal e perene, vou privilegiar, dentre alguns mitos, os mitos de <strong>Íris</strong>. </p>



<p><strong>Íris</strong> , que etimologicamente é oriunda das raízes de: curvar, dobrar, espiral e fio de ferro, na mitologia Grega é filha de <strong>Electra e Taumas,</strong> é a personificação do <strong>arco-íris</strong> e é a ponte de união entre o Céu e a Terra, entre os deuses e os homens. <strong>Íris tem muita similaridade com Hermes, por ser a portadora das ordens, mensagens e conselhos dos deuses aos homens.</strong> Com isso podemos refletir o quanto que, para quem estuda a <strong>íris</strong> (iridólogos), existe uma total coerência do mito com o seu estudo prático e fenomenológico, porque ela nos mostra tanto as potencialidades como as ordens e os caminhos para o relacionamento do psiquismo, do curador e do ferido, com o seu corpo e com a sua espiritualidade.</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Autor: Waldemar Magaldi Filho</strong></p>
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		<title>Orbis Sensualium Pictus: a importância das imagens na obra de jung</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/orbis-sensualium-pictus-a-importancia-das-imagens-na-obra-de-jung/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[José Luiz Balestrini Junior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jun 2021 19:30:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mitologia e Símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[imagens]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[símbolo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>C. G. Jung relata que quando tinha seis anos de idade sua mãe costumava ler para ele um pequeno livro intitulado Orbis Sensualium Pictus. Esse livro, concebido para crianças, foi publicado em 1658 por Iohanes Amos Comenius, filósofo, teólogo e pedagogo que viveu no séc. XVII na região que hoje corresponde à Republica Checa. Era um homem [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>C. G. Jung relata que quando tinha seis anos de idade sua mãe costumava ler para ele um pequeno livro intitulado <em>Orbis Sensualium Pictus</em>. Esse livro, concebido para crianças, foi publicado em 1658 por <em>Iohanes Amos Comenius</em>, filósofo, teólogo e pedagogo que viveu no séc. XVII na região que hoje corresponde à Republica Checa. Era um homem extremamente preocupado com a maneira como a educação era encarada em sua época e estabeleceu com sua obra muitos princípios que serviram de base para várias das escolas pedagógicas que conhecemos hoje. Acreditava que era preciso implantar inovações nas metodologias de ensino que ajudassem as crianças no seu processo de aprendizado. Alguns exemplos de suas ações para isso foram: adicionar imagens que acompanhavam os textos; usar o teatro e a encenação para educar; lutava pelo ensino prático e sem maus tratos dos alunos; postulava que todos os seres humanos tem um dom inato para o conhecimento e que o saber não deveria ser restrito a uma elite. Comenius defendia também que as mulheres tivessem acesso à educação, o que, obviamente, era negado e visto como absurdo em sua época. Seu livro mais conhecido é a <em>Didáctica Magna, </em>texto fundante do projeto educacional comeniano.</p>



<p>Mas, o que mais interessa para a presente reflexão, é a relação indireta que Jung teve com esse autor através de sua experiência com o&nbsp;<em>Orbis Sensualium Pictus</em>. O livro, concebido para o ensino do latim para crianças, contém imagens e suas respectivas definições nessa língua. A ideia principal era que as imagens ajudassem as crianças a aprender conceitos e descrições de objetos e situações da vida e do mundo, ao mesmo tempo em que aprendiam a língua. Jung ainda adiciona em seu relato que adorava ficar olhando para as imagens enquanto sua mãe explicava o texto que as acompanhavam. Poderíamos ampliar muito o trabalho de Comenius numa comparação com as práticas pedagógicas que vivemos atualmente e com as tentativas absurdas e retrógradas de uma parcela de políticos e da própria população que agem de maneira regredida para retornar à práticas abusivas e violentas de métodos de ensino medievais que não incitam capacidade reflexiva. Porém, nosso objetivo é dar atenção para a importância que as imagens podem ter ganhado na formação de Jung a partir de seu contato com a obra de Comenius.</p>



<p>Muitos autores de diferentes áreas do conhecimento deram atenção para o estudo teórico da imagem, como por exemplo o mitólogo e antropólogo Gilbert Durand que escreveu em uma revista de conteúdo junguiano no ano de 1971: “Cinquenta anos atrás, William James disse que o inconsciente era a maior descoberta do século XX. Agora podemos dizer que os conteúdos do inconsciente (imagens) serão o campo de exploração mais importante para o século XXI.” (Extraído de HILLMAN, 2018, pág. 9) A afirmação de Durand comprova sua intuição acertada quando no momento atual da nossa história como espécie vivemos uma invasão de imagens produzidas artificialmente pela inteligência artificial ou por aplicativos que permitem as pessoas transformarem e criarem visões completamente falsas da realidade concreta. Tudo isso para ser publicado de maneira desmedida nas redes sociais em busca de uma audiência amorfa e desprovida de sentido, assim como as próprias publicações. Estabelecemos uma espécie de cultura do simulacro que se revela no culto à essas imagens produzidas artificialmente. Não é difícil perceber que esse fenômeno se manifesta principalmente nas telas dos aparelhos eletrônicos que utilizamos abusivamente nos dias atuais. Enquanto isso, as imagens internas, de grande potencial simbólico, acabam negadas e esquecidas por essa sociedade que prega a unilateralidade da&nbsp; extroversão, onde o mundo subjetivo é desdenhado como algo sem importância.</p>



<p>Do ponto de vista teórico, mas principalmente na prática clínica psicológica, podemos afirmar que Jung foi um dos primeiros a dar grande importância para o trabalho com a imagem, não só na busca da cura das psicopatologias, mas também como ferramenta para o ser humano buscar sentido e significado em sua vida através do contato com as produções do inconsciente. Muitas vezes falamos sobre os símbolos e a importância que eles possuem na transformação da energia psíquica, porém, não podemos esquecer que eles só podem surgir na forma de imagens. Como disse James Hillman:&nbsp;“Todo processo psíquico&nbsp;é&nbsp;uma imagem, disse Jung. Os símbolos aparecem, só&nbsp;podem aparecer, em imagens e como imagens. Eles são abstrações das imagens (se não o fossem, não poderíamos pesquisá-los em dicionários e livros de referência).”&nbsp;(HILLMAN, 2018, pág. 22)</p>



<p>Segundo Jung a imagem produzida pela psique é uma conjunção energética importante que une a situação da consciência e do inconsciente, por isso ela é carregada de valor simbólico:</p>



<p>A imagem é uma expressão concentrada da situação psíquica como um todo e não simplesmente ou sobretudo dos conteúdos inconscientes. É certamente expressão de conteúdos inconscientes, não de todos os conteúdos em geral, mas apenas os momentaneamente constelados. Esta constelação é o resultado da atividade espontânea do inconsciente, por um lado, e da situação momentânea da consciência, por outro, que sempre estimula a atividade dos materiais subliminares relevantes e inibe os irrelevantes. A imagem é, portanto, expressão da situação momentânea, tanto inconsciente quando consciente. Não se pode, pois, interpretar seu sentido só a partir da consciência ou só do inconsciente, mas apenas a partir da sua relação recíproca. (JUNG, 2013, § 829)</p>



<p>Portanto, podemos dizer que os símbolos são os elementos que formam a imagem. Cada uma dessas partes pode ser ampliada de acordo com seus significados pessoais, culturais e arquetípicos. Jung diz que o símbolo é a melhor expressão possível daquilo que não pode ser descrito em sua totalidade.</p>



<p>Todo produto psíquico que tiver sido por algum momento a melhor expressão possível de um fato até então desconhecido ou apenas relativamente conhecido pode ser considerado um símbolo se aceitarmos que a expressão pretende designar o que é apenas pressentido e não está ainda claramente consciente. (JUNG, 2013, § 908)</p>



<p>Recebi de presente de uma cliente há alguns meses uma edição do livro de Comenius pelo qual fiquei encantado. Fui arrebatado pela ideia de que tinha agora a chance de imaginar como havia sido para um Jung de seis anos de idade olhar para aquelas imagens. Sem muito esforço podemos encontrar semelhanças entre as figuras contidas no livro e as produções do próprio Jung. Obviamente que tudo aquilo que pudermos inferir sobre a influência que elas tiveram na maneira que Jung olhava para o mundo não passam de fantasias nossas, imagens que nós mesmo criamos para tentar explicar o mundo que nos cerca. Ao mesmo tempo, acredito que seja impossível negar que essas imagens, assim como os textos que as acompanham, tiveram um papel primordial no desenvolvimento do pensamento de Jung.</p>



<p>Dentre as mais de 300 imagens que o livro traz, para esse artigo escolhi apenas um exemplo que, na minha opinião, mostra de maneira metafórica uma parte importante daquele que o próprio Jung se tornou como estudioso da psique, dos fenômenos e experiências que permeiam a vida humana. No capítulo 101, intitulado&nbsp;<em>Philosophia &#8211;&nbsp;</em>traduzido para o espanhol como “sabiduría”- Comenios escreve: &#8220;O&nbsp;físico observa todas as obras de Deus no mundo. O metafísico investiga as causas e efeitos das coisas.” (COMENIUS, 2017, pág. 221) Podemos observar a imagem que acompanha esse texto na Figura 1.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="610" height="719" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-8.jpeg" alt="" class="wp-image-4680" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-8.jpeg 610w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-8-255x300.webp 255w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-8-150x177.webp 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-8-450x530.webp 450w" sizes="(max-width: 610px) 100vw, 610px" /></figure>



<p>A Figura 2 foi retirada do livro&nbsp;<em>Psicologia e Alquimia</em>&nbsp;e serve para ilustrar, não somente a semelhança entre as imagens apresentadas pelos dois autores, mas também a proximidade das ideias que Jung desenvolveu e disseminou ao longo de sua vida. Essa imagem e texto específicos chamam atenção também para o homem de dupla &#8211; talvez seja mais acertado usarmos a expressão&nbsp;<em>múltipla</em>&nbsp;&#8211; personalidade que ele próprio percebeu ser através de suas experiências imaginais. Podemos dizer que Jung foi um cientista que elaborou sua teoria através da própria experiência dos fenômenos que descreveu. Ele era, sem sombra de dúvidas, um físico e um metafísico no sentido comeniano descrito acima. Num primeiro momento parecia buscar fora, nas imagens já produzidas em muitos períodos da história e nas mais diferentes culturas aquilo que ainda não estava claro para ele em sua própria psique. Mais tarde, principalmente após seu rompimento com Freud, foi invadido por imagens (de maneira alguma exclusivamente visuais) que o obrigaram a mergulhar em seu próprio mundo interior. Tomado pelas imagens enviadas pelo espírito das profundezas de sua psique, não teve outra alternativa a não ser transformá-las em narrativas (em seus Livros Negros), para mais tarde pintá-las (quando organizou o material para o Livro Vermelho). Durante esse processo, ainda nas décadas de 1910 e 1920, descobriu de maneira natural as mandalas; representações gráficas circulares da totalidade da psique; imagens que descrevem a dinâmica dos conflitos e discordâncias, assim como das alianças e conciliações entre a consciência e o inconsciente.</p>



<p>Na legenda do texto podemos ver a questão religiosa que sempre foi importante para Jung. Os alquimistas precisam da benção divina para empreender sua jornada de conhecimento e descobertas. As imagens do físico e do metafísico existem em cada psique de maneira arquetípica. Cabe a nós, através do exercício do pensamento simbólico; da leitura metafórica da vida e do mundo; das vivências e experiências com as imagens e com a imaginação acessar essas potencialidades. Não foi por acaso que Jung desenvolveu como umas das ferramentas principais no trabalho analítico a técnica que ele denominou como Imaginação Ativa. Imaginemos!</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="820" height="455" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-9.jpeg" alt="" class="wp-image-4682" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-9.jpeg 820w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-9-300x166.jpeg 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-9-768x426.jpeg 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-9-150x83.jpeg 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2022/07/image-9-450x250.jpeg 450w" sizes="(max-width: 820px) 100vw, 820px" /></figure>



<p>José Balestrini &#8211; Analista em Formação pelo IJEP</p>



<p>Analista Didata: Waldemar Magaldi</p>



<p>REFERÊNCIAS</p>



<p>COMENIUS, Iohannes Amos. Orbis Sensualium Pictus. Espanha: Libros del zorro rojo, 2017&nbsp;</p>



<p>HILMMAN, James. Uma investigação sobre a imagem. Petrópolis: Vozes, 2018</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Tipos Psicológicos. 7ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2013</p>



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<iframe title="#NovoArtigo Orbis Sensualium Pictus: a importância das imagens na obra de Jung" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/Ypp0HbsoFUM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h4 class="wp-block-heading" id="h-jose-balestrini"><strong><em>José Balestrini&nbsp;</em></strong></h4>
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