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	<title>Arquivos imagem - Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Arquivos imagem - Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>Precisamos conversar com as árvores: imaginação, afeto e cura</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/precisamos-conversar-com-as-arvores-imaginacao-afeto-e-cura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniella Schmidt]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 14:14:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes e Séries]]></category>
		<category><![CDATA[imaginação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Simbolismo]]></category>
		<category><![CDATA[Símbolos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este ensaio propõe uma reflexão sobre a atitude simbólica na psicologia analítica, compreendendo a imagem como linguagem própria da psique e, o símbolo, como principal mediador da relação entre consciência e inconsciente. A partir das contribuições de Carl Gustav Jung, Nise da Silveira e outros autores da tradição junguiana, discute-se o potencial transformador da imaginação, dos símbolos e dos recursos expressivos no processo terapêutico.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Resumo</strong>: Este ensaio propõe uma reflexão sobre a atitude simbólica na psicologia analítica, compreendendo a imagem como linguagem própria da psique e, o símbolo, como principal mediador da relação entre consciência e inconsciente. A partir das contribuições de <strong>Carl Gustav Jung</strong>, <strong>Nise da Silveira</strong> e outros autores da tradição junguiana, discute-se o potencial transformador da imaginação, dos símbolos e dos recursos expressivos no processo terapêutico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como fio condutor da reflexão, utiliza-se o filme <strong>Sete Minutos Depois da Meia-Noite</strong>, no qual a relação entre Conor O&#8217;Malley e o Teixo-Monstro oferece uma rica metáfora para compreender o diálogo com as imagens interiores, a lida com o sofrimento e a função transcendente da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto percorre o encontro entre o menino e a árvore como uma narrativa da transformação psíquica, mostrando como a imaginação, os sonhos, a arte e as histórias podem se tornar caminhos de elaboração, integração e cuidado com a alma. Defende-se que o desenvolvimento de uma atitude simbólica constitui uma via fundamental para a ampliação da consciência, a autorregulação psíquica e a construção de novos sentidos diante das experiências da vida.</p>



<h2 id="h-nao-encontrei-outra-forma-de-comecar-este-artigo-que-nao-fosse-por-esta-citacao-de-jung" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">Não encontrei outra forma de começar este artigo que não fosse por esta citação de Jung:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>“A psique cria a realidade todos os dias. A única expressão que me ocorre para designar esta atividade é fantasia. A fantasia é tanto sentimento quanto pensamento, é tanto intuição quanto sensação. Não há função psíquica que não esteja inseparavelmente ligada pela fantasia com as outras funções psíquicas.(&#8230;) Por isso, a fantasia me parece a expressão mais clara da atividade específica da psique. É sobretudo a atividade criativa donde provêm as respostas a todas as questões passíveis de resposta; é a mãe de todas as possibilidades onde o mundo interior e exterior formam uma unidade viva, como todos os opostos psicológicos. A fantasia foi e sempre será aquela que lança a ponte entre as exigências inconciliáveis do sujeito e objeto, da introversão e extroversão.” (Jung, 2013a, p.73)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A psique produz imagens, atua através delas, e a lida com o universo imagético da psique demanda a entrega da lógica do controle, previsibilidade e de qualquer possibilidade de conhecimento de antemão ou metodologização. Simplesmente não é possível nenhum esquema predefinido ou domínio racional sobre o que nos é apresentado se quisermos um contato honesto, profundo, criativo e germinativo com as forças da psique. Precisamos iniciar o contato com as imagens através da máxima socrática “só sei que nada sei”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A energia psíquica se move através das ações tomadas conscientemente e, também, pelas fantasias e produtos inconscientes. A postura do ego diante das imagens dará os contornos de como o consciente se relaciona com a totalidade psíquica, podendo se enrijecer na explicação excessivamente racional e na literalização dos fenômenos, ou se abrir para a troca e o diálogo com as antinomias e a aceitação que algo nos escapará e nunca será assimilado conscientemente, ou seja, a adoção do olhar simbólico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pensamento simbólico abre mão da racionalidade que explica e se volta ao irracional criativo, fértil, que movimenta a energia psíquica e fomenta a relação e o encontro com novos sentidos e com a diversidade, auxiliando nas contínuas necessidades adaptativas frente aos mundos externo e interno. Sobre isso, José Luiz Balestrini Jr, membro didata do Ijep, destaca que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>“(&#8230;) caso o indivíduo não dê atenção aos conteúdos do inconsciente através de experiências simbólicas criativas, este irá encontrar maneiras de se manifestar que, certamente, serão disfuncionais e carregadas de sofrimento. É nesse sentido que a imagem simbólica desponta como fundamental, já que, para Jung, a linguagem do inconsciente se constrói por meio dessas imagens”. (Balestrini Junior, 2023, pag. 32).</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-o-fazer-criativo-a-autonomia-e-a-forca-transformadora-da-imagem" class="wp-block-heading" style="font-size:18px"><strong>O FAZER CRIATIVO, A AUTONOMIA E A FORÇA TRANSFORMADORA DA IMAGEM</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalhar com as imagens internas está longe de ser uma atividade passiva, é uma <em>opus</em> que convoca o indivíduo para uma atitude tanto espontânea quanto ativa diante de seu processo terapêutico. As imagens e seu potencial simbólico demandam do ego, ao mesmo tempo, asas e raízes. Através de voos alçados pela imaginação e pelo fazer livre criativo é possível dar expressão concreta e forma visível aos conteúdos afetivos conscientes e inconscientes, proporcionando ao sujeito o confronto, a reflexão, o discernimento e as ações necessárias para ampliar e lidar com o que lhe ocorre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imaginação tem o poder de nos transformar, e a análise junguiana e as expressões criativas oferecem um vaso possível para acolher e explorar a força desse universo imaginal, como já nos contava a Dra. Nise da Silveira, psiquiatra brasileira e precursora da utilização da arteterapia para o tratamento de pessoas com esquizofrenia e em grave sofrimento psíquico:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:16px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>“O processo psíquico desenvolve seu dinamismo por intermédio da criação de imagens simbólicas. “O símbolo é o mecanismo psicológico que transforma energia”. Assim, a objetivação de imagens simbólicas no desenho ou na pintura poderá promover transferências de energia de um nível para outro nível psíquico. A imagem não é algo estático. Ela é viva, atuante e possui mesmo eficácia curativa.” &nbsp;(Silveira, 2015, pag. 135)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Tudo o que nos afeta é real, quer exista ou não na dimensão concreta e objetiva da experiência humana, e quando uma imagem nos alcança, vinda de uma vivência consciente ou pelas vias do inconsciente, somos atravessados por emoções, ideias, sensações, memórias, intuições. Os complexos afetivos, sombra, persona, arquétipos, instintos e tudo o mais que nos habita chegam como imagens carregadas de energia psíquica, sejam elas visuais, sensoriais, olfativas, auditivas, narrativas etc. O trabalho simbólico cria expressão e representação para os conteúdos afetivos, que ao serem ampliados e aprofundados, estimulam o intercâmbio da energia psíquica entre os diferentes aspectos autônomos para produzir a autorregulação do sistema.</p>



<h2 id="h-no-inicio-de-suas-pesquisas-atraves-do-teste-de-associacao-de-palavras-carl-gustav-jung-constatou-a-autonomia-do-inconsciente-e-a-existencia-de-aspectos-ocultos-que-constituem-a-totalidade-psiquica-e-interferem-na-vida-concreta-do-individuo-independente-da-vontade-do-eu" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">No início de suas pesquisas, através do teste de associação de palavras, Carl Gustav Jung constatou a autonomia do inconsciente e a existência de aspectos ocultos que constituem a totalidade psíquica e interferem na vida concreta do indivíduo, independente da vontade do eu.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do desenvolvimento de sua teoria, que também foi construída a partir da relação criativa com suas imagens interiores, o psiquiatra suíço foi observando uma série de fatores que expressam essa autonomia, como, por exemplo, a precedência da dimensão coletiva instintiva e arquetípica, de onde a consciência nasce e se desenvolve, a dinâmica dos complexos afetivos e dos conteúdos sombrios, o mecanismo de projeção, a função transcendente e a manifestação dos sonhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os processos da vida são, apenas em parte, compreendidos conscientemente. Sempre existirá o mistério e o incognoscível, aquele lado que nenhuma teoria que seja baseada na conhecida lógica e racionalidade conseguirá descrever, como aponta Jung:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>“A ciência até hoje não foi capaz de apreender o enigma da vida, nem através da matéria orgânica, nem através das misteriosas séries de imagens que brotam da psique. Consequentemente ainda estamos à procura daquele princípio vital cuja existência devemos postular para além dos limites da experiência. Quem conhece os abismos da fisiologia fica aturdido, diante das suas manifestações, da mesma maneira como aquele que tem noções sobre a psique humana, terá uma sensação de desespero, só de pensar que este estranho ser especular jamais atingirá qualquer “conhecimento” por mais aproximado que seja”. (Jung, 2013b, p. 620)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-a-totalidade-psiquica-e-transcendente-e-o-simbolo-e-a-melhor-expressao-possivel-de-algo-que-nao-se-pode-conhecer-completamente-unindo-aspectos-conscientes-e-inconscientes" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">A totalidade psíquica é transcendente e o símbolo é a melhor expressão possível de algo que não se pode conhecer completamente, unindo aspectos conscientes e inconscientes.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O símbolo designa “<em>algo que, por trás do sentido objetivo e visível, oculta um sentido invisível e mais profundo</em>” (Jacobi, 1990, pag. 75), comunica tanto uma presença quanto um vir a ser, aquele eterno mistério que faz com que a vida siga buscando. Segundo Goethe, &#8220;<em>o simbolismo transforma o fenômeno em ideia, a ideia em imagem, de tal modo que a ideia permanece sempre infinitamente ativa e inatingível na imagem e, mesmo expressa em todas as línguas, permaneceria indizível</em>” (apud Jacobi, 1990, pag. 75).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fim de que a totalidade psíquica se expresse e encontre harmonia é, então, vital simbolizar e, para tal, é preciso uma escolha consciente de estabelecer relação com o mundo imaginal, a linguagem da alma. O diálogo com o que fala a partir do inconsciente requer que o ego, centro gestor da consciência, adote uma atitude simbólica diante do que lhe chega. A escuta e interação com as imagens e afetos precisa estar ancorada em um espaço que vai além da racionalidade e que abraça o olhar metafórico, o mistério. Para explorar o potencial imagético é necessário a rendição da razão em favor da intuição e do irracional criativo, diverso e fértil de sentidos e significados.</p>



<h2 id="h-o-teixo-monstro-e-a-emergencia-do-simbolo" class="wp-block-heading"><strong>O Teixo-Monstro e a emergência do símbolo</strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para nos ajudar a ver melhor, recorro, nesse momento, à colaboração de um personagem especial que atuará como uma espécie de coautor nesse texto, o Teixo-Monstro, a árvore fantástica que aparece no imaginário de Conor O’Malley para conduzi-lo em sua jornada ao longo do filme “7 minutos depois da meia-noite”, lançado em 2016 e baseado em um livro homônimo. O companheiro que habita a totalidade psíquica junto com o jovem Conor, logo de início, lhe aponta o portal de entrada para o caminho que trilharão juntos:</p>



<h2 id="h-conor-o-malley-nbsp-como-esta-historia-comeca" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><em>Conor O’Malley:&nbsp; Como esta história começa?</em></h2>



<h2 id="h-teixo-monstro-nbsp-ela-comeca-como-muitas-outras-historias-com-um-garoto-muito-velho-para-ser-uma-crianca-e-muito-jovem-para-ser-um-homem-e-um-pesadelo" class="wp-block-heading" style="font-size:16px"><em>Teixo-Monstro:&nbsp; Ela começa como muitas outras histórias. Com um garoto muito velho para ser uma criança e muito jovem para ser um homem. E um pesadelo.</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O conto surge como uma porta de acesso, através da qual o Teixo-Monstro conduz ao reconhecimento e ampliações acerca da tensão dos opostos constelados, frutos do estiramento entre as polaridades encarnadas na situação consciente do menino: ele é só um garoto, precisando lidar com situações, emoções e afetos difíceis até para gente grande. A árvore convida a ver o que assusta e a reexaminar, por outros ângulos, as imagens narrativas experienciadas até ali. O filme “<strong>7 minutos depois da meia-noite</strong>” narra o drama vivido pelo garoto, que precisa lidar com a doença terminal de sua mãe, o <em>bullying</em> na escola, ausência paterna, mudanças estruturais inevitáveis que evidenciam a difícil relação com a avó materna e toda uma dinâmica que se impõe sobre uma psique infantil, obrigada a dar conta de um mundo de caos, medos e incertezas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O filme vai revelando um mosaico de angústias que expressa os conflitos, os sismos e a desordem que se precipitam sobre o caminho do menino, como se uma grande sombra se impusesse como escuridão e opressão sobre o destino que Conor tenta negar. Entre rabiscos, silêncios e desenhos secretos, a totalidade do pré-adolescente vai buscando suas válvulas e refúgios, até que emerge à consciência o Teixo-Monstro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse personagem imaginário é um daqueles seres que habitam as profundezas da psique, uma imagem arquetípica que, como tal, possui autonomia, com sua coerência e vontade própria. Conor começa a aprender sobre a inescapabilidade de certas situações da vida, quando fatores do mundo externo e interno, simplesmente, se forçam a acontecer, escapando do controle e do querer do ego. Mas o drama que surge através da tensão de opostos também é o que torna possível o intercâmbio e o movimento da energia psíquica, capaz de levar a consciência a uma nova experiência.</p>



<h2 id="h-jung-afirma-que-o-inconsciente-se-comporta-de-maneira-compensatoria-ou-complementar-em-relacao-a-consciencia-jung-2013b-p-132-visando-o-equilibrio-dinamico-e-a-autorregulacao-natural-do-aparelho-psiquico" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Jung afirma que “o inconsciente se comporta de maneira compensatória ou complementar em relação à consciência” (Jung, 2013b, p. 132), visando o equilíbrio dinâmico e a autorregulação natural do aparelho psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A presença do Teixo-Monstro nos lembra e alenta, assim como Jung, que as forças que atuam na natureza se compensam e se complementam todo o tempo, na tentativa de promover a harmonia possível. Do lado de fora, uma fenda inevitável estava à espreita de Conor. Do lado de dentro, uma força psíquica, tão instintiva quanto espiritual, capaz de ensinar sobre a vida e suas medicinas, começava a despertar o menino através de seu sonho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Teixo-Monstro se torna, então, a representação do confronto com a sombra, ao mesmo tempo que parece ser um velho sábio, o condutor curandeiro. Exemplo da vivacidade de uma imagem capaz de comunicar os símbolos necessários para a transformação energética dos conflitos vividos pelo pequeno herói, auxiliando-o a encontrar, ao longo do trajeto, novos sentidos para o que lhe ocorre e uma nova adaptação. O Teixo avisa ao garoto “eu vim para te convocar”, anunciando a seriedade da ação consciente necessária para a condução da relação com o imaginário e seus mistérios: é uma convocação.</p>



<h2 id="h-a-imaginacao-como-opus" class="wp-block-heading"><strong>A imaginação como <em>opus</em></strong><strong></strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto Jung nos ensina que é a colaboração entre fatores conscientes e inconscientes que torna possível o surgimento de uma nova atitude diante de si e da vida, o Teixo-Monstro emerge e atesta: “<em>eu vim para te curar, Conor. Para que você possa enfrentar a pior coisa de todas e sobreviver</em>”. Conor consente a escuta e se abre para o diálogo com a Árvore, estabelecendo a atitude simbólica necessária para que aquela colaboração aconteça. Em termos analíticos, o garoto cria condições para que a função transcendente da psique se ponha em ação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muito da elaboração simbólica de Conor é representada, no filme, através do trabalho com os sonhos e do que poderia ser compreendido como imaginação ativa, que são vias possíveis, na psicologia analítica, para dialogar e circumambular conteúdos inconscientes. Mas, no desenrolar do longa-metragem, é possível reconhecer uma série de outros recursos utilizados na clínica junguiana que auxiliam na amplificação e relacionamento com a imagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aparecem no filme ferramentas arteterapêuticas e técnicas expressivas como o desenho, pintura, fotografia, os próprios contos e narrativas. Permitindo que emoção, intuição e sensações espontaneamente se manifestem, desviando do controle e limitação impostos pelo excesso de lógica e racionalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, é possível exprimir afetos e criar consciência a partir dos símbolos que se apresentam, e, ao mesmo tempo refletir com a razão, buscando nomear e dar contornos às dinâmicas psíquicas em curso. O protagonista cria um espaço para representar suas imagens internas, acessar memórias e falar sobre elas, estar ativamente diante de insights e das forças criativas e vivas de sua imaginação.</p>



<h2 id="h-a-opus-ou-seja-o-trabalho-de-criacao-de-consciencia-requer-o-dialogo-da-expressao-das-emocoes-e-do-mundo-imaginal-com-a-compreensao-intelectual-como-destaca-nise-da-silveira" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">A <em>opus</em>, ou seja, o trabalho de criação de consciência, requer o diálogo da expressão das emoções e do mundo imaginal com a compreensão intelectual. Como destaca Nise da Silveira:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" style="font-size:17px">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><em>“Certamente será muito válido interpretar e compreender as produções da imaginação – sonhos, fantasias – nos distúrbios emocionais. Mas o caminho da interpretação intelectual não é o único caminho. Há também, segundo Jung, o método que sugere ao indivíduo a tentativa de dar forma visível às imagens internas que surgem em meio dos tumultos das emoções. Exprimir as emoções pela pintura será excelente método para confrontá-las. Não importa que essas pinturas sejam de todo desprovidas de qualidades estéticas. O que importa é proporcionar à imaginação oportunidade para desenvolver livre jogo e que o indivíduo participe ativamente dos acontecimentos imaginados. Mas, frisa Jung, a atividade plástica em si é insuficiente. O processo evolutivo da personalidade, num trabalho analítico, exige compreensão intelectual e emocional das representações perturbadoras, a fim de que possam ser integradas à consciência”. (Silveira, 2015, pag. 144)</em></p>
</blockquote>



<h2 id="h-sao-varios-os-recursos-expressivos-disponiveis-e-quando-o-ego-se-rende-a-postura-simbolica-e-metaforica-torna-se-possivel-vivenciar-o-potencial-gerador-de-significados-das-imagens" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">São vários os recursos expressivos disponíveis e, quando o ego se rende à postura simbólica e metafórica, torna-se possível vivenciar o potencial gerador de significados das imagens.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Teixo reaparece para nos lembrar que estamos diante da figura de um infante protagonista e que a imaginação infantil costuma ser mais fértil, menos condicionada por fatores culturais e mais estimulada, autorizada. Crianças imaginam coisas, certo? Ter amigos imaginários e conversar com coisas invisíveis é possível para a criança. Estão próximas dessa linguagem e são ricamente atravessadas por ela. Mas Jung nos diz que “não é o intelecto que realiza a criação de algo novo, mas o instinto lúdico agindo por necessidade interna. O espírito criador brinca com o objeto que ele ama” (Jung, 2013a, p. 185). Resgatar a ludicidade, a pureza e liberdade diante do imaginar é um caminho possível para aproximar o adulto da tão necessária atitude simbólica. “E por que não”? – nos pergunta o Teixo. Por que não podemos mais conversar com as árvores?</p>



<h2 id="h-a-coragem-de-simbolizar" class="wp-block-heading"><strong>A coragem de simbolizar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando olhamos para a psique infantil com sua facilidade de acesso ao imaginário, sua flexibilidade para novos aprendizados e abertura ao desconhecido, podemos imaginar que o mundo interno, talvez, não seja tão raso e estreito como muitos racionalizam que é. O território da consciência tem seus limites, mas a dimensão inconsciente não. Ela é origem da consciência e suas imagens pulsam inquietas para criar mais vida. Talvez precisemos desconstruir crenças e condutas tacanhas a respeito da natureza da psique a qual pertencemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ensinamento que a nossa grande amiga Árvore nos fala é que “<em>há momentos em que a destruição é necessária, para abrir espaço para o que precisa ser construído</em>”. Ela ensina a Conor sobre ciclos e o lugar construtivo da destruição. Podemos pegar uma carona e refletir quais ideias, crenças ou fantasias de limitação temos alimentado e que nos afastam do bendito e redentor olhar simbólico, que tanto pode compensar e complementar o racionalismo exacerbado dos nossos tempos.</p>



<h2 id="h-os-processos-nao-sao-apenas-do-ego-sao-da-psique-enquanto-totalidade" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Os processos não são apenas do ego, são da psique enquanto totalidade.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O eu é o gestor do campo daquilo que é consciente e enxerga apenas o que já conhece. Para que se amplie consciência é preciso o encontro com o diferente, com a diversidade, e o confronto com a sombra e as próprias convicções. O exercício da imaginação dá chances ao ego de resgatar e reintegrar uma linguagem capaz de ampliar a relação consciente &#8211; mundo interno e criar espaço para o inconsciente nutrir com originalidade as nossas vidas. Quando o Teixo-Arquetípico inicia seu contato com Conor o avisa: “<em>eu vim buscar a verdade, a sua verdade</em>”. Ele não falava das certezas egoicas, mas daquela verdade que se escondia nas dimensões profundas e negadas do menino, e de onde o assombrou até ser vista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no final do filme, diante de sua mais temível perda, o garoto reencontra o amigo de sonhos e imaginação nos cadernos de desenho de sua mãe, onde o querido Teixo se apresenta, então, como elo psíquico, que guiou a mãe e conduziu o filho. Conor apreende algo sobre a imortalidade do vínculo, do que sempre continuará a ser compartilhado, trazendo novos significados para seu luto através da experiência verdadeiramente simbólica, ou seja, unificadora de opostos. Nada que pudesse ser aprendido através dos livros, apenas vivido com a alma. A relação Conor-Teixo também nos mostra que precisamos da interlocução que ajuda a questionar, elaborar o pensamento, a emoção e encontrar outras perspectivas.</p>



<h2 id="h-a-imagem-e-o-interlocutor-do-mundo-psiquico-e-ela-nao-esta-apenas-no-desenho-nos-contos-nas-fotografias-esta-na-angustia" class="wp-block-heading" style="font-size:17px">A imagem é o interlocutor do mundo psíquico e ela não está apenas no desenho, nos contos, nas fotografias; está na angústia.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A angústia também é imagem, e a escuta também é olhar simbólico. O inconsciente, infindável, autônomo e dinâmico, buscará se expressar, de um jeito ou de outro. O ego estruturante será capaz de deixar o desconhecido se aproximar, criar relação e ser dialético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegando ao fim desse artigo me dou conta de quanta história esse riquíssimo filme tem para contar, e o recorte que apresento, nesse momento, é apenas uma pequena centelha do tanto que ele ainda pode iluminar. Recomendo este filme fantástico para quem ainda não conhece, e, para aqueles que já assistiram, deixo o convite para revê-lo e, mais uma vez, imaginar.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/daniela-schmidt/">Daniella Schmidt &#8211; Membro Analista em Formação IJEP</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:17px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/" data-type="link" data-id="https://blog.ijep.com.br/author/balestrini/">José Luiz Balestrini Junior &#8211; Analista Didata Responsável</a></strong></p>



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<iframe title="📃 Artigo novo: &quot;Precisamos conversar com as árvores: imaginação, afeto e cura&quot;" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/FeGIW8rB3OU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<h2 id="h-referencias-bibliograficas" class="wp-block-heading" style="font-size:16px">Referências Bibliográficas:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Balestrini Junior, José Luiz. Sonho, imagem, imaginação e o coração onírico. São Paulo: Eleva Cultural, 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JACOBI, Jolande. Complexo, arquétipo, símbolo na psicologia de C.G.Jung. São Paulo: Cultrix, 1990.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">SILVEIRA, Nise da. Imagens do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Imagem: Conor e o Teixo. Foto por Travis Topa &#8211; © 2016 &#8211; Focus Features.<br>Cena do filme Sete Minutos Depois da Meia-Noite (2016), com <a href="https://www.imdb.com/name/nm0000553/?ref_=mv_desc">Liam Neeson</a> and <a href="https://www.imdb.com/name/nm6484968/?ref_=mv_desc">Lewis MacDougall</a>.<br>Disponível em: <a href="https://www.imdb.com/pt/title/tt3416532/">https://www.imdb.com/pt/title/tt3416532/</a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>
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		<title>Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pareidolia-e-libido-de-parentesco-sob-a-perspectiva-da-psicologia-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Elfriede Walzberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 20:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
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<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-3 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>Esta &nbsp;nuvem ☁️</em> <em>se parece com 🐑</em> <em>&#8230;</em></p>



<p class="has-vivid-cyan-blue-color has-text-color has-link-color has-large-font-size wp-elements-4 wp-block-paragraph" style="line-height:0.4"><em>A arte de ver&#8230;</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: A pareidolia e a libido de parentesco serão abordadas nesse artigo sob a ótica da psicologia junguiana. A partir da apresentação da origem, do conceito e da ocorrência – inclusive, na arte – de ambos os conceitos, o texto finaliza com uma reflexão traçando um paralelo entre eles.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Desde criança olho para as nuvens e vejo figuras, assim como nas dobras de cobertores, na superfície de pedras, no formato das montanhas, em manchas em geral. E você? Já observou nuvens e nelas identificou alguma forma ou figura? Viu alguma mancha que te remeteu a algo parecido? Já se perguntou sobre a origem dos nomes pico das Agulhas Negras ou do morro do Pão de Açúcar? Ou, ainda, do termo “Bico de Papagaio” observado em radiografias?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Descobri que isso tinha uma denominação: pareidolia. Existiria esse termo na psicologia junguiana? Haveria alguma relação com a libido de parentesco?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Nesse artigo proponho, a partir dessas questões acima colocadas, uma reflexão sobre pareidolia e libido de parentesco, trazendo a visão da psicologia junguiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Primeiro será apresentado o termo pareidolia, sua história e ocorrência. Na sequência o conceito de libido de parentesco será abordado trazendo a visão de C. G. Jung. Após essa exposição inicial será feita uma breve reflexão relacionando ambos os termos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Em 1886, o psiquiatra alemão Karl Ludwig Kahlbaum introduziu o termo “<em>Pareidolie</em>” em seu artigo &#8220;<em>Die Sinnesdelierien</em>” (Sobre a ilusão dos sentidos). No ano seguinte o termo foi adotado na língua inglesa como pareidolia, sendo definido como uma “&#8230;alucinação mutável, alucinação parcial, [e] percepção de imagens secundárias.&#8221; <a>(Wikipedia, 2025)</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Etimologicamente pareidolia deriva do grego <em>παρά</em> (para) &#8211; ao lado, junto a, em vez de &#8211; e do substantivo <em>εἴδωλον</em> (eídōlon) &#8211; imagem, forma, figura. (Wikipedia, 2025)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-e-uma-producao-normal-da-psique-a-consciencia-tende-a-achar-padroes-mesmo-onde-nao-ha-para-organizar-uma-situacao-caotica" style="font-size:19px">A pareidolia é uma produção normal da psique. A consciência tende a achar padrões mesmo onde não há para organizar uma situação caótica.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Possivelmente essa tendência já se encontrava nos primeiros seres humanos e pode ser considerada como sendo uma raiz instintiva de grande valor para a sobrevivência por identificar precocemente ameaças e rostos. (Ungvarsky, J., 2023). Segundo Magaldi (2025): “<strong><em>O cérebro é uma máquina de achar padrões, mesmo onde não há. Por isso acontecem os fenômenos de Apofenia e Pareidolia. Vemos rostos em nuvens, constelações no caos</em></strong>.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pareidolia-pode-ser-definida-como" style="font-size:19px"><strong>Pareidolia pode ser definida como:</strong></h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>a tendência da percepção de impor uma interpretação significativa a um estímulo nebuloso, geralmente visual, de modo que se detecte um objeto, padrão ou significado onde não há nenhum. Pareidolia é um tipo específico, mas comum, de apofenia (a tendência de perceber conexões significativas entre coisas ou ideias não relacionadas). (Wikipedia, 2025)</em></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Há muitos relatos sobre ver figuras nas nuvens, em meio de folhas, em pedras, em manchas presentes em diferentes materiais e objetos.&nbsp; Alguns artistas usaram as manchas como inspiração, espontaneamente davam sentido às formas indefinidas e as associavam a formas conhecidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>Elas são um estímulo à imaginação e à fantasia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A mancha é como uma massa indiferenciada da qual surge o desenho (figura, forma) que se apresenta como o seu oposto, com linhas e contornos definidos. Ela se caracteriza pela instabilidade, por contornos difusos ou complexos, onde não há definição rígida ou fixa e, por isso, tem o potencial de se parecer com qualquer coisa. (PAYO, 2000)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referindo-se-a-joseph-beuys-que-usava-materiais-gordurosos-para-suas-obras-que-se-caracterizavam-por-manchas-sem-contornos-definidos-payo-2000-coloca-que" style="font-size:19px"><strong>Referindo-se à Joseph Beuys que usava materiais gordurosos para suas obras, que se caracterizavam por manchas sem contornos definidos, Payo (2000) coloca que:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Beuys aproveita precisamente esse efeito psicológico, quase mágico ou xamanístico que determinadas matérias cruas ou naturais têm de nos perturbar pela sua inevitabilidade, independente da nossa vontade ou controlo.</p><cite><em>PAYO, 2000, p. 25</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Artistas de diferentes movimentos usaram a mancha como fonte de inspiração, fizeram uso da pareidolia, para criar suas obras. Leonardo da Vinci descreve em seu famoso &#8220;Trattato della Pittura” ver diferentes padrões em manchas de diversos objetos (também cita o mesmo em sons) onde aconselha outros artistas a também se inspirarem nelas:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Se observas uma parede atacada de manchas ou constituída de pedras de tipos diferentes, e tens de imaginar uma cena qualquer, verás no dito muro paisagens variadas, montanhas, rios, rochedos, árvores, planícies, vales extensos e diferentes agrupamentos de colinas. Descobrirás igualmente combates e figuras de movimentos rápidos, estranhos esboços de rostos e trajes exóticos e uma infinidade de coisas que poderás transformar em formas diferenciadas e bem concebidas. Acontece com esse tipo de paredes e aglomerados de pedras diferentes como o som dos sinos em que cada sino evoca o nome ou a palavra que tu imaginas. Não menosprezes o meu conselho, quando te lembro que não te deveria ser difícil parar por vezes para ver nas manchas das paredes, nas cinzas do fogo, ou nas nuvens, na lama ou coisas semelhantes: se as considerares com atenção, encontrarás nelas ideias verdadeiramente maravilhosas. O espírito do pintor deixa-se estimular com novas invenções, composições de batalhas de animais ou de homens, diversas composições de paisagens e coisas monstruosas, tais que diabos e coisas semelhantes que te poderiam honrar, pois que é nas coisas confusas que o espírito encontra matéria para novas invenções.</p><cite><em>Da Vinci, L apud Payo, M.S., 2000, p.12</em></cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Além de <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Leonardo_da_Vinci?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Leonardo da Vinci</a> outros artistas renascentistas inspiraram-se nelas como <a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Andrea_Mantegna?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Andrea Mantegna</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giotto?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giotto</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Hans_Holbein_the_Younger?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Hans Holbein</a>,&nbsp;<a href="https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Giuseppe_Arcimboldo?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">Giuseppe Arcimbold</a>o; entre os surrealistas Salvador Dali, Max Ernst; em Andy Warhol com suas “Rorschach Paintings” (Pop Art); em Joseph Beuys (Neodadaísmo); entre outros.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pareidolia-se-constata-na-arquitetura-mesquitas-do-seculo-xiii-na-turquia-por-exemplo-na-religiao-como-imagens-de-jesus-da-virgem-maria-hanuman-deus-macaco-hindu-e-mais-recentemente-na-visao-computacional-nos-programas-de-reconhecimento-de-imagem" style="font-size:19px">A pareidolia se constata na arquitetura (mesquitas do século XIII na Turquia, por exemplo), na religião (como imagens de Jesus, da Virgem Maria, Hanuman &#8211; “Deus Macaco” hindu) e, mais recentemente, na visão computacional (nos programas de reconhecimento de imagem).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Andy Warhol, na série <em>Rorschach’s</em> de 1984, comenta sobre as manchas e o psicologismo que elas parecem comumente inferir. Para Mia Fineman, Warhol sugere através dessa série que mesmo as formas ingenuamente abstratas se transformam em “conteúdos literários – tais como uma árvore ou um pássaro ou uma flor.” (PAYO, 2000, p.25) Andy Warhol baseou-se nas pranchas do teste de Rorschach para produzir suas obras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-teste-de-rorschach-nbsp-tambem-conhecido-por-nbsp-teste-do-borrao-de-tinta-teste-projetivo-ou-de-autoexpressao-nbsp-foi-desenvolvido-pelo-psiquiatra-e-nbsp-psicanalista-freudiano-nbsp-suico-nbsp-hermann-rorschach-1884-1922" style="font-size:19px">O teste de Rorschach &#8211; &nbsp;também conhecido por&nbsp;&#8220;teste do borrão de tinta&#8221;, teste projetivo ou de autoexpressão &#8211; &nbsp;foi desenvolvido pelo psiquiatra e&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista">psicanalista</a> freudiano&nbsp;suíço&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermann_Rorschach">Hermann Rorschach</a> (1884 – 1922).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Ele, na infância era chamado de <em>Klecks</em> (mancha de tinta), pois jogava <em>Klecksographie</em>, um jogo do século XIX, cujo objetivo era criar pequenos poemas a partir de manchas abstratas de tinta. A brincadeira tinha como base a pareidolia.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Esse teste se utiliza de uma avaliação psicológica pictórica. São usadas pranchas com manchas simétricas e, após a visualização delas, a pessoa responde com o que se parecem as manchas e, através das respostas, avalia-se a sua dinâmica psicológica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-rorschach-se-baseou-no-conceito-freudiano-da-projecao-onde-aspectos-inconscientes-da-personalidade-se-projetam-nesse-caso-nas-manchas-de-tinta" style="font-size:19px"><strong>Rorschach se baseou no conceito freudiano da projeção onde aspectos inconscientes da personalidade se projetam, nesse caso, nas manchas de tinta</strong>.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A projeção clássica freudiana é descrita como um mecanismo de defesa onde características negativas da personalidade são projetadas em um objeto de maneira inconsciente. Rorschach fez uso do teste na psiquiatria, principalmente para o diagnóstico da esquizofrenia. (Wikipedia, 2019)&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Essa tendência, descrita acima como pareidolia, repete-se em várias áreas, desde a arte, na medicina, em jogos lúdicos&#8230;, e em várias culturas, há muito tempo como um instinto de sobrevivência, com isso podemos supor que está relacionada com uma camada mais profunda da psique, uma camada coletiva. Desse modo poderemos talvez entender a pareidolia mais profundamente pela teoria junguiana traçando um paralelo com a libido de parentesco abordada por Jung em sua obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung, em suas <strong>Obras Completas</strong>, parece não citar o termo pareidolia, nem Karl Ludwig Kahlbaum &#8211; que o introduziu -, no entanto, encontram-se citações sobre a técnica de <em>Rorschach</em>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, o teste de Rorschach é uma espilografia (palavra de etimologia grega que significa desenho de manchas) ou Klecksographie (palavra por ele utilizada), que evita qualquer instigação de sentido e que produz “<strong>um fantasma puramente subjetivo</strong>”. (JUNG, 2013e, p.119)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung também se refere ao <strong>Teste de Rorschach</strong> ao escrever sobre a caracterologia que é composta por características físicas e psíquicas, pois o “caráter é a forma individual estável da pessoa” que é de natureza física e corporal. <strong>Corpo e alma são inseparáveis, pois na natureza há uma continuidade que impossibilita a separação de ambos</strong>. Portanto, seria possível tirar conclusões das características psíquicas a partir do corpo e das corpóreas a partir da psique.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">As características advindas do corpo pela psique são mais fáceis de serem compreendidas, pois o corpo é visível, mais conhecido. No entanto, a psique é mais obscura, menos explorada e dela obtemos apenas informações indiretas, por meio das funções da consciência que também podem falhar. Por isso a caracterologia, para Jung (2013d, p. 529 &#8211; 530), sempre se apoiou em um caminho “que vai de fora para dentro, do conhecido para o desconhecido, do corpo para a alma”, como se observou na astrologia, quiromancia, grafologia e na técnica de <em>Rorschach</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">O caminho contrário que possibilitaria constatar expressões físicas a partir de fatos psíquicos é mais difícil devido a constatação dos fatores psíquicos, pois nós somos psique e, portanto, “<strong><em>é quase inevitável que, ao darmos livre curso ao processo psíquico, sejamos nele confundidos e fiquemos privados de nossa capacidade de reconhecer distinções e fazer comparações</em></strong>.” (JUNG, 2013d, p.531)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A partir da sintomatologia os processos psíquicos subjacentes foram sendo conhecidos e, Jung afirma que, a base desses sintomas são os próprios processos psíquicos. Portanto, a partir da psicopatologia foi possível fazer uma fenomenologia psíquica que seria a própria teoria dos complexos. (JUNG, 2013d, p.532).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complexos-sao-conteudos-ativos-da-psique-com-nucleo-arquetipico-carregados-de-afeto-que-tem-certa-autonomia-e-nao-se-submetem-ao-controle-da-consciencia-podendo-nela-interferir" style="font-size:19px">Complexos são conteúdos ativos da psique, com núcleo arquetípico, carregados de afeto, que tem certa autonomia e não se submetem ao controle da consciência, podendo nela interferir.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Apresentam-se como “um sintoma valioso para diagnosticar uma disposição individual”, pois têm características de conflito e discordância que mostram ao indivíduo um sofrimento ou algo não resolvido e, com isso, trazem a possibilidade para o indivíduo perceber a sua inadequação de adaptação. Atuam nos indivíduos de forma totalmente singular (JUNG, 2013d, p.533 &#8211; 535).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Eles se estabelecem por semelhanças e analogias (JUNG, 2013c, p.79). O complexo forte tem como característica assimilar tudo o que puder (JUNG, 2013c, p.96). Os complexos de tonalidade afetiva, que eram considerados falhas de reação nas experiências de associação, foram descobertos por Jung por meio da assimilação. (JUNG, 2013a, p. 40)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong>A assimilação é um comportamento autônomo da psique onde o indivíduo apresenta uma tendência a se comportar de acordo com um condicionamento psíquico.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na assimilação um novo conteúdo psíquico é registrado pela consciência como se fosse um conteúdo já conhecido, devido a sua semelhança com um conteúdo conhecido. Desse modo pode-se perder o que teria de diferente para ser observado no objeto externo, pois a imagem recordada toma o seu lugar. O complexo assimila a nova forma (como se já fosse conhecida); “a consciência assume o papel de complexo assimilante”. (JUNG, 2013a, p.40-41) </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nas-palavras-de-jung-a-assimilacao" style="font-size:19px"><strong>Nas palavras de Jung a assimilação:</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É a aproximação de um novo conteúdo da consciência de um material subjetivo que está à disposição, em que é ressaltada sobremodo a semelhança do novo conteúdo com o material subjetivo disponível, às vezes em detrimento da qualidade autônoma do novo conteúdo. A assimilação é basicamente um processo de apercepção que se distingue, porém, da pura apercepção pelo elemento de aproximação do material subjetivo.</p><cite>JUNG, 2013d, p.432</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A assimilação também pode ser compreendida como uma “<strong>interpenetração recíproca de conteúdos conscientes e inconscientes</strong>” onde, nesse caso, a consciência não avalia unilateralmente, não reinterpreta, nem distorce os conteúdos do inconsciente. (JUNG, 2012, p.35)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-entende-se-por-apercepcao-a-psiquificacao-da-percepcao" style="font-size:19px">Entende-se por apercepção a psiquificação da percepção.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A psiquificação seria a assimilação de um fator extra psíquico, por exemplo um instinto extra psíquico, por uma estrutura psíquica complexa, tornando esse instinto um fenômeno psíquico <a>(JUNG, 2013a, p.61)</a>. Por exemplo, ao perceber um ruído o indivíduo o apercebe quando ele se psiquifica, ou seja, quando o ruido percebido como onda mecânica apreendida pelos órgãos sensoriais (estrutura fisiológica) se torna para o indivíduo aquele ruido que abarca muitos significados singulares e coletivos, nesse momento esse ruido se psiquificou (<a>JUNG, 2013a</a>, p.84). A apercepção tem uma complexidade psíquica na qual vários processos psíquicos atuam (pensamento, sensação, sentimento e intuição) e ela pode ser dirigida (racional) ou não dirigida (irracional). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Portanto, quando olhamos para uma mancha inicialmente haverá a percepção por meio dos sentidos e através da psiquificação apercebe-se a imagem, que é assimilada por um complexo e experienciada pelo indivíduo.&nbsp; <strong>Tudo é vivenciado e experienciado através da psique, pois é apenas através da realidade psíquica que podemos nos relacionar</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-pergunta-o-leitor-onde-fica-a-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">E, pergunta o leitor, <strong>onde fica a libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Jung denominou a libido de parentesco ao analisar o incesto como uma relação endógama que equivaleria a uma libido que “tende a manter a coesão da família em seu sentido mais restrito”. Seria como um instinto muito importante com a função de manter o grupo familiar unido, a exemplo dos cães pastores. (JUNG, 2012, p.108-109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013d-p-474-libido-e-o-mesmo-que-energia-psiquica-onde-energia-e-o-valor-psicologico-determinado-pela-intensidade-do-processo-psiquico" style="font-size:19px"><strong>Para Jung (2013d, p.474) libido é o mesmo que energia psíquica</strong>, onde energia é o valor psicológico determinado pela intensidade do processo psíquico.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-as-afinidades-ou-seja-as-semelhancas-e-analogias-conferidas-pela-familiaridade-e-pelo-incesto-conferem-a-assimilacao-um-carater-de-libido-de-parentesco" style="font-size:19px">As afinidades, ou seja, as semelhanças e analogias, conferidas pela familiaridade e pelo incesto, conferem à assimilação um caráter de libido de parentesco:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>o perigo da “afinidade” com suas projeções falaciosas e sua tendência de assimilar o objeto no sentido da projeção, isto é, de conferir-lhe um caráter familiar, a fim de concretizar a situação incestuosa secreta: quanto menor o discernimento a respeito, tanto maior a atração e o fascínio que ela exerce.</p><cite>JUNG, 2012, p.126</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">A libido de parentesco é um instinto próprio da natureza &#8211; que pode ser vista no caso do incesto como algo contra a natureza-, porém, seguir uma forte atração pelo semelhante é próprio da natureza:</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>É contra a natureza cometer um incesto e é contra a natureza não seguir uma forte atração. E, no entanto, também é a natureza que obriga a uma tal atitude, uma vez que se trata da libido de parentesco.&nbsp;</p><cite>JUNG, 2012, p.148</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-afinal-quando-sao-vistas-as-figuras-nas-diferentes-manchas-pode-se-falar-em-pareidolia-e-ou-em-libido-de-parentesco" style="font-size:19px"><strong>Afinal, quando são vistas as figuras nas diferentes manchas pode-se falar em pareidolia e/ou em libido de parentesco</strong>?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Já nessa pergunta estaria embutida uma pareidolia ou libido de parentesco, devido ao fato de haver uma sugestão de semelhança e analogia? Ao traçar um paralelo entre pareidolia e libido de parentesco observam-se semelhanças e diferenças. Ambos os termos são considerados condições normais da psique, involuntárias, que tendem a buscar semelhança entre objetos conhecidos pelo sujeito com objetos desconhecidos ou indefinidos apresentados a ele. Têm a função de organizar, aumentar a coesão de aspectos conhecidos e, com isso, diminuem o caos, a desordem e a tensão psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Inicialmente, o termo pareidolia foi usado para uma técnica baseada na projeção clássica freudiana onde, na sua maioria, aspectos negativos eram projetados do inconsciente &#8211; correspondente a uma parte dos aspectos que compõem o inconsciente pessoal da psicologia analítica. O inconsciente pessoal contém memórias perdidas, ideias reprimidas, percepções subliminares e conteúdos que não atingiram a consciência por não terem energia suficiente. (MGALDI, 2022, p.71).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-jung-2013e-p-23-a-projecao-e-a-transferencia-de-algo-inconsciente-para-um-objeto-que-pode-ser-tanto-do-inconsciente-pessoal-quanto-do-coletivo" style="font-size:19px">Para Jung (2013e, p.23) a projeção é a transferência de algo inconsciente para um objeto, que pode ser tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Segundo Jung, a técnica de Rorschach se baseou em aspectos externos para determinar aspectos internos (de fora para dentro, do corpo para a alma). Na libido de parentesco, pelo contrário, vimos que é uma forma de ver a partir dos complexos que assimilam os conteúdos, seria a visão de dentro para fora, da alma para o corpo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-libido-de-parentesco-e-um-instinto-e-instintos-sao-constituintes-do-inconsciente-coletivo" style="font-size:19px"><strong>Libido de parentesco é um instinto e instintos são constituintes do inconsciente coletivo</strong>. </h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Na libido de parentesco, sendo uma tendência que vem de dentro para fora, tem-se também a influência de padrões coletivos. Essa tendência de coesão entre aspectos conhecidos pode deixar de fora aspectos que são diferentes, que trazem algo desconhecido e isto pode fazer com que o complexo ganhe mais energia, por um lado, mas que eventualmente se <strong>unilateralize</strong> por outro. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Talvez os artistas por acessarem mais facilmente o inconsciente coletivo possam fazer um uso mais intenso e constante dessas tendências. O artista, para Jung (2013b, p.104, grifo do autor), é um “<em>homem coletivo</em>, portador e plasmador da alma inconsciente e ativa da humanidade”. Seria interessante nesse sentido observar uma ligação mais forte com o termo libido de parentesco. Como anteriormente mencionado, Leonardo da Vinci, Andy Warhol e outros artistas fizeram uso de tendências assimiladoras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-2013e-referindo-se-a-tecnica-de-rorschach-compara-a-a-arte-moderna-pela-falta-de-instigar-um-sentido-e-por-produzir-um-fantasma-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>Jung (2013e) referindo-se à técnica de Rorschach compara-a à Arte Moderna pela falta de instigar um sentido e por produzir um “fantasma subjetivo</strong>”.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Baseando-se nisso fez um experimento com um quadro do modernista Yves Tanguy. Menciona que a Arte Moderna tem a tendência de “tornar o objeto irreconhecível e assim barrar a participação e a compreensão do observador, que, chocado e confuso, sente-se jogado contra si mesmo.” (JUNG, 2013e, p. 109).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-compara-isso-ao-efeito-psicologico-produzido-pelo-teste-de-rorschach-que-traz-o-inconsciente-a-participar-da-situacao-trazendo-um-fator-subjetivo-que-aumenta-a-carga-energetica-assemelhando-se-aos-testes-iniciais-de-associacao" style="font-size:19px">Jung compara isso ao efeito psicológico produzido pelo teste de <em>Rorschach </em>que traz o inconsciente a participar da situação, trazendo um “fator subjetivo” que aumenta a carga energética assemelhando-se aos testes iniciais de associação:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O efeito psicológico é comparável ao teste de Rorschach, em que um quadro puramente casual irracional apela para as forças igualmente irracionais da imaginação do espectador fazendo com que a sua disposição inconsciente participe do jogo. Onde o interesse manifestado é interrompido tão bruscamente, ele recai sobre o assim chamado &#8220;fator subjetivo&#8221;, aumentando sua carga energética &#8211; fenômeno claramente expresso nos testes iniciais de associação.</p><cite>JUNG, 2013e, p.109-110</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Assim, se notam reações perturbadas que são provocadas pela intromissão de conteúdos inconscientes. &nbsp;A Arte Moderna pode ser instigadora de uma reação involuntária fazendo com que um fator subjetivo desperte um interesse relacionado à alma e, com isso, pode-se realizar uma análise mais profunda dos complexos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Tanto os testes de <em>Rorschach</em>, quanto o teste de associação, quanto a Arte Moderna fornecem “<strong>informações sobre a constituição dos subestratos da consciência</strong>.” (JUNG, 2013e, p.110)</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px">Pode-se inferir que a pareidolia e a libido de parentesco estão presentes na técnica de <em>Rorschach, </em>nos testes de associação e na arte de vários movimentos, assim como no dia a dia do ser humano: as manchas podem te instigar a refletir sobre algo muito mais profundo, pois cada indivíduo terá uma experiência psíquica singular frente a essas tendências.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo - Pareidolia e Libido de Parentesco sob a perspectiva da Psicologia Junguiana" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/GSRea_SzwP4?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/elfriede-cristina-seidel-walzberg/">Elfriede Walzberg – Analista em Formação</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/ajaxsalvador/">Ajax Perez Salvador – Analista Didata</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">JUNG, C. G. <em>Ab-reação, análise dos sonhos, transferência</em>. 9.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>A natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>O espírito na arte e na ciência</em>. 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Psicogênese das doenças mentais</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013c.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________ <em>Tipos psicológicos</em>. 7.ed. <a>Petrópolis: Vozes, 2013</a>d.</p>



<p class="wp-block-paragraph">__________<em>Um mito moderno sobre coisas vistas no céu</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2013e.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, S. (2022) <em>Inconsciente Coletivo e inconsciente pessoal</em>. &nbsp;In: MAGALDI, W. (Org.), Fundamentos da Psicologia Analítica. São Paulo: Empresa Editora e Livraria Virtual Eleva Cultural, 2022, p. 61-76.</p>



<p class="wp-block-paragraph">MAGALDI, W. (2025) <em>A orquestra oculta do universo produz a sincronicidade e a dança da realidade.</em> Disponível em: <a href="https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/">https://blog.ijep.com.br/a-orquestra-oculta-do-universo-produz-a-sincronicidade-e-a-danca-da-realidade/</a> Acesso em: 29 out 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PAYO, M. S. (2000) <em>Da mancha no desenho</em>. In: Relatório de aula teórico-prática, Provas de aptidão pedagógica e capacidade científica, assistente estagiário Lic. Pintor. Universidade de Lisboa Faculdade de Belas Artes. Disponível em: <a href="https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf">https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/6851/2/ULFBA_Tes54_Rel.pdf</a> Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">UNGVARSKY, J. (2023) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: <a href="https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true">https://www-ebsco-com.translate.goog/research-starters/health-and-medicine/pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge&amp;_x_tr_hist=true</a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2019) <em>Teste de Rorschach</em>. Disponível em:&nbsp; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach">https://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach</a><a> &nbsp;Acesso em: 8 nov 2025</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">WIKIPEDIA – a enciclopédia livre. (2025) <em>Pareidolia.</em> Disponível em: (<a href="https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge">https://en-wikipedia.org.translate.goog/wiki/Pareidolia?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=sge</a> &nbsp;Acesso em: 29 out 2025.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="960" height="540" src="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png" alt="" class="wp-image-11717" style="width:741px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1.png 960w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Pos-graduacoes-IJEP-1-450x253.png 450w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



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			</item>
		<item>
		<title>A Floresta: Uma Imagem do Inconsciente</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-floresta-uma-imagem-do-inconsciente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Proença Whitaker de Assumpção]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RESUMO: Através da apresentação de uma imagem aflorada do inconsciente, o artigo traz uma reflexão sobre aquilo que Jung diz ser a base da estrutura psíquica: a imagem. Exploraremos sua ideia de que todo processo psíquico é uma imagem, uma fantasia. INTRODUÇÃO Existe uma floresta dentro de mim. Ela me habita desde muito cedo, povoa [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>RESUMO: Através da apresentação de uma imagem aflorada do inconsciente, o artigo traz uma reflexão sobre aquilo que Jung diz ser a base da estrutura psíquica: a imagem. Exploraremos sua ideia de que todo processo psíquico é uma imagem, uma fantasia.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao" style="font-size:19px"><strong>INTRODUÇÃO</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Existe uma floresta dentro de mim. Ela me habita desde muito cedo, povoa minha imaginação, me transborda: me atrai para dentro dela. Caminho por entre suas densas árvores. São pinheiros e cedros altos, muito antigos. O ar é úmido e o vento, frio. Apesar de ser uma floresta escura, um tanto misteriosa, os raios de sol conseguem penetrá-la, trazendo a luz dourada para dentro da mata. O chão é forrado por uma folhagem amarelada, recém-caída das árvores.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>O que sinto ao vivenciar essa floresta é perto do indizível: é como estar tomada pelo sagrado, por uma presença divina, pelo mistério da vida</strong>. Mas embora eu ande por ela, a sinta, a cheire, a veja, eu nunca estive realmente neste lugar. Pelo menos não conscientemente. Ela se apresenta como uma imagem nítida, real, mas que vem de uma parte em mim que é desconhecida, profunda e incontrolável.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Tantas vezes andei por aí tentando achá-la do lado de fora: em viagens e por todos os lugares que passei; procurei em parques, bosques, trilhas e matas. Mas nenhuma era semelhante àquela imagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Até que um dia, alguns anos atrás, em uma conversa com a minha mãe sobre talvez viajarmos para conhecer a região da Alemanha em que viveram nossos antepassados, resolvi pesquisar sobre a <strong>Floresta Negra</strong>. E para minha surpresa, lá estava ela, materializada naquelas fotos do Google! A floresta que sempre povoou minha imaginação, aquela que eu sempre via ao fechar os olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Como é possível eu carregar dentro de mim a imagem de um lugar que eu não conheço, mas que um dia foi o lar dos meus antepassados? De que parte da minha psique essa imagem, tão real para mim, aflora e invade minha consciência?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fantasia-o-pensamento-subjetivo" style="font-size:19px"><strong>FANTASIA: O PENSAMENTO SUBJETIVO</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>Jung (Cf. 2013b, p. 31-34) descreve, em <em>Símbolos da transformação</em>, os dois tipos diferentes que existem de pensamento: o dirigido e o subjetivo.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">O dirigido, ou lógico, é aquele que usamos ao nos expressarmos para alguém; aquele que permite nos comunicarmos e adaptarmos à realidade. Podemos dizer que é a exteriorização de uma ideia formulada.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Por outro lado, possuímos um pensamento subjetivo, movido por razões interiores, que é a fantasia; o pensamento que é mais impulsionado pelo inconsciente que pela consciência. Segundo Jung, essa fantasia pode vir tanto da camada do inconsciente pessoal &#8211; em que estão as recordações infantis, os conflitos pessoais reprimidos e as evocações dolorosas &#8211; quanto pode vir da camada mais profunda da psique: o inconsciente coletivo. É lá que jazem as imagens humanas universais e originais mais antigas: os arquétipos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-jung-afirma-essas-imagens-do-inconsciente-coletivo-correspondem-a-estados-de-espirito-ancestrais" style="font-size:19px">Como Jung afirma, essas imagens do inconsciente coletivo correspondem a estados de espirito ancestrais:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Assim como nosso corpo em muitos órgãos conserva ainda resquícios de antigas funções e estados, também nosso espirito, que parece ter ultrapassado todos os instintos primitivos, traz ainda marcas do desenvolvimento por que passou e repete o arcaico ao menos em sonhos e fantasias. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 49)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">As imagens afloradas do inconsciente coletivo, como aponta Jung (Cf. 2014, p. 91), contêm o resto da vida dos antepassados. Elas carregam uma herança da vida ancestral, que despertam quadros mitológicos. São imagens não preenchidas, já que não foram vividas pessoalmente pelo indivíduo, mas que se formaram a partir da vida, do sofrimento e da alegria dos antepassados, e que agora querem voltar à vida, como experiência e como ação. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-experenciarmos-essas-imagens-arquetipicas-atraves-de-sonhos-fantasias-ou-na-vida-sentimos-uma-forca-numinosa-e-fascinante-abre-se-entao-um-mundo-espiritual-interior-de-cuja-existencia-nem-sequer-suspeitavamos-jung-2014-p-89" style="font-size:19px">Ao experenciarmos essas imagens arquetípicas, através de sonhos, fantasias ou na vida, sentimos uma força numinosa e fascinante, “abre-se então um mundo espiritual interior, de cuja existência nem sequer suspeitávamos” (JUNG, 2014, p. 89).</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>AS IMAGENS DA PSIQUE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Como escreveu Gustavo Barcellos, em <em>Psique e Imagem </em>(Cf. 2012, p. 87), para Jung, a psique do ser humano tem a capacidade espontânea e autônoma de criar imagens ou fantasias: capacidade a qual chamamos de imaginação. A psique é constituída essencialmente de imagens: todo o processo psíquico é uma imagem e um imaginar. A imagem não é algo que se vê com os olhos, mas é, antes de tudo, um modo de ver, uma perspectiva. É o único acesso direto que temos à psique, um meio pelo qual as experiências se tornam possíveis. Ela pode se apresentar através de sonhos, fantasias, na arte e nos mitos. Além disso, não é somente um dado visual: ela pode ser sonora, tátil, pode ser uma emoção ou até mesmo estar no corpo (Cf. BARCELLOS, 2012, p. 95).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Jung afirma que “<strong>a psique é feita de uma série de imagens, no sentido mais amplo do termo; não é, porém, uma justaposição ou uma sucessão, mas uma estrutura riquíssima de sentindo e uma objetivação das atividades vitais, expressa através de imagens</strong>” (JUNG, 2013a, p. 281).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Quanto mais a imagem nos afeta sensualmente, sensorialmente e sensitivamente, mais significado ela tem (Cf. HILLMAN, 2018, p. 121). A psique opera em analogias, ou metáforas, o tempo todo, transportando o significado de uma imagem à outra. Assim, em toda imagem que temos acesso existe uma múltipla relação de significados presentes simultaneamente (Cf. BARCELLOS, 2012, p. 91-97).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-elas-sao-carregadas-de-simbolos-para-alem-da-sua-aparencia-imediata" style="font-size:19px">Elas são carregadas de símbolos para além da sua aparência imediata.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>O símbolo é uma expressão indeterminada, ambígua, que indica alguma coisa dificilmente definível, não reconhecida completamente. O “sinal” tem um significado determinado, porque é uma abreviação (convencional) de alguma coisa conhecida ou uma indicação correntemente usada da mesma. Por isso, o símbolo possui numerosas variantes análogas, e quanto mais possuir, tanto mais completa e correta é a imagem que traça de seu objeto. </p><cite>(JUNG, 2013b, p. 152)</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isto-e-todo-simbolo-traz-algo-visivel-em-si-e-por-outro-lado-carrega-algo-invisivel-incompreensivel-como-um-significado-oculto" style="font-size:19px">Isto é, todo símbolo traz algo visível em si e, por outro lado, carrega algo invisível, incompreensível, como um significado oculto.</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Desse modo, ao simbolizarmos, estamos vendo uma imagem simbolicamente, ou transformamos imagens em símbolos (Cf. HILLMAN, 2018, p. 20). Como disse Hillman, em <em>Uma investigação sobre a imagem</em>, “qualquer evento visto simbolicamente assume uma dimensão; torna-se universalizado, ganha transcendência para além da sua aparência imediata. Sentimo-nos em contato com um grande significado” (HILLMAN, 2018, p.22). Uma imagem sem símbolos é algo visual, que não nos afeta. Mas uma imagem simbólica é carregada de emoção, de energia psíquica.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Hillman propõe pensarmos em uma imagem não só como uma cena e um contexto, onde estamos inseridos, mas também como um estado de humor, em que a imagem é que está dentro de nós.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>(&#8230;) a imagem é também algo na qual entro e pela qual sou abraçado. As imagens nos sustentam, e podemos estar nas garras de uma imagem. De fato, elas podem vir de nossas profundezas mais viscerais. </p><cite>(HILLMAN, 2018, p. 68)</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>A FLORESTA</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Jung (Cf. 2015, p.73) assume a ideia de que a psique cria a realidade todo dia, através da fantasia, ou seja, a fantasia é inerente à alma humana. Assim, ao lidar com imagens, estamos lidando com a alma. A alma vê e ouve por meio da imaginação. “<strong>Imaginar significa libertar os eventos de sua compreensão literal para uma apreciação mítica</strong>” (HILLMAN, 2022, p.64). </p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong>A alma é uma atividade imaginativa que, muitas vezes, nos é apresentada através dos sonhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Uma imagem arquetípica, como expôs Hillman, é o fundamento da fantasia, através da qual o mundo é imaginado. Ela parece conter um conhecimento anterior e uma direção instintiva a um destino, “como se profética, prognóstica” (HILLMAN, 2022, p.43). Ela não é somente aquilo que se vê, mas através do que se vê. Quando estamos diante de uma imagem, precisamos nos perguntar o que ela mobiliza em nossa alma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-retomando-entao-a-imagem-da-floresta-quais-simbolos-poderiamos-identificar-e-para-qual-caminho-ela-estaria-apontando" style="font-size:19px">Retomando, então, a imagem da floresta, quais símbolos poderíamos identificar e para qual caminho ela estaria apontando?</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Em <em>Símbolos da Transformação</em>, Jung (Cf. 2013b, p. 328) afirma que a floresta, por ser composta por árvores, carrega o seu sentido. Árvores são o símbolo da vida, da regeneração, do ciclo da vida e do materno, sendo assim, a floresta simboliza o inconsciente e o instintivo. Caminhar pela floresta é ir para o outro lado, para o lado inconsciente, para o desconhecido. É conectar-se com o sagrado (Cf. CHEVALIER; GHEERBRANT, 2024, p.501-502).</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4">Sigo, então, atenta ao chamado da alma, me aproximando do lado instintivo e arquetípico do desconhecido. Trilhando por essa floresta misteriosa do autoconhecimento, dos sonhos e das fantasias.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📝 Artigo novo: A Floresta: Uma Imagem do Inconsciente" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/gqzCRJ_61-w?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/beatriz-whitaker/"><strong>Beatriz Assumpção </strong>&#8211; Membro Analista em formação IJEP</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px;line-height:1.4"><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/liaromano/"><strong>Lia Romano</strong> &#8211; Membro Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px"><strong>REFERÊNCIAS</strong>:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">Imagem: <a href="https://br.pinterest.com/pin/43558321390688553/">https://br.pinterest.com/pin/43558321390688553/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">BARCELLOS, Gustavo. <em>Psique e imagem</em>. Estudos de psicologia. Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <em>Dicionário de símbolos</em>. Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 39.ed. Rio de janeiro: José Olympio, 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">HILLMAN, James. <em>Uma investigação sobre a imagem</em>. Petrópolis: Vozes, 2018.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Psicologia arquetípica</em>. Uma introdução concisa. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav. <em>Natureza da psique</em>. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Símbolos da transformação. </em>9.ed<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Psicologia do inconsciente. </em>24.ed<em>. </em>Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>Tipos psicológicos</em>. Edição digital. Petrópolis: Vozes, 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:18px;line-height:1.4">______ <em>O homem e seus símbolos</em>. 3.ed. especial. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2016.</p>



<p class="has-luminous-vivid-orange-color has-text-color has-link-color wp-elements-7 wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em><strong>X Congresso Junguiano IJEP&nbsp;(9, 10, 11 Junho/2025)</strong> &#8211; <strong>Online e Gravado &#8211; 30h Certificação</strong></em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="532" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1024x532.png" alt="" class="wp-image-10389" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1024x532.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-300x156.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-768x399.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-150x78.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-450x234.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:19px"><em>30 palestras com os Professores e Analistas Junguianos do IJEP: Saiba mais e se inscreva:</em><strong>&nbsp;</strong><a href="https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep">https://www.institutojunguiano.com.br/x-congresso-ijep</a></p>



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