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	<title>Clarisse Grand Court, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
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	<title>Clarisse Grand Court, Autor em Blog IJEP</title>
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		<title>Sharenting: A exposição dos filhos nas redes sociais e o lado sombrio da parentalidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 17:51:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O sharenting tornou-se uma prática comum na parentalidade contemporânea, transformando momentos íntimos da infância em conteúdo público e performático. Embora nasça do orgulho ou da vontade de partilhar, essa exposição revela tensões profundas entre privacidade, projeção parental e construção do ego infantil. Sob a ótica da psicologia analítica, o fenômeno ultrapassa o campo social [...]</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/sharenting-a-exposicao-dos-filhos-nas-redes-sociais-e-o-lado-sombrio-da-parentalidade/">Sharenting: A exposição dos filhos nas redes sociais e o lado sombrio da parentalidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px"><strong>Resumo</strong>: O <em>sharenting </em>tornou-se uma prática comum na parentalidade contemporânea, transformando momentos íntimos da infância em conteúdo público e performático. Embora nasça do orgulho ou da vontade de partilhar, essa exposição revela tensões profundas entre privacidade, projeção parental e construção do ego infantil. Sob a ótica da psicologia analítica, o fenômeno ultrapassa o campo social e aponta para dinâmicas inconscientes que moldam a relação entre pais e filhos. Entre persona e sombra, visibilidade e vínculo, surge um retrato complexo da parentalidade atual. Este artigo busca iluminar essas camadas, refletindo sobre os riscos psíquicos e simbólicos que habitam por trás das postagens aparentemente inocentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-imagine-uma-mae-ou-pai-postando-todas-as-etapas-da-vida-do-filho-primeiro-sorriso-primeiros-passos-brincadeiras-reclamacoes-conquistas-escolares-tudo-isso-numa-timeline-publica-com-amor-orgulho-mas-tambem-com-expectativa" style="font-size:19px"><strong>Imagine uma mãe ou pai postando todas as etapas da vida do filho: primeiro sorriso, primeiros passos, brincadeiras, reclamações, conquistas escolares — tudo isso numa <em>timeline</em> pública, com amor, orgulho, mas também com expectativa.</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Com o passar do tempo, esse perfil ganha centenas ou até milhares de seguidores que amam participar do crescimento daquela criança. Esse é um cenário cada vez mais comum: o fenômeno chamado <em><strong>sharenting</strong></em> — isto é, pais compartilhando excessivamente detalhes da vida de seus filhos nas redes sociais.</p>



<p style="font-size:19px">Embora muitos façam isso com boas intenções — desejo de partilha, orgulho, autopromoção leve — começam a surgir questionamentos: até onde vai o direito à privacidade da criança? Como essas exposições moldam o conceito de autoimagem da criança e o seu entendimento de pertencimento no mundo? Onde termina o cuidado e começa a projeção dos pais nos filhos?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-pesquisas-realizadas-em-diversos-paises-evidenciam-que-a-pratica-de-sharenting-se-tornou-um-comportamento-do-nosso-tempo" style="font-size:19px">Pesquisas realizadas em diversos países evidenciam que a prática de <em>sharenting</em> se tornou um comportamento do nosso tempo.</h2>



<p style="font-size:19px">O artigo “<em>Sharenting</em>: características e nível de conhecimento dos pais que publicam conteúdo sensível de seus filhos em plataformas online” (tradução livre), publicado no site <em>Italian Journal of Pediatrics </em>(2024)<em>,</em> detalha um estudo que buscou identificar o perfil e o grau de conscientização dos pais que compartilhavam conteúdos de seus filhos. Para isso, foram entrevistados duzentos e vinte e oito pais de crianças menores de 18 anos (82% mães, 18% pais); 98% dos respondentes utilizavam redes sociais e 75% deles publicavam conteúdo relacionado aos seus filhos online. Trinta e um por cento dos responsáveis ​​pela publicação de conteúdo online começaram a praticar o &#8220;<em>sharenting</em>&#8221; nos primeiros 6 meses de vida de seus filhos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-brasil-estudos-apontam-a-mesma-realidade" style="font-size:19px">No Brasil, estudos apontam a mesma realidade.</h2>



<p style="font-size:19px">A exposição da vida dos filhos por seus responsáveis é uma prática cada vez mais presente: pesquisas recentes indicam que <strong>75% das crianças e adolescentes brasileiros possuem perfis em redes sociais</strong>, e<strong>um terço deles têm contas totalmente abertas ao público</strong> (Instituto Locomotiva &amp; Único, 2024). Além disso, <strong>61% das postagens infantis revelam dados pessoais e familiares</strong>, como localização e rotina (TIC Kids Online Brasil, 2024).</p>



<p style="font-size:19px">No entanto, embora o <em><strong>sharenting</strong></em> seja uma prática amplamente disseminada, ainda são escassos os estudos que investigam seus efeitos psicológicos mais profundos — tanto sobre as crianças quanto sobre os próprios pais. Sob a ótica da psicologia analítica, ampliar essa discussão permite compreender o fenômeno não apenas como um comportamento social, mas como expressão simbólica de conteúdos psíquicos inconscientes.</p>



<p style="font-size:19px"><strong>A exposição constante dos filhos nas redes pode ser lida como uma manifestação do que denomino “Parentalidade Performática” — uma forma de relação entre pais e filhos mediada por ideais de sucesso, reconhecimento e validação externa.</strong></p>



<p style="font-size:19px">Nesse contexto, o amor e o cuidado passam a ser filtrados por métricas de visibilidade — <em>likes</em>, seguidores e engajamento —, deslocando o eixo da parentalidade do vínculo afetivo para a imagem idealizada. Assim, o que deveria ser espaço de encontro genuíno, construção de vínculo afetivo, transforma-se em palco para a “persona parental”, onde a sombra da parentalidade se esconde sob o verniz da dedicação e do amor.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sharenting-e-a-projecao-parental" style="font-size:22px"><strong><em>Sharenting</em> e a Projeção Parental</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Sob a perspectiva Junguiana, podemos analisar o fenômeno do <em><strong>sharenting</strong></em> como uma extensão contemporânea do conceito de <strong>persona</strong>, isto é, a máscara social que o indivíduo constrói para se adaptar e ser aceito. “&#8230; um compromisso entre indivíduo e a sociedade a cerca daquilo que ‘alguém parece ser’: nome, título, função e isto ou aquilo. [&#8230;] apenas uma imagem ou compromisso” (JUNG, 2020b, p.151).</p>



<p style="font-size:19px">As redes sociais, nesse sentido, tornaram-se o novo palco onde essa persona é encenada — agora não apenas pelo adulto de forma individual, mas também através da imagem da “família perfeita”, que passa a representar um ideal de parentalidade. Nesse caso, o filho, então, é investido de um papel simbólico, refletindo o sucesso, a beleza e a harmonia que os pais desejam projetar ao mundo.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Os filhos são estimulados para aquelas realizações que os pais jamais conseguiram; a eles são impostas as ambições que os pais nunca realizaram.</p><cite>JUNG, 2021, p.182</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Entretanto, como todo movimento psíquico que privilegia a persona, há um preço: a <strong>sombra</strong> &#8211; aquilo que é reprimido, negado ou não reconhecido &#8211; que se acumula no inconsciente. </p>



<p style="font-size:19px">Nesse caso, manifesta-se na forma de ansiedade, comparação, culpa e um distanciamento silencioso do vínculo afetivo genuíno, substituído pela necessidade de validação constante.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregadas de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.   A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros. </p><cite>JUNG, 2020a, p. 312-13</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Nesse contexto, os pais que passam a viver a vida e a “fama” dos filhos construída através desses perfis nas redes sociais, projetando seus desejos conscientes e inconscientes nas crianças e tentando aplacar seus anseios juvenis não realizados.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jacoby-traz-a-seguinte-reflexao" style="font-size:19px">JACOBY traz a seguinte reflexão:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>[&#8230;] a projeção inconsciente da criança simbólica na criança real, concreta, deve-se frequentemente ao fato de os pais, quer seja o pai ou a mãe, ou ambos juntos, não terem acesso à realização na vida a partir dos seus próprios recursos.</p><cite>2019, p.28</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-medida-que-a-crianca-cresce-imersa-em-uma-realidade-fabricada-um-recorte-de-momentos-esteticamente-agradaveis-fofos-e-performaticos-sua-vivencia-emocional-tende-a-se-distanciar-da-experiencia-genuina-da-vida" style="font-size:19px"><strong>À medida que a criança cresce imersa em uma realidade fabricada — um recorte de momentos esteticamente agradáveis, fofos e performáticos —, sua vivência emocional tende a se distanciar da experiência genuína da vida.</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Essa infância construída sob a lógica da imagem e da aprovação pública pode comprometer o desenvolvimento da capacidade de lidar com a vida comum, imperfeita e sem aplausos: aquela que envolve erros, frustrações e limites. No entanto, é justamente no contato com essas adversidades que o ego vai encontrar um terreno fértil para se estruturar de forma saudável, resiliente e autêntica, reconhecendo sua própria força interior. Segundo Jung, “os problemas recalcados e os sofrimentos que foram deste modo poupados fraudulentamente na vida produzem um veneno secreto, que penetra na alma dos filhos&#8221;(2021, p.89).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parentalidade-performatica-e-a-fragilidade-do-ego" style="font-size:22px"><strong>Parentalidade Performática e a Fragilidade do Ego</strong></h2>



<p style="font-size:19px">Nesse sentido, retomo a importante reflexão de Jung sobre o desenvolvimento infantil<em>: “É preciso que se tomem as crianças como elas são de verdade, e não como gostaríamos que fossem” </em>(2021, p. 45). Amar uma criança, portanto, implica acolher sua realidade psíquica, suas limitações e potências, sem moldá-la à imagem dos nossos ideais.</p>



<p style="font-size:19px">Oferecer um amor verdadeiro é criar vínculos de afeto e confiança baseados na autenticidade do ser — não na performance. Isso também inclui ensiná-las, desde cedo, a distinguir o que pertence ao espaço íntimo e ao que pode ser partilhado no espaço público, favorecendo a formação de limites saudáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-essa-diferenciacao-se-perde-o-processo-de-desenvolvimento-do-ego-que-depende-do-reconhecimento-entre-o-eu-interno-e-o-mundo-externo-fica-comprometido-abrindo-espaco-para-um-ego-fragilizado-e-dependente-da-aprovacao-alheia" style="font-size:19px"><strong>Quando essa diferenciação se perde, o processo de desenvolvimento do ego — que depende do reconhecimento entre o eu interno e o mundo externo — fica comprometido, abrindo espaço para um ego fragilizado e dependente da aprovação alheia.</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Ninguém pode educar para a personalidade se não tiver personalidade. E não a criança, mas sim o adulto quem pode atingir a personalidade como o fruto do amadurecido pelo esforço da vida orientada para esse fim. Atingir a personalidade não é tarefa insignificante, mas o melhor desenvolvimento possível da totalidade de um indivíduo determinado. Personalidade é a realização máxima da índole inata e específica de um ser vivo em particular. Personalidade é a obra a que se chega pela máxima coragem de viver, pela afirmação absoluta do ser individual, e pela adaptação, a mais perfeita possível, a tudo que existe de universal, e tudo isto aliado à máxima liberdade de decisão própria.</p><cite>JUNG, 2021, p.82</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-a-experiencia-subjetiva-da-crianca-e-substituida-pela-necessidade-de-manter-uma-imagem-idealizada-corre-se-o-risco-de-formar-um-ego-fragil-sustentado-por-validacoes-externas" style="font-size:19px"><strong>Quando a experiência subjetiva da criança é substituída pela necessidade de manter uma imagem idealizada, corre-se o risco de formar um ego frágil, sustentado por validações externas.</strong></h2>



<p style="font-size:19px">A criança aprende, ainda muito cedo, que o valor está na aparência, no aplauso e na aprovação — e não na vivência autêntica de quem ela é. Esse movimento gera uma dissociação sutil entre o ser e o parecer, fragilizando o contato com o si-mesmo e com o próprio sentido interno de existência. Do ponto de vista simbólico, poderíamos dizer que a imagem virtual assume o lugar do que seria o prenúncio de uma identidade: em vez de seguir no caminho do desenvolvimento natural da personalidade, passa a distorcê-lo segundo as expectativas parentais e sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-resultado-e-um-ego-que-busca-incessantemente-confirmar-sua-existencia-pela-visibilidade-mas-que-teme-o-anonimato-e-o-erro-justamente-as-experiencias-que-o-tornariam-mais-humano-e-inteiro" style="font-size:19px">O resultado é um ego que busca incessantemente confirmar sua existência pela visibilidade, mas que teme o anonimato e o erro — justamente as experiências que o tornariam mais humano e inteiro.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A personalidade já existe em germe na criança, mas só se desenvolverá aos poucos por meio da vida e no decurso da vida. Sem determinação, inteireza e maturidade não há personalidade.</p><cite>JUNG, 2021, p. 182</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Reconhecer a sombra presente na <strong>parentalidade performática</strong> é um passo essencial para restaurar a autenticidade dos vínculos e reequilibrar o lugar da infância em nossa sociedade. Quando pais e mães tomam consciência das motivações inconscientes que os levam a expor seus filhos — a necessidade de validação, o medo de não corresponder ao ideal social de “pais perfeitos” —, abre-se espaço para uma relação mais verdadeira e humana. A sombra, quando reconhecida se torna um guia: revela o que foi reprimido e aponta o caminho para a integração. Nesse movimento, a <strong>parentalidade</strong> deixa de ser espetáculo e volta a ser encontro — um espaço simbólico de crescimento mútuo, no qual tanto pais quanto filhos podem se tornar mais inteiros, mais reais e, sobretudo, mais humanos.</p>



<p style="font-size:19px">Romper esse ciclo de performance exige consciência e coragem para olhar o próprio desamparo sem projetá-lo no outro. Quando o pai ou a mãe reconhecem sua própria fragilidade e acolhem as partes feridas da psique — em vez de mascará-las sob a imagem idealizada da <strong>parentalidade perfeita</strong> —, algo se transforma profundamente no vínculo com o filho. A criança deixa de ser o espelho que reflete a falta dos pais e volta a ser o sujeito de sua própria jornada. Nesse momento, acredito que a rede social pode enfim deixar de ser o palco principal da vida e a intimidade da família passa a ter mais valor e sentido do que qualquer like ou novos seguidores.</p>



<p style="font-size:19px">Entendo que a rede social não é o mal em si, mas um espelho que revela a fragilidade egóica dos pais e as relações projetivas que permeiam a <strong>parentalidade contemporânea</strong>, especialmente diante do fenômeno do <em><strong>sharenting</strong></em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-compreender-o-vazio-que-as-redes-ocupam-na-vida-e-nos-vinculos-parentais-pode-ser-o-primeiro-passo-para-transformar-a-forma-como-elas-sao-utilizadas" style="font-size:19px">Compreender o vazio que as redes ocupam na vida e nos vínculos parentais pode ser o primeiro passo para transformar a forma como elas são utilizadas.</h2>



<p style="font-size:19px">É preciso deslocar o holofote das crianças e iluminarmos aquilo que realmente sustenta uma relação saudável entre pais e filhos: o afeto, o cuidado, o amparo emocional e o amor. Somente assim o filho poderá tornar-se um ser único, autêntico e independente — não mais a imagem idealizada que alimenta a projeção de uma <strong>parentalidade perfeita</strong>, mas sim o sujeito de sua própria história.</p>



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<h2 class="wp-block-heading" id="h-clarisse-grand-court-membro-analista-em-formacao-pelo-ijep" style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Membro Analista em formação pelo IJEP</a></strong></h2>



<p style="font-size:19px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/cristinaguarnieri/"><strong>Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata</strong> <strong>do IJEP</strong></a></p>



<p style="font-size:19px"><strong>Referências:</strong></p>



<p>Conti, MG, Del Parco, F., Pulcinelli, FM&nbsp;<em>et al.</em>&nbsp;(2024). Sharenting: características e consciência dos pais que publicam conteúdo sensível de seus filhos em plataformas online. Disponível em<a href="https://doi.org/10.1186/s13052-024-01704-y">https://doi.org/10.1186/s13052-024-01704-y</a> . Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<p>Ferreira, Lucia Maria T. (2020). A superexposição dos dados e da imagem de crianças e adolescentes na Internet e a prática de <strong>Sharenting</strong>. Reflexões iniciais. Disponível em</p>



<p><a href="https://www.mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Lucia_Maria_Teixeira_Ferreira.pdf">https://www.mprj.mp.br/documents/20184/2026467/Lucia_Maria_Teixeira_Ferreira.pdf</a> . Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: estudo sobre o simbolismo do si-mesmo. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020a.</p>



<p>&nbsp;______, O desenvolvimento da personalidade. 14. Ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p>______, O eu e o Inconsciente. 27. Ed. Petrópolis: Vozes, 2020b.</p>



<p>Ferreira, Luiz Claudio. (2025). Uma a cada três crianças tem perfil aberto em redes, alerta pesquisa. Disponível em</p>



<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-01/uma-cada-tres-criancas-tem-perfil-aberto-em-redes-alerta-pesquisa">https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-01/uma-cada-tres-criancas-tem-perfil-aberto-em-redes-alerta-pesquisa</a> Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



<p>Tic Kids Online Brasil (2024). Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil. Disponível em</p>



<p><a href="https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/20250512154312/tic_kids_online_2024_livro_eletronico.pdf">https://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/20250512154312/tic_kids_online_2024_livro_eletronico.pdf</a> Acesso em 06 de novembro de 2025.</p>



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		<title>Superparentalidade: de crianças superprotegidas a adultos infantilizados</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/superparentalidade-de-criancas-superprotegidas-a-adultos-infantilizados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 12:44:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos –, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente, a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador de seu próximo tanto para o [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-large" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>Não é importante que os pais nunca cometam erros – isso seria impossível para os seres humanos –, mas que os reconheçam como erros. Não é a vida que deve ser detida, mas a nossa inconsciência; primeiramente, a do educador, isto é, a própria, pois cada um é educador de seu próximo tanto para o bem como para o mal. </em></p><cite>(Jung, 2021, p.90)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><em><strong>Resumo</strong>: Na tentativa de proteger excessivamente seus filhos, muitos pais acabam impedindo que eles vivenciem experiências importantes e realizem tarefas simples do dia a dia. Aborda-se como esse excesso de “cuidado” pode formar adultos inseguros, dependentes e com dificuldades para enfrentar os desafios da vida.</em> <em>A superproteção compromete o desenvolvimento da criança, passando pela adolescência até a vida adulta, resultando em indivíduos emocionalmente presos à infância e marcados pela imaturidade. <strong>Mais do que nunca, precisamos refletir sobre nossa forma de educar: estaremos verdadeiramente preparando nossas crianças para a vida ou apenas protegendo a nós mesmos</strong>?</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-criancas-que-ganham-autonomia-no-autocuidado-e-nas-tarefas-domesticas-tornam-se-adultos-mais-afetuosos-regulados-emocional-e-cognitivamente" style="font-size:19px">Crianças que ganham autonomia no autocuidado e nas tarefas domésticas tornam-se adultos mais afetuosos, regulados emocional e cognitivamente.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Essa é uma questão levantada no artigo realizado pela&nbsp;<em>La Trobe University</em>:&nbsp;<em>Executive functions and household chores: Does engagement in chores predict children’s cognition?</em>&nbsp;(Funções executivas e tarefas domésticas: o envolvimento nas tarefas prevê a cognição das crianças?&nbsp;– tradução livre).</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Embora a tese apresentada acima pareça óbvia para muitos leitores, temos observado uma atitude contrária por parte de muitos pais nos dias de hoje. E é sobre essa <strong>superproteção parental</strong> que proponho refletirmos ao longo deste artigo.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O estudo australiano aponta que a&nbsp;<strong>superparentalidade</strong>&nbsp;tira das crianças a oportunidade de progresso por meio da realização de tarefas simples do dia a dia. O envolvimento excessivo dos pais prejudica o desenvolvimento emocional e comportamental desses indivíduos ao longo da vida, que crescem dependentes e incapazes de se autoafirmarem, tornando-se <strong>adultos infantilizados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-observando-a-forma-como-a-sociedade-contemporanea-vivencia-a-parentalidade-entendo-que-estamos-em-crise" style="font-size:19px">Observando a forma como a sociedade contemporânea vivencia a parentalidade, entendo que estamos em crise.</h2>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-perdemo-nos-diante-da-ideia-do-que-e-amar-cuidar-e-ensinar" style="font-size:19px">Perdemo-nos diante da ideia do que é amar, cuidar e ensinar.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Como elaborei no meu último artigo,&nbsp;<a href="https://blog.sudamar.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/"><em>“A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade”</em></a>, penso que assumimos novas demandas impostas por uma geração que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>. Nela, não cabem erros, fraquezas e vulnerabilidades – nem para os pais, nem para os filhos. Vivemos a era que teme o sofrimento e a insatisfação das crianças.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A rotina pesada do dia a dia, somada às ideias equivocadas de que&nbsp;amor nunca é demais&nbsp;e de que&nbsp;frustração desregula as crianças emocionalmente, tem invertido a lógica da dinâmica familiar. Fazer pelos filhos torna-se mais importante do que permitir que eles errem e se desenvolvam no tempo deles – essa é a cartilha da <strong>superparentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-assumir-as-pequenas-tarefas-e-desafios-dos-filhos-perdemos-a-chance-de-encoraja-los-e-de-oferecer-suporte-emocional-frente-as-adversidades-e-aprendizados-da-vida" style="font-size:19px">Ao assumir as pequenas tarefas e desafios dos filhos, perdemos a chance de encorajá-los e de oferecer suporte emocional frente às adversidades e aprendizados da vida.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Criamos tanta culpa e desconexão com nossas crianças e, por outro lado, assumimos o controle de tudo – inclusive das pequenas atividades cotidianas que elas já são capazes de desenvolver sozinhas, como vestir-se, comer, amarrar os tênis, tomar banho ou preparar seu lanche. Quando o amor e o cuidado tornam-se desmedidos, sufocamos e interditamos os indivíduos em seu processo de desenvolvimento natural e necessário.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Segundo <strong>Neumann</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança para sua casa de chocolate. “<strong>Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, até tornar-se necessário para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho</strong>”&nbsp;(1995, p. 54, grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável gerará um processo de dependência e codependência, afetando diretamente o desenvolvimento da criança. Vale ressaltar que podemos ampliar tranquilamente esse conceito, designado por Neumann à mãe, para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">O mimo que ultrapassa a primeira infância priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações. Dinâmicas fundamentais para que, no futuro, esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo”&nbsp;(NEUMANN, 1995, p. 57-58).</p></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Na perspectiva junguiana, compreendemos que o receio que os pais têm de que seus filhos se frustrem fala mais sobre eles mesmos do que sobre as crianças. É uma dinâmica psíquica sutil que reforça ainda mais a dependência emocional – a princípio natural e necessária entre filhos e pais –, mas que se torna disfuncional quando não é superada ao longo do desenvolvimento infantil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-psique-da-crianca-jung-diz" style="font-size:19px">Sobre a psique da criança, <strong>Jung</strong> diz:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><strong>A criança tem uma psicologia singular</strong>. Assim como o seu corpo, durante a vida embrionária, é uma parte do corpo materno, também sua mente, por muitos anos, constitui parte da atmosfera psíquica dos pais. Este fato esclarece de pronto porque muitas das neuroses infantis são muito mais sintomas das condições psíquicas reinantes entre os pais do que doença genuína da criança. <strong>Apenas em parte a criança tem psicologia própria; em relação à maior parte, ainda depende da vida psíquica dos pais&nbsp;</strong>(2021, p. 84).</p></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Para a psicologia analítica, o desenvolvimento da personalidade pressupõe a diferenciação entre a psique dos filhos e a de seus pais no caminho do adultecimento, permitindo o processo de individuação de cada um ao longo da vida.&nbsp;“[&#8230;] <strong>apegar-se demasiadamente aos pais é desnatural e doentio</strong> [&#8230;]”&nbsp;(JUNG, 2021, p. 85).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-individuacao-jung-afirma-que-e-um-processo-que-nunca-chega-ao-fim-mas-e-o-caminho-para-nos-tornarmos-seres-unicos-realizando-nossas-potencialidades" style="font-size:19px">Sobre a individuação, Jung afirma que é um processo que nunca chega ao fim, mas é o caminho para nos tornarmos seres únicos, realizando nossas potencialidades:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“</em>A individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que faculte a realização das qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo mediante o qual um homem se torna o ser único que de fato é<em>”</em>&nbsp;(2020, p. 64).</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ao-limitarmos-nossas-criancas-em-seu-processo-de-amadurecimento-fisico-emocional-e-cognitivo-causamos-um-interdito-na-passagem-da-infancia-para-a-adolescencia-e-depois-para-a-vida-adulta" style="font-size:19px">Ao limitarmos nossas crianças em seu processo de amadurecimento físico, emocional e cognitivo, causamos um interdito na passagem da infância para a adolescência e, depois, para a vida adulta.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p style="font-size:19px;line-height:1.4">“Aqueles que passam conscientemente pela transição trazem mais significado à sua vida. Os que não passam permanecem prisioneiros da infância, não importa o sucesso aparente que possam ter na vida”&nbsp;(HOLLIS, 2023, p. 9).</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-superparentalidade-tornou-se-um-sintoma-que-evidencia-o-peso-e-as-expectativas-geradas-sobre-a-criacao-dos-filhos-trazendo-impactos-negativos-para-toda-uma-geracao-da-infancia-a-adultez" style="font-size:19px">A <strong>superparentalidade</strong> tornou-se um sintoma que evidencia o peso e as expectativas geradas sobre a criação dos filhos, trazendo impactos negativos para toda uma geração – da infância à adultez.</h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">À medida que nos desconectamos dos instintos maternos e paternos, perdemos a capacidade de observar, respeitar e favorecer o desenvolvimento das etapas da vida humana, que acontecem a partir de experiências boas e ruins. Privar crianças e adolescentes de frustrações e tristezas não os torna mais felizes ou amorosos – pelo contrário. No entanto, oferecer suporte emocional, acolhimento e segurança durante situações difíceis favorece a formação de indivíduos mais seguros e autônomos, além de fortalecer ainda mais o vínculo familiar.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Podemos até concluir que a personalidade adulta não examinada é um agregado de atitudes, comportamentos e reflexos psíquicos ocasionados pelos traumas da infância, cujo objetivo fundamental é controlar o nível de sofrimento experimentado pela memória orgânica da infância que conduzimos dentro de nós. Podemos chamar essa memória orgânica de criança interior, e nossas várias neuroses representam estratégias inconscientemente desenvolvidas para defender essa criança. (A palavra ‘neurose’ não é usada aqui no sentido clínico, e sim como termo genérico para a divisão entre a nossa natureza e a nossa aculturação)&nbsp;(HOLLIS, 2023, p. 13).</p></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Ao adotarmos a <strong>superparentalidade</strong> como modelo, formamos uma geração de jovens adultos infantilizados e incapazes de fazerem por si mesmos o básico. De forma mais ampla, esse comportamento parental poda a possibilidade de desenvolvimento cognitivo e emocional. Criando indivíduos desconectados de suas emoções, sentimentos, necessidades básicas e sem condições de compreender o outro em suas vulnerabilidades e deficiências – ou seja, incapazes de praticar empatia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-afeto-desmedido-ou-a-falta-dele-esta-inexoravelmente-ligado-ao-desenvolvimento-emocional-de-criancas-e-adolescentes-e-a-sua-capacidade-de-no-futuro-tornarem-se-adultos-emocionalmente-regulados" style="font-size:19px"><strong>O afeto desmedido – ou a falta dele – está inexoravelmente ligado ao desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes e à sua capacidade de, no futuro, tornarem-se adultos emocionalmente regulados.</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A autonomia que os indivíduos terão na fase adulta é desenvolvida ainda na infância, por meio da participação em tarefas domésticas, no cuidado de suas próprias coisas e de seu corpo. Essas habilidades são fundamentais para a autorregulação na vida madura.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">A presença afetiva dos pais na vida dos filhos é preponderante para o desenvolvimento psíquico da criança. No entanto, é fundamental que essa presença sofra modificações ao longo do tempo. A influência dos pais precisa diminuir para que os adolescentes conectem-se com outros pares, vivam novas relações, diferenciem-se do ambiente familiar e descubram sua identidade na vida adulta.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo: &quot;Superparentalidade: de crianças superprotegidas a adultos infantilizados&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/lh4wrpvZpfo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação do IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-nbsp" style="font-size:19px"><strong>Referências:&nbsp;</strong></h2>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">HOLLIS, James. A passagem do Meio: da miséria ao significado da meia idade. 1 ed. São Paulo: Paulus, 2023.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">_____, Carl Gustav.&nbsp; O eu e o inconsciente. 27.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">Obradović, Jelena. Supporting Children’s School Readiness. IN: Stanford University. <a href="https://bingschool.stanford.edu/news/supporting-childrens-school-readiness-jelena-obradovic">https://bingschool.stanford.edu/news/supporting-childrens-school-readiness-jelena-obradovic</a> . Acesso em 28 de abril de 2025.</p>



<p style="font-size:19px;line-height:1.4">TEPPER, Deana L.; HOWELL,Tiffani; BENNETT, Pauleen.(2022). Executive functions and household chores: Does engagement in chores predict children&#8217;s cognition? In: Australian Occupational Therapy Journal. <a href="https://www.researchgate.net/publication/360998732_Executive_functions_and_household_chores_Does_engagement_in_chores_predict_children's_cognition">https://www.researchgate.net/publication/360998732_Executive_functions_and_household_chores_Does_engagement_in_chores_predict_children&#8217;s_cognition</a> . Acesso em 28 de abril de 2025.</p>



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		<title>A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-parentalidade-positiva-e-a-sua-sombra-na-contemporaneidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 14:02:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.” WOODMAN, 2002, p.13 Resumo: A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:16px"><blockquote><p><em>“Somos conduzidos a sermos e a fazermos o melhor em todos os âmbitos da nossa vida pessoal, profissional, escolar, familiar e assim desejamos nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos.”</em></p><cite><em> </em>WOODMAN, 2002, p.13</cite></blockquote></figure>



<p><strong>Resumo</strong>: <em>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se uma característica marcante da contemporaneidade, amplificada pelas redes sociais e o padrão de performance estabelecido. Essa pressão constante leva ao esgotamento emocional e físico dos pais e filhos, resultando no fenômeno conhecido como Burnout Parental. Distante dos saberes instintivos e ancestrais, os pais se veem presos a um ideal de perfeição inalcançável, desconsiderando as reais necessidades de seus filhos e de si mesmos. Sob a perspectiva Junguiana, o artigo convida à reflexão sobre as a sombra dessa parentalidade, revelando o impacto psicológico profundo desse padrão idealizado.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-busca-da-perfeicao"><strong>A busca da perfeição</strong></h2>



<p>A rotina de muitas famílias parece ter se tornado uma grande maratona sem direito a medalha no final do dia. É preciso acompanhar de perto todas as tarefas escolares e extracurriculares dos filhos, dar conta do trabalho e, de forma alguma, demonstrar que os filhos “roubam” o tempo dedicado à vida profissional. Criar crianças super bem-educadas, excelentes alunos e autorregulados emocionalmente. Enquanto tudo isso acontece, os pais e mães devem ressignificar toda criação que recebeu e aplicar, sem direito a erro, novas metodologias baseadas no repertório emocional que adquiriu há menos tempo do que se torno pai ou mãe.</p>



<p><strong>A busca pela parentalidade perfeita tornou-se um sintoma que evidencia o peso e a expectativa gerada sobre a criação de filhos na contemporaneidade, trazendo impactos negativos aos pais e às crianças</strong>. Trata-se de uma meta de performance inatingível e cruel para toda a família, uma vez que a perfeição é algo sempre imaginal e muito distante do real.</p>



<p>Abandonamos os saberes ancestrais, transgeracionais e instintivos sobre o cuidar, o nutrir e o acolher – ligados ao complexo materno presente no inconsciente coletivo &#8211; e passamos a adotar fórmulas, dicas e regras difundidas nas redes sociais por “influenciadores digitais” totalmente alheios à realidade social, econômica e psíquica vivida na intimidade de cada família. Perdemos a rede de apoio familiar e comunitária e, com isso, acreditamos não saber mais maternar e paternar, que é proporcionar à criança &#8211; com afeto e presença &#8211; o desenvolvimento de todo o seu potencial psíquico, físico e emocional. Aspectos que nada tem a ver com performance.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-assumimos-novas-demandas-impostas-por-uma-sociedade-que-acredita-na-formula-certa-para-a-construcao-da-familia-perfeita" style="font-size:17px">Assumimos novas demandas impostas por uma sociedade que acredita na fórmula certa para a construção da <strong>família perfeita</strong>.</h2>



<p>O resultado dessa pressão é um estresse crônico, aliado à uma sensação de fracasso, impotência e exaustão, que já conhecemos pelo nome de Burnout. Porém agora, estamos falando do <strong>Burnout Parental</strong>.</p>



<p>O estudo “O poder da parentalidade positiva: evidências para ajudar os pais e seus filhos a prosperarem” (tradução livre), desenvolvido pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, em 2023, apresenta dados alarmantes sobre o adoecimento dos pais que não conseguem alcançar o ideal da família feliz pautado por padrões irreais e distorcidos sobre o que é parentalidade e, mais especificamente, <strong>parentalidade positiva</strong>.</p>



<p>O material divulgado menciona que cerca de 60% dos pais entrevistados relatam estarem com Burnout. Sentem que não são bons pais e mães. Quando se dedicam ao trabalho, acreditam que falham no cuidado com os filhos, e, quando dedicam tempo aos filhos, sentem que precisam exaustivamente compensar essas horas de trabalho. As expectativas que têm de si e de seus filhos são muito mais altas do que de fato é possível ser e fazer.</p>



<p>Ainda de acordo com o estudo, o padrão de <strong>parentalidade positiva </strong>pressupõe, no <strong>imaginário coletivo</strong>, pais que são modelos de paciência e calma, cujos filhos são sempre bem-comportados e respeitáveis. Havendo, portanto, no ideal coletivo, uma associação intrínseca entre os conceitos de <strong>parentalidade positiva</strong> e <strong>parentalidade perfeita</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-artigo-tecnico-publicado-no-site-news-medical-life-sciences-a-dra-liji-thomas-amplia-o-estudo-americano-e-aponta-o-sentido-real-do-que-seria-a-parentalidade-positiva" style="font-size:17px">No artigo técnico publicado no site <em>News Medical Life Sciences</em>, a Dra. Liji Thomas, amplia o estudo americano e aponta o sentido real do que seria a parentalidade positiva.</h2>



<p>A parentalidade positiva incorpora múltiplos objetivos, o mais importante dos quais é construir um relacionamento de confiança e carinho com os filhos. Comunicação e escuta com respeito à criança são essenciais para isso. Além disso, estabelecer limites, elogiar e recompensar resultados comportamentais desejáveis, e amá-los não importa o que aconteça. O amor, a segurança e o conforto que a criança ganha com esse relacionamento são essenciais para desenvolver uma pessoa emocional e relacional saudável quando adulta. (THOMAS, 2024).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-na-sociedade-contemporanea-onde-tudo-se-torna-objeto-de-competicao-e-performance-os-conceitos-ganham-novos-sentidos-e-significados" style="font-size:17px">No entanto, na sociedade contemporânea, onde tudo se torna objeto de competição e performance, os conceitos ganham novos sentidos e significados.</h2>



<p>Na perspectiva Junguiana, podemos ampliar para a unilateralização desse ideal de comportamento parental, onde não cabem erros, frustrações, medos e muito menos uma curva de aprendizado.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] estamos tão ocupados em afazeres e metas a alcançar que perdemos o contato com a nossa vida interior, com essa vida que confere significado e símbolos e, por outro lado, cria os símbolos que dão sentido à vida. [&#8230;]. Nunca antes estivemos tão distantes da sabedoria da natureza e de nossos instintos. </p><cite>JUNG apud Woodman, 2002, p. 27</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parentalidade-contemporanea-e-o-papel-das-redes-sociais"><strong>Parentalidade Contemporânea e o Papel das Redes Sociais</strong></h2>



<p>A parentalidade traz o início de uma transição, ou seja, uma nova fase de incertezas e mudanças sem um destino certo. Nessa era digital, onde a rede social dita as “regras”, os conhecimentos se tornam incertos e superficiais. Como muito bem analisou Zygmunt Bauman ao longo de anos de estudos sobre a sociedade pós-moderna e suas relações superficiais e líquidas, são tempos de medo, insegurança e, portanto, de muita negatividade. “Há uma propensão natural a negar o que se teme muito e o que não se sabe resolver”. (BAUMAN apud ABRANCHES, 2017, p. 29). E o que o filósofo chama de negatividade, faço um paralelo com o que Jung denominou Sombra.&nbsp; Aquilo em nós que desconhecemos, tememos ou negamos.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregada de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.   A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros. </p><cite>JUNG, 2020, p. 312-13</cite></blockquote></figure>



<p>A sombra vem à tona, muitas vezes, com uma convocação moral, uma atitude compensatória do ego. Nesse sentido, entendo que o <strong>Burnout Parental</strong> é um sintoma contemporâneo manifestado por essa sombra coletiva da performance, da <strong>parentalidade perfeita</strong> e desconectada com a real necessidade desses pais e crianças em sua singularidade.</p>



<p>Segundo o filósofo contemporâneo <strong>Byung-Chul Han</strong>, tudo virou trabalho, produtividade e performance. Entendo que até a parentalidade embarcou nesse <em>modus operandi</em>. <strong>Perdeu-se a alma e o sentido. Entrou em cena a parentalidade pautada por metas e que busca resultados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-causa-a-depressao-do-esgotamento-nao-e-o-imperativo-de-obedecer-apenas-a-si-mesmo-mas-a-pressao-do-desempenho" style="font-size:17px">O que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a si mesmo, mas a pressão do desempenho.</h2>



<p>Visto a partir daqui, a Síndrome de Burnout não expressa o si-mesmo esgotado, mas antes a alma consumida. [&#8230;]. O que torna doente, na realidade, não é excesso de responsabilidade e iniciativa, mas o imperativo do desempenho como um novo mandato da sociedade pós-moderna do trabalho. (2021a, p. 27).</p>



<p>Se tememos o desconhecido, não entramos em contato com saberes primordiais que “aprendemos” a negar. O resultado é uma sociedade desconectada com o si-mesmo mas hiperconectada com a materialidade, a racionalidade e a performance. Pais e filhos que seguem cartilhas irreais e surreais de padrões inatingíveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-instintiva-e-o-guia-que-nos-conduz-a-nos-reconectarmos-com-o-nosso-ritmo-interno-nossas-necessidades-nossa-intuicao-cuidadora-e-protetora-ou-seja-o-nosso-ciclo-vital" style="font-size:17px">A natureza instintiva é o guia que nos conduz a nos reconectarmos com o nosso ritmo interno, nossas necessidades, nossa intuição cuidadora e protetora, ou seja, o nosso ciclo vital.</h2>



<p>O instinto são, entretanto, fatores impessoais, universalmente difundidos e hereditários, de caráter mobilizador, que muitas vezes se encontram afastados do limiar da consciência [&#8230;]. [&#8230;] são forças motrizes especificamente formadas, que perseguem suas metas inerentes antes de toda conscientização, independente do grau de consciência. (JUNG, 2021b, p. 52-53).</p>



<p>Talvez não exista nada na nossa experiência ontogenética que nos permita responder aos desafios experienciados na parentalidade de forma prévia. E é esse desconhecido que nos faz buscar respostas ou referências externas, sujeitos a pressões sociais em busca do sucesso parental.</p>



<p>O largo número de perfis nas redes sociais voltados para a parentalidade, isso inclui influenciadores e anônimos digitais que disseminam conceitos, sugestões e vivências sobre maternidade, paternidade e ambos, reforça o importante papel que as redes têm sobre a construção do “ideal” de parentalidade no século XXI. De acordo com relatórios do projeto social: <em>We are Social</em> em parceria com o <em>Hootsuite</em>, em 2022, no Brasil eram 150 milhões de usuários com perfis ativos em redes sociais &#8211; um dos maiores percentuais do mundo &#8211; sendo 130 milhões no Facebook e 69 milhões no Instagram. Já de acordo com a plataforma Shopify, no mesmo ano, o TikTok chegou à marca de 1,7 bilhão de usuários, sendo 98,6% ativos no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-no-entanto-o-que-ha-em-comum-entre-esses-perfis-parentais-e-a-revelacao-de-uma-parentalidade-cansativa-e-estressante" style="font-size:17px">No entanto, o que há em comum entre esses perfis parentais é a revelação de uma parentalidade cansativa e estressante.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“[&#8230;] nas performances realizadas em plataformas digitais, diferentes indivíduos constroem suas identidades na interseção com a figura e as ações de outros indivíduos que com eles interagem, criando laços e valores sociais.” </p><cite>SOUZA, 2022, p.40</cite></blockquote></figure>



<p>Percebemos então que existe nesse ambiente digital, ora implícita ora explicitamente, um <em>modus operandi</em> de <strong>parentalidade</strong>. Ou como Jung aponta, uma persona idealizada: a persona de pais e mães perfeitos e filhos mais que perfeitos, resultantes de uma <strong>parentalidade super perfeita</strong>. Uma identificação total, onde pais e mães incorporam, sem qualquer crítica ou reflexão, a projeção da perfeição.</p>



<p>No entanto, Jung sugere que os instintos perseguem suas metas. Ou seja, podemos nos conectar as nossas experiências filogenéticas, aos saberes primordiais e instintivos, encontrando mais e melhores respostas do que a larga rede social e toda a inteligência artificial são capazes de responder. Precisamos trabalhar a favor da diferenciação, desenvolvendo conteúdos inconscientes e sombrios e retirando o ego do padrão defensivo e autômato.</p>



<p>Nessa jornada pela parentalidade perfeita esbarramos em outra dualidade: <strong>Mimar ou não mimar os filhos, eis a questão!</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-amor-incondicional-x-pacto-de-amor"><strong>O Amor Incondicional X Pacto de Amor</strong></h2>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-solid-bg" style="font-size:19px"><blockquote><p>“Vivemos a era do hedonismo, um imperativo ao prazer e aos desejos. Nesse tempo, não cabem perder, gerar frustrações, angústias ou sentimentos de fracasso.” </p><cite>SOUZA, 2022, p. 222</cite></blockquote></figure>



<p>Um padrão de comportamento transferido para as crianças que precisam ser atendidas não em suas necessidades vitais, psíquicas ou afetivas, mas em seus caprichos vazios de afeto e responsabilidades. Algo que a psicanalista Marcia Neder denominou como <strong>infantolatria</strong>, o culto à criança.</p>



<p>A cultura ocidental, a partir de um determinado momento, transformou a criança em uma divindade, um ser divino. [&#8230;]. A partir do século XIX, houve uma grande mudança na imagem do filho, da mãe e do pai. Em vez de organizada pelo poder do pai, a família passou a ser organizada pelo amor à criança. [&#8230;]. Quem perdeu o poder foi o adulto e quem ganhou o poder foi a criança, e ganhou porque nós demos esse poder a ela. (NEDER apud SOUZA, 2022, p.120).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-por-que-sera-que-o-ideal-de-criancas-sempre-bem-educadas-que-a-parentalidade-positiva-sugere-resultou-em-uma-realidade-de-criancas-mimadas-e-pais-esgotados" style="font-size:17px"><strong>E por que será que o ideal de crianças sempre bem-educadas que a parentalidade positiva sugere, resultou em uma realidade de crianças mimadas e pais esgotados?</strong></h2>



<p>A falta de referenciais positivos e acolhedores, sejam eles internos ou externos, nos empurrou para o medo. O medo de falhar, o medo de “não dar conta”, o medo de perder o amor dos filhos. Uma atitude compensatória de uma geração que foi para o mercado de trabalho e terceirizou a criação das crianças e agora busca equilibrar essa equação, mas sem renunciar à alta performance em nenhum âmbito da vida, seja pessoal ou profissional. Parece que o resultado é uma parentalidade insegura, polarizada e adoecida. Saímos da relação autoritária e dominadora entre pais e filhos para a relação permissiva e passiva.</p>



<p><strong>Confundimos amar com mimar</strong>. Mas não o mimar necessário na relação primal positiva na primeira fase da vida, essa que é sinônimo de um eixo ego-Self saudável. Adotamos o mimar que atende aos caprichos e vontades, ultrapassa limites físicos, psíquicos e emocionais.</p>



<p>Segundo <strong>NEUMANN</strong>, é preciso saber diferenciar o mimar “verdadeiro” do “falso”, da mãe-bruxa que atrai a criança a sua casa de chocolate. “Mimar [&#8230;] não produz distúrbios sérios, <strong>até tornar-se necessário</strong> para a criança afrouxar os laços com a mãe, e esse processo é impedido ou prevenido pelo fato de a mãe ter mimado o filho” (1995, p. 54. Grifos meus). Nesse caso, o mimo não saudável irá gerar um processo de dependência e co-dependência e que irá afetar diretamente o desenvolvimento da criança, mas também a autoridade e liberdade dos pais. Vale ressaltar que podemos tranquilamente ampliar esse conceito que o Neumann designa à mãe para todos que exercem a <strong>parentalidade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-esse-mimar-contemporaneo-que-ultrapassa-a-primeira-infancia-priva-as-criancas-de-se-desenvolverem-a-partir-de-inibicoes-contradicoes-e-frustracoes" style="font-size:18px"><strong>Esse mimar contemporâneo, que ultrapassa a primeira infância, priva as crianças de se desenvolverem a partir de inibições, contradições e frustrações</strong>.</h2>



<p>Uma dinâmica que será fundamental para que no futuro esses indivíduos sejam capazes de suportar a tensão psíquica entre o consciente e o inconsciente.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>“A capacidade de uma criança aceitar restrições com relativa facilidade depende de uma capacidade de se integrar, de formar um ego integral e um eixo ego-Self positivo.” </p><cite>NEUMANN, 2021, p. 57-58.</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-talvez-a-base-da-criacao-devesse-estar-mais-associada-a-confianca-ao-afeto-e-a-seguranca-que-a-parentalidade-pode-e-deve-dar-a-crianca" style="font-size:17px">Talvez a base da criação devesse estar mais associada à confiança, ao afeto e à segurança que a parentalidade pode e deve dar à criança.</h2>



<p>Não podemos esquecer que a criança precisa se tornar um ser autônomo no futuro. O desejo dos pais e das mães em suprirem todas as necessidades de seus filhos, de nunca falharem, de serem onipresentes e onipotentes, é tão fantasioso e infantil quanto o de se atingir a meta da <strong>parentalidade perfeita</strong>. E essa neurose é compartilhada entre pais, mães e filhos, como bem explica Jung, “a criança se encontra de tal modo ligada e unida à atitude psíquica dos pais, que não é de causar espanto se a maioria das perturbações nervosas verificadas na infância devam sua origem a algo de perturbado na atmosfera psíquica dos pais” (2021b p. 48).</p>



<p>Portanto, olhar para a sombra dessa <strong>parentalidade perfeita</strong> é uma tentativa de dar luz a esse sofrimento psíquico que evidencia uma atitude neurótica da contemporaneidade. Uma exacerbação desse padrão performático e idealizado que tem se espalhado por todos os âmbitos da vida humana, infelizmente até mesmo no que se refere ao desenvolvimento psíquico, físico e emocional das crianças.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: &quot;A parentalidade positiva e a sua sombra na contemporaneidade&quot;" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/IeoiciWwi3g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Membro Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p style="font-size:15px">ABRANCHES, Sergio. A Era do Imprevisto: a grande transição do século XIX. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>



<p style="font-size:15px">GAWLIK, Kate; MELNYK, Bernadette Mazurek. The Ohio State University. The Power of Positive Parenting: Evidence to help parents and their children thrive. 2024.</p>



<p style="font-size:15px">HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p style="font-size:15px">JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: estudo sobre simbolismo do Si-mesmo. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. 12.ed. Petrópolis: Vozes, 2021a.</p>



<p style="font-size:15px">_____, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021b.</p>



<p style="font-size:15px">NEUMANN, Erich. A Criança: Estrutura e Dinâmica da Personalidade em Desenvolvimento desde o Início de sua Formação. 10.ed. São Paulo: Cultrix, 1995.</p>



<p style="font-size:15px">THOMAS, Liji. (2024). Study finds pressure to be “perfect” leads to unhealthy impacts on both parents and their children. In: News Medical Life Sciences. Disponível em. <a href="https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx">https://www.news-medical.net/news/20240510/Study-finds-pressure-to-be-e2809cperfecte2809d-leads-to-unhealthy-impacts-on-both-parents-and-their-children.aspx</a> &nbsp;&nbsp;Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p style="font-size:15px">WOODMAN, Marion. O Vício da Perfeição: Compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimentos psíquicos. São Paulo: Summus. 2002.</p>



<p style="font-size:15px">TikTok no Brasil: estatísticas e dicas (2024). Disponível em <a href="https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil">https://www.shopify.com/br/blog/tiktok-brasil</a>&nbsp; . Acesso em 20 de outubro de 2024.</p>



<p style="font-size:15px">SOUZA, Ana Luiza de Figueiredo. Ser mãe é f@oda: mulheres, (não maternidade) e mídias sociais. Porto Alegre: Zouk. 2022.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



<p>Aproveite para nos acompanhar no YouTube:&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/channel/UCrbwUrT0W4Tp-swBxAVwX5Q">Canal IJEP – Bem vindos(as)! (youtube.com)</a></p>



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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A identificação com o masculino na busca pela perfeição do feminino</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-identificacao-com-o-masculino-na-busca-pela-perfeicao-do-feminino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 13:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[masculino]]></category>
		<category><![CDATA[princípios]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=9373</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vivemos em uma sociedade patriarcal que impõe padrões rígidos de perfeição<br />
e alta performance como sinônimos de sucesso. Nesse contexto, as mulheres frequentemente encontram-se em desvantagem, tanto profissionalmente<br />
quanto pessoalmente, levando-as a perseguir metas e padrões psíquicos<br />
masculinos. Este artigo propõe uma reflexão sobre como essa busca pelo<br />
 poder e reconhecimento, muitas vezes inconsciente, afasta as mulheres de sua essência feminina primordial, resultando em sofrimento psíquico. Utilizando a perspectiva da psicologia junguiana, exploro como a integração dos princípios<br />
masculinos e femininos pode ajudar a restaurar um equilíbrio saudável,<br />
essencial para o bem-estar e a autenticidade feminina.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p><em>“&#8230; um incansável desejo de poder [&#8230;] servirá de símbolo da mulher destituída de sua feminilidade em razão de seu empenho na consecução de metas masculinas, que, em si mesmas, são uma paródia do que a masculinidade realmente é”. </em></p><cite>WOODMAN, Marion., 2002, p. 09</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-vivemos-em-uma-sociedade-patriarcal-que-impoe-a-perfeicao-e-a-alta-performance-como-padrao-de-sucesso" style="font-size:20px">Vivemos em uma sociedade patriarcal que impõe a perfeição e a alta performance como padrão de sucesso.</h2>



<p>Nessa corrida pelo poder, as mulheres seguem na desvantagem, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. No mercado de trabalho, segundo o 1º Relatório de Transparência Salarial do Brasil, as mulheres recebem 19,4% a menos que os homens e, dentre os cargos de liderança, essa diferença é ainda maior, subindo para 25,2%. Atrelado a isso, é sabido que a dependência econômica é um importante fator de <strong>vulnerabilidade da mulher</strong>. Portanto, é altamente compreensível a busca da mulher pelo poder e <strong>sucesso</strong> diante de uma sociedade opressora e machista.</p>



<p>O que desejo propor com esse artigo é uma reflexão sobre como a necessidade de “sobrevivência”, a garantia de direitos e até mesmo a busca pelo sucesso profissional, têm se manifestado, em muitos casos, inconscientemente, distanciando o <strong>feminino</strong> da sua essência primordial, trazendo muitos atravessamentos e dores. Na clínica, compreendemos que o que acontece no dia a dia é reflexo e consequência da mesma dinâmica inconsciente entre os <strong>princ</strong><strong>ípios masculinos e femininos</strong> na psique, individual e coletiva, da <strong>mulher </strong>contemporânea.</p>



<p>Vivemos um processo de sublimação histórica do <strong>feminino arcaico</strong>, que constitui o que Jung nos apresenta como arquétipo da Grande Mãe. E, como todo arquétipo, é um aspecto psíquico, eficiente auxiliar das adaptações instintivas e com características duais/antinômicas.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>[&#8230;] as circunstâncias forçaram a mulher a adquirir alguns traços masculinos, para não permanecer atrelada a uma feminilidade arcaica e puramente instintiva, estranha e perdida no mundo dos homens, como uma espécie de ‘boneca’ imaterial. </p><cite>JUNG, 2017, p. 136-7</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-reiteradamente-ouvimos-e-vemos-mulheres-sendo-valorizadas-e-reconhecidas-socialmente-quando-se-aproximam-de-logos-e-se-afastam-de-eros" style="font-size:18px">Reiteradamente, ouvimos e vemos <strong>mulheres</strong> sendo valorizadas e reconhecidas socialmente quando se aproximam de <strong>Logos</strong> e se afastam de <strong>Eros</strong>.</h2>



<p>Como explica Jung no livro “Civilização em Transição”, “a <strong>psicologia da mulher</strong> se baseia no princípio de <strong>Eros</strong>, que une e separa, ao passo que do homem, desde sempre, encontra no <strong>Logos</strong> seu princípio supremo. O conceito do <strong>Eros</strong>, em linguagem moderna, poderia ser expresso como relação psíquica, e o do <strong>Logos</strong> como interesse objetivo” (<em>Ibid.,</em>p.134). Ou seja, é quando o <strong>feminino</strong> se desconecta da subjetividade, da intuição e do amor e se encanta com a racionalidade, a ordem e o poder. E qual a consequência dessa unilateralização?!</p>



<p>Segundo <strong>Jung</strong> (2017, p. 129), o indivíduo, seja ele homem ou <strong>mulher</strong>, é composto de polaridades, portanto, o oposto do que está na consciência encontra-se no inconsciente. “Quando se vive o que é próprio do sexo oposto, vive-se, em suma, no plano de fundo, com prejuízo do primeiro plano que é essencial. A oposição sexual sempre se situa perigosamente próxima do inconsciente”.&nbsp; E, como sabemos, quando não temos consciência de algum conteúdo sombrio estamos ainda mais vulneráveis a ele.</p>



<p>A partir desse entendimento, ampliamos a nossa compreensão sobre o <strong>sofrimento psíquico das mulheres</strong> que buscam um lugar justo e digno na sociedade, que insiste em privilegiar os homens e aquelas que mais se aproximam de uma persona rígida e masculinizada. E aqui, me refiro aos aspectos psíquicos e não sexuais.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“A masculinização psíquica da mulher vem trazendo consequências indesejáveis. [&#8230;] A razão é que o animus dela (isto é, seu racionalismo masculino, e que nada tem a ver com a verdadeira racionalidade!) fechou o acesso aos seus próprios sentimentos.” </p><cite>JUNG, 2017, p. 130</cite></blockquote></figure>



<p>Ouvimos, aprendemos e absorvemos, consciente e inconscientemente, que negar os instintos e a intuição é estar no controle da vida e da razão. Nos ensinaram que o <strong>feminino arcaico</strong> é subjetivo demais, místicos demais e frágil demais. E, como somos filhas do nosso tempo, nos identificamos com a “perfeição” do modelo estabelecido na sociedade patriarcal que se sustenta na falácia da meritocracia. Somos cobradas a fazer o melhor na escola, no trabalho e nos relacionamentos. </p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:20px"><blockquote><p>“Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos. Por um lado, tentamos ser a eficiente e disciplinada deusa Atena e, por outro, somos forçadas a afundar na voraz e reprimida energia da Medusa.” </p><cite>WOODMAN, 2002, p. 13</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-entregamos-a-pressao-do-desempenho-a-busca-pelo-poder-sobre-os-outros-e-sobre-nos-mesmas" style="font-size:18px">Nos entregamos à pressão do desempenho, à busca pelo poder sobre os outros e sobre nós mesmas. </h2>



<p>Flertamos com o sucesso e com o fracasso e, ao viver essa dualidade psíquica, emocional e física, ficamos adoecidas, esgotadas e solitárias. Um cansaço silencioso e sorrateiro.</p>



<p><strong>Manifesta</strong><strong>ções</strong> <strong>psíquicas da mulher contemporânea</strong> que chega ao consultório trazendo relatos de ansiedade, angústia, falta de sentido de vida e até adoecimentos físicos, resultante da desconexão do corpo com a alma. A anima foi relegada à sombra e ganhou aspectos perversos ao se desvincular da Grande Mãe.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:21px"><blockquote><p>Para a mulher, o vínculo com a Grande Mãe também é sempre o pré-requisito psicológico para [&#8230;] ter um relacionamento saudável com o próprio corpo e com a terra. [&#8230;] Frequentemente a possessão neurótica da mulher pelo animus é a expressão da sua incapacidade de diferenciar entre o Self e o Masculino. A mulher torna-se vítima de sua tendência à identificação e se aliena de sua própria natureza ao superdesenvolver o lado masculino, o lado do animus. </p><cite>Erich Neumann, 2000, p. 26</cite></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-nesse-sentido-que-a-psicologia-junguiana-se-coloca-como-ferramenta-para-reestabelecer-a-conexao-e-integracao-do-masculino-com-o-feminino-e-do-consciente-com-o-inconsciente" style="font-size:18px">É nesse sentido que a psicologia Junguiana se coloca como ferramenta para reestabelecer a conexão e integração do masculino com o <strong>feminino</strong> e do consciente com o inconsciente.</h2>



<p>No setting terapêutico, por meio de ampliações, reflexões e confrontos, é possível estabelecer um diálogo da ancestralidade com a contemporaneidade, o contato Ego-Self.</p>



<p>Uma descoberta do <strong>feminino</strong> sensível e amoroso, capaz de reconhecer em si o <strong>Eros</strong> e o <strong>Logos</strong> que lhe habitam, e lançar mão de seus aspectos com sabedoria. Uma dança simbólica da anima com o animus, onde os dois têm seu papel fundamental, ora conduzindo, ora se deixando ser conduzido. Reconhecendo que somente pelo ao amor é que podemos nos transformar.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A identificação com o masculino na busca pela perfeição do feminino" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/xKX3I2fw84s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong><strong></strong></h2>



<p>Agência Câmara de Notícias. <em>Dependência econômica é fator de vulnerabilidade da mulher à violência, alertam especialistas</em>. Disponível em: <a href="https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Marco/mulheres-recebem-19-4-a-menos-que-os-homens-aponta-1o-relatorio-de-transparencia-salarial%23:~:text=As%2520mulheres%2520recebem%252019%252C1,m%25C3%25A9dia%2520%25C3%25A9%2520de%2520R%2524%25205.387.&amp;text=No%2520dia%252021%2520de%2520mar%25C3%25A7o,CNPJ%252C%2520no%2520Portal%2520Emprega%2520Brasil">https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2024/Marco/mulheres-recebem-19-4-a-menos-que-os-homens-aponta-1o-relatorio-de-transparencia-salarial#:~:text=As%20mulheres%20recebem%2019%2C1,m%C3%A9dia%20%C3%A9%20de%20R%24%205.387.&amp;text=No%20dia%2021%20de%20mar%C3%A7o,CNPJ%2C%20no%20Portal%20Emprega%20Brasil</a>. Acesso em: 27 de maio de 2024.</p>



<p>JUNG, Emma. <em>Animus e anima</em>. 1ª edição. São Paulo: Cultrix. 2006.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp; <em>Civilização em transição</em>. 6ª edição. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>MIRA, Eduardo.<em> A independência financeira das mulheres deveria ser prioridade social.&nbsp; </em><a href="https://forbes.com.br/forbes-money/2023/03/eduardo-mira-a-independencia-financeira-das-mulheres-deveria-ser-prioridade-social/">https://forbes.com.br/forbes-money/2023/03/eduardo-mira-a-independencia-financeira-das-mulheres-deveria-ser-prioridade-social/.</a> Acesso em 27 de maio de 2024.</p>



<p>NEUMANN, Erich. <em>O medo do feminino e outros ensaios sobre a psicologia feminina.</em> São Paulo: Paulus. 2000.</p>



<p>WOODMAN, Marion. <em>O vício da perfeição</em>. São Paulo: Summus, 2002.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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		<item>
		<title>A adolescência perdida na ausência dos rituais de passagem</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/adolescencia-perdida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 15:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Setting Terapeutico]]></category>
		<category><![CDATA[símbolos]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8429</guid>

					<description><![CDATA[<p>O presente artigo propõe uma reflexão sobre como a ausência de rituais de passagem na adolescência, conduzidos por adultos experientes e capazes de estabelecer limites, pode estar agravando o desenvolvimento psíquico dos jovens na contemporaneidade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>“A adolescência é um período do desenvolvimento caracterizado pelo luto e pela angústia da perda. Uma sensação iminente de perda faz parte do pano de fundo da luta para deixar para trás a infância e se tornar menos dependente das figuras parentais”</em> (FRANKEL, 2021, p. 165).</p>



<p>De acordo com <strong>Jung</strong>, a personalidade existe desde o indivíduo criança, porém seu desenvolvimento se dá ao longo da vida e por meio dela. <em>“Atingir a personalidade não é tarefa insignificante”</em> (2021, pg. 182). E de forma alguma podemos dissociá-la da <strong>adolescência</strong>. Pelo contrário, as experiências vividas dos 14 aos 21 anos são determinantes para o desenvolvimento do complexo do eu, que é mutável e desconhece vários aspectos de si mesmo que nunca tomou conhecimento.</p>



<p>Podemos dizer que, historicamente, a <strong>adolescência</strong> é uma fase do desenvolvimento humano de muitos desafios e mudanças, física e emocionais. No entanto, atualmente, temos observado dados cada vez mais alarmantes no que se refere à saúde mental dos nossos adolescentes.</p>



<p>De acordo com pesquisa do Datafolha, divulgada no final de 2022, 8 a cada 10 brasileiros, de 15 a 29 anos, apresentaram recentemente algum problema de saúde mental. O uso excessivo de álcool e drogas ilícitas e tantos outros comportamentos autodestrutivos parecem ter se tornado a marca de uma juventude que não só enfrenta graves problemas psíquicos, como parece seguir sem orientação, sem rumo e sem rituais de iniciação.</p>



<p>Nessa perspectiva, podemos nos perguntar: <strong>Onde estão os rituais de iniciação da adolescência? Será que devemos considerá-los algo primitivo/arcaico para os dias atuais? Será que a juventude de hoje não necessita mais de ritos de passagem?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-visao-da-psicologia-analitica-entendemos-que-o-impulso-a-iniciacao-e-algo-arquetipico-e-compulsorio-portanto-inerente-a-vontade-consciente-do-ego-e-coletivo-e-inconsciente" style="font-size:21px">Na visão da psicologia analítica, entendemos que o impulso à iniciação é algo arquetípico e compulsório, portanto, inerente à vontade consciente do ego. É coletivo e inconsciente.</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“Rimos da superstição primitiva, achando que somos superiores a isso, mas esquecemos que este pano de fundo do qual zombamos como se fosse museu de coisas estúpidas, tem uma influência tão temível sobre nós quanto sobre os primitivos. [&#8230;] o que acontece é que damos nomes diferentes a tudo isso.” </em></p>
<cite>(JUNG, 2017, pg. 19).</cite></blockquote>



<p>Para Jung, os <strong>arquétipos</strong>, presentes no inconsciente coletivo, não podem ser explicados a partir de uma concepção individual. São aspectos de toda vida, dos primórdios até os dias atuais. “<em>É o pressuposto e a matriz de todos os fatos psíquicos e por isto exerce também uma influência que compromete altamente a liberdade da consciência</em> [&#8230;]” (2020, pg.58).</p>



<p>O fato é que, independente de como nomeamos esse “chamado ritualístico”, ele acontece. A <strong>adolescência</strong> é um novo despertar para a vida que nos convida a uma tentativa de iniciação, a vivências transformadoras e evolutivas. Há uma busca de uma nova visão de mundo.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“<em>[&#8230;] os temas de iniciação permanecem vivos sobretudo no inconsciente do homem moderno&#8230; em seu ser mais profundo, o homem moderno ainda é capaz de ser afetado por cenários ou mensagens de iniciação</em>.” </p>
<cite>(ELIADE apud. FRANKEL, 2021, p. 187).</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-ritos-de-passagem-nao-deixaram-de-existir">Os ritos de passagem não deixaram de existir.</h2>



<p><strong>A realidade é que os adolescentes estão criando os seus próprios rituais</strong>, experienciando de maneira inconsequente e perigosa, processos de transição que de alguma forma tragam sentido para esse novo “eu” que surge nessa fase do desenvolvimento da personalidade. Segundo <strong>Frankel</strong>, quando a sociedade sublima os rituais de iniciação, tão importantes para psique humana, os adolescentes tentam fazer por conta própria (Cf. FRANKEL, 2021, p.87).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nessa perspectiva, proponho um novo olhar para esses padrões autodestrutivos do adolescente como uma tentativa, desesperada e solitária &#8211; sem um condutor experiente -, na separação do seu lado infantil e identificado com os pais para a nova fase que surge.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sobre-a-puberdade-jung-aborda-as-seguintes-dificuldades-vividas-pelos-jovens" style="font-size:18px">Sobre a <strong>puberdade</strong>, Jung aborda as seguintes dificuldades vividas pelos jovens:</h2>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“O começo da puberdade também opera mudanças consideráveis na aparência do corpo e em seu metabolismo [&#8230;]. Da mesma forma, sua psique é afetada e tirada de seu equilíbrio [&#8230;]. Por longo tempo, as ilusões impossibilitam uma estabilidade e maturidade do julgamento.”</em> </p>
<cite>(2017, p. 217).</cite></blockquote>



<p>Se compreendemos que o ritual de passagem é uma necessidade da psique humana e, talvez, a <strong>adolescência </strong>seja a fase de maior mudança de corpo, alma e espírito, vivida simultaneamente e abruptamente pelo indivíduo, como permitir que os jovens experienciem essa transição sem a presença, a atenção e a condução de um adulto experiente e com ego estruturante?!</p>



<p>É comum em roda de pais e cuidadores ouvirmos que os jovens estão cada vez mais isolados por conta do mundo digital. Todavia, <strong>na outra ponta desse cabo de guerra, encontramos adultos que renunciaram à presença, física e afetiva, negando a escuta e aumentando cada vez mais o abismo entre as gerações</strong>. No final, entregamos os adolescentes ao impulso da iniciação numa tentativa visceral de sentir e transformar, levando o que deveria ser simbólico para o literal, ignorando a demanda urgente de se testar o mundo através das suas próprias ações.</p>



<p>De acordo com <strong>HILLMAN</strong> (apud FRANKEL, 2021, p. 91), o sofrimento vivido nos rituais de iniciação leva o iniciado para outro plano, onde a inocência infantil dá lugar à dor e a necessidade de proteção. Assim, <strong>o indivíduo faz a passagem da infância para a vida adulta</strong>. Uma evolução compulsória, mas que merece e deve ser conduzida por um adulto experiente capaz de dar contorno e limite. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“<em>A adolescência como a conhecemos é um fenômeno moderno. Em sociedades antigas e culturas tribais, os adultos em geral deixavam rapidamente a infância por meio da participação em ritos de puberdade. [&#8230;] os adolescentes modernos devem tentar dizer adeus à infância sem o benefício desses ritos de passagem oferecidos pela sociedade. [&#8230;] Hoje, nossos jovens se empenham em alcançar a vida adulta de formas bastante perigosas, participando de seitas religiosas, abusando de substâncias cada vez mais nocivas, exibindo sintomas de anorexia, automutilação e tentativa de suicídio</em>.”</p>
<cite> (GENTRY apud FRANKEL, 2021, p. 88).</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-nossa-sociedade-contemporanea-desejou-tanto-se-distanciar-daquilo-que-consideramos-arcaico-e-primitivo-que-acabamos-unilateralizados" style="font-size:21px">A nossa sociedade contemporânea desejou tanto se distanciar daquilo que consideramos arcaico e primitivo que acabamos unilateralizados.</h2>



<p>Nesse contexto, estamos à margem da consciência individual, agindo sem consciência crítica sobre os nossos próprios atos. Porém, precisamos compreender que os rituais emergem a partir de uma necessidade coletiva para que a psique seja capaz de assimilar tantas mudanças que ocorrem durante a <strong>adolescência</strong>. Logo, a falta de espaço para que os jovens vivenciem esses ritos de passagem cria um lugar muito perigoso, solitário e autodestrutivo.</p>



<p>Nessa perspectiva, o analista, dentro do <em>setting </em>terapêutico, pode oferecer um espaço de escuta e reflexão individual, análogo aos rituais, para elaboração desses sentimentos, angústias e emoções que a <strong>adolescência</strong> provoca. Um local onde o adolescente pode se expressar e experienciar o simbólico dando sentido a essas transformações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-escuta-no-processo-terapeutico-do-adolescente"><strong>A escuta no processo terapêutico do adolescente</strong></h2>



<p>Uma vez que percebemos a solidão dos jovens e que é proporcional a intensidade de suas experiências de vida, o acompanhamento psicológico pode ser o espaço de acolhimento e contenção nessa etapa do desenvolvimento. O <em>setting </em>terapêutico pode e deve se tornar o lugar seguro para o compartilhamento de suas histórias. Nesse processo de escuta ativa do analista, ocorre também a escuta de si mesmo por parte do jovem em processo de análise, ou seja, a escuta da própria voz do adolescente que, muitas vezes, foi silenciada por conta dos valores morais, familiares e culturais. Segundo Frankel, precisamos estar atentos às imagens primordiais que caracterizam a <strong>adolescência</strong>:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“Choro, solidão, autopiedade, pensamento de morte, isolamento e longos períodos soturnos de tristeza são parte integrante da experiência adolescente, e estarmos atentos à prevalência dessas emoções e encontrar formas de mobilizá-las terapeuticamente diminui nossa tendência em patologizar em excesso esses estados mentais.” </em></p>
<cite>(2021, p.112).</cite></blockquote>



<p>A relação adolescente-terapeuta, se bem estabelecida, pode oferecer ao jovem a possibilidade de conexão direta e sem censura. Revelando e reelaborando sentimentos conflitantes, carências, rejeição, medos e, também, potências que ainda não foram descobertas e, por isso, não foram desenvolvidas. Precisamos limpar nossas mentes de ideias pré-concebidas e rótulos que estigmatizam a adolescência e abrir a nossa alma para os gritos desesperados por socorro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A adolescência perdida na ausência dos rituais de passagem" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/TGKrd8zhcEk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Membro Analista Didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>FRANKEL, Richard. A psique adolescente: perspectivas junguianas e winnicottianas. Edição Digital. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p>_____, Carl Gustav.&nbsp; Civilização em Transição. 5.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>_____, Carl Gustav.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 13.ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p>RENNÓ, Joel. Como anda a saúde dos jovens. Estadão. https://www.estadao.com.br/emais/joel-renno/como-anda-a-saude-mental-dos-jovens/ . Acessado em 30 de outubro de 2023</p>



<p>Site Faculdade de Medicina da USP. Pandemia é responsável por cerca de 36% dos casos de depressão em crianças e adolescentes. https://www.fm.usp.br/fmusp/noticias/pandemia-e-responsavel-por-cerca-de-36-dos-casos-de-depressao-em-criancas-e-adolescentes#:~:text=14%2F10%2F2021-,Pandemia%20%C3%A9%20respons%C3%A1vel%20por%20cerca%20de%2036%25%20dos%20casos,depress%C3%A3o%20em%20crian%C3%A7as%20e%20adolescentes&amp;text=Estudo%20realizado%20pela%20Faculdade%20de,e%20ansiedade%20durante%20a%20pandemia. Acessado em 30 de outubro de 2023.</p>



<p>Site UNICEF. Selo UNICEF tem recorde de adesões: 2.023 municípios em 18 estados. https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/selo-unicef-tem-recorde-de-adesoes-2023-municipios-em-18-estados. Acesso em: 30 outubro de 2023.</p>



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		<title>Pais e Mães entristecidos, filhos adoecidos: A dinâmica oculta na relação entre adultos e crianças</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/pais-e-maes-entristecidos-filhos-adoecidos-a-dinamica-oculta-na-relacao-entre-adultos-e-criancas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 22:22:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criança]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7470</guid>

					<description><![CDATA[<p>Segundo Laura Gutman, as crianças são ‘seres fusionais’, ou seja, que, para serem, precisam entrar em fusão emocional com os outros. Portanto, querendo ou não, reconhecendo ou não, pais e mães mantém uma relação intrínseca, corporal e emocional, com os seus filhos. Desconhecer a relação fusional da figura paterna e materna com a criança, afeta a dinâmica das famílias contemporâneas que não conseguem compreender as necessidades, angústias e carências físicas, emocionais e<br />
espirituais de seus filhos. Neste artigo, convido o leitor a refletir sobre essa relação psíquica oculta e como pais e mães entristecidos e inconscientes sobre seus aspectos<br />
ocultos impactam no desenvolvimento de seus filhos. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>“As crianças são <strong>‘seres fusionais’</strong>, ou seja, que, para serem, precisam entrar em fusão emocional com os outros. Esse ser com o outro é um caminho relativamente longo de construção psíquica em direção ao ‘eu sou’”. (GUTMAN, 2021, p. 24. Grifos da autora). Portanto, querendo ou não, reconhecendo ou não, pais e mães mantém uma relação intrínseca, corporal e emocional, com os seus filhos. Segundo Jung expõe, se a criança está de tal modo ligada à atitude psíquica dos pais, o que importa não são palavras boas e sábias, mas sim como eles agem e a vida real desses pais. (Cf. JUNG, 2021ª, p. 48-49).&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Podemos pensar então que, o desconhecimento sobre a <strong>relação fusional</strong> da figura paterna e materna com a criança e sobre a <strong>ligação psíquica familiar</strong>, afeta a dinâmica das famílias contemporâneas. Seja na clínica ou nas relações pessoais, encontramos cada vez mais mães e pais que não conseguem compreender as necessidades, angústias e carências físicas, emocionais e espirituais de seus filhos e, mesmo aqueles que dizem viver num ambiente sem brigas e com afeto, relatam as mesmas questões e desafios.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segundo a autora Gutman, todas as crianças se relacionam fusionalmente e esse processo acontece de forma lenta e gradual. Na fase recém-nascida até cerca de 2 anos, o bebê está fundido com a emoção da mãe ou figura materna, vivendo a relação que chamamos de bebê-mãe. E, à medida que cresce, esse laço vai sendo ampliado para o pai ou figura paterna até chegar nas outras pessoas que fazem parte dessa relação de cuidado, proteção e confiança. &nbsp;“A passagem da fusão à separação requer do ser humano longos 13 ou 14 anos, conforme cada indivíduo” (GUTMAN, 2021, p. 25).</p>



<p>“A criança tem uma psicologia singular. Assim como seu corpo, durante a vida embrionária, é uma parte do corpo materno, também sua mente, por muitos anos, constitui parte da atmosfera psíquica dos pais. Este fato esclarece de pronto porque muitas das neuroses infantis são muito mais sintomas das condições psíquicas reinantes entre os pais do que propriamente doença genuína da criança. Apenas em parte a criança tem psicologia própria; em relação à maior parte ainda depende da vida psíquica dos pais” (JUNG, 2021, p. 84).</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais esclarecimentos se fazem necessários para que possamos compreender como aspectos ocultos e/ou inconscientes dos pais afetam os filhos. E quando transferimos essa dinâmica psicológica para a nossa sociedade contemporânea onde, de acordo com dados da Organização Nacional de Saúde (OMS), somente no Brasil, cerca de 18,6 milhões de pessoas sofrem de <strong>transtorno de ansiedade</strong> e, segundo a revista Nursing, mais de 50% dos brasileiros afirmam que a sua <strong>saúde mental</strong> piorou nos últimos anos, abrir essa caixa de pandora do inconsciente materno e paterno se torna mais do que urgente. &nbsp;&nbsp;</p>



<p><strong>Uma sociedade doente é capaz de criar crianças felizes?</strong></p>



<p>Essa é uma pergunta bastante dura para quem, assim como eu, tem filhos. Mas justamente pelo incômodo e até certo pavor que ela causa que é preciso colocá-la na pauta das famílias, das escolas, das empresas e de toda a sociedade. Queremos ter crianças educadas, inteligentes, corajosas, gentis, saudáveis&#8230;, mas será que estamos aptos para favorecer esse desenvolvimento de forma equilibrada e positiva emocionalmente?!</p>



<p>A chegada de toda criança traz para seus pais a abertura de um grande portal. Um portal que os leva para um lugar desconhecido, ambíguo e cheio de antinomias. Porém, aqueles que arriscam atravessá-lo, têm a possibilidade de entrar num novo mundo. O mundo do autoconhecimento e, assim, possibilitar as crianças que se liberem das neuroses que rondam o inconsciente de seus cuidadores.</p>



<p>Entender que as crianças são seres fusionais é o caminho para entender a importância do “para que” a criança chora e adoece. Qual o propósito desses sintomas para essa família que sofre junta.</p>



<p>Neste sentido, podemos compreender que, enquanto a criança é uma oportunidade no caminho do <strong>autoconhecimento</strong> mais profundo, é também um processo desafiador, que gera muitas angústias, medos e confrontos com as mais profundas convicções. Na verdade, estamos falando sobre o contato direto com a sombra desses pais e mães, ou seja, daqueles aspectos ocultos presentes no inconsciente pessoal e que por uma necessidade adaptativa fomos adormecendo/esquecendo ou não valorizando ao longo da vida.</p>



<p>“[&#8230;] sombra, aquela personalidade oculta, recalcada, frequentemente inferior e carregadas de culpas, cujas ramificações se estendem até o reino de nossos ancestrais.&nbsp;&nbsp; A sombra não é constituída apenas de tendências moralmente repreensíveis, mas apresenta um certo número de boas qualidades: instintos normais, reações adequadas, impulsos criadores, e outros”. (JUNG, 2020, p. 312-13).</p>



<p>Entrar em contato com a sombra é ampliar a consciência sobre si mesmo e, querendo ou não, somos compostos de aspectos positivos e negativos, bons e maus, bonitos e feios e todas as dualidades que cabem em qualquer ser humano. Não à toa, todo processo de autoconhecimento gera crise. Porém, podemos olhar para uma experiência de crise como algo extremamente ruim ou uma possibilidade evolutiva.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando insistimos em negar a nossa <strong>sombra</strong>, e não seguir no caminho da ampliação da consciência, tais aspectos reaparecem no plano físico. E como diz Gutman (2021, p. 163), “essa materialização inconsciente dos aspectos ocultos de nossa alma se intitula sintoma”. Dentro do ambiente familiar, o <strong>adoecimento da criança</strong>, seja ele físico ou emocional, está diretamente ligado a essa relação fusional e inconsciente da dinâmica psíquica entre pai, mãe e filhos. Por isso, o processo de “cura” do mal-estar dos bebês e das crianças perpassa pela prontidão de seus pais em reconhecer, cuidar e ressignificar a sua parte oculta nessa história.</p>



<p>“Assim como os adultos precisam da doença para materializar e compreender com maior exatidão seus desequilíbrios, <strong>os bebês e as crianças pequenas também funcionam como espelho da desarmonia dos adultos com os quais estão em fusão</strong>” (GUTMAN, 2021, p. 168-69. Grifos da autora).</p>



<p>              Portanto, cuidar das nossas crianças inclui se preocupar com bem-estar delas, suprindo suas necessidades básicas. Mas para além disso, perguntar-se verdadeiramente o que está em desequilíbrio na família e o que não está sendo dito, encarado e reconhecido. O sintoma pode ser a possibilidade de nos questionarmos sobre os nossos aspectos inconscientes e buscar colocar luz na nossa escuridão.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disso, como responder à questão: <strong>uma sociedade doente é capaz de criar crianças felizes?</strong></p>



<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </strong>Talvez não exista uma resposta clara e simples para essa questão. E, de fato, a proposta deste artigo não é trazer uma resposta, mas sim propor uma reflexão sobre o quanto nós, mães e pais, atravessamos o <strong>desenvolvimento psíquico</strong> dos nossos filhos quando estamos inconscientes sobre nós mesmos. Minha singela intenção ao escrever estas linhas não é sentenciar, mas sim, quem sabe, despertar dentro de cada pai e mãe a fagulha para o processo de autoconhecimento. Por mais angustiante e perturbador que possa ser reconhecer o desconhecido em si, somente quando nos tornamos conscientes sobre quem de fato somos é que temos a possibilidade de transformar. Portanto, ao invés de dar uma resposta, gostaria de propor um novo questionamento: <strong>vamos criar filhos felizes ou filhos com coragem para viver?!</strong> &nbsp;</p>



<p>Clarisse Grand Court – Analista Junguiana em Formação pelo IJEP</p>



<p>Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata.</p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>ANDRADE, Jéssica. Mommy Burnout: conheça a síndrome do esgotamento mental materno. Correio Brasiliense. 2022. <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2022/04/4999262-mommy-burnout-conheca-a-sindrome-do-esgotamento-mental-materno.html">https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2022/04/4999262-mommy-burnout-conheca-a-sindrome-do-esgotamento-mental-materno.html</a>. Acesso em: 18 agosto de 2022.</p>



<p>Revista Nursing. Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS. <a href="http://www.revistanursing.com.br/brasil-e-o-pais-mais-ansioso-do-mundo-segundo-oms/#:~:text=Dados%20da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,no%20topo%20do%20ranking%20mundial">http://www.revistanursing.com.br/brasil-e-o-pais-mais-ansioso-do-mundo-segundo-oms/#:~:text=Dados%20da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,no%20topo%20do%20ranking%20mundial</a>. Acesso em: 22 novembro de 2022.</p>



<p>Site PEBMED. Saúde mental de 53% dos brasileiros piorou entre 2020 e 2021, aponta estud.o <a href="https://pebmed.com.br/saude-mental-de-53-dos-brasileiros-piorou-entre-2020-e-2021-aponta-estudo/#:~:text=Mais%20de%2050%25%20dos%20brasileiros%20afirmaram%20que%20sua%20sa%C3%BAde%20emocional,74%20anos%2C%20de%20forma%20online">https://pebmed.com.br/saude-mental-de-53-dos-brasileiros-piorou-entre-2020-e-2021-aponta-estudo/#:~:text=Mais%20de%2050%25%20dos%20brasileiros%20afirmaram%20que%20sua%20sa%C3%BAde%20emocional,74%20anos%2C%20de%20forma%20online</a>. Acesso em: 22 novembro de 2022.</p>



<p>GUTMAN, Laura <em>A maternidade e encontro com a própria sombra</em>. 21.ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2021.</p>



<p>GUTMAN, Laura <em>O poder do discurso materno</em>. 5.ed. São Paulo: Ágora, 2019.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav.&nbsp; Aion: ESTUDO SOBRE SIMBOLISMO DO SI-MESMO. 10.ed. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p>______.&nbsp; O desenvolvimento da personalidade. 14.ed. Petrópolis: Vozes, 2021a.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Pais e Mães entristecidos, filhos adoecidos: A dinâmica oculta narelação entre adultos e crianças" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/h2DxWeLzj60?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Mommy Burnout: o adoecimento materno na perspectiva Junguiana</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/mommy-burnout-o-adoecimento-materno-na-perspectiva-junguiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clarisse Grand Court]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2022 12:29:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Complexo Materno]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[mommy burnout]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=6686</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma pesquisa realizada pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, mostrou que atualmente 68% das mães que trabalham fora estão adoecidas com sintomas da mais nova síndrome da contemporaneidade: Mommy Burnout – apresentando sensação de exaustão, tensão emocional e estresse crônico gerados pela rotina materna. São mães que se sentem infelizes e incapazes de cuidarem de seus filhos. Neste artigo, proponho ampliar esse sofrimento sob a ótica Junguiana, onde essa não felicidade pode ser compreendida a partir da desconexão com os instintos maternos transgeracionais. Ao longo de décadas, as mulheres evoluíram, alcançaram espaços na sociedade, conquistando mais protagonismo, respeito e responsabilidades. Por outro lado, se distanciaram dos saberes da maternagem que constituem o arquétipo da Grande Mãe, seja de forma consciente ou inconsciente, acreditando que não sabem nutrir, acolher e cuidar. A necessidade de adequação na sociedade patriarcal e machista atual, transformou a forma de ser, pensar, agir e sentir do feminino, onde os aspectos da Grande Mãe foram colocados na sombra. Desta forma, observamos mães adoecidas, perdidas, vivendo a luta da maternidade real versus a idealizada.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O <strong>espírito de uma época</strong> reflete muito sobre como uma sociedade experimenta a vida, integrando ou sublimando seus complexos e sombras coletivas. <strong>Jung </strong>aponta em sua obra que o espírito da época é um caso especial, que representa o princípio e o motivo de certas concepções, julgamentos e ações de natureza coletiva (cf. JUNG, 2021, p. 209).</p>



<p>Diante dessa perspectiva, faz sentido pensar que o espírito da contemporaneidade reflete uma maternagem adoecida, desconectada de seus instintos e carregada de culpa e sofrimento. Vivemos hoje numa sociedade patriarcal que, de forma direta e indireta, leva muitas mães a viverem em sofrimento, com baixa autoestima, esgotamento físico e mental.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mommy-burnout"><em>Mommy Burnout</em></h2>



<p>E, mais recentemente, com a síndrome <em><strong>Mommy Burnout</strong></em> – sensação de exaustão, tensão emocional e estresse crônico gerados pela rotina materna (<em>burnout</em> é uma doença listada no Grupo V da CID-10 &#8211; Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde).</p>



<p>De acordo com um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos,&nbsp;68% das mães que trabalham enfrentam sintomas de&nbsp;<em>burnout</em>.&nbsp;E, segundo a pesquisa, o&nbsp;<em>burnout</em> parental é caracterizado pela exaustão física, emocional e mental devido às demandas contínuas de cuidar dos filhos. Em muitos casos, os sintomas aparecem como sentimento de raiva ou ressentimento por ter que cuidar das crianças.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diante-dos-relatos-apresentados-por-muitas-mulheres-percebemos-algo-em-comum-a-muitas-delas-o-sentimento-de-tristeza-por-nao-conseguirem-vivenciar-a-felicidade-de-serem-maes-no-seu-dia-a-dia" style="font-size:18px">Diante dos relatos apresentados por muitas mulheres, percebemos algo em comum a muitas delas: o sentimento de tristeza por não conseguirem vivenciar a felicidade de serem mães no seu dia a dia. </h2>



<p>Ampliando esse sofrimento para algo além da emoção, proponho pensar essa não felicidade como uma ausência de saber interior que leva as mães a desconhecerem a sua própria cria, desconhecerem a si mesma enquanto mães. </p>



<p>A configuração histórica da sociedade patriarcal foi o primeiro passo na inibição dos aspectos femininos primordiais, tratando como inferior elementos tão fundamentais para o desenvolvimento emocional e psíquico da humanidade, tais como o ato de intuir, cuidar, nutrir e acolher. Podemos dizer que essas características não ganharam espaço no mercado de trabalho e, consciente ou inconscientemente, a adaptação das mulheres ao mundo exterior exigiu delas uma sublimação histórica do feminino arcaico, que constitui o que Jung nos apresenta como arquétipo da Grande Mãe. E, como todo arquétipo, é um aspecto psíquico, eficiente auxiliar das adaptações instintivas e com características duais/antinômicas.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>[&#8230;] as circunstâncias forçaram a mulher a adquirir alguns traços masculinos, para não permanecer atrelada a uma feminilidade arcaica e puramente instintiva, estranha e perdida no mundo dos homens, como uma espécie de ‘boneca’ imaterial.</em></p>
<cite>(JUNG, 2017, p. 136-7)</cite></blockquote>



<p>Tal constituição histórica-comportamental levou as mulheres que ousaram entrar no mercado de trabalho, mantendo vivo dentro de si o desejo da maternidade, a viverem o conflito da maternidade idealizada&nbsp;<em>versus</em>&nbsp;maternidade possível. Porém, em muitos casos, a desconexão com seus instintos femininos primários as conduz a uma maternagem perdida, com a energia psíquica dirigida para o rendimento no trabalho, ao invés de estarem dirigidas para o afeto, os instintos, a maternidade.</p>



<p>Nesse sentido, a desconexão com os instintos femininos distanciou e modificou a relação da mulher com o arquétipo primordial da Grande Mãe, interferindo na forma como percebemos o mundo e vivemos a vida. Levamos para dentro de casa os aspectos psicológicos do masculino em detrimento do feminino, quando, na verdade, deveríamos experimentar a vida reconhecendo em si ambos os aspectos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-levamos-o-mundo-patriarcal-do-trabalho-para-dentro-de-nossas-casas-e-assim-adequamos-a-maternidade-assumindo-metas-de-performance-buscando-cumprir-um-papel-de-mae-perfeita-e-ideal" style="font-size:19px">Levamos o mundo patriarcal do trabalho para dentro de nossas casas, e assim, “adequamos” a maternidade, assumindo metas de performance, buscando cumprir um papel de mãe perfeita e ideal.</h2>



<p><strong>Trocamos o maternar pelo organizar, abrindo mão do intuitivo e instintivo pelo racionalismo intelectual</strong>.</p>



<p>Uma unilateralização que trouxe um desequilíbrio psíquico-social, pois quando nos identificamos em demasia com um lado corremos o risco de sermos “tomados” pelo outro. Podemos aqui referenciar a sábia expressão popular que diz: “<strong>nem tanto ao mar, nem tanto à terra</strong>”. Porém, de geração em geração fomos aprendendo que o feminino é algo desqualificável, enquanto o masculino é algo que deve ser super valorizado. Ou seja, uma sociedade que só sabe viver na polaridade: ou no mar ou na terra.</p>



<p>A psicologia profunda nos mostra que todo comportamento humano tem um arquétipo correspondente. Portanto, se de um lado temos os instintos enquanto potência e de natureza biológica. Do outro, temos os arquétipos que são potências a serem vividas por toda a humanidade, ao qual damos “forma” de acordo com as experiências individuais de cada um. Neste caso, podemos entender que a maternidade é um instinto e que, portanto, pode ser psiquificado, e a maternagem é um arquétipo presente no inconsciente coletivo, universal, transgeracional e acessível a todos os seres humanos.&nbsp;</p>



<p>Desta maneira, fomos nos distanciando dos saberes primordiais, trazendo um discurso “evolutivo” e mais “moderno”. No entanto, o adoecimento materno mostra o quanto ficamos <strong>unilateralizadas</strong>, desconectadas dos nossos instintos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-adaptamos-a-vida-contemporanea-e-modificamos-certos-padroes-de-comportamento-inclusive-no-que-se-refere-aos-aspectos-ligados-a-maternagem" style="font-size:19px">Nos adaptamos à vida contemporânea e modificamos certos padrões de comportamento, inclusive no que se refere aos aspectos ligados à maternagem.</h2>



<p>De acordo com a autora <strong>Laura Gutman</strong>, nós mulheres, nos tornamos prisioneiras com medo e compensações desesperadas:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Podemos trabalhar e ganhar dinheiro. Podemos chegar a postos de poder político e econômico. Mas se nós, mulheres, continuarmos caminhando pelo nicho cego da repressão [&#8230;] se não reconhecermos a repressão e a dureza que paralisa nosso corpo, se não estivermos dispostas a ouvir nossas batidas uterinas, se não oferecemos o peito e os braços para refúgio da cria, então estamos nos tornando artífices indispensáveis da violência do mundo. E o resultado é que sem amor próprio não há liberdade [&#8230;]. Ou seja, seremos todos prisioneiros de nossa ira de nosso terror. </em></p>
<cite>(GUTMAN, 2019, p. 130)</cite></blockquote>



<p><strong>Para entrar em contato com a dor dessas mães aturdidas e perdidas é fundamental, antes de tudo, nos despirmos dos conceitos pré-concebidos e enraizados na nossa cultura patriarcal contemporânea</strong>. Se faz urgente e necessário acolher essas mães na clínica <strong>empaticamente </strong>para que elas possam reconhecer seus aspectos sombrios, individuais e coletivos, que causam tanto sofrimento e as impedem de exercer uma maternagem menos carregada de culpa.</p>



<p>Nesse sentido, é preciso apoiar, psíquica e emocionalmente, essas mulheres na reconexão com os saberes da maternagem para que elas possam se sentir seguras e potentes, assumindo integralmente o papel de mãe que lhes é possível. Compreender que, assim como os arquétipos, nós humanos também somos <strong>duais</strong> e temos em nosso interior aspectos de luz e sombra, a mãe boa e a mãe má, a autoconfiança e a insegurança, a coragem e o medo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-reconhecer-essas-dicotomias-nos-permite-assumir-nossa-face-humana-perante-a-vida">Reconhecer essas dicotomias nos permite assumir nossa face humana perante a vida.</h2>



<p>A partir dessa reconexão, seguimos no caminho contrário ao vivido pela contemporaneidade perdida. Um padrão que conduz as mulheres a acreditarem que nada sabem sobre a maternagem e a buscarem fora de si ensinamentos, dogmas e <em>modus operandi</em>. Não podemos esquecer que, pelo fato de vivermos sob as leis do patriarcado, nos adaptando às regras e aos códigos de conduta “esperados” e “desejados” ao longo dos anos. Acreditamos que “temos objetividade para pensar, mas na realidade estamos todos dentro do mesmo nicho, que é o nicho do patriarcado” (GUTMAN, 2019, p. 130). </p>



<p>O que buscamos nessa condução clínica é “convidar” as mães a terem uma ampliação de consciência sobre si-mesmas e seus saberes internos e transgeracionais. Uma vez que a desconexão com os instintos primordiais é a fonte primária da nova síndrome contemporânea Mommy Burnout, que tanto cresce no Brasil e no mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-integracao-do-consciente-com-o-inconsciente-busca-provocar-um-equilibrio-posterior-a-tensao-entre-os-polos-trazendo-uma-saida-criativa" style="font-size:20px">Essa integração do consciente com o inconsciente busca provocar um equilíbrio, posterior à tensão entre os polos, trazendo uma saída criativa.</h2>



<p>Nesse contexto, busca-se um novo lugar para essa maternagem, onde a mulher pode e deve buscar ser uma mãe única, singular e <strong>possível</strong>. E não mais aprisionada, vulnerável e identificada com a <strong>mãe idealizada</strong>. </p>



<p>Essa ampliação de consciência é uma retomada do protagonismo feminino diante da maternidade. Uma experiência que só pode ser vivida plenamente se conectada aos<strong> instintos</strong> femininos. Precisamos compreender que a tomada de consciência dos nossos mecanismos, requer observação e compreensão e demanda <strong>tempo</strong>. <strong>Um tempo que não é cronológico, mas um tempo individual e silencioso</strong>. </p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/clarissegrand/">Clarisse Grand Court – Analista em Formação pelo IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/cristinaguarnieri/">Maria Cristina Mariante Guarnieri – Analista didata IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>ANDRADE, Jéssica. Mommy Burnout: conheça a síndrome do esgotamento mental materno. Correio Brasiliense. 2022.&nbsp;<a href="https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2022/04/4999262-mommy-burnout-conheca-a-sindrome-do-esgotamento-mental-materno.html">https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2022/04/4999262-mommy-burnout-conheca-a-sindrome-do-esgotamento-mental-materno.html</a>. Acesso em: 18 agosto de 2022.</p>



<p>ARMENDRO, Nathália. Burnout Materno<em>. Crescer</em>, São Paulo, 2020.&nbsp;<a href="https://revistacrescer.globo.com/Saude/noticia/2020/09/burnout-materno-choro-por-nao-conseguir-vivenciar-felicidade-de-ser-mae-no-meu-dia-dia-diz-mae.html">https://revistacrescer.globo.com/Saude/noticia/2020/09/burnout-materno-choro-por-nao-conseguir-vivenciar-felicidade-de-ser-mae-no-meu-dia-dia-diz-mae.html</a>. Acesso em: 22 maio de 2022.&nbsp;</p>



<p>GUTMAN, Laura&nbsp;<em>O poder do discurso materno</em>. 5.ed. São Paulo: Ágora, 2019.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11.ed. Petrópolis: Vozes, 2021.</p>



<p>______ <em>Civilização em transição</em>. 6.ed. Petrópolis: Vozes, 2017.</p>



<p>Acesse nosso site: <a href="https://www.ijep.com.br/">https://www.ijep.com.br/</a></p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/mommy-burnout-o-adoecimento-materno-na-perspectiva-junguiana/">Mommy Burnout: o adoecimento materno na perspectiva Junguiana</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
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