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	<title>Lorena Oliveira, Autor em Blog IJEP</title>
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	<description>Artigos do IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 17 Feb 2026 20:25:53 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Lorena Oliveira, Autor em Blog IJEP</title>
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	<item>
		<title>A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 00:16:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pais e Filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente familiar]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento da personalidade]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento infantil]]></category>
		<category><![CDATA[formação do ego]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>
		<category><![CDATA[Neumann]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</p>
<p>O post <a href="https://blog.ijep.com.br/a-dinamica-familiar-e-a-consolidacao-egoica/">A Dinâmica Familiar e a Consolidação Egóica</a> apareceu primeiro em <a href="https://blog.ijep.com.br">Blog IJEP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:18px"><strong><em>Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</em></strong></p>



<p style="font-size:18px">Desde o nascimento, todo indivíduo é acolhido em um contexto previamente estabelecido, marcado por uma determinada cultura, por padrões sociais, por códigos morais e por costumes específicos de seu tempo histórico. Esse ambiente inicial também é configurado por uma constelação familiar singular, que oferece à criança sua primeira moldura de sentido e pertencimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-primeiros-momentos-de-vida-a-relacao-da-crianca-com-seus-cuidadores-ocorre-em-um-estado-que-jung-descreve-como-participation-mystique" style="font-size:18px">Nos primeiros momentos de vida, a relação da criança com seus cuidadores ocorre em um estado que Jung descreve como <em>participation mystique</em>.</h2>



<p style="font-size:18px">O termo, originalmente utilizado por <strong>Lévy-Bruhl</strong> ao estudar sociedades tradicionais e originárias, refere-se a uma forma de experiência na qual não se distingue plenamente entre aquilo que pertence ao indivíduo e aquilo que pertence ao grupo ou ao mundo ao redor. Trata-se de uma vivência psíquica sem separação rígida entre sujeito e objeto, marcada por uma identidade indiferenciada e profundamente conectada ao inconsciente (JUNG, 2013a).</p>



<p style="font-size:18px">Partimos de uma formação como homens e como humanidade de uma fusão grupal, representada pela mescla urobórica, para só então atingirmos a individualidade promovida pelo complexo de ego. Muito embora não haja uma espécie de ‘psique objetiva de grupo’ apartada dos seus componentes, <strong>Eric Neumann</strong> (2014, p. 197) afirma que, nos grupos primevos, as diferenças individuais podiam ser percebidas e havia espaço para relativa independência.</p>



<p style="font-size:18px">A criança, especialmente nos primeiros anos de vida, também passa por um processo de identificação inconsciente com o grupo ao qual pertence. Ela se vincula aos pais de maneira não consciente, permanecendo imersa no campo psíquico familiar e manifestando tanto as dificuldades quanto os progressos presentes nesse ambiente.</p>



<p id="h-neste-artigo-serao-discutidos-o-desenvolvimento-da-consciencia-na-infancia-a-influencia-do-contexto-familiar-sobre-a-vida-psiquica-e-o-papel-fundamental-dos-pais-nesse-percurso" style="font-size:18px">Neste artigo, serão discutidos o desenvolvimento da consciência na infância, a influência do contexto familiar sobre a vida psíquica e o papel fundamental dos pais nesse percurso.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-formacao-do-ego-ocorre-de-maneira-progressiva" style="font-size:18px">A formação do ego ocorre de maneira progressiva.</h2>



<p style="font-size:18px">Antes que a consciência se estabeleça, o indivíduo permanece no âmbito do inconsciente, e o self já está presente antes mesmo da constituição egóica. Nos primeiros anos de vida, enquanto o complexo do ego ainda não está claramente delimitado, grande parte da personalidade funciona de forma inconsciente. Nesse período, segundo Erich Neumann (1995, p. 112), o que existe é uma “consciência do self”.</p>



<p style="font-size:18px">Ao chegar ao mundo, o ser humano encontra-se em um estágio pré-egóico, vivenciando aquilo que se denomina estado urobórico, representado pelo uroboros, a serpente que devora a própria cauda. Nessa fase, não há distinção de opostos na experiência psíquica; tudo é percebido como uma unidade. Neste ponto, a figura materna, materializada na mãe real, tem um peso expressivo de grande magnitude, pois mesmo após o nascimento, a criança ainda está imersa na mãe. Nesta ligação mãe e filho, há uma unidade primária entre eles.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-discute-amplamente-esse-tema-em-sua-obra-a-crianca-que-servira-como-referencia-central-para-a-exposicao-dos-estagios-de-formacao-do-ego" style="font-size:18px"><strong>Neumann</strong> discute amplamente esse tema em sua obra <em>A Criança</em>, que servirá como referência central para a exposição dos estágios de formação do ego.</h2>



<p style="font-size:18px">De acordo com o autor, a vivência urubórica presente no início da vida ultrapassa a noção de uma psique indiferenciada, abrangendo uma conexão total com o ambiente. Para o bebê, ainda não existe uma separação entre “interno” e “externo”; tudo é percebido como um campo único e contínuo. <strong>Sua experiência do mundo ocorre por meio do corpo e das sensações mediadas pela mãe</strong>.</p>



<p style="font-size:18px">Mãe e filho permanecem simbolicamente unidos mesmo após o nascimento, como se a criança ainda estivesse envolta pelo útero. Suas necessidades fisiológicas, como fome, desconforto e busca por aconchego, são experimentadas de forma imediata e encontram alívio apenas por intermédio do cuidado maternal. Cuidado este que pode estar materializado na figura propriamente da mãe, do pai ou de um cuidador que incorpore este papel materno diante da bebê. Assim sendo, estabelece-se uma identidade biopsíquica entre o corpo do bebê e o mundo que o circunda (NEUMANN, 1995, p. 12).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essa-uniao-primordial-constitui-o-alicerce-de-toda-a-vida-relacional" style="font-size:18px">Essa união primordial constitui o alicerce de toda a vida relacional.</h2>



<p style="font-size:18px">Na perspectiva junguiana, é nesse estágio pré-egóico que o self atua como totalidade psíquica originária, enquanto o ego ainda está em formação. A qualidade do vínculo inicial, marcado pela segurança, acolhimento e previsibilidade das respostas maternas, torna-se fundamental não só para o desenvolvimento do ego, mas também para a construção da confiança básica que sustentará os futuros laços sociais. Assim, a experiência de imersão no materno não apenas organiza as primeiras percepções corporais da criança, mas também molda a maneira como ela se abrirá ao mundo e às demais relações ao longo da vida.</p>



<p style="font-size:18px">Ao analisar historicamente e antropologicamente diferentes culturas, Neumann estabelece uma analogia entre a organização dos agrupamentos humanos e o processo de amadurecimento da personalidade individual. Ele observa que sociedades consideradas tradicionais mantinham uma forte fusão entre o coletivo e o individual, em que predominava a inconsciência coletiva sobre a consciência pessoal. Nesses contextos, as estruturas egóicas eram incipientes ou pouco desenvolvidas, e a organização social sob influência do princípio matriarcal refletia uma vivência psíquica mergulhada no inconsciente. O ser humano, ligado profundamente ao ambiente, experienciava uma identidade simbiótica com o mundo, marcada pela <em>participation mystique</em>. De modo semelhante, a criança inicia sua vida psíquica no interior de um estado inconsciente matriarcal, do qual gradualmente se diferencia à medida que o ego emerge.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-neumann-igualmente-descreve-uma-sequencia-evolutiva-na-formacao-do-ego-que-transita-simbolicamente-do-matriarcado-ao-patriarcado" style="font-size:18px">Neumann igualmente descreve uma sequência evolutiva na formação do ego que transita simbolicamente do matriarcado ao patriarcado.</h2>



<p style="font-size:18px">Os estágios iniciais, considerados inferiores ou primordiais, estão vinculados ao princípio materno e à relação primal com o inconsciente. Nos estágios posteriores, denominados superiores ou solares, ocorre a ascensão do princípio paterno, relacionado ao desenvolvimento da consciência, da diferenciação e à aproximação com a dimensão masculina do self. Esse movimento expressa não apenas uma mudança estrutural da personalidade, mas também um deslocamento arquetípico: da acolhida materna inconsciente para a direção e ordenação do arquétipo paterno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-o-ego-comeca-a-adquirir-atividade-propria-o-que-neumann-descreve-como-o-aparecimento-do-ego-ativo-ele-passa-por-etapas-progressivas-ate-sua-consolidacao" style="font-size:18px">Quando o ego começa a adquirir atividade própria, o que Neumann descreve como o aparecimento do ego ativo, ele passa por etapas progressivas até sua consolidação.</h2>



<p style="font-size:18px">Entre elas estão os estágios fálicos, divididos em fálico-ctônico e mágico-fálico. Nessas fases, a criança vive um senso de totalidade e uma percepção do corpo relativamente autônoma, embora ainda profundamente permeada pelo inconsciente. A vivência permanece transpessoal e unificada, pois a consciência ainda não produziu a separação entre polos opostos. Como afirma Neumann (1995, p. 112), nesse período “a criança possui uma consciência flutuante, instável e não localizada, uma consciência de Self”.</p>



<p id="h-esse-carater-ainda-indiferenciado-da-experiencia-infantil-corresponde-ao-momento-em-que-o-ego-esta-em-formacao-emergindo-gradualmente-da-matriz-inconsciente-que-o-sustenta" style="font-size:18px"><strong>Esse caráter ainda indiferenciado da experiência infantil corresponde ao momento em que o ego está em formação, emergindo gradualmente da matriz inconsciente que o sustenta.</strong></p>



<p style="font-size:18px">No estágio inicial, denominado fálico-ctônico, a psique incipiente opera sob a influência predominante do inconsciente coletivo e do arquétipo da Grande Mãe, refletindo uma fase essencialmente matriarcal e inconsciente. O ego em gestação permanece flutuante e guiado por processos inconscientes. A progressão deste estágio se dá de uma fase vegetativo-passiva para uma manifestação mais ativa, instintiva e animal, coincidente com o desenvolvimento da locomoção e a orientação do impulso libidinal para o exterior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-transicao-para-o-segundo-estagio-o-magico-falico-assinala-o-inicio-da-estruturacao-da-consciencia" style="font-size:18px">A transição para o segundo estágio, o mágico-fálico, assinala o início da estruturação da consciência.</h2>



<p style="font-size:18px">Embora o ego permaneça inserido na esfera de influência matriarcal, e o self seja experienciado de forma corporal e integrada ao inconsciente, emerge uma atividade mais delineada. Esta etapa é marcada pelo surgimento de uma posição mais ativa do ego e uma busca antropocêntrica, na qual o ego começa a se consolidar como o centro organizador da consciência, demarcando o início da diferenciação em relação ao inconsciente coletivo indiferenciado.</p>



<p style="font-size:18px">No estágio seguinte, o mágico-guerreiro, o ego inicia sua diferenciação do inconsciente, buscando a libertação da influência da Grande Mãe arquetípica por meio de um movimento de oposição ativo. Este processo exige um distanciamento da figura da mãe pessoal, que carrega a projeção do arquétipo, em direção à esfera patriarcal, marcando uma fase crucial de separação.</p>



<p style="font-size:18px">As fases solares, que compreendem os quarto e quinto estágios (solar-guerreiro e solar-racional), denotam um ego com maior autonomia e assertividade (Neumann, 1995, p. 137). A evolução da consciência progride de características de um &#8220;caçador&#8221; e &#8220;guerreiro devorador&#8221;, que luta pela sua existência e diferenciação, para aspectos mais elevados e espirituais da paternidade, simbolizados pela figura do pai celestial. Esta transição entre as esferas matriarcal e patriarcal também coincide com a paulatina diferenciação das expressões do masculino e feminino na personalidade, culminando na independência clara do ego nas fases solares.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-ambiente-familiar-na-formacao-do-ego" style="font-size:18px"><strong>O ambiente familiar na formação do ego</strong></h2>



<p style="font-size:18px">A construção do ego acontece de maneira progressiva e é profundamente marcada pelas experiências externas que a criança recebe desde muito cedo. A consciência, por sua vez, emerge gradualmente do inconsciente, que lhe é anterior, e se apoia em uma herança psíquica comum a toda a humanidade: os arquétipos e os instintos, que conectam o ser humano atual às gerações ancestrais.</p>



<p style="font-size:18px">Embora cada sujeito percorra seu próprio caminho de desenvolvimento, existem padrões gerais que caracterizam esse processo como essencialmente transpessoal. Um dos movimentos centrais é o afastamento progressivo do ego em relação ao inconsciente, formando o eixo ego–self, estrutura pela qual a personalidade se organiza numa oscilação constante entre o mundo interno e o contexto externo. Neumann descreve esse movimento inicial como matriarcal, pois é conduzido pelo inconsciente, de onde surge a consciência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nos-primeiros-tempos-de-vida-antes-do-estabelecimento-do-ego-a-crianca-permanece-em-um-estado-uroborico-como-mencionado-anteriormente-marcado-por-uma-intensa-fusao-emocional-e-psiquica-com-o-ambiente-especialmente-com-a-mae-figura-que-simboliza-o-arquetipo-materno" style="font-size:18px">Nos primeiros tempos de vida, antes do estabelecimento do ego, a criança permanece em um estado urobórico, como mencionado anteriormente, marcado por uma intensa fusão emocional e psíquica com o ambiente. <strong>Especialmente com a mãe</strong>, <strong>figura que simboliza o arquétipo materno</strong>.</h2>



<p style="font-size:18px">Posteriormente, passa-se para a etapa patriarcal, associada às identificações com a figura paterna. Para Jung, a constituição plena da individualidade só começa a ocorrer quando a criança consegue referir-se a si mesma como “eu” &#8211; algo que geralmente se dá entre os três e cinco anos de idade (JACOBY, 2010, p. 121). Nesse período inicial, sobretudo antes do ingresso na escola, o impacto da família é determinante, podendo inclusive desencadear conflitos emocionais e dificuldades psíquicas na criança.</p>



<p id="h-a-familia-e-o-primeiro-ambiente-em-que-a-crianca-observa-imita-e-aprende-modos-de-agir" style="font-size:18px">A família é o primeiro ambiente em que a criança observa, imita e aprende modos de agir. Nos primeiros anos, esse convívio intenso faz dela um verdadeiro “centro de gravidade emocional”, onde a identidade e o caráter começam a se formar sob a influência das diferentes personalidades presentes (ZWEIG; ABRAMS, 1994). Nesse estágio de forte dependência, algo natural ao desenvolvimento psíquico infantil, qualquer perturbação pode afetar seu crescimento saudável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-ressalta-que-a-mente-da-crianca-e-extremamente-sensivel-as-influencias-do-meio-absorvendo-impressoes-profundas-dos-pais-inclusive-conteudos-nao-verbalizados-ou-inconscientes" style="font-size:18px">Jung ressalta que a mente da criança é extremamente sensível às influências do meio, absorvendo impressões profundas dos pais, inclusive conteúdos não verbalizados ou inconscientes:</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:18px"><blockquote><p>Se nós, adultos, nos mostramos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou.</p><cite>(JUNG,1995, p. 496)</cite></blockquote></figure>



<p style="font-size:18px">Por ainda viverem em participação mística com as figuras parentais, as crianças captam tanto os comportamentos visíveis, quanto o movimento psíquico interno dos pais. Assim mesmo quando os adultos tentam controlar seus complexos, sua energia inconsciente continua atuando e repercutindo na psique infantil, pois, como observa Jung, os complexos têm força contagiante e alcançam a criança mesmo sem intenção.</p>



<p style="font-size:18px">Com a entrada na escola, a criança passa a se afastar gradualmente da influência direta dos pais e o ambiente escolar assume um papel importante nesse processo de autonomia. Por isso, Jung (2013b) destaca que educadores deveriam ter consciência da responsabilidade que exercem na formação da personalidade infantil, investindo em autoconhecimento e amadurecimento para poderem educar de forma mais íntegra.</p>



<p style="font-size:18px">Ainda assim o ambiente familiar continua exercendo forte impacto sobre a expressão individual da criança. Os pais transmitem condicionamentos emocionais e padrões afetivos que influenciam profundamente a formação da psique e da consciência nos primeiros anos de vida. Zweig e Abrams (1994) lembram que todos recebemos uma “herança psicológica” que inclui aspectos da sombra familiar, valores, hábitos, tensões e até problemas não resolvidos pelos próprios pais, que podem se manifestar na criança como dificuldades de socialização. Jung reforça que, nesse início, a criança tende a mergulhar no inconsciente parental, reproduzindo padrões que atravessam gerações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-analise-do-desenvolvimento-infantil-evidencia-que-a-consolidacao-do-ego-e-um-processo-profundamente-vinculado-ao-ambiente-familiar-e-as-primeiras-relacoes-estabelecidas-pela-crianca" style="font-size:18px">A análise do desenvolvimento infantil evidencia que a consolidação do ego é um processo profundamente vinculado ao ambiente familiar e às primeiras relações estabelecidas pela criança. </h2>



<p id="h-a-analise-do-desenvolvimento-infantil-evidencia-que-a-consolidacao-do-ego-e-um-processo-profundamente-vinculado-ao-ambiente-familiar-e-as-primeiras-relacoes-estabelecidas-pela-crianca" style="font-size:18px">Desde o nascimento, as vivências emocionais, os vínculos formados e a qualidade do cuidado recebido moldam a base sobre a qual a consciência se estrutura. A família, com seus padrões afetivos, valores e conteúdos conscientes e inconscientes, exerce influência determinante sobre esse percurso inicial, deixando marcas que podem favorecer o crescimento ou gerar conflitos que se prolongam ao longo da vida. Embora transitar por outro meio sociais, como o ambiente escolar, amplie o universo da criança e introduza novas referências, é no seio da família que se encontram os primeiros alicerces da personalidade que acompanharão o indivíduo em sua trajetória. Assim, compreender a dinâmica familiar e seu impacto na formação psíquica é fundamental para reconhecer como se constitui a formação egóica e como se perpetuam tendências que atravessam gerações.</p>



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</div></figure>



<p style="font-size:18px"><strong><a href="https://blog.ijep.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira &#8211; Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:18px"><a href="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/" type="link" id="https://blog.ijep.com.br/author/simonemagaldi/"><strong>Simone Magaldi</strong> &#8211; <strong>Analista Didata IJEP</strong></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas"><strong>Referências bibliográficas</strong>:</h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p>______, A vida simbólica. Vol. 1, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p>______, Estudos Experimentais, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 1995.</p>



<p>______, Freud e a psicanálise, 16 ª edição, Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p>______, O desenvolvimento da personalidade, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p>NEUMANN, Erich, A criança: Estrutura e dinâmica da personalidade em</p>



<p>desenvolvimento desde o início de sua formação, 10ª edição, São Paulo: Editora Cultrix, 1995.31</p>



<p>ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs.). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana, São Paulo: Editora Cultrix, 1994</p>



<p><a href="http://www.ijep.com.br">www.ijep.com.br</a></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Isolamento e solidão no mundo hiperconectado</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/isolamento-e-solidao-no-mundo-hiperconectado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jun 2025 16:29:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades]]></category>
		<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resumo: O texto aborda a solidão como uma experiência essencial da condição humana, que se expressa de formas distintas conforme o contexto histórico e cultural. No mundo contemporâneo, marcado pela hiperconectividade e pelo culto à produtividade, a solidão se revela paradoxalmente presente, ainda que estejamos constantemente &#8220;conectados&#8221;. A análise destaca a diferença entre a solidão [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="font-size:19px"><em><strong>Resumo</strong>: O texto aborda a solidão como uma experiência essencial da condição humana, que se expressa de formas distintas conforme o contexto histórico e cultural. No mundo contemporâneo, marcado pela hiperconectividade e pelo culto à produtividade, a solidão se revela paradoxalmente presente, ainda que estejamos constantemente &#8220;conectados&#8221;. A análise destaca a diferença entre a solidão fértil — que propicia mergulho interior para uma travessia necessária e transformadora — e a solidão estéril dos tempos atuais, marcada pelo isolamento e pela superficialidade das relações.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-solidao-e-uma-experiencia-humana-fundamental-transpassa-os-contextos-historicos-e-culturais-mostrando-se-constante-na-alma-humana" style="font-size:19px">A <strong>solidão</strong> é uma experiência humana fundamental. Transpassa os contextos históricos e culturais mostrando-se constante na alma humana.</h2>



<p style="font-size:19px">Ora se expressa pela necessidade de recolhimento e nos visita para integrar e buscar um sentido na existência, ora aparece inesperadamente mesmo em comemorações ou momentos de celebração. Fato é que esta solidão que faz parte de nós também é vivenciada em um Espírito do Tempo. Marcado pela <strong>hiperconectividade</strong> digital, o mundo contemporâneo mostra faces paradoxais no que diz respeito a presença e solidão: estamos constantemente em rede, mas frequentemente desconectados de nós mesmos e dos outros.</p>



<p style="font-size:19px">Redes sociais, mensagens instantâneas e uma infinidade de canais de comunicação estão disponíveis 24 horas por dia, criando a ilusão de que nunca estivemos tão acompanhados. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mas-existe-de-fato-uma-comunicacao-real-uma-troca-verdadeira" style="font-size:19px">Mas existe de fato uma comunicação real, uma troca verdadeira?</h2>



<p style="font-size:19px">Ou estamos tão inundados de dados, fatos, vídeos, fotos, opiniões, que nadamos em uma superfície demasiado rasa de intercâmbio? Ao lado da alta conectividade virtual, paradoxalmente, a solidão e o vazio existencial crescem como sintomas sociais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-muito-embora-a-conexao-ultraveloz-por-diversos-meios-como-individuos-vivemos-ilhados-e-afastados" style="font-size:19px"><strong>Muito embora a conexão ultraveloz por diversos meios, como indivíduos vivemos ilhados e afastados</strong>.</h2>



<p style="font-size:19px">Em um passado não distante, grande parte da população vivia em áreas rurais, com mais espaço e maior distanciamento geográfico uns dos outros. Agora vivemos em espaços reduzidos, apartamentos apertados, uns sobre as cabeças dos outros&#8230; Entre taxas altíssimas de densidade populacional e uma interconexão tecnológica crescente, existe uma queixa comum do sentimento de solidão e de isolamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-se-estamos-cada-vez-mais-juntos-se-a-comunicacao-nao-encontra-barreiras-tecnologicas-e-a-conexao-virtual-e-constante-como-essa-solidao-se-apresenta" style="font-size:19px">Se estamos cada vez mais juntos, se a comunicação não encontra barreiras tecnológicas e a conexão virtual é constante, como essa solidão se apresenta?</h2>



<p style="font-size:19px"><strong>Byung-Chul Han</strong> afirma que vivemos uma crise: <strong>a crise de ressonância</strong>. Em uma sociedade marcada pela ênfase na performance, eficiência e produtividade, as pessoas perderam a capacidade de &#8220;ressoar&#8221; com o outro e com o mundo. Ressonância no sentido de se envolver de maneira autêntica e reflexiva com o que nos circunda, em contraste com a comunicação superficial e impessoal. &nbsp;</p>



<p style="font-size:19px">Em contraponto, como é próprio da vida, o isolamento apresenta várias faces. Existe um recolhimento interior necessário ao conhecimento da alma. No mergulho dentro de si, um silêncio dos ruídos externo é buscado, na tentativa de escuta dos movimentos internos. Esse processo é marcado por um natural afastamento, uma procura individual, uma solidão que ensina. Aguçar os ouvidos para os sons no mundo interno requer uma pausa, um tempo, um distanciamento. Tal movimento por vezes é marcado pela experiência solitária. Por mais que existam guias, livros, terapeutas, incursionar as águas profundas do mundo interno é um labor feito sozinho, mas com a companhia dos múltiplos habitantes da psique, nossos complexos. É preciso silenciar fora, para distinguir as vozes de dentro com maior consciência.</p>



<p style="font-size:19px">A solidão, dentro desse caminho de experiência psíquica, se torna um chamado ao conhecimento e integração do ser, um momento de recolhimento necessário para a escuta de aspectos inconscientes, como <strong>Jung</strong> nos traz neste trecho de<em> “Memórias, Sonhos e Reflexões”:</em></p>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>A solidão não vem de não ter pessoas por perto, mas de ser incapaz de comunicar as coisas que parecem importantes, ou de manter certos pontos de vista que os outros consideram inadmissíveis.” (JUNG, 2000, p. 356)</p></blockquote></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-este-isolamento-nao-e-um-afastamento-social-patologico-mas-sim-uma-retirada-simbolica-do-mundo-exterior-para-que-o-individuo-possa-reencontrar-se-internamente" style="font-size:19px">Este isolamento não é um afastamento social patológico, mas sim uma retirada simbólica do mundo exterior para que o indivíduo possa reencontrar-se internamente.</h2>



<p style="font-size:19px">Mesmo nos contos de fadas e narrativas mitológicas, observa-se um momento de isolamento necessário em que o herói, heroína ou protagonista da peripécia realiza uma transformação simbólica através de um recolhimento ou exílio. Seja o refugio na floresta, como em a Branca de Neve ou a descida ao Hades com Perséfone, o encontro com um potencial, aspecto ou sombra é feito em um lugar a parte, que requer uma travessia solitária. O verdadeiro crescimento se opera quando o indivíduo se defronta com seu próprio ser e com lugares antes desconhecidos em si mesmo. Processo esse que pede distanciamento da opinião externa já estruturada na consciência egóica.</p>



<p style="font-size:19px">Para <strong>Jung</strong>, a solidão está profundamente ligada ao processo de individuação e oferta um espaço simbólico de metamorfose. Ele afirma que “<strong>a individuação requer solidão, porque sem ela o indivíduo não pode tornar-se consciente de sua totalidade e de sua verdadeira natureza</strong>” (JUNG, 2011, §74).</p>



<p style="font-size:19px">O isolamento vivido como salutar distanciamento do mundo externo ou como solitária prisão nos habita de tempos em tempos. Como um vento que penetra nosso ser, o espírito da solidão faz parte da experiência humana. Por vezes com tonalidades de incompreensão e abandono, outras acompanhadas de desamor e crenças de não merecimento, o sentimento de solidão transpassa a alma e se faz presente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-choque-de-sofrimento-talvez-se-de-pela-ideia-de-que-nao-devemos-ser-sos-de-que-isso-e-errado-prejudicial-e-desagradavel-logo-surge-um-impulso-de-querer-retirar-a-solidao-e-ve-la-como-indesejavel" style="font-size:19px">O choque de sofrimento talvez se dê pela ideia de que não devemos ser sós, de que isso é errado, prejudicial e desagradável. Logo surge um impulso de querer retirar a solidão e vê-la como indesejável.</h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:19px"><blockquote><p>Para nos livrar desses momentos, temos filosofias que os explicam e fármacos que os negam. As filosofias dizem que a vida desenraizada e corrida da cidade grande e o trabalho impessoal criaram uma condição social de anomia. O sistema econômico industrial nos isola. Passamos a ser meros números. Vivemos o consumismo em vez de a comunidade. A solidão é um sintoma da vitimização. Somos vítimas de um modo de viver errado. <strong>Não devemos ser solitários</strong>. Mude o sistema — viva numa cooperativa ou numa comuna; trabalhe em equipe. Ou crie relacionamentos: “Se ligue, apenas se ligue.” Socialize-se, participe de grupos de recuperação, envolva-se. Pegue o telefone. Ou peça a seu médico uma receita de Prozac (HILLMAN, 1993, p. 27).</p></blockquote></figure>



<p style="font-size:19px">Ao mesmo tempo em que existe uma norma social implícita de <strong>positividade</strong>. Sorria; seja feliz; seja bem-sucedido; dê certo na vida; ache o seu propósito e seja autêntico, independente e especial; tenha uma vida produtiva; seja comunicativo; esteja atualizado, ligado, conectado com as novidades; esteja informado, por dentro, sempre ligado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nessa-tonica-tudo-depende-de-voce-faca-e-aconteca-voce-pode-se-moldar-se-construir-achar-sua-melhor-versao" style="font-size:19px">Nessa tônica, tudo depende de você. Faça e aconteça. Você pode se moldar, se construir, achar sua melhor versão.</h2>



<p style="font-size:19px"><strong>Então, não surpreendentemente, aparecem a depressão, o isolamento, o afastamento e a sensação de estar sozinho no mundo.</strong> <strong>Claro, tudo depende de você, só de você</strong>. O peso sobre os ombros de cada indivíduo cresce, se torna insuportavelmente pesado. Uma vez que ‘querer é poder’, seria só você querer, só você fazer. Tudo está excessivamente centrado no ideal narcísico de realização, produção e satisfação. Não se pode ficar por fora, improdutivo, sem entregar resultados.</p>



<p style="font-size:19px">No panorama social contemporâneo, existe uma valorização exacerbada da extroversão, que entra em choque com esse impulso de recolhimento. Podemos conjecturar: não ser a toa que a depressão nos visita tão massivamente e insistentemente. Quando os valores sociais pedem ânimo, disposição, produtividade, autonomia, o que cresce como sintoma é um chamado depressivo que inviabiliza essa entrega unilateral de performance.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-byung-chul-han-argumenta-que-a-solidao-hoje-e-diferente-da-solidao-do-passado" style="font-size:19px"><strong>Byung-Chul Han</strong> argumenta que a solidão hoje é diferente da solidão do passado. </h2>



<p style="font-size:19px"><strong>Antigamente</strong>, a solidão podia ser <strong>frutífera</strong>, ligada à contemplação, à criatividade e à liberdade interior. <strong>Hoje</strong>, ela é vivida como <strong>abandono</strong>, vazio e até sofrimento. Resultado de uma sociedade excessivamente conectada, em que todos estão presentes digitalmente o tempo todo, mas de modo superficial. A solidão atual se coloca assim como diferente da solidão fértil e meditativa do passado, passando ela a ser estéril, marcada pela falta de encontro real com o outro e por uma hiperexposição que, paradoxalmente, isola. Atualmente, não decorre necessariamente da ausência de convivência física com outras pessoas, mas sim da crescente dificuldade em criar vínculos profundos e significativos. Vivemos cercados por conexões constantes no meio digital, muito embora essas interações muitas vezes carecem de profundidade e presença real. É nesse vazio relacional, em que predominam contatos superficiais e a lógica da performance, que a experiência de estar só se intensifica e se torna mais dolorosa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-isolamento-que-co-rompe-vem-nao-como-sintoma-pontual-mas-como-onda-coletiva-da-vivencia-da-solidao" style="font-size:19px">Isolamento que (co)rompe vem não como sintoma pontual, mas como onda coletiva da vivência da solidão.</h2>



<p style="font-size:19px">Este é vivido como fruto da fragmentação das conexões. Muito embora a solidão seja uma vivência arquetípica que atravessa a história da humanidade e habita o imaginário coletivo com múltiplas faces — ora como angústia, ora como passo para transformação, no contexto contemporâneo, essa solidão toma a tonalidade de isolamento mais acentuado. Não se apresenta apenas como um sintoma individual, mas como uma onda coletiva, fruto da fragmentação das conexões e do esvaziamento dos vínculos autênticos. A solidão que emerge nesse cenário nasce também da incompreensão — de nos sentirmos incompreendidos pelo outro, mas sobretudo por nós mesmos. A ausência de ressonância com o mundo externo reflete, muitas vezes, um desconhecimento profundo deste nosso mundo interno.</p>



<p style="font-size:19px">Sob a ótica <strong>junguiana</strong>, no entanto, essa solidão não deve ser tratada como um mal a ser erradicado, mas como um espaço psíquico legítimo e necessário para escuta, integração e amadurecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-vazio-interior-longe-de-ser-negado-ou-anestesiado-pode-ser-compreendido-como-terreno-fertil-para-o-processo-de-individuacao" style="font-size:19px">O vazio interior, longe de ser negado ou anestesiado, pode ser compreendido como terreno fértil para o processo de individuação.</h2>



<p style="font-size:19px">O isolamento, portanto, não é patológico em si — ele pode ser uma condição propícia ao crescimento simbólico e à reconstrução de uma relação mais profunda consigo mesmo e com o outro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira &#8211;  Analista em formação IJEP</a></strong></p>



<p style="font-size:19px"><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Simone Magaldi &#8211; Analista Didata IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias-bibliograficas">Referências bibliográficas:</h2>



<p>HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2024.</p>



<p><em>______. O desaparecimento dos rituais: uma topologia do presente</em>. Petrópolis: Vozes, 2020.</p>



<p>HILLMAN, James. <em>O suicídio e a alma</em>. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1993.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>A psicologia e a alquimia</em> (Psychology and Alchemy). Obras completas, v. 12. Petrópolis: Vozes, 1980.</p>



<p>______. <em>Memórias, sonhos, reflexões</em>. 13. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.</p>



<p>______. <em>Os arquétipos e o inconsciente coletivo</em>. Obras completas, v. 9, parte I. Petrópolis: Vozes, 2000.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="www.ijep.com.br"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8-1024x576.png" alt="" class="wp-image-10740" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8-1024x576.png 1024w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8-300x169.png 300w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8-768x432.png 768w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8-150x84.png 150w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8-450x253.png 450w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-8.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



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<p></p>
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		<title>A tentativa de alcançar o inalcançável</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/a-tentativa-de-alcancar-o-inalcancavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2024 20:46:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[meritocracia]]></category>
		<category><![CDATA[perfeccionismo]]></category>
		<category><![CDATA[poder]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabemos que a perfeição é inalcançável, que somos falíveis e que o erro é próprio da nossa humanidade. Mas por que muitos sofrem e se punem quando não conseguem corresponder às altas expectativas que criam para si mesmos? Neste ensaio, abordaremos a autocobrança, perfeccionismo, culpa, produtividade, performance e possíveis impactos na saúde psíquica. Sofrimentos psíquicos [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Sabemos que a perfeição é inalcançável, que somos falíveis e que o erro é próprio da nossa humanidade</strong>. Mas por que muitos sofrem e se punem quando não conseguem corresponder às altas expectativas que criam para si mesmos? Neste ensaio, abordaremos a autocobrança, perfeccionismo, culpa, produtividade, performance e possíveis impactos na saúde psíquica.</p>



<p>Sofrimentos psíquicos enfrentados não se apresentam somente como resultado da experiência e história pessoal. Somos fruto igualmente da <strong>cultura</strong> e de um <strong>contexto social</strong>.  Via de regra, crescemos em um meio ocidental produtivista regido pelo verbo <strong>poder</strong>, em que “se eu me dedicar, querer, me esforçar e trabalhar muito, eu posso”. O velho lema do ‘<strong>querer é poder</strong>’.</p>



<p>Nessa dinâmica é preciso estar motivado, ter positividade, acreditar que você é o responsável central pelo seu sucesso ou fracasso. Já que sem esforços não há ganhos (“<em>no pain, no gain</em>”). Além de louvar a ideia de <em>self-made man</em>, que é erguida no contexto meritocrático como a inspiração maior, uma vez que nos é vendido que com dedicação, persistência e trabalho duro tudo é possível.</p>



<p>O filósofo <strong>Byung-Chul Han</strong> nos apresenta que o dever era a tônica de uma sociedade voltada à disciplina e às proibições. Mas agora presenciamos uma sociedade de desempenho pautada pelo verbo<strong><em> </em>poder</strong>. A partir de um determinado ponto da produtividade, o dever se choca rapidamente com seus limites. É substituído pelo verbo <strong>poder </strong>para a elevação da produtividade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-apelo-a-motivacao-a-iniciativa-e-ao-projeto-e-muito-mais-efetivo-para-exploracao-do-que-o-chicote-ou-as-ordens-han-2017-p-20" style="font-size:17px">O apelo à motivação, à iniciativa e ao projeto é muito mais efetivo para exploração do que o chicote ou as ordens. (HAN, 2017, p.20)</h2>



<p>As duras imposições que muitas vezes nos auto-submetemos é um verdadeiro chicote a nos molestar. Não somos apenas vítimas, somos também nossos próprios algozes, em um mecanismo de autoexploração que nos dá a sensação de liberdade (HAN, 2012, p. 22). Parece que optamos pelo autodesenvolvimento e pelo melhoramento contínuo. Parece que estamos tentando alcançar a famosa “melhor versão” de nós mesmos. Contudo, as demandas são sempre elevadas e não conseguem ser cumpridas em toda sua extensão, restando dentro de cada um a sensação de fracasso que permeia a vida de um modo envenenador.</p>



<p>Existe uma régua tão elevada e exigências, por vezes extravagantes, que nunca se pode alcançar uma satisfação e uma tranquilidade. Sobra um resquício, uma impureza, um ruído mental, que dá uma carga de como existisse sempre algo que ainda precisa ser feito. Nunca acaba, pois o lugar de perfeição utópica nunca é atingido.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-todo-tempo-aparenta-se-estar-em-atraso-em-falta-em-divida" style="font-size:19px">A todo tempo aparenta-se estar em atraso, em falta, em dívida.</h2>



<p>Com um sentimento constante de acúmulo de atividades e obrigações, um cansaço quase que permanente se instala. Este nunca pode ser completamente sanado, uma vez que a lista de tarefas a se realizar segue como um <em>check-list</em> sem fim. Nunca existe um último item a ser ticado, pois novas demandas surgem a todo instante.</p>



<p><strong>Para se somar a essa carga já extenuante, não é preciso somente realizar e cumprir as obrigações. </strong>É preciso fazer muito bem feito. Reside aqui a idealização das ações, que duramente se concretizam na realidade de modo diferente da fantasia impecável das ideias. Ao ver o produto imperfeito das ações, ocorre uma frustração pelo julgamento sempre presente. A consciência treinada a separar, distinguir e classificar prontamente aponta um culpado. Nessa dinâmica, muito frequentemente o indivíduo se martiriza por não conseguir e não ser bom o suficiente. Logo, <em>“o excesso de trabalho e desempenho agudiza-se numa auto-exploração, que é mais eficiente que uma exploração do outro devido ao sentimento de liberdade” </em>(HAN, 2012, p. 8).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-julgamentos-como-o-de-fracasso-culpabilizacao-e-vitimizacao-passam-a-crescer-em-uma-espiral" style="font-size:16px"><strong>Julgamentos, como o de fracasso, culpabilização e vitimização, passam a crescer em uma espiral</strong>.</h2>



<p>Quando observamos mais especificamente a psique feminina, <strong>Marion Woodman</strong> traça em paralelo com a deusa Atena, a deusa da inteligência, e as mulheres na contemporaneidade, em que muitas buscam um nível elevado de excelência e perfeição no âmbito profissional e pessoal. A deusa, na narrativa mitológica, nasce armada com uma lança e com um grito de guerra ao sair da cabeça de seu pai Zeus, local onde foi gestada após o Senhor do Olimpo ter engolido Métis, mãe de Atena.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-atena-nascendo-da-cabeca-de-zeus" style="font-size:19px">Atena nascendo da cabeça de Zeus</h2>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="372" height="568" src="https://blog.sudamar.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image.png" alt="" class="wp-image-9388" style="width:301px;height:auto" srcset="https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image.png 372w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-196x300.png 196w, https://blog.ijep.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-150x229.png 150w" sizes="(max-width: 372px) 100vw, 372px" /></figure>



<p>Em paralelo à<strong> Palas Atena</strong>, a gloriosa deusa de olhos brilhantes, nas palavras de Homero, encontramos a Medusa. Esta antes de ser a mortal górgona temida por petrificar quem a olhasse, era uma linda jovem, a qual ofendeu Atena, que como vingança transformou-a no temido monstro de cabelos de serpente, presas pontiagudas, mãos de bronze e asas de ouro.</p>



<p>Medusa teve seu fim quando Perseu cortou-lhe a cabeça com ajuda das sandálias aladas e da espada de Hermes, do escudo espelhado de Atena e do capacete de Hades, capaz de o tornar invisível. Do corte fatal no pescoço de Medusa, saem Pégaso, uma das mais belas criaturas da mitologia grega, e gigante Crisaor. Em seu regresso o herói, resgata a princesa Andrômeda, que estava presa para ser dada em sacrifício, casando-se depois com ela.</p>



<p>Tomando a narrativa grega, Woodman sugere que as mulheres tornaram-se Atenas da modernidade. Elas são nascidas das testas de seus pais, do centro do funcionar racional e diretivo, ao mesmo tempo em que buscam excelência em tudo que desempenham. Externamente sustentam uma figura de perfeição. Parece que a vida está impecável: trabalho, roupas, casa. Mas essa camada superficial, por vezes, encobre uma prisão em vícios, como a compulsão alimentar, a limpeza excessiva e o perfeccionismo. <strong>A vida torna-se estéril e no cerne destes vícios, encontra-se a deusa enfurecida</strong> (WOODMAN, 2002, p.9)</p>



<p>Dentro dessa configuração, simbolicamente a Medusa está afundada e reprimida nas trevas há longo tempo. Sua presença se manifesta pelo desejo incessante de prazeres efêmeros, conquistas materiais ou pelo alcance de metas estabelecidas. Essa imagem sombria lembra a ira e a repressão.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-mera-possibilidade-de-olhar-a-medusa-que-habita-nosso-intimo-gera-uma-petrificacao-pelo-medo">A mera possibilidade de olhar a Medusa que habita nosso íntimo gera uma petrificação pelo medo: </h2>



<figure class="wp-block-pullquote" style="font-size:21px"><blockquote><p>“O complexo de Medusa em sua forma extrema de fato petrifica, pois detém o fluxo da vida, o dar e receber natural de energia.”</p><cite> WOODMAN, 2002, p.54</cite></blockquote></figure>



<p>A realidade em que estamos imersos no presente é uma construção cultural de uma era patriarcal que preza pelo resultado, acúmulo e especialização. Lentamente uma parte do princípio feminino foi arrasado e o poder adentrou no lugar do amor e da capacidade de relacionar-se. O desempenho, a todo instante cobrado e exigido que aumente mais e mais, traz o apelo à perfeição.</p>



<p>&nbsp;Compelidos a fazer o melhor na escola, no trabalho, nos relacionamentos, em cada aspecto de nossa vida, tentamo-nos tornar verdadeiras obras-primas. Nessa árdua luta para criar a nossa própria perfeição, esquecemos que somos seres humanos. Por um lado, tentamos ser a eficiente e disciplinada deusa Atena e, por outro, somos forçados a afundar na voraz e reprimida energia da Medusa. (WOODMAN, 2002, p. 9)</p>



<p>Quando nossos olhos estão voltados para fora, medimos facilmente nosso valor, nossa percepção de quem somos e nossa felicidade por aquisições externas. Entretanto, a jornada interna de mergulho em si passa pelo reconhecimento de fraquezas, incapacidades e limitações. Não com o olhar condenatório de um juiz interno cruel. Mas com a justa medida do entendimento que nossa natureza é falível e imperfeita. Nossa vida transita no campo da possibilidade de expressão do nosso ser e na busca por descortinar as camadas superficiais que nos afastam do entendimento de nós mesmos.</p>



<p><em>Ex perfecto nihil fit</em> (Nada se pode fazer com o que já é perfeito), dizem os velhos mestres, ao passo que o <em>imperfectum</em> (inacabado) traz dentro de si os germes de um aperfeiçoamento futuro. O perfeccionismo termina sempre em um beco sem saída, ao passo que a integralidade carece somente dos valores seletivos. (JUNG, 2013, §620)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-na-busca-pelo-perfeito-tenta-se-alcancar-os-deuses">Na busca pelo perfeito, tenta-se alcançar os deuses.</h2>



<p>Contudo a condição humana nos proporciona a capacidade de completude, jamais de perfeição. A própria mitologia é profícua em exemplos de mortais que intentavam ser como deuses ou mais que eles. Todos recolheram o peso de sua desmedida e encontraram ruínas em seu caminho. Incorrer na<em> hybris</em> é esterilizante e mortal.</p>



<p>Na tentativa de alcançar o inalcançável, a realidade fica rígida e engessada. Somente nas frestas do imperfeito, do humano, da queda é que abriremos espaço para a beleza humana, para a expressão e para a criatividade pulsante da vida.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Artigo novo: A tentativa de alcançar o inalcançável" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/zbcCWKZhliQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira – Membro analista em formação pelo IJEP</a></strong></p>



<p><strong><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. Simone Magaldi – Membro didata do IJEP</a></strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências:</h2>



<p>BRANDÃO, Junito de Souza. <em>Mitologia Grega</em>. Volume I, Petrópolis, Vozes, 1986.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>Resposta a Jó, Petrópolis</em>. Vozes, 2013.</p>



<p>HAN, Byung-Chul. <em>Agonia do Eros</em>. Petrópolis. Vozes, 2017.</p>



<p> ___________. <em>Sociedade do cansaço</em>. Petrópolis, Vozes, 2019.</p>



<p>WOODMAN, Marion. <em>O vício da perfeição: compreendendo a relação entre distúrbios alimentares e desenvolvimento psíquico</em>. São Paulo, Summus, 2002.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-canais-ijep">Canais IJEP:</h2>



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		<title>Ética na vida e morte da natureza</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/natureza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Oct 2023 12:26:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[Desconexão]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relação Humano-Natureza]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=8195</guid>

					<description><![CDATA[<p>Já parou para pensar o quanto de natureza existe de você e o quanto de você está na natureza? Nesse artigo fazemos uma reflexão sobre o atual estado de desconexão da humanidade com a natureza interna e externa, por meio da sempre presente urgência e desrespeitos aos ritmos, ciclos e processos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>No presente artigo buscamos aprofundar a reflexão sobre nossa relação ética com a natureza, exploração dos recursos e falta de respeito para com a vida em geral.</em></p>



<p><em>A relação entre o</em> <em>humano e o</em> <em>meio ambiente se deteriorou ainda mais com o advento da indústria e do poderio tecnológico</em>, <em>ao mesmo tempo que o aumento da população urbana distanciou grande parte da população da proximidade e observação do meio ambiente.</em></p>



<p>      *<em>Este artigo foi inspirado na palestra que apresentamos no VIII Congresso Junguiano do IJEP. </em> <em>Conheça nossos Congressos Junguianos:</em> <a href="https://ijep.pages.net.br/congressos-carl-jung-ijep"><em>https://ijep.pages.net.br/congressos-carl-jung-ijep</em></a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-homens-primitivos-viam-na-natureza-a-morada-de-seus-deuses" style="font-size:18px">Os homens primitivos viam na natureza a morada de seus deuses.</h2>



<p>Os homens primitivos viam na natureza a morada de seus deuses. Os indígenas tratam a floresta e o local de onde tiram seu alimento, como espaço sagrado. As primeiras divindades foram fruto da observação e temor das forças da natureza. A falta de compreensão racional dos humanos a respeito do funcionamento da natureza fez com que projetassem nela seus primeiros conteúdos inconscientes e, a partir daí, criassem-se os <strong>deuses e mitos</strong>. Obviamente essa é uma redução drástica de uma linha do tempo que data de milênios atrás.</p>



<p>Essa reverência à natureza e aos deuses manifestados por seus fenômenos resultava em uma relação de cautela e precaução em relação à superexploração, poluição e degradação. Ao serem muito mais dependentes do seu ambiente próximo, nossos ancestrais aprenderam, provavelmente ao custo de vidas e sofrimento de algumas gerações, que certas práticas poderiam colocar em risco os alimentos e a saúde de todo um povo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-vida-na-terra-e-fruto-de-inumeras-transformacoes-e-condicoes-muito-peculiares" style="font-size:18px">A vida na Terra é fruto de inúmeras transformações e condições muito peculiares</h2>



<p>A vida na Terra é fruto de inúmeras transformações e condições muito peculiares, desde a localização do planeta no sistema solar, até a temperatura e composição da atmosfera &#8211; perfeitas para possibilitar a existência e evolução da vida ao ponto de gerar seres autoconscientes como nós.</p>



<p>A consciência e a racionalidade humanas tornaram possível que a nossa espécie fosse uma das poucas capazes de se adaptar, por meio de tecnologias, a todos os ambientes do planeta, desde as florestas quentes e úmidas dos trópicos até o inverno congelante do Ártico.</p>



<p>Tal capacidade criativa também fez com que a humanidade fosse capaz de entender o funcionamento de boa parte da natureza e passar então a usá-la a seu favor. Isso não é, de maneira alguma, um demérito, pelo contrário, é um ponto de inflexão na nossa capacidade de se adaptar, pois, a partir de então fomos capazes de produzir alimentos e alimentar um número cada vez maior de pessoas, um tanto menos dependentes da caça e coleta.</p>



<p>Curiosamente, quanto mais conhecimento e controle o homem foi tendo da natureza, menor foi sua conexão com seus ciclos, sua reverência e temor das consequências. Jung baseou boa parte de seus achados teóricos na observação da natureza e era um grande crítico da desconexão entre homem e natureza alegando inclusive que a natureza é o alimento da alma (Duarte, 2017).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-advento-da-industria-e-sua-capacidade-de-processamento-transformou-a-natureza-em-uma-simples-fonte-de-insumos-e-tirou-dela-o-lugar-sagrado" style="font-size:18px">O advento da indústria e sua capacidade de processamento, transformou a natureza em uma simples fonte de insumos e tirou dela o lugar sagrado.</h2>



<p>A desconexão do humano com a natureza fez com que nos esquecêssemos de que dela dependemos. O que observamos, então, é uma formação societária de valorização da conquista, do poder e do domínio. Ao longo de toda uma diversa formação cultural e histórica, o meio natural foi visto como terra a ser conquistada, oportunidade de negócios, gerador insumos, fonte de riqueza. O local sagrado da natureza, e a troca harmônica com este meio, foram colocados em segundo plano.</p>



<p>Voltando o nosso olhar de cinco a seis mil anos no passado, encontraremos o começo da estrutura patriarcal vivida hoje. Nesse ponto da história, grandes transformações ocorreram nos mais diversos níveis. Nas movimentações entre as dimensões internas e coletivas, a progressiva instalação do patriarcado influenciou a preponderância do poder e do controle sobre a natureza interna do feminino.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-paralelamente-a-dominacao-se-estende-a-natureza" style="font-size:18px">Paralelamente, a dominação se estende à natureza.</h2>



<p>Paralelamente, a dominação se estende à natureza. Quando o homem percebe que pode controlar o ciclo reprodutivo dos animais e das plantas inicia-se o controle mais ostensivo, juntamente com a imposição de sua vontade sobre os ciclos naturais. <strong>Inicia-se o rompimento da ordem natural de vida-morte</strong>.</p>



<p>A natureza foi, pouco a pouco, colocada como externa ao homem. Algo que pode ser controlado, medido, aproveitado e modificado. Passou a ser algo a parte de nós. Está distante, fora. Restrita a parques, reservas ambientais e paisagens. O ser humano já não se vê como parte da natureza e a natureza como ele próprio. O meio natural está agora longe, fora e separado de nós.</p>



<p>Essa perda de percepção do meio ambiente como algo do qual fazemos parte – e não apartado de nós – gerou um distanciamento do nosso próprio corpo e de tudo que se refere aos instintos naturais que nos cabem. Desde o processo natural de envelhecimento, até a autopercepção corporal de cansaço, fome e adoecimento. Estamos desconectados com o natural mais próximo a nós, que é o nosso corpo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-o-c-8-2-p-363-afirma-que-a-vida-natural-e-o-solo-em-que-se-nutre-a-alma" style="font-size:18px"><strong>Jung</strong> (O.C 8/2, p.363) afirma que “a vida natural é o solo em que se nutre a alma”.</h2>



<p>Nesta citação, Jung refere-se ao curso da vida, que se compõe de etapas de ascensão e crescimento, envelhecimento e preparação para a morte. Mesmo sendo evidente as fases naturais da nossa vida, que nos encaminham para o envelhecimento e a morte, o entorno cultural direciona as vontades para a juventude e a preservação de uma beleza padronizada insustentável.</p>



<p>Na esfera psíquica, em alguns casos, fica-se atrelado a um passado infantil e pueril, que, nas palavras de Jung geram “verdadeiras monstruosidades psicológicas”. Utilizando-se das imagens do meio natural, como frequentemente o faz, ele afirma que “<strong><em>um velho que não sabe escutar os segredos dos riachos que descem dos cumes das montanhas para os vales não tem sentido, é uma múmia espiritual e não passa de uma relíquia petrificada do passado</em></strong>” (JUNG, O.C 8/2, p.364).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-notavel-ainda-que-o-tempo-natural-tem-sido-rompido-por-uma-urgencia-controladora" style="font-size:17px">É notável, ainda, que o tempo natural tem sido rompido por uma urgência controladora.</h2>



<p>Desde o momento mais elementar do nascimento, a imposição do tempo urgente se faz. Muitas vezes o parto cirúrgico é escolhido pela possibilidade da intervenção médica para se acelerar o processo de nascimento. Projetando os valores de produtividade até mesmo no ato de nascer, em que o ritmo natural do parto é quebrado. Marca-se um horário conveniente e confortável para todos. Em uma sala estéril, asséptica e gelada, um corte é feito e o pequeno ser humano é puxado para o começo de sua vida. O primeiro contato com o mundo externo, muitas vezes não respeita o tempo, a pausa, o ritmo, a cadência das demandas instintivas e intrínsecas à nossa natureza mais elementar e visceral.</p>



<p><strong><em>Vê-se uma paulatina deterioração da integração do homem com a natureza, o que conflui a um distanciamento do homem com seu mundo interno e uma falta de autopercepção mais profunda.</em></strong></p>



<p>Esta sensação de impotência e de alienação, a ausência de significado pessoal e de uma ligação viva com um campo orgânico &#8211; seja ele um grupo social, a natureza ou o <em>cosmo </em>-, é, sem dúvida, a característica psicológica peculiar de nosso tempo. Característica essa fomentada pela religião predominante nos últimos duzentos anos, mais conhecida como ciência. </p>



<p>Somado a isso, a impotência e a alienação são acentuadas pelos efeitos da cultura urbana, da coletivização abarrotante e da tecnologia. Todos estes fatores levaram a sociedade a um estado de entorpecimento e reduziram-na a uma manada. (WHITMONT, 1991, p. 262)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-retorno-da-deusa" style="font-size:18px">O retorno da Deusa</h2>



<p>Neste recorte do livro “Retorno da Deusa”, Whitmont evidencia o adoecimento compartilhado, que permeia várias esferas da nossa vida. Nessa dinâmica ocorre igualmente uma via de mão dupla.&nbsp; Ao mesmo tempo em que o homem em desconexão com sua natureza mais elementar agride e destrói, a natureza adoecida corrobora para uma saúde mental e física deteriorada.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-mais-que-joguemos-fora-a-natureza-por-meio-da-forca-ela-sempre-retorna-jung-10-1-514" style="font-size:16px"><strong>Por mais que joguemos fora a natureza por meio da força, ela sempre retorna</strong> (JUNG, 10/1, §514)</h2>



<p>Nos encontramos de diante de um planeta em urgente necessidade de regeneração e avançado estado de degradação. Acreditamos saber os riscos aos quais estamos nos expondo, como espécie, às mudanças climáticas, esse evento abstrato que simbolicamente pode representar a transformação da atmosfera do planeta em algo mais hostil e agressivo. Não sabemos ao certo quanto a atividade humana tem afetado o delicado e profundo equilíbrio que foi construído durante milênios e que possibilitou nossa existência.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ha-esperanca-pois-a-natureza-e-um-continuo-e-muito-provavelmente-a-nossa-psique-tambem-o-e-jung-18-1-181" style="font-size:16px">Há esperança, pois a natureza é um contínuo, e muito provavelmente a nossa psique também o é (JUNG, 18/1, §181)</h2>



<p>Em outras linhas, a criatividade que nos colocou nesse lugar pode justamente nos tirar dele. Ao compreender a natureza, mas sem desejar controlá-la, a humanidade atua em cooperação com seus ciclos e processos. Essa é uma bela metáfora ao processo de individuação, que pode estar se desenrolando na consciência coletiva. Jung também diz que <strong>a natureza não é um guia por si</strong>, pois ela não foi feita para o ser, mas que com a consciência e a inteligência aprendemos a colaborar com ela. </p>



<p>Nossa relação com o meio ambiente talvez reflita parte da nossa relação com a nossa natureza interior. O quanto estamos dando ouvidos às nossas necessidades, à fome da alma? O quanto essa deterioração não tem afetado nosso inconsciente? Quantas doenças não surgiram como resultado da destruição ambiental e do contato com a natureza degradada? O quanto não estamos desrespeitando nossos ciclos, estações e sacralidades interiores?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-se-tivermos-a-natureza-como-guia-nunca-trilharemos-caminhos-errados-jung-10-3-34" style="font-size:17px">Se tivermos a natureza como guia, nunca trilharemos caminhos errados (JUNG, 10/3, § 34)</h2>



<p>Não se faz necessário um retorno aos tempos primitivos, porém, podemos aprender muito com esse tempo em que a natureza era local do divino e sagrado &#8211; merecendo, pois, a devida reverência. As atitudes de cada um contam na construção de uma consciência mais ecologicamente amigável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-natureza-externa-e-interna-estao-ligadas-e-se-retroalimentam" style="font-size:18px">A natureza externa e interna estão ligadas e se retroalimentam</h2>



<p>O alimento que nos alimenta volta para a natureza, da mesma forma que a degradação do meio ambiente é a degradação da nossa natureza interna. A cada ano, o dia de sobrecarga da Terra<a id="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a>, uma data simbólica instituída pela Global Footprint Network com base em cálculos do uso dos recursos naturais pelos humanos, acontece mais cedo no ano.</p>



<p>Cada vez mais cedo o ser humano é acometido de doenças relacionadas ao meio ambiente (problemas respiratórios, obesidade, intoxicações) e/ou à superexploração da sua natureza interna (esgotamento, ansiedade, depressão).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-reconexao-com-os-ritmos-da-vida-e-da-morte-se-faz-urgente-e-sao-o-desafio-do-presente-para-a-garantia-do-futuro" style="font-size:18px"><strong><em>A reconexão com os ritmos da vida e da morte se faz urgente e são o desafio do presente, para a garantia do futuro.</em></strong></h2>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="📜 Artigo Novo: Ética na vida e morte da natureza" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/Vyd2Kkx61Qg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Autoria:</strong></p>



<p></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de S. Oliveira – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/maurosoave/">MsC. Mauro Angelo Soave Junior – Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">Dra. E. Simone Magaldi – Fundadora e Membro Didata do IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias" style="font-size:19px">Referências:</h2>



<p>JUNG, Carl Gustav. <em>A natureza da psique</em>, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. O. C 10/1 <em>Presente e futuro</em> – Petrópolis, RJ ; Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. O. C 10/3 <em>Civilização em transição</em> – Petrópolis, RJ ; Vozes, 2013</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. O.C 18/1 <em>A vida simbólica: escritos diversos</em> –Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.</p>



<p>DUARTE, Alisson J. O. Ecologia da alma: a natureza na obra científica de Carl Gustav Jung. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, v. 35, p. 5-19, 2017</p>



<p>WHITHMONT, Edward. <em>Retorno da deusa, </em>2ª ed., São Paulo: Summus, 1991.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a id="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> <em>O dia de sobrecarga da Terra aponta a data em que teoricamente os recursos naturais que deveriam durar 365 dias se esgotam, e dessa forma, estamos consumindo recursos futuros do planeta no presente.</em></p>



<p></p>



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<p></p>



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<p></p>
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		<title>Perdemos nossa capacidade de amar?</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/perdemos-nossa-capacidade-de-amar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jun 2023 20:38:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blog.sudamar.com.br/?p=7774</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nossa capacidade de amar é sobrepujada pelo poder e a consciência do nosso mundo interno fica gravemente limitada.  Jung (2018, p. 140) nos traz que “o problema do amor faz parte dos grandes sofrimentos da humanidade, e ninguém deveria envergonhar-se do fato de ter de pagar seu tributo a ele”. Olhar para estas questões conscientemente ajudamos a trazer entrar em contato com conteúdos que crescem no inconsciente, dando-nos a chance de discuti-los. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>No presente artigo ampliamos acerca da nossa capacidade de amar, analisando os conteúdos conscientes e inconscientes da psique.</em></p>



<p>Perdemos nossa capacidade de amar? Ao que parece a conexão sentimental está fugidia, superficial e de curta duração. Nós queremos tudo facilmente, <strong>rápido e para ontem.</strong> <strong>Mas o tempo da alma é diferente da ânsia compulsiva que nos atravessa.</strong></p>



<p class="wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio">É que há muito algo em nós morreu. Há muito tempo uma parte na nossa psique submergiu no inconsciente. Temos vivido para fora. Com a força da espada, dividimos, conquistamos, lutamos e avançamos, muitas vezes violentamente, usando a força masculina. Dominamos as técnicas, conhecemos as ciências, nos especializamos nos cálculos, mas parece que algo nos falta. Há um vazio.</p>



<p>Estamos com os celulares em mãos curtindo, comentando, compartilhando com centenas, milhares, milhões de seguidores.&nbsp; <strong>Mas nos sentimos sozinhos, abandonados, não visto</strong>s. Por que? Por que a <strong>desconexão </strong>nos abala tão fortemente em uma era com tantas facilidades de conexão?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-avancamos-para-fora-mas-coletivamente-nos-esvaziamos-por-dentro">Avançamos para fora, mas <strong>coletivamente</strong> nos <strong>esvaziamos por dentro</strong>.</h2>



<p> Inconscientemente sabemos que algo nos falta, algo está fora de lugar. Nunca tivemos tanto e nos sentimos tão pouco. Os ocidentais são filhos da pobreza interior, se bem que por fora aparentemos ter tudo. É provável que nenhum outro povo da história tenha sido tão solitário, tão alienado, tão confuso quanto a valores, tão neurótico quanto somos <a>(JOHNSON, 1987, p.13).</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-existe-uma-sofreguidao-uma-vontade-de-reparar-algo-mas-nao-se-sabe-bem-o-que-e-nem-como-faze-lo">Existe uma sofreguidão. Uma vontade de reparar algo. Mas não se sabe bem o que é, nem como fazê-lo.</h2>



<p>Acreditamos no controle, na força da vontade e na autodisciplina. Vivemos como se nossas ações fossem fruto somente do querer do ego. E não percebemos que o querer, o poder e o fazer não são realmente tão lineares assim. Mesmo que tentemos a todo custo “coachtizar” nossa vida, domar nossas vontades e disciplinar nossos arredios pensamentos, lá estamos nós caindo nos mesmos lugares, erros, valas de sempre.</p>



<p>Podemos ter a <strong>ilusão </strong>que conseguiremos com muita força de vontade <strong>domar nosso ego</strong> e corrigir nossos comportamentos. Porém o que nos dirige vai muito além da consciência e tem bases nos ocultos movimentos do inconsciente.</p>



<p>Para compreendermos um pouco melhor este aparente buraco no peito, este vazio que não se preenche e como isto está profundamente ligado à nossa dificuldade de conexão emocional, voltemos alguns passos e olhemos para o passado e para nossa história.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-com-a-penetracao-do-patriarcado-os-valores-masculinos-se-tornaram-preponderantes">Com a penetração do<strong> patriarcado</strong>, os valores masculinos se tornaram preponderantes.</h2>



<p>A religião, que antes era centrada nas figuras femininas da deusa, passa a cultuar deuses masculinos. As atitudes dos homens subordinam as mulheres, que não existem mais por si só, como uma pessoa íntegra, mas estão definidas majoritariamente por meio da sua relação com o homem. Ocorre uma rejeição e desvalorização da natureza feminina, o que limita a expressão da natureza instintiva. Como resultado, existe uma negação do corpo e da sexualidade, e por outro lado, com uma valorização das atitudes mentais (QUALLS-CORBERTT, 1990).</p>



<p>Esse movimento que começa há, mais ou menos, cinco mil anos, se aprofunda na Idade Média, lançando sementes psicológicas no pensamento do homem ocidental moderno. O mundo é cercado por combates, lanças, cavalos de montaria e defesa de territórios. A Igreja transita para a esfera patriarcal e não mais é um símbolo da alma feminina.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Está mais baseada em dogmas e leis, tornando-se racional e masculina e com pouco espaço para a experiência pessoal com o divino. </em></p>
<cite>JOHNSON, 1987, p. 23</cite></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-n-este-universo-masculino-a-mulher-e-ao-mesmo-tempo-rebaixada-e-intocavel"><strong>N</strong>este<strong> universo masculino a mulher é, ao mesmo tempo, rebaixada e intocável</strong>.</h2>



<p>Nesse contexto, a mulher é vista como uma aguçadora dos pecados carnais: vil e depravada. Aoo mesmo tempo em que é elevada pelo puritanismo às imagens celestiais.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Os <strong>valores masculinos</strong> sobrepujam os femininos e são reforçados até um crescimento unilateral. Assim, o feminino cada vez mais se afunda. Cercado pelos valores masculinos de poder e conquista, a esfera feminina torna-se “sempre um acompanhante de exércitos, atrelado ao velho impulso masculino do poder, sufocado pela guerra, esquecido em meio ao eterno e ensurdecedor choque das lâminas de aço.” (JOHNSON, 1987, p. 12).</p>
</blockquote>



<p><strong>Nos tornamos os herdeiros de um mundo destituído do feminino. A alma feminina interior no Ocidente mergulhou profundamente no inconsciente. </strong></p>



<p>Está apagada e desvirtuada por esse momento em que os traços patriarcais baniram da nossa cultura e das nossas práticas a esfera feminina. Consequentemente, esta atitude deixa marcas na psique.</p>



<p>Enquanto este lado feminino da vida está inconsciente, aguardando seu retorno, perdemos a mediação do nosso guia interior. Há uma perda de conexão interna. Desprovidos da alma, que faz o elo entre consciente e inconsciente, refletimos a falta de conexão interna nas relações externas.&nbsp; Paradoxalmente buscamos no outro a cura para nossas feridas e, ao mesmo tempo, não somos capazes de verdadeiramente nos conectar e nos relacionar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ficamos-na-superficie-estamos-rasos-e-temerosos-das-aguas-profundas-para-onde-as-emocoes-nos-arrastam">Ficamos na superfície. Estamos rasos e temerosos das águas profundas para onde as emoções nos arrastam.</h2>



<p>Desprovido da ligação com a vida &#8211; que é dada pelo princípio feminino -, o vínculo (quando criado) gira em torno da idealização, das expectativas e da transformação miraculosa que a pessoa com que nos relacionamos pode nos oferecer.</p>



<p>Em nossa cultura, temos romance em abundância: nós nos apaixonamos e nos desapaixonamos; vivemos de drama em drama, sentindo-nos em êxtase quando o romance está no auge do calor e caindo em desespero quando ele começa a esfriar. Se examinarmos nossa vida e a das pessoas que nos cercam, veremos que o romance não se traduz necessariamente por amor, afinidade ou compromisso (JOHNSON, 1987, p.21).</p>



<p>Por essa projeção da alma no mundo externo, espera-se que o outro seja o parceiro romântico, ative nossa sexualidade, seja amigo e companheiro, um deus/deusa e ainda nos eleve cima dos mortais nos fazendo experimentar a sublime perfeição dos céus.</p>



<p>Porque ao invés de olhar para dentro na busca do casamento sagrado das polaridades em nós, preferimos buscar a alma no corpo alheio e no ambiente exterior. Infelizmente ou dadivosamente ninguém consegue sustentar a idealização interior projetada. Assim sendo, o apaixonamento se dissipa ou é direcionado para outra pessoa. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-relacionamentos-amorosos-nos-oferecem-uma-oportunidade-de-autoconhecimento" style="font-size:18px">Os relacionamentos amorosos nos oferecem uma oportunidade de autoconhecimento.</h2>



<p>A partir do encontro com o outro, os conteúdos íntimos de ambos vêm à tona. O que pode representar embate ou confronto, já que entrar em contato consigo mesmo é uma tarefa que evitamos com muita veemência. Aquele com quem nos relacionamos nos oferece um espelho de nós mesmos e podemos ficar de frente para algo que temos evitado há longo tempo, como Jung demonstra através de um exemplo.</p>



<p>Naturalmente é lamentável que você sempre tem dificuldades, mas não está vendo o que faz? Você ama alguém, identifica-se com ele, depois volta-se naturalmente contra o objeto de sua feição e oprime-o por meio de sua identidade óbvia demais. Você o trata como se fosse você mesmo e naturalmente surgem então as reações. É uma ofensa à individualidade da outra pessoa, e um pecado contra a sua própria individualidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-essas-reacoes-sao-um-instinto-extremamente-util-e-importante-voce-vivencia-cenas-e-decepcoes-para-que-finalmente-tome-consciencia-de-si-mesmo-jung-2022-p-64" style="font-size:18px"><strong>Essas reações são um instinto extremamente útil e importante; você vivencia cenas e decepções para que finalmente tome consciência de si mesmo (JUNG, 2022, p.64).</strong></h2>



<p>Quando não se tem uma relação que direcione momentaneamente a atenção, projeta-se em outros aspectos externos a busca pela completude. Por esta dor de viver uma ‘falta de alma’, recorre-se compulsória e inconscientemente a algum tipo de compensação para suprir a lacuna.&nbsp; São vícios; excesso de trabalho; busca por poder, dinheiro e fama; querer ter reconhecimento e ser especial; compulsões alimentares; horas gastas em redes sociais; maratonar seriados; identificação com os papéis sociais e status.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-querendo-encontrar-o-doce-braco-do-feminino-mas-ainda-cegos-para-nossa-realidade-interna-nos-entregamos-a-caminhos-que-levam-a-girar-sem-sair-do-lugar">Querendo encontrar o doce braço do feminino, mas ainda cegos para nossa realidade interna, nos entregamos a caminhos que levam a girar sem sair do lugar.</h2>



<p>Diante de tudo isso, nutrimos a expectativa, por vezes oculta, por vezes bem vívida, de que algo virá nos salvar de nós mesmos e da vida torta que temos. Entretanto ao mesmo tempo que desejamos que algo ou alguém venha nos salvar, não conseguimos nos conectar.</p>



<p>A perda da experiência com o feminino volta nossa atenção para um mundo de formas, conquistas e coisas, unilateralmente patriarcal. Os ocidentais herdaram este mundo em que o aspecto feminino da vida foi sufocado. Isto significa que tudo que se refere aos relacionamentos sentimentais, ao amor, à intuição e à experiência lírica da vida está comprometido (JOHNSON, 1987, p.11).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-nossos-olhos-se-acostumaram-a-olhar-muito-para-fora-e-nunca-descansar" style="font-size:20px">Nossos olhos se acostumaram a olhar muito para fora e nunca descansar.</h2>



<p>A trabalhar enquanto eles dormem, a ter sempre algo em vista, sempre uma nova meta, um constante progresso. Afinal o mundo não para. Ao que parece preferimos conhecer as técnicas e construir altos prédios na tentativa de alcançar os céus. Mas na alta torre do conhecimento, o feminino fica enclausurado. Nossa capacidade de amar é sobrepujada pelo poder e a consciência do nosso mundo interno fica gravemente limitada.  Jung (2018, p. 140) nos traz que “o problema do amor faz parte dos grandes sofrimentos da humanidade, e ninguém deveria envergonhar-se do fato de ter de pagar seu tributo a ele”. Olhar para estas questões conscientemente ajudamos a trazer entrar em contato com conteúdos que crescem no inconsciente, dando-nos a chance de discuti-los.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resgatar-a-alma-e-o-feminino-que-habita-todos-nos-requer-uma-travessia-pelo-mar-do-inconsciente-nbsp"><strong>Resgatar a alma e o feminino, que habita todos nós, requer uma travessia pelo mar do inconsciente.</strong>&nbsp;</h2>



<p>Assim esse princípio poderá ressurgir para sua união com a polaridade masculina, na busca da união entre os pares sagrados da nossa natureza psíquica.</p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de S. Oliveira&nbsp; &#8211; Membro Analista em Formação pelo IJEP</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi &#8211; Membro Didata do IJEP</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências:</strong></h2>



<p>JOHNSON, Robert, <em>We &#8211; A Chave da psicologia do amor romântico</em>, São Paulo, Editora Mercuryo, 1987.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013.</p>



<p>______, A psicologia da ioga kundalini &#8211; Notas do seminário realizado em 1932, Petrópolis: Vozes, 2022.</p>



<p>______, <em>O desenvolvimento da personalidade</em>, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p>______, O eu e o inconsciente, 27ª edição, <a>Petrópolis: Vozes, 2015</a>.</p>



<p>QUALLS-CORBERTT, Nancy, <em>A prostituta sagrada</em>, São Paulo, Paulus, 1990.</p>



<p>SANFORD, John, A. <em>Os parceiros invisíveis</em>, São Paulo, Paulus, 2020.</p>



<p></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Perdemos nossa capacidade de amar?" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/UXDGNyhuDXc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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			</item>
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		<title>Herança psíquica transgeracional</title>
		<link>https://blog.ijep.com.br/heranca-psiquica-transgeracional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lorena Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Nov 2022 12:47:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arquétipos]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Analítica]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia Junguiana]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria de Carl Gustav Jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl gustav jung]]></category>
		<category><![CDATA[carl jung]]></category>
		<category><![CDATA[herança psíquica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia analítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia junguiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nascemos. Que lindos! Bebês fofinhos, bochechas gordas, narizes amassados e carinhas de joelho.  Somos recebidos pelas nossas famílias ou, em alguns casos, infelizmente, não somos. Então vivemos em um meio diverso do familiar padrão, encaminhados a locais institucionalizados. Mas neste breve artigo, vamos nos ater a uma vivência em âmbito familiar. Então surgem questionamentos: nascemos [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Nascemos. Que lindos! Bebês fofinhos, bochechas gordas, narizes amassados e carinhas de joelho. </em></p>



<p><em>Somos recebidos pelas nossas famílias ou, em alguns casos, infelizmente, não somos. Então vivemos em um meio diverso do familiar padrão, encaminhados a locais institucionalizados. Mas neste breve artigo, vamos nos ater a uma vivência em âmbito familiar.</em></p>



<p><em>Então surgem questionamentos: nascemos despidos, mas será que viemos nus psiquicamente também? Será que somos uma simples folha em branco, quando se trata desta esfera?</em></p>



<p>Quando olhamos nossa parte física, já podemos dizer que não viemos destituídos de tudo. Existe uma <strong>memória genética</strong>, um funcionamento orgânico, <strong>reflexos ancestrais</strong>, impulsos de manutenção, dentre uma infinidade de outros fatores. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-acabamos-de-nascer-mas-ja-carregamos-uma-historia-milenar-em-cada-uma-de-nossas-celulas"><strong>Acabamos de nascer, mas já carregamos uma história milenar em cada uma de nossas células</strong>.</h2>



<p>E na esfera psíquica, o que nos é reservado? Nos formaremos apenas pela influência do meio, pelos costumes, pela educação e pelos exemplos exteriores? Existe algo além do externo e consciente que impacta a formação da psique? Herdamos potencialidades psíquicas da nossa família, assim como herdamos os genes do DNA?</p>



<p>Sobre a possibilidade de herança psíquica que nos debruçaremos neste artigo, com enfoque especial no aspecto familiar e em como este meio pode influenciar na formação da psique.&nbsp;</p>



<p>De pronto, <strong>Carl Jung</strong>, se apropriando da expressão de Aristóteles, nos adianta que não nascemos uma <strong>tábula rasa</strong>. Isto é, a alma não nasce vazia, existem predisposições específicas. Com o conhecimento do inconsciente coletivo, não podemos perder de vista que a psique possui um caráter histórico. Mesmo antes da consciência surgir, existem conteúdos que a compõe.</p>



<p>A psique, não surgindo do nada em branco, emerge do inconsciente trazendo conteúdos que a definem com algo que a faz humana. Como a constituição física e genética – dotada de uma anatomia herdada e transmitida através das gerações –, a formação psíquica é decorrente de uma longa série ancestral, e possui conteúdos constelados por uma herança psíquica (JUNG, 2013, p. 329).</p>



<p><strong>A partir disso, olhar para a formação do ego abre caminho à compreensão dos questionamentos iniciais sobre a herança psíquica transgeracional</strong>. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-humanidade-viemos-de-uma-construcao-historica-de-fusao-grupal-em-que-a-mescla-uroborica-era-vivida-em-primeiro-plano">Como humanidade, viemos de uma construção histórica de fusão grupal, em que a mescla urobórica era vivida em primeiro plano.</h2>



<p><strong>Neumann</strong> traça um paralelo histórico e antropológico entre os agrupamentos humanos primevos e o amadurecimento da personalidade. Os povos ancestrais partilhavam de intensa ligação do coletivo com o individual, em que impera a inconsciência sobre a consciência. Era uma fusão entre identidade individual e meio coletivo, preponderando a <em>participation mystique</em>.</p>



<p>De modo análogo, nos primeiros anos de vida de uma criança existe uma identificação inconsciente com o coletivo, mais especificamente com a esfera familiar circundante. Quando nascemos, não possuímos diferenciação de opostos dentro da psique. Tudo é vivido como uno. De acordo com Neumann esta é uma fase pré-egóica. Isto significa que o complexo do ego ainda não está formado e flutua indefinido nos primeiros anos de vida, em que se experimenta um estado <strong>urobórico</strong>. </p>



<p>Nesse momento, há uma<strong> identidade biopsíquica entre corpo e mundo</strong> (NEUMANN, 1995, p. 12). O bebê permanece em uma ligação primal, em que as suas percepções sensoriais e de fome, por exemplo, estão extremamente ligadas à satisfação e ao alívio por parte da mãe. A personalidade é em grande parte inconsciente neste período.</p>



<p>A criança experimenta o mundo através desta forte ligação com a mãe, se valendo dos sentimentos e do corpo materno como mediador da sua vivência no mundo. Mas não é só a criança que está imersa, a mãe também está em estado de fusão, mesmo após o desligamento físico do nascimento.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-para-a-crianca-a-ligacao-com-a-mae-nos-primeiros-anos-de-vida-sera-a-base-da-sua-relacao-com-o-corpo-e-de-sua-relacao-com-as-outras-pessoas" style="font-size:20px"><strong>Para a criança, a ligação com a mãe nos primeiros anos de vida será a base da sua relação com o corpo e de sua relação com as outras pessoas</strong>. </h2>



<p><em>A partir da segurança deste sentimento inicial de imersão materna, os demais contatos sociais têm este ponto de partida.</em></p>



<p>O desenvolvimento do ego passa da esfera matriarcal ao patriarcado. Os primeiros estágios possuem a relação primal, já citava, sendo estágios inferiores. Posteriormente, nos estágios superiores e solares, inicia-se uma ligação com o self masculino e com o patriarcal, remetendo ao arquétipo paterno (NEUMANN, 1995, p.113). </p>



<p>Então vemos que, progressivamente, a intensa fusão psíquica e emocional com o meio vai diminuindo. A criança, perto dos dois anos, começa a se auto-referir como “eu” e sua individualidade ocorre por volta dos três e cinco anos de idade (JACOBY, 2010, p. 121). Neste período inicial, principalmente antes da escolarização, a família e os pais têm um peso acentuado na psicosfera infantil, determinando muitas vezes perturbações e problemas psíquicos vivenciados pela criança.</p>



<p>Por esta troca incessante e mais acentuada com o meio no começo da vida, a família é um “centro de gravidade emocional, o local onde começamos a ganhar identidade e a desenvolver o caráter sob a influência das diferentes personalidades que nos cercam” (ZWEIG; ABRAMS, 1994, p. 69). </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-crianca-vive-sua-psicologia-de-modo-fluido-em-um-estado-de-dependencia-com-a-familia">A criança vive sua psicologia de modo fluído, em um estado de dependência com a família. </h2>



<p>Tal estado é normal e esperado.<strong> Jung </strong>(2013b, p. 84) considera que perturbar esta condição própria da psique humana é prejudicial ao desenvolvimento natural infantil. Ele considera igualmente, que a dependência a esfera circundante é algo próprio de ser humano, sentido ainda mais fortemente na fase da infância:</p>



<p>Se nós, adultos, nos mostramos sensíveis a estas influências do meio ambiente, o que dizer então de uma criança cuja psique é mole e moldável como cera! O pai e a mãe gravam o sinete de sua personalidade fundo na psique da criança; e mais fundo quanto mais sensível e impressionável ela for. Tudo é retratado inconscientemente na criança, mesmo coisas das quais nunca se falou (JUNG, 1995, p. 496).</p>



<p>Por viverem ainda em um estado de <em>participation mystique</em> com os pais, em especial, as crianças sentem os influxos e os movimentos da psique materna e paterna. Para Jung, a alma infantil tem uma natureza ímpar. Dada a sua singularidade, as impressões colhidas do meio não se restringem apenas aos comportamentos exteriores. Mesmo que os exemplos dados não apresentem distúrbios perturbadores, as crianças vivem o que realmente existe e não aquilo que parece ser. Não obstante os pais façam um esforço para minorarem seus complexos e os dominarem, isto não se mostra efetivo, pois os filhos permanecem sendo impactados pelo dinamismo psíquico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-conteudo-inconsciente-tem-uma-energia-que-se-dissemina-a-psique-infantil-e-os-complexos-sao-contagiantes-jung-2013b-p-63" style="font-size:18px">O conteúdo inconsciente tem uma energia que se dissemina à psique infantil e os complexos são contagiantes (JUNG, 2013b, p.63).</h2>



<p>A conhecida citação de Jung sobre a vida não vivida dos pais talvez agora faça um sentido ainda mais amplo. É proposto por Jung que existem dois fatores relevantes em disfuncionalidades em crianças. O primeiro é justamente a vida não vivida dos pais, que pode gerar um movimento inconsciente dos filhos de busca da incompletude na vida de seus genitores. Corresponde ao que poderia ter sido feito pelos pais e antepassados, mas não o foi por leniência. <strong>É uma “mentira piedosa”, nas palavras do próprio Jung; algo que atenta contra a vida</strong>.</p>



<p>Um exemplo (JUNG, 2013c, p. 10) sobre <strong>Paracelso</strong> é bem ilustrativo. Seu pai teve uma vida reclusa e solitária, distante das evidências sociais. Por sua vez, Paracelso busca tudo o que o pai renunciou: fama e prazeres da vida mundana. Ele seguiu a tônica de desavenças com seus amigos, em consequência da ligação com seu pai, seu único amigo, a quem deve fidelidade. Nesta passagem, Jung, que traz este exemplo, propõe uma ligação real com a vida de nossos ascendentes. Dando a entender o profundo emaranhamento que o indivíduo pode ter com sua família, determinando muitos comportamentos e predisposições.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-antepassados-podem-ter-negligenciado-aspectos-importantes-que-nao-tem-relacao-com-a-moral-ligada-a-temporalidade" style="font-size:18px">Os antepassados podem ter negligenciado aspectos importantes, que não tem relação com a moral ligada a temporalidade.</h2>



<p>Não se pauta nas leis mutáveis dos homens, mas está conectada às ordens da vida. São conteúdos tidos como “pecado original”. O que faz supor que os temas que transpassam gerações levam uma carga energética significativa, passando de geração em geração na tentativa de compensarem uma desarmonia contra a vida.</p>



<p>O segundo fator é quando os pais têm um padrão de perfeição em seu proceder, tomando atitudes externas de retidão e não exteriorizando defeitos ou condutas reprováveis. Tais assuntos inconscientes lançados na sombra produzem um efeito venenoso que penetra na alma dos filhos (JUNG, 2013b, 88). Quando este cenário ocorre, os filhos se veem constrangidos a vivenciar a parte oposta, que estava inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-outro-caminho-que-pode-ser-tomado-nestes-casos-sao-padroes-de-imitacao-diante-dos-pais-que-se-julgam-perfeitos" style="font-size:18px">Outro caminho que pode ser tomado nestes casos, são padrões de <strong>imitação </strong>diante dos pais que se julgam perfeitos. </h2>



<p>Segundo <strong>Jung</strong>, este padrão pode gerar consequências desastrosas aos filhos, que se sentem moralmente arrasados pela percepção de inferioridade ou podem recorrer a imitação dos pais, aplicando o mesmo comportamento irreprovável em suas vidas. Entretanto, esta situação geraria uma necessidade de compensação futura, que interferiria até a terceira geração, como uma ‘prestação de contas’ (JUNG, 2013b, p.89).</p>



<p>Em “A natureza da psique”, Jung (2013, p.65) afirma que “muita coisa é interpretada como hereditariedade em sentido estrito é antes uma espécie de contágio psíquico que consiste em uma adaptação da psique infantil ao inconsciente dos pais” (JUNG, 2013a, p. 65). Este contágio psíquico familiar é vivenciado pelo próprio Jung em alguma medida, quando comenta em “Memórias, Sonhos e Reflexões” algumas impressões de sua família:</p>



<p>Enquanto trabalhava em minha árvore genealógica, compreendi a estranha comunhão de destinos que me ligava aos meus antepassados. Tenho a forte impressão de estar sob a influência de coisas e problemas que foram deixados incompletos e sem resposta por parte de meus pais, de meus avós e de outros antepassados.&nbsp;</p>



<p>Nessa busca sobre a “atuação secreta do demônio que comanda o destino” (JUNG, 2011. p. 299), <strong>Jung</strong> aprofunda suas teorias sobre os complexos, os arquétipos e o inconsciente coletivo. Se o homem é constituído fisicamente por disposições genéticas herdadas, na esfera psíquica há igualmente uma herança transmitida entre as gerações. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-vimos-na-tenra-idade-a-crianca-vive-imersa-na-esfera-inconsciente" style="font-size:21px">Como vimos, na tenra idade a criança vive imersa na esfera inconsciente.</h2>



<p>Os pais, por serem os mais próximos à psique que se forma, são os que exercem maior influência sobre os filhos, havendo uma identidade inconsciente entre eles. Por esta natural imaturidade egóica, os complexos dos pais e das mães podem facilmente afetar a espera psíquica dos filhos. Jung apresenta um exemplo muito ilustrativo de “hábitos psíquicos existentes nos membros da mesma família” (JUNG, 2013b, p. 63).</p>



<p>Recordo-me do caso ilustrativo de três meninas, filhas de mãe devotada ao extremo. Ao entrarem na puberdade, acabaram confessando mutuamente, muito envergonhadas, que por anos a fio tinham tido sonhos horríveis sobre a mãe. Sonhavam que ela era uma bruxa ou um animal perigoso, e não conseguiam entender isso de maneira alguma, pois, a mãe era amorosa e se sacrificava por elas. Anos mais tarde a mãe passou a sofrer de doença mental e nos acessos de loucura se punha a andar de quatro como um lobisomem e a imitar o grunhido dos porcos, o ladrar dos cães e o rosnar dos ursos.</p>



<p>Na prática clínica, Jung, por diversas vezes, se deparou com casos semelhantes a este. Em suas observações, pode perceber que quando uma criança apresenta uma neurose ou distúrbio psíquico é importante observar a esfera inconsciente dos pais, em especial a da mãe, já que a investigação do próprio inconsciente infantil não se mostra muito frutífera. Problemas ocultos e dificuldades dos pais podem interferir na saúde dos filhos, que expressam conteúdos do inconsciente através de sintomas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-jung-analisa-o-complexo-materno-em-simbolos-da-transformacao-ele-percebeu-a-grande-importancia-dos-pais-no-destino-de-seus-filhos" style="font-size:19px">Quando Jung analisa o <strong>complexo materno</strong> em “<strong>Símbolos da transformação</strong>”, ele percebeu a grande importância dos pais no destino de seus filhos.</h2>



<p>Nesse contexto, os pais são os responsáveis por passar à criança as leis que regem o psiquismo individual e também universal, por assim dizer. Algo existe além da educação, do comportamento e do jeito de tratar a criança, a alma infantil e a estrutura egóica primeva. Além de qualidades ou defeitos paternos e maternos, Jung atesta que os pais, por serem comumente os mais próximos da criança, são os transmissores de grandes conteúdos à alma infantil (JUNG, 2011, p. 300).</p>



<p>Neste sentido, uma aluna de Jung, <strong>Emma Fürst</strong>, realizou uma pesquisa exploratória de associação de palavras entre membros da mesma família. O estudo teve a participação de 100 pessoas de 24 famílias diferentes. Mesmo com dados ainda precários fornecidos por esta pesquisa, algumas observações importantes foram feitas com o respaldo da experiência analítica de Jung. Antes da realização do teste de associação em membros da mesma família a expectativa era de que os resultados seriam dissonantes. Contudo, verificou-se uma grande semelhança nas respostas obtidas, tendo sido visto até mesmo o uso de palavras idênticas entre mães e filhas. </p>



<p>Para Jung (2011, p. 146), a identificação feita pela criança é tão vívida, que em certos casos ao crescer, quando o indivíduo tem mais sensibilidade, as atitudes mentais são em tal nível semelhantes que os filhos geram circunstâncias parecidas a dos pais em suas vidas.</p>



<p>No experimento se observou em diversos casos uma influência significativa entre familiares, o que leva a conclusão da relevância do ambiente na constelação de fatores psíquicos e na similaridade de complexos afetivos entre familiares.&nbsp;</p>



<p>A desarmonia latente entre os pais, uma preocupação secreta, desejos secretos e reprimidos, tudo isso produz na criança um estado emocional, com sinais perfeitamente reconhecíveis. Que devagar mas segura e inconscientemente vai penetrando na psique dela, levando às mesmas atitudes e, portanto, às mesmas reações aos estímulos do meio ambiente (JUNG, 1995, p. 497).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-jung-verifica-com-frequencia-casos-em-que-padroes-dos-pais-sao-repetidos-pelos-filhos" style="font-size:18px">Jung verifica com frequência casos em que padrões dos pais são repetidos pelos filhos.</h2>



<p>São vários os casos, por exemplo, em que pessoas escolhem parceiros com distúrbios mentais correspondentes aos distúrbios que seus pais ou suas mães tinham: “<em>não é raro, por exemplo, que um homem sadio, cuja mãe é histérica, se case com uma histérica ou que as filhas de um alcoólatra se casem, por sua vez, com alcoólatras</em>” (JUNG, 1995, p. 496).</p>



<p>Podemos observar que condições dentro do universo familiar influem na psique em formação, assim como a educação recebida. Mas não só estes aspectos diretos e mais facilmente observáveis constrangem o indivíduo. Há esta bagagem inconsciente, transferida entre as gerações.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-se-trata-da-figura-materna-esta-tem-uma-relevancia-ainda-mais-acentuada-sobre-seu-filho" style="font-size:19px">Quando se trata da <strong>figura materna</strong>, esta tem uma relevância ainda mais acentuada sobre seu filho.</h2>



<p>Jung (p. 80, 2013b) afirma que a mãe tem um efeito psíquico “alimentador” sobre a criança, que precisa de atenção e cuidados para viver. Existe uma espécie de nutrição psíquica, em que a mãe é a maior fornecedora. Mesmo assim, toda esfera psíquica familiar atua na mente infantil. Quando há questões relevantes, segredos e fatos ocultos, estes têm um peso sobre os filhos e possuem uma carga maior de contágio. Conteúdos recalcados, isto é, negados e não conscientizados pelo ego, muitas vezes geram estados neuróticos, que são transmitidos para as gerações posteriores.</p>



<p>Pela análise e revisão dos conteúdos deixados por<strong> Jung</strong>, percebe-se que o dinamismo familiar tem um peso na formação da psique. Muito embora não seja fatalista ou determinante. A ressignificação de aspectos dolorosos e reconhecimento de valores intrínsecos familiares que movimentam o indivíduo fazem parte da integração dos fatores psíquicos na nossa experiência. </p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-partir-da-percepcao-da-importancia-familiar-que-faremos-com-isso" style="font-size:19px">A partir da percepção da importância familiar, que faremos com isso?</h2>



<p><em>A posição de apatia e vitimização das circunstâncias contribui para gerar uma infantilização e estagnação diante da vida. </em></p>



<p>Se olharmos para o processo de individuação, os conteúdos familiares e as predisposições inconscientes possuem capacidade geradora de transformação. Senão seremos simplesmente os resultados de aspectos dolorosos e menos felizes do passado; não deixando de ser ‘o filho maltratado pelo pai violento’, ‘a filha exposta a mãe manipuladora e egoísta’, ‘a criança abandonada e negligenciada’. Mesmo em circunstâncias sensíveis, profundas e desafiadores, ter a disposição de levar consciência a aspectos familiares constituintes da nossa psique gera a potencialidade de nos compreendermos melhor.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-a-pergunta-poderia-ser-esta-quem-sou-eu-a-quem-sucedem-todas-essas-coisas" style="font-size:18px">A pergunta poderia ser esta: <strong>Quem sou eu, a quem sucedem todas essas coisas</strong>?</h2>



<p><em>Olhando para dentro de seu coração ele encontrará certamente a resposta a esta pergunta crucial (JUNG, 1991, p. 126).</em></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/lorenaoliveira/">Lorena de Sousa Oliveira – Analista em formação</a></p>



<p><a href="https://blog.sudamar.com.br/author/simonemagaldi/">E. Simone Magaldi – Membro Didata</a> </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Herança psíquica transgeracional | Lorena Oliveira" width="814" height="458" src="https://www.youtube.com/embed/n3c6S6GFgfM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências: </h2>



<p>EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo, São Paulo: Cultrix, 1989.</p>



<p>JUNG, Carl Gustav. A natureza da psique, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013a.</p>



<p>______, A vida simbólica. Vol. 1, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 2012.</p>



<p>______, Estudos Experimentais, 6ª edição, Petrópolis: Vozes, 1995.</p>



<p>______, Freud e a psicanálise, 16 ª edição, Petrópolis: Vozes, 2011.</p>



<p>______, O desenvolvimento da personalidade, 10ª edição, Petrópolis: Vozes, 2013b.</p>



<p>______, O espírito na arte e na ciência, 13ª edição, Petrópolis Vozes, 2013c.</p>



<p>______, O eu e o inconsciente, 27ª edição, Petrópolis: Vozes, 2015</p>



<p>______, Os arquétipos e o inconsciente coletivo, 11 ª edição, Petrópolis: Vozes, 2014.</p>



<p>_______, Psicologia e Alquimia, 4ª edição, Petrópolis: Vozes, 1991.</p>



<p>NEUMANN, Erich, A criança: Estrutura e dinâmica da personalidade em desenvolvimento desde o início de sua formação, 10ª edição, São Paulo: Editora Cultrix, 1995.</p>



<p>______, História da origem da consciência, 13ª edição, São Paulo: Editora Cultrix, 2014.</p>



<p>WHITMONT, Edward. A Busca do Símbolo, 14ª edição, São Paulo: Editora Cultrix, 2010.</p>



<p>ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs.). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana, São Paulo: Editora Cultrix, 1994.</p>



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