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O que é suficiente para uma vida humana? Essa questão, aparentemente simples, atravessa diferentes tradições do pensamento ocidental e ressurge, em cada época, como uma crítica às diversas formas de excesso que caracterizam a experiência humana. Para Sêneca, tratava-se do excesso de desejos e da dependência dos bens exteriores; para os transcendentalistas, do afastamento da natureza e da simplicidade; para Jung, da identificação com a persona e da perda de contato com o Si-mesmo. Embora formuladas em contextos distintos, essas perspectivas convergem na compreensão de que o sofrimento humano não decorre apenas da escassez, mas também do acúmulo: de posses, de papéis, de expectativas e de tudo aquilo que obscurece a experiência do essencial.
Nossa sociedade valoriza cada vez mais a ideia de não ter limites, como fonte de liberdade e caminho para a felicidade. O capitalismo se aproveita e usa esse slogan: “você sem limites”, então, você pode ter o que quiser. As pessoas têm acreditado que quanto mais tiverem, ou aparentarem ter, melhor. Os limites são colocados como inimigos, numa ilusão de que basta querer, para poder. Neste breve artigo, trago as implicações e consequências psíquicas e sociais de não ter limites. E como a psicologia analítica vê a importância de reconhecer os próprios limites, para o desenvolvimento da personalidade, no caminho da individuação.
