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Aprender a ouvir — mas não com os ouvidos que filtram, classificam e arquivam. Ouvir com aquele órgão que não tem nome nos manuais, mas que os antigos chamavam de kardia, o coração-pensante. O terapeuta que ouve de verdade não está buscando o que encaixar no DSM-V ou CID; está buscando o que emerge entre as palavras, no intervalo, no suspiro que antecede a confissão, no silêncio que grita.
O presente artigo propõe uma leitura do tédio à luz da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, articulando-o com o cenário contemporâneo marcado pela aceleração do tempo, com uma visão utilitarista e um bem a ser gerenciado, e uma vida fugaz preenchida com inúmeras atividades e consumos, sem entender que o tempo é o tecido de nossas vidas e não permitindo desfrutar da verdadeira experiência que é o viver presente. Os indivíduos nesta corrida sem destino e sentido evitam a qualquer custo a experiência do vazio, do silêncio e da introspecção permanecendo em uma vivência exclusivamente externa e nos papéis representados na vida cotidiana
