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Observando a situação em que Gaia se encontra atualmente, esse artigo propõe uma pequena reflexão sobre uma mudança de paradigma embasando-se em conceitos da Psicologia Junguiana (soberania da consciência, o rebaixamento do inconsciente, a antinomia poder – amor) e do Bem-Viver (filosofia ancestral dos povos originários). Esse artigo reflete sobre a soberania da consciência e o consequente rebaixamento inconsciente, a antinomia poder-amor, conforme C.G. Jung, e a filosofia do Bem-Viver.

Ao conhecer o conceito Tekoá-porã – termo guarani, que significa Bem-Viver – não pude deixar de pensar sobre o que estamos presenciando atualmente em relação ao mundo natural. Embaso-me na Psicologia Junguiana para fazer uma pequena reflexão sobre esse tema tão importante para o contexto atual da humanidade onde Gaia se encontra ameaçada.

“Boa parte dos analistas junguianos trabalham de forma quase predominante com os mitos gregos. A maioria das escolas formadoras tem um “excesso de Grécia” e uma miopia para os saberes dos ancestrais da nossa terra. Temos muita Ariel e pouca Yara. Como os mitos tratam de assuntos arquetípicos, trabalhar com a narrativa dos mitos dos povos originários é um convite para emergir do inconsciente as imagens que nos constituem como brasileiros. “

Boa parte dos terapeutas junguianos brasileiros não bebem da fonte dos mitos indígenas. Nos aprofundamos nos estudos principalmente dos mitos gregos e não olhamos os mitos dos povos originários com a profundidade que eles merecem. Temos um “excesso de Grécia” e uma miopia para os saberes dos ancestrais da nossa terra. Por isso, para refletirmos sobre a sombra coletiva projetada nos povos indígenas, é importante contextualizar o Espírito da Época no período do descobrimento do Brasil. Este texto é um convite (e uma provocação) para refletirmos sobre esses nossos irmãos tão relegados à sombra e descaso.