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Não faz muito tempo, as imagens fotográficas eram “escritas à luz”. Era um tempo de menos telas. A revelação era uma verdadeira cura, no sentido de cuidado e transformação. Primeiro, as máquinas fotográficas captavam a imagem num filme, onde luz e sombra se invertem. Por isso, o filme também era chamado de negativo. Depois, na penumbra de uma câmara escura, a imagem florescia positiva, em meio à sombra e à luz. Neste ensaio, faço um paralelo entre o processo analítico e o antigo jeito de revelar imagens. Procuro mostrar que tanto analista quanto analisando têm como missão, por meio de ampliações simbólicas e uma atenta e reveladora curadoria de luz e sombra, fazer do negativo, que obscurece a alma, algo positivo.
Este ensaio propõe uma reflexão sobre o caminho para a alma, a partir da psicologia junguiana, tomando como eixo crítico o modo de vida contemporâneo e suas formas de subjetivação marcadas pela aceleração, pela funcionalização da experiência e pela perda de espessura do sensível. O paradoxo que atravessa o texto é o de que o caminho para o interior, para a alma, não se dá por afastamento do mundo, mas precisamente por uma reaproximação do sensível, onde, na tensão entre opostos, algo de simbólico pode emergir e devolver ao humano a possibilidade de habitar o mundo com maior profundidade.
Nossa sociedade valoriza cada vez mais a ideia de não ter limites, como fonte de liberdade e caminho para a felicidade. O capitalismo se aproveita e usa esse slogan: “você sem limites”, então, você pode ter o que quiser. As pessoas têm acreditado que quanto mais tiverem, ou aparentarem ter, melhor. Os limites são colocados como inimigos, numa ilusão de que basta querer, para poder. Neste breve artigo, trago as implicações e consequências psíquicas e sociais de não ter limites. E como a psicologia analítica vê a importância de reconhecer os próprios limites, para o desenvolvimento da personalidade, no caminho da individuação.
Este artigo propõe uma leitura junguiana da crise contemporânea do trabalho, compreendendo as organizações como campos onde a psique coletiva se expressa. Argumenta-se que o predomínio unilateral do Princípio Masculino centrado na performance, no controle e na produtividade produz ambientes emocionalmente áridos e simbolicamente empobrecidos. Com apoio em Jung e em autores junguianos como Neumann, Hillman e von Franz, sustenta-se que tal desequilíbrio só pode ser superado mediante a reintegração simbólica do Princípio Feminino, compreendido como força arquetípica que nutre a imaginação, o cuidado, o vínculo e a interioridade. Essa reintegração inaugura o movimento em direção ao Princípio da Alteridade, no qual Feminino e Masculino deixam de operar em oposição e passam a agir em complementaridade, abrindo espaço para culturas organizacionais mais humanas e criativas. Discute-se ainda o trabalho como caminho de individuação, ressaltando que o sofrimento laboral funciona como chamado da alma para a ressignificação. Conclui-se que reencantar o trabalho não é luxo, mas necessidade civilizatória: somente ao integrar esses princípios arquetípicos será possível construir organizações capazes de sustentar a vida psíquica e devolver sentido ao agir coletivo.
O presente artigo propõe uma aproximação entre o processo analítico e a construção de uma ética amorosa por meio do confronto com a sombra individual. A partir dos textos de Jung, hooks e Neumann, conclui-se que o envolvimento do indivíduo em seu processo de autoconhecimento favorece uma atitude de alteridade, promovendo uma prática relacional mais amorosa e justa.
No Natal, as famílias cristãs se reúnem e, com esse encontro, ocorre a mobilização de afetos profundos: memórias são acessadas e emergem expectativas de união e alegria. Mas também é um campo fértil para diversos tipos de conflitos; parece que algumas impurezas, antes empurradas para debaixo do tapete, resolvem se rebelar, dando lugar às célebres explosões emocionais. Neste artigo serão visitadas algumas projeções próprias desta época do ano.Então é Natal, e o que você fez?
Neymar é uma figura controversa: por um lado, com seu “futebol moleque”, é criativo, ousado e habilidoso; por outro, um homem infantilizado, inconsequente e sombrio. Ao “homenino”, tudo é permitido e concebido. Neymar foi colocado numa espécie de Terra do Nunca e não quer sair de lá. Em terminologia junguiana, Neymar está identificado com Puer aeternus, o arquétipo da criança-divina que, quando na polaridade negativa, a pessoa fica presa nunca espécie de adolescência e se recusa a amadurecer. Neste ensaio, proponho, de forma despretensiosa, um diálogo entre a teoria junguiana e as narrativas midiáticas, em um exercício argumentativo e hipotético, para explorar o arquétipo do puer aeternus, tomando Neymar como referência.
Este artigo discute quais seriam as possíveis causas da homofobia. Desejo reprimido, expectativas sociais, medo do desconhecido. Afinal, o que leva uma pessoa a apresentar aversão a algo que, a princípio, nem lhe diz respeito? Causas psíquicas e sociais podem estar em jogo num tema que é complexo e polêmico.
O presente artigo, escrito em duas mãos, traz reflexões sobre a violência relacionada às mulheres no contexto brasileiro. O Brasil é considerado um dos países mais inseguros para as mulheres, ou seja, a violência doméstica, abusos físicos, psíquicos e sexuais, se traduz em medos, inseguranças e traumas. Normalmente, os abusadores são pessoas conhecidas e as violências ocorrem dentro de casa, no ambiente familiar. Relações disfuncionais se refletem no corpo e na alma de todas as mulheres, numa rede inconsciente coletivamente compartilhada, e os complexos e compensações nas relações abusivas impactam a todos. Mudanças legais e sociais estão em curso, com altos e baixos nos palcos sociopolíticos, portanto, o presente artigo é mais que pertinente, é necessário para ampliarmos as discussões atualmente vigentes.
Resumo: Este artigo propõe uma reflexão sobre o paradoxo da intolerância, de Karl Popper, à luz da Psicologia Analítica. A…
