Browsing: Teoria de Carl Gustav Jung

Este ensaio propõe uma leitura simbólica da violência masculina na adolescência a partir da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, das ampliações realizadas por Marie-Louise von Franz em O Asno de Ouro e da compreensão de Bernard Lievegoed acerca das fases da vida. Discute-se a adolescência como um momento crítico da constituição da consciência, marcado pela separação psíquica em relação ao mundo infantil, pela emergência da sexualidade e pela busca de pertencimento e identidade. Von Franz aprofunda essa reflexão ao descrever determinadas manifestações de brutalidade juvenil como expressões de uma masculinidade imatura e impulsiva, associada a formas degradadas de passagem para o mundo adulto. Em diálogo com essas formulações, Lievegoed compreende a adolescência como o grande despertar da realidade, período marcado pela busca de sentido e lugar no mundo. O ensaio propõe compreender determinadas formas contemporâneas de violência juvenil como expressões de falhas na elaboração simbólica da entrada na vida adulta.

Apoiado na perspectiva da psicologia analítica, este ensaio propõe uma reflexão sobre a evolução da vida e da consciência humana, destacando que, apesar dos avanços civilizatórios, permanecemos intimamente conectados a dimensão coletiva da psique. O artigo discorre sobre como a diferenciação dos pares de opostos, unidos originalmente no pleroma, é condição fundamental para o surgimento da individualidade, da consciência e do próprio desenvolvimento psíquico e da vida. Nesse sentido, a tensão entre polaridades não deve ser eliminada ou rechaçada, mas sustentada como um campo criativo e autorregulador, capaz de promover transformação e ampliação da consciência através de uma compreensão mais integrada da existência. Assim, uma importante tarefa evolutiva do ser humano consiste em evitar as fixações unilaterais, mantendo o diálogo entre opostos e resgatando a conexão com a unidade essencial que sustenta e integra toda a vida.

O sofrimento é inerente à condição humana e neste ensaio nos questionamos o que, tendo como base a teoria junguiana, poderia amparar indivíduos que atravessam sofrimentos intensos. Partimos do livro bíblico de Jó para fazer essa análise, sobre o qual Carl Gustav Jung destacou a relação entre o humano e o divino, enfatizando a presença de aspectos sombrios na própria imagem de Deus. No presente artigo, procuraremos olhar a história a partir de outro ponto de vista do funcionamento da psique, buscando compreender o que pode ter dado sustentação para que o personagem não sucumbisse diante de tantas provações. Para tanto, recorremos ao princípio de Eros, concebido como amor primordial, enquanto fundamento deste amparo psíquico.

Este artigo tem como objetivo provocar uma reflexão sobre os efeitos da atuação da sombra, como complexo, na vida do indivíduo e sua consequente influência em processos de adoecimento. O adoecimento surge como uma forma simbólica da psique manifestar aspectos inconscientes que pedem reconhecimento e integração. O quanto menos reconhecemos as mensagens do inconsciente, mais força e energia o complexo acumula e os sintomas e doenças surgem, como tentativa de uma autorregularão psíquica. O autoconhecimento para compreensão do indivíduo, de suas motivações inconscientes e de suas decisões de vida são um caminho para uma adaptação saudável a um mundo cada vez mais adoecido.

ste ensaio propõe um percurso simbólico pelas imagens do filme As Pontes de Madison de 1995, tecendo reflexões sobre a paradoxal condição humana em sua relação com as forças arquetípicas, a partir da psicologia de Carl Gustav Jung. Um encontro de cada indivíduo com a alma que passa, necessariamente, pelo encontro com o outro.

A pergunta “é tudo culpa dos pais?” frequentemente emerge diante do sofrimento psíquico infantil, sustentando uma visão causal e moralizante. A Psicologia Analítica propõe um deslocamento dessa lógica, enfatizando que a influência parental se dá sobretudo em nível inconsciente. Leia o artigo aqui.

Este ensaio convida a olhar a traição não como ruptura súbita, mas como o desvelar de uma fissura silenciosa que já habitava a alma. Antes do ato, há pequenas renúncias à própria verdade, onde o que se vê é suavizado para que o vínculo permaneça. Na trama invisível das relações, sombra, projeção e heranças inconscientes dançam, revelando que o outro também habita em nós. E é na queda da ilusão, dolorosa e lúcida, que a consciência pode enfim nascer, pedindo a coragem de sustentar o que se vê.

Este artigo propõe uma reflexão acerca dos tipos psicológicos e do abuso de poder na clínica a partir de uma leitura de O Alienista, de Machado de Assis. Mediante a interpretação do personagem Simão Bacamarte como expressão do tipo pensamento extrovertido, discute-se a identificação unilateral do ego com a função principal e seus desdobramentos éticos e clínicos. O texto articula contribuições de Carl Gustav Jung, Marie-Louise von Franz, Daryl Sharp e Adolf Guggenbühl-Craig para refletir sobre o problema tipológico, a função inferior, a sombra e os riscos inerentes à posição de autoridade do analista. Conclui-se pela necessidade de uma postura crítica, dialógica e autorreflexiva, capaz de sustentar a tensão entre tipologia e singularidade, evitando reducionismos e favorecendo uma escuta ética e transformadora.