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Quando aquilo que sustenta a identidade do indivíduo já não faz mais sentido, talvez não seja fracasso — mas um chamado. A Psicologia Analítica compreende esse vazio da maturidade como uma exigência de renascimento psíquico: uma travessia em que o antigo eu precisa morrer para que algo mais verdadeiro possa emergir. “Partejar a si mesmo” é a imagem desse processo — doloroso, inevitável e profundamente transformador. Este artigo propõe olhar o envelhecimento não como declínio, mas como território iniciático, onde a pergunta decisiva finalmente se impõe: quem sou eu quando já não sou quem fui?

A partir de uma leitura simbólica do filme Red: Crescer é uma Fera, este texto busca explorar a pergunta “crescer dói?”. A animação narra a jornada de Mei, uma adolescente que se transforma em um panda vermelho sempre que suas emoções transbordam. Partindo da ideia de que o amadurecimento só se torna possível por meio das relações que estabelecemos com o outro e, sobretudo, por meio do diálogo honesto com as emoções que nos atravessam, a análise utiliza a narrativa da Pixar como pano de fundo para refletir a respeito de quanto o crescimento psíquico exige confronto, coragem e vínculos verdadeiros. Entre rituais de contenção, expectativas parentais e a busca por autenticidade, o filme se revela como uma metáfora potente sobre a força transformadora dos relacionamentos e sobre a importância de libertarmos aquilo que, por medo ou lealdade, mantemos aprisionado dentro de nós.

Muita coisa mudou nos últimos 100 anos nas vidas das mulheres ocidentais, especialmente aquelas que vivem nas grandes cidades. Algo do aspecto masculino (Animus) tornou-se bastante consciente e ativo, usando muito da energia psíquica das mulheres. Será que, de forma compensatória, teria algo do feminino nas mulheres foi tornado inconsciente, criando uma “nova” Anima? 

Este artigo apresenta reflexões sobre o envelhecimento à luz da Psicologia Analítica, destacando-o como um período simbólico de ampliação da consciência e integração dos conteúdos inconscientes. A partir de Jung e de autores contemporâneos, reflete-se sobre a vida não vivida, o movimento de interiorização e a busca por significado como aspectos fundamentais da jornada de individuação na segunda metade da vida. Envelhecer, sob essa perspectiva, deixa de ser apenas um declínio biológico e se torna um convite à integração, à reconciliação e à plenitude.

Nesse artigo trouxe alguns números novos, explorando o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, divulgado por ocasião do dia 1 de dezembro –Dia Mundial de Luta contra a Aids – do ano de 2025. Segundo Jung, “Faz parte do amor a profundidade e fidelidade do sentimento (…) o verdadeiro amor sempre pressupõe um vínculo duradouro e responsável”. (JUNG.2019, & 231). Nesse sentido, em profundidade de “Alma”, como postula Jung, o termo “fazer amor” nos torna mais próximos dessa afetividade. (…)

Entender a mulher contemporânea ajuda a compreender suas relações com a sociedade, parceiro/a (quando possui), filhos e consigo mesma. As estatísticas mostram que o papel de mãe está mudando, mas a sociedade ainda a coloca num lugar de abnegação em prol dos filhos. Refletir e tomar consciência sobre como essa identificação com o papel de mãe poderá gerar solidão, tristeza, dentre outros sintomas no ninho vazio é uma possibilidade de prevenção ao aparecimento da síndrome.

O Presente artigo comemora o aniversário de Nise da Silveira, importante psiquiatra que revolucionou a psiquiatria no Brasil, recusando-se a aplicar os tratamentos da época, que eram bastante violentos. O artigo fala da trajetória desta mulher extraordinária, do seu encontro com Jung, da participação no II Congresso de psiquiatria de Zurique, dos primeiros anos no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro e de seu trabalho com a terapêutica ocupacional. Fala ainda da fundação do Museu do Inconsciente e da Casa das Palmeiras, importante centro de acolhimento aos doentes mentais proporcionando contato com diversas expressões criativas visando a melhora dos doentes, principalmente os esquizofrênicos.

A proposta do presente artigo é refletir sobre o processo artesanal da cerâmica como exercício simbólico e recurso terapêutico na despotencialização da função pensamento unilateralizada. Enaltecida pelo espírito do tempo, que considera a razão e a lógica como premissas supremas, a função pensamento torna-se uma armadilha para aqueles que a possuem como função dominante. Como evidenciado na teoria de Carl Gustav Jung, o indivíduo só consegue caminhar rumo à sua totalidade quando passa a integrar os conteúdos inconscientes. Sendo assim, a produção da cerâmica como expressão criativa apresenta-se com potencial para expressar conteúdos inacessíveis através apenas da intelectualidade, comprovando que formas não-verbais de comunicação possuem força simbólica, facilitam a integração das outras funções da consciência e abrem caminho para o desenvolvimento psíquico