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Este ensaio propõe uma reflexão sobre a atitude simbólica na psicologia analítica, compreendendo a imagem como linguagem própria da psique e, o símbolo, como principal mediador da relação entre consciência e inconsciente. A partir das contribuições de Carl Gustav Jung, Nise da Silveira e outros autores da tradição junguiana, discute-se o potencial transformador da imaginação, dos símbolos e dos recursos expressivos no processo terapêutico.

Este artigo discute a dificuldade de romper padrões familiares na parentalidade, mesmo quando existe o desejo consciente de educar os filhos de forma diferente daquela vivenciada na própria infância. As experiências emocionais não elaboradas, e até mesmo as elaboradas, podem influenciar reações automáticas e a repetição de comportamentos herdados. Utilizando o mito grego de Urano, Cronos e Zeus como metáfora da transmissão transgeracional de padrões, o texto reflete sobre os desafios de transformar a própria história familiar.

O artigo aborda o cuidado como dimensão essencial da existência humana, articulando as contribuições de Leonardo Boff e da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Defende que o cuidado ultrapassa o campo ético e constitui uma condição ontológica do ser humano, presente desde a origem da vida e fundamental aos processos de transformação psíquica, às relações interpessoais e à reconexão com a natureza. Em um contexto de crises ecológicas, sociais e psíquicas, propõe o cuidado como caminho de regeneração da vida e de construção de uma cultura de paz.

A propaganda atual, para o caminho da felicidade, é: quanto mais conforto, melhor. As dificuldades são colocadas como inimigas a serem evitadas. Cada vez mais, somos ensinados a termos o que desejamos, sem limites. A nossa capacidade de suportar as contrariedades, saber esperar e conviver com os obstáculos é cada vez menor. Ficamos mais frágeis e impacientes. A insatisfação aumenta. Neste breve artigo, discorro sobre a resiliência e sua importância para o caminho de autoconhecimento. E as consequências de sua falta, nas pequenas coisas cotidianas corriqueiras, nas relações, no processo de autodesenvolvimento espiritual e no caminho da individuação.

O que é suficiente para uma vida humana? Essa questão, aparentemente simples, atravessa diferentes tradições do pensamento ocidental e ressurge, em cada época, como uma crítica às diversas formas de excesso que caracterizam a experiência humana. Para Sêneca, tratava-se do excesso de desejos e da dependência dos bens exteriores; para os transcendentalistas, do afastamento da natureza e da simplicidade; para Jung, da identificação com a persona e da perda de contato com o Si-mesmo. Embora formuladas em contextos distintos, essas perspectivas convergem na compreensão de que o sofrimento humano não decorre apenas da escassez, mas também do acúmulo: de posses, de papéis, de expectativas e de tudo aquilo que obscurece a experiência do essencial.

O presente ensaio é um convite à reflexão simbólica do Complexo de Cassandra e a endometriose. A narrativa mítica apresenta um contexto para pensar sobre os significados da histeria e fazer uma releitura desse diagnóstico de forma simbólica. Esse texto não se propõe a esgotar o tema, mas a aprofundar a reflexão acerca do descrédito do feminino e do enlouquecimento do feminino sob uma leitura arquetípica do complexo materno negativo.

Por que temos tanta dificuldade em sentir? Por que somos condicionados a ocultar nossas emoções e sentimentos? Se o sintoma é a expressão visível do complexo, se é tão benéfico para o nosso aperfeiçoamento, por que o evitamos de forma tão hercúlea? Por que temos tanto medo de nos entregarmos a ele? Se ele é o condutor para o nosso inconsciente, por que rejeitamos esse tesouro? O que em nós, ou quem em nós resiste a esse chamado e nos impede de seguirmos a estrada rumo à nossa transformação interior?

Em uma contemporaneidade marcada pelo individualismo, pela lógica da produtividade e pelo excesso de controle racional sobre a vida, as relações amorosas parecem atravessar uma crise de indisponibilidade psíquica. Partindo da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, este artigo propõe uma reflexão sobre o amor enquanto experiência de transformação e vulnerabilidade, investigando as dificuldades contemporâneas em sustentar vínculos afetivos profundos. A partir dos conceitos de projeção, Eros e Logos, discute-se como o apaixonamento pode funcionar como uma abertura para o inconsciente e para o autoconhecimento, ao mesmo tempo em que ameaça a fantasia moderna de autonomia absoluta. O texto também problematiza como o amor é algo constantemente adiado em nome de ideais de estabilidade e sucesso.

Este ensaio propõe uma leitura simbólica e alquímica do saneamento básico no Brasil a partir da psicologia analítica. Articulando dados da crise sanitária brasileira com conceitos de Jung, Hillman, Bauman, Mbembe e Nego Bispo, o texto compreende água, resíduo sólidos, esgoto e drenagem de água pluvial como imagens da psique coletiva. A reflexão discute temas como sombra, inconsciente coletivo, colonialidade, higienismo psíquico e transformação, propondo a “confluência básica” como ética simbólica de integração e ampliação da consciência coletiva.

ocê já foi intensamente desejado para pouco tempo depois ser completamente ignorado? Onde conversas antes fluídas são friamente bloqueadas nos aplicativos e nos afetos? Entre o fascínio e a descartabilidade, o love bombing e o ghosting bailam na superfície das relações digitais , onde projeções, idealizações e rupturas se entrelaçam. Num encontro dialético entre Carl Gustav Jung e Zygmunt Bauman, este ensaio é um convite para refletir sobre a liquidez das relações e a sombra das projeções na era digital. Se o love bombing aponta para uma inflação do ego e o ghosting para a descartabilidade sombria, ambos denunciam a dificuldade de sustentar a alteridade. Entre a fusão e a fuga, a relação revela a dificuldade em estabelecer vínculos. Jung diz que “o amor custa caro e nunca deveríamos tentar torná-lo barato”, e nos tempos líquidos e de fuga, talvez seja a profundidade e a alteridade que nos permitirá encontrar a plenitude no amor.”