Browsing: Gênero

A crença de que a função paterna depende da presença de um homem ainda orienta discursos sobre família e desenvolvimento, embora não encontre sustentação psicológica. Com base em Jung, o ensaio argumenta que esta função é simbólica: um princípio de direção, limite e abertura ao mundo que pode ser vivido por qualquer pessoa cuidadora. Examina-se como a psique projeta o arquétipo do Pai sobre quem oferece presença e orientação, e como a experiência concreta — não o gênero — organiza o complexo paterno. A história de Crisóstomo, em O Filho de Mil Homens, mostra que o mundo, o trabalho e os encontros também podem desempenhar essa função. Por fim, o texto convida a ampliar o olhar: mais do que uma figura, trata-se de reconhecer as muitas formas pelas quais a vida pode sustentar a formação da criança.

Este artigo propõe uma leitura junguiana da crise contemporânea do trabalho, compreendendo as organizações como campos onde a psique coletiva se expressa. Argumenta-se que o predomínio unilateral do Princípio Masculino centrado na performance, no controle e na produtividade produz ambientes emocionalmente áridos e simbolicamente empobrecidos. Com apoio em Jung e em autores junguianos como Neumann, Hillman e von Franz, sustenta-se que tal desequilíbrio só pode ser superado mediante a reintegração simbólica do Princípio  Feminino, compreendido como força arquetípica que nutre a imaginação, o cuidado, o vínculo e a interioridade. Essa reintegração inaugura o movimento em direção ao Princípio  da Alteridade, no qual Feminino e Masculino deixam de operar em oposição e passam a agir em complementaridade, abrindo espaço para culturas organizacionais mais humanas e criativas. Discute-se ainda o trabalho como caminho de individuação, ressaltando que o sofrimento laboral funciona como chamado da alma para a ressignificação. Conclui-se que reencantar o trabalho não é luxo, mas necessidade civilizatória: somente ao integrar esses princípios arquetípicos será possível construir organizações capazes de sustentar a vida psíquica e devolver sentido ao agir coletivo.

Este artigo discute quais seriam as possíveis causas da homofobia. Desejo reprimido, expectativas sociais, medo do desconhecido. Afinal, o que leva uma pessoa a apresentar aversão a algo que, a princípio, nem lhe diz respeito? Causas psíquicas e sociais podem estar em jogo num tema que é complexo e polêmico.

Este texto apresenta aproximações entre as ideias que Judith Butler apresenta em seu livro “Desfazendo Gênero” (2022) e elementos da narrativa Junguiana. Ambos aprofundam com linguagem diferente núcleos temáticos semelhantes como a tensão entre universal e singular, indeterminação (negatividade) e determinação. Aspectos constitutiva em todo o vivente.

Na visão junguiana, símbolo é a melhor representação possível de alguma coisa que jamais poderá ser conhecida plenamente. No entanto, isso não significa que não possamos estudar um símbolo, buscar entender como ele se relaciona com o mundo ao nosso redor e com nós mesmos, mesmo sabendo que nossa tarefa nunca será completa. Nesse ensaio busco exatamente isso, costurar fatos e visões sobre um símbolo, o armário, mas não qualquer armário, o armário LGBTQIA+, aquele que fala de uma certa vergonha e de um certo orgulho. Não espero aqui esgotar o que pode ser dito sobre o tema, nem contemplar todas as possibilidades e vivências possíveis nesse universo. Mas espero ampliar a visão sobre um símbolo que dá conta de uma vivência muito particular das minorias de gênero e sexualidade.

O presente artigo faz uso do conto da Mula-sem-cabeça, que trata sobre a maldição ou interdição da sexualidade feminina. O contexto da Mula é religioso, a concubina do padre católico, contudo, os aspectos simbólicos podem ser ampliados para todas as mulheres, que há milhares de anos tem sua vida controlada pela força do patriarcado, independente do credo religioso, idade, origem etc. A moralidade judaico-cristã carimba a vivência do prazer como algo vergonhoso e sombrio. A culpa, o medo, a repressão, os desejos não ditos vão se acumulando a muitas gerações. A transformação da mulher em mula é singular entre os contos femininos que versam essa temática ao redor do mundo e seu descontrole e agressividade, podem ser entendidos como respostas a opressão. Ressignificar a sexualidade e o prazer são chaves importantes para o desenvolvimento integral das mulheres.

A história de Lampião e Maria Bonita já se tornou uma lenda, e faz parte do patrimônio histórico-cultural brasileiro. O propósito deste artigo é, a partir da narrativa desta história, fazer uma análise dos aspectos arquetípicos do animus e anima no contexto do cangaço.
O princípio masculino e o princípio feminino sempre presentes e que buscam a completude podem ser vistos aqui no cenário da caatinga nordestina, entre batalhas, tiroteios, fugas e esconderijos, numa história de muitas aventuras, violência e romance.