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Anakin, Vader e Luke: o complexo paterno negativo em Star Wars

ANAKIN, VADER E LUKE: o complexo paterno negativo em Star Wars

ANAKIN, VADER E LUKE: o complexo paterno negativo em Star Wars

O presente artigo abordará acerca do complexo paterno e seus desdobramentos, assimilados a partir da narrativa do filme Star Wars e seus personagens.

A importância dos mitos

Jung estudou com profundidade os mitos e sua obra é transpassada por inúmeros relatos de sonhos de pacientes cujos aspectos centrais apresentam figuras mitológicas. Para ele, “se o mito fosse simplesmente um resíduo histórico, teríamos que indagar a razão pela qual já não desapareceu há muito tempo no depósito de lixo do passado, continuando a influenciar através de sua presença até os mais altos cumes da civilização” (JUNG, OC 9/1, 2017, p. 263, § 469).

Como os mitos estão contidos no inconsciente coletivo e participam da psique do indivíduo, as histórias míticas, ao serem aprofundadas e elaboradas, podem elucidar conflitos internos, trazer à tona complexos, conteúdos inconscientes, e abrir a possibilidade para atribuir um novo olhar e significado.

Fazer associações em torno de uma narrativa mítica significa mergulhá-la no inconsciente deixando que venha à tona as emoções, imagens, afetos ou símbolos oriundos ao tema apresentado.

As histórias míticas nos captam e estão muito presentes na arte. 

Star Wars (Guerra nas Estrelas), é uma franquia de filmes americanos muito além das incríveis batalhas espaciais do bem contra o mal. O diretor George Lucas se serviu fartamente de padrões mitológicos nos roteiros dos filmes.

O primeiro filme foi lançado em 1977 com o título “Star Wars”, e tornou-se um fenômeno mundial. As sequências “O Império contra-ataca” (1980) e “O Retorno de Jedi” (1983) levaram a trilogia à consagração.

Muito além da jornada do herói, da luta do bem contra o mal, das discussões políticas e de carismáticos personagens, os temas míticos presentes em Star Wars estão fortemente marcados nesta trilogia. 

Joseph Campbell (1990, p. 154) diz que “Guerra nas estrelas não é apenas uma história de moralidade, o filme tem a ver com os poderes da vida, conforme sejam plenamente realizados ou cerceados e suprimidos pela ação do homem”.

Um assunto presente nos temas míticos é o embate de filhos contra os pais.

Na mitologia cosmogônica grega, a tríade de Deuses-pais Urano-Crono-Zeus exemplificam o exposto, quando Crono castra o pai e o destrona, para mais tarde ser confrontado e destronado por Zeus.

Star Wars também traz um olhar sobre a busca do pai e sobre o complexo paterno que abarcam os personagens Anakin-Vader-Luke. Gostaria de fazer um adendo que, para efeito de reflexão teórica, Anakin e Darth Vader, apesar de serem a mesma pessoa, considero como personagens distintos pois, ao ser possuído pela sombra, Anakin se transforma em Darth Vader e vai para o lado negro da força com uma “nova personalidade”. Vamos discutir de forma aprofundada mais adiante.

Para refletirmos sobre o complexo paterno negativo dos personagens, voltaremos a Tatooine onde será construído o arco narrativo e analítico da história.

A escrava Shmi Skywalker concebeu através das midi-chlorians (energias atribuídas à Força) o pequeno Anakin e, por ser um escravo, sua infância não foi fácil. Dotado de inteligência aguçada e muita agilidade, desde criança serviu ao mestre Watto em sua loja de peças.

Anakin nasceu sem pai e sua primeira projeção paterna é negativa.

Para Alberto Pereira Lima Filho (2002, p.75) “o abandono especificamente paterno é a imagem da perpetuação da falta. O pai terrível, priva, sonega, impede, boicota, abandona. (…) O abandono paterno pode gerar a busca constante pela figura do pai ideal.”

A ausência de uma figura paterna pode trazer complicações no desenvolvimento da personalidade infantil. Em Anakin, percebemos uma criança que tenta ser autossuficiente, independente, invulnerável. Numa espécie de apego evitativo, ele evita se evolver emocionalmente.

Certo dia, a nave espacial de Qui-Gon Jinn (mestre de Obi-Wan Kenobi) quebra e ele vai até a loja de Watto para comprar uma peça para reposição, quando conhece o pequeno Anakin. Qui-Gon identifica que o menino é dotado de grande energia da Força e deseja levá-lo para receber treinamento Jedi.

O mestre incentiva a criança, promovendo nele o desejo de sair daquele deserto e desenvolver suas habilidades. Anakin faz uma projeção paterna positiva em Qui-Gon: vence a corrida que promoveria sua liberdade e deixa sua mãe para dar início ao seu treinamento Jedi (início da jornada do herói).

Qui-Gon apresenta Anakin ao Conselho Jedi que o rejeita como padawan (aprendiz) porque ele já estava numa idade avançada para receber os treinamentos. Essa situação causa um forte sentimento de rejeição em Anakin e o marcará por toda sua vida. Anakin se sentirá um enjeitado e aos poucos perderá sua fé no Conselho.

Porém, o senador Palpatine (Darth Sidious disfarçado) identifica que Anakin é especial e possui grandes habilidades e alto nível de energia. Com isso, Palpatine se aproxima de Anakin o acolhe, estimula, aconselha e o manipula, intoxicando aos poucos sua relação com os mestres Jedis. Palpatine sentiu a lacuna paterna de Anakin e, de modo perverso, aos poucos ocupou este lugar.

Conforme Lima Filho:

“as atitudes do pai para com a família, o trabalho e a política deixam marcas na criança, levando-a a distinguir entre o que é aceitável e o que não é”. Continua ao dizer que “a criança pode sofrer grave distúrbio se perceber que o pai não respeita seus superiores e é injusto com seus subordinados. O pai deve mediar uma consciência adequada da hierarquia social.”

(2002, p. 173)

Para Guggenbühl-Craig (1987, p. 31-42 apud LIMA FILHO, 2002, p. 175) a paternidade negativa “é impulsionada por sua necessidade arquetípica de isolar, ignorar, negligenciar, abandonar, repudiar, expor, devorar, escravizar, vender, mutilar, trair o filho (…)”. 

Sendo assim Palpatine imbuído do arquétipo do pai terrível, domina aos poucos a psique de Anakin ao fomentar seu lado sombrio.

Para Corneau (1991, p. 29, apud LIMA FILHO, 2002, p. 302) as prováveis consequências para a criança devido a violências, manipulações, abandonos, vícios destrutivos paternos são: falta de confiança em si mesma; timidez excessiva; dificuldade de adaptação; maturidade prejudicada; dependência estendida; angústia; depressão; obsessões; compulsões; fobias; tendências a reprimir a raiva; desejo de amor passa a ser expresso de formas aberrantes (tentativas de suicídio semidesejadas; fugas; falsas doenças; palavras culpabilizantes, manipulações. 

Com a morte de Qui-Gon, o treinamento de Anakin passa a ser responsabilidade de Obi-Wan Kenobi. Porém a relação entre ambos é mais como uma irmandade, num misto de respeito e competição. Anakin não o sente como figura paterna.

No código Jedi existe a negação das emoções. Os Jedis, devem reprimir todos os sentimentos negativos (e positivos, como por exemplo o amor) que os acercam. 

Anakin vive suas emoções contra o código Jedi e casa-se com o amor da sua vida, Padmé. Porém, como precisa manter a relação em segredo, fica muito tempo ausente e afastado da esposa. 

Ele tem acessos de raiva e ciúmes, é competitivo e prepotente. Ele sabe que é superior aos outros Jedis e deixa-se levar facilmente por sua vaidade. 

Com o passar dos anos, Anakin ganha força, astúcia e habilidade, é cada vez mais manipulado por Palpatine (seu pai terrível), desconfia e discorda com contundência do Conselho Jedi e perde a fé em Obi-Wan. Sua frustação e raiva escalam e ele passa a ser dominado pela sombra.

Quando Palpatine decreta a Ordem 66 (protocolo secreto de extermínio dos Jedis), movido pelo ódio e por uma vontade cega de obedecer às ordens de seu pai terrível, Anakin não sente culpa ou remorso em assassinar a todos, inclusive as crianças. Cindido, está completamente dominado pela sombra.

Padmé estava grávida e não o apoia em sua decisão, deixando Anakin furioso. Desnorteado, ele vai até o planeta vulcânico de Mustafar e confronta com ódio seu mestre-irmão Obi-Wan.

A luta é selvagem, um embate entre o amor de Obi-Wan e o ódio de Anakin, que perde o combate e tem boa parte do corpo queimado nas lavas. Ao mesmo tempo, Padmé dá à luz aos gêmeos Leia e Luke e logo morre de tristeza após o parto.

Simbolicamente, a alma de Anakin morre junto com Padmé. 

Anakin foi consumido pelo fogo da vaidade, do ódio e da vingança e perdeu o amor. Seu corpo foi resgatado por Palpatine que o recriou mecanicamente, concebendo Darth Varder. Com a morte simbólica de Anakin, Palpatine (Darth Sidious) assume o papel de pai criador de Vader.

Ao colocar a máscara do Darth Vader, simbolicamente, ele está identificado com a sombra. Desconecta-se do corpo e dos sentimentos, e torna-se o arquétipo do pai terrível não apenas para seus filhos, mas para toda a galáxia. 

Ao morrer Anakin, ascende o comandante supremo da frota imperial – Darth Vader (lembrando que o arquétipo do pai terrível também pode estar presente e projetado no Estado e seus representantes; nos líderes religiosos; nos líderes das empresas; forças armadas; instituições de ensino, etc).

Os irmãos Skywalker foram separados: Leia foi entregue ao casal de senadores Organa e teve acolhimento amoroso de seus pais; Luke foi entregue aos tios Beru e Owen Lars, no planeta Tatooine. 

Luke, ao voltar para o planeta de origem de seu pai, simbolicamente retorna para o início da jornada do herói de seu pai, talvez inconscientemente numa tentativa de redimir seus caminhos. Apesar de crescer sob a tutela do tio, não tem projeção paterna nele.

Luke cresce sob o acompanhamento oculto de Obi-Wan, até que um dia recebe um pedido de socorro da desconhecida Leia. Com relutância, aceita e dá início a sua própria jornada do herói. Ele inicia a busca inconsciente por seu pai. Jung diz que:

“atrás do pai existe o arquétipo do pai e neste tipo preexistente está o segredo do poder paterno, a exemplo da força que leva o pássaro a migrar. Esta força não é produzida por ele, mas provém dos antepassados”.

(OC 4, 2013, §739, p. 317)

A busca pelo pai é algo arquetípico nas histórias de fundo mítico.

(…) o mito não deve ser explicado causalmente como consequência de um complexo pessoal de pai, mas deve ser entendido teleologicamente como uma tentativa do próprio inconsciente de resgatar a inconsciência da regressão ameaçadora. As ideias de “salvação” não são racionalizações subsequentes de um complexo de pai, mas mecanismos arquetípicos pré-formados do desenvolvimento da consciência.

(JUNG, OC 4, 2013, §739, p. 317)

Quando Luke diz aos companheiros que “eu gostaria de ter conhecido meu pai”, Campbell (1990, p. 176) afirma que existe algo poderoso na imagem da procura do pai e que encontrar o pai tem a ver com o encontro do seu próprio caráter e do seu próprio destino. 

No primeiro embate entre Luke e Vader, Luke ainda está inconsciente sobre a verdadeira identidade de Vader. A luta é intensa e Luke tem sua mão decepada pelo oponente. Logo após, Vader faz a revelação: “eu sou seu pai”.

Podemos entender a decepação da mão de Luke como uma alusão de sua castração simbólica por seu pai.

Lima Filho diz que:

“o pai pode diminuir o filho em todos os campos de suas atividades na tentativa de amputá-lo, com claras conotações castradoras”. Continua ao trazer que “o falo ocupa lugar central na identidade e no poder masculinos; diminuir o domínio fálico, o tamanho ou a virilidade de outro homem, é, na verdade, diminuir o homem”. 

(2022, p. 293)

Vader tenta a todo momento convencer Luke a migrar para o lado negro da força, que seria treinado pessoalmente por ele, que Luke era impotente ao seu poder Sith e que ele deveria se render para governarem a galáxia como pai e filho.

Luke nega e foge, e percebe que não está pronto. 

Hillman (1985, p. 88-90) destaca três fenômenos decorrentes da atuação da sombra paterna sobre os filhos, todos com sentido paradoxal humanizador e evolutivo (a luz oculta na sombra):

  1. O pai destrutivo destrói a imagem idealizada de si mesmo;
  2. Os traços terríveis do pai iniciam o filho em sua própria sombra e o filho não precisa esconder sua fatia de escuridão, acolhendo-a como algo necessário à sobrevivência;
  3. A ausência e mesmo a perversão paternas despertam a consciência moral nos filhos, que experimentam indignação moral com relação ao mau exemplo do pai.

Após escapar, Luke vai até ao Yoda e o convence a complementar seu o treinamento.

A dinâmica de Yoda e Luke aponta para o arquétipo do Velho Sábio e seu aprendiz. Yoda traz à consciência de Luke seus medos, raivas e inseguranças, convoca uma nova estruturação de ego, promove sua autoconfiança, desenvolve seus poderes tanto físicos, quanto espirituais e psíquicos. Como um movimento de cura, Yoda atua no complexo paterno positivo de Luke e o ajuda a reintegrar o que estava cindido. 

Ao finalizar o treinamento, Yoda traz à consciência de Luke que seu treinamento só estaria completo quando ele enfrentasse seu pai:

Yoda: A morte me espera, e cedo tenho que partir. É assim que as coisas são, o caminho da força.

Luke: Mas preciso de sua ajuda, eu voltei para completar o treinamento.

Yoda: Mais treinamento você não precisa, você já sabe tudo que deveria saber.

Luke: Então eu sou um Jedi

Yoda: Ainda não. Só falta algo: Vader… você precisa enfrentar Vader, e só um Jedi assim você será. Confrontá-lo você vai.

Luke: Mestre Yoda, Darth Vader é meu pai?

Yoda: Preciso descansar

Luke: Eu preciso saber

Yoda: Seu pai ele é. Ele te contou, não foi?

Luke: Sim

Yoda: Inesperado isto é, e triste.

Luke: Triste por que eu sei a verdade?

Yoda: Não! Triste é que você terá que enfrentá-lo para completar seu treinamento. Não pronto para o confronto você estava.[1]

Luke retorna e se entrega voluntariamente para um segundo confronto com seu pai terrível.

Luke inicia a conversa tentando resgatar Darth Vader do mundo das sombras, para que ele retome a consciência de que Anakin Skywalker está por trás da máscara. Vader reconhece que seu filho está com o treinamento completo e ambos percebem que o confronto será fatal.

Vader leva Luke ao encontro de seu “avô”, Lorde Sidious, que quer a todo custo trazê-lo para o lado negro da força. Luke nega, dizendo que ele não cometerá o mesmo erro que seu pai. 

Darth Sidious provoca Luke até ele atacá-lo com seu sabre de luz. Vader sente conflito em destruir seu filho, e Luke não quer lutar contra seu pai. Mas, quando Vader diz a Luke que irá perseguir Leia, Luke inicia uma terrível batalha contra ele.

Campbell (1990, p. 157) diz que “os mitos estimulam a tomada de consciência da sua perfeição possível, a plenitude da sua força, a introdução de luz solar no mundo. Destruir monstros é destruir as coisas sombrias”.

A luta é emocional e intensa, numa equiparidade de força e técnica. Ambos se entregam num grande duelo, quando Luke derruba Vader e decepa sua mão.

Metaforicamente, o filho castrou o pai, numa paridade de poder.

A imagem do pai terrível que habitava Luke foi combatida e seu poder minimizado. Vader fora subjugado. Porém, como um avô terrível, Sidious incita Luke a matar Vader e se juntar ao lado negro da força, mas ele se recusa.

Furioso, Sidious usa os “relâmpagos da Força” contra Luke, causando grande sofrimento. Ele implora ajuda ao pai, que apenas assiste a cena.

Quando percebe que Luke vai sucumbir, Vader decide combater seu próprio pai terrível: movido pelo ódio ao pai e pelo amor ao filho, ele confronta Darth Sidious e o arremessa para o espaço, liquidando assim sua vida. Vader destruira aquilo que o consumira por toda sua existência. 

Entretanto, os danos foram irreversíveis… Luke o aconchega em seus braços tentando proteger seu pai. Consciente de sua morte, Vader pede para Luke remover sua máscara pois quer vê-lo com seus próprios olhos.

Luke retira a máscara e ambos se olham.

Despido da persona, o terrível Darth Vader era um homem ferido, frágil e alquebrado. Com a morte de Vader, Anakin pode vivenciar o retorno de Jedi.

Ao olharem-se sem a máscara, pai e filho se veem refletidos e Vader tem sua redenção pelo amor ao filho.

A luta contra o pai terrível nunca é fácil, porém necessária. Olhar em retrospectiva, falar sobre os sofrimentos e mergulhar no complexo paterno é dolorido, mas necessário para despertar nossa consciência. 

Com o tempo, trabalhar este complexo poderá nos libertar dos grilhões que nos aprisionam, trazendo assim harmonia psíquica.

Ao destronarmos o pai terrível, nos liberamos dos pesados julgamentos que nos impomos e podemos enfim trilhar com nova fluição, num novo pulsar.

Ao nos livrarmos dos sapatos que nos incomodam, podemos caminhar com liberdade pelas vias que escolhemos. This is the way[2].

Que a Força esteja com você.

Daniela Euzebio – Analista em formação

E. Simone Magaldi – Membro didata

Referências:

CAMPBELL, Joseph; MOYERS, Bill. O Poder do Mito. São Paulo: Palas Athena Editora, 1990.

JUNG, Carl Gustav. Freud e a psicanálise. Petrópolis: Vozes, 2013 (Obras completas de C.G. Jung, v. 4).

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Vozes, 2017 (Obras completas de C.G. Jung, v. 9/1).

KERENUI, Karl; HILLMAN, James. Édipo e variações. Petrópolis: Vozes, 1995.

LIMA FILHO, Alberto Pereira. O pai e a psique. São Paulo: Paulus, 2002.


[1] Reprodução do diálogo entre Luke e Yoda no filme O retorno de Jedi (1983)

[2] Lema mandaloriano da franquia Star Wars. Em tradução livre significa “Este é o caminho”.

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