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Não faz muito tempo, as imagens fotográficas eram “escritas à luz”. Era um tempo de menos telas. A revelação era uma verdadeira cura, no sentido de cuidado e transformação. Primeiro, as máquinas fotográficas captavam a imagem num filme, onde luz e sombra se invertem. Por isso, o filme também era chamado de negativo. Depois, na penumbra de uma câmara escura, a imagem florescia positiva, em meio à sombra e à luz. Neste ensaio, faço um paralelo entre o processo analítico e o antigo jeito de revelar imagens. Procuro mostrar que tanto analista quanto analisando têm como missão, por meio de ampliações simbólicas e uma atenta e reveladora curadoria de luz e sombra, fazer do negativo, que obscurece a alma, algo positivo.
Observamos em nossa sociedade atual a demanda por performance na vida pessoal para que as pessoas se mantenham relevantes em seus círculos sociais. A lógica algorítmica de funcionamento das redes sociais silencia gradativamente o contato do indivíduo com sua subjetividade e desloca do ego a possibilidade de experiência simbólica diante da vida. Em busca de narrativas que promovam engajamento e audiência, o indivíduo, na escassez de sua intimidade com o mundo imaginal e tomado por complexos sombrios, dá voz à persona do sofrimento. Essa, transforma o próprio sofrimento em entretenimento de massa como ferramenta de pertencimento social e manutenção do indivíduo na identificação com a coletividade e com seus sintomas.
Este artigo analisa, a partir da Psicologia Analítica, como a cultura da performance e as práticas de biohacking intensificam a unilateralidade da consciência e fragilizam o eixo ego–Self. Os principais sintomas contemporâneos — burnout, ansiedade, depressão e fadiga moral — são compreendidos como manifestações compensatórias do inconsciente diante da hipertrofia racional e do empobrecimento da vida simbólica. O texto propõe uma leitura clínica na qual tais sintomas funcionam como sinais reguladores, convocando a uma reorganização psíquica e à retomada da designação humana como fator irracional que motiva à emancipação da massa gregária em busca do desenvolvimento da personalidade e à inteireza.
Resumo: Este artigo propõe uma reflexão sobre um sintoma marcante da contemporaneidade: a ausência de si e o medo de…
“Tempo, tempo, tempo, tempo. És um dos deuses mais lindos” A partir do pequeno trecho acima da música “Oração ao…
Resumo: Neste artigo, a indiferença ganha palco, mostrando como esse vírus simbólico atua em diferentes campos da vida humana e…
Resumo: Este artigo analisa a transição de carreira na meia-idade à luz da psicologia analítica de C.G. Jung, compreendendo-a como…
Resumo: O texto aborda a solidão como uma experiência essencial da condição humana, que se expressa de formas distintas conforme…
Ao imaginar a escrita desse artigo me ocorreu de o futuro leitor pensar: “mas quem é esse sujeito arrogante querendo…
Resumo: O constante avanço dos procedimentos estéticos e a construção de uma autoestima. Nesse artigo, se aborda a relação desses…
