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Muita coisa mudou nos últimos 100 anos nas vidas das mulheres ocidentais, especialmente aquelas que vivem nas grandes cidades. Algo do aspecto masculino (Animus) tornou-se bastante consciente e ativo, usando muito da energia psíquica das mulheres. Será que, de forma compensatória, teria algo do feminino nas mulheres foi tornado inconsciente, criando uma “nova” Anima?
Não faz muito tempo, as imagens fotográficas eram “escritas à luz”. Era um tempo de menos telas. A revelação era uma verdadeira cura, no sentido de cuidado e transformação. Primeiro, as máquinas fotográficas captavam a imagem num filme, onde luz e sombra se invertem. Por isso, o filme também era chamado de negativo. Depois, na penumbra de uma câmara escura, a imagem florescia positiva, em meio à sombra e à luz. Neste ensaio, faço um paralelo entre o processo analítico e o antigo jeito de revelar imagens. Procuro mostrar que tanto analista quanto analisando têm como missão, por meio de ampliações simbólicas e uma atenta e reveladora curadoria de luz e sombra, fazer do negativo, que obscurece a alma, algo positivo.
Este artigo trata da crise da meia idade associada à menopausa e traz algumas reflexões de como essa crise pode ser vivenciada e superada de forma positiva ou negativa, uma vez que a crise é inevitável. Porém, tudo dependerá do manejo, de como se lida com a crise e se há abertura para lidar com a nova realidade. E diante disso, se continuará reprodutiva do ponto de vista criativo e espiritual ou se ficará presa à questão da reprodução biológica e desperdiçará toda a capacidade de continuar procriando.
Este artigo discute, a partir da psicologia analítica, os fatores simbólicos e estruturais que contribuem para a permanência de mulheres em relacionamentos abusivos. Articulam-se os conceitos junguianos de anima e animus, sombra, complexo, feminino ferido e patriarcado para compreender por que tantas mulheres aprendem a suportar, silenciar-se e assumir responsabilidades que não lhes pertencem. Defende-se que tais padrões não derivam de fraqueza, mas de dinâmicas psíquicas profundas que, quando compreendidas e integradas, tornam-se chave para a transformação e para o restabelecimento da dignidade do feminino. Por fim, aborda-se o caminho de saída, que exige segurança, rede de apoio e processo de análise terapêutica.
Este artigo apresenta reflexões sobre o envelhecimento à luz da Psicologia Analítica, destacando-o como um período simbólico de ampliação da consciência e integração dos conteúdos inconscientes. A partir de Jung e de autores contemporâneos, reflete-se sobre a vida não vivida, o movimento de interiorização e a busca por significado como aspectos fundamentais da jornada de individuação na segunda metade da vida. Envelhecer, sob essa perspectiva, deixa de ser apenas um declínio biológico e se torna um convite à integração, à reconciliação e à plenitude.
Este ensaio propõe uma reflexão sobre o caminho para a alma, a partir da psicologia junguiana, tomando como eixo crítico o modo de vida contemporâneo e suas formas de subjetivação marcadas pela aceleração, pela funcionalização da experiência e pela perda de espessura do sensível. O paradoxo que atravessa o texto é o de que o caminho para o interior, para a alma, não se dá por afastamento do mundo, mas precisamente por uma reaproximação do sensível, onde, na tensão entre opostos, algo de simbólico pode emergir e devolver ao humano a possibilidade de habitar o mundo com maior profundidade.
Nossa sociedade valoriza cada vez mais a ideia de não ter limites, como fonte de liberdade e caminho para a felicidade. O capitalismo se aproveita e usa esse slogan: “você sem limites”, então, você pode ter o que quiser. As pessoas têm acreditado que quanto mais tiverem, ou aparentarem ter, melhor. Os limites são colocados como inimigos, numa ilusão de que basta querer, para poder. Neste breve artigo, trago as implicações e consequências psíquicas e sociais de não ter limites. E como a psicologia analítica vê a importância de reconhecer os próprios limites, para o desenvolvimento da personalidade, no caminho da individuação.
Você já se perguntou o que seus sonhos significam? Desde tempos ancestrais, os sonhos, com seus enredos intrigantes, instigam a curiosidade humana, que busca desvendar seus mistérios. Atualmente, a interpretação dos sonhos é um campo fértil na psicologia, especialmente nos settings de análise junguiana, onde a pergunta “Qual foi o seu sonho?” se torna um ponto de partida para a exploração do inconsciente. Neste ensaio, adentraremos o mundo dos sonhos sob a perspectiva da Psicologia Analítica de Carl Jung, ampliando sobre como essas narrativas noturnas podem revelar mensagens profundas e guiar você em sua jornada de autoconhecimento e individuação.
Nesse artigo trouxe alguns números novos, explorando o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, divulgado por ocasião do dia 1 de dezembro –Dia Mundial de Luta contra a Aids – do ano de 2025. Segundo Jung, “Faz parte do amor a profundidade e fidelidade do sentimento (…) o verdadeiro amor sempre pressupõe um vínculo duradouro e responsável”. (JUNG.2019, & 231). Nesse sentido, em profundidade de “Alma”, como postula Jung, o termo “fazer amor” nos torna mais próximos dessa afetividade. (…)
Quem nunca se sentiu impotente frente a uma situação da vida, seja no trânsito, em um conflito no trabalho, no relacionamento? Por vezes, coisas que parecem banais – como uma palavra, um barulho, um olhar – podem, em um determinado contexto, ativar conteúdos inconscientes e constelar complexos que causam danos desproporcionais.
Os complexos, por carregarem uma grande carga afetiva, fazem parte da vida cotidiana de todos nós. Somos, em maior ou menor grau energético, constantemente atravessados por eles, impactando todas as áreas da nossa vida, pois atuam de maneira autônoma diretamente nas relações, sejam elas familiares, profissionais, afetivas ou amizades.
