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Este ensaio propõe uma leitura dos Dez Quadros do Pastoreio do Boi — sequência atribuída ao mestre Zen Kaku-an Shi-en, da escola Rinzai do século XII — como um mapa simbólico do processo de individuação tal como o conceberam C. G. Jung e Marie-Louise von Franz. Tomando a gramática alquímica (nigredo, albedo, rubedo, a união dos opostos, a pedra filosofal) como chave interpretativa, o texto percorre os dez quadros em quatro movimentos: o despertar e o primeiro encontro com o inconsciente (I–III), o confronto com a sombra e a integração do instinto (IV–VI), a dissolução do símbolo e a experiência do si-mesmo no círculo vazio (VII–VIII) e o retorno ao mundo como individuação encarnada (IX–X). Ao reconhecer, entre o Zen e a alquimia ocidental, a mesma trajetória arquetípica expressa em linguagens simbólicas distintas, o ensaio sustenta que o boi jamais esteve perdido: é o pastor — o ego — que precisa percorrer o longo caminho de descobri-lo, domá-lo, deixá-lo ir e, enfim, regressar transformado ao convívio comum.

A Jornada do Pastor e do Boi

Uma leitura dos Dez Quadros do Pastoreio do Boi, do mestre Zen Kaku-an, como um mapa simbólico do processo de individuação. Através da gramática alquímica da nigredo, da albedo e da rubedo, e à luz de Jung e von Franz, acompanho o caminho do pastor rumo ao boi — do extravio inicial ao retorno transformado ao mundo —, reconhecendo entre o Zen e a alquimia ocidental a mesma trajetória arquetípica em direção ao si-mesmo.

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Neste ensaio, faço uma ampliação da relação entre algoritmos e arquétipos, destacando suas naturezas complementares e assimétricas. Discuto a finitude causal dos algoritmos, voltados para previsão e controle, em contraste com a infinitude criativa dos arquétipos, que estruturam o inconsciente coletivo. Não seria possível deixar de fora a conexão entre a propriedade psicoide dos arquétipos e a sincronicidade como manifestação acausal do Self, ligando eventos internos e externos de modo significativo, ou seja, como aquilo que Jung chamou de “ato de criação no tempo”. A hegemonia algorítmica contemporânea pode obscurecer a dimensão simbólica e existencial da experiência, negando a vivência da verdadeira chance sincronística. Acredito que a tensão entre finitude e infinitude deve ser mantida para preservar a emergência do sentido na vida humana.

Arquétipos, Algoritmos e Sincronicidade

Resumo: Neste ensaio, faço uma ampliação da relação entre algoritmos e arquétipos, destacando suas naturezas complementares e assimétricas. Discuto a finitude causal dos algoritmos, voltados

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Nesse artigo reflito sobre a ideia de que na sociedade contemporânea a inflação e a identificação com os complexos são a regra. O indivíduo que se propõe ao trabalho verdadeiro de aprofundamento em si mesmo precisa lutar, não só contra as suas próprias resistências, mas também, e talvez com mais dificuldade, contra as projeções e identificações do entorno relacional, determinados pelo espírito da época e reforçados pela cultura capitalista que se recusa a fazer o exercício crítico e reflexivo sobre as suas próprias sombras.

A inflação nossa de cada dia

Numa sociedade que reforça a identificação patológica com os complexos, como o indivíduo pode encontrar a coragem e a vontade necessárias para se entregar religiosamente

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A partir da percepção de que aos conceitos da psicologia junguiana vem sofrendo uma popularização que traz aspectos positivos, mas que também projeta uma sombra que pode ser maior do que imaginamos, o presente artigo propõe uma reflexão sobre a consciência metafórica da albedo. Em oposição ao monoteísmo da consciência que unilateraliza e literaliza tudo, inclusive os conceitos da psicologia de profundidade, faz-se necessário refletir sobre esse fenômeno com o objetivo de desenvolvimento de uma consciência lunar, paradoxal e metafórica que abarque tanto os elementos de Logos quanto de Eros.

A Consciência Metafórica da Albedo

A partir da percepção de que aos conceitos da psicologia junguiana vem sofrendo uma popularização que traz aspectos positivos, mas que também projeta uma sombra que pode ser maior do que imaginamos, o presente artigo propõe uma reflexão sobre a consciência metafórica da albedo. Em oposição ao monoteísmo da consciência que unilateraliza e literaliza tudo, inclusive os conceitos da psicologia de profundidade, faz-se necessário refletir sobre esse fenômeno com o objetivo de desenvolvimento de uma consciência lunar, paradoxal e metafórica que abarque tanto os elementos de Logos quanto de Eros.

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narciso e narcisismo

Narcisismo e Inflação na Contemporaneidade

NARCISISMO E INFLAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE
Apesar de C. G. Jung praticamente não utilizar o termo narcisismo em sua obra, podemos encontrar na ideia da inflação uma certa correspondência com o que o termo significa. Através da teoria junguiana, podemos ampliar o que o comportamento narcisista significa, tanto do ponto de vista individual, quanto do coletivo; portanto, não ficamos presos àquilo que a psicanálise ortodoxa fala sobre o tema. No presente artigo faço amplificações sobre esse fenômeno que tem sido muito discutido na atualidade, encontrando nas falas do próprio Jung subsídios para olharmos para o narcisismo de diferentes ângulos, não somente a partir a identificação do ego com a persona.

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A SOMBRA GENTIL: a história de John Merrick O Homem Elefante

A Sombra Gentil: a história de John Merrick

Nesse artigo, através da ampliação simbólica a partir do conceito junguiano de sombra, trago uma reflexão sobre a vida de John Merrick, homem que era conhecido como o homem-elefante devido às deformidades que tomavam conta de cerca de 90% de seu corpo. Apesar de ele ter vivido no final do séc. 19, acredito que muito da sua história pode ser situações contemporâneas. Para isso, além dos conceitos criados por Carl Gustav Jung, utilizo o filme de David Lynch chamado O Homem Elefante e a obra de Ashleyu Montagu, O Homem Elefante: um estudo sobre a dignidade humana. Convido o leitor a caminhar na direção do homem elefante que habita a sua própria psique.

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Sem falsidade

Sem falsidade

A partir de uma aula dada durante o curso de especialização em psicologia junguiana do IJEP, durante a qual aprofundamos o conceito de sincronicidade e sua relação com o funcionamento das técnicas mânticas e, mais especificamente, do I Ching, propomos uma consulta ao oráculo e perguntamos: “O que devemos fazer com o conhecimento adquirido durante esse curso?”. Nesse artigo revelo a resposta dada pelo livro e amplio brevemente o significado do hexagrama obtido.

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Wu Wei: o princípio taoista de deixar acontecer

Neste artigo proponho uma ampliação simbólica do princípio taoísta conhecido como Wu Wei. De maneira reduzida, a expressão é comumente traduzida como “não ação”, mas veremos que essa explicação, apesar de não estar errada, é insuficiente para englobar o princípio psicológico que ela trás. C. G. Jung utilizou essa mesma expressão em vários momentos de sua obra depois de entrar em contato com essa ideia no texto taoísta O segredo da flor de ouro, por isso, para estudiosos da obra junguiana, é importante dar atenção ao tema.

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