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O presente ensaio é um convite à reflexão simbólica do Complexo de Cassandra e a endometriose. A narrativa mítica apresenta um contexto para pensar sobre os significados da histeria e fazer uma releitura desse diagnóstico de forma simbólica. Esse texto não se propõe a esgotar o tema, mas a aprofundar a reflexão acerca do descrédito do feminino e do enlouquecimento do feminino sob uma leitura arquetípica do complexo materno negativo.

Este ensaio propõe que o “homem moderno” descrito por Jung – um ser profundamente desenraizado, alienado de suas camadas históricas e instintivas, e entregue a uma hybris da consciência que o isola do mundo arquetípico, é o sintoma psíquico de uma violência material fundamental: a perda do território. A própria racionalidade e o pensamento abstrato, que a filosofia da época entendia como resultado teleológico de um desenvolvimento inevitável da consciência, será aqui examinada como uma ferida, uma resposta adaptativa ao trauma histórico concreto da expropriação, dos cercamentos, do colonialismo e do disciplinamento dos corpos que destruiu as bases territoriais da existência comunitária.

O trecho de carta de Emma Jung para Neumman, apresentado pela analista junguiana e professora Cris Guarnieri em aula, não parou de ecoar em mim. Emma diz suspeitar que toda mulher contém um componente não relacional, ao qual chamou de componente Artemis. Ao observar experiências de mulheres contemporâneas a mim e as minhas próprias experiências, encontro exemplos que ampliam e confirmam a suspeição de Emma.

O presente trabalho percebe a cidade contemporânea como um espaço desanimado pelo racionalismo absoluto do “meio-dia de Apolo”, que transformou a urbe em um cenário de espetáculo e desempenho. Diante do risco da enantiodromia — a irrupção caótica e violenta do irracional reprimido —, o ensaio defende a aisthesis como caminho para resgatar a anima mundi, devolvendo a alma ao mundo através da capacidade de notar e sentir a interioridade das coisas.

O sofrimento é inerente à condição humana e neste ensaio nos questionamos o que, tendo como base a teoria junguiana, poderia amparar indivíduos que atravessam sofrimentos intensos. Partimos do livro bíblico de Jó para fazer essa análise, sobre o qual Carl Gustav Jung destacou a relação entre o humano e o divino, enfatizando a presença de aspectos sombrios na própria imagem de Deus. No presente artigo, procuraremos olhar a história a partir de outro ponto de vista do funcionamento da psique, buscando compreender o que pode ter dado sustentação para que o personagem não sucumbisse diante de tantas provações. Para tanto, recorremos ao princípio de Eros, concebido como amor primordial, enquanto fundamento deste amparo psíquico.

O Presente artigo comemora o aniversário de Nise da Silveira, importante psiquiatra que revolucionou a psiquiatria no Brasil, recusando-se a aplicar os tratamentos da época, que eram bastante violentos. O artigo fala da trajetória desta mulher extraordinária, do seu encontro com Jung, da participação no II Congresso de psiquiatria de Zurique, dos primeiros anos no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro e de seu trabalho com a terapêutica ocupacional. Fala ainda da fundação do Museu do Inconsciente e da Casa das Palmeiras, importante centro de acolhimento aos doentes mentais proporcionando contato com diversas expressões criativas visando a melhora dos doentes, principalmente os esquizofrênicos.

O objetivo deste artigo é oferecer uma ampliação sobre o mito de Narciso, destacando e refletindo dinâmicas psíquicas importantes, que estão presentes desde o início na história. O que nos condena e às nossas relações? E, principalmente, como é possível, mesmo encurralados em extremos e polaridades, encontrarmos aquilo que ajuda a mirar o caminho?

O texto aborda Iemanjá como expressão plural do arquétipo da Grande Mãe, problematizando a idealização do materno como figura única, sempre acolhedora e previsível. Em diálogo com Jung, apresenta diferentes faces de Iemanjá – nutridora, firme, encantadora , profunda – como modos simbólicos que respondem a distintas necessidades psíquicas.