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O artigo aborda o cuidado como dimensão essencial da existência humana, articulando as contribuições de Leonardo Boff e da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Defende que o cuidado ultrapassa o campo ético e constitui uma condição ontológica do ser humano, presente desde a origem da vida e fundamental aos processos de transformação psíquica, às relações interpessoais e à reconexão com a natureza. Em um contexto de crises ecológicas, sociais e psíquicas, propõe o cuidado como caminho de regeneração da vida e de construção de uma cultura de paz.

O que é suficiente para uma vida humana? Essa questão, aparentemente simples, atravessa diferentes tradições do pensamento ocidental e ressurge, em cada época, como uma crítica às diversas formas de excesso que caracterizam a experiência humana. Para Sêneca, tratava-se do excesso de desejos e da dependência dos bens exteriores; para os transcendentalistas, do afastamento da natureza e da simplicidade; para Jung, da identificação com a persona e da perda de contato com o Si-mesmo. Embora formuladas em contextos distintos, essas perspectivas convergem na compreensão de que o sofrimento humano não decorre apenas da escassez, mas também do acúmulo: de posses, de papéis, de expectativas e de tudo aquilo que obscurece a experiência do essencial.

Este ensaio propõe que o “homem moderno” descrito por Jung – um ser profundamente desenraizado, alienado de suas camadas históricas e instintivas, e entregue a uma hybris da consciência que o isola do mundo arquetípico, é o sintoma psíquico de uma violência material fundamental: a perda do território. A própria racionalidade e o pensamento abstrato, que a filosofia da época entendia como resultado teleológico de um desenvolvimento inevitável da consciência, será aqui examinada como uma ferida, uma resposta adaptativa ao trauma histórico concreto da expropriação, dos cercamentos, do colonialismo e do disciplinamento dos corpos que destruiu as bases territoriais da existência comunitária.

Este ensaio propõe uma leitura simbólica e alquímica do saneamento básico no Brasil a partir da psicologia analítica. Articulando dados da crise sanitária brasileira com conceitos de Jung, Hillman, Bauman, Mbembe e Nego Bispo, o texto compreende água, resíduo sólidos, esgoto e drenagem de água pluvial como imagens da psique coletiva. A reflexão discute temas como sombra, inconsciente coletivo, colonialidade, higienismo psíquico e transformação, propondo a “confluência básica” como ética simbólica de integração e ampliação da consciência coletiva.

ocê já foi intensamente desejado para pouco tempo depois ser completamente ignorado? Onde conversas antes fluídas são friamente bloqueadas nos aplicativos e nos afetos? Entre o fascínio e a descartabilidade, o love bombing e o ghosting bailam na superfície das relações digitais , onde projeções, idealizações e rupturas se entrelaçam. Num encontro dialético entre Carl Gustav Jung e Zygmunt Bauman, este ensaio é um convite para refletir sobre a liquidez das relações e a sombra das projeções na era digital. Se o love bombing aponta para uma inflação do ego e o ghosting para a descartabilidade sombria, ambos denunciam a dificuldade de sustentar a alteridade. Entre a fusão e a fuga, a relação revela a dificuldade em estabelecer vínculos. Jung diz que “o amor custa caro e nunca deveríamos tentar torná-lo barato”, e nos tempos líquidos e de fuga, talvez seja a profundidade e a alteridade que nos permitirá encontrar a plenitude no amor.”

Este texto propõe um olhar sobre as diversas formas de exploração animal na contemporaneidade, como a pecuária, a moda e o entretenimento, investigando, a partir da psicologia analítica de Carl G. Jung, quais dinâmicas psíquicas as sustentam. A hipótese central é a de que essa exploração expressa uma cisão entre o humano e sua própria natureza instintiva, alimentada por mecanismos de projeção e dissociação que atravessam a cultura como um todo. A pecuária, por sua escala e profunda naturalização, recebe uma atenção mais ampliada, justamente por ser o campo onde a violência mais se organiza como sistema e menos se apresenta como tal. Um convite a olhar para aquilo que a normalidade cultural aprendeu a não ver.

Este ensaio aborda a exploração animal no turismo, descrevendo a forma como eles são tratados pelos humanos: desde o momento de sua captura, passando pelos maus-tratos a que são submetidos, os sofrimentos que sentem e até os ganhos que existem por trás desta indústria predatória. Ele amplia, através da psicologia profunda, o olhar sobre a projeção da sombra nesses animais. Propõe reflexões a respeito do que queremos capturar, prender, domar e combater interiormente que negamos e passamos a realizar isso do lado de fora. Por fim, são apresentadas sugestões de como ajudar esses animais não humanos.

Este artigo tem como objetivo apresentar como o avanço da inteligência artificial (IA), sobretudo a IA generativa, tem transformado as formas de relacionamento humano. Em uma sociedade hiperconectada e orientada por dados, emergem novas formas de vínculo afetivo entre humanos e sistemas artificiais, como chatbots e assistentes digitais. A partir de um panorama contemporâneo, este artigo articula conceitos relacionados à inteligência artificial, IA generativa, engenharia de prompts e interfaces virtuais conversacionais com uma leitura fundamentada na psicologia analítica, perspectiva que contribui para compreender as conexões entre humanos e modelos de IA. Mais do que interpretar tais relações como meramente tecnológicas, trata-se de reconhecê-las como fenômenos psíquicos nos quais conteúdos inconscientes são mobilizados, projetados e, por vezes, intensificados. São abordados conceitos como inflação do ego, anima, animus e sombra, bem como uma leitura simbólica à luz do mito de Narciso e Eco.

A frase “Essa dor é mais fácil” me moveu a escrever esse artigo. Uma menina de seus quinze anos que se fere, com um pequeno estilete, na parte de dentro da coxa onde ninguém possa ver, retrata o alívio que apresenta ao sentir a dor da pele cortada, e a explicação, simples e seca é: “Essa dor é mais fácil”. Em plena adolescência, um pedido de socorro. Perguntas afloram minha mente. Que dor é essa, mais difícil de suportar do que o ato de automutilação? Assim, numa ativação do meu complexo Materno, desejo ardentemente entender quais são os mecanismos psíquicos que levam uma pessoa a cometer tal ato e, talvez assim, poder ajudá-la a encontrar uma saída dentro desse vasto mundo da psique.

Nem tudo que se esconde na sombra é negativo. O positivo também pode ser encontrado lá. A relação do ser humano com os outros animais é de grande exploração e demonstra uma unilateralidade extrema. A partir disso, surge o veganismo como uma alternativa de compaixão, revelando a dinâmica psíquica da sombra coletiva. Apesar de ser um movimento social, ele convida o indivíduo a olhar para si mesmo, se conscientizar e assumir a responsabilidade pelo bem-estar de todos os animais e o planeta como um todo.