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Este texto investiga, à luz da psicologia analítica, porque mulheres permanecem em vínculos violentos, propondo que a resposta não está na fraqueza de caráter, mas na teoria dos complexos. Sendo o pai o primeiro portador da imagem do masculino interior, o complexo paterno negativo faz com que essa imagem se forme sob a ferida, e é então que o animus se constitui em sua face negativa, como a voz que primeiro condena internamente e depois se projeta sobre o agressor, de modo que a mulher reconhece nele não o perigo, mas a própria ferida. Amplificado pelo conto “Barba Azul”, o argumento mostra que a sombra negada acrescenta o fascínio pela força não vivida e que a fidelidade à ferida explica a repetição. A responsabilidade pela agressão, contudo, é sempre do agressor, e o olhar analítico não procura culpad os, mas integração. Conclui que tornar consciente o que opera dentro é o que impede que retorne como destino, e que a individuação significa converter o animus de carrasco em aliado.
Este ensaio propõe uma reflexão sobre a atitude simbólica na psicologia analítica, compreendendo a imagem como linguagem própria da psique e, o símbolo, como principal mediador da relação entre consciência e inconsciente. A partir das contribuições de Carl Gustav Jung, Nise da Silveira e outros autores da tradição junguiana, discute-se o potencial transformador da imaginação, dos símbolos e dos recursos expressivos no processo terapêutico.
Este artigo discute a dificuldade de romper padrões familiares na parentalidade, mesmo quando existe o desejo consciente de educar os filhos de forma diferente daquela vivenciada na própria infância. As experiências emocionais não elaboradas, e até mesmo as elaboradas, podem influenciar reações automáticas e a repetição de comportamentos herdados. Utilizando o mito grego de Urano, Cronos e Zeus como metáfora da transmissão transgeracional de padrões, o texto reflete sobre os desafios de transformar a própria história familiar.
O presente ensaio é um convite à reflexão simbólica do Complexo de Cassandra e a endometriose. A narrativa mítica apresenta um contexto para pensar sobre os significados da histeria e fazer uma releitura desse diagnóstico de forma simbólica. Esse texto não se propõe a esgotar o tema, mas a aprofundar a reflexão acerca do descrédito do feminino e do enlouquecimento do feminino sob uma leitura arquetípica do complexo materno negativo.
Neste ensaio convido o leitor a uma leitura simbólica da série “Ruptura” (Severance) dentro da perspectiva da psicologia de profundidade de Carl G. Jung, investigando, principalmente, o fenômeno da cisão psíquica como forma de expressão do monoteísmo da consciência. A partir disso, ampliaremos como esse fenômeno, quando patologicamente unilateral, promove no indivíduo o distanciamento do processo de individuação e a recusa da experiência de vida em sua totalidade.
Este artigo propõe uma reflexão sobre como o ideal de perfeição se constitui, quais suas raízes simbólicas e como ele pode levar ao enrijecimento da personalidade, impedindo o fluxo natural do processo de individuação.
Este ensaio aborda o tema projeção na Psicologia Analítica de C.G. Jung, explorando reações como a irritação intensa ou a inveja que diante do outro pode revelar conteúdos inconscientes não reconhecidos, propondo que aquilo que criticamos no outro pode indicar desejos, faltas ou possibilidades negadas em nós. Ninguém tem consciência da projeção, ela causa uma apercepção que tinge a clareza dos fatos.
Quem nunca se sentiu impotente frente a uma situação da vida, seja no trânsito, em um conflito no trabalho, no relacionamento? Por vezes, coisas que parecem banais – como uma palavra, um barulho, um olhar – podem, em um determinado contexto, ativar conteúdos inconscientes e constelar complexos que causam danos desproporcionais.
Os complexos, por carregarem uma grande carga afetiva, fazem parte da vida cotidiana de todos nós. Somos, em maior ou menor grau energético, constantemente atravessados por eles, impactando todas as áreas da nossa vida, pois atuam de maneira autônoma diretamente nas relações, sejam elas familiares, profissionais, afetivas ou amizades.
O objetivo deste artigo é oferecer uma ampliação sobre o mito de Narciso, destacando e refletindo dinâmicas psíquicas importantes, que estão presentes desde o início na história. O que nos condena e às nossas relações? E, principalmente, como é possível, mesmo encurralados em extremos e polaridades, encontrarmos aquilo que ajuda a mirar o caminho?
O presente artigo propõe uma aproximação entre o processo analítico e a construção de uma ética amorosa por meio do confronto com a sombra individual. A partir dos textos de Jung, hooks e Neumann, conclui-se que o envolvimento do indivíduo em seu processo de autoconhecimento favorece uma atitude de alteridade, promovendo uma prática relacional mais amorosa e justa.
